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UNICESUMAR - CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE

CURSO DE GRADUAÇÃO EM FARMÁCIA

CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE Cordia verbenacea E ATIVIDADES DOS SEUS PRINCIPAIS CONSTITUINTES

ROBERTA BERNARDINO RAMOS DO PRADO

MARINGÁ – PR 2020

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Roberta Bernardino Ramos do Prado

CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE Cordia verbenacea E ATIVIDADES DOS SEUS PRINCIPAIS CONSTITUINTES

Artigo apresentado ao curso de graduação em Farmácia da UniCesumar – Centro Universitário de Maringá como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel(a) em Farmácia, sob a orientação do Prof. Dr.

Rogério Aparecido Minini dos Santos.

MARINGÁ – PR 2020

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FOLHA DE APROVAÇÃO

ROBERTA BERNARDINO RAMOS DO PRADO

CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE Cordia verbenacea E ATIVIDADES DOS SEUS PRINCIPAIS CONSTITUINTES

Artigo apresentado ao curso de graduação em Farmácia da UniCesumar – Centro Universitário de Maringá como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel(a) em

Farmácia, sob a orientação do Prof. Dr. Rogério Aparecido Minini dos Santos.

Aprovado em: ____ de _______ de _____.

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________

Nome do professor – (Titulação, nome e Instituição)

__________________________________________

Nome do professor - (Titulação, nome e Instituição)

__________________________________________

Nome do professor - (Titulação, nome e Instituição)

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CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE Cordia verbenacea E ATIVIDADES DOS SEUS PRINCIPAIS CONSTITUINTES

Roberta Bernardino Ramos do Prado

RESUMO

Os óleos essenciais, produtos de metabolismo secundário vegetal, têm sido uma fonte de pesquisa para aplicação industrial em cosmética, farmacologia e alimentos. Os benefícios do uso desses óleos estão relacionados com sua atividade anti-inflamatória, antimicrobiana e antioxidante. A Cordia verbenacea (Erva Baleeira) é uma planta medicinal brasileira, que possui metabólitos secundários bastante relacionados à sua atividade anti-inflamatória, antimicrobianas e cicatrizante. Essas substâncias são amplamente estudadas, contudo, a mistura de compostos presentes nesses materiais faz com que seja difícil a correlação dos efeitos químicos ou biológicos com componentes específicos. Por isso, estudos de caracterização química são fundamentais não só para possibilitar hipóteses sobre as substâncias encontradas e suas propriedades funcionais, como também para o controle de qualidade na produção de óleos essenciais. Assim, o presente trabalho teve como objetivo analisar quimicamente esse produto de C. verbenacea. Examinamos as amostras em cromatógrafo gasoso acoplado a espectrômetro de massas (CG-EM) e comparadas com a biblioteca NIST 11.0. Encontramos 22 substâncias, sendo destas, apenas o β-himachaleno e o α-cadinol não deparados em outras pesquisas com a C. verbenacea. Dessa forma, pode-se concluir que o óleo essencial avaliado tem alta semelhança aos da de C. verbenacea encontrados na literatura.

Palavras-chave: Cordia verbenacea. Óleos voláteis. Cromatografia Gasosa-Espectrometria de Massas.

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Cordia verbenacea ESSENTIAL OILS CHEMICAL CHARACTERIZATION AND ITS MAIN COMPOUNDS ACTIVITIES

ABSTRACT

Essentials oils, second metabolism products, has been a research source for industrial application, being in pharmaceutical, food or cosmetics. The benefits of the use of the oils are related to its satisfactory antimicrobial, anti-inflammatory and antioxidant activities. Cordia verbenacea (Erva Baleeira) is a Brazilian medicinal plant which secondary metabolites are related to its anti-inflammatory, antimicrobial and healing activities. Essential oils are widely studied, however, the blend of compounds in these materials makes correlate the chemical characterization results with biological and chemical activities very hard. Thus, chemical characterization studies are important not only to enable hypothesis about substances found and its properties, but also to quality control in essential oils production. Therefore, correlate the chemical characterization results with biological and chemical activities makes way for synthesis studies with terpenes that have activities of interest. Thereby, this work consists in analyse C. verbenacea essential oil from the chemical point of view. The samples, extracted by the productor, where examined in gas chromatography-mass spectrometry (GC-MS) and compared with the NIST 11.0 library. 22 substances were found, these, only β-himachalene and α-cadinol weren’t encountered in any other C. verbenacea research. Thus, it was concluded that the evaluated essential oil has high resemblance with C. verbenacea essential oils found on literature.

