Através desta pesquisa pretendo refletir sobre a formação de professores negros de inglês durante a formação docente. Dessa forma, juntamente com a perspectiva da alfabetização racial crítica (FERREIRA, 2015), procuro abordar a importância da formação de professores de inglês negros.
Estudos raciais - considerações iniciais
Munanga e Gomes (2016) afirmam que os negros foram trazidos para o Brasil através do tráfico de escravos para favorecer o sistema de colonização liderado pelos portugueses no país. Munanga e Gomes (2016) destacam que o conceito de escravos na África era muito diferente da ideia de escravidão praticada pelos europeus.
Branquitude
Carone (2014, p. 17) problematiza, assim, esse conceito com a seguinte questão: “Como um problema explícito das elites brancas brasileiras passou a ser ideologicamente interpretado como um problema dos negros – o desejo de se tornarem mais brancos?” Este autor esclarece que o branqueamento foi na realidade “um processo inventado e perpetuado pela elite branca brasileira, embora tenha sido identificado pela mesma elite como um problema para os negros brasileiros” (BENTO, 2014, p. 25).
O outro lado da História
Munanga e Gomes (2016) explicam que vários fatores contribuíram para esta falsa ideia de passividade dos escravos africanos. Assim, segundo Munanga e Gomes (2016), a resistência negra foi caracterizada por um sentimento de coragem e indignação diante da escravidão.
Movimento negro, conquistas, histórias de sucesso
Programa Política da Cor na Sociedade Brasileira, do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, com apoio da Fundação Ford. . H). Em relação à Lei Estadual nº. 3.708, que estabelece a criação de cotas para estudantes pardos e de cor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, destaco o livro criado por Valentim (2012), cujo título é “Ex-alunos negros cotistas da UERJ - Sucesso desacreditado e acadêmico”.
Lugar de fala: a importância de intelectuais negros
Dadas as potencialidades da linguagem e a sua relação com as práticas educativas dos intelectuais negros, onde está o lugar da expressão? Para ilustrar sua perspectiva sobre onde falam os intelectuais negros, a autora convida o leitor a considerar a seguinte questão: “Quanto.
Educação como forma de libertação
Davis relata que após a Proclamação de Emancipação dos escravos nos Estados Unidos, aumentou o desejo de educação por parte da população negra. Esta organização deu prioridade à educação da população negra, na luta pela cidadania negra, no período pós-abolição, conforme já referido no ponto 1.3 deste capítulo.
Letramento - considerações iniciais
A seguir, considerarei o modelo ideológico de alfabetização (O CAMINHO) com o qual me alinho, bem como levantarei algumas questões sobre o modelo autônomo de alfabetização (KEIMAN, 1995).Portanto, há uma diferença entre saber ler e escrever, ser alfabetizado e viver no estado ou condição de quem sabe ler e escrever, ser instruído (atribuindo a esta palavra o sentido que alfabetizado tem em inglês).
Modelo ideológico de letramento
É por isso que ele chama essa nova forma de encarar a aquisição da leitura e da escrita de “novos estudos de alfabetização”. Street explica que os novos estudos de alfabetização se caracterizam como uma fase de transição.
Letramento crítico no ensino de línguas
Em consonância com as ideias de Janks (2012), Jordão (2013, p. 73) afirma que “a linguagem em LC é discurso, espaço de construção de significados e representação de sujeitos e mundos”. Segundo Jordão (2013, p. 73), a linguagem “existe nas práticas sociais, é um espaço ideológico de construção e atribuição de significados”.
Letramento crítico no ensino de inglês
Seidlhofer (2004 apud EDMUNDO, 2013, p. 45) afirma que o inglês, por ser considerado uma língua franca, internacional e global, pode ser utilizado como instrumento de dominação. Assim, segundo Jordão (2013, p. 82), ensinar LI não é “simplesmente abordar temas que evidenciam a maquinaria social da opressão”, mas sim desenvolver a criticidade através de uma “atitude de atenção”.
Letramento racial crítico no ensino de língua inglesa
A autora chama a atenção para o fato de que o letramento racial crítico em LI faz com que os alunos reflitam sobre seu processo de aprendizagem. A respeito dessa alfabetização no ensino superior, ou seja, na docência dos professores de LI, Ferreira (2018) exemplifica dois posicionamentos que assume em sala de aula.
