Mostrar e nomear determinados componentes que compõem a identidade do pesquisador faz parte de uma proposta que pretende evoluir com o cotidiano. Como muitos outros projetos de redação, iniciar um texto de tese acaba sendo um desafio em vários aspectos.
Mulheres Negras no Brasil
Começaremos colocando brevemente estatísticas relativas à população negra nacional, especificamente mulheres negras, nas mulheres negras do brasil. Assim como as mulheres indígenas, sofreram com a lógica do terror da colonização com outras transições, pois “toda situação de conquista e dominação de um grupo humano sobre outro é uma apropriação sexual da mulher” (CARNEIRO, 2020, p. 150). Segundo dados do Atlas da Violência 2020, referentes a 2018, “as mulheres negras representaram 68% do total de mulheres assassinadas no Brasil, com uma taxa de mortalidade de 5,2 por 100 mil habitantes, quase o dobro da das não negras”. mulheres mulheres."
As diferenças de rendimento, baseadas nas intersecções entre raça e género, demonstram como as mulheres negras vivenciam uma grande disparidade na distribuição de rendimentos. O segundo grupo com maior vantagem é o das mulheres brancas, que possuem rendimentos superiores não só aos das mulheres pretas ou pardas, mas também aos dos homens dessa cor ou raça (proporções de 58,6% e 74,1, respectivamente). Os homens pretos ou pardos, por sua vez, só possuem rendimentos superiores aos das mulheres da mesma cor ou raça (proporção de 79,1%, a maior entre as combinações) (IBGE, 2019, p.3).
A partir desta breve apresentação de dados nacionais sobre as condições da população negra, especialmente das mulheres negras, surgem muitas questões para direcionar a atenção para outras dimensões da sua existência.
Diálogos metodológicos
Caminhadas teóricas
As contribuições de Fabiana deixam algumas incógnitas: o uso do termo “tripla jornada” trabalha com uma narrativa feminista branca sobre o trabalho ou desnaturaliza as funções que as mulheres negras desempenham no cotidiano. Quais seriam as melhores expressões para descrever o compromisso historicamente assumido pelas mulheres negras na sociedade e no seio da família? Vale ressaltar que este foi um dos poucos estudos que forneceu detalhes sobre o percentual de mulheres negras no corpo docente.
A lacuna no reconhecimento intelectual e na desigualdade em termos de tempo dedicado disponível às mulheres negras permanece. Como destacou a pesquisadora Sônia Beatriz dos Santos, o reconhecimento e a valorização intelectual das mulheres negras carecem de positividade e prevalência. Dessa forma, criamos uma rede de encaminhamentos entre mulheres negras por meio de bolsas acadêmicas.
A partir do trabalho com professores de diversas áreas que conheciam pessoas autoproclamadas negras, demos continuidade a esta proposta.
Diário de campo: fragmentos
O meu pedido foi o mesmo: dados sobre a população escolar em relação à autodeclaração racial, com a intersecção dos géneros e, se possível, com as pessoas com deficiência que fazem parte desta relação, com a inclusão das respetivas áreas de atuação, no entanto, os retornos foram diversos38 . Primeiro, eu entraria em contato com os professores para descobrir se eles tinham números sistematizados de autodeclaração racial dos professores. No entanto, tais informações não puderam ser verificadas e não estavam sob a jurisdição das faculdades. Talvez organizar um formulário, algum tipo de censo e coletar as informações necessárias para entrar em contato com os professores.
Em setembro iniciei conversas com professores, com base nos nossos princípios ético-epistemológicos e tendo em conta o momento da sua implementação, através da criação de redes de conhecimento. Como pesquisadora, não apenas com os professores com quem conversei, pude refletir sobre quantas ações investigativas podem provocar memórias, movimentos e deslocamentos de um cotidiano institucional. Correndo paralelamente às teorias pós-estruturalistas e feministas, interpreto que na ausência, no silêncio e na falta de revisão sobre alguns métodos, por exemplo, quais indicadores sociais publicamos ou não, observamos uma série de meios de poder traduzidos em ocultação. discurso institucional.
O que podemos problematizar com as interações, tanto com os materiais quanto com os diálogos com as pessoas que trabalham na Universidade, pode se resumir em uma série de obstáculos para se ter uma visão clara de como funciona o armazenamento de informações sobre o ensino universitário.
Histórias que estão presentes
Após trabalhar com informações de cinco instituições de ensino superior, a falta de dados sobre cor/raça do corpo docente universitário mostra a falta de sistematização institucional de uma dificuldade vivenciada pelos sujeitos negros, mas poucos comentários são feitos por aqueles que compõem o grupo majoritário (brancos). ). . Menos de uma semana depois do Dia Internacional da Mulher, em 2018, sua convivência com Anderson Gomes, seu empresário, foi destruída por autores ainda desconhecidos. Nesta história, mais um exemplo de impunidade e de uma filha que não voltará para a família.
Essa perspectiva faz parte de um movimento que quer ver além da academia, sentir e expor que meu corpo não está protegido, que o comportamento do pesquisador não me protege. Como superar um cotidiano repleto de histórias de pessoas como eu, pessoas negras que perderam a vida para o racismo porque suas vozes de protesto causaram consequências incontroláveis ou porque voltavam para casa depois de uma festa. Estamos numa situação que não nos é destinada, mas que ao mesmo tempo nos permite crescer economicamente através da produção de conhecimento.
Suas regras fundadoras, que ainda prevalecem, mantêm os não-brancos fora de suas instalações.
