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Academic year: 2023

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Questões raciais no Centro de Referência de Assistência Social – CRAS do município de São João de Meriti: desafios para psicólogos. Questões raciais no Centro de Referência de Assistência Social: CRAS do município de São João de Meriti: desafios para psicólogos.

A assistência social no Brasil: caminhos percorridos

1 POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO BRASIL. SCHMIDT, 2015, p.99), o início deste escrito está pautado na ideia de assistência social que poderia ser vista antes de tais marcos históricos. A compreensão da pobreza que vemos hoje na política de bem-estar social é a desenvolvida por Amartya Kumar Sen.

Implementação do SUAS

“Dispõe sobre a operacionalização da administração da política de assistência social nos termos da Constituição Federal de 1988, da LOAS e da legislação complementar aplicável nos termos da Política Nacional de Assistência Social de 2004” (NOB SUAS/2005, p. 12). . Depois, em 2006, foi aprovada a Norma Operacional Básica de Pessoal de Assistência Social (NOB RH/SUAS), que define mais detalhadamente os rumos e estabelece equipes de referência para a atenção social básica e a assistência social especial de média e alta complexidade e define os funções essenciais para a gestão do SUAS (MUNIZ, 2011).

Proteções da assistência social

É fundamental que todos os profissionais que compõem a equipe tenham perfil e habilidades para desenvolver um trabalho social com moradores de rua. O registo comum melhora o acesso dos sem-abrigo a programas, serviços e benefícios de assistência social.

O que é o CRAS?

A política de assistência social compreende a família na sua pluralidade, como um espaço contraditório, caracterizado por tensões, conflitos, desigualdades e violências. Outro eixo estruturante do Sistema Único de Assistência Social é a territorialização, que se refere à descentralização da política de assistência social para centralizar a área como fator determinante para a compreensão das situações de vulnerabilidade e risco social.

O “cidadão de bem”

A visão bolsonarista dos direitos humanos das eleições de 2018 tem raízes profundas na ideia defendida durante o período escravagista: “quando os africanos e os seus descendentes ainda eram escravizados no Brasil e não eram legalmente reconhecidos como seres humanos, não podiam usar a lei para se defenderem”. O que se verifica após a abolição é a negação de direitos a este grupo populacional no que diz respeito ao acesso à educação, ao trabalho, à saúde e à habitação, entre outras coisas. O apelo feito em torno da protecção dos “cidadãos de bem” e das suas famílias foi consequência da grande violência verificada no país, e para combater a violência é necessário destruir o inimigo, que inclui, entre outras coisas, o “andarilho” é . ".

Nesse sentido, foram assim caracterizadas as pessoas que discordaram do discurso de Bolsonaro na campanha eleitoral. No entanto, os poucos direitos conquistados após a abolição não estavam disponíveis para todas as pessoas. Segundo José Murilo de Carvalho (2017), a cidadania no Brasil até 1930 seria uma cidadania negativa, com os poucos avanços alcançados em termos do direito ao voto.

Brasil da democracia racial

Assim, a partir deste trabalho se fortaleceu a crença de que as relações raciais no Brasil teriam sido mais humanas, diferentemente de outros países. Este trabalho reforçou entre os brasileiros a perspectiva da democracia racial, a ideia estereotipada de que todos no Brasil vivem em harmonia. Com o mito da democracia racial, a ideia de que todos os brasileiros seriam mestiços, considerando o continuum de cores que hierarquizava os grupos, desenvolveu-se no Brasil o chamado “racismo de coração” (PACHECO, 2011).

Dessa forma, o racismo cordial surge no Brasil como uma forma de discriminação contra os não-brancos que se manifesta nas relações privadas e se camufla em uma suposta tolerância pública. Porém, a questão racial é tratada como um tabu, e com o mito da democracia racial, onde todos os brasileiros seriam mestiços, o forte racismo no Brasil ganhou força. Com isso ninguém é oficialmente racista, mas na prática todos reconhecem que o racismo existe no Brasil (PACHECO, 2011).

Contextualizando o racismo institucional no Brasil

O racismo institucional refere-se a operações anônimas de discriminação racial em instituições, profissões ou mesmo em sociedades inteiras (GELEDÉS, 2013). Para compreender o racismo institucional no Brasil, primeiro é necessário lembrar que a existência do racismo foi negada por muito tempo, e a concepção do Brasil como uma democracia racial foi difundida mundialmente e principalmente pelo fortalecimento do governo brasileiro. durante o período da Ditadura Militar. Ainda que esta evolução seja digna de nota, é evidente que “não há um esforço concertado por parte dos organismos públicos de outras áreas políticas para incorporar a dimensão do racismo, melhorando a transversalidade e a eficácia das políticas” (FONSECA, 2015, p.) um dos sintomas do próprio racismo institucional.