Letramento como Prática de Liberdade
Quando se trata da educação como prática da liberdade, os alunos não são os únicos chamados a partilhar, a confessar. Uma prática de liberdade que considera o processo de alfabetização como forma de aprender a transgredir, ou seja, a pensar (FREIRE HOOKS, 2013).
Qual o papel da Prática Exploratória na formação docente?
Segundo Moraes Bezerra (2004), a Prática Exploratória sugere uma atitude antitécnica por parte dos professores. Portanto, como apontam Moraes Bezerra e Nunes (2013), a Prática Exploratória é uma abordagem muito valiosa na formação de professores, pois faz com que os profissionais se desenvolvam não apenas ao final da pesquisa, mas também ao final da pesquisa.
Outras considerações sobre formação docente – possíveis
Em resposta, apresento inicialmente Menezes de Souza (2011), que problematiza alguns dos desafios impostos aos professores de inglês. A seguir, Menezes de Souza (2011) utiliza duas comparações para explicar seus pensamentos sobre a formação de professores de inglês.
O papel da Teoria Social Crítica e da Pedagogia Crítica na
No seu texto “Para além do pensamento abissal”, Sousa Santos (2007, p. 71) explica que o mundo está dividido por uma linha abissal que separa “a realidade social em dois universos diferentes: o deste lado da linha e o outro o outro lado."outro lado da linha." Segundo Sousa Santos (2007, p. 78), este recurso é “uma resposta incomum ao que é percebido como uma intrusão colonial iminente nas sociedades metropolitanas”.
Formação docente do professor negro
Gomes (2003) explica que, para que a formação de professores seja eficaz na contemplação das relações raciais, é necessário que haja diálogo entre diferentes campos, como a antropologia, a sociologia, a psicologia social, a história e a comunicação social. Por fim, Gomes (2002, p. 41) afirma que, para que haja uma articulação entre as experiências escolares e não escolares, é necessário desenvolver uma escuta atenta “por parte dos educadores, ao que os homens e mulheres negras. as mulheres deveriam falar sobre suas experiências corporais dentro e fora dos muros da escola”.
Formação docente do professor negro de inglês
No entanto, gostaria de restringir um pouco mais a questão da formação de professores, fazendo a seguinte pergunta: o que significa ser um professor de inglês negro? Os dados deste trabalho foram gerados em grupos de discussão compostos por professores de inglês e ex-alunos da Universidade da Bahia.
Voltando à Prática Exploratória e enriquecendo o diálogo
Além disso, trago a visão da narrativa como estrutura (LABOV, 1972) e a percepção da narrativa como histórias de vida (LINDE, 1993), narrativa conversacional (OCHS e CAPPS, 2002). Por fim, relacionarei a concepção de identidade e narrativa aos estudos raciais e abordarei mais especificamente a construção identitária de professores negros de inglês (FERREIRA, 2015), que traz ideias da Teoria Crítica da Raça com foco em narrativas, para que, juntamente com ao leitor, reflexões poderão se desenvolver sobre a formação docente desse profissional.
Identidade
Ainda sobre a formação de identidades, Woodward (2014) afirma que as identidades são produzidas por meio de sistemas de classificação que “dão ordem à vida social e são confirmados em discursos e rituais” (WOODWARD, 2014, p. 41). Nesse sentido, Woodward (2014) afirma que as identidades são criadas pela marcação da diferença, que “aparece tanto por meio de sistemas simbólicos de representação quanto por meio de formas de exclusão social” (WOODWARD, 2014, p. 40).
Narrativas e visão socioconstrucionista da identidade
Essas múltiplas identidades acabam afetando a ordem social e se refletem no surgimento de diferentes demandas sociais onde “o pessoal é político”, como preconizava o movimento feminista no início de sua constituição (HALL, 2014, p. 28). .
Identidade social de raça
Segundo Dias e Mastrella-de-Andrade (2015), a construção da identidade social de raça depende do significado dado ao conceito. Na perspectiva de Dias e Mastrella-de-Andrade (2015, p. 84), “a produção da identidade social racial está intimamente ligada a questões de poder, ligada a representações sociais que os sujeitos (em posições privilegiadas) constroem sobre os outros”.
