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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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O modus operandi da prática discursiva analisada se dá por meio de enunciados destacados que lhe conferem um tom proverbial. Minha tese é, portanto, que estamos diante de uma prática discursiva condizente com as características do fascismo contemporâneo, em que há um refinamento de discursos que limitam as liberdades.

O referente corpo

Já destacamos na introdução que o corpo não se limita ao aparato biológico, à sua forma tangível. Portanto, quando refletimos sobre os corpos, refletimos também sobre as histórias em que os corpos se transformam e a história que faz do corpo o que é num determinado momento.

Corpo ou corpos?

Corpo-objeto

O sistema de poder disciplinar se apresenta nas instituições pelas quais os indivíduos necessariamente passam ou passarão: a escola, o hospital e o quartel. Outra demonstração dos princípios do poder disciplinar é mostrada no fisiculturismo através das definições de corpo estabelecidas pela IFBB (Federação de.

Corpo-propriedade

Nesse sentido, as operações de “mercado” que o sujeito realiza estão vinculadas ao que o sujeito representa como titular de um imóvel. Esses corpos podem ser considerados propriedade na medida em que o sujeito demonstra sua capacidade de superar tudo o que é percebido como obstáculo.

Corpo-troféu

A partir disso, Foucault recorre à distinção entre enkrateia e sophrosune para abordar a questão da moralidade do sujeito enquanto ele trabalha sobre si mesmo. Aqueles que trabalham consigo mesmos e se voltam para os valores estão, na verdade, agindo com sabedoria, dando aos seus desejos e prazeres o devido lugar.

Bodybuilding ou fisiculturismo?

No capítulo anterior apresentamos o que consideramos mais adequado para este trabalho em termos dos significados simbólicos que podemos atribuir à fisicalidade na nossa situação. Queremos tecer relações entre a prática da musculação e as circunstâncias históricas, ou mostrar que não se trata de uma sucessão de fatos, mas de consolidação de exercícios em determinados momentos.

Um pouco de história

Os corpos que aparecem nas competições dessas décadas são muito semelhantes aos vistos nas competições atuais. O que aconteceu nas décadas de 1960 e 1970 foi um desenvolvimento crescente da prática à medida que os corpos apareciam em campeonatos cada vez mais definidos.

Que prática corporal é esta?

Um fisiculturista ou alguém que usa o mesmo estilo de treinamento trabalha metodicamente grupos musculares e usa diferentes aplicações de força para construir o corpo. Para atingir o nível de hipertrofia, o atleta ou alguém que utiliza esse estilo de treinamento deve passar por fases.

Aspectos da prática na contemporaneidade

Esta categoria é voltada para homens que praticam musculação para se manter em forma, e que praticam uma alimentação saudável e balanceada, mas que preferem desenvolver um físico menos musculoso, com aparência atlética e esteticamente agradável. FITNESS Coreográfico - Conceito introduzido pela IFBB no início dos anos 80 e oficializado em 1996, em resposta ao aumento da procura por competições para mulheres que preferem desenvolver um físico menos musculoso, ainda atlético e esteticamente agradável.

Biopolítica: vozes utilitaristas na construção do corpo

A partir do momento em que a ideia de governo é percebida como prática, o foco muda. Uma lógica de mercado permite à população simplificar suas relações com a vida em sua complexidade, e essas relações adquirem o status de mercadorias nas quais os indivíduos agem de acordo com as diretrizes de uma arte de governar.

Performance: entre o uso e o cuidado de si

O homem realizador é aquele que responde aos apelos de uma lógica que preconiza o bem-estar com o corpo, consigo mesmo, com a família, com o ambiente de trabalho, com o cônjuge e com tudo o que lhe diz respeito. Tudo isto está no mesmo caminho de uma política social13 em que os indivíduos têm o cuidado de se protegerem contra os riscos. Portanto, o tema da musculação é performativo, cumprindo os imperativos de uma lógica em que é preciso investir incessantemente em si mesmo.

