O campo de pesquisa é a ocupação de Manuel Congo, adjacente à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde vivem 42 famílias. ITERJ Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro MCidades Ministério das Cidades.
Rio de Janeiro e o desenvolvimento do espaço da cidade
Os sujeitos em condições de pobreza viviam de uma “economia de sobrevivência”, subempregados e viviam em favelas. Do imaginário de uma “classe perigosa” o que se vivencia agora é o do “inimigo iminente”, o que tem consequências na forma como o espaço público é construído e nos atributos políticos dos sujeitos.
O movimento nacional de luta pela moradia
ANAMPOS, que está a ser resolvido à luz das divergências entre os partidos políticos e da necessidade de uma nova forma de organização dos movimentos populares, separando as organizações sindicais dos movimentos populares. O MNLM conta hoje com uma estrutura com representações eleitas por delegados nas reuniões do movimento realizadas a cada três anos, sendo cada representação legitimada com a participação de um observador da coordenação estadual ou nacional.
O entrada no (do) campo
A partir deste contacto, comecei a trabalhar com o grupo de comunicação do MNLM, que tratava do tema dos despejos46. Em novembro de 2012, recebi um convite para prestar consultoria em um projeto de geração de renda49 que estava sendo desenvolvido na Ocupação Manuel Congo.
A pesquisa
A leitura da subjetividade foi possível através do estudo da sociabilidade criada no processo de ocupação. O diálogo com os diversos sujeitos da ocupação de Manuel Congo ajudou neste exercício de construção de cadeias de significados.
Mobilização
Optou-se então pela descentralização em reuniões semanais nos três centros, atendendo famílias que não podiam viajar e facilitando o contato com a comunidade; e uma reunião mensal, com menor poder de mobilização, no centro da cidade. Com exceção de Rosa (de ascendência católica e formada nas CEBs), as mulheres acima são evangélicas, embora de igrejas e denominações diferentes. 62 Não tive oportunidade de participar nas reuniões preparatórias para a ocupação de Manuel Congo, mas participei em algumas reuniões para formar um novo colectivo, primeiro chamado Solano Trindade, e agora João do Rio, que segundo os coordenadores tenta seguem a mesma metodologia das reuniões que foram realizadas para a construção da ocupação Manuel Congo.
Entrar no processo de ocupação é entendido como entrar numa “luta”, numa “luta” para atingir um objetivo que é considerado um direito fundamental de todos, mas que não pressupõe a garantia da vitória. Os interesses individuais de ocupação são reforçados nesta construção coletiva e, durante o processo de ocupação, influenciam o desenvolvimento de uma sociabilidade cotidiana especial, o que também gera novas contradições, das quais tratarei mais adiante.
O “forró”, o dia da ocupação
Este mesmo prédio já estava ocupado por famílias da ocupação do Quilombo das Guerreiras em novembro de 2005, mas foi despejado na mesma noite (ver Anexo II). 70 O coletivo Ocupação Quilombo das Guerreiras, inicialmente organizado pela Frente Iternacionalista dos Sem Teto (FIST), Frente de Luta Popular (FLP) e Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), fez a primeira tentativa de ocupação em 4 de novembro, 2005 no actual edifício da Ocupação Manuel Congo, mas foi expulso. Vinte dias após a distribuição dos espaços, a coordenação autorizou a instalação de uma cozinha nos alojamentos familiares e, cerca de um ano após a ocupação, os moradores foram autorizados a levar consigo seus pertences.
As negociações foram conduzidas entre o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) e órgãos estaduais, como o Ministério das Cidades, o INSS (como proprietário que ajuizou a ação de reintegração de posse), a Caixa Econômica Federal e o Instituto de Terras e Cartografias do Estado do Rio. de Janeiro (ITERJ), ajudando a legitimar a ocupação e a aliviar a pressão policial, que constantemente aparecia às portas da ocupação. Isso beneficia o MNLM com mais tempo para organizar e realizar duas ações importantes: Durante a III Conferência Nacional das Cidades, realizada em novembro de 2007, a coordenação nacional do MNLM RJ, em conjunto com membros do Conselho Nacional de Reforma Urbana, entregou diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta-manifesto da ocupação Manuel Congo, e ele se compromete a resolver o problema.
A organização funcional do espaço ocupado
Há cerca de um ano instalaram duas câmeras de vigilância na entrada, uma externa na fachada do prédio e outra interna no primeiro andar. A proposta do MNLM é que estes custos futuros sejam pagos através de um fundo cooperativo, que está em desenvolvimento. Os moradores o veem como resultado de um processo: ocupação, limpeza, adaptação e organização, permanência temporária em coletivo sem separação, compartilhamento de espaço, gestão e cuidado do prédio e, mais recentemente, geração de renda para a manutenção do espaço conquistado . .
A circulação de ar no interior do edifício é escassa devido à falta de um circuito bem organizado para o seu fluxo. A ligação entre “acontecimento extraordinário” e o ato de ocupar se dá pela compreensão de que a prática da ocupação traz significados conflitantes e inéditos para a relação.
