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Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Expectativas profissionais de estudantes de classes populares: notas sobre o papel das escolas estaduais / André Wiliam de Novais da Costa. O objetivo geral desta pesquisa é compreender o papel das escolas públicas na construção das perspectivas profissionais dos alunos.

A função da escola em uma sociedade de classes

Assim, os autores diriam que a arbitrariedade cultural imposta através do trabalho pedagógico realizado dentro da instituição escolar está relacionada à estrutura de classes, atendendo sobretudo às classes dominantes, na medida em que os conteúdos ensinados são da perspectiva cultural dominante, que é a perspectiva cultural das classes dominantes. A questão da boa gestão linguística é o caso que os autores trazem para ilustrar o seu argumento.

A escola no contexto neoliberal

Se antes o conceito funcionava quase como um substituto pacífico dos meios violentos de captura de produtos e valores – as pessoas no mercado clássico satisfaziam as suas necessidades através da compra e venda, mediadas pelos preços oferecidos – então o mercado deveria agora servir para produzir indivíduos que são fortemente moldados pela centralidade da competição, pela luta uns contra os outros por bens escassos, pela necessidade de autodisciplina para garantir um bom desempenho contra e apesar dos outros. Nele, o autor procura explicar as formas abertas e encobertas pelas quais a ideologia neoliberal penetrou na instituição escolar, com o objetivo de produzir estudantes que se considerassem concorrentes de ambas. Em segundo lugar, pensando nos estudantes como “auto-empreendedores”, isto é, como indivíduos que devem ser pessoalmente responsáveis ​​pelos seus sucessos e fracassos, e que não devem esperar nenhuma ajuda colectiva nas suas vidas – na medida em que ela o é. através de suas falhas individuais, o mercado se realiza, para ele como um “processo formativo”, ou seja, é através de sua ação sobre o indivíduo que o mercado o disciplina e faz dele um indivíduo neoliberal – a escola abandona qualquer pretensão de formação cidadã , a fim de influenciar os alunos a compreender e participar nas dinâmicas sociais mais amplas que os rodeiam e permeiam, muito além dos seus objetivos estreitos de educação e empregabilidade.

O intenso debate sobre as novas tecnologias perde o sentido quando não se considera seriamente quais conteúdos devem ser ensinados através delas e, portanto, elas se mostram ineficazes: quando percebemos que o conteúdo não importa mais no debate da reforma, e as tecnologias passam a ter importância Mais mais do que tudo, percebemos que estamos passando por uma reforma que intensifica o caráter neoliberal nas escolas: o foco nos meios e não nos objetivos da escola, o uso intensivo da tecnologia para disciplinar os alunos, a intensificação do centro do escola. exames e avaliações.

Espaço físico e organização pedagógica

A diretora sempre reforça com os alunos ao longo do ano a importância da manutenção e limpeza da escola e me surpreendeu a quantidade de alunos. Não há integração com os alunos dos outros passeios, nem com a grande maioria das atividades que acontecem durante o dia. A sensação é de que os alunos não pertencem àquela escola: as paredes contêm desenhos e atividades das aulas infantis, a biblioteca fica fechada para os alunos à noite.

Há tanto uma funcionalidade física da estrutura material escolar como uma funcionalidade em termos de convívio – vejam-se os alunos que têm interesse em estar na escola, mas não necessariamente na sala de aula – sendo o maior ‘nó’ a relativa desorganização pedagógica, que não indica formas de educar os alunos.

Figura 1 A "prisão literária", segundo aluna. Foto: aluna Thábata Amaral.
Figura 1 A "prisão literária", segundo aluna. Foto: aluna Thábata Amaral.

