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Academic year: 2023

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Um estudo sobre o efeito do nível de ansiedade na percepção da autoestima em idosas matriculadas em um programa para idosos. Como o nível de ansiedade pode afetar as percepções de autoestima de mulheres idosas que participam de um programa para idosos?

Vertentes e perspectivas gerais

Com uma análise crítica, constata-se que durante muitos anos a figura do idoso foi caracterizada como um indivíduo de pouco valor para a sociedade e com papéis sociais limitados. Portanto, associou-se a uma perspectiva negativa em que o envelhecimento estava associado a um cenário de perdas e dependência, o que na verdade ajudou a alcançar a posterior separação dos idosos da responsabilidade social (LOPES et al., 2014).

Expectativa de vida no mundo e no Brasil

A Tabela 1 apresenta um resumo da população com 60 anos ou mais no mundo, no Brasil e no município. Explicar tais mudanças apenas com razões geográficas homogeneizaria o processo de envelhecimento.

Figura 1 – Expectativa de vida no mundo entre os anos de 1800 e 2011
Figura 1 – Expectativa de vida no mundo entre os anos de 1800 e 2011

Historicidade e mudanças sociais no processo de envelhecimento

Portanto, é fundamental que o processo de envelhecimento seja visto sob uma perspectiva holística, em que o indivíduo seja interpretado de forma mais abrangente e integral. Neste contexto, observa-se um novo perfil dos idosos à luz do processo de envelhecimento contemporâneo (DEBERT, 1999).

Reflexões femininas sobre envelhecimento: uma questão de gênero

Sintomas aparentes no envelhecimento

Diante de um cenário repleto de estigmas e conotações negativas, muitas vezes ignorados pela família e pela sociedade, vale a pena pensar em um. Além disso, compreender e vivenciar o envelhecimento feminino através de uma visão holística pode proporcionar uma melhor compreensão da realidade social, económica, cultural, educacional e emocional das mulheres.

Ansiedade diante do envelhecimento ativo (transtornos x sintomas)

Grau de ansiedade em mulheres idosas: principais fatores

Como já mencionado, os filhos são emancipados, entes queridos e familiares morrem e o sentimento de finitude emerge com maior fervor (DENNERSTEIN et al., 2002). A ansiedade entre as idosas geralmente apresenta os seguintes sintomas: tendência a sofrer antecipadamente, questionam-se sobre seus sentimentos. Neste estudo, procurou-se analisar os principais sintomas de ansiedade nas participantes (n-42), bem como verificar se as mulheres que apresentavam um grau significativo de ansiedade também tinham uma visão ou associação negativa relativamente ao seu processo de envelhecimento.

3 AUTOIMAGEM DAS MULHERES FRENTE AO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO Nesta parte da pesquisa, segundo estudos de teóricos, foram considerados diferentes significados de autoimagem e autoestima. A reflexão de ambos os conceitos à luz do processo de envelhecimento da mulher foi central nesta parte do trabalho.

Autoimagem e autoestima: interação corpo e mente

O envelhecimento ativo e saudável afeta a percepção que temos de nós mesmos, e a visão negativa do autoconceito determina a forma como vivenciaremos nossas relações interpessoais e intrapessoais. As mudanças que ocorrem durante o envelhecimento, mesmo do ponto de vista natural, trazem a necessária ressignificação e adaptação. Segundo Neri (1999), a longevidade, sentir-se produtivo, estar satisfeito com suas experiências, relações sociais continuadas, saúde física e mental e renda são parâmetros determinantes dessa qualidade.

Sentir-se feliz, ativo, estabelecer relacionamentos mútuos e próximos levará naturalmente a uma maior autoestima e a uma autoimagem positiva (SÉTIEN, 1993). Uma pessoa, em relação a si mesma, não tem uma, mas várias autoimagens: como pai ou como filho, como profissional, como atleta de determinado esporte, como cônjuge ou como especialista em determinada atividade.

A autoimagem perante um envelhecimento ativo

Trabalhar o corpo e a mente nos grupos mais velhos permite, além da interação social, a consciência do potencial que cada pessoa tem, o aumento da criatividade e do conhecimento do próprio corpo. Em estudo com grupo de idosos em Belo Horizonte constatou-se que os idosos não se reconhecem como velhos. O autor destaca ainda que a percepção de uma idade boa ou ruim está relacionada ao ingresso em grupos ou instituições mais antigas.

Em outro estudo, agora com dois grupos de mulheres idosas – um formado por mulheres da Universidade Aberta da Terceira Idade (UNATI) e outro por mulheres cadastradas em uma Unidade de Estratégia Saúde da Família (ESF) – os resultados apontaram para uma melhor percepção da autoestima entre as mulheres do grupo UNATI. O Programa Terceira Idade em Ação – UENF, além de proporcionar oportunidades de socialização, também prioriza cultura, educação, autonomia e identidade.