Identidade do professor
No que diz respeito ao conceito de identidade coletiva, Cardoso, Batista e Graça (2016) recorrem às contribuições de Castells (1997). Cardoso, Batista e Graça (2016) enfatizam, assim, que a identidade profissional tem natureza dinâmica, e assim é construída e (re)construída a cada nova interação.
Estudos da narrativa
Enquanto, na segunda avaliação, como mostra Bastos (2005), o narrador mantém a carga dramática da avaliação, expressando os efeitos da narração, por meio de recursos discursivos como: intensificadores lexicais, fonologia expressiva e repetições. Como explica Moraes Bezerra (2007), embora Labov não tenha focado a narrativa como construção, mas sim sua representação, sua importância e pioneirismo nos estudos narrativos não podem ser negados.
Narrativa conversacional
Estudos da narrativa- avaliação
A respeito do primeiro termo, o autor diz que, “a reportabilidade é o atributo daquilo que é narrado de acordo com os valores culturais de cada povo e adaptação à situação de fala” (LIRA, 1987, p. 104). Em síntese, segundo Lira (1987), a avaliação é um elemento muito valioso na narração, por expor o ponto de vista do narrador sobre o acontecimento narrado.
Narrativa conversacional- avaliação e posição moral
Além disso, narrativas relativamente externas podem relacionar conteúdos temáticos relacionados com o tópico atual ou foco de atenção (OCHS e CAPPS, 2002, pp. 36-3726). Segundo Ochs e Capps (2002, p. 45)28 “narrativas pessoais não apresentam relatos abrangentes e objetivos dos acontecimentos, mas sim perspectivas sobre os acontecimentos”.
Relatos de vida
Portanto, Linde (1993) traz o conceito de coerência para as histórias de vida, o que significa que as histórias precisam de elementos que as legitimem. Linde (1993) também enfatiza o fato de que as histórias de vida funcionam de acordo com a demanda social, pois é um trabalho coletivo entre os membros de uma sociedade que estabelece critérios para o que é coerente ou não.
Autobiografia
Contudo, Linde (1993) destaca que embora as histórias de vida sejam complexas, isso não elimina a necessidade da existência de uma sequência, ou seja, uma cronologia. Segundo esses teóricos, a comparação entre as histórias de vida e o texto permite que a autobiografia se torne objeto de releituras de um mesmo acontecimento.
Narrativas autobiográficas de professores negros de inglês
Ferreira (2015) defende que a Alfabetização Racial Crítica deve estar imbuída da Teoria Racial Crítica, que vislumbra a geração de narrativas autobiográficas. A Teoria Crítica da Raça reconhece que o racismo é endêmico na sociedade americana, profundamente enraizado do ponto de vista jurídico, cultural e até psicológico.
Linguística Aplicada
Pennycook (2006, p. 74) explica que a ALC deve ser transversal, pois leva os linguistas aplicados “além de uma concepção de AL como uma disciplina fixa, além de uma visão de AL como um domínio de trabalho interdisciplinar”. Signorini e Cavalcanti (1998 apud FABRÍCIO, 2006, p. 4834) explicam assim que os estudos de AL centram-se “nas práticas linguísticas com interesse explícito em analisar a linguagem numa perspectiva interdisciplinar e interdisciplinar”.
Pesquisa Qualitativa
Assim, Denzin e Lincoln (2006, p. 17) afirmam que “qualquer definição de pesquisa qualitativa deve operar dentro deste complexo campo histórico”. 1997 apud FINE et al., 2006, p. 125) diz que “cabe a todos nós imaginar como dizer o que precisa ser dito sem comprometer os indivíduos e nutrir ideias sociais perversas”.
Prática Exploratória e pesquisa
Para ilustrar, Moraes Bezerra (2007) explica em sua dissertação como utilizou a Prática Exploratória como forma de discutir a formação docente com outros professores. Esta cientista concebeu sua pesquisa como uma forma de capacitar os professores, por meio das experiências compartilhadas naquele grupo, por meio da Prática Exploratória.
