As ideias de laissez-faire, desregulamentação, dependência das forças de mercado, etc., estão muito distantes da realidade da indústria farmacêutica. A primeira delas é a sua forte internacionalização: mais de 80% do mercado nacional de medicamentos é ocupado por empresas estrangeiras. Houve a iniciativa bastante ambiciosa da Norquisa, constituindo a Nortec como uma empresa de I&D e produção químico-farmacêutica, operando através de um laboratório (Biolab) na vanguarda do mercado.
De referir ainda a baixa disponibilidade de recursos humanos qualificados, fruto do mercado relativamente limitado de química fina no país. Em primeiro lugar, iniciativas como a Norquisa, apoiada por um grande grupo químico com operações líderes de mercado e capacidade de investir em tecnologia (na verdade, actualmente enfraquecida pela crise actual), constituem um “modelo” de desenvolvimento industrial. com elevado potencial de exploração. Parte desta situação é o declínio ainda mais violento do mercado institucional e o fim das atividades de desenvolvimento, como o financiamento em condições favoráveis.
ANÁLISE DAS TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS
Características Estruturais do Setor Farmacêutico/Farmoquímico
Os produtos antiéticos constituem a maior parte dos produtos vendidos sem receita e representam uma parte relativamente pequena do mercado mundial (cerca de 15% nos países da OCDE). Genéricos são produtos cuja patente expirou e que passaram a ser fabricados por outros fabricantes que não aquele que detinha a patente original; constituem uma parcela menor, mas não insignificante, do mercado (cerca de 30% nos EUA). No caso de produtos antiéticos, a concorrência baseia-se fundamentalmente no estabelecimento e exploração de marcas através de intensa publicidade.
Embora as grandes empresas detenham participações relativamente pequenas no mercado global, isso não significa que exista um baixo grau de concentração, uma vez que o controlo do mercado é exercido dentro das classes terapêuticas.
Estratégias das Empresas Líderes
E o facto de estas atividades de I&D não só serem caras, como terem sido cada vez mais caras, além de exigirem pessoal altamente qualificado, implica a existência de elevadas barreiras à entrada neste segmento da indústria farmacêutica. Vale a pena observar temporariamente algumas características específicas da indústria farmacêutica brasileira em relação à situação existente em nível global. Contudo, simples análises do grau de concentração (com certo viés estático) não devem esconder a intensa concorrência de produtos neste segmento da indústria farmacêutica, que muda constantemente a posição de liderança das empresas dentro das classes terapêuticas.
A força da competição tecnológica é uma característica que implica a existência de elevadas barreiras à entrada neste segmento da indústria farmacêutica. As estimativas da indústria em 1985 (agora substituídas) fixaram o orçamento anual mínimo para actividades de investigação em cerca de 100 milhões de dólares. Muitas vezes são empresas que operam em atividades semelhantes às da indústria farmacêutica, como suprimentos médicos.
Fatores de Competitividade
- Fatores internos à empresa
- Fatores estruturais
- Fatores sistêmicos
COMPETITIVIDADE DO SETOR QUÍMICO-FARMACÊUTICO BRASILEIRO
Diagnóstico da Competitividade
- Desempenho
- Estratégias
- Capacitação
A constante introdução de novos produtos, que provoca instabilidade nas quotas de mercado, é o fenómeno que melhor reflecte o padrão competitivo da indústria. A necessidade de investir grandes somas em investigação e desenvolvimento explica, em certa medida, outra característica típica da indústria, nomeadamente a sua forte vocação internacional. Existe, portanto, um elevado grau de integração vertical da indústria farmacêutica a nível internacional, especialmente no seu segmento mais dinâmico3, embora na maioria dos casos essa integração não se realize na mesma base territorial.
Porém, no caso da indústria farmacêutica, o esgotamento do paradigma e a consequente invasão de imitadores tiveram um papel que não pode ser negligenciado na mobilização das empresas e dos governos que as representam de alguma forma. Isto confere ao ambiente institucional do sector um conjunto de características importantes, que influenciam o seu padrão e dinâmica competitiva. As ideias de laissez-faire, desregulamentação, confiança nas “forças de mercado”, etc. estão muito distantes da realidade da indústria farmacêutica.
