Em 1996, após seleção interna pela prefeitura de Curitiba/PR, comecei a atuar como clínico geral no Programa Saúde da Família (PSF). Este foi o início do Programa Saúde da Família (PSF), cujo nome foi proposto pelo UNICEF (DA ROS, 2000).
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O PSF como estratégia para consolidação do SUS
A Interdisciplinaridade, a formação do profissional de saúde e o
A Medicina Ocidental, o Médico e sua formação: de Hipócrates
No século XIX, com a descoberta da anestesia geral, da antissepsia e dos microrganismos patogênicos responsáveis pelas infecções pós-operatórias, a cirurgia, antes realizada por profissionais sem formação acadêmica – cirurgiões-barbeiros, foi integrada à medicina e considerada uma de suas especialidades (REZENDE, 2001) . . Apesar do desenvolvimento do chamado método científico, de natureza eminentemente biológica, durante o século XIX, a visão humanista da medicina continuou a prevalecer por diversas gerações de médicos em todo o mundo (GALLIAN, 2001). Rezende (2001) cita trechos da obra de Lycurgo Santos Filho, História Geral da Medicina Brasileira, publicada em 1991 pela Ed.Hucitec em São Paulo, na qual discute aspectos da história da medicina no Brasil, que reproduzo aqui na íntegra . porque acho que são importantes para a compreensão do assunto:
Havia um número crescente de cirurgiões, dos quais havia três categorias: “cirurgiões barbeiros”, “cirurgiões licenciados” e “cirurgiões graduados”. Somente em 1832, com a abertura das faculdades de medicina, é que se formaram os primeiros médicos no Brasil, que aos poucos assumiram o exercício da medicina e competiram com "barbeiros cirurgiões" e curandeiros. O número de médicos no Brasil só aumentou no século XX, com a criação de novas escolas médicas.
Podemos perceber ao longo do tempo que o grande problema foi a transformação da medicina de uma ciência humana, de natureza social, para uma ciência que se quer exata, de natureza biológica, o que levou à valorização exagerada do chamado conhecimento científico às custas do humanismo. Na verdade, todo este processo de sobrevalorização das ciências biológicas, da superespecialização e dos recursos tecnológicos, que acompanhou o desenvolvimento da medicina nas últimas décadas, produziu como consequência mais visível a “desumanização” do médico.
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Base teórica
Com base nesses conceitos, procurei possíveis interfaces, ou “objetos de fronteira” (OF), nos planos de ensino das 86 disciplinas do curso, e classifiquei-as como OF Potenciais, Viáveis e Concretas, sempre de acordo com a capacidade de cada disciplina. proporcionar uma verdadeira prática interdisciplinar entre as diferentes profissões de saúde envolvidas na atenção primária à saúde, de acordo com os princípios do SUS, principalmente por meio da Estratégia Saúde da Família. Para chegar à definição de “objetos limites”, descrita por Star e Griesemer (1989), utilizei as categorias epistemológicas definidas por Ludwik Fleck (1986) - Estilos de Pensamento e Coletivos de Pensamento, que já foram apresentadas e discutidas no Capítulo 2 em esta tese.
Metodologia utilizada
Minayo afirma que “teoria é o conhecimento que utilizamos no processo de pesquisa como um sistema organizado de proposições que orientam a aquisição dos dados e sua análise e os conceitos que expressam seu significado”. Em outras palavras, opera com um universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes que correspondem a um espaço mais profundo de relações, processos e fenômenos que não pode ser reduzido à operacionalização de variáveis (MINAYO, 1994, p. 22). Definida a natureza qualitativa da pesquisa, é necessário definir o seu desenho, que permitiu a coleta de dados e a análise da informação da forma mais racional para economizar esforço e tempo.
Conforme definido por Triviños (1987), este trabalho pode ser classificado como um estudo de caso descritivo, operacionalizado por meio de análise de conteúdo documental. Ainda segundo Triviños (1987), os estudos de caso descritivos visam aprofundar a descrição de uma determinada realidade previamente delimitada.
