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Revista dos Alunos de Pedagogia

Faculdades Network – Revista da Faculdade de Pedagogia ISSN

Publicação anual das Faculdades Network

A Revista de Pedagogia é uma publicação de divulgação científica na área de pedagogia, aberta a contribuições de

pesquisadores de todo o Brasil e do exterior.

Mantenedores Alexandre José Cecílio Profa. Mestra Tânia Cristina Bassani

Cecílio

Maria José Giatti Cecílio

Diretora Geral das Faculdades Network Profa. Mestra Tânia Cristina Bassani

Cecílio

Secretária Geral Érica Biazon

Coord. Do Curso de Pedagogia Profa. Dra. Angela Harumi Tamaru

Consu

Prof. Dr. Pedro Roberto Grosso Prof. Dr. Reinaldo Gomes da Silva Profa. Dra. Angela Harumi Tamaru Prof. Me. Mário Ferreira Sarraipa Prof. Me. Renato Francisco dos Santos

Junior

Prof. Me. João Roberto Grahl Profa. Claudia Fabiana Órfão Gaiola Profa. Ma. Tânia Cristina Bassani Cecílio

Érica Biazon

Consep

Prof. Dr. Pedro Roberto Grosso Prof. Dr. Reinaldo Gomes da Silva Profa. Dra. Angela Harumi Tamaru

Prof. Me. Mário Ferreira Sarraipa Prof. Me. João Roberto Grahl Prof. Me. Renato Francisco dos Santos

Junior

Profa. Claudia Fabiana Órfão Gaiola Érica Biazon

Editores Responsáveis

Profa. Ma. Tânia Cristina Bassani Cecílio Profa. Dra. Angela Harumi Tamaru

Editora Executiva

Regina Célia Bassani (Network, CRB- 8ª/7321)

Conselho Editorial

Profa. Ma. Tânia Cristina Bassani Cecílio (Faculdade Network)

Prof. Dr. Pedro Roberto Grosso (Faculdade Network) Profa. Dra. Angela Harumi Tamaru

(Faculdade Network)

Assessoria de Comunicação Alzeni Maria Silva Duda Gambeta

(MTB 37218)

Editoração Gráfica e Eletrônica Nathália Ruiz Leal Wellinton Fernandes

Central de Atendimento ao Assinante (19) 3476-7676 Ramal 213

[email protected]

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Revista dos Alunos de Pedagogia

Faculdades Network – Revista da Faculdade de Pedagogia ISSN

Revista dos Alunos de Pedagogia / Tânia Cristina Bassani Cecílio (org)– v. 1, n.1 (2013) – Nova Odessa,

SP: Faculdades Network, 2014-

Anual

Editada pelas Faculdades Network ISSN

1.Educação - Periódicos. I. Faculdades Network (Nova Odessa, SP).

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SUMÁRIO

EDITORIAL....06 CONSUMISMO E O PAPEL DOS PAIS

Kellen Suzana Vieira Calazaes, Maria A. Belintane Fermiano...07

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM SITUAÇÃO DE PRIVAÇÃO DE LIBERDADE ESTUDO COMO REDUÇÃO PENAL LEI nº 12.433/11

Fernanda Candido da Silva, Angela Harumi Tamaru...17

O ENSINO E A APRENDIZAGEM NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Luizelena Rodrigues Mantovani, Maria Regina Peres....24

CRECHE: CARÁTER PEDAGÓGICO OU ASSISTENCIAL?

Cristiana Cabral, Marli Naomi...37

PUBLICIDADE E CRIANÇA, UMA PARCERIA NADA SAUDÁVEL

Katia da Silva Malachias Batista, Maria A. Belintane Fermiano...46

O INTÉRPRETE DE LIBRAS, NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Priscila Roselaine Fregate Bedana, Geilda Fonseca de Souza...60

QUANDO A ESCRITA DEIXA DE ACONTECER NO ENSINO FUNDAMENTAL: O DESINTERESSE PELA REDAÇÃO

Carolina Reinaldo Rocha de Gouvea, Angela Harumi Tamaru....73

OS CONTOS DE FADAS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Bruna Eliane Vieira Bastos,Cláudia Fabiana Orfão Gaiola...83

NIETZSCHE E O TEMA DA EDUCAÇÃO – PERSPECTIVAS PARA UMA EDUCAÇÃO INTEGRAL, ALÉM DA MORAL E DO ADESTRAMENTO

Anderson dos Santos de Sousa, Adelino F. Oliveira...94

O ENSINO DE HISTÓRIA: A INFLUÊNCIA DA DITADURA MILITAR NO ATUAL ENSINO FUNDAMENTAL I

Suelen Cristina de Souza Lima, Marli Naomi Tamaru...,,,,,,,,...108

UMA REFLEXAO SOBRE A ALFABETIZAÇÃO E A ESCRITA NAS SÉRIES INICIAIS: UM ESTUDO EM UMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICIPIO DE AMERICANA – SP

Ana Carolina Andreotti, Barbara Chacur...119

JOGOS DRAMÁTICOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Amanda Alves Teixeira, Magda J. Andrade de Barros...132

(5)

CRECHE: CUIDAR OU EDUCAR?!

Maysa Veiga, Cláudia Fabiana Orfão Gaiola...139

MORALIDADE INFANTIL: DA HETERONOMIA À AUTONOMIA

Gabriela Retruci, Magda J. Andrade de Barros...152

A PEDAGOGIA HOSPITALAR: A ATUAÇÃO DO PEDAGOGO

Rafaela Machado de Oliveira, Cláudia Fabiana Orfã Gaiola....159

A RELAÇÃO DOS PAIS NA LIÇÃO DE CASA DOS FILHOS: UM ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA PÚBLICA ESTADUAL DA CIDADE DE SUMARÉ-SP Micheli Dias Monção, Angela Harumi Tamaru...169

QUEM SÃO AS VÍTIMAS DE BULLYING NA ESCOLA

Michelly dos Santos, Roberta Guimarães...177

A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA NO PROCESSO DA ALFABETIZAÇÃO ENTRE CRIANÇAS 06 E 08 ANOS

Jéssica Daiana Ferreira da Silva, Claúdia Fabiana O. Gaiola...190

COMO O PROCESSO DIALÓGICO É POUCO PRIVILEGIADO NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Palmira Zuleika da Silva, Angela Harumi Tamaru...199

DEFICIÊNCIA AUDITIVA NA ESCOLA: UM ESTUDO DE CASO

Elis Fernandes do Nascimento, Angela Harumi Tamaru...208

A CONSTRUÇÃO DA ESCRITA NAS SERIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Camila Fontes de Oliveira, Helena Prestes dos Reis...217

CONCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO SOBRE A TEMÁTICA DA INCLUSÃO ESCOLAR

Maria Filomena de Moraes Macedo, Maria Regina Peres...224 OS PRESSUPOSTOS DA ESCOLA DA PONTE SEGUNDO A REALIDADE DA ESCOLA BRASILEIRA

Mariele Daiana de Araujo França, Maria Regina Peres....238

CONSUMO E O UNIVERSO INFANTIL

Mariza Vidal Silva, Maria A. Belintane Fermiano...253

O INCENTIVO DA LEITURA NA BIBLIOTECA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Paula Aparecida Tenório de Albuquerque, Angela Harumi Tamaru...263

NO FRACASSO ESCOLAR HÁ UM ALGOZ?

