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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Inicialmente, a hipótese da minha pesquisa afirma que no atendimento às MPE o sujeito do direito é visto em detrimento do sujeito do desejo. Com base nessa afirmação, é necessária uma distinção: quem é o objeto do desejo e como ele se diferencia do sujeito de direito.

Do totem às leis jurídicas - articulações entre o psíquico e o jurídico

É também a Lei do Pai que é o agente para o registro do sujeito na ordem simbólica, condição para que ele ingresse na sociedade e para que o ordenamento jurídico tenha legalidade para ele. A lei do pai, como lei que proíbe o gozo do sujeito castrado, é o ponto de partida para que as demais leis tenham.

Da razão ao inconsciente - demarcando os campos a partir das noções

No contexto do sujeito determinado pelo domínio da razão, Freud propõe a noção de uma cisão entre o sujeito e o sistema inconsciente. Dessa forma, quer enfatizar que o sujeito, tal como é, não provém de um centro ou de uma essência, mas se encontra a partir de elementos heterogêneos que se articulam entre si.

Do “indiviso” à divisão do sujeito

A divisão na constituição do aparelho psíquico

Em decorrência dessa necessidade, Freud (1895) viu-se obrigado a aceitar a existência de um sistema de neurônios que atuariam como órgãos de percepção e que transmitiriam uma indicação da realidade, quando investidos pelo sujeito. Estamos portanto perante um paradoxo, se a repressão exige a distinção entre os sistemas do aparelho psíquico e é ao mesmo tempo o fundador desta cisão, como podemos falar de uma causalidade/anterioridade.

A divisão do sujeito no processo de alienação

Lacan enfatiza que a criança já reconhece o objeto de desejo da mãe, e este é o falo, que se apresenta como eixo de toda dialética subjetiva. Vemos assim como o sujeito é marcado pela divisão desde os primeiros passos de sua constituição, na medida em que se submete à vontade do Outro e é marcado por seus significantes.

A divisão do sujeito no recalque primordial

O nome do Pai é o significante tranquilizador que permite nomear, através da metáfora, o desejo do Outro da mãe. Ausência é o que o sujeito encontra no Outro e que é característico da estrutura do significante, é o fato de que, nos intervalos do discurso do Outro, nesse intervalo ao cortar o significante, o desejo escapa, o que faz com que o sujeito capturar algo de desejo do Outro. O nome do Pai inclui a possibilidade de significação no domínio do Outro, ainda que seja sempre instável e impossível de alcançar a sua plenitude.

O sujeito capta o desejo do Outro naquilo que não é verdadeiro, nos erros da fala do Outro.” O processo de passagem do ser ao sentido é dominado por um resíduo que não é passível de representação significativa no campo do Outro. Este resíduo ilumina o contorno do Outro na sua fronteira, que dá continuidade à operação de separação possível apenas através da supressão primordial provocada pelo Nome-Pai.

O sujeito aparece não apenas no campo do Outro como um tesouro de significantes, mas também em relação a esse resto inassimilável que não deixa de se escrever e que sublinha a sua divisão irreparável.

Adolescentes infratores enquanto sujeitos de direitos

Por exemplo, não se pensou na implementação de políticas públicas destinadas a concretizar os direitos e a proteção de crianças e adolescentes. A regulamentação desse conjunto de direitos consagrados entra em vigor com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº a concretização dos objetivos da medida, que dizem respeito tanto à responsabilidade quanto à proteção social dos adolescentes.

Trata-se de proporcionar um ambiente propício à construção de conexões e diálogo, respeitando a singularidade dos adolescentes. Sugere também que, após o acolhimento inicial, o técnico de referência reúna informações básicas sobre o contexto social e familiar do adolescente para iniciar a criação da ANP, que é parte essencial do trabalho social a ser realizado no MPE de Meio Ambiente. Serviço. Vale ressaltar que no sistema socioeducativo as normas e padrões de intervenção devem ter como objetivo o estabelecimento da cidadania do adolescente.

Em suma, o eixo saúde abrange a saúde do adolescente na sua totalidade física e mental.

O lugar da psicanálise numa instituição de trabalho socioeducativo

Freud já considerava a necessidade de adequar a técnica às novas condições sem abrir mão, porém, dos fundamentos psicanalíticos, o que exige um esforço constante do analista que ingressa na instituição. Portanto, é sempre com esforço que se trabalha para a emergência do sujeito do desejo, no esforço de escolher um olhar sobre o sujeito desejante no direito. Escutando os significantes que fazem do sujeito um cavalo que ele monta (ALBERTI, 2009), escutando o desejo que o move.

Fica claro que a instituição é sustentada pelo S1, principal marcador derivado do ideal. Altoé (2004) desaconselha a ação institucional que se dá às custas dos ideais e rejeita a singularidade do sujeito. O trabalho da psicanálise nesses adolescentes é envolver o sujeito, o que ocorre através do inconsciente, no momento em que esse adolescente, que é o sujeito, é questionado.

Quando nos propomos a pensar o conhecimento do analista na instituição, percebemos que o conhecimento é antes de tudo uma questão que se encontra.

O sujeito da psicanálise é o sujeito que fala. Como fazer falar?

É sensato ter uma lei a favor dos adolescentes cujos direitos são frequentemente violados devido ao total desamparo. Se o analista se pautasse primeiro pelo funcionamento da norma, ou seja, que o adolescente esteja matriculado, que tenha toda a documentação civil em mãos, que tenha bons vínculos familiares, etc., o sujeito seria apenas um guardião de direitos, sem a possibilidade de solicitar o seu desejo em relação às leis que lhe são atribuídas, de manter o seu lugar como objeto de uma lei jurídica. Para fazer uma análise, use o poder e o conhecimento que o analista deve ter para fazer funcionar o inconsciente.