Keywords: Cordia. Oils, Volatile. Gas Chromatography-Mass Spectrometry.

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Diretoria de Ciências Biológicas e da Saúde Curso de Farmácia

1 INTRODUÇÃO

Cordia verbenacea, conhecida popularmente como Erva Baleeira, é um arbusto de altura máxima 2 metros, folhas verdes, floração branca e frutos vermelhos e arredondados (BRASIL, 2018). A erva necessita de exposição solar e é nativa da mata atlântica, embora cresça bem em regiões de formação secundária (SIMÕES et al., 2017). Além disso, suporta solos ácidos e com alto teor de alumínio, demonstrando não depender de condições específicas de solo e clima em algumas regiões de Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica (MENDES et al., 2015). Estudos mostram que a C. verbenacea não tem padrão de florescência e frutificação, podendo florescer o ano todo, o que a torna um importante chamativo de visitantes florais a outras plantas (BRANDÃO et al., 2015; MOURA; MELO; SCHLINDWEIN, 2007). Ou seja, a espécie tem bom desenvolvimento em diversos tipos de climas e solos, além de ser importante para toda a flora.

O gênero Cordia tem sido apontado nos estudos como fonte de atividade antimicrobiana, antinociceptiva e antiparasitária (MATIAS et al., 2015). Alguns autores realizaram pesquisa com o óleo essencial (ALVES et al., 2015; CARVALHO et al., 2017; CARVALHO et al., 2004), outros com extrato de folhas (MATIAS et al., 2015; MATIAS et al.,2016) e outros ainda compararam vários modelos de extração (MICHIELIN et al., 2009).

Diversos são os estudos que avaliam a composição química da C. verbenacea e os resultados diferem bastante, porém todos encontraram quantidades significativamente maiores de terpenos (QUEIROZ et al., 2016; ALVES et al., 2015; CARVALHO et al., 2004; MICHIELIN et al., 2009; RODRIGUES et al., 2012; CARVALHO et al., 2017; MATIAS et al., 2015; MATIAS et al., 2016; SCIARRONE et al., 2017). Os terpenos são produzidos, como todos os metabolitos secundários, a partir da glicose. Sua via metabólica é a do mevalonato, o qual faz parte da via do acetil-CoA (SIMÕES et al., 2017).

A ferramenta que essas pesquisas utilizaram para caracterizar quimicamente os metabólitos secundários vegetais foi principalmente a cromatografia gasosa acoplada a espectrômetro de massa (CG-EM) (QUEIROZ et al., 2016; ALVES et al., 2015; CARVALHO et al., 2004; MICHIELIN et al., 2009; RODRIGUES et al., 2012; CARVALHO et al., 2017; MATIAS et al., 2016;

SCIARRONE et al., 2017). Apenas dois trabalhos utilizaram a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) (GOMES et al., 2019; MATIAS et al., 2015).

A Farmacopeia Brasileira define óleos essenciais como substâncias voláteis, que não deixam resíduos de evaporação e esta é a característica o que as diferencia de óleos fixos. A composição dos óleos voláteis é muitas vezes complexa, contudo, é comum que seus componentes sejam de baixa massa molecular (BRASIL, 2019).

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Os óleos essenciais são lipossolúveis e densos, além de serem produzidas em metabolismo vegetal secundário, o que faz com que sua composição seja extremamente variável e vários métodos de extração sejam possíveis (EL ASBAHANI et al., 2015)

Metabólitos secundários não são indispensáveis para a sobrevivência, porém garantem vantagens para a espécie, como o afastamento de predadores, atração de polinizadores e proteção do sol. A composição e quantidade de metabólitos secundários variam de acordo com fatores genéticos, mas também sofrem influências das condições externas, dentro da mesma espécie (SIMÕES et al., 2017). Os componentes usualmente encontrados na caracterização química de óleos essenciais são das classes dos terpenos, fenilpropanóides e grupos sulfúricos ou com nitrogênio (DIMA; DIMA, 2015).