São eles: psicologia na porta de entrada do SUAS; a interseccionalidade entre questões de raça, gênero e classe; e a presença do racismo institucional no CRAS. Portanto, na seção 3.2 discuto a psicologia na proteção básica do SUAS, juntamente com a apresentação dos psicólogos no CRAS de São João de Meriti. Por último, e não menos importante, na seção 3.5 proponho examinar a relação entre racismo institucional e CRAS, sob a perspectiva da psicologia, em diálogo com os resultados das entrevistas.

Construção e desenvolvimento da pesquisa nos CRAS de São João de Meriti

Ao longo desta experiência profissional foi possível perceber algumas características do público geral atendido pelo CRAS. Em relação ao exercício da psicologia nesta área, tenho refletido sobre o compromisso ético no exercício da profissão respeitando os postulados do Código de Ética e as resoluções que o regulamentam. Então, uma vez que o racismo é violência, como o racismo afeta a prática profissional da psicologia nesta área?

Assim, podemos verificar que os dados sobre a questão cor/raça estão permeados pelo racismo, comprometendo análises posteriores sobre a população de usuários do CRAS. Inicialmente, mobilizada por minhas observações como psicóloga atuante em tais dispositivos e, posteriormente, implicada por dados descobertos por meio de pesquisas bibliográficas sobre a área (FRASSON & MINETTO, 2008; RODRIGUES E MARTINS, 2014; SILVA & . CHAVES, 2015; COSTA, 2017 ) que mostrou pontos relevantes para o que observei, constatando a importância e a urgência de refletir sobre o racismo institucional e o exercício da psicologia na defesa básica do SUAS. As entrevistas foram posteriormente transcritas e analisadas à luz de documentos de órgãos reguladores da psicologia brasileira e de pesquisadores teóricos sobre o tema em questão.

Figura 1 - Foto da sala principal de acolhimento dos usuários do CRAS, registrada pela  autora em 2015 em um dia de chuva
Figura 1 - Foto da sala principal de acolhimento dos usuários do CRAS, registrada pela autora em 2015 em um dia de chuva

A psicologia nos CRAS de São João de Meriti

No total, são 7 (sete) profissionais psicológicos atuantes no CRAS de São João de Meriti. A cidade de São João de Meriti fazia parte da cidade de Maxambomba, hoje Nova Iguaçu. São João de Meriti está localizado na Baixada Fluminense no estado do Rio de Janeiro.

Atua em outros CRAS desde 2013, e no momento da entrevista (dezembro/2017) trabalhava no CRAS de São João de Meriti há 4 meses. Raquel tem 28 anos, se autodenomina negra, concluiu a graduação em psicologia em 2013, e no momento da entrevista (janeiro/2018) relatou que trabalhava no CRAS de São João de Meriti há 3 anos e se especializou . na terapia corporal Reichiana. Carlos tem 61 anos, se autodenomina negro, formou-se em psicologia em 1990, trabalha no CRAS de São João de Meriti desde 2006, com 11 anos de experiência na época da entrevista (fevereiro/2018) e possui especialização em arteterapia, educação e saúde.

Gráfico 2 - Fonte: dados coletados na entrevista
Gráfico 2 - Fonte: dados coletados na entrevista

CRAS, a “porta de entrada”: a percepção das psicólogas atuantes

Portanto, um psicólogo do CRAS pode desenvolver ações para que o usuário tenha acesso aos seus direitos, ao mesmo tempo em que os direitos desse psicólogo são restringidos por diversos motivos. A infraestrutura do CRAS deve ser compatível com as ofertas do PAIF e seguir detalhadamente as recomendações e propostas de cada ambiente de acordo com sua especificidade. Além das dificuldades apontadas pelos psicólogos quanto ao espaço físico do CRAS e sua estrutura para desenvolver o trabalho de acordo com os postulados do documento CREPOP aqui citado, os psicólogos também relataram sua insatisfação com aspectos relacionados aos direitos trabalhistas, como .por exemplo atrasos no pagamento de salários, descontos salariais para contribuições ao INSS.

