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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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O presente trabalho desenvolve-se, no entanto, a partir de uma forma de compreender o fenômeno da violência pelas lentes da descoberta do acontecimento existencial, que oculta e revela fenômenos. O pressuposto da existência de uma entidade central e encapsulada, dotada de atributos próprios e que interage, de uma forma ou de outra, com o ambiente externo considerado, é então um pressuposto comum de tais propostas a que foi tratado.

O paradoxo da extinção da violência

O correto é simplesmente se adaptar ao que está diante de você; somente o verdadeiro revela a essência e o ser do aparente. É uma imersão numa camada factual de preconceito tão profunda que se torna invisível como tal, desaparece como oportunidade de lidar com as coisas para se consolidar como um comportamento único e óbvio, inegável, do qual nem faz sentido duvidar.

Diretrizes para uma paz intangível

Para isso, será necessário descrever fenomenologicamente os modos de compreensão da violência absorvida e abreviada pelo meio, para que seja possível compreender além dela, de forma relacionada ao ser-aí. É este ponto de partida do homem como substância intemporal que terá de ser frustrado, para dar lugar ao aparecimento de outras formas de lidar com o fenómeno da violência.

Insuficiência compreensiva

Como um apêndice que pode ser removido para que fiquemos com uma versão pura e correta do homem, na qual só cabe a paz. O atual conceito de técnica, que, segundo Heidegger (2007, p.376), é “de determinação instrumental e antropológica”, centra-se numa relação entre a produção de determinados resultados, na qual se desenvolve, independentemente da maior complexidade ou menor. , um instrumento que pode ser possuído como meio para um determinado fim. Porém, é precisamente nos frágeis vestígios da vida que está o lugar do acontecimento, onde ele pode ser acompanhado.

É a partir da fragilidade da existência que se abre a possibilidade do autotratamento, como forma de expor o atento ao inexorável estado de inadequação. É, mais fortemente, da tensa relação entre esses movimentos existenciais que surge a possibilidade de reflexão, que é o que buscamos nesta pesquisa.

Fundamentos para o desdobrar e o aparecer

Husserl e a suspensão da tradição

Num resgate da filosofia grega, o termo fenômeno aponta para o que pode ser definido como aquilo que brilha ou aquilo que aparece. Por outro lado, a posição fenomenológica rege o gesto suspensivo husserliano5, e propõe-se relacionar-se apenas com o que é dado à experiência tal como ela é dada: isto é, ao fenómeno. Qualquer percepção traz estritamente tanto o que é percebido quanto o que pode ser considerado uma oportunidade de ser revelado.

Estas considerações constroem o conceito de experiência como algo que não é factual, mas sim uma experiência de consciência transcendental processada como temporalização e através de certas estruturas intencionais. Aqui é necessária uma advertência aos insights que temos sobre o “eu transcendental” e a “experiência”, para que não caiam numa compreensão idealista de uma consciência que contém os seus objectos e uma experiência de um sujeito interno.

Dilthey e a imersão hermenêutica

Está, portanto, em contraste com a direção metafísica das ciências naturais, que separa os fenômenos de suas profundezas vitais. Tal como apresentado no capítulo anterior, parece que é precisamente nas ciências naturais que a questão da violência é habitualmente utilizada. A distinção entre ciências explicativas e ciências descritivas, distinção que é a base do nosso trabalho aqui, corresponde ao uso terminológico.

Assim como as ciências naturais encontraram para si um método que converge com seus objetos, e um método que se revelou útil para elas, Dilthey (2011, p.29) entende que as ciências. É neste ponto que se baseia a crítica de Dilthey, que nos direciona para o movimento hermenêutico, ao mesmo tempo em que consolida a primazia do movimento de retorno dos fenômenos aos seus campos originais de intenção dentro das humanidades, já que o objetivo é compreender e descrever o que acontece, como acontece . acontecer.

