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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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CONPAS Comissão Nacional de Psicologia em Assistência Social CRAS Centro de Referência em Assistência Social. Nesse sentido, problematizo as regulamentações técnicas da política de assistência social brasileira, o exercício da psicologia no âmbito do CRAS e os discursos que circulam nesse ambiente.

Psicologia e PNAS: breve histórico

Contudo, os maiores avanços ocorreram durante o governo Lula com a criação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) em 2004, bem como a implementação do Sistema Uniforme de Assistência Social (Sistema Único de Assistência Social) (SUAS), em 2005. O governo Lula (2003) foi o primeiro a implementar um Ministério exclusivo de Assistência Social (BRASIL, s.d.).

Caracterização do trabalho no PAIF

27 Isso envolve “articulação da rede de assistência social de proteção social básica referente ao CRAS; promover a coordenação intersetorial e a busca ativa” (BRASIL, 2009b, p. 19). Contudo, declarar que as ações do PAIF não devem ter caráter terapêutico não significa negar a importância do trabalho com a subjetividade36 neste serviço, uma vez que as pessoas são reconhecidas pela PNAS como “historicamente constituídas pelo entrelaçamento do subjetivo e do objetivo” (BRASIL, 2012a, p. 19).

PAIF e gênero: referenciais teóricos para psicólogas(os)

Em relação à regulamentação do PSB, as cartilhas de orientação técnica do CRAS (2009b) e do PAIF (2012ab) não mencionam explicitamente o conceito de gênero. Ou seja, para o serviço, género significa a atribuição/introjeção de posições sociais (identidades de género - conforme a primeira citação previamente selecionada), que estarão diretamente relacionadas com o acesso de cada pessoa às diversas oportunidades de viver em sociedade, ou seja, é estruturação da vida social.

Subjetivação e produção da diferença

Por fim, o item “d” ou dimensão da identidade subjetiva ou nível individual que se refere a como homens e mulheres “adotam para si o conteúdo das imagens simbólicas do discurso cultural e institucional” (LYRA, et al., 2014, p. 99). Portanto, são mecanismos que dependem do conhecimento adquirido por meio da linguagem (verbal e não verbal – transmitido/absorvido em cada nível de classificação mencionado acima) e que exigem discriminação sobre as características assumidas, não apenas do gênero com o qual o indivíduo se identifica , mas também o género com o qual o indivíduo se identifica. também do ‘oposto’, bem como das percepções decorrentes das diferenças de classe e raciais (entre outras), condição que faz com que hierarquias sejam estabelecidas no nível intragênero e os oprimidos se tornem opressores – e vice-versa – de acordo com diferentes contextos que circulam. Ou seja, pressupõe-se que, embora no serviço observemos relações sobretudo entre mulheres (profissionais e utentes), existe um contexto de experiências distintas, o que pode levar a – sustentado pela prevalência de uma perspectiva baseada no branco, padrão burguês e cisheteronormativo, sem um diálogo real que inclua as expectativas e preferências das usuárias dos serviços – por um lado, discursos que não problematizam e articulam marcadores sociais que constituem privilégios e opressões intragênero, destruindo assim o status quo mantido e Por outro lado, é uma acção que se apoia no paternalismo e na condescendência e que cria um lugar ‘diferente e inferior’ para as mulheres negras e pobres.

Sendo o género um processo social que também se produz no seio das famílias e estas são os grupos focais de trabalho no PAIF, avançar no desenvolvimento do nosso problema de investigação, nomeadamente compreender como os psicólogos trabalham a igualdade de género intrafamiliar no Serviço, em no próximo capítulo discutiremos os estudos.

Contextualização dos estudos sobre famílias e gênero

No que diz respeito às pessoas que têm acesso ao mercado de trabalho formal, podemos citar, por exemplo, que a Convenção Brasileira nº. Ou ainda que as mulheres empregadas ou especialmente seguradas têm licença maternidade vinte e quatro vezes mais longa que a licença paternidade47. Relacionado com este resultado, os locais com maior incidência de emprego regulamentado por mulheres foram aqueles onde o estado garantiu equipamentos de saúde pública suficientes.