Universo do estudo

População do estudo e amostra

Também foi aprovado pelo comitê de ética da Plataforma Brasil sob número CAEE do Centro Universitário Fluminense (Anexo 1). Esta universidade possui duas unidades, ambas localizadas em Campos dos Goytacazes/RJ. A UNIFLU possui diversos cursos de bacharelado e mestrado, além de cursos de aperfeiçoamento, que se estendem a professores e alunos.

Tipo de pesquisa

  • Dados social e demográfico
  • Inventário de Ansiedade de Aaron Beck (Back Anxiety Inventory - BAI)
  • Exercício Projetivo com a expressão “Envelhecer é
  • Estudo bibliométrico na base de dados SCOPUS

Essa perspectiva baseou-se na análise da percepção da autoimagem desse público e, em seguida, foi relacionada aos dados obtidos na escala de ansiedade. Em seguida, o Inventário de Ansiedade de Aaron Beck (Back Anxiety Inventory - BAI), depois um Exercício Projetivo com a Expressão: “Envelhecer é..”, e por fim a. O objetivo foi desenvolver um estudo sobre a percepção da autoimagem de mulheres idosas juntamente com a escala de ansiedade.

O instrumento de ansiedade foi aplicado em dezembro de 2016, durante duas semanas, nas oficinas de seis professores pertencentes ao programa Vida Ativa da UENF. Com o objetivo fundamental de conhecer a percepção da autoestima de 42 idosas sobre o que é envelhecer juntamente com o intuito de analisar o seu nível/pontuação de ansiedade, verificam-se os seguintes resultados.

Pesquisa bibliométrica na base de dados SCOPUS

A Tabela 2 apresenta mais detalhadamente o número de produções por ano na base de dados SCOPUS. Os autores traçam as principais evidências nas produções científicas sobre envelhecimento em duas bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library Online (SCIELO), entre 2002 e 2012. Observa-se que os Estados Unidos da América (EUA) e a Suécia apareceram com cinco estudos, à frente da França (01 produção científica), que é o décimo país com o índice de produção mais importante.

Segundo a base de dados Thomson Reuters em pesquisa realizada em 2013 (apoiada pela CAPES), os Estados Unidos mantêm a primeira posição em pesquisa científica há mais de 20 anos. Diante do grande número de produções científicas ao redor do mundo, fica claro que os estudos sobre o envelhecimento feminino em relação à autoestima ainda são poucos, ainda que o envelhecimento humano e a longevidade tenham ganhado espaço e fama no Brasil e no mundo.

Figura 3 – Pesquisa de documentos (título do artigo, resumo, palavras-chave) por ano –  1985 há 2016
Figura 3 – Pesquisa de documentos (título do artigo, resumo, palavras-chave) por ano – 1985 há 2016

Avaliação do grau/escore de ansiedade do grupo pesquisado

Diante disso, nesta pesquisa há 43% de mulheres (representadas por 18), que formam um grupo com escore de ansiedade significativo. Embora o estudo tenha obtido um quantitativo de 43% de mulheres com ansiedade significativa, existe um grupo de 57% de mulheres que não apresentaram aspectos relevantes relacionados aos sintomas de ansiedade. Esses aspectos corroboram o estudo de Wichmann et al. 2013), como também pode ser verificado no relato de uma participante da pesquisa:.

Nos estudos de Almeida et al. 2010), a convivência em grupo incentiva os indivíduos a buscarem autonomia, melhora sua autoestima e qualidade de vida. O grupo de ansiedade significativa (43%) apresentou questões sobre sintomas de ansiedade tanto no inventário de ansiedade quanto na ansiedade autorreferida.

Gráfico 2 – Resultado do Inventário de Ansiedade de Aaron Beck (BACK ANXIETY  INVENTORY - BAI)
Gráfico 2 – Resultado do Inventário de Ansiedade de Aaron Beck (BACK ANXIETY INVENTORY - BAI)

Dados sociodemográficos

Este valor pode ser justificado pelo facto de residirem num grupo de idosos, o que permite um envelhecimento saudável, com qualidade de vida e convívio social. Em estudos comparativos com idosos com pouca ou limitada interação/pertencimento social (ALMEIDA et al., 2010; WICHMANN et al., 2013), o índice de ansiedade é maior no grupo com pouca participação social. Em alguns casos, a dificuldade em aceitar o envelhecimento resultou numa representação negativa do indivíduo, bem como num elevado escore de ansiedade.

Em artigo que abordou o tema autoimagem e autoestima de 47 mulheres (BEVILACQUA et al., 2012), a idade média era de 60 anos (11,39%), a maioria era casada (61,7%) – era notei que os resultados confirmaram os resultados encontrados nesta tese. Um estudo realizado no estado de Minas Gerais (MG), no qual mulheres idosas participaram de um grupo de idosos, constatou que a maioria tinha o ensino fundamental incompleto (34,78%) e apenas 17,39% tinham o ensino médio completo (FONSECA et al., 2014).

