Observar, por meio de pesquisa netnográfica, o grupo presente na rede social Facebook, Retratos Sem Roupa das Minas, como um objeto que também apresenta características referentes à atuação ciberfeminista. Analisaremos também, através do método etnográfico na perspectiva de Kozinet (2014), o grupo Retratos Sem Roupa das Minas, para observar a produção subjetiva do movimento ciberfeminista na atualidade.
Donna Haraway: um corpo-ciborgue inquieto
É um documento teórico feminista –um posicionamento em relação ao mundo em que vivemos e a pergunta “o que fazer?” Os manifestos provocam perguntando duas coisas: em que mundo infernal. A pergunta “o que fazer?” [está] no panfleto de Lenin de 1902, mas com uma resposta muito diferente no apelo por um partido de revolucionários comprometidos e estritamente disciplinados (HARAWAY, 2009, sp).
O Manifesto Ciborgue
Vamos nos concentrar no Projeto Identidade para tentar revelar a percepção do sujeito contemporâneo – isso da era ciborgue. É justamente esse terceiro processo de construção identitária, a identidade projetual, que produz o sujeito, nesta pesquisa, representado pela figura do ciborgue.
O manifesto ciberfeminista para o século XXI - VNS Matrix
O ciberfeminismo não é um erro 101 O ciberfeminismo não é um "ismo". Nem o ciberfeminismo nem o ciberfeminismo anti-masculino são algo que eu sei que o ciberfeminismo é, nem a estrutura do ciberfeminismo nem as fronteiras do ciberfeminismo são obedientes.
Arteativismo: novas performances para o feminismo em rede
A dinâmica da arte há dois séculos poderá ter sido a dinâmica desta tensão entre dois pólos, entre a autoafirmação da arte e o afastamento indefinido do seu povo. O paradoxo na política da arte refere-se precisamente ao paradoxo da sua definição no regime estético da arte: as coisas da arte não são aí definidas, como antes, pelas regras da prática. Diante deste fato, o artista não separa a consistência da arte e do protesto político, ele os separa cada um em seu lugar, a preocupação deve/não deve ser esta, ―(..) mas manter a tensão que tende, o outro, a política da arte e a poética da política, que não podem unir sem se esmagarem.'
Pensando nesta tensão que a arte contemporânea vivencia, a pesquisa centra-se nas perspectivas da resistência e do ativismo criativo, que chamaremos de ativismo artístico, cujo “devir político da arte torna-se a confusão ética em que tanto a arte quanto a política desaparecem justamente em nome do sua conexão” (RANCIÈRE, 2007, p. 13). André Mesquita (2011) afirma em seu livro “Insurgencias Poéticas” que a arte ativista é muito mais do que um gênero que carrega exemplos de “anomalias curiosas”, oferecendo sua utilidade apenas para enriquecer o antigo cânone da história da arte. Os campos da arte e do ativismo produzem experiências, propósitos e processos distintos e específicos no seu modo de ação.
Isto mobiliza o que estamos tentando dizer que é Artativismo: práticas artísticas coletivas relacionadas ao ativismo, com análise no movimento ciberfeminista, que, através da arte ativista, é entendido como ―(..) uma prática feminista em rede, que tem propósito, tanto politicamente e esteticamente, de construir novas ordens e desmantelar os velhos mitos da sociedade através do uso da tecnologia” (MARTÍNEZ COLLADO e NAVARRETE, 2006, sp).
O ciberfeminismo brasileiro
Nesse sentido, o Brasil tornou-se um lugar de reverberações do movimento ciberfeminista, com características próprias que problematizam a questão das mulheres e da tecnologia. Este fato pode ser atribuído a questões relacionadas ao contexto histórico do movimento feminista ocorrido nesses países. Neste sentido, o próprio Wells (2005) admite que o compromisso de alguns grupos isolados, ONGs e centros preocupados com a inserção das mulheres do país na rede, desempenhará um papel muito importante em relação à apropriação da cultura tecnológica destas mulheres.
