• Nenhum resultado encontrado

Centralidade de Intermediação (Unidade 1)

No documento Ana Carolina Lopes Neves (páginas 101-105)

4.1 Análise de Redes Sociais das unidades estudadas

4.1.1 Análise estrutural da rede (Unidade 1)

4.1.1.2 Centralidade de Intermediação (Unidade 1)

O grau de saída foi maior visto com relação à médica da unidade, a qual apresentou grau 15, sendo assim a profissional que mais aciona os demais em prol da assistência ao paciente. Seguido dela vem o enfermeiro 1, com grau 11 de saída e os auxiliares administrativos, apresentando grau 6.

Visualiza-se assim que apesar de a médica ser a profissional que possui o maior grau de centralidade, sendo quem realiza de fato as consultas aos usuários em questão, o profissional mais acionado é o enfermeiro. Estas métricas tornam perceptíveis o capital social e cultural adquirido pelos profissionais enfermeiros durante suas respectivas formações e vivências profissionais em outros ambientes e dentro da unidade. Estes profissionais são referência para a equipe, conforme já esperava-se encontrar neste estudo.

Na rede (Figura 4), os atores apresentados com maior tamanho são aqueles que possuem maior centralidade de intermediação. Conforme visualizado no sociograma e será visualizado no Quadro 16 onde constam as medidas geradas pelo Ucinet, estes atores com maior potencial de intermediação são: médica e enfermeiro, seguidos do auxiliar administrativo 1;

Posteriormente e em menor valor de intermediação, o ACS 1 e auxiliar administrativo 2. Os atores que se destacam por esta medida de centralidade, devido ao que ela representa, possuem capital social elevado quanto aos participantes da rede.

Figura 4 – Rede social da U1: centralidade de intermediação

Legenda:

Nota: ENF – enfermeiro; MÉD – médico; TÉC. ENF - técnico de enfermagem; ACS – agente comunitário de saúde;

AUX. ADM – auxiliar administrativo; SUPERVISÃO DE PSF – supervisão do Programa de Saúde da Família;

CIAD – Centro Integrado de Atendimento ao Diabético; PAC – Programa de Atenção Continuada; SISREG – Sistema de Regulação.

Fonte: A autora, 2018.

Quadro 16 – Medidas de centralidade de intermediação na U1

Atores Centralidade de Intermediação

Médica 101,00

Enfermeiro 1 94,810

Auxiliar administrativo 1 22,083

ACS 1 10,667

Auxiliar administrativo 2 3,917

ACS 3 1,893

ACS 2 1,750

ACS 4 0,810

Nota: ENF – enfermeiro; MÉD – médico; TÉC. ENF - técnico de enfermagem; ACS – agente comunitário de saúde; AUX. ADM – auxiliar administrativo; SUPERVISÃO DE PSF – supervisão do Programa de Saúde da Família; CIAD – Centro Integrado de Atendimento ao Diabético; PAC – Programa de Atenção Continuada; SISREG – Sistema de Regulação.

Fonte: A autora, 2018

Os “nós” que aparecem na Figura4 e não constam no quadro acima, obtiveram o valor zero para centralidade de intermediação, não possuindo então potencial para controlar a informação na rede. Neste estudo foram considerados apenas nos caminhos geodésicos. Sendo assim, o fato de a medida de centralidade ter valor igual a zero para os atores que aparecem no sociograma, não significa que esses atores não intermediem informações entre dois “nós" da rede.

Assim como encontrado na centralidade de grau, os atores com maior destaque foram os responsáveis pela assistência direta ao usuário (no caso da médica), e à organização e gestão do serviço e cuidado em saúde (enfermeiro e auxiliar administrativo). Isto ocorre pelo fato de o estudo ser sobre rede social entre os participantes e sua influência na longitudinalidade do cuidado do usuário.

O enfermeiro novamente foi encontrado como o segundo profissional central na rede, sendo neste caso, intermediador mesmo sem realizar a consulta aos pacientes com hipertensão e diabetes. Conforme será abordado na análise de conteúdo deste estudo, o enfermeiro faz-se mediador do processo de trabalho da unidade. Entende-se que tais profissionais são atores- chave e articuladores comprometidos com a integralidade das ações e com as necessidades de

saúde dos usuários, possuindo fundamental importância nas equipes de saúde da família (FONSECA, 2017). Com o potencial de articulação em diversas áreas e trabalhos, estes profissionais possuem a possibilidade de serem capazes de atuar como um instrumento de mudança em prol da consolidação de novas práticas de saúde (RODRIGUES et al., 2015).

