Aalegaçãoqueconectaademocraciaearepresentaçãoé quenademocraciaosgovernossãorepresentativosporque sãoeleitos:seaseleiçõessãoconcorridaslivremente,sea participaçãoéampla,eseoscidadãosdesfrutamdasliber- dadespolíticas,entãoosgovernosagirãoemfavordointe-ressedapopulação.Emumprimeiropontodevista–do mandato–,aseleiçõesservemparaselecionarboaspolíticas oupolíticosquesustentamdeterminadaspolíticas.Ospar-tidosouoscandidatosfazempropostaspolíticasdurantea campanhaeexplicamcomoessaspropostaspoderiamafe-tarobem-estardoscidadãos,osquaiselegemaspropostas quequeremquesejamimplementadaseospolíticosque seencarregarãodepraticá-las;osgovernos,efetivamente, realizam-nas. Conseqüentemente, as eleições semelham umaassembléiadiretaeaplataformavencedorasetorna
BernardManin
AdamPrzeworski
SusanC.Stokes
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o“mandato”queosgovernosperseguem.Emumsegundo pontodevista–daprestaçãodecontas–,aseleiçõesservem paramanterogovernoresponsávelpelosresultadosdesuas açõespassadas.Poranteciparemojulgamentodoseleitores, osgovernantessãoinduzidosaescolherpolíticas,julgando que serão bem avaliadas pelos cidadãos no momento da próximaeleição.
Ambosospontosdevistasãoproblemáticos.Repre-sentaçãoéumtemadediscussãoporqueospolíticostêm objetivos,interessesevalorespróprios,eelessabemcoisas etomamdecisõesqueoscidadãosnãoconseguemobser-varousópodemmonitorarcomcertocusto.Mesmose, umaveznocargo,ospolíticospossamnãoquererfazer nadaanãoseratuaraserviçodointeressepúblico,para seremeleitoselespodemterque,emprimeirolugar,satis-fazercertosinteresses.Eumavezeleitos,podemquerer dedicar-seaosseusobjetivospessoaisouaalgunsinteres-sespúblicosquediferemdaquelesdoscidadãos.Seeles tiveremtaismotivações,elesvãoquererfazeroutrascoisas distintasderepresentarapopulação.Eoseleitoresnão sabemtudoqueprecisariamsaber,tantoparadecidirpros-pectivamenteoqueospolíticosdeveriamfazer,quantopara julgarretrospectivamenteseelesfizeramoquedeveriamter feito.Seoseleitoressabemqueexistemcoisasqueelesnão sabem,elesnãoqueremobrigarospolíticosarealizarseus desejos.Porsuavez,seoscidadãosnãotivereminformações suficientesparaavaliarogovernoemexercício,aameaça denãoserreeleitoéinsuficienteparainduzirosgovernan-tesaagiremdeacordocomosinteressesdoscidadãos.
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Aconcepçãodarepresentaçãopormandato
Nascampanhaseleitorais,ospartidospropõempolíticase lançamcandidatos.Seoseleitoresacreditaremqueospolí- ticosnãosãotodosiguais,podemtentarassegurararepre- sentação,aousarseusvotosparaescolherasmelhorespolí-ticasoupolíticosassociadosadeterminadaspolíticas.As questõesqueprecisamosanalisarsão(1)seascampanhas eleitoraissãoinformativas,istoé,seoseleitorespodemjus- tificadamenteesperarqueospartidosfaçamoqueelespro- põem,e(2)seperseguirarealizaçãodaplataformavence-dora,o“mandato”,serásempreemfavordobemcomum doseleitores.Poderíamosdizerque“arepresentaçãopor mandato”ocorresearespostadeambasasperguntasfor positiva,istoé,seospartidosverdadeiramenteinformarem oseleitoressobresuasintençõesesearealizaçãodessas intençõeséomelhorparaoseleitoressobreascircunstân-ciasdadas.
Aconcepçãodarepresentaçãopormandatoédifundi-da:acadêmicos,jornalistasecidadãosordináriosconfiam nelacomosefosseumaxioma.Keeler(1993),porexem- plo,explicaasreformaspolíticasmaisimportantesintro-duzidasporReagan,Thatcher,eMiterrandcomosegue: seus respectivos países enfrentavam uma crise política, eleitoresqueriammudançaseexpressaramseusdesejos nas urnas, e os respectivos governantes as implantaram em seus mandatos. Esse modelo parece explicar bem a formaçãodapolíticaemsociedadesindustriaisavançadas (Klingeman,HofferberteBudge,1994).Comoumpolíti-cofrancêsexpôs,“desdeosromanos,existeumaantigalei políticaquenósnuncadevemosperderdevista:governos podemdurarapenaspeloprincípiopeloqualnasceram” (Séguin,1997).
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1.Oscandidatostambémexaltamsuasvirtudes.Esteéumpontoquetrataremos adiante.
2.AterminologiaédeElster(1994).
suas intenções sobre políticas públicas1.
Especificamen-te,elesdizemaoseleitoresquaispolíticasserãoadotadas, comqualpropósito,ecomquaisconseqüências.Umavez eleitos,oscandidatosvitoriososescolhemaspolíticas,não necessariamenteasmesmasqueanunciaram.Tendoobser-vadoosresultadosdaspolíticasadotadas,oseleitoresvotam novamente.Paraintroduzirumexemplo,suponhaquehá duasplataformaspolíticaspossíveis:políticasparaasegu-rançaeconômica(S)eparaeficiência(E)2.Ospartidosou
candidatosemcompetiçãoprometemfazerSouE,e,uma vezeleitos,buscamrealizarSouE.
Ospolíticospodemsepreocupartantocomaspolíticas quantoemseremeleitosereeleitos.Ospolíticostêmprefe- rênciassobrepolíticaspúblicassearecompensademanter-senocargoouaprobabilidadedesereelegerdependedas políticasporelesadotadas.Pode-sepensarnarecompensa demanter-senocargoemtrêsformas:ospolíticospodem ter políticas favoritas e derivar utilidade de executá-las, podemquererrealizarseusinteressespessoais,oupodem obtersatisfaçãodahonradeestarnocargo.Ospolíticos têmalgumascrençassobreaspromessasquemaisprovavel-menteosfazemvencer,assimcomosobreaspolíticasqueos eleitoresirãodefatoapreciartendoexperimentadoosseus resultados.