Dentre os diversos países que estabelecem políticas voltadas à promoção da autossuficiência e ao desenvolvimento da indústria farmacêutica/farmacêutica, podemos citar o caso da Espanha, país que possui diversas aproximações com o Brasil. 14 Ainda na Tabela 8, vale ressaltar que a posição do Brasil provavelmente está subestimada devido à compressão de preços na indústria farmacêutica. Através de medidas como o plano de desenvolvimento, o governo espanhol esperava aumentar os gastos da indústria em I&D para 4,0% das vendas em 1990.
Primeiramente, é preciso ter clareza sobre algumas características estruturais da indústria farmacêutica presentes em todo o mundo: o oligopólio de acordo com as classes terapêuticas, os diferentes modelos de competição de acordo com a categoria do medicamento, a importância da tecnologia e o papel das grandes empresas internacionais. Esse dado está relacionado a outra característica da indústria farmacêutica brasileira, que é o baixo nível de integração vertical: o segmento químico-farmacêutico (produtor de insumos) ainda é subdesenvolvido, apesar do crescimento registrado nos últimos anos. A difícil situação atual da indústria química, tanto pela queda dos preços no mercado internacional, como pela instável situação econômica brasileira, é outro fator que ameaça o futuro da iniciativa do grupo na área farmacêutica.
A atenção à qualidade, à tecnologia e à eficiência dos processos são sinais de uma estratégia adequada, uma vez que os principais fatores competitivos – preço e qualidade – neste segmento da indústria farmacêutica estão correlacionados a estes aspectos.
Oportunidades e Obstáculos à Competitividade
- Fatores internos à empresa
- Fatores estruturais
- Fatores sistêmicos
PROPOSIÇÃO DE POLÍTICAS
- O Quadro das Políticas para as Indústrias Farmacêutica e Farmoquímica
- Políticas de Reestruturação Setorial
- Políticas de Modernização Produtiva
- Políticas Relacionadas aos Fatores Sistêmicos
Além disso, alguns produtos farmacoquímicos são vendidos no mercado mundial como excedentes de produção, a preços equivalentes aos custos variáveis, e mesmo a preços não relacionados com os custos de produção (como é o caso dos países da Europa de Leste). A protecção garantida pelas tarifas aduaneiras é mais do que compensada pelo maior conhecimento que os órgãos governamentais têm agora do verdadeiro valor de mercado dos produtos e pela maior concorrência no mercado de drogas. A questão do prazo de carência para entrada em vigor perde importância enquanto não for aceite a proposta do pipeline, ou seja, a protecção dos produtos já introduzidos no mercado.
Por fim, embora não seja fundamental para a competitividade, o investimento em infra-estruturas de transportes eliminaria problemas na circulação dos produtos no mercado nacional.
INDICADORES DE COMPETITIVIDADE
Além da literatura citada, foram utilizadas como fonte de informação entrevistas com quatro empresas farmacêuticas e três especialistas, dois dos quais com vasta experiência no setor e um pesquisador do meio acadêmico. Pela sua dimensão e dinâmica, o segmento ético com patentes em vigor constitui o principal mercado da indústria farmacêutica, alvo de intensa concorrência entre grandes empresas, das quais merecem destaque algumas características importantes. As duas primeiras fases correspondem a atividades de natureza químico-farmacêutica e concentram a maior parte dos problemas tecnológicos envolvidos na produção de um medicamento.
É a fusão de duas bases de conhecimento científico de onde emergem novas ferramentas, novos instrumentos capazes de alterar significativamente as rotinas tecnológicas da indústria. Vale ressaltar que todos os dados relativos à produção e ao comércio exterior da indústria químico-farmacêutica são sempre aproximados porque as fontes, sejam governamentais ou associações comerciais, não possuem meios adequados para obter e processar essas informações. As informações coletadas diretamente de quatro das principais empresas químico-farmacêuticas, somadas às respostas enviadas por doze empresas a um questionário da investigação de campo do Estudo de Competitividade da Indústria Brasileira (ECIB, 1993), permitem agregar elementos importantes para uma avaliação da competitividade do setor20.