Fisiculturismo: construção de músculos, atuação empresarial

Um corpo musculoso passa a ser uma escolha não relacionada à estética ou à saúde, mas ao perfil de um indivíduo que se vê como empresário. O que está sendo fabricado não é apenas o perfil corporal de um fisiculturista, mas o corpo (simbólico) de um empresário. Portanto, as práticas necessárias à produção e manutenção de um corpo hipertrófico tornam-se indicadores de superação de um modelo de vida que parece estático.

Análise de uma prática discursiva: análise de um processo

Por fim, vale explicar que nos apropriamos de um verso de Drummond para intitular este capítulo porque analisar um discurso significa lidar com o naturalizado, o instituído, o socialmente familiar. É linguístico um discurso que não aparece no nível textual pela “escolha” de um tema; um discurso é histórico, pois só é possível dizer o que é dito em determinada situação; um discurso é social porque em relação a outros discursos é constituído, instituído, reconstruído, limitado; um discurso é finalmente praticado por um sujeito que não é, mas se dá, se estabelece como tal, se posiciona para dizer o que diz, como afirma Foucault (2016). É possível, portanto, afirmar que um discurso é um campo gravitacional onde diversas forças em tensão interagem para confirmar a sua função.

Caracterização e descrição do corpus

Os textos que compõem esta tese estão presentes no ambiente virtual e são apresentados pela relação entre o verbal e o não verbal. Portanto, cabem algumas considerações sobre a relação entre o verbal e o não-verbal numa perspectiva analítica. Para tanto, foi necessário rever a centralidade do conceito de gênero para a obra e o perfil dos textos apresentados.

Marcas linguísticas

Vocábulos pertencentes ao campo da conduta

É possível supor que na prática discursiva que é objecto deste trabalho, a designação motivadora só pode ser aceite pelos co-falantes, só pode ser transmitida se as palavras que inclui pertencerem a campos afins, se o colectivo semes que pleiteia questões desta ordem. As palavras estão relacionadas às subjetividades, às verdades e à situação; formam um bloco semântico no qual o discurso se sedimenta. Não são palavras em si, mas palavras que funcionam na prática discursiva, pois as mesmas palavras, nos mesmos enunciados, apresentariam outros rumos se fossem agregadas a uma prática discursiva cujas particularidades fossem diferentes.

Verbos no imperativo

Portanto, uma formação discursiva inclui enunciados que se magnetizam, os quais estão ligados por relações muito estritas. Os objetos não aparecem numa formação discursiva apenas como aquilo de que se fala. Os enunciados que habitam uma formação discursiva fazem parte do trabalho realizado para estabilizá-la.

Um enunciado reitor: sem dor, sem ganho

  • Uma prática discursiva ordinária
  • O objeto da prática
  • Os enunciados da prática
  • Os conceitos da prática
  • As estratégias da prática

Tal homogeneidade refere-se então a um conjunto de regras que regem a estabilização da prática discursiva. As modalidades enunciativas da prática discursiva circulam porque estão relacionadas ao sujeito, mais precisamente à posição que ele ocupa. Através da tese de Foucault, vimos que os objetos da prática discursiva não existem de antemão, não são dados, mas são formados, produzidos.

Os discursos constituintes

A Aforização

A Aforização e o (s) outro (s) : interdiscursividade e intertextualidade

Nesse sentido, o interdiscurso é o resultado de um trabalho realizado sobre formulações discursivas já feitas e esquecidas. Desta forma, a existência do discurso está ligada ao necessário estabelecimento e à necessária reestruturação das diversas relações que se regulam no interior de cada formação discursiva. Haveria uma interpretação do texto fonte, cuja exclusão da fonte seria uma confirmação da posição.

Uma potente atividade discursiva: redizer

Em suma, não se trata de uma simples adesão ou mescla, mas de uma transformação fundamental e estruturante desta função discursiva. Este aspecto diz respeito a uma forma histórica de dizer as coisas, uma forma que sustenta as formas constitucionais sociais, que sustenta uma série de questões de ordem dita superior. Não é uma junção ou um trabalho deliberado do pregador conciliar o presente e o passado ou buscar afirmações já ditas no passado.

