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Os mitos dos cientistas e suas controvérsias.

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Os Mitos dos Cientistas e suas Controversias

Themythsofthesientistsandtheirontroversies

RodrigoMoura

(rodrigobarbazipmail.om.br)

Jo~aoBatistaGaria Canalle

(analleuerj.br)

InstitutodeFsia,UERJ

Reebidoem25/04/2000. Manusritorevisadoem21/02/2001. Aeitoem29/05/2001

Este artigo disuteos mitos que eram alguns dos maioresientistas que jaexistiram e as

on-troversiassobre osmesmos. Muitasvezesessesmitosonstamemlivrosdidatiosededivulga~ao

ienta deformainquestionavel;s~aorelatadosdaformamaisfantastia possvel,omolouvavel

intuitodeprovoar interessepelai^enia, masque terminampormostra-lainaessvel aspessoas

omuns, pois quase sempre as desobertas ientas por eles relatadas derivamde genialidades.

Quando o aso n~ao e esse, tais textos provoamuma desvaloriza~ao dotrabalho iento, pois

mostramas grandesdesobertasomoresultadodoaaso. Parailustrarertasontroversiassobre

determinados mitosforamesolhidos algunsdos maiselebrespersonagens daCi^enia:

Arquime-des, Galileu,Newton,EdisoneEinstein. Oartigo visamostraraoleitor queportrasdeummito

geralmentehainumerasontroversiassobreasquaissedebruamospesquisadoresemhistoriadas

i^enias,oquegeralmenten~aoedivulgado.

Thisartileintendstodisussthemythsthatsurroundsomeofthegreatestsientiststhatalready

existed,andthe ontroversyof thesameones. Alot oftimes, thosemythsappear indidatand

insientipopularizationbooksinainontestableway. Theyare frequentlytoldinthepossible

most fantastiway,withthepraiseworthyintentofprovokinginterestinthesiene,butthatend

up showingitisinaessibletotheommonpeoplesinemostofthetimesthesientidisovery

reportedbythemareputasaresultofgeniality. Otherwise,whenthisisnottheasetheydevaluate

it,showing the greatdisoveries as aresultof the fortuity. Toillustrate ertain ontroversies on

ertainmythswehosesomeofthemostelebratedharatersofthesiene: Arhimedes,Galileu,

Newton, Edisonand Einstein. The artile hasthe purpose to show to the readerthat thereare

ountlessontroversiesbehindamyth,whihdisussionamongresearhersinhistoryofthesienes

generallyisnotdislosed.

I Introdu~ao

A historia da i^enia esta repleta de maravilhosos

apologos 1

. Taisapologos, quandodevidamente

relata-dos, onstituem o melhor modo de divulgar a i^enia

deuma formainteressanteedivertida. Variaspessoas

onheem ashistorias que eramos mais elebres

i-entistasdetodosostempos eperguntam-se oqu~aode

verdadehanelas. Eisalgumas,omo exemplo:

Arqui-medes [287 - 212 a. C.℄ enontrou, enquanto tomava

banho,omeiodedeterminaropesoespeodos

or-poseonsagroutaldesobertaomoseufamoso

\Heu-rea!"; Benjamin Franklin [1706- 1790℄ desobriuque

o rel^ampagoe uma forma de eletriidade ao empinar

umapipa numa tempestade;JamesWatt[1736-1819℄

perebeu a pot^enia do vaporolhando, quando ainda

era menino, a tampa desenfreada da panela, na

ozi-nhadesuatia;Galileu[1564-1642℄desobriualeido

isoronismodasosila~oespendularesaoobservaro

ba-lano de umlustre naatedral dePisa; Isaa Newton

[1643 - 1727℄ teria desobertoa lei dagravita~ao

uni-versal quando uma ma~a aiu-lhe na abea;

Alexan-derFleming[1881-1955℄desobriuaidentalmenteem

1928 oprimeirogrande antibiotiomoderno, a

penii-lina;EinsteinerapessimoalunoemMatematiaquando

riana,eassimpordiante. Inumerosoutrosmitos

po-deriam ser itados, mas para n~ao tornar este artigo

demasiado longo, ser~ao relatados aqui apenas alguns

(2)

que portam historias tidasomo verdadeirasmas que,

naverdade,ouforamdeturpadasous~aopurafantasia,

ou ainda, sobre as quais n~ao haum pareerdenitivo

mesmoentreoshistoriadoresdai^enia.