Tatiane batista, Roberta Rodrigues de Oliveira Guimarães Lacerda...274

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A CONTRIBUIÇÃO DA MUSICA NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Solange dos Santos, Magda. J. Andrade Barros...287

A FORMAÇÃO DO ALUNO LEITOR - O PROFESSOR COMO PRINCIPAL INCENTIVADOR DESSA PRÁTICA

Eliana Porcel da Costa Catunda, Maria Regina Peres...295

O DESENHO NA ESCOLA, UMA FORMA DE CRIANÇAS SE EXPRESSAREM Kenia Maria Marcato da Silva, Angela Harumi Tamaru...307

PEDAGOGIA HOSPITALAR

Janaina Dantas...315

O BULLYING NO ÂMBITO ESCOLAR: AS DIFICULDADES DA EQUIPE PEDGÓGICA, PAIS E ALUNOS PARA SOLUCIONAR ESTE PROBLEMA

Raquel da Silva, Helena Prestes dos Reis...322

O COMBATE ÀS DROGAS e à violênca NO ÂMBITO ESCOLAR: O COMPROMETIMENTO PEDAGÓGICO PARA UMA EDUCAÇÃO SOCIAL

Eleni Ap. P. da Fonseca da Silva, Antonio Carlos Dias Junior...328

PEDAGOGIA HOSPITALAR: POR UMA EDUCAÇÃO (ORIENTAÇÃO) NÃO- ESCOLAR

Fátima Aparecida Paiva, Antonio Carlos Dias Junior...339

A RESPONSABILIDADE DO ALUNO AOS ESTUDOS

Roberta Barbosa de Souza,Cláudia Fabiana Gaiola...347

INCLUSÃO ESCOLAR: IGUALDADE NA DIFERENÇA

Karen Cristina Fernandes Donatti, Roberta R. O. Guimarães Lacerda...356 IDADE INICIAL NA ESCOLA“A IMPORTANCIA DA CRIANÇA DE 2 ANOS FREQUENTAR A ESCOLA”

Caroline Laís de Lima de Souza, Helena Prestes dos Reis...365

PROVINHA BRASIL: RESULTADOS REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS-SP ANÁLISE DA CIDADE DE SUMARÉ-SP VERSUS CIDADE DE HOLAMBRA E ESTUDO DE CASO DE UMA ESCOLA ESTADUAL

Laís Ale, Helena Prestes dos Reis...374

EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARA SURDOS: ENTRE A TEORIA E A PRATICA

Adrielle Cristina do Nascimento Silva, Geilda da Fonseca...387

EXPRESSÕES E REPRESENTAÇÕES ATRAVÉS DA GRAFIA INICIAL DA CRIANÇA NOS ANOS INICIAIS

Ivonete de Araújo Lopes, Helena Prestes dos Reis...399

PUBLICIDADE E CRIANÇA, UMA PARCERIA NADA SAUDÁVEL

Katia da Silva Malachias Batista, Maria A. Belintane Fermiano...414

(7)

ARTES VISUAIS: O CAMINHO PARA A COMPREENSÃO DO MUNDO

Angela Cláudia Ferreira Oliveira, Magda J. Andrade de Barros...427

CONTRIBUIÇÃO DO JOGO SIMBÓLICO NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL Priscila das Neves Godoy, Roberta Guimarães Lacerda...435

O ENSINO DE HISTÓRIA: A INFLUÊNCIA DA DITADURA MILITAR NO ATUAL ENSINO FUNDAMENTAL I

Suelen Cristina de Souza Lima, Marli Naomi Tamaru...444

“A IMPORTÂNCIA DA BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.”

Dayane Coalho, Magda Jaciara de Andrade Barros...455

UMA PESQUISA BIBLIOGRÁFICA SOBRE INDISCIPLINA ESCOLAR

Tuany Carolina da Silva, Angela Harumi Tamaru...464

A IMPORTÂNCIA DA BRINCADEIRA NO HORARIO DO INTERVALO ESCOLAR Maria Aldeniza Nobre Moriya, Magda Jaciara de Andrade Barros...471

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA:

AS ATIVIDADES DIRIGIDAS E SUAS LIMITAÇÕES

Suzana de Campos Affonso, Angela Harumi Tamaru...485

ALFABETIZAÇÃO EM CRIANÇAS DE SEIS ANOS - COMO OCORRE ESSE PROCESSO?

Márcia Estela C. Cassimiro, Claudia Fabiana Órfão Gaiola...502

MARKETING EDUCACIONAL – FERRAMENTAS PARA A VALORIZAÇÃO DA MARCA E CAPTAÇÃO DE ALUNOS

Mayara de Almeida Castro, Maria A Belintane Fermiano...514

COMO TRABALHAR OS JOGOS DRAMÁTICOS NA HORA DA HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL COM CRIANÇAS DE 3 ANOS DO MATERNAL

Ediane Carina Amoroso Furoni, Magda Jaciara de Andrade Barros...524

A IMPORTÂNCIA DA MÃE NO DESENVOLVIMENTO DA PRIMEIRA INFÂNCIA Silvia Roberta Andrade de Jesus Macedo, Maria Regina Peres...535

ATITUDES DE ALUNOS DA PEDAGOGIA EM RELAÇÃO À MATEMÁTICA Célia Regina Souza Borges, Angela Tamaru....547

A IMPORTÂNCIA DE SE TRABALHAR JOGOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Edineia Rosa Battara Marques, Magda Jaciara de Andrade Barros...564

UMA REFLEXAO SOBRE A ALFABETIZAÇÃO E A ESCRITA NAS SERIES INICIAIS: UM ESTUDO EM UMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICIPIO DE AMERICANA - SP

Ana Carolina Andreotti...574

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O ALUNO DE PEDAGOGIA EGRESSA DO CURSO COM DOMÍNIO DO CONTEÚDO DE MATEMÁTICA?

Vanessa Guimarães Barbosa, Cláudia Fabiana Gaiola...592

AS ESCOLAS DO TRABALHO NA MODERNIDADE ANTE A ESCOLA DO TRABALHO DE ANTON S. MAKARENKO UMA ANÁLISE CRÍTICA AO ENSINO TÉCNICO CONTEMPORÂNEO

Renan Lemos Siqueira, Antonio Carlos Dias Junior...603

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EDITORIAL

É com grande satisfação que fechamos mais uma edição da Revista dos Alunos de Pedagogia, em que trazemos o que de melhor temos desenvolvido de pesquisa na Instituição de Ensino Superior Network.

Os artigos foram escritos por nossos alunos e professores do curso de Pedagogia, que estão preocupados com a situação de ensino-aprendizagem em sala de aula, relativo ao processo de alfabetização e letramento e a formação intelectual e moral das crianças das séries iniciais.

São resultados de Trabalho de Conclusão de Curso conquistados com forte empenho de relação de orientação.

A escolha de um tema de pesquisa é resultado de uma busca, muitas vezes, individual do pesquisador, uma falta que ele sente no seu cotidiano, por vezes, sentida na sua “carreira escolar” no tempo em que frequentava seu próprio ensino inicial. Pesquisa realizada assim, com justificativa pessoal, envolve mais o sujeito em sua busca de descoberta, de solução de problema, de empenho intelectual.

É nesse sentido que oferecemos ótimos resultados de pesquisa, porque envolvemos nossos alunos e professores em suas próprias buscas para o empenho da escrita. Assim, esperamos que tenham uma ótima leitura destes resultados que seguem nos artigos que encontrarão na nossa revista.

Forte abraço

Profa. Dra. Angela Harumi Tamaru

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CONSUMISMO E O PAPEL DOS PAIS

Kellen Suzana Vieira Calazaes 1 Maria A. Belintane Fermiano 2 Resumo

Este artigo tem como objetivo estudar como alguns pais lidam com situação de consumo na infância. Além de pesquisa bibliográfica foi realizada uma pesquisa de campo, por meio de um questionário de 12 perguntas aplicado em 37 pais e responsáveis que tivessem filhos entre 4 e 6 anos. Os dados demonstraram que 81% dos pais trabalham fora e procuram compensar sua ausência em relação ao filho de alguma forma. Esse tipo de informação é importante para estudarmos a relação das crianças com o dinheiro e os pedidos no dia a dia, verificar qual é a reação dos pais diante desses pedidos e se eles acreditam que é necessário algum tipo de educação para o consumo. Segundo o critério de classificação socioeconômica 46,5% dos pais pertencem à classe B2; 40,5% a classe C1; as demais classes apresentam percentuais menores.

Palavras-chave: Consumismo, infância, educação, pais.

Abstract

This article aims to study how some parents deal with the situation of consumption in childhood. Besides literature search was conducted a field survey through a questionnaire of 12 questions applied to 37 parents and guardians who have children between 4 and 6 years.