Esta articulação ocorre por meio deste profissional devido ao mesmo, em suas rotinas laborais, precisar desenvolver atividades múltiplas, tanto no campo assistencial, quanto na gestão e na educação. Assim como citam Gomes et al. (2016), o enfermeiro na ESF é o responsável pela articulação entre os vários profissionais da equipe de saúde, sendo este acostumado a lidar com diversos instrumentos e sujeitos no seu trabalho. Sendo assim, apesar do enfermeiro no município não realizar consultas aos usuários com as patologias abordadas neste estudo, para os profissionais ele é um importante elo, fato retratado claramente nas entrevistas e explicitado na fala da ACS 3 com a expressão “ponte” relacionando-se ao enfermeiro.

Outro profissional reconhecido como articulador e mediador é o ACS. Com seu trabalho pautado nas relações e na interatividade, atuam mediando a comunicação entre a equipe de saúde e a comunidade na qual estão inseridos, intermediando relacionamentos e facilitando a comunicação dos usuários com os serviços. O papel de articulador que possuem, o fato de viverem na mesma localidade ou próximo aos usuários, e conhecerem suas casas, lhes possibilita pensarem como estes, ou ao menos, possuírem melhor compreensão acerca de suas realidades. Essa inter-relação entre ACS e usuário é bastante vantajosa e imprescindível, possibilitando à unidade de saúde o diálogo mais aproximado à população (PINHEIRO;

GUANAES-LORENZI, 2014).

Quanto às profissionais da rede pertencentes a esta categoria, percebe-se que não estão na mesma posição e grau de centralidade de intermediação, possuindo a ACS 1 um grau maior que 10, ACS 3 com grau de 1,893, ACS 2 com grau de 1,750, e ACS 4 com grau de 0,810. As 4 ACS da unidade possuem o mesmo tempo de atuação na U1 (1 ano e 3 meses), com 3 delas não possuindo experiência prévia na ESF a não ser a ACS 2, que possui 3 anos e 3 meses no total, ou seja, 2 anos a mais de experiência que as demais.

Analisando as entrevistas a fim de buscar compreender tal contraste entre os dois extremos (ACS 1 e ACS 4), e o que levou a ACS 1 a um grau mais elevado, visualiza-se que o diferencial da ACS 1 foi citar na rede, a qual faz contato, para facilitar o acesso do usuário, o CIAD e CAPS (Centro de Ação Psicossocial). Esta ACS possui formação técnica ‘normal’ e graduação em biologia. Na fala desta ACS é possível perceber maior iniciativa, resolutividade e interesse em compreender os processos da unidade e do cuidado ao usuário. O que

diferencia a ACS 4, por sua vez, é o fato de a mesma não ter citado a médica da unidade e nem a facilitadora de SisReg. Fato curioso é que esta possui graduação em enfermagem, o que mostra que há algum fator (pessoal ou profissional) que parece impossibilitar ou que impossibilitou que seu capital cultural fosse desenvolvido conforme a formação tradicional do enfermeiro, como foi abordado neste tópico.

Os atores com maior centralidade tendem a desconectar a rede caso sejam excluídos desta e, por esta característica, são denominados como “pontos de corte” (cutpoints). Sua remoção divide o grafo em subgrafos desconectados, podendo um ator identificado como cutpoint ser crucial, por exemplo, na disseminação de informação, com sua remoção podendo significar um corte na comunicação entre dois subgrupos da rede (SOUZA; QUANDT, 2008).

Esta relevância estrutural pôde ser visualizada na Figura 4, em que se utilizou a opção cutpoint na análise gerada pelo software Netdraw, utilizando a matriz da rede realizada no Ucinet. De acordo com esta análise, os atores com o potencial de desconectar a rede de profissionais da U1 são: Enfermeiro 1, médica, auxiliar administrativa 1 e ACS 1. O capital social adquirido por estes profissionais é inquestionável quando analisada a rede, e estes dados se justificam com as características dadas quanto a estes atores anteriormente neste tópico.

No documento Ana Carolina Lopes Neves (páginas 101-105)