Contudo, muitas destas organizações ainda sofrem de uma grande desvantagem no conhecimento prático e político relativamente às novas tecnologias de comunicação e informação. Contudo, as mulheres participam muito pouco nas decisões sobre a infra-estrutura física e lógica das redes digitais em todo o mundo. E esse feminismo é necessário, pois questiona não só os efeitos de uma cultura altamente sexista, “mas a própria constituição da ciência e da tecnologia numa perspectiva que exclui não só as mulheres, mas também todos os grupos que estão fora das formas androcêntricas dominantes”. (NATANSOHN, 2013, p. 22).
Outro projeto característico do movimento ciberfeminista e que está sendo realizado no Brasil é o MariaLab, um coletivo que busca introduzir as mulheres nos espaços tecnológicos, pensando na tecnologia feita por mulheres, realidade ainda em desvantagem em relação ao gênero masculino .
A performance ciberfeminista no trabalho artístico de Helga Stein
Perspectivas ciberfeministas podem ser observadas em seu trabalho, à medida que o próprio gênero da artista é questionado, a partir da mudança de sua identidade por meio de imagens. Em Faces, obra de Andros Hertz, Helga Stein dá vida a diferentes estereótipos femininos em diversos contextos. Na galeria Retratos, a artista Helga Stein brinca com as possibilidades de se transformar com diferentes retratos que vão desde traços masculinos até traços infantis.
73 No mesmo sentido, “esses corpos semiurgentes, estruturados, em vez do corpo instintivo, perseguidos pelo desejo, vagam por toda parte, teatralizados na falsa nudez, funcionalizados pela sedução programática e pela sexualidade operacional” (BAUDRILLARD, 1996, p. 162 citado). por SANTAELLA Há uma espécie de barulho e barulho na sociedade atual à medida que percebemos que “em combinação com a tecnologia é possível construir nossa identidade, nossa sexualidade e até mesmo nosso gênero, exatamente como desejamos” (KUNZRU, 2000, 26) E à medida que o pós-modernismo se adopta e se habitua a si próprio como anti-arte, nós também o fazemos – à luz disso.
79 Nesse sentido, a artista Helga Stein enriquece o cenário virtual e as discussões sobre os estereótipos do corpo feminino ao recuperar a figura do ciborgue – esse híbrido de máquina e organismo – entendida na reflexão harawayana.
Comunidades virtuais feministas: o resgaste do ciberfeminismo
O mesmo pode ser dito do movimento ambientalista, do movimento das mulheres, de vários movimentos de direitos humanos, movimentos de identidade étnica, movimentos religiosos, movimentos nacionalistas e dos defensores/apoiadores de uma lista interminável de projectos culturais e causas políticas. 83 machismo,9 que questiona por que as próprias mulheres reproduzem o machismo na contemporaneidade, depois de tantas lutas do Movimento Feminista. 84 Agora, com maior visibilidade, mobilidade e interação, o Facebook foi/está sendo usado para definir partes do movimento social feminista.
Ciberfeminismo é a terminologia utilizada para descrever a parte do movimento feminista que está comprometida com questões de identidade e direitos das mulheres no âmbito do ciberespaço. Após o anúncio do evento com a criação de uma página no Facebook, mais de seis mil pessoas confirmaram presença, com aproximadamente 300 pessoas presentes segundo a contagem da Polícia Militar.10 Pessoas inspiradas no acontecimento da manifestação ocorrida em Toronto no mês de abril. Em 2011, o movimento foi motivado por um comentário do policial Michael Sanguinetti durante uma palestra sobre segurança no campus da Universidade de York, onde o elevado número de estupros era assustador. Desde o acontecimento, este movimento atingiu proporções internacionais e as redes sociais virtuais aumentaram a dinâmica das reivindicações de protesto e consolidaram-nas como parte do movimento feminista contemporâneo.
Agora, com maior visibilidade, mobilidade e interação, o Facebook tem sido utilizado para designar parte do movimento feminista.
A netnografia como método
A netnografia difere de outras pesquisas qualitativas na Internet porque, sob a rubrica de um único termo, fornece um conjunto estrito de diretrizes para a condução de etnografia mediada por computador e também, o que é mais importante, sua integração com outras formas de pesquisa cultural (KOZINETS, 2014, p. 23). Com mudanças apoiadas por grandes pensadores da antropologia, ele reconhece certo conflito entre etnografia e netnografia, que, embora relacionado, tende a cair num preconceito sobre a experiência da netnografia, levando a reflexões sobre a validade do método, o que mostra por que ele pode despertar algum tipo de resistência por parte de pesquisadores mais tradicionais que consideram a pesquisa netnográfica menos autêntica por não lhe faltar a “interação face a face e a retórica de mudança para um campo experimental remoto” (HINE, 2000, p. 10 citado por KOZINETS, 2014, p.64). Não existe uma etnografia verdadeiramente verdadeira, nenhuma etnografia verdadeiramente perfeita que satisfaça todo purista metodológico (KOZINETS, 2014, p.64).