The data showed that 81% of parents work out and try to compensate for their absence in relation to the child in some way. This kind of information is important to study the relationship of the children with money and requests on a daily basis, check what is the reaction of parents on such requests and if they believe that you need some type of consumer education. According to the classification criteria socioeconomic 46.5% of parents in class B2, 40.5% class C1, the other classes have lower percentages.

Keywords: Consumerism, childhood, education, parents.

1Graduanda do curso de Pedagogia - Faculdades Network, Nova Odessa, SP, Brasil.(email [email protected]).

2ProfªDrª em Educação das Faculdades NetWork. (e-mail [email protected])

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Introdução

O presente artigo tem como objetivo abordarse há uma tendência de comportamento consumista na infância e o papel dos pais e da escola na formação de indivíduos consumidores, neste sentido há necessidade de verifica e analisar, “O comportamento dos pais demonstra consciência e orientação aos filhos quanto aos hábitos de consumo?”

A ferramenta utilizada na coleta de dados para a verificação foi um questionário aplicado para pais de crianças de 4 a 6 anos de idade. Essa faixa de idade foi utilizada por se tratar de uma fase em que as crianças ainda dependem da aprovação dos pais para consumirem todo e qualquer produto, por se tratar de uma idade em que os pais podem interferir e orientar nos hábitos de consumo.

Através dessa pesquisa de campo, foi possível não apenas verificar qual é o comportamento das crianças diante da possibilidade de compra, mas, possibilitou verificar também qual é a reação do adulto frente a essa questão.

A pesquisa bibliográfica também foi utilizada na busca de referência ao consumismo infantil, no intuito de compreender melhor as relações entre o consumismo, pais e a educação.

As motivações que levaram a abordar tal problema de pesquisa, foi a educação para o consumo voltada para o não-desperdício que tive quando criança, devido a condições financeiras limitadas. Aprendi que, mesmo crianças têm que ter limite, por que na vida nem tudo o que se quer se pode ter. E com o tempo fui reconhecendo o quanto foi bom esse tipo de ensinamento em minha vida.

Dessa forma, com o passar dos anos fui me atentando para as propagandas direcionadas às crianças e também reportagens que abordam esse tema, através disso percebi que está havendo uma grande preocupação dos especialistas sobre o caso, já que ultimamente esse tema tem tido muita repercussão.

Passei a me atentar também ao meu dia-a-dia, para as cenas que geralmente vemos em shoppings, supermercados e lojas em geral e imaginando como essa questão do consumismo pode influenciar ou não na educação e de que forma a escola e os pais podem colaborar para que as crianças tenham uma educação voltada para o consumo consciente.

Com esta pesquisa temos o objetivo de investigar como os pais pensam a respeito da socialização do consumidor de seus filhos, ou seja, quem mais influencia as crianças em seus desejos, seu sentimento de culpa ou não por estar muito tempo ausente de casa, quem pode ser o responsável por uma educação não-consumista.

Panorama

Chegamos ao século XXI, tudo muito moderno, muito bom, muito necessário, a cada dia uma novidade, uma tecnologia mais avançada, maior acesso à informação. No entanto, como tudo, há os prós e os contras, observamos que, com a explosão da tecnologia, desenvolvimento e os avanços em geral, veio também uma explosão de preocupações, mudanças de hábitos e problemas para com o mundo moderno.

Observa-se hoje, coisas jamais ocorridas no decorrer da história e problemas jamais imaginados pelos nossos ancestrais. Os hábitos mudaram e o acesso à informação ampliou-se consideravelmente.

Mas se por um lado o desenvolvimento impulsiona, por outro gera efeitos colaterais, estamos hoje observando o desenvolvimento de uma geração em meio ao consumismo desenfreado.

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Não estamos falando aqui do consumismo de itens necessários para a sobrevivência, estamos falando do consumismo com o “propósito de satisfazer desejos, suprir carências ou de criar coragem para projetar ambições” (SANTOS E GROSSI, 2007).

E isso não é bom, pois, segundo Fermiano e Cantelli (2013), o consumismo desenfreado na infância traz consequências como estresse familiar, desequilíbrio do orçamento familiar, violência e delinquência, enfraquecimento da autoridade paterna, transtornos do comportamento, sexualização precoce, consumo precoce do álcool e tabaco, obesidade, desvalorização da cultura local, diminuição das brincadeiras criativas, encorajamento da passividade e do conformismo, encorajamento do egoísmo, e enfraquecimento dos valores democráticos.

Com o passar dos anos, as mudanças socioeconômica, culturais, tecnológica, política e a globalização acabaram por refletir nas famílias e provocando grande mudança na estrutura famíliar. Segundo Tiba (2002) nesse período muitas mulheres saíram de suas casas para trabalhar e devido a essa distanciação dos filhos começaram a enchê-los de mimos para tentar compensar a ausência. Ausência essa que não se compensa com presentes, mimos ou dinheiro. Se compensa com a presença, atenção, a construção dos pais juntamente com as criaças de conscientização para adultos mais críticos e reflexivos no futuro.

Mas não é somente a saída da mulher de casa, que foi a “responsável” por tais mudanças, houve muitos outros fatores que colaboraram para o crescimento do consumismo na infância.

Segundo Fermiano (2010), não são somente as relações familiares que sofreram modificações nesse meio tempo, a criança para asociedade também “mudou de figura”, e seus quereres e vontades passaram a ser considerados pelos adultos.

Não só das crianças, mas também dos adolescentes. E o que antes não ocorria, como, por exemplo, a criança dar um palpite durante as compras é o fato mais comum hoje em dia.

A exposição da criança e do adolescente à mídia, as informações e as tecnologias, de uma forma geral, é tão grande que os pais muitas vezes pedem opiniões aos filhos sobre itens a serem comprados.

E ocorre também que as crianças hoje são vistas como aquelas que têm um poder de influência muito grande e são responsáveis pelo que os pais gastam, pois boa parte é influenciada por elas.

Porém, não é porque as crianças têm grande influencia sobre os gastos dos adultos que se deve acreditar que a mesma já possui noções de economia. De acordo com Fermiano (2010) muitas vezes elas estão comprando algo, por vontade, porém não têm entendimento de todo o processo por trás do consumo. O processo de socialização da criança como consumidora, embora comece cedo, acontece por etapas e é bem complexo, por isso requer um tempo para que elas tenham a completa noção do que é consumo, e economia.

Este processo de socialização econômica começa num primeiro momento pela observação da criança aos pais, no supermercado, nas lojas e centro comerciais, em seguida ele é reproduzido pela criança no dia dia, quando ela tem essa autonomia, e a partir daí cabe aos pais começar um trabalho à educação econômica delas, de acordo com seu desenvolvimento e idade.

Com o passar dos anos e a interação com o meio em que vivem, as pessoas e as esferas sociais, como casa, igreja, escola a criança vai conseguir desenvolver uma noção completa sobre consumo, economia, o jeito certo de gastar e como poupar seu dinheiro.

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Pesquisa e análise de dados

A pesquisa foi realizada a partir da aplicação de um questionário para37 pais entre 18 e 47 anos. Foi analisado o nível socioeconômico ao qual pertencem a partir Critério de Classificação Econômica do Brasil.

O questionário foi composto de 12 perguntas, porém, para atender as especificações do artigo foram selecionadas 6, as demais foram contempladas em comentários ao longo do artigo, devido a regras quanto a quantidade de páginas aceita para desenvolvimento de um artigo.

Nas perguntas verificamos qual a quantidade de pais que trabalham fora; se eles costumam dar dinheiro aos filhos e a quantidade de acordo com cada idade; questionamos os pais o “porque” de dar dinheiro aos filhos, se eles são menores de idade e dependentes em todos os sentidos dos pais; verificamos se os pais definiam com seus filhos os valores a serem gastos antes de saírem de casa; como seria a reação dos pais no caso de um pedido insistente da compra de algo que não se tem condições; se os filhos geralmente pediam novos brinquedos ou qualquer outro produto aos pais em função do amigo possuir; o que, na opinião dos pais, desperta na criança a vontade de comprar algo; qual é a atitude dos pais em relação a sua ausência diária, se eles sentem culpados ou não, e o que fazem; onde seus filhos geralmente gastam o dinheiro; qual é atitude dos pais em relação a decisão de compra dos filhos e a quem eles atribuem a competência na orientação econômica.