Os fatores externos que influenciam o metabolismo secundário são as variações sazonais, ciclo dia/noite, idade e desenvolvimento da planta (presença de folhas e floração), regulações hormonais, temperatura (estresse metabólico), disponibilidade hídrica, radiação ultravioleta, nutrientes, altitude, poluição atmosférica, agressão mecânica e ataque por patógenos (GOBBO;

LOPES, 2007; SCIARRONE et al., 2017). Queiroz et al., 2016, e Souza et al., 2011ainda consideram o horário de coleta como fator variante, encontrando resultados conflitantes sobre sua influência ou não.

Dentre as condições pós coleta que alteram a concentração dos metabólitos secundários estão a temperatura de secagem e métodos de extração, bem como a escolha dos líquidos extratores (SILVA et al., 2015; MICHIELIN et al., 2009).

A padronização dessas condições e metodologias são importantes para a manutenção da qualidade dos produtos, todavia, para um controle de qualidade efetivo é essencial a caracterização química. Além disso, a otimização do cultivo é necessária para sua rentabilidade, já que os metabólitos secundários são encontrados em baixa quantidade nos organismos vegetais, o que exige um grande cultivo para um baixo rendimento (MARTIN et al., 2003). Ainda é relevante o uso da caracterização química para a identificação de compostos responsáveis por atividades desejadas, abrindo frente para a síntese das substâncias de interesse, o que reduziria o impacto ambiental e os preços de cultivo (SIMÕES et al., 2017).

São muitas as áreas de aplicação dos óleos essenciais. Na agricultura, são avaliados como possível controle seguro de pragas (ARAGÃO et al., 2015; ALVES et al., 2015). Já na indústria de alimentos e cosméticos, os óleos voláteis e seus compostos isolados são utilizados pelo sabor ou pelas propriedades antimicrobianas, antioxidantes e clarificantes de pele (DIMA; DIMA, 2015;

DONSI; FERRARI, 2016; YANG et al., 2015).

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A segurança, além da eficácia e estabilidade do uso dos óleos voláteis tem sido comprovada, com estratégias de nano emulsão e micro encapsulamento (DIMA; DIMA, 2015;

DONSI; FERRARI, 2016).

Uma preocupação grande da indústria de alimentos é a aplicação de compostos antioxidantes nas formulações, principalmente de produtos ricos em ácidos graxos e ésteres de ácidos graxos, visto que a peroxidação lipídica dos alimentos gera sabor desagradável. Assim, normalmente emprega-se os antioxidantes sintéticos fenólicos como BHA, BHT, TBHQ e propil galato (PG) (ANDRADE et al., 2012). Entretanto, em meados da década de 80 surgiram uma série de artigos investigando a relação do BHT e BHA com carcinomas, tanto o seu efeito protetor quanto indutor (OLSEN et al., 1986; WEISBURGER; EVARTS; WENK, 1977; HOCMAN, 1988;

MALKINSON, 1983). Por isso, o uso de antioxidantes sintéticos tem gerado apreensão, seja por alarme advindo de pesquisas que indiquem efeitos carcinogênicos ou por simples receio (AESCHBACH et al., 1994).

Dessa forma, os óleos essenciais são estudados para entender seus mecanismos de proteção contra oxidação e garantir um uso seguro, visto que já existem estudos que mostram a capacidade pró-oxidante de óleos essenciais em organismos eucariontes. Dentre os componentes encontrados como responsáveis por atividades antioxidantes estão os carotenoides, retinoides, tocoferóis, ácido ascórbico, ácidos fenólicos, flavonoides e polifenóis. Dentre esses, os compostos fenólicos são os de maior interesse na indústria de alimentos (BAKKALI et al., 2008).

Vários são os estudos que avaliam a atividade antioxidante de óleos essenciais, sendo que em algumas espécies foi obtido resultado de eficácia similar ao BHA (DUARTE et al., 2016;

HOSAAIN et al., 2015). Contudo encontramos apenas no trabalho de Michielin et. al. (2011) sobre a atividade antioxidante da C. verbenacea, que obteve resultados satisfatórios. A escassez de pesquisas sobre o assunto é um bom indicativo da relevância desse estudo.

Assim, o objetivo do presente estudo foi analisar quimicamente o óleo essencial de C.

verbenacea e correlacionar sua composição com possíveis atividades químicas e biológicas.

2 MMAATTEERRIIAALL EE MMÉÉTTOODDOOSS

A identificação dos componentes químicos dos óleos essenciais de Cordia verbenacea foi feita por cromatografia gasosa (Agilent, 7890 B) acoplada à espectrometria de massas (CG-EM) (Agilent 5977A MSD) equipado com uma coluna capilar HP-5 MS UI Agilent (30 m x 0,250 mm x 0,25 µm).