Retratos
Dona Eneida
Seus pais faleceram recentemente e, apesar dos convites, eles nunca foram visitar os filhos no Rio de Janeiro. Eu tenho algo em mim que não gosto de estar com muita gente, assim que vejo que a pessoa é diferente de mim, sabe, fico triste. Não é nem porque eu não gosto de estar com gente, gosto de todo mundo aqui, não tenho reclamação de ninguém, mas me sinto muito mal.
As meninas, Eliana, que é mãe do Josef e da Taissa, ela diz que eu me sinto diferente das pessoas, que sou inferior, sem valor. Mas espere um minuto, não é como todo mundo, tem gente que vem na minha barraca e eu sinto, não me importa quem é como eu, mas outras pessoas gostam de mim.
Tânia
Em Costa Barros conheceu Roberto, que trabalhava em um restaurante e fazia obras, foram morar em uma casa alugada com quarto, sala, cozinha e banheiro. Tânia se formou em cursos profissionais de ascensorista e administração, por meio dos quais atuou por três anos como auxiliar administrativa em uma empresa, depois como secretária em local próximo à profissão e por fim como ascensorista, tudo sem carteira assinada. Depois que cheguei aqui, pensei que tinha mais responsabilidade, entendi mais as coisas.
Tânia: Quando cheguei no dia do evento, não consegui ver como estavam organizados, como eram feitas as reuniões, o que estava sendo trabalhado naquele momento. O Roberto voltou e foi lá uma vez e nunca mais voltou mas eu não levei nada lá tentei ver se conseguia mas o Roberto voltou e disse que não era para ficarmos lá então voltamos e acabamos pagando aluguel ( Tânia, dezembro de 2013).
Sueli
Mas Naldinho tinha dois filhos pequenos no Rio de Janeiro e toda a família, e eles decidiram que o melhor era voltar. Aqui é assim, pelo menos no que eu vivencio, no que eu sinto, ninguém te olha no jeito que você fala, no jeito que você age, existe uma simplicidade que você é assim e pronto, você é você humano Tem seus defeitos e suas qualidades, por mais defeitos que tenha, porque ninguém é santo. Se tem uma coisa que me orgulho até hoje é porque tenho amigos que foram para São Paulo, que moram aqui no Rio, "ah, porque moro na cidade grande, porque tenho um emprego melhor , Eu estou melhor".
Mas do jeito que está hoje (ocupação), a importância de poder ficar aqui até hoje, de estar nessa fase de construção, de saber que todos os apartamentos estarão prontos, vejo que ganhei, né? porque tenho meus parentes aqui. Mas se eu tenho minha casa hoje, e não dependia deles para tê-la, e não dependia de dinheiro para tê-la, e tudo que eu tenho foi por causa da luta, por causa da luta que eu me dei através, pela necessidade que tínhamos, que eu não queria passar a vida inteira pagando aluguel e não via outra forma de sair do aluguel a não ser participando dessa luta, mas por baixo de tudo está uma sensação de vitória, pelo menos isso, ter algo para meus entes queridos, filhos, um futuro melhor em um lugar bom para eles, foi bom, estou feliz com minhas bênçãos.
Necessidade, agenciamento e confiança política
Mas comecei a gostar dela quando chegou a ordem de despejo no Cine Vitória e ficamos numa situação de “como vamos fazer?”. Houve reuniões e todos falamos: “se vier a ordem de despejo, vamos resistir, vamos resistir”. As pessoas diziam “ah, mas como vamos resistir, tem muitas crianças, muitos idosos, nosso povo é muito velho, as crianças também”.
E no dia da partida, depois dessa ordem de despejo, lembro dela dizendo: “Vamos embora, mas não vamos sair demonstrando derrota, vamos sair com uma bela manifestação na rua, vamos fechar a avenida. saímos para fazer manifestação na frente do CEHAB, lá ficamos e cantamos nossas músicas, que até o Marcos (filho) disse na época que éramos mendigos (risos), que dormíamos na rua e comíamos na rua.
Sociabilidade interna e hierarquia
A coordenadora estadual Mariana, residente de profissão, é pastora da Igreja Batista, assim como seu marido92, e também Isac, membro da coordenação local, casado com Fátima. Contudo, entende-se que são compensados pela manutenção da ocupação, e por aspectos como a possibilidade de manifestar os seus desejos e interesses em reuniões colectivas. A composição dos principais dirigentes do órgão de coordenação política pouco mudou desde o início da ocupação, não existindo actualmente qualquer disputa sobre esta posição.
Ao longo do processo de ocupação, após as primeiras expulsões, construiu-se uma representação coletiva da hierarquia e da forma de organização estabelecida, expressa nas categorias de “coordenação” e “ocupante”. Ou seja, a autoridade e a prática de coordenação do Movimento são compreendidas pelos moradores dentro de uma lógica de autoridade vivenciada nos ambientes residenciais anteriores da ocupação, correspondentes ao padre, ao padre, ao.