II Arquimedes, o sabio de

Sira-usa

Sem duvida, Arquimedesfoiomaisgenialmatematio

daAntiguidadeeoprimeirodosverdadeirosfsios.

Fi-lhodoastr^onomoFdias,demonstroudesdeedoomo

virtudes a intelig^enia e a uriosidade. Seu pai era

amigontimodoreiHier~aoe,dessaforma,Arquimedes

reebeuoportunidadesdedesenvolveremterras

distan-tes suashabilidades.

Ainda menino, viajou ao Egito omo dispulo do

matematio eastr^onomo Con~ao. Na terrados faraos,

Arquimedesdediou-seamediraspir^amideseatentar

desvendaromisteriosobreoproessodeonstru~aodos

antigos monumentos. Tempos depois, ontinuou seus

estudos em Alexandria, aidadefundadapor

Alexan-dre,OGrande[356a.C.-323a.C.℄,umdosentrosde

difus~aoulturaldomundoantigo.

AoretornaraSirausa,foireebidoomoumsabio

e tratou de manter a boa reputa~ao. Sua obra

i-enta tornou-se onsideravel: inventou o alulo de

pi pelo metodo dos permetros e dos isopermetros

(aumentando-seonumerodeladosdospolgonos,estes

tendematornar-seadavezmaisproximosdorulo,

em forma e area,ateonfundirem-se, pratiamente) e

estudouossolidosgeradospelarota~aodas^oniasem

torno de seus eixos; s~ao atribudas a ele as inven~oes

da alavana (\D^eem-me um ponto de apoio e

ergue-reiomundo",teriadito),darodadentada,daroldana

moveledarosa 2

. Arquimedesareditavaquenadado

queexisteet~ao grandequen~aopossasermedido; por

isso,aperfeioouosistemagregodenumera~ao,usando

uma nota~ao^omodapara osnumerosmuito grandes,

semelhante ao atualsistema exponenial. Finalmente,

deixouparaomundoumprinpioquelevaseunome,o

prinpiodeArquimedes,quededuzopesodeumorpo

imersoemumlquido.

Sua dedia~ao a Geometria era tal que

frequentemente era levado ao banho ontra sua

von-tadepelosseusservos,paralava-loelimpa-lo,emesmo

la ele ontinuava desenhando guras geometrias. E

enquantoelesoestavamlimpandoeungindoomoleos

perfumados, ele desenhava linhas om o dedo sobre

o oleo, ompletamente absorto, quase em estado de

^extaseetranse, provado prazerquetinha emestudar

Geometria.

E bem possvel que o que se onhee dele seja

um misto de fato e ~ao.

E o ientista que onta

om o maior numero de mitos, talvez justamente por

ter vivido num passado t~ao remoto e por ter se

des-taado de uma maneira t~ao fantastia e indelevel.

Grandeshomensesreveramsobreele(Diodoro Sulo,

Eratostenes,Plutaro,Cero,Vitruvio...) maspouos

relatos sobreviveram ao tempo. Sua vida, portanto,

perteneaHistoriaeaLenda.

Ate a desoberta de seu famoso prinpio, o

prinpio de Arquimedes, esta envolta num apologo:

Hier~ao, rei de Sirausa, desejava ofereer aos deuses

uma oroa de ouro e, para isso, ontratou um

ouri-ves, a quem forneeu uma por~ao em prata e outra

de ouro em po. Quando a oroa foi entregue ao rei,

este desonou que n~ao havia sido empregado na sua

onfe~aotodoo ouroem poqueele entregaraao

ou-rives. Na impossibilidade de provar o roubo, Hier~ao

onsultouArquimedes. Semprepreoupadoomo

pro-blemaque lhefora apresentado,Arquimedes observou

umdia, quando tomava banho,que amedida que seu

orpomergulhavanabanheira,aaguasubiapelos

bor-dos. Imediatamente perebeuomopoderiasoluionar

oproblema, e onta-se que ele teria sado pelas ruas,

ompletamentenu,gritando\Heurea! Heurea!",isto

e,\Ahei! Ahei!" . Depoispreparou doisbloos, um

deouroeoutrodeprata,ambosomomesmopesoda

oroa. Mergulhou ada um deles, separadamente, em

doisreipientes heios de agua, emediu aquantidade

deaguaquetransbordoudeadareipiente.Seos

volu-mesfossemiguais,aoroaeradeouropuro. Setivesse

umamisturadeprata(queemenosdensaqueoouro),

aoroateriaumvolumemaior(asaber,adensidadeda

prataede10,5g/m 3

enquantoqueadoouroede19,5

g/m 3

. Veriou,poresseproesso,queosvolumesde

aguadesloadospelosdoisblooseramdiferentes,

on-luindoporestabeleer, omertapreis~ao, asmassas

deouroedeprataempregadasnaonfe~aodaoroade

Hier~ao. Determinou portanto, os pesos espeos do

ouroedaprata,eprovouqueoourivesestavaroubando

orei. Por seurime,oourivesfoi morto. Alguns

auto-res,porem,dizemqueArquimedesinterferiunadeis~ao

dorei. AdoniasFilho[1℄em \AvidadeArquimedes: o

maiordossabios da Antiguidade", esreveque

Arqui-medes \omo reompensa, queria que o perd~ao fosse

onedido. E issoporque, anal,n~aofosseojoalheiro,

aFsia n~aoteria t~ao edouma dassuasleismais

im-portantes".

Agradeemosaoan^onimoarbitrodestarevistapela

refer^enia que f^ez a uma outra vers~ao existente deste

episodio,publiada em1891naobra \Surl'histoirede

labalanehydrostatiqueetdequelquesautresappreils

et proedes", de M. Berthelot. Nassuas exatas

pala-vras:

\Berthelot desreve,emprimeirolugar, oproblema

queArquimedesestavatentandosoluionarporoasi~ao

da suposta exlama~ao " e informa que foi

Vi-truvius, no De arhitetura, livro 9, ap. 3, o autor

2

(3)

mais antigoonheido que desreveuasupostasolu~ao

de oloar a oroa em um reipiente heio de agua e

mediraaguaderramada. MaslogodepoisBerthelot

o-mentaqueesseproedimenton~aoteriagrandepreis~ao,

pois seria neessario utilizar um reipiente om boa

muito larga (para poder oloar a oroa), e a medida

da aguaderramada teriabaixssimapreis~ao [e preiso

levar em onta a tens~ao superial...℄. Depois,

Bert-helot assinala que Galileu ja havia ritiado a vers~ao

de Vitruvius,sugerindo queArquimedesprovavelmente

havia utilizado uma balana hidrostatia, ao inves do

metodo da agua derramada. Berthelot analisa ent~ao

uma serie de textos medievais, mostrando que de fato

o metodo da balana hidrostatia era desrito em

tra-tados tenios para resolver problemas semelhantes ao

da oroa. Berthelot disute em seguida seesse metodo

poderia ter vindo de Arquimedes, ouse seria uma

in-ven~ao arabe transmitida a Europa durante o perodo

medieval, e loaliza um poema latino do seulo IV ou

Vd.C.onde estadesritoousodabalanahidrostatia

pararesolveroproblemadaoroa,eondeessemetodoe

expliitamente atribudoaArquimedes. Comprova,

as-sim, a exist^enia de uma tradi~ao bastanteantiga que

interpreta de outraforma asolu~ao de Arquimedes".

Reentemente (agosto/2000) o problema da oroa

tambem foi analisado no artigo \Arquimedes e a

o-roa do rei: problemas historios", de Roberto de

An-dradeMartins[2℄,publiadonoperiodio\Caderno

Ca-tarinense de Ensino de Fsia", volume 17, n o

.

2, de

agostode2000:

\Ha elementos um pouo estranhos na historia.

Porque motivo alguem enheria uma banheira ate a

borda? Para molhar todo o h~ao onde a pessoa ia

to-mar banho? Se o banho havia sido preparado por um

esravo (uma hipotese plausvel), ele proprio teria que

seartodooh~ao,depois. N~aoemuito razoavelpensar

queele enhesseabanheiraateaborda.

Vitr uvio n~ao viveu na epoa de Arquimedes e sim

dois seulos depois, portantosuas palavras n~ao

onsti-tuem uma informa~ao de primeira m~ao. Em que tipo

de fonte ele baseou-se? N~ao osabemos. (...)

Bastaumpouodebomsensoparapereberqueesse

metodo de medida de volume n~ao pode funionar.