Vemos assim a responsabilidade do sujeito pelo seu desejo e pela sua ação. Lacan dirá que “a análise só pode visar o advento do discurso verdadeiro e a realização, pelo sujeito, de sua história em sua relação com um futuro” (1953, p. 303). Não é igual para todos, mas é único que cada adolescente utilize o espaço, beneficiando ou não de um serviço que deve ser adequado às suas necessidades.

Este último capítulo se propõe a trazer relatos de nossa experiência profissional em um CREAS do município de São Pedro da Aldeia, como técnica de referência para o Serviço de Medição Socioeducativa, buscando atuar a partir de uma ética que coloque o sujeito e seu desejo como o essência do trabalho.

Um golpe que precede o ato infracional

Este relatório contém uma declaração escrita de um tio de que sua irmã – a mãe de Everton – estava acima do peso e abusava de drogas. Em seu seminário aplicado ao sujeito, por meio do conceito de objeto a, lançou a ideia de um inassimilável separado da estrutura significativa. Portanto, o sujeito se vê sem as referências simbólicas sobre as quais foi colocado na fala do Outro, este é um verdadeiro golpe que o desorienta.

Ao lado do horror da morte iminente, o jovem enfrenta o horror de um corpo desmembrado. O desamparo e o posicionamento de Alexandre apresentam as consequências de um “verdadeiro golpe” na incapacidade de simbolizar. O sujeito fica aprisionado no circuito instintivo que gira em torno de um buraco impiedoso, de uma ferida aberta, de um trauma.

A comissária responsável pelo acompanhamento do cumprimento das MPEs me disse por telefone que a juíza não tem muita paciência com o adolescente porque ele agiu de forma “dissoluta” na audiência e que foi muito firme tanto com ele quanto com o companheiro. a mãe.

Luan, um caso na intersecção das medidas

Talvez como forma de compensar o descaso e a rejeição em suas vidas, estejam passando a mensagem de que não deve faltar nada a esses adolescentes, que eles levam vantagem, mesmo na frágil e porosa rede de políticas públicas. Na verdade, as MPE adolescentes estão longe de ser apoiadas pela rede de políticas públicas. Além de não ter apoio, o fato de as políticas públicas serem a referência pode nos levar a acreditar que isso funciona quando na verdade “não funciona”.

Conscientes da incompletude, as políticas públicas enfrentarão o desafio de tecer redes, de conectar suas linhas para servir de superfície ao sujeito que delas depende. Assim como o psicanalista, as políticas públicas têm o dever ético de reconhecer a presença de algo impossível. Diferentemente do que acontece com a rede feita pelos pescadores da região, que está crivada de buracos de uso, que rasga e fura a rede de políticas públicas para adolescentes, não é necessariamente o custo de seu uso, mas mais precisamente, como é.

Talvez a oportunidade de reparar a rede fragmentada e quebrada de políticas governamentais para adolescentes em pequenas e médias empresas esteja no mesmo caminho.

Você não é homem!

O jovem tem um filho de um ano que mora atualmente com ele, a mãe, o padrasto e o irmão. Contextualizando a diferenciação que Guerra et al. 2012) podemos dizer que para eles a puberdade é um acontecimento no corpo que tem o valor do trauma, pois faltam palavras que possam significar isso, enquanto a adolescência é um momento lógico para tentar elaborar esse confronto real. com o outro sexo. Uma posição sexual é exigida dele diante do destino, que não bate à sua porta, mas irrompe nela.

Ao explorar o conhecimento sobre si mesmo, o adolescente confirma sua posição recorrendo a um Outro de conhecimento, o que garantiria um contra-ataque ao déficit estruturante (GUERRA et. al., 2012). O adolescente lembra que costumava ir à fazenda de um policial conhecido e andar a cavalo e tirar leite da vaca. Durante a consulta, Paulo Victor pareceu não querer estar presente, na primeira entrevista perguntou quanto tempo teria para cumprir a medida e ficou desanimado com a resposta de um prazo inicial de 6 meses.

E eles têm esse direito, o direito de não presumir que conhecem alguém que acabaram de conhecer por causa de uma ordem judicial.

Tecendo a rede - os limites e as possibilidades da psicanálise no sistema

Nesta pesquisa, partimos do fato de que a instituição assistencial na interface com o ordenamento jurídico negligencia o sujeito do desejo e dá ênfase ao sujeito do direito a partir do discurso do mestre. No meu percurso de investigação, outro ponto de viragem foi a constatação de que em muitas situações não é possível sustentar que o problema está no direito e na sua norma universal, uma vez que nem mesmo o objeto do direito aparece in loco em muitos momentos. Quando mesmo o sujeito da lei não aparece onde deveria estar, o sujeito desejado tem maior dificuldade em encontrar espaço para estar em cena.

Não se trata de qual deve vir primeiro, o sujeito do desejo ou o sujeito da lei, mas de que ambos tenham espaço na cena. Chegamos assim à constatação da presença de dois sujeitos: o sujeito do desejo, apoiado no discurso da psicanálise; e a disciplina de direito, com base na fala do mestre. No início de nossa pesquisa, partimos da primeira observação de que o tema do desejo fica de fora da prática do MSE e que, de certa forma, o discurso jurídico foi o responsável por essa exclusão.

Nossa experiência não refutou essa hipótese de que o sujeito do direito se dirige em detrimento do sujeito do desejo, mas encontramos outra realidade: em muitos momentos, nenhuma das duas.

Referências

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