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seremreeleitoseacreditamqueoseleitoresvãoreelegê-los seelesrealizarempolíticasdefendidasduranteacampanha, equandopolíticosestãopreocupadoscomacredibilidade desuasfuturaspromessas.Vamosdiscutiressassituaçõesna seqüência.a) Os interesses dos políticos coincidem com os dos cidadãos3.Eleitoresegovernantestêminteressesidênticos,
seosgovernantesquiseremporinteresseprópriocriaros estadosdecoisasmaisdesejadospeloseleitores.Sepolíticos eeleitorestambémtêmasmesmascrençassobreosefeitos dosresultadosdaspolíticas(“crençastécnicas”nostermos de Austen-Smith, 1990)4, então os candidatos são eleitos
combasenaplataformademaiorpreferênciadoseleitores e,comorepresentantes,implementamessaplataforma,pois beneficiamseusprópriosinteresses.
Quasetodasasdiscussõessobrerepresentação,acome-çarcomasConsideraçõessobreumGovernoRepresentativode JohnStuartMill(1991[1861]),assumemqueaeleiçãode representantesque,dealgumaforma,espelhamourepro-duzemacomposiçãodoeleitorado,produzrepresentação. Nessepontodevista,aassembléiaérepresentativasefor umaminiaturadoeleitorado,umaamostradele.Ahipótese subjacenteaessaconvicçãoéque,seaassembléiaédescri-tivamenterepresentativa,entãoatuarápararepresentaros interessesdosrepresentados.Comoconseqüência,asdiscus-sõessobreasinstituiçõesrepresentativascentram-sequase
3.Obviamente,aquestãoquesurgecomtalformulaçãoé:Quaiseleitores?Nós assumimosnestetextoque,qualquerquesejaadimensãodoespaçotemático, existeumequilíbriodaregradamaioria,portantoexisteo“votodecisivo”.Sobre ascomplicaçõesquesurgemquandoessasuposiçãonãosecumpre,verFerejohn (1986,1995).
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exclusivamentesobreosistemaeleitoral(porexemplo,veja Rogowski,1981).AcontribuiçãoseminaldePitkin(1967), aindahojeindevidamenteignorada,foiprecisamentepro-blematizaressaconexão:seráqueaproporçãoéamelhor formadegarantirarepresentação?Secadarepresentante defenderopiniõesepromoverosinteressesdoseuredu- toeleitoral,serápromovidoointeressecomumdacoletivi-dade5?E,oqueaconteceseosrepresentantessetornarem
diferentesdeseuseleitoradospelosimplesfatodeserem representantes?Ese,umavezeleitos,perceberemqueos eleitoresnãotêminteressespróprios?
b)Ospolíticosqueremsereleitosereeleitos6
.Eespe-ramqueoseleitoresvãoreelegê-losseelesperseguiremas propostaspolíticasapresentadasemsuascampanhaseleito- rais.Seospolíticosqueprocuramvenceraseleiçõessoubes-semapreferênciadoseleitoresdecisivos,elesapresentariam umaplataformaquecoincidissecomessaspreferências.Se elesesperamqueaspreferênciasdoseleitoresnãomudem, ouque,elasserãoconfirmadaspelaobservaçãodosresul-tados implemenouque,elasserãoconfirmadaspelaobservaçãodosresul-tados durante o mandato (Harrington, 1993a),entãoosrepresentantesseguemaspolíticasanun-ciadasprocurandoareeleição.Eseoseleitoressouberem oqueébomparaeles,oresultadoémelhorparaeles,de modoqueaameaçadoseleitoresdepunirdesviosdoman-datoéplausível.
c)Ospolíticosestãointeressadosemfazerquesuaspro- messastenhamcredibilidadenofuturo.Mesmoseoselei-toresacreditaremqueumdesviodomandatotenhasido benéfico,elesdescontarãopromessasfuturasdospolíticos
5.Umadificuldadecomestavisão,manifestadaemMill,équeenquantoaassem-bléiapoderefletirosinteressesproporcionalmente,muitasdecisõesvinculadasao governonãopermitemdistribuiçõesproporcionais.
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que adquiriram uma reputação de renegar suaspromes-sas de campanha. Portanto, os eleitores podem ameaçar osrepresentantesdevotarcontraelessetraíremsuaspro-messas, independentemente dos resultados. Essa ameaça éimplementadapelopartidorivalnomodelodeAlesina (1988),noqualoseleitoresnãotêmcomportamentoestra-tégico.Porsuavez,sãooseleitoresqueexecutamaameaça nomodelodeBank(1990),noqualacredibilidadedessa ameaçaésupostaemvezdederivada7.Conseqüentemente,
nomelhordoscasos,estaéumaestóriaincompleta.Retor-naremosaesseassuntomaisadiante.
Observe-sequearepresentaçãopormandatoéuma situaçãoemqueaspolíticasadotadaspelosrepresentan-tesseguemsuasplataformaseleitoraiseessaspolíticassão asmelhoresparaoscidadãossobascondiçõesobservadas pelos representantes. As três possibilidades distinguidas anteriormentelevamàconclusãodequearepresentação por mandato ocorre quando as vontades dos políticos e doseleitorescoincidem,ouquandoospolíticossepreo- cupamapenasemvenceraeleição.Paravencerelespreci-samprometereimplementaraspropostaspolíticasquesão melhoresparaopúblico.Mas,foraessafelizcoincidência, ospolíticospodemterincentivosparasedesviardaspro-postasdecampanha,eistoemfavordoqueémelhorpara opúblico,ou,seguiressaspropostasmesmocomcustos paraoeleitorado.
Paraclarearasdebilidadesdomecanismodemandato, suponha-sequeospolíticosnãopossamserreeleitos,nem
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mesmoumavez8.Oseleitoressabemque,umavezeleito,o
representantefaráqualquercoisaquedeseje.Semapuni-ção de votar novamente, os eleitores precisam adivinhar quaispartidosoucandidatosconcorrentestêmpreferências depolíticasquecoincidemcomasdelesequaissãoimpene-tráveisàcorrupçãodominantenocargo.Amenosque,no quadrodecandidatos,existamtaispolíticosequeoselei- toresadivinhemcorretamentequemelessão,oscandida-tosvitoriososnãoatuarãodemaneirarepresentativa.Seos políticostiverempreferênciasporpolíticasdistintasdaque-lasdoseleitoresdecisivos,elesirãoseafastardaspolíticas anunciadas;seelesperseguirembenefíciospróprios,tirarão proveitoourendasdocargo.
Alémdisso,paraseremeleitos,ospolíticospodemter quefazerpromessasainteressesespecíficos.Suponha-se,no espíritodaEscoladeRegulaçãodeChicago(Stigler,1975; Peltzman,1976;Becker,1958e1983)que(1)oseleitores sãoignorantes,racionaisounão,sobreoimpactodaspro- postaspolíticasparaseubem-estar,eque(2)paraseapre- sentaremaoseleitores,ospolíticosprecisamutilizarrecur-sos,incluindo–masnãoapenas–dinheiro.Ospolíticosse preocupamapenasemganhareleições,mas,paravencer, necessitamarrecadarrecursos.Devidoaofatodeoselei-toresnãoseimportaremcompropostaspolíticasquetêm apenasumimpactopequenoemseubem-estar,ospolíticos
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gemumcustopequenoparacadaeleitor–mascombene-fíciosconcentradosnessesgruposdeinteresse–,egastar naseleiçõesosrecursosarrecadadosnessatroca.Postoque aspolíticasquearrecadamrecursosdegruposespecíficos deinteressesãocustosasparaoseleitores,ospolíticosesco-lhempolíticasqueosdeixamindiferentessobreamargem entreaumentaroprópriobem-estardoseleitoreseasdes-pesasdecampanha.Assim,obem-estardoseleitoresnãoé maximizado.
O fato é que para existirem e se apresentarem aos eleitores,ospartidospolíticosprecisamarrecadarfundos. Quandoessesfundosvêmdeinteressesparticulares,sãotro-casdefavores.Presumidamente,sePhilipMorrisCo.Inc. contribuiuem1996commaisdeUS$2,5milhõesparao ComitêNacionalRepublicano(NewYorkTimes,28dejanei-rode1997,p.3),deveteresperadopelomenosUS$2,5 milhõesemfavores;deoutraforma,seusdirigentespode-riamtersidodespedidospelosacionistas.Osintercâmbios decontribuiçõespolíticasporfavoresdepolíticasgeram distorçõesatravésdeseusefeitosnadistribuiçãoderecur-sos.Ocustosocialdetaisdistorçõeséprovavelmentemuito maiordoqueaqueledorouboaberto,quecausadistorções apenasatravésdeseusefeitossobreosimpostos.
Porém,assituaçõesemqueouopolíticosedesviade suaspromessasemproldointeressedoseleitores,ouman-tém-nascontraointeressedeumamaioria,sãopossíveis mesmoseosrepresentantesenfrentameleiçõesrepetidase mesmoseascampanhaseleitoraisforembaratas(oususten-tadascomfinanciamentopúblico).
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naépocadeeleição:ogovernoanterior,competindoparaa reeleição,escondeuatristesituaçãodotesouro,eosganha-doresdaeleiçãodescobrem,aoassumiremocargo,queos cofresestãovazios.Digamosque“S”éamelhorpolíticaquan-doascondiçõessãoboas,enquanto“E”émelhorquandoas condiçõessãoruins.Então,ogovernosedeparacomaopção desedesviardomandatoparaobemdoseleitoresouade-riràspropostasapesardeascircunstânciasteremmudado. Porsuavez,oseleitores,queteriamconcordadoemmudar apolítica,setivessemobservadooqueogovernanteobser- vou,precisamdecidirseacreditamnamensagemdogover-no–quepareceráauto-interessada–semteracessodiretoà informação.Epodemseequivocaremumaoutradireção. Portanto,osrepresentantessedesviarãoumapartedotempo eoseleitorespunirãoalgunsdessesdesvios–bonsouruins.
Perceba-sequemesmoasmudançasdecondiçõesque sãoendógenasàpolíticadogoverno,masquenãoforam previstaspelospolíticosantesdechegaraocargo,podem serrazõesparamudarorumopolíticoemproldobem- estardoscidadãos;amudança,em1983,dogovernosocia-listafrancêspodeilustraresseponto.
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apolíticacorretafoiaescolhidaevotarãoparareelegê-lo.Assim,essepolíticopoderácontinuarumapolíticaqueéde fatomelhorparaoscidadãos.
Énecessáriodistinguiroutrasduassituações.Napri-meira(Harrington,1993a,seção4),osdoiscandidatostêm asmesmascrençassobreaspreferênciasdoeleitordecisivo, masdiferentescrençassobreaefetividadedaspolíticas,o quesignificaqueumdelesachaoeleitordecisivoerrado. Então,elesoferecemamesmaplataformaemsuascampa- nhaseleitorais,mas,umavezeleitos,podemseguirdiferen-tespolíticas.Seovencedoréocandidatoqueacreditaquea políticapreferidapeloeleitordecisivoésignificantemente inferioraumaalternativa,orepresentanteadotaapolíti- capreferidaporele,acreditandoqueoseleitoressecon-vencerãodesuasuperioridade,umavezqueosresultados sejamconcretizados.Emtaissituações,nósobservaremos candidatosqueapresentamamesmaplataformae,depois, desviam-sedeseumandato.
Nasegundasituação,osdoiscandidatostêmasmes-mas crenças sobre a efetividade das propostas políticas, masdiferememsuascrençasquantoàpreferênciadoelei-tordecisivo.Seeleitos,elesbuscarãorealizarasmesmas políticas,masparaseremeleitosvãoapresentardiferentes plataformas.Seovencedoréocandidatoqueacreditaque oseleitoresestavamerrados,umavezeleitocomorepre- sentantealteraapolítica.Emtaissituações,nósobserva-remosqueoscandidatosoferecemdiferentesplataformas edepoisseguemamesmapolíticaindependentementede quemfoieleito.
Repare-se que, em ambas as situações, os candidatos têmapossibilidadedesedesviardesuasplataformasquan-doeleitos,maselesofazemacreditandoqueestãoagindo pelobemdoeleitorado.
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eleitoresseconvencerãodaefetividadedamelhorpolítica; oraporqueoseleitoresestãocertosdequaispolíticassão melhoresparaeles,oraporqueaescolhadepolíticasnão fazgrandediferença.ComoHarrington(1993a)demons-tra,seoseleitoresinicialmenteacreditamqueumapolítica émelhordoqueoutra,serámaisdifícilqueseconvençam expostdasuperioridadedaalternativa9.Temendoque,se
propuserumaplataformaeseguiroutra,elenãoseráree-leito,orepresentanteofereceapropostainferior,preferida peloseleitores,eaimplementa,contraoqueeleconsidera-vasermelhorparaosinteressesdoscidadãos.Omandato seráimplementado,masospolíticosnãoatuarãodeforma representativa.