As perguntas foram fundamentadas, após leitura de vários autores sobre o tema, nas questões que acreditávamos ser os grandes “causadores” do consumismo na infância, dessa forma as elaboramos e as utilizamos de forma a comprovar nossas suposições, e também por sugestão da orientadora deste artigo, já que a mesma também é pesquisadora do tema.

Justificativa

Essa pesquisa é importante, para observar indícios se os pais sabem educar economicamente os filhos, tanto no aspecto de consumo com administração de dinheiro. E conhecer como os pais lidam com seus filhos, nas compras do dia-dia, como é a relação dos filhos com o dinheiro e como é o entendimento e comportamento em relação ao pedidos e ao consumo desenfreado.

Objetivos

- Investigar como os pais lidam com situações nas quais a criança solicita produtos;

- Observar como os pais se sentem em relação a sua ausência em casa;

- Saber o que eles pensam sobre o que ou quem mais influencia os desejos de compra de seus filhos;

- Fazer um levantamento de quem os pais acreditam que pode ser o responsáveis pela educação não-consumista das crianças.

- Verificar como ocorre a relação entre marketing, consumismo infantil e o cotidiano de algumas famílias.

- Inferir sobre o quanto a orientação dos pais, na conscientização para o não- consumismo, pode ajudar as crianças.

- Propor atitudes que os pais poderiam tomar para ensinar estratégias aosfilhos para que não tenhamum comportamentoconsumista e refletir sobre atitudes para que os pais e a escola colaborem para a diminuição do consumismo infantil.

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Análise dos dados

A seguir, apresentamos as perguntas e suas respectivas respostas, assim como, sua análise.

Na Tabela I apresentamos a distribuição dos pais por nível socioeconômico.

Observamos que os participantes concentram-se nas classes B2 e C1, 48,6% e 40,5%, respectivamente e os respectivos percentuais de distribuição.

Tabela I – Nível Socioeconômico dos entrevistados segundo o CCEB – Critério de Classificação Econômica do Brasil

Pontuação Nível

socioeconômico

Quantidade Percentual

35 – 41 A2 01 2,7%

29 – 34 B1 02 5,4%

23 – 28 B2 18 48,6%

18 – 22 C1 15 40,5%

14 – 17 C2 01 2,7%

Na tabela II, podemos verificar que a maior parte dos entrevistados trabalha fora.

Tabela II – Quantidade de pais que trabalham fora

Trabalham fora 30

Não trabalham fora 07

Total 37

De acordo com Fermiano (2010) muitas crianças ficam sem a presença dos pais o dia todo ou parte dele, e só veem os pais à noite. Sem o adulto para regular e orientar sua interação com as mídias, as crianças ficam relativamente livres na utilização de computadores, redes sociais na TV.

Na tabela III, podemos confirmar que 75,7% dos pais, preocupados com sua ausência na vida afetiva dos filhos tentam “compensar” os filhos de alguma forma.É importante lembrar que estar presente significa estar junto, conversar, brincar se importar. Isso é preocupante, pois, geralmente os pais oferecem presentes e esse tipo de comportamento pode influenciar negativamente as crianças para um comportamento onde o ter possa ser mais importante do que o ser. Formando assim jovens e adultos egoístas, prepotentes, arrogantes e que não valorizam as pessoas, amizades e sim as coisas, somente o que possui valor financeiro.

Tabela III – Como agem os pais que trabalham fora o dia todo

O que fazem Quantidad

e

Percentua l

Não penso sobre isso. 3 8,1%

Procuro sempre compensar minha ausência de alguma forma.

28 75,7%

Gosto de levar sempre uma lembrancinha para meu filho para ele saber que estou pensando nele

2 5,4%

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durante o dia.

Fico em dúvida como devo agir, se devo me manter firme em relação a algumas regras ou fico flexível porque, afinal de contas, não fico muito tempo com eles e devo evitar conflitos.

4 10,8%

Total 37

A ausência na maioria das vezes não é possível ser compensada, pois “pior do que passar pouco tempo com os filhos é tentar compensar a ausência de forma equivocada”

(TOLEDO, 2010)

Na revista VEJA, Aida Veiga (2000), na reportagem “Princesas Precoces – Que boneca, que nada. Hoje em dia as menininhas querem mesmo é maquiagem, celular e roupa de grife” apresenta dados nos quais crianças de 9 anos de idade comemoram aniversário em salão de beleza, com as amigas; criança de 7 anos que não repete roupa e “preparadas ou não, as menininhas-moças são máquinas de comprar coisinhas”, tudo com incentivo dos pais, que estão por trás disso disponibilizando dinheiro para que todos os desejos de seus filhos sejam realizados.

Em outra reportagem, da mesma revista “Nascidas para maquiar: elas ainda não passaram da 1ª série. Mas não vivem sem batom, salto alto, roupa de grife e cabeleireiro”, Laura Ming (2006) coloca que, por mais que seja estranho ver crianças agindo como adultos, na maioria das vezes os próprios pais incentivam tais comportamentos em seus filhos já que:

por mais que fiquem de cabelo em pé com a precocidade acelerada (embora mamãe seja, na maioria das vezes fonte inspiradora, e papai babe de orgulho da sua bonequinha), as meninas estão exibindo traços de adolescente cada vez mais cedo, num movimento incontrolável, estimulado pela televisão e cultivado pela interação dos grupos que frequentam. Mesmo que ainda estejam na esfera do jardim-de-infância. (MING, 2006).

Sendo assim há necessidade de estar alertas a essa realidade a nossa volta, pois a criança consumista hoje, se transforma no adulto consumista de amanhã, e “essa lógica do

“todo mundo faz” pode deixar a criança mais suscetível a comportamentos de risco na adolescência” (TOLEDO, 2010)

Neste sentido podemos verificar que não é uma fase apenas da vida da criança e que passa, esse é um tipo de comportamento que traz consequências futuras. De acordo com Fermiano (2011) o consumismo desenfreado pode causar consequências como obesidade, violência, estresse familiar, desequilíbrio no orçamento familiar, enfraquecimento da autoridade paterna, sexualização precoce, diminuição precoce das brincadeiras criativas, encorajamento do egoísmo, enfraquecimento dos valores democráticos e transtornos de comportamento por passar para a criança uma ideia de felicidade distorcida da realidade.

Toledo (2010) nos alerta também que, de acordo com uma pesquisa feita pela Unicamp “embora esses jovens tenham contato com o dinheiro desde muito cedo, não tem noção de valor, como é próprio da idade, ainda são incapazes de analisar a relação custo- benefício de um produto”.

Outro fator que influência nessa questão do consumo desenfreado é a mídia, podemos confirmar através da tabela IV, que os pais identificam como um dos recursos que mais influenciam a vontade de adquirir um produto em uma criança, em 1º lugar, estão as propagandas de TV, revista e outdoor.

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Tabela IV – O que mais desperta o desejo de compra das crianças Classificação O que os pais acham

1º Lugar Propagandas de TV / revistas/ outdoor 2º Lugar Passeio o mercado ou lojinha do bairro 3º Lugar Os amigos

4º Lugar Os amigos

5º Lugar Os próprios pais, porque querem que os filhos tenham coisas que não puderam ter

As crianças estão expostas todos os dias aos comerciais e não entendem a intenção persuasiva da publicidade, e esta muitas vezes tende a mostrar que a criança será “mais feliz”

se adquirir tal objeto, será “mais descolada” entre outras coisas.

De acordo com Baptista (2009) devemos observar os apelos que a mídia faz para as crianças, pois a insaciedade por consumir por parte das crianças trará prejuízos em suas relações sociais e, pode estar sendo causada, em grande parte, pela TV, com seus comerciais bombardeando nossas crianças todos os dias e como podemos ver, “as imagens publicitárias são extremamente abusivas”. (PEREIRA, 2007).