A escola na pandemia

Como é que afectaram as expectativas profissionais e as qualificações adicionais dos alunos após este período? Problemas como a baixa frequência dos alunos, a falta de equipamentos adequados e a redução da carga horária foram decisivos para reduzir o envolvimento dos alunos nas aulas e aumentar as taxas de evasão. Mais uma vez, fica evidente a necessidade de um maior comprometimento da escola em divulgar e orientar os alunos sobre possíveis futuros após as aulas, para que haja um incentivo para que os alunos construam um projeto de vida.

Depois de delineadas as características gerais da Escola A, passamos agora às características dos alunos que conseguimos extrair dos nossos dados.

Instrumentos de pesquisa

Além de utilizar o questionário para 77 alunos, selecionei também 10 alunos que entrevistei com mais detalhes. Esse conjunto de questões revelou cinco visões diferentes dos estudantes sobre o que fazer após o ensino médio: a) universidade pública, b) universidade privada, c) ensino técnico, d) escolas militares e e) mercado de trabalho. Os alunos que optaram pela opção “mercado de trabalho” pretendiam exclusivamente trabalhar, mas não continuar os estudos.

Por fim, desses 10 alunos entrevistados em 2017, realizei novas entrevistas com 4 deles (além de outra ex-aluna que estava então no primeiro ano) em 2021.

Perfil dos alunos

Distorção Série-Idade

Dos alunos que já foram reprovados, 5 repetiram o primeiro ano do ensino médio, 2 repetiram o segundo ano, 2 repetiram o terceiro ano, enquanto apenas um aluno repetiu o ensino fundamental. O aluno mais velho da amostra, então com 20 anos, já havia reprovado uma vez no primeiro ano e estava há dois anos sem estudar. Além disso, no terceiro ano já trabalhou como garçom no McDonalds por alguns meses.

Entre os alunos com distorção etária, um pretendia trabalhar apenas no ano seguinte, outro pretendia trabalhar e frequentar formação técnica e os outros dois pretendiam apenas estudar.

Perfil socioeconômico dos alunos entrevistados

Mas observemos o que nos mostra o Gráfico 3, que mostra o número de banheiros em casa: 64,9% dos alunos afirmaram ter apenas 1 banheiro em casa, 31,2%. Não estou interessado aqui em atribuir os alunos a algum estrato de consumo, como fazem os agentes interessados ​​em uma simples estratificação da população por renda, mas simplesmente como forma de comparar os alunos com a população da região metropolitana do Rio de Janeiro em geral. . .. Nesse sentido, podemos dizer que o perfil socioeconômico dos estudantes, medido por domicílio (número de banheiros na residência), corresponde ao perfil médio da população da região metropolitana do Rio de Janeiro, incluindo uma ligeira diferença para melhor: enquanto 64,9% dos estudantes afirmaram ter apenas um banheiro na residência, 70% dos domicílios do Rio de Janeiro possuem essa característica e 31,2%.

Assim, podemos dizer que os alunos respondentes, em termos socioeconômicos, são semelhantes à população média do Rio de Janeiro, com tendência a se posicionarem ainda melhor que a média.

Gráfico 2 - Quantidade de cômodos na residência (2017)
Gráfico 2 - Quantidade de cômodos na residência (2017)

Algumas considerações sobre o perfil socioeconômico

Mas há também um grande contingente que não concluiu o ensino secundário, como 39% dos responsáveis. Assim, a grande maioria dos jovens pesquisados ​​possuía um nível de escolaridade superior ao de seus pais, o que reflete a expansão da educação juvenil no Pará e no Brasil, como vimos anteriormente. Por outro lado, esta situação de relativa calma relativamente ao seu futuro profissional, que até então garantia – pelo menos à maioria dos alunos – o tempo necessário para concluir os estudos secundários, parece estar nos últimos momentos: o conjunto de dados relativos suas casas e seus responsáveis ​​indicam que esses alunos, após concluírem o ensino médio, ingressarão rapidamente no mercado de trabalho.