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O preparo das amostras deu-se por diluição à 5% em diclorometano, sendo 1 µL dessa solução injetado no CG-EM. As condições do cromatógrafo foram: 220 ºC com razão de injeção no modo split 1:20, temperatura inicial da coluna de 60 ºC com gradiente de 2 ºC/min até 180 ºC, seguido de um gradiente de 10 ºC/min até 220 ºC, e mais um gradiente de 40 ºC/min até 300 ºC. A linha de transferência foi mantida a 250 ºC e a fonte de ionização e quadrupolo, 230 °C e 150 ºC, respectivamente. O gás de arraste foi o gás He com fluxo de 1 mL/min, o modo de operação foi impacto de elétron a 70 eV, o sistema de detecção, o EM no modo “Scan”, na faixa de razão massa/carga (m/z) de 40-450, com “Solvent Delay” de 3 min.

A identificação dos compostos foi realizada principalmente comparando os espectros de massas dos compostos com os espectros de massas da biblioteca NIST 11.0. As identificações foram confirmadas pelo cálculo dos índices de retenção de Kovats, usando uma série homóloga do padrão de n-alcanos (C7-C30) (ADAMS, 2012).

Para o cálculo do índice de retenção de Kovats, foi injetado 1,0 µL de uma série de 23 hidrocarbonetos (C7 a C30), na mesma programação do óleo essencial. O Índice de Retenção Relativo das substâncias do óleo essencial foram obtidos através do cálculo do índice de retenção relativo apresentado na Equação 1 (ADAMS, 2012).

...(1)

Onde:

IRi = índice de retenção de i i = analito

n = número de carbonos do alcano que elui antes de i m = número de carbonos do alcano que elui depois de i

Δn = variação entre o número de carbonos que eluem antes e depois de i tri = tempo de retenção de i

trn = tempo de retenção do alcano que elui antes de i trm = tempo de retenção do alcano que elui depois de i

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Identificamos 22 compostos (100%), dispostos na Tabela 1 por ordem de concentração. Os resultados foram comparados com os de outros sete estudos, o que equivale a 16 extratos, e não

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foram encontrados o β-himachaleno e o α-cadinol em nenhum outro estudo (MATIAS et al., 2016;

SCIARRONE et al., 2017; RODRIGUES et al., 2012; ALVES et al., 2015; MICHIELIN et al., 2009; CARVALHO et al., 2004; QUEIROZ et al., 2016). A semelhança dos resultados do presente trabalho com a literatura foi maior com a pesquisa de Queiroz et al. (2016), com 61,5% de compostos em comum e Carvalho et al. (2004), com 58,3%.

Tabela 1 - componentes químicos identificados no óleo essencial de Cordia verbenacea.

RT* IR** ADAMS IR CALCULADO SUBSTÂNCIA (%)

32.155 1461 1453 Aloaromadendreno 15,7

5.382 939 932 α-pineno 15,5

34.538 1495 1493 α-zingibereno 15

29.694 1418 1411 β-cariofileno 10,7

36.067 1524 1520 β-sesquifelandreno 8,1

5.168 931 924 α-tujeno 6,5

33.677 1483 1479 α-curcumeno 6,1

38.809 1576 1568 Espatulenol 3,5

31.623 1454 1444 α-humuleno 2,6

25.618 1351 1344 α-cubebeno 2

39.004 1581 1571 Óxido de cariofileno 1,8

35.170 1499 1504 β-himachaleno 1,7

33.262 1480 1472 Germacreno D 1,5

6.578 980 973 β-pineno 1,3

42.355 1640 1632 α-epi-cadinol 1,3

30.794 1436 1430 α-trans-bergamoteno 1,1

35.870 1524 1516 δ-cadineno 1,1

6.473 976 970 Sabineno 0,9

28.161 1391 1386 β-elemeno 0,8

42.670 1653 1637 α-cadinol 0,8

28.821 1420 1413 α-santaleno 0,7

30.312 1432 1422 β-gurjuneno 0,7

*Tempo de Retenção. **Índice de retenção Fonte: da autora

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Com outros trabalhos obteve-se semelhanças qualitativas muito menores se considerado em percentual como o feito com os estudos de Queiroz et al. (2016) e Carvalho et al. (2004). Todavia, é relevante ressaltar que a variação de compostos é esperada, já que muitos fatores interferem na composição qualitativamente e quantitativamente. Além disso, essas pesquisas também variam entre si ou até dentro do mesmo trabalho. Pesquisas que utilizaram amostras com condições de colheita e extração diferentes obtiveram resultados variados para cada condição. Entre eles, Michielin et al. (2009) analisou a composição química do óleo essencial de C. verbenacea extraído de seis formas diferentes e alguns destes tiveram semelhança entre si de apenas 33,3%.