Não se trata, portanto, propriamente de uma formação insuficiente em gestão que prejudica a competitividade da indústria farmacêutica, mas sim de aspectos específicos de empresas de um determinado tipo que, independentemente da sua dimensão, têm dificuldade em se adaptar a este sector. Em suma, o facto de a comercialização de tecnologia no sector farmacêutico ser limitada não implica a existência de um obstáculo intransponível à competitividade27. As empresas nacionais, apesar da concorrência que muitas vezes enfrentam da indústria farmacêutica argentina, também podem beneficiar-se de um mercado maior (para o qual acordos e associações, inclusive binacionais, podem ser uma importante ferramenta de preparação).
É interessante notar o amplo acordo entre empresários da indústria químico-farmacêutica de que instrumentos como a Portaria 4 constituem protecionismo excessivo29. 29 Portaria nº. 4º, de 3/10/84, foi uma medida conjunta dos Ministérios da Saúde e da Indústria e Comércio, regulamentando a concessão de autorização para fabricação de matérias-primas, insumos farmacêuticos e aditivos utilizados na fabricação de medicamentos. Um obstáculo à competitividade da indústria farmacêutica não é o tamanho do mercado brasileiro (na verdade, pelo contrário), mas a sua instabilidade.
Em segundo lugar, no segmento dos genéricos, baseados em moléculas conhecidas (que hoje incluem as patenteadas, mas num futuro próximo, com a provável alteração da legislação, estas só poderão ser produzidas directamente pelo titular da patente ou pelos seus licenciados), têm Houve avanços significativos na década de 80, seguidos de recuo no governo Collor. Em contrapartida, Espanha e Itália são países que associaram a legislação de não reconhecimento de patentes a medidas de desenvolvimento - como o plano de promoção da investigação da indústria farmacêutica do Ministério da Indústria e Energia espanhol mencionado no capítulo de abertura - que foram fundamentais para o sucesso que alcançaram em consolidando suas indústrias farmacêuticas. Porém, as dificuldades em separar os efeitos causados por “fatores sistêmicos” (câmbio, políticas comerciais nacionais, etc.) são maiores para a indústria farmacêutica devido à forte presença de barreiras técnicas comerciais e ao grande volume de transações entre filiais matriciais. , típico da indústria química fina .
CONCLUSÕES
Não existe uma estratégia formal ou informal 0 Existe uma estratégia desenvolvida, divulgada informalmente 18.2 Existe uma estratégia desenvolvida, divulgada periodicamente 27.3 Existe uma estratégia desenvolvida, divulgada periodicamente com o envolvimento de diferentes setores da empresa 54.5. Pessoal de nível sênior/total n.a. número de empresas) última penúltima anterior não se sabe o total. Para a utilização de dispositivos microeletrônicos são consideradas empresas de baixa intensidade aquelas que os utilizam em no máximo 10% das atividades, com intensidade média entre 11 e 50% e com intensidade alta acima de 50%.
Para efeito de utilização de técnicas organizacionais, são consideradas empresas de baixa intensidade aquelas que envolvem no máximo 10% dos funcionários ou atividades, média intensidade entre 11 e 50% e alta intensidade acima de 50%. Promover a abertura comercial nos setores industriais da empresa 5 45,5 Promover a abertura comercial nos setores de compras da empresa 4 36,4 Dificuldades crescentes de acesso aos mercados internacionais 1 9.1. Defina as funções com precisão, mas incentive os funcionários a fazerem o mesmo. executar tarefas que estão fora da definição dada. 7. Defina tarefas de forma ampla para obter versatilidade. 5. Não defina tarefas de forma tão rígida que a gama de tarefas varie.
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