Heidegger e o caminho para uma ontologia fundamental

A pergunta pelo ser e a ex-sistência

Desta forma, a ontologia fundamental está condicionada à análise existencial – isto é, à explicação da estrutura existencial do ser-aí. As estruturações e mobilizações históricas do mundo são igualmente relevantes na análise existencial dado que o “mundo” a que se refere é constitutivo do modo de ser do ser-aí, é um horizonte ao qual o ser-aí está sempre aberto, sendo . constituída e constitutiva, numa relação de coemergência. Assim, a compreensão do ser, típica da presença, inclui de forma igualmente original a compreensão do mundo e a compreensão do ser dos entes que se tornam disponíveis no mundo (Heidegger, 2005, p.39-40). .

No que diz respeito ao conceito de mundo, ele deve ser estudado para que não apareça como um conceito auxiliar, mas como o cerne da caracterização existencial do modo de estar ali – o habitante-do-mundo. Nessa passagem, Heidegger destaca o caráter ontológico do mundo como horizonte completo, que está umbilicalmente conectado com o modo de estar nele.

Possibilidades e indeterminação

Se a compreensão se refere a esse ser que está sempre localizado e em relação significativa com o mundo, ela se refere, portanto, ao modo próprio de ser do ser-aí. O caráter essencial do poder-ser do ser-aí é a revelação de sua dinâmica existencial, pois revela a relação ex-existente desse ser. Como destacado na citação anterior de Heidegger, “Em primeiro lugar, ela [presença] é a potência do ser”, o que explica que o ser-aí é em princípio nada: precisamente o poder-ser.

E para esse alerta é preciso lembrar que o poder-ser que indica o modo de ser do ser-aí primeiro se torna visível em meio às possibilidades que esse ser possibilita. Sempre, porque a marca ontológica do poder-ser não é algo que possa ser reprimido pelo exercício das possibilidades de ser que o aí-ser realiza.

Impessoalidade e singularização

Ao se tratar de seres intraterrestres, também aparecem entidades ao ser que está ali, cujo modo de ser também se baseia na potência de ser. Como ser privilegiado, Heidegger tenta alcançar uma ontologia fundamental através da descrição de existenciais que estruturam a forma de mostrar o ser-aí. Ser contra esta tendência é de alguma forma capaz de abolir a força prescritiva da facticidade e restaurar o caráter do poder de estar ali.

A mundanidade do mundo mantém-se pela conformidade dos utensílios com as suas áreas-alvo e pelo significado que confere ao poder de estar presente nos projectos 'em função de', orientando, orientando e posicionando as suas actuações. Isto significa que em Ser e Tempo a mobilidade do mundo está condicionada a uma forma única e específica de reconfiguração existencial do ser-aí.

Aberturas à questão da violência

Com este passo, Heidegger separa a temporalidade do mundo da temporalidade do ser-aí, recrutando a necessidade de pensar as articulações históricas a partir de uma perspectiva diferente da do ser-aí. É precisamente neste ponto que urge abrir o próximo capítulo, para refletir sobre o acontecimento apropriado. O projeto de Ser e Tempo não termina como planejado devido à mudança no horizonte hermenêutico observada quando Heidegger se dedica às discussões sobre o evento apropriativo.

Nesse sentido, seguindo o gesto de Heidegger, tornou-se necessário neste capítulo descrever a estrutura existencial do estar ali, assim como é igualmente necessário ir além dela para compreender a questão da violência: a busca pela ontologia da violência. é preciso retirar o ‘ser-aí’ do eixo em torno do qual o mundo se articula, e fazer uso das noções de acontecimento apropriativo, para que seja possível engajar-se com o que Hannah Arendt apresentará como uma estrutura totalitária, e que O próprio Heidegger abordará a questão da tecnologia. Estas são as possibilidades de compreender a violência para além do indivíduo e do ato de vontade: para além da sua caricatura genérica.