Descrição do contexto de pesquisa
Matheus é aluno do curso de Literatura Português/Inglês da Faculdade de Educação UERJ. Resumindo, comecei a entender o impacto do que significa ser professor de inglês negro no contexto em que trabalho.
Microcena 1- O início de tudo
Matheus conta que num primeiro momento viu o curso de Letras como uma alternativa, ou seja, uma segunda opção para alcançar outros objetivos. Através desta avaliação externa, Matheus partilha a sua perspetiva sobre a sua decisão de ingressar na Faculdade de Letras.
Microcena 2- A virada
Portanto, Miller e Moraes Bezerra (2004) defendem que o professor é um profissional que está em permanente construção. Esses autores afirmam que não existe apenas uma crise de identidade, mas também uma crise de.
Microcena 3- Status e prestígio: saber inglês
Por meio desse elemento avaliativo, Matheus propõe uma reflexão sobre o acontecimento narrado, ou seja, uma questão sobre a aprendizagem de uma LE que inclui questões de poder, afetando inclusive a construção da identidade dos indivíduos. A respeito desse espaço, Jordão (2013) o chama de posição intermediária, em que um falante de uma LE, ao se afastar de sua língua materna, não encontra a completude da LE.
Microcena 4- Quem é esse rapaz?
Esse fato, para Matheus, é de grande valia, pois entende que as pessoas não compreendem a existência de uma pluralidade de identidades (HALL, 2014). O que se observa nas ações avaliativas de Matheus, quando ele descreve o que as pessoas supostamente dizem sobre sua identidade “ele parece muito brasileiro, mas fala” (l. 21 e 22).
Microcena 5- Quem dizem que sou?
Dessa forma, ele especula que o questionamento sobre sua identidade deve estar relacionado às suas múltiplas identidades: negra, brasileira, de origem popular. Assim, Matheus faz a seguinte afirmação: “sua identidade é construída em grande parte na forma como os outros o veem” (l. 13 e 14).
Microcena 6- Quando descobri quem eu sou?
Nas linhas 3 a 5, Matheus explica o dilema que viveu: “Não sei vocês, a experiência é minha, não minha, descobri que era negro, embora sempre tenha nascido negro, de pele morena, de feições negras, com cabelos cacheados. cabelo, mas é uma coisa de construção. Assim, Souza (1983, p. 21 apud BENTO, 2014, p. 54) explica que o processo de branqueamento é entendido como “a construção de uma identidade branca que os negros foram obrigados a desejar”.
Microcena 7- Como chegar lá?
Por isso, ele alerta que é importante que ele tenha adquirido essa consciência, mas está preocupado com as pessoas de fora da universidade. Intrigado com a premissa de Matheus, perguntei: “e por que você acha que não é suficiente?” (l.1).
Microcena 8- A escola
Por isso Matheus diz nas linhas 22 e 23 que “a gente não faz por despeito, mas talvez seja uma coisa que fica aqui”, ou seja, a pesquisa deve estar conectada à sociedade. Além disso, é uma pesquisa baseada nos princípios colaborativos da Prática Exploratória que busca a integração entre os participantes para que todos exerçam sua agência (MILLER e MORAES BEZERRA, 2004).
Microcena 9- O contexto faz a diferença
Com estes recursos de avaliação, conto a experiência que tive como professora de inglês em escolas marginais, em oposição a escolas de elite. Nas linhas 26 a 33, explico também que por conta do impacto que sofri como professora negra de inglês em ambientes de elite, resolvi mudar o tema do meu projeto de mestrado.
Microcena 10- Empoderamento
Além disso, nas linhas 20 a 26, Matheus acrescenta a importância das histórias de vida de outras pessoas negras para a transformação de sua identidade profissional (LINDE, 1993; CARDOSO, BATISTA, & GRAÇA, 2016). Além disso, nas linhas 41 a 46, justifico a expressão utilizada no título do meu trabalho, “unindo forças”, pois acredito que por meio da escuta pedagógica (MORAES BEZERRA, 2007) é possível intensificar tanto o ensino quanto a pesquisa.
Microcena 11- Palavras finais
Por meio de suas contribuições, pudemos construir significados sobre nossas identidades, especialmente as identidades de professores negros de inglês. Prática exploratória, espaços de formação e formação crítica de professores de inglês: a visão híbrida de um formador de professores.