Dessa forma, foi considerada a medida avaliativa de maior significância a análise qualitativa das substancias, ou seja, se as substâncias encontradas no presente trabalho foram encontradas em outros que utilizaram o mesmo vegetal, independentemente da quantidade e variação de compostos. Assim, apenas 9,09% dos compostos (dois) não foram encontrados em nenhum outro resultado.

Outra observação importante a ser discutida é que a diferença de concentração das substâncias encontradas (Tabela 1) é grande, sendo que apenas aloaromadendreno, α-pineno e α- zingibereno são responsáveis por 46,2% da amostra. Outros autores, ao avaliar suas amostras, trabalharam com a hipótese de que os principais responsáveis pelas propriedades seriam as três substâncias mais abundantes e obtiveram resultados que demonstram a veracidade dessa teoria (MULYANINGSIH et al., 2010). Dessa forma, caso o trabalho seja continuado e as propriedades químicas e microbiológicas avaliadas, deve-se investigar, em especial, a atividade do aloaromadendreno, α-pineno e α-zingibereno. Entretanto, o sinergismo não deve ser desconsiderado, pois é apontado como possível efeito em algumas pesquisas (SINGH et al., 2008;

MULYANINGSIH et al., 2010)

Os resultados de Carvalho et al. (2004) demonstraram efeito antimicrobiano satisfatório.

Suas amostras inibiram as bactérias Gram positivas: Bacillus cereus, Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus 5051, Staphylococcus aureus 5164, Staphylococcus aureus, Staphylococcus aureus ATCC 6534, Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus epidermidis ATCC 27626. A única bactéria Gram positiva testada não inibida foi a Staphylococcus epidermidis 1809. Já sobre as Gram negativas os efeitos inibitórios não foram exercidos, exceto para Proteus mirabilis, Proteus mirabilis 1821 e Proteus vulgaris ATCC, em que houve uma pequena atividade inibitória. Contudo, o melhor efeito antimicrobiano foi sobre as leveduras, em que das 15 testadas apenas uma (Candida albicans 4161) não foi inibida.

O aloaromadendreno é um sesquiterpeno com métodos de síntese existentes desde a década de 60 (BUECHI et al., 1969), além de também ter sido isolado de espécies vegetais (SCALCO et

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al., 2014). Estudos apontam que as propriedades do terpeno vão desde a redução do estresse oxidativo até atividade antimicrobiana (YU et al., 2014; SCALCO et al. 2014; MULYANINGSIH et al., 2010).

Yu et al. (2014) encontraram essa substância como a principal responsável pela resistência ao estresse oxidativo por nematoides da espécie Caenorhabditis elegans, o que aumentou seu tempo de vida relacionado ao grupo controle. Porém, é importante ressaltar que o grupo de estudos encontrou correlação com o aloaromadendreno e o fator de transcrição responsável pela codificação de genes que conferem resistência ao estresse oxidativo, DAF-16. Os pesquisadores realizaram a inativação do DAF-16 e averiguaram a atividade do sesquiterpeno nesses indivíduos, que foi não significativa. Ou seja, é possível que em testes in vitro ou com radicais livres o terpeno não seja efetivo, mas que sua ação seja modulatória.

Scalco et al. (2014) utilizou extratos de Hypericum cordatum e Hypericum brasiliense ricos em aloaromadendreno para a realização de testes contra os fungos Cladosporium cladosporioides e Cladosporium sphaerospermum. O grupo, embora não tenha realizado os testes com o composto isolado, o apontou como o principal responsável pela atividade antifúngica encontrada, a qual foi fortemente positiva contra C. cladosporioides e fraca contra C. sphaerospermum.