Como afirma Baptista (2009) “a cultura do consumo e o mercado passaram a regular as novas formas de gozo e o ato de consumir aparece como saída na busca de uma satisfação suposta”. Os pais devem estar atentos, pois “a infância não pode ser aprisionada pela falsa felicidade que a sociedade de consumo nos vende. Criança precisa de olhar, de palavras e de escuta. Precisa ter infância para ser criança.” (PEREIRA, 2007).

Sendo assim Santos e Grossi (2007)afirmam que os hábitos da sociedade atual aproximam-se da visão marxista do funcionamento da ideologia: a possibilidade de substituir o real por uma versão que produza um efeito eficaz de realidade, dessa forma as pessoas buscam de algum modo em novas aquisições, a satisfação pessoal, a felicidade, o contentamento, elas adquirem objetos, na intenção de que produzam o efeito de uma vida melhor, de um gozo maior.

O conceito de ideologia segundo Marx, citado por Fontes (2013) é de “ilusão, falsa consciência, concepção idealista na qual a realidade é invertida e as ideias aparecem como motor da vida real”, a ideologia é um conjunto de ideias que procura ocultar sua própria origem nos interesses sociais de um grupo particular da sociedade.

O que de certa forma, tem dado certo, as pessoas consomem pela ilusão de que serão melhores, mais felizes, se sentirão mais plenas, e por estarmos expostos a todo minuto a uma enxurrada de propagandas, muitas vezes até os adultos se deixam levar por essa visão distorcida do mercado.

Linn (2006) nos mostra como a infância moderna está sendo bombardeada pelos interesses comerciais por todos os lados, preocupando-se apenas que elas consumam, sem se preocupar se isso é bom ou ruim pra elas, sem se preocuparem com o seu desenvolvimento social e cognitivo. Os publicitários e as grandes corporações não se importam de que forma vão atingir as crianças, mas apenas que vão atingir. “As crianças são as queridinhas dos EUA corporativos. Elas são alvos de especialistas de marketing para tudo, desde hambúrgueres até minivans. E isso não é bom para elas.” (LINN, 2006, p.21).

E mesmo que possamos pensar que as crianças não estão dando atenção ao que passa na TV, é uma ilusão, pois Linn (2006, p.29) destaca que “a mídia tem o poder de influenciar, inclusive, valores essenciais, como escolha de vida, definição de felicidade e de como medir o seu próprio valor”.

(17)

Então mesmo sendo crianças e muitas vezes não entendendo o que aqueles comerciais querem dizer, não tendo uma interpretação profunda do que está acontecendo, assim mesmo ela está sendo influenciada, a mídia trabalha com ferramentas que muitas vezes nós adultos não identificamos, mas que está fazendo efeito no subconsciente de quem assiste, e vemos que “consome-se mais pela representação – pelo simbólico – do que pelo conteúdo em si.”

(MIRAULT, 2009).

Vale lembrar que além da mídia existe mais um fator que influência na questão do consumo que é a convivência em grupo, e a influência de grupo.

As crianças ao verem seus amigos querem estar igual, para se sentirem do grupo.

O consumismo hoje não é um problema que preocupa somente os pais, através de leituras de obras relacionadas ao consumismo e da pesquisa de campo aqui descrita, percebemos que este problema preocupa também estudioso das áreas de educação, sociologia e psicologia. E eles mostram também que “os interesses comercias não se importam com relacionamentos definidores de personalidade que as crianças mantêm com os pais, mas em relacionamentos definidores de gosto que elas mantêm com os colegas” (LINN, 2006, p.17)

Questão essa também observada pelos pais, conforme mostra a tabela V abaixo, em que 20, das 37 pessoas entrevistadas reconhecem que seus filhos pedem algo novo quando vê os coleguinhas adquirindo.

Tabela V – Influência dos amigos

SIM 20 54,1%

NÃO 17 45,9%

Gunther e Furnham (1998, p.58) afirmam também que “as crianças também aprendem com e copiam os colegas, mas essa influência parece diminuir à medida que crescem”.

Apesar das crianças, na maioria das vezes, não possuírem o poder efetivo de compra, elas definitivamente tem muita influência na compra do dia-dia dos adultos. É por isso que as marcas organizam sua estratégia de marketing para se introduzir na vida da criança tão precocemente, querem formar um consumidor fiel, que utilizará seus produtos pela vida toda e futuramente passará essa mesma fidelidade aos seus filhos.

“Deste modo, parece que os pais, sendo meio mais importante e eficaz de incutir as convicções e os hábitos de consumo nas crianças, deveriam ser o ponto principal da educação do consumidor”. (GUNTER, FURNHAM, 1998, p.61).

Percebemos que, mesmo não sendo bom, a maioria dos pais não toma atitude para diminuir as horas que as crianças ficam em frente à televisão, que segundo Fermiano e Cantelli é mais de 1 hora por dia em frente ao aparelho, muitos até estimulam. Conforme nos mostra a tabela VI, em que apesar de os pais se colocarem em primeiro lugar nos responsáveis em passar uma educação não-consumista para os filhos, acreditam também isso seja uma tarefa da mídia.

Tabela VI – Responsáveis pela educação não-consumista das crianças 1ºLugar Mãe.

2º Lugar Meios de comunicação: televisão, jornal.

3º Lugar Igreja / empresas que oferecem assessoria pedagógica para escolas em educação econômica.

4º Lugar Escola.

5º Lugar Bancos / governos.

(18)

Considerações finais

Dessa forma, frente a toda essa problemática, chegamos a conclusão de que embora exista uma grande contribuição, tanto da mídia, como da internet para o consumo desenfreado sem a preocupação de agregar valores éticos e morais às nossas crianças ainda temos a possibilidade de reverter esse quadro, focando numa educação para o consumos, tanto em casa, com os pais, quanto nas escolas.

Segundo Araújo (2005, p.85), citado por Abreu (2007, p.32)

o consumo faz parte da vida de todos, daí a necessidade de conscientização e educação desde cedo, compreendendo a realidade social de seus direitos e suas responsabilidades ligados a suas escolhas de consumo principalmente no campo ambiental onde o consumidor ganha em cidadania e consciência. Portanto uma educação para o consumo consciente deve fazer parte do dia a dia das escolas, não na forma de uma disciplina, mas de forma interdisciplinar, percorrendo todo currículo. Formar cidadãos que saibam consumir com responsabilidade e consciência deve ser a meta de toda educação comprometida com a formação cidadã.

A proposta é educar nossas crianças para um consumo com limites, e não há lugar melhor para começar esse trabalho do que na escola, pois a escola é lugar de formação e mais do que formar adultos alfabetizados, as escolas devem formar cidadãos conscientes e críticos também nas relações de consumo, uma proposta aqui é trabalhar oficinas em sala de aula e possibilitando a conscientização das crianças sobre o consumo.

Propomos brincadeiras, jogos em sala de aula, aprender a função social do dinheiro, a analisar a publicidade, a compreender a diferença entre desejo e necessidade.

Essa conscientização não deve ficar restrita apenas a educação das crianças, mas, deve ser estendida também para os pais, já que muitos, embora consciente da problemática não tenha ideia de como agir, permitindo assim que os pais trabalhem em parceria com as escolas, praticando no dia-a-dia com as crianças os ensinamentos passados pelos professores.

Mirault (2009) complementa:

O ensino pedagógico do consumo consciente é uma necessidade ecológica e deveria ser um dos parâmetros de todo programa de educação na infância. A criança que aprende a consumir, guiada pelo bom senso do adulto, será o cidadão que saberá utilizar com economia os recursos comuns de toda a sociedade, imperativo este, de um futuro que já chegou. Esse indivíduo assim educado respeitará os limites do possível, do necessário e da utilidade. Tornar-se-á capaz de lidar com as adversidades, suas possibilidades e seus desejos. Será senhor do seu consumo, dono das suas escolhas, livre em suas decisões.” (MIRAULT, 2009).

E assim, juntos, devemos, lutar, trabalhar, e propor atitudes para que mudemos nossa realidade, não só hoje mas nos anos subsequentes para que tenhamos cidadãos mais críticos e conscientes do seu papel na sociedade.

Referências Bibliográficas

ABREU,R.G.. Uma educação pra o consumo: reflexões sobre os hábitos de consumo na família e filhos.Nova Odessa,2007.