Ensino “superior”: as origens
As primeiras experiências de que o ensino superior teria chegado ao território brasileiro por meio da criação de academias militares na área da medicina, no Rio de Janeiro e na Bahia, nas primeiras décadas do século XIX (MENDONÇA, 2000). Durante este século, a expansão nacional das instituições de ensino superior mobilizou entidades que se opuseram ao seu crescimento. Quando procurei pesquisas sobre a inclusão de negros no ensino superior brasileiro, descobri que o atraso imposto, do período da escravidão ao pós-abolição, é uma estratégia para afastar nossa presença nas instituições de ensino, desde o início de qualquer formação . formalmente.
A proibição de a população escravizada aprender a ler e escrever, por exemplo, demonstra que mesmo com a expansão do ensino universitário brasileiro e sem a exclusão institucionalmente demarcada, havia um obstáculo óbvio: como um contingente significativo de negros poderia alcançar o ensino superior se um contingente significativo de negros pudesse alcançar o ensino superior? grande parte dessa população não sabia ler. A pesquisa de Adriana Maria Paulo da Silva sobre o professor Pretextato dos Passos e Silva ilustra tais infortúnios, pois o professor fundou a primeira escola para negros no século XIX40. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva sugere que o controle e a restrição da educação negra eram, portanto, parte integrante disso.
O desinteresse português em estabelecer universidades no país durante séculos e o abandono das políticas governamentais nacionais sobre a educação dos negros nos séculos XIX e XX são uma prova do espaço que a produção de conhecimento pode ocupar.
Universidades, ações afirmativas e o mito da democracia racial
Como indica Stuart Hall: “as culturas nacionais, ao produzirem significados sobre “a nação”, significados com os quais podemos nos identificar, construir identidades” (HALL, 2005, p.51). A pesquisadora, ao trazer dados da população paulista, mostra que é possível verificar que os homens, independentemente da cor, com 12 anos de estudo, 17 ou mais, têm índices maiores que as mulheres pertencentes ao seu grupo de cor , ou seja, os homens terão a maior quantidade de tempo dedicado à educação formal. Os dados atuais da PNAD (2020) confirmam de alguma forma que as desigualdades, mesmo as menores, ainda estão presentes.
Neste contexto, podemos analisar que os grandes movimentos que enfrentaram e confrontaram o racismo ao longo da história foram e são protagonizados por iniciativas de pessoas negras e não brancas. Por exemplo, a criação da Universidade Zumbi dos Palmares em 2003, privada e sem fins lucrativos, cujos objetivos centram-se no incentivo à entrada de pessoas negras no sistema universitário e na sua valorização intelectual44. Esta ideologia é independente da orientação política, uma vez que os brancos de direita e de esquerda a reproduzem quando interagem com negros e não brancos em sociedades racistas (hooks, 2019).
Precisamos urgentemente pensar em melhores formas de solucionar desigualdades, como as relacionadas à renda, visto que “os brancos ganham cerca de 45% mais que os de cor ou raça preta ou parda” (IBGE, 2019, p.4).
A(s) universidade(s) que habitamos
- UENF
- UEZO
- UNIRIO
- UFRJ
- UERJ
Voltamos a um dos objetivos iniciais da pesquisa: apresentar dados quantitativos sobre o corpo docente da UERJ. Através desta comunicação recebi a tabela abaixo que contém os dados mais recentes sobre o corpo docente da universidade. Como as únicas informações sistematizadas sobre os docentes da UENF referem-se ao seu cargo profissional e às questões de gênero, podemos realizar nossas análises com base nesses dados.
Abaixo segue a tabela com dados sobre autodeclarações de gênero e raça do corpo docente da antiga UEZO. Mesmo com essa distinção, podemos concluir que a única população não branca no corpo docente seria a população negra. Se levarmos em conta apenas as pessoas que expressaram suas crenças racistas, a UNIRIO é formada por cerca de 10% de pessoas não brancas.
O que nos propomos investigar neste segmento são aspectos quantitativos do corpo docente da instituição. Ao fazê-lo, problematizamos quais seriam os alcances e as limitações de um ambiente que acolhe a diversidade e os efeitos dessas estatísticas sobre a força de trabalho docente.
Chegadas: caminhos para a universidade
Eu coloquei assim: “professora universitária”, eu era muito ativa, estudava pra caramba, mas achei que ela estava exagerando, mas com muita esperança de que eu realmente conseguiria. Chegou um ponto que eu não tinha mais como pagar, tinha que pagar as contas da casa, então tive que escolher.. Aí o vestibular então, acho que foi em fevereiro, alguma coisa, foi em janeiro, não não lembro exatamente [...] mas aí eu sei que passei.
Portanto, isto é uma grande confusão, e é por isso que estou falando sobre a questão da responsabilidade. Queria realizar o desejo que ela me deu e disse “posso porque a Luíza disse que posso”. A maioria das pessoas não faz isso, a maioria pensa: “Tenho que pesquisar, não preciso ser professor primário”.
Às vezes a gente tem mesmo que bater na mesa para dizer que estou aqui porque posso, e é difícil, sabe. Iniciei um longo processo na minha vida que foi o melhor investimento que fiz na minha vida. Tudo o que eu te disse no início: “Não vou permitir que coloquem meu corpo e minha mente em determinadas situações”.
Corpos (in)visíveis: graduação, pós-graduação e trabalho
Corpos (in)visíveis: Mulheres negras e a docência
Alianças e resistências no meio universitário
Ao procurar compreender “Como é que as mulheres negras se tornam professoras universitárias?” compreendi que outras considerações poderiam surgir. Disponível em:
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