Além disso, a partir da compreensão das dimensões do acesso aos serviços de média e alta complexidade vivenciadas pelos usuários, profissionais de saúde e gestores. Como se processa a dinâmica organizacional de acesso dos usuários do Programa Saúde da Família aos serviços de saúde e às práticas de média e alta complexidade. Compreender a dinâmica organizacional do acesso dos usuários do PSF aos serviços de saúde de média e alta complexidade da rede SUS.
Acesso aos serviços de saúde: os caminhos para sua efetivação enquanto direito de
Para a população que mantinha vínculo de trabalho, a assistência médica previdenciária passou a ocupar um espaço cada vez mais importante na prestação de serviços de saúde a quem deles necessitava. Portanto, percebemos que o acesso aos serviços de saúde permaneceu exclusivo, direcionado a grupos específicos, aqueles que tinham carteira assinada ou podiam pagar pelos serviços. As Ações Integradas de Saúde (AIS) surgiram em 1983 como parte integrante do CONASP e iniciaram o processo de integração dos serviços públicos com o objetivo, segundo Mendes (1995), de controlar os custos da assistência médica previdenciária.
Modelos Assistenciais na organização dos serviços de saúde de média e alta
Nesta proposta prevalece uma visão do sistema de serviços de saúde como uma estrutura piramidal (Figura 1), organizada segundo níveis hierárquicos. A abordagem assistencial proposta pela NOAS SUS 01/02, configurada na Figura 1, recomenda que o acesso da população à rede de serviços de saúde se dê primeiramente por meio da atenção básica, que deve ser a porta de entrada do sistema de saúde e que deve atender e solucionar os principais problemas que exigem serviços de saúde, tão capacitados. Em contraposição ao modelo piramidal, Mendes (2002, p. 20) propõe sua substituição na NOAS SUS 01/02, desenhando uma rede horizontal integrada de serviços de saúde.
Dinâmica organizativa do acesso dos usuários às ações e aos serviços de média e alta
Os estudos sobre acesso aos serviços de saúde utilizam frequentemente a conceituação de acessibilidade, formulada por Frenk e Donabedian citados por Giovanella e Fleury (1995), que entende acessibilidade como a disponibilidade de recursos. A análise das dimensões política, técnica e simbólica ajudou a compreender como se moldou o acesso aos serviços de saúde, possibilitando não apenas o acesso ao sistema e aos serviços de saúde aos usuários, mas também a responsabilização dos trabalhadores. Contudo, a integração incerta entre os serviços de saúde era uma característica presente nos sistemas de saúde, o que aumentava os problemas de acesso e causava ineficiências como um todo.
Tipo de estudo
Para Nascimento (2010), não existem ideias, princípios, categorias, entidades absolutas na Dialética, tudo o que existe na vida humana e social está em constante transformação, em movimento, nada é permanente, pois está sujeito ao fluxo da história. Transformação: a natureza e a sociedade não são constantes, não são entidades acabadas, mas estão em constante transformação, sujeitas ao fluxo da história. Dessa forma, buscamos compreender a dinâmica organizacional do acesso dos usuários do PSF aos serviços e práticas de média e alta complexidade, analisando esse fenômeno sob a perspectiva dos diversos sujeitos que o vivenciam.
Campo de estudo
Na Tabela 2 apresentamos a estrutura da rede de serviços de Atenção Básica em Feira de Santana – BA. Tabela 2 Estrutura da rede de serviços de atenção básica por tipo de unidade em Feira de Santana – BA, 2012. Em relação à Rede de Atenção Básica, conforme Relatório de Gestão – 2012 de Feira de Santana (FEIRA DE SANTANA, 2012b), as UBS possuem um número de 680 profissionais, sendo 158 de nível superior (35 enfermeiros, 85 médicos, 27 dentistas, seis (6) nutricionistas e cinco (5) fisioterapeutas), 523 funcionários de nível médio (93 técnicos de enfermagem, 73 auxiliares administrativos, quatro (4) ) seguranças, 12 serviços gerais, 15 gestores, 325 ACS).