Os fisiculturistas: construtores de corpos e produtores de discursos

Portanto, apresentam as características da instituição de uma comunidade dentro da sociedade, mostram os valores por ela defendidos. O que importa quando falamos em comunidade discursiva é, nas palavras de Maingueneau (2008b), a articulação entre discurso e instituição, ou seja, a articulação que torna possível a formação de uma comunidade. Significa compreender que a instituição de uma comunidade é um imperativo para o próprio enunciado, haja vista que só é possível afirmar que existe uma prática discursiva se houver um grupo de sujeitos que professam essa prática.

Análises

Não é um rito individual, mas um rito que se conforma às restrições do próprio discurso. Assim, estamos diante de um enunciado que, na árvore da descendência pronunciada, se relaciona com o enunciado do reitor pelo mesmo viés de sentença. O não-verbal introduz o verbal na prática discursiva ao trazer a imagem de um sujeito musculoso.

Discussões

Enunciado reitor e aforização

É assim possível perceber a declaração do principal como um multiplicador, uma vez que esta declaração não é capaz de funcionar sozinha. Dadas as condições de produção com as quais trabalhamos e as análises que realizamos, é justo dizer que em termos de produção discursiva, um enunciado direto, mesmo que gere, não é suficiente para ampliar o enunciado que se pretende. sugere. Portanto, o que está na moda é a produtividade, uma afirmação condutora leva necessariamente à produção de outras afirmações.

Modo imperativo e tom proverbial

É antes de tudo uma sequência em que há coparticipação dos convocados. O tom proverbial lembra os provérbios das culturas, mas é acrescentado a uma relação não linguística e não cultural. Soma-se a uma relação circunstancial que faz com que o material linguístico e cultural assuma contornos de outras ordens.

Unidade na diversidade

Referimo-nos à possibilidade de transposição disso para o âmbito discursivo, para que possamos argumentar em torno da formação discursiva aqui presente. Se aliarmos a ideia de coletivo de forças e distribuição, temos suporte para lidar com a formação discursiva aqui estudada. Durante as análises apresentamos a negociabilidade dos textos e em cada um deles observamos a presença de uma formação discursiva.

Da produção de subjetividade

Etnia, género, empresas, corporações, academias, tecnologia, tradições, instituições e sistemas governamentais são, entre outras coisas, máquinas subjetivas de produção. E assim as relações com a vida, com os outros e com os processos inerentes à existência podem ser apagadas, proibidas ou mascaradas, para que se preserve um tipo de subjetividade supostamente mais útil ou saudável. Esta perspectiva da subjetividade coloca-nos em condições de questionar as subjetividades existentes e os seus mecanismos de manutenção e influência, e dá-nos suporte para reconsiderar outras formas de nos constituirmos.

Homo corpus: um homem performático ou um projeto de herói?

Portanto, ser galinha ou monstro é mais que um nome natural do perfil corporal hipertrofiado, é um nome que indica os atributos do sujeito. Ser galinha tem a ver com as atitudes e comportamentos que determinados indivíduos têm no dia a dia e na academia. Sendo a subjetividade a dimensão fundamental das produções de cada época, ser monstro ou galinha transcende barreiras físicas.

Subjetividade e (in) diferença

Foi possível observar que se tratava de uma prática discursiva cuja natureza era diferente do que estava explícito. Se uma prática discursiva é a sobreposição inextricável entre os aspectos textuais e sociais, como afirma Maingueneau (2008b), e se os textos estão ancorados em conjunturas e verdades muito específicas de uma época, a característica legível de um discurso sob tais perspectivas deve ser analisada. Observamos nesta prática discursiva a malha de um sistema de fechamento que tece nossas vidas e nossas práticas, portanto a análise que realizamos é a exposição, o desenho dos caminhos de sentido que atravessamos.

Referências

Documentos relacionados

Considerando que há na literatura relação positiva entre a prática de AF e saúde, e que a AF é um dos preditores do EV adotado pelo indivíduo, as mudanças provocadas pela Pandemia podem