Mulyaningsih et al. (2010) avaliaram a atividade antimicrobiana do aloaromadendreno contra bactérias multirresistentes, Gram positivas e negativas, além de Candida albicans e Candida glabrata. O grupo comparou as atividades do óleo essencial de Eucalyptus globulus com aloaromadendreno, eucaliptol e globulol isolados. Os pesquisadores definiram as amostras a serem comparadas de acordo com a composição do óleo essencial, Os que tiveram maiores concentrações de aloaromadendreno, seguido de eucaliptol e globulol. De forma geral, o óleo essencial teve atividade antimicrobiana maior do que os compostos isolados. Entretanto, vários dos seus valores de concentração inibitória e bactericida mínimas foram iguais aos do aloaromadendreno e alguns até maiores. Tanto as propriedades do óleo essencial como do aloaromadendreno foram satisfatórias, enquanto as do eucaliptol e globulol nem tanto. Os valores comparativos podem indicar que avaliar a atividade do extrato pelo seu maior constituinte seja seguro, contudo, não deve ser excluída a possibilidade de sinergismo.

A biossíntese do α-pineno é conhecida, utilizando Escherichia coli com genes inseridos de Enterococcus faecalis, Saccharomyces cerevisiae e Abies grandis ou Pinus taedapara para a indução da via do mevalonato (YANG et al., 2013). Por outro lado, não foram encontrados trabalhos sobre sua síntese química, embora vários artigos trabalham com a síntese de seus derivados (ERYILMAZ, 2015; KENSETH, 2020).

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As propriedades químicas e biológicas do α-pineno têm sido estudadas há meio século (THEIMER; MCDANIEL, 1970; PITMAN, 1971). Pesquisas recentes mostram atividade antibacteriana, antinociceptiva e antioxidante, sendo esta não apenas em solução, mas também em sistemas celulares, agindo também a favor de tratamentos antitumorais (LEITE et al., 2007; HIM et al., 2008; AYIDIN et al., 2013; SACCHETTI et al., 2005; BOUZENNA et al., 2017).

Him et al. (2008) compararam in vivo a capacidade antinociceptiva do α-pineno, fenchona, α-copaeno, limoneno e trans-anetol com morfina. Os resultados demonstraram efeitos analgésicos do α-pineno menores do que os da morfina em até 90 minutos, depois deste tempo a atividade da morfina foi menor. Outro achado do estudo foi que o α-pineno não causou descoordenação motora.

Leite et al. (2007) avaliaram a atividade antimicrobiana do α-pineno frente a cepas de S.

aureus ATCC 1315, S. aureus ATCC 6538, S. aureus ATCC 25923, S. aureus LB 126, S.

epidermidis SSI 1, S. epidermidis ATCC 12228, S. pyogenes ATCC 19615, S. pyogenes ATCC 8668 e S. pneumoniae ATCC 11773. A medida de avaliação foi de acordo com a MIC, a qual foi comparada com soluções de eugenol, β-pineno, penicilina e gentamicina. Todas as cepas foram sensíveis ao α-pineno, mesmo as que mostraram resistência à penicilina e gentamicina, porém, seus valores de MIC não foram os mais satisfatórios.

Sacchetti et al. (2005) conduziram um estudo com 11 óleos essenciais, avaliando atividade antifúngica contra Candida albicans ATCC 48274, Rhodotorula glutinis ATCC 16740, Schizosaccharomyces pombe ATCC 60232, Saccharomyces cerevisiae ATCC 2365 e Yarrowia lypolitica ATCC. Os dois óleos com concentrações maiores de α-pineno, Pinus radiata, e Psidium guayava tiveram atividade antimicrobiana contra as cepas testadas, todavia não obtiveram os melhores resultados.

Sacchetti et al. (2005) ainda demonstram a capacidade de eliminação de radicais livre de DPPH dos óleos testados, entretanto, assim como no teste de atividade antifúngica, os óleos com maiores concentrações de α-pineno não tiveram as melhores performances. Além disso, os autores deixam claro que a mistura dos componentes pode interferir no resultado, não sendo confiável analisar as atividades pelos compostos de maiores concentrações.

Um estudo que utilizou α-pineno isolado para a avaliação antioxidante foi o de Bouzenna et al. (2017), os quais utilizaram teste de estabilização de DPPH, redução de ferro e de viabilidade celular de células tratadas com aspirina. Os resultados foram positivos no sentido de confirmação de atividade antioxidante (dependente de concentração) e citoprotetora, sendo esta provavelmente decorrente de proteção do estresse oxidativo causado pela aspirina.