Nesse sentido, se os alunos que responderam aos questionários tiveram alguma regularidade nos estudos, os quais ficaram “protegidos” da necessidade de trabalhar com o esforço de seus responsáveis, o último ano do ensino médio é um marco importante que os fará. passam muito rapidamente de “estudantes” a “trabalhadores” - e mesmo que alguns deles ainda não tivessem plena consciência disso.

Expectativas para o futuro

Assim, como podemos observar no gráfico 7 acima, quando questionados sobre suas expectativas para o ano seguinte à conclusão dos estudos, 30,6% das respostas são que esperam trabalhar; é um horizonte intransponível da sua condição e os alunos sabem bem disso. Identificados desde cedo como filhos de trabalhadores, os estudantes parecem recorrer ao ensino superior como uma oportunidade essencial de ascensão social: pela experiência familiar, sabem que a vida dos responsáveis ​​é difícil e a universidade pode ser uma forma de superar os desafios. condição - ainda que, como argumentamos, essa condição não seja das piores em relação à população do Rio de Janeiro. Não só demonstra o desejo dos estudantes de seguirem um curso superior, mas também uma avaliação de si mesmos e da sua trajetória acadêmica: é uma indicação de que os estudantes que responderam não valorizam mal a sua experiência e se consideram despreparados para competir com os outros. alunos no Enem e outros vestibulares.

É também muito interessante notar, ainda no gráfico 7, a importância da escolha para as Forças Militares: elas, ao mesmo tempo, são garantia de estabilidade profissional e financeira, podendo também ser vistas como uma espécie de “educação técnica”. ". ”, onde os alunos Os alunos seguem diversos cursos e podem gradativamente se “qualificar”, ou seja, subir na hierarquia e ganhar mais por isso.

Gráfico 7 - Perspectivas dos alunos para o ano seguinte (2017)
Gráfico 7 - Perspectivas dos alunos para o ano seguinte (2017)

Estratégia para alcançar os objetivos e a relação do aluno com a escola

Tivemos também dois alunos que indicaram nos questionários que não pretendiam continuar os estudos, sejam eles de nível superior, técnico ou outro. Tal interpretação não significa que contrariemos o facto de a grande maioria dos alunos afirmar que gosta de ir à escola: há muitos factores envolvidos nesta avaliação, que não inclui necessariamente a avaliação da escola como local de formação e Informação. . Um fato comum entre aqueles que relutam em ir à escola é o desejo de estudar.

Podemos perceber que não gostar de ir à escola não significa falta de interesse em continuar os estudos, mas apenas uma má avaliação da sua experiência na escola particular.

Tabela 1 - Tabulação cruzada Expectativas x Estratégias (2017)  Expectativa
Tabela 1 - Tabulação cruzada Expectativas x Estratégias (2017) Expectativa

Conhecimento acerca das políticas de ação afirmativa

Quando constatamos que apenas 13% dos alunos escolheram a opção “interesse pelos estudos”, destaca-se a perspectiva instrumental através da qual os alunos interpretam a sua experiência escolar. Também digno de nota aqui é o número de alunos que, mesmo conhecendo uma política de ações afirmativas, não sabiam qual pretendiam utilizar (lembremos que eram alunos do terceiro ano do ensino médio e, portanto, tinham escolher nesse mesmo ano qual utilizariam ), o que indica a falta de orientação por parte dos estudantes quanto às suas possibilidades de utilização de políticas públicas: esses números podem indicar justamente o desconhecimento sobre essa etapa do acesso ao ensino superior. Por mais limitados que sejam os dados recolhidos, permitem-nos aproximar-nos mais claramente dos alunos com quem lidamos.

O objetivo é ir além do formato um tanto limitado dos dados quantitativos dos questionários, para aprofundar as próprias interpretações dos alunos sobre sua experiência escolar no final do ensino médio e vivenciada ao longo dos quatro anos seguintes, até a segunda onda de entrevistas.

