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João Monlevade 2015

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Academic year: 2023

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Convenção Americana sobre Direitos Humanos CIDH Comissão Internacional de Direitos Humanos CIE Centro de Informação do Exército. Este último declarou a inconvencionalidade da lei de anistia nº. 6.683/79, que determina que o Brasil pratique atos de tortura, identifique torturadores e vítimas, investigue documentos do período do regime militar, para que possa corrigir violações de direitos humanos. À luz do direito internacional e dos direitos humanos, serão discutidos os aspectos que tornam o direito à verdade uma responsabilidade civil do Estado para corrigir crimes de tortura.

E também refletir sobre o valor do direito à memória e à verdade para as famílias das vítimas de graves violações dos direitos humanos. Em 2015, o Provedor Nacional dos Direitos Humanos informou que recebeu 5.431 denúncias de tortura e tratamento cruel entre 2012 e 2014.

Conceito de tortura

Contudo, o conceito e sua definição se ampliaram após a declaração de outras convenções e regulamentos em nível internacional, que passaram a entender a tortura como a utilização de "métodos que tendem a destruir a personalidade da vítima ou a reduzir sua capacidade física e mental, mesmo que não causem dor física ou psicológica', Convenção Interamericana para a Prevenção da Tortura (1985, Artigo 2). Não deve ser confundido com os crimes de privação ilegal de liberdade (art. 146 do Código Penal) ou de abuso de poder (art. 3º da Lei), mas pode ser o mesmo. Entre as diferentes formas que representa - tortura-punição, contra a tortura, crime de tortura ou racismo de tortura, o dispositivo legal da lei brasileira sobre tortura trata de punir sujeitos ativos com pena de prisão que se inicia em regime fechado, entre 2 e 8 anos. .

1º da Lei da Tortura e, portanto, se resultar lesão grave ou gravíssima, a pena mínima é aumentada: reclusão de 4 a 10 anos. De acordo com a Constituição, as provas obtidas por meios ilícitos são inadmissíveis (artigo 5.º, alínea LVI) conforme previsto no Código de Processo Penal (artigo 157.º). Os sinais de tortura são muitas vezes visíveis, sejam eles físicos, através de lesões físicas, desespero, baixo peso ou psicológicos, isso se revela na submissão, medo ou timidez da vítima.

O entendimento deste Superior Tribunal de Justiça é que o crime de tortura psicológica não deixa vestígios, tornando desnecessária a realização de perícia. A existência de sofrimento físico e mental ao mesmo tempo não é necessária para caracterizar o crime de tortura, pois a prova de tortura mental por si só é suficiente para a condenação. O que torna muito difícil caracterizar é que o conceito de tortura pode mudar de acordo com a cultura ou com a passagem do tempo.

A composição da norma sobre tortura significa que a definição serve para apoiar todos os países na interpretação das directrizes da ONU e no estabelecimento dos seus próprios recursos para proteger os direitos humanos.

Conceito de anistia

Por outro lado, a gravidade do abuso torna-o indescritível na hora de compensar danos morais diante da tortura cometida por agentes do Estado durante o período militar. As anistias em branco caracterizam-se pela amplitude do seu alcance, geralmente destinadas a imunizar todos os agentes do Estado para todos os crimes – sejam eles comuns, políticos ou internacionais, independentemente da sua motivação – por eles cometidos num determinado período. Hoje, 50 anos após o fim dos chamados anos de chumbo e 36 anos após a aprovação da lei de amnistia, ainda não foi encontrada uma solução definitiva para a interpretação desta lei, que se estende até aos dias de hoje. seus efeitos sobre os agentes criminosos.

Desde a promulgação da lei de anistia, criou-se uma ideia fictícia de caminho amigável, marcada principalmente pelo silêncio. Ele lembrou que um conhecido torturador da ditadura militar foi nomeado para alto cargo na polícia paulista e também é beneficiário vivo da lei de anistia. São esses valores que a sociedade civil tem se mobilizado para defender e debater e demonstrar que o reconhecimento da lei de anistia como inconstitucional leva o STF a rever sua decisão sobre a ADPF 153.

É fácil identificar que agentes estatais agiram durante o período da ditadura, violando os direitos humanos, sob a supervisão e ordem do seu governo, e em respeito ao Tratado de Viena, nenhum país que tenha assinado um determinado tratado pode impedir o seu cumprimento, sequer. se ele não o ratificou. Ao observarmos o que aconteceu após a lei de 1979, não podemos nem falar em justiça de transição, mas sim na contingência de transição (ABRÃO e TORELLY, 2012), que pode ser resumida nos seguintes passos: abster-se de investigar crimes, ao mesmo tempo em que tenta pregar um acordo político consensual (a adopção da Lei da Amnistia); o discurso do esquecimento, colocando-o como sinônimo de paz e perdão; e impunidade, contra a justiça e a redemocratização. Como em 2005 a Argentina assumiu e declarou perante sua Corte a inconstitucional lei de anistia, nas palavras de Abrão e Torely (2012) e já condenou 250 agentes do estado de exceção, a Justiça de Transição da América Latina apresenta-se como uma união de indissolúveis da verdade, da memória, da justiça e da reparação; cujos resultados levam a uma ação positiva por parte do Estado para alcançar a proteção dos direitos humanos, seja através de responsabilidade criminal ou de compensação civil.

A Lei Estadual de Minas Gerais 13.187 de 1999 concedeu indenização pelo crime de tortura cometido por agentes do Estado àqueles que a solicitaram à Comissão Estadual de Defesa dos Direitos Humanos no prazo de 60 dias a partir de 18 de janeiro de 2001.