Coleta de dados
Por acreditar que as deficiências na formação durante a graduação são importantes fatores causadores das distorções encontradas na prática profissional de saúde, especialmente dos médicos que atuam na Estratégia Saúde da Família, a análise de conteúdo deste artigo é essencial para a busca de evidências de objetos de fronteira. capaz de transformar a competência dos futuros profissionais, permitindo-lhes trabalhar em equipe, de forma interdisciplinar. Planos de aula das 86 disciplinas do curso de medicina da UNIVALI, da primeira à décima segunda fase do curso, incluindo o ciclo básico, clínico e de estágio.
Análise dos dados
Segundo Bardin (1977), enquanto a análise documental trabalha com documentos, a análise de conteúdo trabalha com as mensagens contidas nesses documentos, sendo a análise temática uma das técnicas que pode ser utilizada na análise de conteúdo. Em sua obra, Triviños (1987), nos conta que a análise de conteúdo tem uma história muito antiga, começando pela tentativa de interpretação dos livros sagrados, que continuou ao longo dos séculos, por diversos autores. Triviños (1987) defende a utilização do método de análise de conteúdo em mensagens escritas, porque é mais estável e constitui uma referência à qual podemos retornar quantas vezes quisermos.
Sempre citando Bardin (1977) e Triviños (1987), enfatiza as três etapas básicas do trabalho de análise de conteúdo, a saber: pré-análise, descrição analítica e interpretação inferencial. Lüdke e André (1986) definem este trabalho como uma análise temática do conteúdo documental, fazendo conexões entre as expressões e categorias encontradas e combinando-as, separando-as ou reorganizando-as. Segundo Olabuénaga e Ispiuza (1989), a análise de conteúdo baseia-se na leitura como ferramenta de coleta de informações, e essa leitura deve ser realizada de forma científica, ou seja, de forma sistemática, objetiva, reprodutível e válida.
Cutolo parte do conceito de blocos de informação introduzido por Olabuénaga e Ispiuza (1989) e os adapta para fins de análise dos documentos oficiais e técnicos utilizados neste trabalho, adaptação que reproduzo na íntegra conforme anotações feitas durante a orientação. Com base nos dados obtidos através da análise de conteúdo documental, procurei encontrar 'objetos de fronteira' que me permitissem encontrar e implementar o conceito de interdisciplinaridade, de acordo com o roteiro determinado pelos blocos de informação presentes em cada documento técnico e oficial analisado . , a fim de operacionalizar a estratégia saúde da família e os princípios fundamentais do SUS que possibilitam a intervenção precoce na graduação.
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Análise das diretrizes Curriculares
O termo “coletivo” pode ser interpretado tanto em relação a um grupo populacional quanto a uma equipe médica. A prática é realizada de forma integrada e contínua com outras instâncias do sistema de saúde [.]” (BRASIL, 2003, p. 1). Os profissionais de saúde devem ser acessíveis e manter a confidencialidade das informações que lhes são confiadas quando comunicam com outros profissionais de saúde e com o público em geral. (BRASIL, 2003, p. 2) (grifo meu).
Ao trabalhar em equipe multidisciplinar, os profissionais de saúde devem estar aptos a assumir posições de liderança, sempre pensando no bem-estar da comunidade.” (BRASIL, 2003, p. 2). Este artigo também se refere à tomada de decisão, administração e gestão dos serviços de saúde – mencionando o trabalho em equipe e a educação continuada, capaz de gerar melhor formação e, portanto, colaboração entre os profissionais. A partir dessas competências, a formação do médico deverá contemplar o sistema de saúde vigente no país, a atenção integral à saúde em um sistema regionalizado e hierárquico de referência e contrarreferência e o trabalho em equipe.” (BRASIL, 2003, p. 3) (grifo meu).
Isso nos remete ao trabalho na estratégia Saúde da Família, onde esse tipo de situação acontece todos os dias. Garantir a interação ativa dos alunos com os usuários e profissionais de saúde desde o início da sua formação, permitindo ao aluno lidar com problemas reais, assumindo responsabilidades crescentes como agente prestador de cuidado e atenção, de acordo com seu nível de autonomia, que se consolida após a formatura com embarque. escola." (BRASIL, 2003, p. 4-5) (grifo meu).
