4.1 Análise de Redes Sociais das unidades estudadas
4.1.2 Análise estrutural da rede (Unidade 2)
4.1.2.2 Centralidade de Intermediação (Unidade 2)
e auxiliar no elo, comunicação e troca de informações entre os usuários e a unidade de saúde/profissionais. Esta realidade percebida nos leva à percepção do trabalho isolado do ACS, e ao seguinte questionamento: Os demais profissionais valorizam e compreendem de fato a importância do trabalho do ACS para assistência e longitudinalidade no cuidado?
Esta realidade, de igual forma, abre precedente para discussão da educação permanente à equipe e gestão do cuidado ao usuário. Estariam os ACS preparados para lidar com as questões apresentadas?
A Facilitadora de SisReg também se destaca nesta rede como uma profissional com grau importante de centralidade. Vale recordar que nas duas redes, de ambas unidades, esta profissional foi citada como alguém com quem os atores se comunicam para que haja melhor cuidado à saúde dos usuários com HAS e DM. Neste momento, julga-se necessário ao menos uma breve compreensão no que consiste este Sistema de Regulação.
O SisReg consiste em um sistema de referenciamento do usuário à assistência especializada, comumente utilizado na regulação de vagas, controle e a regulação dos recursos hospitalares e ambulatoriais especializados, a nível tanto Municipal, quanto Estadual ou Regional. Este referenciamento ocorre articulado às decisões clínicas e aos processos de regulação do acesso (DATASUS, 2018).
A Facilitadora de SisReg é profissional da Secretaria de Saúde do município estudado, responsável pelo processo de regulação de vagas para encaminhamento à consulta e/ou exames especializados. Nas entrevistas, são visualizadas respostas que esclarecem que a marcação informatizada através do SisReg, por vezes, não funciona adequadamente por lentidão ou falha no sistema, fazendo assim com que entrem em contato com a Facilitadora.
Além disto, também entram em contato com a profissional em casos onde veem que há necessidade de marcação de consulta mais urgente ou em que o usuário possui idade maior que 70 anos, relatando que esta conduta é padronizada dentre os profissionais.
Com base nesta rede, através do software Ucinet obtêm-se os dados do seguinte quadro (Quadro 18):
Legenda:
Nota: ENF – enfermeiro; MÉD – médico; TÉC. ENF - técnico de enfermagem; ACS – agente comunitário de saúde; AUX. ADM – auxiliar administrativo; SUPERVISÃO DE PSF – supervisão do Programa de Saúde da Família; CIAD – Centro Integrado de Atendimento ao Diabético; PAC – Programa de Atenção Continuada; SISREG – Sistema de Regulação.
Fonte: A autora, 2018.
Figura 7 – Rede social da U2: centralidade de intermediação
Sendo assim, os atores que mais intermedeiam as relações e que possuem alto potencial de controle do fluxo das informações nesta rede são, respectivamente: a médica da unidade, a ACS 2, a TEC. ENF 1, o AUX. ADM 1. A ausência, no quadro, de alguns atores visualizados no sociograma é devido aos mesmos apresentarem valor igual a zero quanto à intermediação nas condições da pesquisa realizada: tais atores não foram entrevistados.
Sendo assim, de acordo com as métricas da rede, todos os profissionais desta Unidade possuem valor de intermediação nos processos do cuidado ao usuário com hipertensão e diabetes.
O resultado apresentando a médica como uma figura de grande importância neste processo de fluxo de informações é esperado pelos motivos assistenciais relacionados ao capital cultural que possui, e seu capital social adquirido, conforme já abordados anteriormente. Entretanto, sobressalta nestes resultados, a diferença em termos de valores com
Atores Centralidade de Intermediação
Médica 36,500
ACS 2 28,000
TÉC. ENF 1 13,833
AUX. ADM. 1 11,950
TÉC. ENF 2 11,333
ACS 1 10,950
AUX. ADM. 2 8,450
Enfermeiro 5,283
ACS 3 4,700
Quadro 18 – Medidas de centralidade de intermediação da U2
Nota: ENF – enfermeiro; MÉD – médico; TÉC. ENF - técnico de enfermagem; ACS – agente comunitário de saúde; AUX. ADM – auxiliar administrativo; SUPERVISÃO DE PSF – supervisão do Programa de Saúde da Família; CIAD – Centro Integrado de Atendimento ao Diabético; PAC – Programa de Atenção Continuada; SISREG – Sistema de Regulação.
Fonte: A autora, 2018
relação a um mesmo ator quando compara-se às métricas de centralidade de grau e a centralidade de intermediação.
Como exemplo, temos o fato de o enfermeiro da U2 possuir alto valor de centralidade de grau juntamente com a médica da unidade; porém, quando se analisa a centralidade de intermediação da mesma rede - o potencial de controle do fluxo de informação - este profissional, dentre todos os profissionais na rede, encontra-se somente acima do ACS 3.