BAPTISTA, L.S. A infância em tempos de consumo. 2009. Disponível em http://www.culturainfancia.com.br/layout_portal2/index.php?option=com_content&view=arti

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cle&id=902:a-infancia-em-tempos-de-consumo&catid=132:artigos-e-teses&Itemid=167 Acesso em 15 de Agosto de 2008

FERMIANO, M. A. Belintane. Pré-adolescentes (“tweens”) – desde a perspectiva da teoria piagetiana à da Psicologia Econômica. 2010. 475f. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Estadual de Campinas, 2010.

FERMIANO,M. A. Belintane; CANTELLI, V. C. B. Criança e publicidade: uma análise à luz da psicologia infantil. Semana Intensiva de estudos do PROEPRE LPG/FE/UNICAMP.

Campinas. Anotações de palestra realizadas em julho de 2013.

FONTES, A. O conceito de ideologia em Karl Marx. Disponívelem http://praxishistoria.no.comunidades.net/index.php?pagina=_01 Acesso em 20/11/2013

GUNTER, B.; FURNHAM, A. As crianças como consumidoras;uma análise psicológica do mundo juvenil. Horizontes Pedagógicos, Lisboa.1998

LINN, S.Crianças do consumo:a infância roubada.1ºEd.Instituto Alana,São Paulo,2006 MING,L. Nascidas para maquiar:elas ainda não passaram da 1ºsérie.Mas não vivem sem batom,salto alto,roupa de grife e cabelereiro. Revista Veja on line.

Ed.1980.Nov.2006.Disponível em http://veja.abril.com.br/011106/p_110.html Acesso em 15 de Ago. de 2007

MIRAULT, M.A.C. Educação para o consumo consciente e responsável. Diponível em http://www.webartigos.com/artigos/educacao-para-o-consumo-consciente-e-

responsavel/15471/ Acesso em 21 de Outubro de 2007.

PEREIRA,L.F. Mídia e consumo: que infância estamos construindo? Publicado originalmente na Folha de São Paulo,22 de Outubro de 2007. Disponível em http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=17 08 Acesso em 29 de Outubro de 2007.

TOLEDO, K. Pais falham ao orientar gastos de pré-adolescentes.O estado de São Paulo, 20 de Junho DE 2010. Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,pais- falham-ao-orientar-gastos-de-pre-adolescentes,569331,0.htm Acesso em 10 Setembro de 2007

SANTOS, A.M. dos.; GROSSI, P.K. Infância comprada:hábitos de consumo na sociedade contemporânea.Revistas Textos & Contextos Porto Alegre v.6 n.2 p.443-454.Jul/Dez. 2007 VEIGA,A. Princesas precoces: Que boneca que nada. Hoje em dia, as menininhas querem mesmo é maquiagem,celular e roupa de grife. Revista Veja on line.Ed.1673.Nov.2000.

Disponível em http://veja.abril.com.br/011100/p_068.html.

VÍDEO

CONSUMO DE CRIANÇAS - A comercialização da infância (2008) [ Leg Pt ] (CONSUMING KIDS)

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A EDUCAÇÃO DE JOVENS E AD

ULTOS EM SITUAÇÃO DE PRIVAÇÃO DE LIBERDADE ESTUDO COMO REDUÇÃO PENAL

LEI nº 12.433/11

Fernanda Candido da Silva3 Angela Harumi Tamaru4 Resumo

O artigo tem como propostaanalisar mais um beneficio que foi concedido ao reeducando (preso) permitindo a redução na pena através do estudo. Outrora a redução era concedida através do trabalho, seja na unidade prisional ou fora dela. Devido à falta de postos de trabalho, o número de encarcerados beneficiados com o emprego são poucos. Eles preferem trabalhar, pois além da redução penal, têm o beneficio do salário. Com a lei 12.433/11 que vigora desde junho de 2011, esta permite uma condição a mais ao reeducando que não consegue a redução da pena através do trabalho, devido à falta de vagas terá a condição desta redução através do estudo. Visa não apenas a redução penal, mas também uma oportunidade de iniciar ou concluir os estudos durante o período que ficará encarcerado,tendo através do ensino a oportunidade da (re) socialização.

Palavras chaves: (Re) Socialização, Trabalho.

Abstract

The article aims toanalyze one more benefit that was granted tore-educating (attached) allowing a reductionin the penalty through the study. Once the reduction wasgranted through work, whe the inprisonor out sideunit.. Due to the lackof jobs, the number ofincarceratedbeneficiaries ofemploymentare few.Theyprefer to work, because besides the criminal reduction, have the benefit of salary .With the law12.433/11in force since June 2011, thisallowsa condition tofurtherre-educatingthat failstoreduce the sentenceby workingdueto lack of vacancie swill have the condition of this reduction through the study. Aims not only toreduce the criminal, but also achance tostart orfinish their studies during the periodwill beimprisoned, and by teachingthe opportunityof(re) socialization.

Keywords:(Re) Socialisation, WorK.

1. Introdução

O comprometimento com esta pesquisa surgiu após a participação das aulas das disciplinas de Sociologia e Currículo, tendo os primeiros contatos com as obras de alguns autores que ocasionaram uma série de questionamentos e reflexões, através dos quais foi possível a elaboração deste artigo.

3 Aluna do curso de Pedagogia 2013, Faculdades Network – Av. Ampélio Gazzeta, 2445, CEP: 13460-000. Nova Odessa, SP – Brasil. (email: [email protected]).

4 Doutora em educação- UNICAMP leciona o curso de pedagogia nas Faculdades Network-Nova Odessa- SP ([email protected]).

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A ação investigativa foi dividida em três etapas: primeiro a alteração na LEP (Lei de Execução Penal) relacionando a instalação de salas no sistema prisional, a remissão penal pelo estudo e a responsabilidade das Secretarias Municipais e Estaduais de Educação sobre o sistema educacional nas prisões. Devido à falta de material disponível (livros, revistas científicas, teses e dissertações) sobre o tema, a segunda etapa se constituiu da metodologia de pesquisa não experimental, tendo como base bibliográfica os autores Foucault e Freire, e relatos de reeducando e profissionais da área da educação do sistema prisional. Na terceira etapa, os resultados e conclusões obtidas da pesquisa bibliográfica e relatos.

2. Mudanças na Lei de Execução Penal

Segundo o Ministério da Justiça, a população carcerária brasileira era cerca de 500 mil pessoas em 2010. Estima-se que 70% não tenham o Ensino Fundamental completo, índice muito elevado a uma população encarcerada, que ao cumprir a sentença de reclusão, retornará a sociedade civil. Porém em quais condições os egressos do sistema prisional estarão no convívio social? Sem estudo e profissão. Devido à ociosidade e por causa da falta de empregos, muitos passam os dias sem perspectiva de vida alguma.

Os enclausuradosque estão empregados, além do salário, eles têm a redução penal por tempo de trabalho. Porém, antes da lei 12.433/11, os que tinham acesso à educação não tiveram a redução penal através do estudo, salvo em alguns estados que já adotavam esse procedimento.

Eu acompanhei de perto o trabalho educacional no Complexo Penitenciário de Hortolândia, no ano de 2007 e 2008. Na oportunidade fui estagiária pela FUNAP (Fundação de Amparo ao Preso) – Regional Campinas, instituição que outrora era responsável pelo ensino e trabalho oferecido ao reeducando. Com as mudanças na LEP, a FUNAP, atualmente, é responsável pelo contrato de trabalho, deixando de atuar na educação no sistema prisional por causa da criação das Diretrizes Nacionais para a oferta de Educação de Jovens e Adultos em situação de privação de liberdade, aprovado pelo Conselho Nacional de Educação. Em maio de 2010, determinou (Resolução CNE/CEB nº 2/2010) que as Secretarias de Educação Municipais e Estaduais devem ser responsáveis pelas atividades de ensino a esse público e que os educadores, gestores e técnicos atuantes nesses locais têm que ser profissionais habilitados do magistério.