A atividade antioxidante do α-pineno in vitro foi também testada por Ayidin et al. (2013), os quais utilizaram uma linhagem celular tumoral de encéfalo de ratos para testar a cito e

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genotoxicidade da substância, bem como a capacidade antioxidante. O grupo encontrou resultados satisfatórios apenas nas doses máximas utilizadas do terpeno e apontou como maior hipótese de mecanismo seu efeito antioxidante, se em baixas doses, e oxidante, em altas.

Por fim, o α-zingibereno, terpeno cujo método de isolamento é conhecido desde a década de 90, é apontado como fonte de atividade antimicrobiana, antioxidante e citotóxica contra neoplasias (EL-BAROTY, 2010; NOORI, 2018; NORAJIT, 2007; SINGH, 2008; BOU, 2013; MILLAR, 1998).

El-Baroty et al. (2010) avaliaram as atividades antioxidantes e antimicrobianas dos óleos essenciais de Cinnamomum zeylanicum e Zingiber officinale, sendo o α-zingibereno o terceiro maior constituinte deste. A atividade antioxidante, testada em proteção de oxidação em β-caroteno e estabilização de DPPH, do óleo essencial de Z. officinale, embora existente, foi muito reduzida se comparada com BHT, BHA e até ao óleo essencial de C. zeylanicum. O grupo apontou como principal fator determinante de atividade antioxidante, os compostos fenólicos, dos quais o C.

zeylanicum é rico.

Noori et al. (2018) utilizaram a mesma metodologia que El-Baroty et al. (2010) para avaliação de atividade antioxidante, contudo trabalharam com uma amostra de óleo essencial de Z.

officinale em que o α-zingibereno é o maior constituinte, além de usá-lo em emulsão e nanoemulsão. Os resultados do grupo foram ao encontro com os resultados de El-Baroty et al.

(2010), demonstrando atividade antioxidante existente, porém fraca se comparada ao BHT.

Ademais, Noori et al. (2018) avaliaram a atividade antimicrobiana do óleo essencial frente a cepas de Listeria monocytogenes (ATCC 19111) e Salmonella typhimurium (ATTC 14028) em placa e crescimento de bactérias psicrófilas e fungos em amostras de filete de frango. O desenvolvimento antimicrobiano em placa e em frango foi satisfatório, sendo dependente de dose e em algumas concentrações até mais inibidor do que o cloranfenicol.

Norajit et al. (2007) avaliaram a atividade antimicrobiana do óleo essencial de Z. officinale por quatro métodos de extração, sendo o α-zingibereno o maior constituinte dos quatro. O óleo teve boa atividade antibacteriana contra as cepas testadas (S. aureus; B. cereus; E.coli e L.

monocytogenes), todavia o extrato, com maior concentração de α-zingibereno, não foi o com maior atividade antimicrobiana.

Singh et al. (2008) testaram a atividade antimicrobiano e antioxidante do óleo essencial de Z. officinale, em que o α-zingibereno é o segundo maior constituinte. A ação contra fungos e bactérias encontrada foi significativa, entretanto, as bactérias E. coli e S. aureus não sofreram inibição. Além disso, ao contrário dos outros trabalhos analisados, o óleo essencial teve atividade antioxidante satisfatória, contudo os autores consideram como os prováveis responsáveis os

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compostos fenólicos e/ou sinergismo. Ademais, o α-zingibereno não era o principal componente, com uma diferença de 16,4% de concentração em relação ao primeiro constituinte, geraniol.

4 CONCLUSÃO

É possível inferir que, considerando qualitativamente a composição química do óleo essencial analisado, este teve semelhança significativa com a literatura. Apenas duas de 22 substâncias (β-himachaleno e α-cadinol) não foram encontradas em nenhum resultado de outro estudo e em algumas pesquisas foram encontrados mais de 60% de compostos em comum.

Também é possível deduzir que se analisada as propriedades, encontrar-se-ia efeitos antimicrobiano e antioxidante satisfatórios devido à presença dos aloaromadendreno, α-pineno e α- zingibereno.

A partir do momento que se toma conhecimento das possíveis propriedades do óleo, verificamos que é passível seu uso na indústria como conservante e/ou antioxidante, bem como a necessidade de conduzir mais pesquisas sobre seu uso terapêutico e possíveis melhorias no plantio, colheita e extração.

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Referências

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Centro de Filosofia e Ciências Humanas – CFH, Centro de Comunicação e Expressão – CCE, Departamento de Saúde Pública, Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva –