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REVISTA
BRASILEIRA
DE
REUMATOLOGIA
Artigo
original
Análise
das
propriedades
psicométricas
do
American
Orthopaedic
Foot
and
Ankle
Society
Score
(Aofas)
em
pacientes
com
artrite
reumatoide:
aplicac¸ão
do
modelo
Rasch
Cristiano
Sena
da
Conceic¸ão
a,b,∗,
Mansueto
Gomes
Neto
a,c,
Anolino
Costa
Neto
a,
Selena
M.D.
Mendes
b,
Abrahão
Fontes
Baptista
de
Kátia
Nunes
Sá
baDepartamentodeBiofunc¸ão,Fisioterapia,UniversidadeFederaldaBahia,Salvador,BA,Brasil bProgramadeMedicinaeSaúde,EscolaBaianadeMedicinaeSaúdePública,Salvador,BA,Brasil cProgramadeMedicinaeSaúde,UniversidadeFederaldaBahia,Salvador,BA,Brasil
dDepartamentodeBiointerac¸ão,UniversidadeFederaldaBahia,Salvador,BA,Brasil
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem26deagostode2014 Aceitoem1dedezembrode2014
On-lineem28dejaneirode2015
Palavras-chave:
Artritereumatoide Incapacidade Escala Avaliac¸ão AnáliseRasch
r
e
s
u
m
o
Objetivo:TestaraconfiabilidadeeavalidadedoescoreAofasemumaamostradepacientes comartritereumatoide.
Métodos:Aescalafoiaplicadaapacientescomartritereumatoide,duasvezespelo entre-vistador1eumavezpeloentrevistador2.OAofasfoisubmetidoaexamedeconfiabilidade teste-reteste(com20indivíduoscomartritereumatoide).Aspropriedadespsicométricas foraminvestigadaspelaanáliseRaschem33pacientescomartritereumatoide.
Resultados:Ocoeficientedecorrelac¸ãointraclasse(CCI)foide0,90<CCI<0,95(p<0,001)para aconfiabilidadeintraexaminadore0,75<CCI<0,91(p<0,001)paraaconfiabilidade interexa-minador.Oíndicedeseparac¸ãodosindivíduosfoide1,9e4,75paraositens.Issodemonstra queospacientessedividiamemtrêsníveisdehabilidadeeositensforamdivididosemseis níveisdedificuldades.AanáliseRaschmostrouqueoitoitensforamsatisfatórios.Foi iden-tificadoumitemerrôneo,quemostroupercentuaisacimados5%permitidospelomodelo estatístico.Alémdisso,omodeloRaschsugeriuarevisãodoitem8original.
Conclusões:OsresultadossugeremqueaversãobrasileiradoAofasapresentaconfiabilidade adequada,validadedeconstructoeestabilidadederesposta.Essesresultadosindicamque aescaladetornozelo-retropéAofasapresentaumpotencialsignificativodeaplicabilidade clínicaemindivíduoscomartritereumatoide.Outrosestudosempopulac¸õescomoutras característicasjáestãoemandamento.
©2015ElsevierEditoraLtda.Todososdireitosreservados.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](C.S.Conceic¸ão).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2014.12.003
Analysis
of
the
psychometric
properties
of
the
American
Orthopaedic
Foot
and
Ankle
Society
Score
(AOFAS)
in
rheumatoid
arthritis
patients:
application
of
the
Rasch
model
Keywords:
Rheumatoidarthritis Disability
Scale Evaluation Raschanalysis
a
b
s
t
r
a
c
t
Objective: TotestedthereliabilityandvalidityofAofasinasampleofrheumatoidarthritis patients.
Methods:Thescalewasapplicabletorheumatoidarthritispatients,twicebytheinterviewer 1andoncebytheinterviewer2.TheAofaswassubjectedtotest-retestreliability analy-sis(with20Rheumatoidarthritissubjects).Thepsychometricpropertieswereinvestigated usingRaschanalysison33Rheumatoidarthritispatients.
Results: Intra-ClassCorrelationCoefficient(ICC)were(0.90<ICC<0.95;p<0.001)for intra--observerreliabilityand(0.75<ICC<0.91;p<0.001)forinter-observerreliability.Subjects separationrateswere1.9and4.75fortheitems,showingthatpatientsfellintothreeability levels,andtheitemsweredividedintosixdifficultieslevels.TheRaschanalysisshowedthat eightitemswassatisfactory.Oneerroneousitemhavebeenidentified,showingpercentages abovethe5%allowedbythestatisticalmodel.FurtherRaschmodelingsuggestedrevising theoriginalitem8.
Conclusions:TheresultssuggestthattheBrazilianversionsofAofasexhibitadequate reliabi-lity,constructvalidity,responsestability.ThesefindingsindicatethatAofasAnkle-Hindfoot scalepresentsasignificantpotentialforclinicalapplicabilityinindividualswithrheumatoid arthritis.Otherstudiesinpopulationswithothercharacteristicsarenowunderway.
©2015ElsevierEditoraLtda.Allrightsreserved.
I
ntroduc¸ão
A artrite reumatoide é umadoenc¸a crônica incapacitante. Poderesultaremprejuízonasfunc¸ões, incluindodor mus-culoesquelética,rigideznasarticulac¸ões,perdadaamplitude de movimento, fraqueza muscular e lesões articulares. Aincapacidadecausalimitac¸õesnasatividadeserestric¸ões naparticipac¸ãodoindivíduo.1
A quantidade de ensaios clínicos que abordam a capa-cidadefuncional como desfecho clínico empacientes com artrite reumatoide tem aumentado ao longo da última década.2Tambéméimportantereconhecerqueforam desen-volvidasmedidasnaartritereumatoide paraquantificar as consequênciasdadoenc¸a,mascompoucaatenc¸ãoaos aspec-tosfuncionais.3 Amaiorpartedosestudosqueenvolvema artritereumatoidetemusadoo HealthAssessment Questi-onnaire(HAQ).Essequestionário éinfluenciadoporfatores sociais,comooníveldeescolaridade,erequerumagrande alterac¸ãonapontuac¸ãopararepresentarumamudanc¸a sig-nificativanacapacidadefuncionaldopaciente.4,5OHAQtem menorconsistênciaquandocomparadocomoutrasmedidas, comoosníveisdeproteína-Creativa(PCR),avelocidadede hemossedimentac¸ão(VHS),onúmerodearticulac¸ões doloro-saseaavaliac¸ãoglobaldopaciente/médico.6 Alémdisso,o HAQéumaferramentacomconsiderável“efeitoteto”e,assim, éincapazdedetectarumapioriadepois dealcanc¸adauma pontuac¸ãomáxima.7
Os danos ao pé ocorrem em 85 a 100% dos pacientes com artrite reumatoide. A sinovite erosiva é a principal razãoparaosaltosníveisdedore/ouincapacidade.8,9Outros métodospadronizadosqueavaliemmaisespecificamente a incapacidadecausadapela disfunc¸ãonospés enamarcha
em pacientescom artrite reumatoidesão necessários para a prática clínica. Em 1994, a American Orthopaedic Foot and AnkleSociety(Aofas)desenvolveuescalasdeavaliac¸ão para o tornozelo-retropé, mediopé, metatarsofalângica--interfalângicadoháluxemetatarsofalângica-interfalângica dosartelhos,oquepossibilitouquefossemaplicadasa dife-rentestiposdelesõesetratamentos.10Osdomíniosclínicos doescoreAofasforamprojetadosparaavaliarosproblemas nopéoutornozeloesãoamplamenteusadosparaesse pro-pósito,apesardasevidênciaslimitadasatéomomentodesua confiabilidadeevalidadeemoutrascircunstâncias.11
Asprioridadesdosprogramasdereabilitac¸ãoserãocada vezmaisbaseadasemevidênciasdarelac¸ãocusto-efetividade das intervenc¸ões sobre acapacidade funcional.A confiabi-lidadedessasevidênciasésubstancialmentedependenteda validadedosmétodosusadosparaavaliarasaúdeeoestado funcional. No estudo de Rodrigues et al.,12 o escore Aofas foitraduzidoeadaptadoculturalmenteparaoportuguêsdo Brasil. Suareprodutibilidade evalidade foramtestadas em pacientescomdiagnósticoclínicodelesõesnotornozeloou retropé.Atéomomento,nãosesabequetenhasidovalidado parapacientescomartritereumatoidenoBrasil.Nopresente estudo,testa-seaconfiabilidadeeavalidadedoescoreAofas emumaamostradepacientescomartritereumatoide.
Materiais
e
métodos
Participantes
elegíveis pacientes com mais de 18 anos e com diagnós-ticodeartritereumatoidefeitoporreumatologista,deacordo comoscritériosrevisadosparaartritereumatoideda Ame-ricanRheumatismAssociation;13ospacientesdeviamainda demonstrarcapacidadededeambularcomousemmeiosde assistência. Foram excluídos pacientes que apresentassem disfunc¸ãoneurológica,déficitscognitivosnoMiniMentalState Examination,14 lesõesde pele,cirurgia demembroinferior, queestivessemgestantes ouapresentassemartrite reuma-toideemfasederemissão(≤2,6noDAS-28).15Emcercade 25%doscasosaartritereumatoideéintermitentecom perío-dosderemissãoeessafasepodeproduzirefeitodeconfusão esuperestimarosresultados.
OestudofoiaprovadopeloComitêdeÉticaemPesquisa doCentro Universitário Estácio da Bahia, sob protocolo n◦
657.528.Todososparticipantesassinaramotermode consen-timentolivreeesclarecido.
Procedimentoseinstrumentodemedida
OquestionárioAofasécompostopornoveitens,distribuídos emtrês categorias:dor, aspectosfuncionaisealinhamento. Ospacientesforamconvidadosaavaliaradoremumaescala de0a40pontos.Acapacidadefuncionalfoicalculadacomo apontuac¸ãototalde limitac¸õesna atividade(0-10), distân-ciamáxima decaminhada(0-5),superfíciedemarcha(0-5), anormalidadesnamarcha(0-8),mobilidadesagital(0-8), mobi-lidade do retropé (0-6) e estabilidade do tornozelo-retropé (0-8).Oalinhamentofoiclassificadoentre0a10pontos(bom, regular,ruim).Oescorefinalpodeproduzirumapontuac¸ão máxima de100pontos queindica umamelhorcapacidade funcional.10,12Amobilidadesagitaledoretropéfoiavaliada peloexamefísico,feitocomumgoniômetroporum profissi-onaltreinado.
No primeiro estágio, o escore Aofas foi submetido à análisedeconfiabilidadeteste-retestepordoisprofissionais treinadosnousodoinstrumento.Paratestarasua confiabi-lidade,oescoreAofasfoiaplicadoduasvezesaosprimeiros 20indivíduoscomartritereumatoideincluídosnoestudo,com aproximadamentetrêsacincodiasdeintervalo.Nasegunda fase,aversãobrasileiradoescoreAofasfoimedidapormeio daanáliseRasch.
Análiseestatística
A estatística descritiva foi empregada para caracterizar a amostra.Foramusadoscoeficientesdecorrelac¸ãointraclasse (CCI)paraavaliaraconfiabilidadeintraexaminadore intere-xaminador.O CCIfoi escolhido emdetrimentodotestede correlac¸ãodePearson,porqueesteúltimopodesuperestimar aconfiabilidade.16Todasasanálisesforamfeitascomo pro-gramaSPSSparaWindows(SPSSInc.,Chicago,IL,EUA)eo níveldesignificânciafoifixadoem0,05.
As técnicas Rasch têm mostrado sucesso em reduzir o númerodeitensemquestionários,umaquestão particular-menteimportanteparaodesenvolvimentodequestionários voltados às pessoas com incapacidade.17 A análise Rasch éummodelo probabilístico amplamenteusado naárea da reabilitac¸ão paraavaliaraspropriedades psicométricasdas escalas.18 Baseia-se em uma relac¸ão probabilística entre a
Tabela1–Característicasdemográficaseclínicas
dosindivíduos
n=33
Idade(anos) 53(10,97)[30-75]
Diagnósticodeartritereumatoide(anos) 12,21(7,54)[5-19,9] Índicedemassacorporal,kg/m2 25,7(5,52)[19,98-41,66]
DAS-28 5,1(0,9)[3,5-7,3]
Incapacidade(HAQ)+ 1,68(0,65)
Etnia
Branca 4(12,2%)
Negra 15(45,4%)
Parda 14(42,4%)
Níveldeatividadefísica
Sedentário 28(84,8%)
Práticaesporádica 5(15,2%)
Usodefármacosanti-inflamatórios 33(100%)
Osvaloressãoexpressoscomoamédia(desviopadrão)[intervalo] oufrequência(porcentagem)
dificuldadedoitemeahabilidadeda pessoa.Adiferenc¸aé conhecidacomoreservafuncionaloucapacidadefuncional.19 Estatísticasdeajustedoitemsãoempregadasnaavaliac¸ão da unidimensionalidade, que demonstra se o questionário ou asubescala mede umúnicoconceito. Com oprograma Winsteps, foram calculados valores como o MnSq e t em doisformatos(infiteoutfit).20Aestatísticainfitésensívelà variac¸ãodosvaloresquerepresentamashabilidadesdo indi-víduo. A estatística outfitreflete a ocorrênciade respostas inesperadas.Essesvaloressãousadosparadeterminarseos itensseencaixamnoconceitodeunidimensionalidade.São aceitáveis valoresdeMnSq=1± 0,4associadosat=± 2.A condic¸ãoemquemaisde5%dositensdaescalaexibem con-tagenserráticasindicaqueacombinac¸ãocorrespondentede itensnãoécapazdemedirumconstructounidimensional.21,22 OmodeloRaschincluiaindaosíndicesdeseparac¸ãode pessoaedeitem.Omodelofinalsatisfatóriodivideas pes-soasempelomenostrêsníveisdehabilidade:baixo,médioe alto.23Osvaloresestimadosdeconfiabilidadeparacalibraras medidasdevemser>0,80.24
Resultados
Caracterizac¸ãodaamostra
Foram avaliadas 33 mulherescom artritereumatoide, com média de 53 ± 10,9 anos (de 30 a 75). As características demográficas e clínicas das pacientes sãoapresentadas na
tabela1.