Participantes do estudo
Os serviços de média e alta complexidade selecionados para o estudo foram duas policlínicas (uma na zona urbana e outra na zona rural do município), além de dois hospitais gerais (Hospital Geral Clériston Andrade – HGCA/Hospital Dom. Pedro de Alcântara – HDPA), um é público e outro filantrópico, atendendo tanto a população urbana quanto rural de Feira de Santana e municípios circunvizinhos. Para seleção desses serviços elencamos os seguintes critérios: Policlínicas e Centros de Saúde Especializados com mais de 1 (um) ano de funcionamento, que fossem referência para as USF que se enquadrassem nos critérios mencionados anteriormente; policlínicas públicas e hospitais gerais conveniados ao SUS. O estudo foi composto por três grupos de participantes, constituídos por profissionais, usuários e gestores de serviços de saúde, que nos permitiram, de acordo com a especificidade de sua singularidade, estudar a realidade pesquisada.
Os profissionais de saúde do grupo I foram compostos por nove (9) profissionais atuantes na área da saúde (enfermeiros, técnico de enfermagem, médico, cirurgião-dentista, auxiliar/técnico de enfermagem, agente de saúde). No grupo I participaram profissionais de saúde, sendo quatro (4) profissionais que atuam no PSF, três (3) em ambulatório e dois (2) em hospital, sendo quatro (4) homens. A faixa etária dos entrevistados foi de 28 a 61 anos; a formação profissional foi variada com dois (2) médicos, três (3) enfermeiros, um (1) cirurgião-dentista, dois (2) enfermeiros e um (1) agente de saúde, todos com formação profissional entre 4 e 29 anos.
Outros três profissionais de nível superior cursam pós-graduação em Saúde Pública, Urgência e Emergência e Gastroenterologia Clínica. Estar em atendimento ou como atendente em USF ou em serviços de saúde de média e/ou alta complexidade (Policlínicas e Hospitais Gerais públicos). Todos possuem curso de pós-graduação latu sensu (Administração Hospitalar, Saúde Coletiva, Saúde Coletiva, Gestão de Unidades Básicas de Saúde – GERUS, Urgências e Emergências, Ciências Contábeis, Gestão em Saúde), um deles com mestrado e um entrevistado. já concluiu o Mestrado em Marketing Estratégico e outra cursa o Mestrado Profissional em Enfermagem.
Atuam nas Policlínicas, Hospital Geral Clériston Andrade, bem como na própria Secretaria Municipal de Saúde, nos setores de Atenção Básica, Coordenação de Policlínicas, Central de Regulação e Divisão de Média e Alta Complexidade, onde cumprem função/cargo de Gerente Clínico . , Coordenador de Equipes de Saúde da Família, Supervisor da Central de Regulação, Apoiador Institucional, Referência em Vigilância Epidemiológica (VIEP) e Vigilância em Saúde (VISA) da Atenção Básica (AB), Supervisor de Policlínicas, Chefe da Divisão de Média e Alta Complexidade (DAMAC) ) ), Coordenador das Policlínicas, bem como Coordenador do SAME, do Setor de Contas Hospitalares, do Setor de Órteses e Próteses, do Ambulatório e da recepção de emergência do HGCA.
Técnicas de coleta de dados
Todos os participantes foram identificados com um número em ordem crescente de entrevistas, seguido da primeira letra do grupo ao qual pertencem, para garantir seu anonimato, conforme Resolução BRASIL, 2012) que diz respeito à pesquisa com pessoas. seres, pessoas. Assim, segundo Minayo (2007, p. 64), a entrevista caracteriza-se por “uma conversa entre duas pessoas, ou entre vários interlocutores, realizada por iniciativa do pesquisador” que visa “construir informações relevantes para um objeto de pesquisa . , e a abordagem do entrevistador a temas igualmente importantes voltados para esse objetivo”. Na entrevista semiestruturada questionamos o entrevistado sobre temas de interesse da pesquisa, questionando-o sempre que necessário em decorrência das respostas fornecidas que não atendiam aos objetivos propostos.
Ressaltamos que a escolha da técnica de entrevista não se deu apenas pela sua relevância para a pesquisa, mas também pelas suas vantagens, ou seja, podemos realizá-la tanto com pessoas alfabetizadas quanto com não alfabetizadas; ser um método flexível, pois permitiu formular as questões com base na compreensão de cada entrevistado. Os roteiros para condução da entrevista semiestruturada (Anexos A, B e C) foram elaborados com base nos grupos de sujeitos a serem entrevistados. As entrevistas foram agendadas em dia e horário de acordo com a vontade e disponibilidade de cada participante; foram realizadas no próprio local de trabalho do cuidador, gestor e/ou coordenador, bem como no local onde o usuário foi atendido, em ambiente reservado para esse fim, livre de escutas e interrupções de terceiros, para que os sujeitos tivessem sua opinião em particular pode revelar.
Porém, isso aconteceu de forma reduzida e mais precisamente por parte de alguns profissionais de saúde (Grupo I). De facto, a utilização de entrevistas semiestruturadas como técnica de recolha de dados permitiu-nos obter informações detalhadas sobre a realidade vivida por cada sujeito entrevistado, pois permitiu questionar o participante da investigação, criar novas questões, para que obtivessemos ganhos mais alargados. conhecimento de sua percepção sobre o tema investigado. Além da entrevista e da observação, também utilizamos a análise documental como fonte secundária para complementar os dados coletados.
No texto, os documentos inerentes à análise dos documentos serão identificados por um número, conforme a ordem deste subartigo, ou seja, Documento 1, leia-se Doc-1, nos capítulos da análise.
Método de análise de dados
ORGANIZAR O ACESSO DOS USUÁRIOS DO PSF A SERVIÇOS E PRÁTICAS DE SAÚDE DE MÉDIA E ALTA COMPLEXIDADE. Ao final da transcrição de todas as entrevistas, procedemos a uma leitura geral do material transcrito, o que nos permitiu uma primeira aproximação à essência do sentido contido nas falas dos entrevistados, bem como às observações sistemáticas realizadas , organizando o material de acordo com os grupos aos quais pertencem. . Esta fase inclui, segundo Minayo (2010), a “leitura flutuante” que permite captar estruturas de importância e essência de significado a partir de entrevistas e documentos de observação e análise, ideias centrais que tentam transmitir os momentos-chave da DINÂMICA ORGANIZACIONAL. ACESSO DOS USUÁRIOS DO PSF A SERVIÇOS E PRÁTICAS DE SAÚDE DE MÉDIA E ALTA COMPLEXIDADE.
Dessa forma, a leitura exaustiva e flutuante dos textos das entrevistas, das observações e dos documentos permitiu visualizar as ideias centrais para o tema pesquisado, representando a essência do sentido. A partir da análise das entrevistas, identificamos 11 significados essenciais para os grupos I e III dos entrevistados: o significado do acesso; organização do acesso; programas especiais; Práticas profissionais para promover o acesso Experiências de acesso Dificuldades/Limites Avanços/Facilidades Participação social.
Acordo entre autoridades Sujeitos envolvidos no processo Práticas profissionais/líderes Planejamento de ações Participação social Problemas/Limitações Avanços/Capacidades Perspectivas. Em cada tabela, ao realizar uma síntese horizontal, identificamos convergências, divergências, complementaridades e diferenças do núcleo semântico individual existente nas falas dos entrevistados. Na síntese vertical, sintetizamos a ideia global de núcleos semânticos por entrevistado.
Dessa forma, a análise final dos dados possibilitou a articulação entre depoimentos, observações e documentos, com referenciais teóricos para construir as categorias anteriormente descritas, respondendo às questões norteadoras propostas neste estudo, com base nos objetivos propostos.
Considerações Éticas e Legais da Pesquisa
Identificar as dificuldades e/ou facilidades que os profissionais e gestores de saúde encontram para garantir o acesso às ações de média e alta complexidade; Valorizar o trabalho dos profissionais e gestores de saúde na promoção do acesso aos serviços de média e alta complexidade, confirmando sua importância no processo de articulação dos diferentes níveis do sistema. Ter acesso para mim é poder utilizar os serviços de saúde de acordo com as normas do SUS, né (Ent. 16G).
5 O PROCESSO DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA ATENÇÃO BÁSICA, MÉDIA E ALTA COMPLEXIDADE: um entrelaçamento de tecnologias em saúde. 6 ACESSO DE USUÁRIOS DO PSF A SERVIÇOS E PRÁTICAS DE SAÚDE DE MÉDIA E ALTA COMPLEXIDADE: relação público x privado. Incentivar a integração e parceria de setores da Secretaria Municipal de Saúde, atenção básica, média e alta complexidade no desenvolvimento de ações que promovam o acesso aos serviços de saúde;
Práticas individuais e coletivas lideradas por profissionais de saúde para promover o acesso a serviços de média e alta demanda;