Outras mudanças ocorrentes foram da norma nº 12.245/2010, que determina, nas prisões, a “instalação” das salas de aulas destinadas especificamente ao curso do ensino básico e profissionalizante. E, por fim, a lei 12.433, sobre a remissão penal por estudo, institui que a cada 12 horas de frequência escolar, seja de maneira presencial ou a distancia, representa um dia a menos na prisão.

Segundo Foucault (1987, p. 251), a generalidade carcerária, funcionando em toda a amplitude do corpo social e misturando incessantemente a arte de retificar com direito de punir, baixa o nível a partir da qual se torna natural e aceitável ser punido.

De acordo com o autor a prisão seria simplesmente um local para endireitar o ser humano através da punição. Anulando o encarcerado da condição social, reduzindo enquanto ser ao ponto da punição ser considerada natural e pior ainda aceitável, se não bastasse o fato da privação da liberdade fosse uma punição sendo cumprida.

(22)

Porém as mudanças constituintes tem sido uma luz no final do túnel, a população do cárcere privado, que cedo ou tarde retornara a sociedade.

As prisões brasileiras não devem ser simplesmente um mecanismo de vigilância e punição, mas um espaço que permita a reinserção social seja através dos estudos ou trabalho.

Na Constituição Federal de 1988, o artigo 205 estabelece: “a educação, direito de todos e dever do Estado...”; e o artigo 208 “estabelece o dever do Estado na garantia do Ensino Fundamental obrigatório e gratuito...”.

Baseando nesses dois artigos podemos perceber que independente da condição que o cidadão estiver, a lei o ampara e garante o ensino, ainda que o direito civil do reeducando esteja suspenso, como o direito de eleger um candidato através do voto.

Além das normas que assegura o direito a educação, a lei 12.433/11 não apenas reduz o tempo de reclusão, mas permite o ensino emancipatório, Freire ensinou, libertando-os da ignorância intelectual, promovendo a ressocialização através do ensino.

De acordo, ainda com Freire (1987, p. 19): A libertação, por isto, é um parto. E um parto doloroso. O homem que nasce deste parto é um homem novo e não viável na e pela superação da contradição opressores – oprimidos, que é a libertação de todos.

A redução penal, através do estudo surgiu como um incentivo ao reeducando de retornar ao ensino que foi interrompido na trajetória da caminhada. Proporcionando a ele um caminho de nova perspectiva de vida, mesmo estando entre os muros.

Na obra de Foucault (1987, p. 199), ele sistematiza a prisão da seguinte forma:

Na prisão o governo pode dispor da liberdade da pessoa e do tempo do detento; a partir daí, concebe-se a potência da educação que, não em só um dia, mas na sucessão dos dias e mesmo dos anos pode regular para o homem o tempo da vigília e do sono, da atividade e do repouso, o número e duração das refeições, a qualidade e a ração dos alimentos, a natureza e o produto de trabalho, o tempo da oração, o uso da palavra e, por assim dizer, até o pensamento, aquela educação que no simples e curtos trajetos do refeitório à oficina, da oficina a cela, regula os movimentos do corpo até nos momentos de repouso que determina o horário, aquela educação, em uma palavra, que se apodera do homem inteiro, de todas as faculdades físicas e morais que estão nele e do tempo em que ele mesmo está.

A rotina dos presos tinha um controle muito rígido do ponto de vista do autor. Com as mudanças na LEP, mesmo o reeducando estando sob uma vigilância constante, ainda é possível, através da educação, encontrar uma saída que o liberte da ignorância intelectual.

De acordo com Julião5, sua reflexão aponta saídas para a emancipação racional, pois:

5Julião, E. (17 de abril de 2010). Uma visão socioeducativa da educação como programa de reinserção social na política de execução penal - UERJ. Acessado em 19 de novembro de 2013, disponível em

www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/vertentes/...35/elionaldo

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A educação em espaços de privação de liberdade pode ter principalmente três objetivos imediatos que refletem as distintas opiniões sobre a finalidade do sistema de justiça penal: (1) manter os reclusos ocupados de forma proveitosa; (2) melhorar a qualidade de vida na prisão; e (3) conseguir um resultado útil, tais como ofícios, conhecimentos, compreensão, atitudes sociais e comportamento, que perdurem além da prisão e permitam ao apenado o acesso ao emprego ou a uma capacitação superior, que, sobretudo, propicie mudanças de valores, pautando-se em princípios éticos e morais. Essa educação pode ou não se reduzir ao nível da reincidência. Já os demais objetivos formam parte de um objetivo mais amplo do que a reintegração social e o desenvolvimento do potencial humano.

Segundo sua tese de doutorado, entende – se o sistema prisional como um caminho que possibilite a reinserção social através da educação. Sendo o ensino um dos pilares para a possível mudança, alterando não apenas o comportamento do reeducando, mas mostrando um mundo diferente do outro lado do muro. E com as normas em vigor, veio garantir o direito do enclausurado.

Com as Diretrizes Nacionais para a oferta de Educação de Jovens e Adultos, a realidade no sistema prisional passou a reforçar o direito do reeducando, de um ensino com qualidade, seja básico ou profissionalizante.

Segundo Freire (1987, p. 22)

É que não haveria ação humana se não houvesse uma realidade objetiva, um mundo como “não eu” do homem, capaz de desafiá-lo, como também não haveria ação se o homem não fosse um “projeto”, um mais além de si, capaz de captar sua realidade, de conhecê-la para transformá-la.

A realidade que o homem está inserido não pode impedir de transformar-se no novo eu, novo ser, novo projeto dele mesmo. O ensino través de uma educação de qualidade e significativa é a oportunidade da luz ao final do túnel na vida dos futuros egressos do sistema prisional.

3. Metodologia

O método utilizado no presente artigo foi a pesquisa não experimental, a análise bibliográfica e coleta de relatos de profissionais da área da educação do sistema carcerário.

Devido à falta de material disponível, que trate sobre o assunto, conseguimos utilizar a leitura de obras dos autores Foucault (1987), Freire (1987) e Julião (2009) no intuito de obter uma base para conclusão do artigo. Analisando as devidas obras citadas, são linhas teóricas distintas, que conseguem ser entrelaçarem num determinado momento da pesquisa, pois o primeiro autor relata a prisão do indivíduo no século XVIII, o segundo a prisão intelectual do ser humano e o terceiro une os dois pensamentos, tendo no ensino a oportunidade de promover mudanças no sistema prisional. Foucault consegue transmitir a ideia sobre opressão e Freire a libertação intelectual, os dois autores tem pontos de vista em épocas diferentes sobre o individuo na sociedade. Porém Julião completa a ideia dos autores, ele contextualiza a educação no sistema prisional como um dos caminhos para a integridade

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física, psicológica e moral, viabilizando e capacitando-o para o convívio social e para o seu desenvolvimento pessoal e social.

4. Coleta de dados

Segundo Elisande Coutinho, pedagoga da FUNAP, regional Campinas, ela descreve que a ação educacional realizada no Complexo Penitenciário de Hortolândia, pela fundação, buscava um ensino que pudesse atender as necessidades educacionais do reeducando de uma maneira simples e objetiva. Devido a alterações das leis e diretrizes, não puderam dar continuidade ao processo, nem sequer no Ensino Fundamental ciclo I, pois a atuação da instituição era maior.

Durante o tempo que esteve atuando como coordenadora pedagógica no complexo, ela explica que as monitoras (estagiárias) tinham dificuldades de manter a frequência dos alunos (reeducando) em sala de aula, pois havia vários fatores que dificultavam a continuidade, tais como revista nas celas, transferência para outra unidade prisional e oferta de emprego que causava a evasão escolar. O emprego já tinha a redução penal e o estudo, não. Com as mudanças das leis e diretrizes, ela acredita que o número de professores na rede estadual e municipal não é suficiente para atender a demanda no presídio, pois, mesmo havendo um diferencial no salário, ainda assim não atenderá a população carcerária, devido à falta de um local apropriado, o número de profissionais insuficientes e o número escasso de salas de aula.