Confiabilidadeteste-reteste
Tabela2–Coeficientedecorrelac¸ãointraclasse(CCI)
paraaconfiabilidadeintraexaminadore
interexaminadordodomínioepontuac¸ãototal
doAofas
Aofas CCI
Intraexaminador Interexaminador
Aofas–Dor 0,90* 0,77*
Aofas–Func¸ão 0,92* 0,81*
Aofas–Total 0,95* 0,91*
∗ p≤0,001.
AnáliseRasch
NoescoreAofas,aestabilidadedacalibrac¸ãodositensedos indivíduosfoide0,96e0,80,respectivamente.Osresultados da análiseRaschsãoapresentados natabela3, emqueos valoresdecalibrac¸ãooudificuldadedeitens,MnSqet(infit eoutfit) são apresentados individualmente. Os itens estão dispostosemordemdecrescentededificuldade.Oitem9, “Ali-nhamento”,foi omaisdifícil; o item5,“Anormalidades na marcha”,foiamaisfácil.
Dos nove itens do questionário, um (11,1%) não cum-priuasexpectativasdomodelo:onúmero8(estabilidadedo tornozelo-retropé [gavetaanterior, estresse emvaro-valgo]) demonstrouMnSq>1,4et>2.
Oíndicedeseparac¸ãodosindivíduosfoide1,9,oqueindica queositensdistribuíramosindivíduosemtrêsníveisde habi-lidade. O índice de separac¸ão dos itens foi de 4,75,o que correspondeacercadeseisníveisdedificuldades.
Afigura1expõeummapaquemostraoespectrode difi-culdadedositensdoladoesquerdoeoespectrodecapacidade daamostraàdireita.Amaiorpartedositenstevedificuldade média,enquantonãohouveitemquedetectassecapacidades muitoaltaoumuitobaixa.
Discussão
Osistemadeclassificac¸ão clínicaAofasconsisteemquatro escalas específicas, que possibilitam o foco no local avali-adoounadoenc¸a.10,12ComooescoreAofasfoidesenvolvido eminglês,foinecessáriofazerumaadaptac¸ãotranscultural (ouseja,atraduc¸ãoliteralnãoésuficiente),bemcomouma avaliac¸ãodaspropriedadespsicométricasdapopulac¸ãoaque oquestionáriosedestina.24
AanáliseRaschfeitanesteestudomostrou uma estabi-lidade de calibrac¸ãodos itense dosindivíduos emambos os testespesquisados, para indicar que as medidas foram estáveisereprodutíveis.Ovalorencontradoparaoíndicede separac¸ãodosindivíduosdaamostra(1,9)indicaqueelesse dividiamemtrêsníveisdehabilidade:baixo,médioealto.
A análise Rasch detectou um item (11,1%) com com-portamento errático (número 8) que foi superior ao que é recomendado (5%), o que indica que o instrumento mediaumconceitounidimensional.Nesteitem,“Estabilidade dotornozelo-retropé”,oindivíduorespondeseconsideraseu tornozeloestável ouinstável.Sendo assimexistem apenas duaspossibilidades depontuac¸ão: 8(estável)e0(instável). Aomesmotempo,osoutrositensdoAofastêmpelomenos
9
1
S
4
50 60
T 35 61
8 M+ 47 48 65
3
7 33
30
26 S 58 58 62
M 57
45 57 61 63 66
5 36 53 57 59
T+ T+
36 52 75
49
50 40
30
T 52 56
58 35 52 65 S 56 63
S
Itens logit/Indivíduos>
Maior habilidade
Menor habilidade +
Figura1–Mapaquerepresentaadistribuic¸ãodos
indivíduoseitensdeacordocomoequilíbriomedidopelo Aofas.Osnúmerosàesquerdarepresentamositensde testeeosindivíduosestãoàdireita(onúmeroidentificaa idade).
trêsrespostaspossíveis,umfatoqueestratificamelhoredeixa maisclarasaspossibilidadesderesposta.Alémdisso,aartrite reumatoideéumadoenc¸a queafetaospésdopacienteem 85 a100%doscasos; asinoviterecorrente danificaos teci-doseaestabilidadedotornozelo-retropé,quepioramcomo avanc¸odadoenc¸a.8Assim,foipossívelnotarqueindivíduos comdoenc¸amaisprolongadasequeixaramdeinstabilidade emseutornozeloeaquelescomdoenc¸amaisrecente descre-veramseustornozeloscomoestáveis.