Houve observação participante, mas não apresentou “a importância relativa da observação incorporada sobre a auto-representação verbal ou outra, e a necessidade de identificação pessoal” (KOZINETS, 2014, p.72). Para ele, “os sites de redes sociais são um excelente exemplo de forma híbrida que combina site, e-mail privado, blog (micro), fóruns e acesso a sala de chat” (KOZINETS, 2014, p. 85). Isto muitas vezes significa seguir muitos tipos, formas e estruturas diferentes de comunicação online – talvez desde acompanhar um grupo ou fórum de discussão associado a um website no mesmo dia até ler e comentar num blog. , tornar-se fã de um grupo afiliado em um site de rede social, participar de uma discussão de chat online com outros membros desse grupo (..) O site ou sites da área de trabalho netnográfico devem combinar seu foco de pesquisa com as questões que você deseja investigar (KOZINETS, 2014, p. 85).
Um netnográfico provavelmente não liderará a comunidade, mas também não deverá ser invisível (KOZINETS, 2014, p. 93).
Entre elas: o íntimo e o político do ―Clotheless Portraits das Minas‖
O projeto Selfless Portraits das Minas é um projeto que aposta na coletividade e no espírito de unidade feminina, desconstruindo as mais diversas normas que a sociedade impõe a nós, mulheres. Há espaço para todas as mulheres de todas as origens, e mesmo para aquelas que não se identificam com nenhuma delas e não se autodenominam feministas. 95 Vários outros grupos e páginas surgiram deste grupo; tem uma lista que fala sobre isso no grupo Selfless Portraits das Minas.
17 - Belezura das minas (isso é quase um pleonasmo, mas para ser honesto) 18 - Aconchego das minas (sobre mineração e depressão). 30 - bordadeira (para Minas que borda ou quer bordar!) 31 - Compre de quem faz Minas (Chega de presentes clichês! Dê algo original que estimule a criatividade feminina! Vá na Lojinha das Minas!). 34 - A vida simples das minas (Amélies Poulains brasileira!) 35 - A blogueira altruísta das minas (PRAS BLOGUERA) 36 - O cabelo curto das minas (Jõazinho não presta!) 37 - Os bichinhos das minas (Animal amor! ).
Por enquanto, tomemos nota da netnografia realizada no Retratos Sem Roupa das Minas, local de nossa investigação.
Etnografia online: nem toda nudez será castigada
Nesse sentido, interferir na lógica tradicional das perguntas pode ser uma forma de ver o problema com mais clareza” (GOLDENBERG, 2008, p. 60). Deve-se notar que este não é estritamente um inquérito por amostragem, o objectivo do inquérito não é criar gráficos, mas sim observar os participantes online. Portanto, a maioria dos retratos do grupo enfatiza a nudez feminina em apoio a uma boa causa.
Em relação à pintura de Courbet, Perrot (2000) aponta-a como um exemplo de tradição artística, uma prática artística canônica que “explora” o corpo feminino como principal objeto de arte. A capa foi sugestão de um integrante do grupo e todos aceitaram a imagem por representar bem a proposta do grupo, sem limitar a questão de gênero. Segundo Butler, gênero não é algo que somos, é algo que fazemos por meio de uma série de ações (BUTLER, 2013).
Portanto, para ela, “tornar-se” significa que gênero é um processo de construção identitária e não apenas uma construção cultural. A perspectiva feminista traz uma visão diferente da nudez e dos nossos corpos, é uma visão que vai contra os padrões de beleza da sociedade, uma visão que é ao mesmo tempo natural e sexual, mas de forma respeitosa, a visão sexista é muito intimidante, a a visão feminista é libertadora. O movimento ciberfeminista contemporâneo anuncia a construção de uma prática artística na qual histórias pessoais serão expressas para alcançar os mecanismos de controle da sociedade contemporânea.