De acordo com Elisangela Dourado, que estagiou numa das unidades do complexo penitenciário de Hortolândia, ela relata que, durante o período que esteve acompanhando o trabalho educacional, foi uma experiência desafiadora no auxílio pedagógico. O monitor (reeducando) ensinava aos demais companheiros da unidade. Segundo ela, a vigilância constante causava sensação de desconforto aos alunos durante o período de aula, ocasionado pela presença do agente penitenciário que acompanhava o trabalho realizado na sala de aula.

O material utilizado na alfabetização do reeducando, segundo ela, era disponibilizada pela SAP (Secretária de Administração Penitenciária), geralmente livros (cartilhas) elaborados pela equipe. O seu papel, especificamente, seria auxiliar o monitor com recursos para complementar ou facilitar a transmissão do conhecimento aos demais alunos.

A dificuldade apontada seria o preparo de conteúdo para os diferentes níveis de conhecimento, devido ao fato turmas terem diferentes níveis de aprendizado e desenvolvimento.

Para o egresso do sistema prisional, Marcos Dourado, a experiência foi diferente, pois atuou como monitor numa das unidades do complexo penitenciário de Hortolândia. De acordo com a seu relato, nunca imaginou ensinar a outras pessoas, ainda mais a preso. Segundo ele, havia resistência de alguns companheiros na participação da aula, simplesmente por pensar o que iria aprender com outro preso. Mesmo havendo a imposição de muitos, ele declara que se empenhava ao máximo para valorizar os que participam das aulas, pois reconheciam que ele tinha algo de bom e proveitoso para ensinar.

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Foi muito relevante para a pesquisa a análise do artigo de Julião6, pois:

“... o papel da educação como programa de reinserção social na política de execução penal, parte da reflexão que defende a hipótese de que, no que concerne à reinserção social, a educação pode vir a assumir papel de destaque, pois, além dos benefícios da instrução escolar, o preso pode vir a participar de um processo de modificação capaz de melhorar sua visão de mundo, contribuindo para a formação de senso crítico, principalmente resultando no entendimento do valor da liberdade e melhorando o comportamento na vida carcerária”.

Segundo ele, a educação é um dos pilares transformadores sobre si mesmo e o mundo que o cerca, possibilitando não apenas a ocupação da mente por um período, mas proporciona uma melhor qualidade de vida na prisão e mudanças de valores, pautados em princípios éticos e morais. Entende-se o ambiente prisional como um espaço educativo e socioeducativo que criem condições para que molde a identidade do reeducando, buscando, principalmente, compreender-se e aceitar-se como individuo social a fim de construir seu projeto de vida.

5. Conclusão

Ao longo deste artigo, buscamos entender melhor as mudanças ocorridas na LEP e a atuação de profissionais no ensino ao reeducando, seja estagiário ou monitor. Em como a lei 12.433/11 pode contribuir a uma sociedade reclusa. As fontes bibliográficas e os relatos auxiliaram a compreender esta visão não somente como beneficio de redução penal, mas a oportunidade de (re) integrar, (re) socializar, (re) descobrir de novo, porém de uma forma diferente. Entendendo-se como toda equipe funcional do sistema prisional na condição de socioeducadores. Julião (2009) consegue expressar bem quando As ações educativas devem exercer uma influência edificante na vida do interno, criando condições para que molde sua identidade, buscando, principalmente, compreender-se e aceitar-se como indivíduo social; e construir seu projeto de vida, definindo e trilhando caminhos para a sua vida em sociedade Um olhar mais aguçado sobre o ensino na unidade prisional.

Considerando a ideia de Freire (1987, p. 16), temos:

Mais uma vez, os homens, desafiados pela dramaticidade da hora atual, se propõem a si mesmos, como problema. Descobrem que pouco sabem de si, de seu “posto no cosmos”, e se inquietam por saber mais. Estará, aliás, no reconhecimento do seu pouco saber de si, se fazem problema a eles mesmos. Indagam. Respondem, e suas respostas os levam a novas perguntas.

As análises e reflexões sobre a educação de jovens e adultos em situação de privação de liberdade permite a necessidade da valorização enquanto um ser inacabado, pois o mundo

6Julião, E. (17 de abril de 2010). Uma visão socioeducativa da educação como programa de reinserção social na política de execução penal - UERJ. Acessado em 19 de novembro de 2013, disponível em

www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/vertentes/...35/elionaldo

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lá dentro tornou-se limitado. E a educação seria uma oportunidade de formação e informação pessoal ou profissional, fazendo com que seja construída uma nova história pós-prisão. Que deve ser entendida como uma politica publica.

Agradecimentos

Agradeço a Deus por ter me fortalecido durante esses longos anos de estudo.

A instituição Network, por me proporcionar a inserção no curso de Pedagogia e todo o suporte que me dedicou durante a minha formação. Aos meus familiares e namorado, que entenderam a minha ausência; e, principalmente, aos meus pais, que sempre me apoiaram e incentivaram todo o meu processo estudantil.

Às funcionárias da secretária que inúmeras vezes foram prestativas.

Aos meus professores, que tiveram muita paciência.

Aos amigos e amigas do 2º, 3º e 4º anos do curso de Pedagogia, que me acolheram com todo o carinho.

A minha orientadora Angela Harumi Tamaru que, acreditou que seria possível a conclusão de um trabalho tão importante.

Referências

FOUCAULT, M. Vigiar e punir – História da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 1987.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa. São Paulo:

Paz e Terra, 1996.

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

JULIÃO, Elionaldo F. (17 de abril de 2010). Uma visão socioeducativa da educação como programa de reinserção social na política de execução penal - UERJ. Acessado em 19 de

novembro de 2013, disponível em www.ufsj.edu.br/portal2-

repositorio/File/vertentes/...35/elionaldo

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O ENSINO E A APRENDIZAGEM NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Luizelena Rodrigues Mantovani1 1 Maria Regina Peres ² Resumo

O presente artigo tem por objetivo investigar as estratégias mais eficazes para a alfabetização de crianças do 2º ano do ensino fundamental na concepção de docentes que atuam neste nível de ensino. Partimos do pressuposto de que a escolha de um método que favoreça a interação da criança e que seja desenvolvido por meio de estratégias adequadas e eficazes influi diretamente no sucesso do processo de alfabetização. Para isto foi realizado uma pesquisa bibliográfica enfocando autores que abordam o tema da aprendizagem significativa e da construção do processo de leitura e escrita na escola. Além da pesquisa bibliográfica realizamos uma pesquisa de campo com professores alfabetizadores. Os resultados indicam a presença de uma prática que não favorece a interação, a individualidade dos alunos, levando- os ao desinteresse pelos estudos desde os anos iniciais do ensino fundamental. Isto compromete qualquer possibilidade de desenvolvimento de uma aprendizagem significativa.

Palavras-chave: Ensino, aprendizagem significativa, alfabetização, aluno.

Abstract

This article aims to investigate the most effective strategies for children's literacy in the sophomore class of elementary school in the design of teachers working at this level of education. We start from the assumption that the choice of a method the interaction of children and that is developed that promotes by means of appropriate and effective strategies affect directly on the success of the literacy process. It was conducted a bibliographic search focusing on authors that address the issue of meaningful learning and construction of the process of reading and writing in school. Besides the bibliographical research we performed a field research with teachers literacy teachers. The results indicate the presence of a practice that doesn't favor the interaction, the individuality of the students, leading them to disinterest by studies since the early years of elementary school. This undermines any possibility of developing a meaningful learning.

Keywords: Teaching, learning, literacy, student.

1 Licenciando do curso de Pedagogia das Faculdades Network.

² Doutora em Psicologia da Educação, Mestre em Metodologia do Ensino, Docente do curso de graduação e pós- graduação das Faculdades Network, Orientadora de TCC.

Imagem

Tabela  I  –  Nível  Socioeconômico  dos  entrevistados  segundo  o  CCEB  –  Critério  de  Classificação Econômica do Brasil
Tabela III – Como agem os pais que trabalham fora o dia todo
Tabela II – Quantidade de pais que trabalham fora
Tabela IV – O que mais desperta o desejo de compra das crianças  Classificação  O que os pais acham
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Referências

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Olha nós como educadoras temos um papel muito importante, de observar, se a criança já chega bem na escola, na rodinha, todo dia a gente chega e deixar eles falarem, teve