Osresultados desteestudomostramqueoescoreAofas apresenta umacapacidade satisfatória de detectar déficits sutisnaincapacidadeepossibilita,assim,adistinc¸ãoentre pacientes comincapacidadesdecorrentes daartrite reuma-toide. A presenc¸a de itens muito fáceis ou muito difíceis constitui uma vantagem para o instrumento. Os itens da
Tabela3–Calibrac¸ãodositensdoAofas
Calibrac¸ão Infit Outfit
Item MnSq t MnSq t
9.Alinhamento 57,11 0,96 0,0 0,61 –0,9
1.Dor** 55,96 0,35 –3,0 0,48 –1,6
4.Superfíciedecaminhada 54,07 0,79 –0,8 0,94 –0,1
8.Estabilidadedotornozelo-retropé* 50,05 1,62 2,4 1,49 2,0
3.Distânciamáximadecaminhada 48,98 0,61 –2,0 0,64 –1,8
7.Mobilidadedoretropé 48,77 0,92 –0,3 0,91 –0,4
2.Limitac¸õesnasatividades 46,50 1,02 0,2 1,03 0,2
6.Mobilidadesagital 46,06 1,30 1,3 1,17 0,7
5.Anormalidadesnamarcha 42,48 1,31 1,2 1,34 1,4
∗ Itemerrático:MnSq>1,4et>2.
∗∗ Itemprevisível:MnSq<0,6.
Afaltadeindivíduoscomaltograudeincapacidadedeveser decorrentedocritériodeinclusãoestabelecidodeopaciente deambulardemodoindependente.
Neste artigo, demonstraram-se valores bons e excelen-tesdeconfiabilidadeinterexaminadoreintraexaminadorea validadedoescoreAofas.Essesachadosapoiamfortemente a confiabilidade evalidade das medidas do Aofas e suge-remqueelastêm umbomdesempenhoempacientescom artritereumatoide.OsCCIsãomostradoscomoíndices prefe-ríveisemaisadequadosparaaanálisedaconfiabilidadedos dadosderelac¸ãodeintervalo,umavezquerepresentamtanto correlac¸õesquantoníveisdeconcordância.23,24Deacordocom PortneyeWatkins,25osvaloresdeCCI≥0,75sãoindicativos deconfiabilidadeaceitáveleabaixode0,75sãoconsiderados ruinsamoderados.
Os resultados deste estudo mostram valores de CCI considerados aceitáveis tanto para a confiabilidade intra-examinador quanto interexaminador. Esses resultados são consistentescomos doestudofeitoporRodrigues etal.,12 queavaliaramosvaloresdeconfiabilidadeintraexaminadore interexaminadordoescoreAofasempacientescom diagnós-ticoclínicodelesõesnotornozeloouretropéeencontraram valoresdeCCImaioresdoque0,9.
Emboraaamostradesteestudodemonstracapacidadede ler,umavezqueamaiorpartedosvoluntárioscompletouo ensinomédio,acreditamosquecomoocomponentesubjetivo daversãobrasileiradaescaladetornozelo-retropéAofasfoi administradonaformadeentrevista,ospotenciaiserrosde interpretac¸ãoforamminimizados.26
Emestudosfuturos,éimportantequeoescoreAofasseja aplicadoaoutrasamostras,demodoqueavalidadedo ins-trumentopossaserexaminadademodomaisamplo.Seem outros tipos de amostras persistir um número errático de itenssuperiora5%,serãonecessáriasmodificac¸õesnoitem 8da escalaAofas,oquepodeserfeito,porexemplo,como aumentodonúmeroderespostaspossíveis,seguidopor estu-dosdaversãomodificada.
Conclusão
Mostrou-se que o instrumento é clinicamente útil para a amostradepacientescomartritereumatoideavaliadaneste estudo.Noentanto,éprecisotercautelanainterpretac¸ãodos
resultadoseopadrãoderespostasdeveserobservado, espe-cialmenteoitem8,consideradoumitemerrático.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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