Acontecimento apropriador: o ser-aí não mais como medida de rearticulação

Seer enfatiza a ênfase heideggeriana no exame da dinâmica do evento apropriativo, em vez dos aspectos existenciais de estar lá. A dinâmica que Heidegger aponta ao elucidar a questão do evento apropriativo é a de romper horizontes históricos, que determinam modos de ser e de estar-aí. Porque um horizonte histórico irrompeu, ele não está disponível para mudanças voluntárias e muito menos para a ação existencial de estar ali.

Não há possibilidade de ruptura com uma época, como Heidegger aponta no evento apropriativo a descentralização do papel do estar presente no estabelecimento de horizontes históricos. Talvez isto dê origem à imagem da imobilidade geral de estar presente face aos acontecimentos apropriativos e aos mundos históricos por eles perturbados.

A desmedida da técnica e o nada

Tal abordagem da questão pode gerar estranheza, como aponta Heidegger (2007, p.380) a seguir, mas isso é de se esperar para que se possa abrir à essência da técnica. HEIDEGGER, 2007, pg.389), ou seja, na existência da moldura, a essência da técnica permanece obscurecida como desvelamento. Para tornar visível essa possibilidade de garantir a visibilidade das descobertas, Heidegger (2007, p.394) enfatiza que é preciso ver a essência da técnica, e não apenas olhar para a técnica.

Esta seria a “salvação”, entendida como “a percepção protetora (Wahrnis) da essência da verdade” (HEIDEGGER, 2007, p.394), da verdade como ocultação. A salvação se dá, portanto, a partir da essência da técnica, a mesma técnica que põe em perigo ambiguamente a relação com a essência da verdade (HEIDEGGER, 2007, p.394).

A desmedida do totalitarismo e o ninguém

Quando os homens são reduzidos e nivelados a seres a serem eliminados, a uma “coisa simples” (ARENDT, 2012, p. 582), o movimento totalitário provoca o desaparecimento de noções de identidade, distintividade, caráter e tantas outras que asseguram uma existência comum. experiência distinta de importância, lugar e diferenciação no mundo. O primeiro passo do regime totalitário nazista foi matar a pessoa jurídica do homem (ARENDT, 2012, p. 594), formando certas categorias de pessoas dele excluídas. Nus, colados uns aos outros, urinam, evacuam, vomitam e morrem lado a lado: “[..] o que é preciso entender é que a psique humana pode ser destruída mesmo sem a destruição física do homem; que na realidade a psique, o caráter e a individualidade parecem, sob certas circunstâncias, manifestar-se apenas na velocidade ou na lentidão com que se desintegram” (ARENDT, 2012, p.585).

Esse processo continuou com a chegada deles aos campos, raspando os cabelos e vivendo em condições inseguras explorando seus corpos, destinados a matar em doses homeopáticas, destruindo inevitavelmente a condição humana: “A principal característica do homem de massa não é ela. não é nem brutalidade nem grosseria, mas sim o seu isolamento e a falta de relações sociais normais.” (ARENDT, 2012, p.446). A tentativa de compreender os elementos dessa experiência contradiz o senso comum que se recusa a acreditar que tudo é possível (ARENDT, 2012, p.585), inclusive as atrocidades cometidas.

A alteridade como oásis e refração

Este é o ponto que possibilita relacionar-se com o outro não como coisa, mas como ser de potência atravessando possibilidades atualmente configuradas. Nisto tanto se afirma a indeterminação que existe em meio às determinações existenciais como se trata o outro no mesmo tom. É com quem, e não com o quê, que se relaciona, na modificação de noções limitadas de propriedades, com os inputs libertadores do ser-poder que vêm à tona.

Ao mesmo tempo que estes referenciais metafísicos se revelam distantes do ponto de vista ontológico, foi, metodologicamente, precisamente pelo esgotamento do limiar que o pórtico foi abordado de um ângulo mais amplo e consciente das suas limitações. Este foi o propósito deste trabalho: buscar resolver alguns fios conceituais que limitam as formas de compreender a violência e tornam repetitivas, desgastantes e desiludidas as formas de lidar com ela, de modo a navegar por diferentes águas.

Referências

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Professor Adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO Professor Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ Doutor em Direito pela Universidade