Logo, percebe-se que a medida de centralidade de grau e de centralidade de intermediação não são diretamente proporcionais. Ou seja, o fato de um ator possuir elevado valor quanto a uma, não significa que terá a mesma posição quando relacionado à outra; havendo, inclusive, a possibilidade de que a posições de um mesmo ator quanto a estas centralidades, sejam
“inversas”.
Analisando a rede e as entrevistas para compreender tal posição do enfermeiro quanto à sua centralidade de grau versus a centralidade de intermediação, observa-se que tal enfermeiro possuía somente 4 meses de atuação na unidade e em ESF, possuindo assim ainda pouco vínculo com a equipe (percebido inclusive em uma das falas da TEC. ENF 1, que diz que “ele é novo e não está interagindo muito”), além de menor intimidade e propriedade com relação ao processo de trabalho; em algumas respostas sobre o cuidado ao paciente com hipertensão e diabetes, demonstra possuir pouco domínio acerca do assunto, informando que esta assistência é realizada somente pelo profissional médico, e que nem saberia como realizaria uma consulta a estes usuários.
Dentre todos os profissionais da Unidade, este enfermeiro somente cita a médica como contato para facilitar o acesso ao cuidado dos usuários, citando a mais somente a Secretaria de Saúde e a Facilitadora de SisReg. Sugere-se que o perfil mais reservado do profissional faz com que o mesmo tenha um tipo de comunicação no qual é procurado por ser enfermeiro e dar resolutividade às necessidades, porém não servindo de ponte para os demais. Ao que indica, estes fatores interferem no seu capital social na unidade.
As ACS foram citadas pela médica e pela TÉC. ENF. 1 pelo fato de ocuparem o papel de mediadoras entre a equipe e os usuários, facilitando na troca de informações e no cuidado destes. A posição da ACS 2 quanto à centralidade de intermediação, de igual modo é inesperada. Novamente, diferente das medidas obtidas quanto à centralidade de grau, em que a ACS 1 estava mais elevada, a ACS 2 apresenta maior valor, ficando como a segunda em posição na rede quanto a esta métrica. Esta ACS se mostrou com menor domínio que as outras duas profissionais da mesma categoria quando relacionado aos padrões preconizados de cuidados com os usuários das linhas estudadas; este fato também foi visualizado quanto à
sua compreensão com relação à proposta da ESF em prevenir agravos e promover a saúde, demostrando ter muitas dúvidas quanto aos processos. Há possibilidade de este fato tê-la feito estar nesta posição elevada no grau de intermediação, já que aciona mais atores, como as técnicas de enfermagem, para retirar suas dúvidas e auxiliar na assistência através da triagem.
Esta ACS também citou a dentista como profissional que participa do processo de cuidado aos usuários com HAS e DM (apesar de relatar que é rara a necessidade desta profissional quanto à assitencia aos usuários estudados). Apesar da ACS 1 possuir maior capital cultural e social dentro da rede, de acordo com estas métricas, possui menor controle de fluxo de informações, já que se comunica com menor número de pessoas dentro da unidade para acesso do cuidado aos usuários.
A TEC. ENF 1, conforme tratado quanto à centralidade de grau, possui mais de 10 anos de formação e de atuação na ESF, demonstra iniciativa na resolutividade de problemas relacionados à assistência ao usuário; demonstra capital cultural quanto à sua função e proposta da ESF, além de citar a mais que a outra técnica de enfermagem, os 03 ACS da unidade, ao invés de somente 01. O fato de se comunicar com mais atores dentro da rede faz com que as informações tendam a passar por este com maior fluxo.
Os auxiliares administrativos, apesar de possuírem o mesmo cargo e função, possuem diferentes valores quanto a esta centralidade: 11,950 e 8,450, respectivamente. O AUX.
ADM. 1 possui maior valor que o AUX. ADM. 2, sendo o quarto com maior centralidade de informação, e o AUX. ADM 2 sendo o sétimo. O AUX. ADM. 2, conforme abordado anteriormente, possuía 2 meses a mais de atuação que o AUX. ADM. 1, demonstrando mais iniciativa na resolutividade de questões no processo de trabalho, possuindo maior capital cultural que o AUX. ADM. 1. Porém, ainda que com estas características, o mesmo possui
“menor” posição na rede comparado ao seu colega de profissão. O AUX. ADM 1 aciona a mais que o AUX. ADM 2, as 02 técnicas de enfermagem da unidade, valorizando seus respectivos capitais culturais acerca dos cuidados em saúde, retirando dúvidas sempre que necessário.
O sociograma (Figura 7) expôs quais são os atores que se destacam como cutpoint desta rede de acordo com a análise gerada pelo software Netdraw: ACS 1, AUX. ADM 1 e AUX. ADM 2. Este resultado em que o enfermeiro e/ou médica não se destacam como
“pontos de corte”, ou seja, com a capacidade de desconectar uma rede caso sejam excluídos desta, de igual modo é inesperado, já que ao menos um destes costuma estar nos resultados no contexto das UBS. Porém, as características supracitadas de cada profissional desta rede