Nesse sentido, o emprego com tarefas não compartilhadas no âmbito familiar dificulta significativamente o acesso das mulheres pobres ao mercado de trabalho, pois ao ingressarem (pois também têm menos tempo para se qualificar) acabam exigindo atividades com horários mais flexíveis/em ocupações de meio período ou menos valorizadas49 (o que implica salários mais baixos), além de serem discriminadas por algumas empresas que viam como negativos os direitos trabalhistas relacionados à maternidade (tanto que as mulheres são as primeiras a serem demitidas em tempos de crise).

A(s) família(s)no PAIF

Isso também acontece no formulário de solicitação do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) – incluindo a inclusão no Programa Bolsa Família (PBF)50 – e nestes casos de forma restritiva. No conceito PNAS, existem regras explícitas sobre a convivência “sob o mesmo teto”. Nos demais cadastros, este estudo tem como objetivo determinar a renda domiciliar per capita e sua adequação nos perfis de participação em programas sociais. Quanto ao papel da família para a PNAS, devemos compreendê-lo na perspectiva do capitalismo neoliberal que, orientado pela lógica do Estado mínimo – que inclui a redução dos gastos com políticas sociais – também privatiza o cuidado, ou seja, o cuidado. As famílias são chamadas a ser as principais responsáveis ​​pelo cuidado dos seus membros.

Com base no que foi apresentado, parece que embora se leve em conta a diversidade de arranjos familiares e a não discriminação de pessoas (baseada em critérios de gênero, orientação sexual, identidade, etc.), o que fica evidente no trabalho proposto .

Equidade de gênero intrafamiliar no PAIF

Como o PAIF prioriza o atendimento às famílias beneficiárias do Bolsa Família (PBF) – e geralmente é por exigência desse programa que os usuários do PAIF acessam esse serviço – é comum que as famílias optem por indicar o mesmo identificado no cadastro do CRAS. responsável familiar como titular do cartão PBF. As regras do serviço certamente não parecem indicar que as atividades também foram pensadas para pessoas com esses perfis. Portanto, o trabalho sobre a igualdade no seio da família não tem uma base consistente no Serviço, ainda mais se considerarmos as suas propostas para promover o empoderamento e a independência das mulheres.

Neste capítulo discutimos como as questões de gênero estruturam a dinâmica das famílias usuárias do PAIF. Vimos que o perfil esperado para as famílias beneficiárias do Serviço segue um padrão cisheteronormativo associado à composição de uma família nuclear burguesa ou monoparental. pelas mulheres e ainda que o caminho proposto para trabalhar a igualdade de género intrafamiliar no Serviço se encontre na chamada consciência de género preconizada pela segurança social como “desenvolvimento da autonomia”.

Construção da pesquisa

A presente pesquisa teve como objetivo compreender como os psicólogos da cidade de São Luís - MA trabalhavam com a questão da igualdade de gênero no âmbito familiar no CRAS, pois, como vimos, é um tema essencial para o contexto desses centros e para o desenvolvimento disso. faz parte das diretrizes do regulamento técnico do PAIF. Certamente, revisitar os materiais técnicos e as experiências a partir de uma perspectiva de estudos de género fez com que o PAIF parecesse novo para mim. Nesse sentido, o planejamento do roteiro de entrevista semidirigida (ver Anexo B) teve como objetivo abordar quatro pontos que me questionavam como profissional do PAIF (e a pesquisa mostrou que tenho importância nacional dentro da prática da psicologia no CRAS ), nomeadamente: 1) formação para trabalhar com questões de género na assistência social e integração nesta área; 2) o papel dos psicólogos no PAIF; 3) percepção da relação entre famílias-mulheres-usuárias e mulheres-profissionais-psicólogas e 4) o desenvolvimento do tema da igualdade de gênero na família no serviço a partir dos fatores previamente examinados.

Dentre os entrevistados, três deles eram desconhecidos para mim, os outros dois conheci no CRAS quando trabalhava em São Luís.

Participantes

Daniela: 36 anos, branca, sem religião, trabalhou como psicóloga durante oito anos (mesmo período no CRAS), natural de São Luís - MA, formada pela UFMA e com renda acima de três salários mínimos. Eliza: 36 anos, branca, católica, 13 anos atuando como psicóloga (sete meses no CRAS), natural de São Luís - MA, formada pela UNICEUM e possui renda acima de três salários mínimos.