Tabela 4 – Dados Sociodemográficos
Tabela 4 – Dados Sociodemográficos

Instrumento “Envelhecer é.…”

Nota-se que na Tabela 6 aparecem respectivamente os elementos com maiores números: “Ser saudável” (25), “Vida” (23) e “Experiência”. No estudo de Camargo et al., 2014), sobre brasileiros e italianos, em relação à representação do envelhecimento, os idosos brasileiros referem-se a essa fase principalmente através da palavra ‘família’, que pareceu estar associada mais de 80 vezes à fase de envelhecimento. 2014 apud LOPES et al., 2014), intitulado “As representações sociais do envelhecimento ativo de idosos e profissionais”, realizado com 50 idosos e 50 profissionais, foram obtidas 139 palavras do grupo de idosos frequentadores de um centro de dia8 .

Acredita-se que a correlação positiva entre as palavras “Saúde/Ser saudável”, “Vida/Viver” e “Experiência” com o envelhecimento, bem como a quantidade (42%) de elementos positivos nas associações no grupo de mulheres estudado . , Isso acontece, entre outras coisas, porque o grupo pratica atividades físicas, aumenta o relacionamento interpessoal por meio da convivência, procura se alimentar bem e tem uma atitude positiva diante da vida na maior parte do tempo. Outra análise foi realizada a partir da classificação das palavras que melhor representam a frase “Envelhecer é...”.

Tabela 6 – Elementos do Núcleo e Elementos Periféricos do Grupo Geral
Tabela 6 – Elementos do Núcleo e Elementos Periféricos do Grupo Geral

Correlação e discussão dos resultados

Correlação entre o grupo ansiedade leve (Inventário de Ansiedade de Aaron

2014 apud LOPES, 2014), pesquisa realizada com 50 idosos sobre ideias sociais sobre o que é envelhecer, o resultado foi alcançado com as palavras mais repetidas, a saber: vida e saúde. Em outro estudo com 154 idosos da Amazônia, predominantemente mulheres, procuramos compreender as percepções de qualidade de vida na velhice. Os resultados mostram as palavras: paz, saúde, alimentação e família como as mais relacionadas à qualidade de vida na velhice (BARBOSA et al., 2014 apud LOPES, 2014).

Tabela 8 – Perfil das mulheres com ansiedade leve + palavras com maior repetição neste  grupo + dados sociodemográficos pertinentes
Tabela 8 – Perfil das mulheres com ansiedade leve + palavras com maior repetição neste grupo + dados sociodemográficos pertinentes

Correlação entre o grupo ansiedade moderada Inventário de Ansiedade de

Correlação entre o grupo ansiedade grave Inventário de Ansiedade de Aaron

A sociabilidade é uma forma de lazer, atua na redução do estresse, ansiedade e depressão em pessoas com 60 anos ou mais (SILVA et al., 2003). Em outro relato de uma mulher de 66 anos (C. D. G. R.), que também pertence ao grupo de ansiedade mínima, isso é consistente com Silva et al. Ter saúde é importante para curtir a família e não depender de ninguém” (D. H. S. B., 72 anos, casada, aposentada, mora com o marido, pertence ao grupo levemente ansioso e possui ensino médio completo).

Envelhecer definitivamente é ter amor próprio” (M. R. N., 62 anos, solteiro, artesão, mora com família, pertence ao grupo com ansiedade leve e possui ensino médio completo). Envelhecer é estar feliz com a vida” (T. G. P., 67 anos, casada, cabeleireira, mora com o cônjuge, pertence ao grupo de ansiedade mínima e possui ensino médio completo).

Correlação entre os grupos com ansiedade moderada e grave + palavras com

Metade do grupo de mulheres que apresentava níveis moderados ou graves de ansiedade (14%) apresentou associação negativa com a frase “Envelhecer é…”. A questão problema subjacente a este estudo foi: como o nível de ansiedade pode influenciar a percepção da autoimagem de mulheres idosas participantes de um programa para idosos. O problema que surgiu inicialmente no estudo foi como o nível de ansiedade pode influenciar a percepção da autoimagem de mulheres idosas participantes de um programa de convivência para idosos.

Acredita-se que o nível de ansiedade pode ser influenciado a partir da percepção negativa ou positiva da autoimagem de cada mulher em relação ao processo de envelhecimento. A maioria das mulheres com ansiedade moderada ou grave (14%) também apresentou alguma associação negativa com a frase “Envelhecer é…”. O objetivo geral deste estudo foi analisar como a autoestima pode influenciar os níveis de ansiedade em mulheres idosas participantes de um programa de convivência para idosos.

O presente trabalho tem como objetivo analisar como a autoimagem pode influenciar o nível de ansiedade em mulheres idosas participantes de um programa para idosos.

Imagem

Figura 1 – Expectativa de vida no mundo entre os anos de 1800 e 2011
Figura 2 – Pirâmides etárias da população brasileira entre os anos de 2013 e 2060
Tabela 1 – População com 60 anos ou mais, no mundo, no Brasil e na cidade de Campos  dos Goytacazes entre os anos de 2010 a 2050
Figura 3 – Pesquisa de documentos (título do artigo, resumo, palavras-chave) por ano –  1985 há 2016
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Referências

Documentos relacionados

Ou seja, enquanto o parâmetro utilizado para a caracterização da população em geral considera idosa a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos nos países em desenvolvimento,