Em resumo, sob certas condições, os representantes podemoraexecutarpolíticasquemelhoramobem-estar doseleitorespormeiodedesviosdomandato,oraserobe- dientesaomandato,mesmoseacreditaremquesuaimple- mentaçãonãoserámelhorparaoseleitores.Seaimple-mentaçãodomandatonãoéomelhorqueogovernante podefazer,entãoédifícilacreditarnaameaçadepunição paraquemsedesviadomandato.Oseleitorespodemnão gostardegovernantesquetraemsuaspromessas,masnão punirãoospolíticosquebeneficiamoseleitoresmediante desviosdomandato.
Essa impunidade é atenuada por considerações de reputação(Downs,1957;Ferejohn,1995).Ospolíticostal-vezsepreocupemcomocomprometimentoapromessas
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te,ésabidoqueogovernopolaco“foiforçadoarecordar-sedaspromessasde1993eafazeralgumasconcessõesaos eleitores,sobapenadeperdersuacredibilidade”(Krauze, 1994).Seosrepresentantesanteciparemqueoseleitores nãoobservarãoapenassuaspolíticaspassadas,mastambém prestarãoatençãonasnovaspromessas,istoé,seseudesem-penhopassadonocargonãoécompletamenteinformativo, elesprecisamsepreocuparemqueseacrediteneles,oque, porsuavez,moderasuastentaçõesdesedesviardeanti-gaspromessas.Umpolíticoqueexecutaumamanobraterá quedescansarsomenteemseudesempenhopassadoquan-doforbuscarareeleição,enquantoqueumpolíticoquese mantémfielasuaspromessasterámaiorespossibilidadesde oeleitoracreditarnele.Porsuavez,oseleitorespoderiam punirospolíticosquerenegamsuaspromessascomoum investimentoeminformação.Depoisdetudo,oseleitores queremquesuasescolhastenhamconseqüências;portanto, elesdesejamserviávelpreverocomportamentodospolíti- coscombaseemsuasplataformaspolíticas,retóricaseiden-tidades.Ospolíticospodemargumentarquecircunstâncias imprevisíveissãorazõesparaelessedesviaremdomandato, mastêmquedaralgumaexplicaçãoparafazê-lo.Istoevi-dênciaprimafaciequeelespensamqueseesperaquesigam omandato.
naPolônia.Nenhumaconstituiçãodemocráticaemâmbi-118
tonacionalpermitearevogação,e,excetonaCâmarade RepresentantesdosEstadosUnidos,osperíodoseleitorais tendemaserlongos–emmédia,3,7anosparalegisladores e3,9anosparapresidentes(CheibudePrzeworski,1999). Enquanto disposições paraimpeachment e procedimentos para retirar a confiança dos representantes são comuns, elesnuncasãovoltadosapuniratraiçãodepromessas10.
Referendosnacionaiscomefeitosvinculantesefundamen-tadoseminiciativaspopularesapenasexistemnaSuíça,e, sobformasmaisrestritas,naItáliaenaArgentina.Nesse sentido,umavezqueoscidadãoselegemosrepresentantes, nãohádispositivosinstitucionaisqueosforcemacumprir suaspromessas.Oseleitorespodemsancionardesviosdos mandatosapenasdepoisdeexperimentaremseusefeitos.
Porque,então,nãohámecanismosinstitucionaispara forçarospolíticosempossadosaseremfiéisasuasplatafor- mas?Historicamente,oprincipalargumentoeraquedeve-riasepermitiraoslegisladoresdeliberar.Aspessoasquerem queseusrepresentantesaprendamumcomooutro.Além disso,quandoaspessoasestãoinsegurassobreseusjulga-mentos, podem querer que os representantes consultem peritos.
Outroargumentohistóricoeraqueoseleitorespodem desconfiardeseusprópriosjulgamentos.Aspessoaspodem nãoapenasestarcommedodesuasprópriaspaixões,mas se são racionalmente ignorantes, devem reconhecer que nãosabem.Presumivelmente,aseleiçõesestabelecemum calendárioparaumacertodecontas;portanto,oscidadãos podemquererdaraosgovernantesalgumaliberdadepara
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governareavaliarasaçõesdoslíderesnasépocasdeelei-ções.O’Flaherty(1990)argumentaqueessaéarazãopara elegerpolíticosporumtempodeterminado;dessamaneira, oscidadãospodemseprotegercontrapreferênciasincon- sistentesnotempoe,noentanto,exercerocontroleapos-teriori(expost).
Finalmente,asinstituiçõesdevempermitirlidarcom mudanças de condições. Nenhuma plataforma eleitoral podeespecificarapriorioqueogovernodeveriafazerem cadaestadocontingentedecoisas;osgovernosprecisam teralgumaflexibilidadeparaenfrentarmudançascircuns-tanciais.Seoscidadãosesperamqueascondiçõesdevem mudareosgovernossãorepresentativos,nãovãoamarrar osgovernosasuasinstruções11.
Portanto, existem boas razões para as instituições democráticasnãotermecanismosparaobrigaraobediên-ciaaomandato.Nósescolhemospolíticasquerepresentam nossosinteressesoucandidatosquenosrepresentamcomo pessoas,masqueremosqueosgovernantessejamcapazes degovernar.Emconseqüência,emborapreferíssemosque osgovernantessemantivessempresosàssuaspromessas, ademocracianãocontémmecanismosinstitucionaispara assegurarquenossasescolhassejamrespeitadas.
Aconcepçãoderepresentaçãoporprestaçãodecontas
Mesmoseoscidadãossãoincapazesdecontrolarosgover-nosobrigando-osaseguiremmandatos,oscidadãosquiçá consigamfazê-lo,sepudereminduzirosrepresentantesa anteciparqueelesterãoqueprestarcontasporsuasações120
tação de contas, caso os eleitores possam discernir se os governantesestãoagindoemproldeseusinteressesecaso possam sancioná-los apropriadamente, de tal forma que aquelesrepresentantesqueagiremembenefíciodointe-ressedoscidadãosvencerãoareeleiçãoeaquelesquenãoo fizerem,perderão.Representaçãoporprestaçãodecontas ocorrequando(i)oseleitoresvotamparareteremosrepre-sentantessomentequandoelesagememfavordointeresse dosprimeiros,e(ii)orepresentanteescolhepolíticasneces-sáriasparaserreeleito.
Paraentenderporquesurgeoproblemadaprestação decontas,devemosconsiderarnovamenteosobjetivosdos políticos.Elespodemnãoquererfazernadaqueoscida- dãosbeminformadosnãoteriamgostadoquefizessem;tal-veztenhamespíritopúblicoparasededicaremtotalmentea promoverointeressecomum.Elestambémpodemquerer, todavia,algumascoisasdiferentesecomcustosparaoscida- dãos,oraapenasalgumasmetasqueoscidadãosnãocom- partilham,oraareeleiçãoouganhosparticulares.Ospolí-ticospodemquererpromoversuasprópriasidéias,mesmo seforemdistintasdavontadedoscidadãos12.Algunspodem
seimportarmaisemcrescernacarreiracontraoutrospolí-ticos, dentro do governo ou do mesmo partido. Outros podembuscardestaque(Niskanen,1971).Háaquelesque podem querer enriquecer-se às custas dos cidadãos, seja enquantoestãonocargoouapósdeixá-los.Enfim,alguns podemestarmaispreocupadosemobteroreconhecimento dosestrangeiros.Emtodosessescasos,ospolíticosvãoque-reralgumacoisacujabuscaédanosaparaoscidadãos.Por faltadeumtermomelhoreparamanterumaterminologia regular,nósvamosnosreferiraessascoisascomorendas.
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Paraintroduziroutrotermocomumnaliteratura,há diferentescaminhosemqueospolíticospodemse“esqui-vardasuasresponsabilidades”(shirk),istoé,fazercoisasque oscidadãosnãoqueriamqueelesfizessem.Elesseesquivam sepassaremotempoconspirandocontraseusrivais,seagi-remparaincrementarsuaprópriariqueza,seestenderem favoresclientelistasparaseusfamiliareseamigos;entretan-to,omeiomaisimportanteemqueelespodemagircontra osinteressesdeseuseleitoreséescolherpolíticasquebene-ficiamseusinteressesparticularesouosinteressesdealgum grupoespecifico,aoqualdevemfavores.Oscidadãosenfrentamoproblemadeestabeleceruma trocacomospolíticos–entreextrairrendaseperderocargo ounãoextrairrendasemanter-senocargo–quepoderia induzi-losamantercomportamentosrentistasbaixos,enten-dendoquemanterrendasbaixassignificariafazeroqueos eleitoresquerem.Avisãopadrãodecomofuncionaomeca- nismodeprestaçãodecontasbaseia-seno“votoretrospecti- vo”.Nesseenfoque,oscidadãosestabelecemalgumparâme-trodedesempenhoparaavaliarosgovernantes:“meusalário devesubirpelomenosquatroporcentoduranteoperíodo”, “asruasprecisamserseguras”,ouatémesmo“aseleçãonacio-nalprecisaclassificar-separaaCopadoMundo”.Oscidadãos votamcontraosrepresentantesamenosquesatisfaçamesses critérios.Porsuavez,ogoverno,esperandoserreeleitoe antecipandoaregradedecisãodoseleitores,faráoquefor possívelparasatisfazertaiscritérios.
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osrepresentantesqueremserreeleitos.Suponha-seainda queoeleitoradosabetudooqueprecisasaberequeele, paraintroduzirosrepresentantesaatuartãobemquanto possívelemdeterminadascircunstâncias,estabeleceparâ- metrosdedesempenhoparacondiçõesboasoumás.Nes-secaso,ogovernoatuarádemaneirarepresentativaeos cidadãosobterãoomelhorpossívelemambasascondições. Poroutraspalavras,aprestaçãodecontasinduzàrepresen-tação(Key,1966).ComoFiorina(1981:11)seexpressou: “Dadoscertosatorespolíticosquedesejamfervorosamente preservarsuasposiçõeseque,cuidadosamente,antecipam areaçãodopúblicoemexercíciodocargocomomeiopara alcançarumfim,umeleitoradoquevotaretrospectivamen-tecolocaráemvigoraprestaçãodecontas,mesmoqueseja nosentidoexpostenãoexante”.
Porém,suponha-sequeoseleitoresnãosabemquaissão ascondições.Ospolíticosconhecemessascondições,mas, paraoseleitores,podeserinviávelobservá-lasoutalvezpos-sammonitorá-lasapenascomumcertocusto.Taiscondições podemincluiraposturadenegociaçãodegovernosestran-geirosoudeinstituiçõesfinanceirasinternacionais(algoque oscidadãosnãopodemobservar);ouoníveldedemandada exportaçãodosmaiorescompradoresdopaís(algoqueos eleitoresconseguemobservarapenassesetornaremecono- mistas).Então,oseleitoresestãoemumdilema:seelesesta-belecemumparâmetroelevadoeascondiçõesforemruins,o representantenãoseráreeleito,façaoqueelefizer,eeleirá buscarrendasexcessivas.Porsuavez,seoseleitoresestabe-lecemumparâmetrobaixo,orepresentanteterácondições deprocurarrendasexcessivasquandoascondiçõesforem boase,nessecaso,seráreeleitodandomenosaoseleitores doquepoderiaterdado.Sejaqualforadecisãodoseleitores, ospolíticosalgumasvezesvãoescapardeseucontrole.
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prévias foram míopes: estavam preocupados apenas em mudançasparaoseubem-estarduranteopresente.Masse oseleitoresforemcompletamenteracionais,tambémdeve-riam preocupar-se no valor presente do seu futuro bem-estar,olegadoqueorepresentantedeixaparaofuturo.Se aeconomiacresceporqueogovernocortatodasasárvores dopaís,oeleitorviverádechampagneduranteoperíodo, masnãohaveráárvoresparacortar.Porsuavez,seaecono- miadecresceporquepassaporreformasestruturais,oselei-toressofrerãoprivaçõeseconômicas,maspoderiamtersido melhoradasasoportunidadesdesuasvidasnofuturo.Tudo oqueoseleitoresobservam,todavia,éamudançadoseu bem-estarduranteoperíodo,etêmquefazer,nestabase, inferências sobre o futuro. Digamos que os eleitores do governoemexercícioobservamseubem-estaratualdecair: deveriamelesconcluirqueogovernanteestáinvestindono futuroouperseguindoquimeras(neoliberais)porsuacon-ta,ousimplesmenteroubando?ConformeStokes(1996a) demonstra,oseleitorespodemadotarumadastrêsseguin-tesposturas:a) Eles podem extrapolar a experiência atual para ofuturo.Estaéapostura“normal”,aomenoséoqueos modelosdovotoretrospectivonormalmenteassumem.
b) Eles podem assumir uma postura “intertemporal” (Przeworski,1996),eesperandoqueaspiorescoisasjápas-saram,prevêemomelhorparaofuturo.
c)Elespodemassumirumaposturade“exoneração”, atribuindoodeclíniodeseubem-estaràsmáscondições, maisdoqueaqualquercoisaqueogovernotenhafeito.
tossalariaisintertemporalmente,comoprevisãodainfla-124
ção,masquesãoavessosaoriscoquantoaodesemprego etornam-secontraosgovernosqueogeram.Contudo,há outrosestudosqueconcluemqueaspessoassãosensíveisà inflaçãoerelativamenteindiferentesaodesemprego(Rose, 1997;Weyland,1996).Emqualquercaso,hápoucoemque aspessoaspossambasearseusjulgamentos.
Osmodeloseleitoraisdeprestaçãodecontasnormal-menteassumemque,enquantooseleitoresnãoconhecem aquiloqueprecisariamsaberparaavaliarosgovernos,os representantessabemoqueprecisamfazerparaseremree-leitos.Oartifícioimplícitonoqualessemodelosebaseia équeoseleitoresoferecemumcontratoaogoverno:“se vocênosderpelomenosisso,nósvotaremosemvocê;caso contrário,não”.Porém,oseleitoresnãooferecemtaiscon-tratos.Percebaquenóspoderíamosdepositarnãoapenas cédulasnumaurna,mastambémumalistacomnossascon-dições para reeleger o representante. Contudo, nós não fazemos isso, e não o fazemos porque queremos que os governantesfaçamtudooquepuderempornós,maisdo quesimplesmentesatisfazernossasdemandasmínimas.De fato,Manin(1997)mostraqueoseleitorespodemdecidir reelegerorepresentantesobrequalquerbasequedesejem levaremconsideração,incluindoaclassificaçãoparaaCopa doMundo,epodemmudardeidéiaentreoinicioeofinal doperíododegoverno.Pelomenosnessesentido,oseleito-ressãosoberanos.
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mantersuasexpectativasemsegredo.Quando,entretanto,osrepresentantesestãomenospreocupadosemsereeleger e,porsuavez,oseleitoresesperamqueascondiçõessejam boas, o melhor que os eleitores podem fazer é formular demandaspontuaisefazerqueospolíticostomemconhe-cimentodelas.Finalmente,quandoosrepresentantesdão aindamenosvalorparaareeleiçãoeoseleitoresesperam queascondiçõessejammás,nãohánadaqueoseleitores possamfazerparaevitarqueosgovernantesextraiamren- dasexcessivasseascondiçõesforemboas.Portanto,oselei-toresestarãomelhorsepuderem,estrategicamente,revelar ounãosuasdemandas;mas,parafazê-lo,aindaprecisam saberquantoimportaparaorepresentanteserreeleitoe qualaprobabilidadedeascondiçõesseremboas.
Emsuma,aprestaçãodecontasnãoésuficientepara induzirarepresentaçãoquandooseleitorestêminforma-çõesincompletas.
Ousodovotoparadoispropósitos
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comverossimilhançaseuvotoparapenalizarorepresentan- te,ameaçarcomautilizaçãodessaferramentaéumafor-maperfeitamenteracionaldeinduzirosgovernosaagirem bemnofuturo.
Por tudo o que sabemos, os eleitores não avaliam se devemusaroúnicoinstrumentoqueelestêm,ovoto,para escolherummelhorgovernoouparaestruturarincentivos dirigidosaogovernoemexercício.Fearon(1999)oferece evidênciaspersuasivasdequeoseleitoresqueremescolher osmelhorespolíticoseasmelhorespolíticas.Nãoobstan-te, votar “para mantê-los honestos” também parece estar enraizado no repertório da cultura democrática. Rema-nesceofatodeoseleitoresteremapenasuminstrumento paraalcançardoisobjetivos:escolherasmelhorespolíticas eosmelhorespolíticos,einduzirosúltimosacomportar-sebemenquantoestiveremnocargo.Aquestãoentãoé:o queacontecequandooseleitorestentamusarovotopara ambosospropósitos?
eleitoresvotarãoporumconcorrentecomalgumaproba-127
bilidadepositiva,orepresentanteoptaráporumnívelmaisaltoderentabilidade.Portanto,asrendasnecessáriaspara induzirorepresentanteabuscarareeleição,quandooselei-toresusamovotocomoummecanismodeseleção,sãomais altasdoquequandooseleitoressóestãopreocupadoscom osincentivosparaogovernanteemexercício.Nessesenti- do,usarovotoparaescolheromelhorgovernoprospectiva-menteécustosoparaoseleitoresemtermosdoseucontrole sobreorepresentanteemexercício(vejaFearon,1999)
Nota-se imediatamente que pode surgir o seguinte pesadelo(Ferejohn,1986;BankseSundaram,1993):seos eleitoressempreacharemqueoconcorrenteémelhor,logo osrepresentantesnãopoderãojamaisserreeleitosesem- preescolherãoextrairrendasaltas.Porsuavez,seosrepre-sentantesextraíremrendasaltas,oseleitoresnuncavotarão neles.Orepresentantesabequeoseleitoressempreseincli- narãopelaspromessasdoadversárioesempreextrairáren-dasmáximas.Issosignificaqueseoseleitoresacreditarem quetodosospolíticossãoiguais,estarãosegurosdequeos concorrentessãomelhores.Nessasituação,ocontroledos eleitoresserompetotalmente13.
Porém,mesmoseoseleitorespodemsercrédulos,não sãoassimingênuos.Odesempenhodogovernanteéinfor-mativo. Como descobriu Bartels (1988), o desempenho anteriordopresidente,pelomenosnosEstadosUnidos,é umbompreditordeseudesempenhofuturo(enãodaque-ledoconcorrente).Assim,oseleitoresqueusamseuvoto prospectivamentetêmboasrazõesparabasear-senainfor-maçãoretrospectiva.Harrington(1993b)demonstraque
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quantomaisincertezatêmoseleitoressobreosresultados depolíticaspúblicas,maisdeveriambasear-seeminforma-çõessobreodesempenhoanterior.Elespodemobservar odesempenhoanteriordorepresentanteedecidirqualé a probabilidade do adversário ser melhor. Não obstante, namedidaemqueoseleitoresusemovotoparaelegero melhorgoverno,devemdiminuiropoderdosincentivos paraosrepresentantesemexercício.
Madison(OFederalista,n.o57)pensouque“oobjetivo
detodaaconstituiçãopolíticaé,oudeveriaser,primeiro, obter,paragovernar,homensquepossuamumaaltasabe-doriaparadiscernireamaiorvirtudeparaperseguirobem comumdasociedade;posteriormente,tomarprecauçõesas maisefetivasparamantê-losvirtuososenquantocontinua-remaserfiduciáriospúblicos”.Utilizarovotoparaambos ospropósitos–obterosmelhoresgovernantesemantê-los virtuosos–nãoéirracional:enquantooseleitoresperdem algodocontrolesobreorepresentante;emtroca,elesele-gemummelhorgoverno.Noentanto,osistemadesignado porMadisoneseuscolegastornapossívelempenhar-seape-nasporumdessespropósitos,àscustasdooutro.
Instituições,eleiçõeserepresentação
Asdemocraciasnãosãotodasiguais,eépossívelquealguns sistemasdemocráticospromovammaisarepresentaçãodo que outros. Embora nós tenhamos pouco conhecimento sistemáticosobreosefeitosdearranjosinstitucionaisparti-cularesnocontroledoseleitoressobreospolíticos,alguns fatoresinstitucionaismerecematenção.
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éresponsávelpeloquênessascircunstâncias(todavia,verAnderson,1995).
Hamiltonargumentou,emOFederalistan.o70,quea
prestaçãodecontaséobscurecidasobumexecutivoplural, istoé,umexecutivodegabinete:“Masumadasobjeções demaiorpesoàpluralidadenoexecutivo[...]équeten-deaocultarfalhaseadestruiraresponsabilidade[...]As circunstânciasquepodemterconduzidoaqualquerfracas-soouinfortúnionacionalsãoàsvezestãocomplicadasque háumnúmerodeatorescomdiferentesgrausetiposde agência.Emborapossamosverclaramentesobreotodoque houveerrosnaadministração,épraticamenteimpossível pronunciarquemdeve,defato,pagaresseseventuaiserros malignos”.Porém,umaambigüidadesimilarapareceem sistemaspresidenciais.Bagehot(1992:67)expressouesse pontodevistaenergicamente:“Doishomensinteligentes nuncaestãopropriamentedeacordosobreumorçamento [...]Elesestãosegurosnadiscussãoeoresultadocertamen-tenãosatisfaráanenhumdosdois.Equandoosimpostos nãogeramrendimentoscomoseesperava,quemérespon-sável? Muito provavelmente, o secretário do tesouro não poderiaconvenceropresidentedocomitê,assimcomopro- vavelmenteopresidentenãopoderiaconvencerseucomi-têeocomitênãopoderiaconvenceraassembléia.Quem, então,podemospunir–quemvocêpodedeixardelado –quandoosimpostosnãoseequilibram?”
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Assim,parecequeasinstituiçõesmajoritáriasgeramgover- nosquesãomaisdistantesdoseleitoresnoespaçodaspolí-ticas,mascommaiorprestaçãodecontas.Arelaçãoentreas preferênciasdoscidadãoseaspolíticasreais–nãoestudada porPowell–éconseqüentementeindeterminada.
b)Oseleitoresdevempodervotarpararetirardocar-goospartidosresponsáveisporumdesempenhoruim,e ospartidosporeleseleitosdevempodertomarpossedo governo.Essaspoderiamparecercaracterísticasuniversais dademocracia,massobalgunssistemaseleitoraissãoqua-se impossíveis: testemunhe a contínua permanência dos DemocratasCristãosnaItáliaoudoPLDnoJapão,ouafra-caconexãoentreosresultadosdavotaçãoeosresultados eleitoraisnaBolívia.ComoPasquino(1994:25)colocouno quedizrespeitoàItália:“ospartidosgovernantesparecem expropriaroseleitoresdainfluênciapolítica,aofazeredes-fazergovernosdetodososníveiscommuitopoucorespeito peloresultadoeleitoral”.
c) Os políticos devem ter incentivos para desejarem serreeleitos.Essacondiçãotorna-seproblemáticaquando hálimitaçõesparaareeleição,algohabitualnossistemas presidenciais(CheibubePrzeworski,1999),equandoos partidos políticos não são organizados burocraticamente deformapermanente,demodoqueofereçaaosmilitantes perspectivasdecarreira(Zielinski,1997).Paldam(1991) observouque,quandoosistemapartidárioéestável,oscoe- ficientesdafunçãoquerelacionaprobabilidadedereelei- çãocomresultadoseconômicossãomaioresesuasestimati-vasmaisprecisas.
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ganharocargoe,paratal,necessitaanteciparjulgamentos retrospectivosqueoseleitoresfarãosobreosrepresentan- tes.Antecipandoessesjulgamentos,aoposiçãotemincen-tivosparainformar(verdadeiramenteounão)oseleitores sobreodesempenhodosgovernantes.Nãoobstante,aexistênciadeumaoposiçãoquequere podemonitorarodesempenhodogovernonãodeveriaser assumidacomoumpressuposto.Aoposiçãopodecoligar-secomogoverno14oupodeestartãodivididaquepassea
dedicarmaisenergiacombrigasinternasdoquecontraos governantes.Aoposiçãopodenãovisualizarnenhumachan-cedevitóriaefazeralgumaoutracoisaemvezdemonitorar ogoverno(veja,Pasquino,1994,arespeitodoPCInaItá-lia).Epodeounãoterrecursosparafazê-lo.Entreosvinte paísesqueestudaPowell(1990),apenasnoveprovidenciam recursosparaaoposiçãoemcomitêslegislativos.Emcontra- posição,umaoposiçãoquesempreseopõenãoémaiscon-fiávelparaoseleitoresdoqueogoverno.Secadavezqueo governodizumacoisa,aoposiçãodefendequeéfalso,os eleitoresnãoestãodemodoalgummaisbeminformados. Portanto,aoposiçãodesempenhaumpapeldeinformaros eleitoressomentequandonãosealiaaogoverno,nemo contradizsempre.
e)Amídia,cujopapeléenfatizadoporArnold(1993), realizaumpapelparticular.Amenosquetenhainteresses claramentepartidários,émaisconfiáveldoqueogoverno eaoposição.
f)Finalmente,mastalvezomaisimportante,oselei-toresprecisamteralgunsinstrumentosinstitucionaispara
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recompensarecastigarosgovernospelosresultadosque geraramemâmbitosdistintos.Aseleiçõessãoinerentemen-teuminstrumentonadaacuradodecontrole:oseleitores têmapenasumadecisãoparafazernoquedizrespeitoa umpacoteinteirodepolíticasgovernamentais.Suponha-se queumgovernotemquetomardezdecisõesduranteuma gestão,orepresentantetomatodasasdecisõescontraointe-ressedamaioriaeoadversárioprometefazerumadecisão correta.Então,oscidadãoselegerãoumgovernoquetome novedecisõesincorretas.Obviamente,aperguntaé:por quealgumoutrocandidatonãopoderiaseproporatomar duasdecisõescertas,outrês,ouquatro,outodasasdez? Umarespostasãoasbarreirasdeentrada:apolíticapartidá-riaéaindústriamaisprotegidanosEstadosUnidos.Masse nãohouvessebarreirasdeentrada,entãohaveriaincentivos paraformarpartidos,queprometeriamfazertodasasdez decisõescorretas,nãocumpririamnenhumadelaseiriam embora.Seaentradanosistemaeleitoralimplicacustos fixos,acompetiçãoserálimitada;seégratuita,ospartidos nãosofrerãoquandoperderem.Assimtemosouumsistema departidosdealtacolusão,comonosEstadosUnidos,ou umcompletamenteefêmero,comonoEquador,ondehá umnovosistemadepartidosacadaeleição15.Emambosos
casos,ocontroleélimitado.
Conclusão:aeleiçãocomomecanismoderepresentação
Emboraademocracianãopossaassegurararepresentação, éplausível,todavia,queademocracialevemaisàrepresen- taçãodoqueosregimesalternativos.Aindaassim,aconclu-sãodestaanálisedeveserqueocontroledoscidadãossobre ospolíticosé,nomelhordoscasos,altamenteimperfeitona maioriadasdemocracias.Aseleiçõesnãosãomecanismos133
suficientesparaassegurarqueosgovernantesfarãotudooquepuderemparamaximizarobem-estardoscidadãos. Essenãoéumargumentocontraademocracia,maspor umareformaeumainovaçãoinstitucional.Nósnecessitamos deinstituiçõeseleitoraisqueaumentematransparênciada responsabilidadeefacilitemparaoscidadãosrecompensar oupunirosresponsáveis.Precisamosdecondiçõesmorais eeconômicasnasquaisoserviçopúblicousufruaderespei-toassimcomoderecompensasmateriaisapropriadas.Além disso,precisamosdeinstituiçõesqueforneçaminformações independentessobreogovernoaoscidadãos–“agênciasde prestaçãodecontas”,emtermossemelhantesaodaComis-sãoAustralianadeReformaGovernamental(DunneUhr, 1993).Taisinstituiçõesdevemincluir(i)umconselhoinde-pendenteparagarantiratransparênciadascontribuiçõesde campanha16,compoderesprópriosdeinvestigação;(ii)um
braçoauditorindependentedoEstado,umauditorgeral (BancoMundial,1994:32),noestilodacontraloríachilena; (iii) uma fonte independente de informações estatísticas sobreoestadodaeconomia;e(iv)umespaçoprivilegiado paraqueaoposiçãovigieasmídiaspúblicas.
Mesmoseasresponsabilidadesforemclaramenteassi-nadas,osmausgovernospuderemsercastigadoseosbons eleitos,oseleitoresforembeminformadossobrearelação entrepolíticoseinteressesespecíficos,eocomportamen-todospolíticosembuscaderentabilidadesestiversujeitoa escrutíniocuidadoso,aeleiçãonãoéuminstrumentosufi-cientedecontrolesobreospolíticos.Osgovernostomam milhares de decisões que afetam o bem-estar individual. Eoscidadãostêmapenasuminstrumentoparacontrolar
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essasdecisões:ovoto.Nãoépossívelcontrolarmilharesde metascomuminstrumento.Assim,porexemplo,separar asdecisõesmonetáriasdeoutrasdecisõespolíticasevotar separadamente,eemintervalosespaçados,paraelegero diretordoBancoCentral,poderiadaraoseleitoresumins-trumentoadicionaldecontrole,comresultadossuperiores tantoadaraogovernoadiscricionariedadesobreapolítica monetáriaquantoadelegarasdecisõesaumbancocentral independentedocontroledoseleitores(Minford,1995).
Ofatoéqueduranteosúltimosduzentosanostemos pensadopoucosobreodesenhoinstitucionaldademocra-cia.Desdeagrandeexplosãodopensamentoinstitucional, quandoasinstituiçõesdemocráticasatuaisforaminventadas –eforammesmoinventadas–nãotemhavidopraticamen-tenenhumacriatividadeinstitucional.Excetopelasnunca implementadasmedidasparaaco-administraçãodostraba- lhadoresnaConstituiçãodeWeimar,adescobertadarepre-sentaçãoproporcionalnadécadade1860foiaúltimagrande invençãoinstitucional.Todasasdemocraciasqueemergiram desdeofinaldoséculoXVIII,incluindoasmaisrecentes, apenascombinaramemdiferentesformas,freqüentemente peçaporpeça,asinstituiçõespreexistentes.Há,portanto, muitoespaçoparaacriatividadeinstitucional.
BernardManin
éprofessordoDepartamentodePolíticadaUniversidade deNovaYork
AdamPrzeworski
éprofessordoDepartamentodePolíticadaUniversidade deNovaYork
SusanC.Stokes
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ELEIÇÕESEREPRESENTAÇÃO
BERNARDMANIN,ADAMPRZEWORSKIESUSANC.STOKES
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Palavras-chave:TeoriaDemocrática;Responsividade;Controle darepresentação.
ELECTIONSANDREPRESENTATION
Theissueofthisarticleishowmuchtheelectoralmechanismcan effectivelymaketheinstitutionsofdemocracymorerepresentative. Theauthorssingleoutsomecriticallimitationsfortheconstituents toenhancecontrollingmechanismsovertheirrepresentatives.