Gráfico 11 - Conhecimento de ações afirmativas (2017)
Gráfico 11 - Conhecimento de ações afirmativas (2017)

Renata: família militar e percepção de despreparo

Na segunda entrevista, a estudante faz uma avaliação profunda de que no momento da primeira entrevista estava se forçando a se identificar com o militarismo: “Tentei [me comprometer] acreditando que queria isso, mas não fiz. Ela continuou a reconhecer a importância da estabilidade financeira – elemento sempre defendido pelos irmãos militares ao tentar convencê-la a investir seu tempo nos estudos para ingressar – mas não foi possível. Isso não significa que ele não conhecesse as condições oferecidas pelos militares: “Hoje em dia recebo menos do que um salário mínimo.

Quanto à universidade pública, vejo que muitas vezes você não consegue conciliar com o trabalho, não consegue conciliar com a vida lá fora.

Marcos e a escola “desnecessária”

Em casa não tinha internet como hoje, então liguei para meu amigo, ele sempre me incentiva a fazer um curso técnico e ter uma profissão legal, e eu falei: “Olha, tenho essa reportagem de serra no jornal, etc. Como vocês podem perceber, o aluno não só “ficou parado” por um ano, mas o processo de ingresso no curso técnico foi bastante confuso, ele pretendia ingressar no curso técnico em 2018, mas já começou a trabalhar fora dessa área , em um mercado.

Eu também tentaria fazer o vestibular “até reprovar”, mas estudaria sozinho, pois não teria como pagar o curso.

Paula: um caso de sucesso

Lorena, outra aluna que planejava fazer curso técnico, optou por cursar Enfermagem em seu questionário. Não posso dizer exactamente o que é, mas penso que o sistema educativo parece muito rígido. Não acho que o atual sistema de ensino que temos, publicamente, seja suficiente, não.

Acho que estudar, tradicional ou não, continua sendo a melhor forma de conseguir algo neste país.

Roberta: um caso de fracasso e mudança de rota

Acho que será mais fácil porque terei mais tempo para me preparar. Acho que tentei por uns dois anos e foquei muito em Psicologia e Relações Internacionais, mas minha nota ficou bem abaixo do limite. Então acho que os professores precisavam ter um pouco mais de cuidado ao falar sobre o futuro dos alunos e sobre saúde mental.

Roberta: Acho que foi algo indesejado, porque só consegui informações com os professores porque pesquisei bastante.

Larissa e o “campo de possibilidades”

Carrano, 2014, pág. 1228), portanto é necessário também singularizar abordagens e práticas para que todos os alunos vejam sentido em sua presença na escola. Uma experiência sempre muito valiosa para os alunos é o “tour cultural”, que pode ser proposto pela escola ou pelos professores, dependendo sempre da situação económica da escola para alugar os autocarros, com exceção dos horários em que a instituição de destino ele mesmo fornece.. Entre os estudantes é comum ouvir o discurso de que os meninos, ao terminarem os estudos, têm três opções futuras: trabalhar como mototáxi, barbeiro ou “entrar no tráfico”; enquanto as meninas serão designer de sobrancelhas ou vendedoras de doces.

Cientes de que não estão em posição competitiva em relação aos alunos de outras escolas para disputar as melhores vagas no Enem e em outros vestibulares e vestibulares, os estudantes reduzem suas expectativas profissionais ao que consideram possível: optar por carreiras menos competitivas. e do próprio militarismo ilustram isso.

Tabela 2 Quadro com os alunos que aparecem na dissertação
Tabela 2 Quadro com os alunos que aparecem na dissertação

QUESTIONÁRIO

ROTEIRO DA ENTREVISTA

Imagem

Figura 1 A "prisão literária", segundo aluna. Foto: aluna Thábata Amaral.
Figura 2 Fotografia de Priscila Moraes. Entrada do colégio.
Gráfico 1 – Condição de ocupação do domicílio (2017)
Gráfico 3 - Quantidade de banheiros em casa (2017)
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Referências

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