Os interesses político-partidários dos serviços do CRAS extrapolam o âmbito desta facilidade, fazendo com que esta instituição seja utilizada para fins de campanhas político-partidárias, muitas vezes sugerindo ao usuário que os direitos nele oferecidos são de natureza beneficente e benevolente. A partir da análise das entrevistas constatou-se que no CRAS pesquisado existe um forte poder político partidário que interfere na rotina dos profissionais, fazendo com que esses profissionais suprimam seu sofrimento relacionado às queixas citadas acima para não terem ônus profissionais. e que a fiscalização do CRAS sobre o cumprimento das diretrizes previstas na política de garantia dos direitos dos profissionais não é constante, o que deixa margem para que tais denúncias permaneçam ocultas e incontestadas. Foi comum entre todos os entrevistados que a falta de fiscalização sobre a gestão do CRAS é o principal fator para garantir que as condições oferecidas a esses profissionais permaneçam com as características mencionadas nas entrevistas.

Gênero, raça e classe: expressões do campo CRAS

Djamila Ribeiro (2018, p.53) afirma que “no Brasil é muito comum não encontrar nada que fale sobre feminismo negro”. As mulheres negras, segundo o IBGE, são as menos propensas a se casar e constituem a maior proporção de mães solteiras (RIBEIRO, 2018). Aponta que vários estudos revelaram que as mulheres negras brasileiras ainda “chefam de famílias na pobreza; [..] em situação de baixa escolaridade, dado o seu envolvimento precoce no mundo do trabalho mal remunerado e pobre; viver em situações insalubres e inseguras em espaços abandonados e desvalorizados da cidade, etc. (NUNES, 2018, p. 216).

Segundo Raquel, ter um homem no CRAS não protegerá as mulheres que trabalham lá da violência ali, explicando que elas estão expostas a situações em que os homens estão presentes. Castro (2018), na análise dos dados encontrados em sua pesquisa Equidade de gênero intrafamiliar no Serviço de Proteção e Atenção Integral à Família (PAIF): uma análise da psicologia nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) de São Luís – MA, intitulada seção de seu trabalho como “CRAS é coisa de mulher”, destacando a presença massiva de usuárias, chegando à conclusão de que as “famílias PAIF” são “mulheres negras e seus filhos” (CASTRO, 2018, p 66). Assim, a respeito do trecho da entrevista acima, é possível compreender que tal atitude afirmada por Sandra em relação às mulheres negras, que compõem a maior parte das usuárias do CRAS, deve ser considerada uma reação decorrente da “violência psíquica, [. . ] que tanta escravidão e racismo impuseram e continuam a impor a todos os negros, dos mais obscuros aos mais claros” (CFP, 2017, p.38).

Questões raciais no CRAS: desafios para psicólogas e psicólogos

Buscamos compreender como as questões raciais permeiam as práticas dos psicólogos que atuam nos Centros de Referência de Assistência Social – CRAS de São João de Meriti. Partimos do pressuposto de que, para atingirmos esses propósitos, teremos primeiro que compreender como a assistência social se desenvolveu no país dadas as suas peculiaridades, pois sabemos que o Brasil viveu contextos históricos marcantes que dificultaram o exercício da cidadania para muitos indivíduos. Para que a atual política de assistência social se estabelecesse como um direito de todos que dela necessitam, foi necessário que muitos obstáculos fossem superados.

Nota técnica nº. 001/2016 da Comissão Nacional de Psicologia na Assistência Social (CONPAS) Diretrizes sobre documentos elaborados por psicólogos no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Política nacional de assistência social e a questão racial: Metodologias de trabalho com famílias negras atendidas na assistência básica da cidade de Montes Claros-MG. Administração Pública do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) no Município de Niterói/RJ: Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) em enfoque crítico.

Título do projeto de pesquisa: Questões raciais no Centro de Referência de Assistência Social – CRAS: Desafios para Psicólogos. Você está convidado a participar de uma pesquisa sobre “Racismo institucional no Brasil na atuação de psicólogas e psicólogas do Serviço Único de Assistência Social (SUAS)/CRAS da cidade de São João de Meriti”, mas sua participação não é obrigatória.

Imagem

Figura 1 - Foto da sala principal de acolhimento dos usuários do CRAS, registrada pela  autora em 2015 em um dia de chuva
Figura  2  –  Bandeira  da  Cidade  de  São  João  de  Meriti,  fonte  Google  imagem em 2018
Gráfico 2 - Fonte: dados coletados na entrevista

Referências

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