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Análise do Projeto Pedagógico
Foi publicado em junho de 2004 como documento de uso interno da Faculdade de Medicina e do Centro de Ciências da Saúde da UNIVALI e abrange o período entre 2003 e 2004 (UNIVALI, 2004). O Projeto Pedagógico é um instrumento de gestão administrativa e pedagógica destinado à administração da universidade, do centro de ciências da saúde e de educação médica, bem como aos seus alunos e professores (UNIVALI, 2004). O projeto apresenta os aspectos práticos da organização do curso de medicina, com base nas propostas da CINAEM (Comissão Nacional Interinstitucional de Avaliação da Educação Médica) e nas disposições das Diretrizes Curriculares do MEC.
O texto do Projeto Pedagógico do curso de Medicina inicia citando dados objetivos referentes ao curso, já descritos no subitem 5.1 deste trabalho. A seguir, elenca os princípios que norteiam as práticas pedagógicas do curso de Medicina, e também os divide em subitens. Mais uma vez somos confrontados com o conceito de interdisciplinaridade no que diz respeito à integração entre as diferentes disciplinas do currículo do curso de Medicina.
Na prática pedagógica do curso é comum que professores de disciplinas profissionais participem de programas da área básica e vice-versa” (UNIVALI, 2004, p. 117). Resolução nº 092/CONSEPE/99, de 6 de outubro de 1999 – aprova alterações no currículo do curso de medicina.
Análise dos Planos de Ensino
O estabelecimento de métodos sistemáticos de estudo, baseados nas bases teórico-práticas necessárias à tramitação de projetos de pesquisa e à apresentação de trabalhos científicos na área da saúde” (UNIVALI, 2003, p. 125). Organização das práticas de saúde: práticas dirigidas ao indivíduo e práticas dirigidas à comunidade; saúde como prática multidisciplinar e interdisciplinar”. O curso já existe e pode ser utilizado imediatamente para atingir a interdisciplinaridade preconizada pelas Diretrizes Curriculares do MEC, bastando adaptar as estratégias de ensino, transformando aulas “Só de Medicina” em aulas para todos os cursos da saúde. envolvidos direta e indiretamente com a estratégia Saúde da Família.
Fornecer assistência supervisionada para prevenir e resolver problemas de saúde comuns em indivíduos, famílias ou comunidades, independentemente da idade ou sexo e do órgão ou sistema afetado. Atendimento Ambulatorial do MFC - na Unidade de Saúde Familiar e Comunitária: Saúde do Homem, Saúde da Mulher, Saúde Escolar, Saúde do Adolescente, Saúde do Idoso, Gestante, HAS/Diabetes Mellitus, DIP;. Apesar de não abordarem detalhadamente a questão da interdisciplinaridade, as Diretrizes Curriculares deixam espaço para o desenvolvimento de objetos de fronteira quando implementadas no nível curricular, ao preconizarem a interação dos estudantes com os usuários dos serviços e demais profissionais de saúde desde o início de sua formação.
Por fim, entre os objetos de fronteira específicos, incluí uma disciplina específica, a “Organização dos Serviços de Saúde”, que possui conteúdos com foco na interdisciplinaridade, e a Prática em Saúde da Família, que prepara o terreno para a integração do plano de estudos multiprofissional, principalmente em relação às oportunidades concretas representadas por suas atividades ambulatoriais, assistenciais e educativas, dentro e fora da universidade, voltadas a grupos populacionais e doenças específicas, no ambulatório e na comunidade, onde o estagiário deve conviver com outros estudantes e profissionais de diversas áreas e estilos. Teu pensamento. Ao longo do trabalho de pesquisa, com base na minha experiência profissional como médico atuante na saúde pública e apoiador incondicional da Estratégia Saúde da Família como forma de ampliar e otimizar a atenção básica em nosso país, procurei contextualizar o significado da interdisciplinaridade, conforme definida de Japiassu (1976) e Fazenda e o resgate histórico do humanismo e da determinação social no processo saúde-doença, principalmente por meio da intervenção precoce com os estudantes, ainda durante a graduação. Política de saúde no Brasil na década de 90: avanços e limites / Ministério da Saúde; compilado por Barjas Negri.
Programa saúde da família no Brasil: enfoque em seus pressupostos básicos, operacionalização e benefícios.
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