Gráfico 1 – Idade das psicólogas dos CRAS ludovicenses
Gráfico 1 – Idade das psicólogas dos CRAS ludovicenses

Na ilha de Upaon-Açu

Segundo NOB-SUAS (2005), a equipe mínima de cada um desses centros deveria ser composta por quatro técnicos de nível superior (dois assistentes sociais, um psicólogo e outro profissional constituindo a equipe do SUAS). número insuficiente de profissionais e ausência de diversos cursos de formação obrigatórios. Portanto, a Assistência Social de São Luís está proibida (até a realização do concurso público) de renovar contratos ou contratar novos funcionários. Por exemplo, muitos profissionais saíram do CRAS (e alguns outros sairão nos próximos meses) por término de seus contratos.

A solução dada pela Secretaria foi transferir para o CRAS alguns psicólogos e assistentes sociais que estavam lotados na própria SEMCAS, o que não foi suficiente para preencher todas as vagas necessárias para completar as equipes.

Formação e inserção no campo da Política de Assistência Social

Analisamos seus currículos quanto à presença dos temas: psicologia social e comunitária, políticas públicas e gênero, e procuramos identificar se apareciam como disciplinas específicas ou mesmo como temas transversais, obtendo os seguintes dados (pesquisa realizada em dezembro 2017): A assistência social é discutida exclusivamente em relação às políticas voltadas para crianças e adolescentes. a ênfase está na política de saúde). Como vimos, todos os cursos ludovicenses possuem disciplinas de psicologia social; Cinco deles possuem especialização em Políticas Públicas e quatro possuem disciplina exclusiva em psicologia comunitária.

Será importante verificar em pesquisas futuras as consequências dessa mudança na diversidade de escolha de áreas de atuação dos psicólogos recém-formados, bem como suas percepções quanto às suas capacidades técnicas/teóricas para atuar na Assistência Social com gênero.

Tabela  1  –  Avaliação  dos  conteúdos  de  gênero  e  Assistência  Social  nas  disciplinas  dos  cursos de psicologia de São Luís - MA
Tabela 1 – Avaliação dos conteúdos de gênero e Assistência Social nas disciplinas dos cursos de psicologia de São Luís - MA

O exercício profissional

Aqui acontece que a coordenadora não entende que existem algumas diferenças éticas e profissionais entre o que faz uma assistente social e o que faz uma psicóloga, por exemplo ela insiste que eu tenho que fazer com que pareça um aluguel social... e eu digo , que é um documento exclusivo da assistente, e ela me diz: “mas o que é isso. Na minha pesquisa de monografia (CASTRO, 2011), identifiquei muitos psicólogos que afirmavam exercer a profissão no PAIF sem sequer perceberem que isso não fazia parte de suas atribuições nesse contexto. O que precisa ser feito é uma escuta qualificada dos aspectos subjetivos que envolvem situações de vulnerabilidade, para que isso possa ser trabalhado em grupo (BRASIL, 2012a).

Acho que o que realmente me diferencia é o fato de ter estudado mais que ela e neste momento estou aqui para recebê-la.

O trabalho com gênero e equidade intrafamiliar

Vanessa: E mesmo que você tenha notado questões de gênero como essa, você nunca agiu a respeito. Vanessa: Você acredita que o trabalho social com as famílias pode contribuir para a redução das desigualdades entre os sexos nas famílias usuárias. Mas acho que o tom de género que deveria ser usado quando se discute a violência contra as mulheres nem sequer é usado [porque se concentram apenas em explicar os regulamentos da lei].

Esta pesquisa nasceu da necessidade de compreender como os psicólogos do PAIF em São Luís desenvolveram o trabalho com questões de gênero. Você acha que o trabalho social com famílias pode contribuir para a redução da desigualdade de gênero nas famílias usuárias. O objetivo da pesquisa é analisar a atuação do psicólogo nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) de São Luís no que diz respeito ao trabalho com igualdade de gênero na família;

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Gráfico 1 – Idade das psicólogas dos CRAS ludovicenses
Gráfico  2  –  Universidades  de  formação  das  psicólogas  dos  CRAS  ludovicenses
Gráfico  5  –  Tempo  de  trabalho  como  psicóloga  das  psicólogas  dos  CRAS  ludovicenses
Gráfico 4 – Religião das psicólogas dos CRAS ludovicenses
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Referências

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