Os denunciantes invejosos

O caminho escolhido pelos ministros vencedores, rejeitando o pedido de revogação da Lei de Anistia nº 6.683/79 por sete votos a dois, foi considerar a leitura da lei com prioridade dos princípios da reconciliação e da pacificação acima da dignidade da pessoa. a pessoa humana e a justiça. Mas não só isso foi feito, como o STF ratificou e assinou a derrota da democracia ao não analisar a proposta de interpretação da lei de anistia, não no plano político, mas do ponto de vista da validade jurídica. Por parte do Ministério Público Federal, segue o entendimento e respaldo do que argumentou a OAB, e sugere o reconhecimento da inconstitucionalidade da interpretação ampla do artigo 1º da Lei da Anistia, para a punição de agentes estatais, nomeadamente membros do exército ou militares da época.

Foi também a aniquilação dos direitos humanos – já reconhecidos e ratificados pelo Brasil desde 1992 (CADH) e desde 1998 (CIDH) – e do princípio entendido como principal fonte do direito, a dignidade da pessoa humana. É claro que desde que a lei de anistia entrou em vigor ela respeitou todas as suas regras formais, pois o que ali foi determinado foi que o Estado brasileiro não se abstivesse de suas responsabilidades através de uma lei distorcida em seus fundamentos. Ressaltando que não era ilimitado ou totalmente amplo porque, como se sabe, não abrangia mais casos condenados a pena definitiva e irrecorrível, nem atos terroristas, agressões, sequestros e ataques pessoais (BRASIL, §2º do art. 1º da Lei 6.883/79).

A segurança jurídica e a atuação não retroativa do direito penal, que está prevista na Assembleia Constituinte de 1988, prejudicarão os direitos já garantidos aos anistiados. Infelizmente, esses argumentos pesam sobre o pedido postulado na ADPF, além do decurso de tempo entre a promulgação da lei e o Argumento proposto. Os esclarecimentos necessários sobre a finalidade e a capacidade postulatória na ADPF vieram com a entrada em vigor da lei 9.882 de 1999, e mencionou sobre sua finalidade: “terá por objetivo danificar prescrição fundamental, decorrente de ato do Poder Público, evitar ou restaurar. Poder." E ainda: “I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre legislação ou ato normativo federal, estadual ou municipal, inclusive os anteriores à Constituição” (BRASIL, art. 1º da lei 9.882/99).

Ele cumprirá os requisitos formais e poderá ser desclassificado caso não acompanhe as duas vias da carta inicial, a procuração, os documentos necessários à comprovação e cópia da lei ou ato normativo a que se refere o pedido.

A anistia como caminho da ação democrática

Se, como define novamente Mazzuoli (2013, p.83), o controle de convencionalidade seria o método para impedir que o Parlamento local adote uma lei que viole os direitos humanos previstos em tratados internacionais já ratificados, tal controle certamente poderá ser exercido por todos os que se tornem juízes e tribunais dos Estados. E não mais da sua mera dimensão doméstica, pois, passado o contexto formativo inicial que foi o pós-guerra, passa a ser entendido como fundamental para os seus próprios objectivos: a conquista da paz, a promoção do respeito universal, a observância dos verdadeiros direitos humanos e liberdades fundamentais. É certo que as violações dos direitos humanos também ocorreram antes do golpe militar, e é ainda mais certo que ainda hoje se manifestam sob a forma de violência brutal, tortura e maus-tratos perpetrados deliberadamente em instituições fechadas, com a participação de agentes da polícia estadual ou militar.

Para ilustrar os debates apresentados, comparamos a curta narrativa de Dimoulis (2007) no caso dos denunciantes invejosos, pois o caso ali apresentado encontra as mesmas questões que são propostas aqui, a saber: justiça transicional complexa, a posição deste tema para socialmente valores corretos e justos, a punição mais adequada aos agentes da ditadura militar e a possibilidade de o Estado optar pela pacificação social em detrimento da investigação e repressão de crimes que violem direitos humanos absolutos. Os direitos humanos fazem parte dos direitos civis dos homens, mas embora a Declaração Universal dos Direitos Humanos tenha sido criada em 1948 e tenha definido os direitos humanos básicos na altura, incluindo o Artigo 5.º que afirma que “ninguém será submetido à tortura ou à crueldade, desumanos ou tratamento ou punição degradante”, os Estados-nação, particularmente neste caso o Brasil, permitem que a violência e a impunidade persistam, mesmo quando praticadas pelos seus próprios agentes. Um exame comparativo do passado e do presente é uma fonte válida para medir a extensão das violações dos direitos humanos, ou a sua importância e eficácia para as autoridades executivas, legislativas e judiciais.

Os juízes devem estar convencidos do apoio aos direitos humanos em tratados já ratificados, o que exige que o poder judicial reconheça a dimensão actual dos direitos humanos, como já foi sublinhado. Graças à mudança regulatória que vivemos em 1979 com a lei da anistia, previa-se um novo começo, mais forte e que abrangesse facilmente a proteção dos direitos humanos. É também claro que as violações dos direitos humanos ocorrem com mais frequência entre os grupos mais vulneráveis ​​da população: ocorrem em circunstâncias extremas onde, por exemplo, ocorrem conflitos armados.

Além disso, deve ficar claro que nenhum Estado pode declarar nada a seu favor com um preceito cultural para justificar a violação dos direitos humanos (machismo) – não é uma justificação para a violação dos direitos humanos.

Referências

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Em 19 de janeiro de 2022, a Corte de Cassação da Itália, presidida pelo Juiz Luca Ramacci e composta por cinco juízes condenou o brasileiro Robinho e seu amigo Ricardo Falco a