Su-ponhamos que a oroa do rei tivesse um di^ametro da

ordem de 20 m. Ent~ao, seria preiso utilizar um

re-ipiente om raio superior a 10 m, heio de agua, e

medir a mudana de nvel ou a quantidade de lquido

derramadoquandoaoroafosseoloadaladentro.

Su-ponhamosqueamassadaoroafossedaordemde1kg

eque asuadensidade (porausada falsia~ao) fosse

de15g/m 3

(umvalorintermediarioentreadensidade

do ouro e a da prata). Seu volume seria ent~ao de 67

m 3

. Coloandoessaoroanoreipienteheiodeagua,

ujaaberturateriaumaareasuperiora300m 2

,onvel

do lquido subiria uns2 milmetros.

E pouo plausvel

quefossepossvelmediressavaria~aodenveloumedir

suiente para hegar a qualquer onlus~ao, por ausa

da tens~ao superial daagua. Seoreipienteestivesse

totalmenteheio,aomergulharaoroadentrodele,

po-deria air uma quantidade de lquido muito maior ou

muitomenor doqueovolumedaoroa(oumesmon~ao

air nada). Portanto,esiamentepouoplausvel que

Arquimedespudesse utilizaresse tipode metodo."

Conta-seque,noutravez,umnavio,onstrudopara

oreiHier~ao,erapesadodemaisparaserlanadoaomar,

masArquimedes,omumaombina~aodealavanase

polias,realizouatarefa,maravilhandoorei.

A maioria dos mitos que eram Arquimedes,

en-tretanto, reside na sua brilhante luta em impedir que

Sirausafossetomadapelosromanos. Alemdefsio e

matemationotavel,Arquimedes foitambemum

enge-nheiroriativo,queportr^esanos,omassuasinven~oes

balstias,adiouatomadadeSirausapelosromanos.

Arquimedes ja era um ani~ao de 74 anos quando

foi onvoado aoloar em pratia todo seu

onhei-mentonosramosdamatematiaedafsiapara

defen-der Sirausa. Naquele anode 213a.C., desenvolvia-se

aSegunda GuerraPuniaeosromanos seesforavam

pordominar todo oMediterr^aneo, somando foras na

guerraontraosartagineses. Sirausaeraumbase

im-portantenaSiliaeoomandanteMarelofoi

inum-bidodetomarrapidamenteaidade. Suafrotalogose

postouafrentedosmurosdaidadeedesarregouuma

huvadepedraseehassobreossoldadosdalinhade

defesa. Em seguida, ergueu-se um largo onjunto de

esadas, destinado apermitir odesembarquerapido e

massivo de soldados. Naquele momento, no entanto,

oexeritoloal,dotadodeengenhosdesenvolvidospor

Arquimedes,reagiuviolentamenteaoataque.

Diz-seque Arquimedes teria onstrudoatapultas

que dilaeraram os navios romanos, lanando-lhes

pe-dras deera de50 quilogramas (dispararam tambem

peas de betume em hamas que inendiaram varios

baros adversarios); noutro ataque, teria montado no

litoral uma maquina semelhante a um moderno

guin-daste,providadeumaenormegarradeferroloomotora

que \abraava"osnaviosromanos. Quandoos navios

aramaumadist^aniasuiente,agarrafoiaionada:

subiuaos eus, deseusobre osnavios,aprisionou-ose

oselevoudeformaabruptaaate10metrosaimada

li-nhadaagua. Paraterrordossoldadosromanos,agarra

deixouairsuaspresas,fazendoosnaviosdespenarem

no mar, todos tortos e estraalhados, afundando em

pouosminutos.

OomandanteMarelobateuemretiradae,em

dis-urso direionadoaossoldados,omparou osengenhos

de Arquimedes a um gigante de em braos. O novo

planooloadoempratiapelos romanosonsistiaem

sitiar a idade e vener os gregos pela fome. Outras

investidasinfrutferassesuederam,atequeosespi~oes

romanosanuniaramumararaoportunidadedeataque.

(4)

foramnalmentederrotados.

Arquimedesfoimortoporumsoldadoromano,

ape-sar das ordens de Marelo para que o ge^ometra fosse

poupado. Porque n~ao ignoravam quem era

Arquime-des, os romanos o enterraram om honras e, em seu

tumulo, puseram as suas guras favoritas, a esfera e

o ilindro. Diz-se que Mareloreservoupara si, omo

parte do saque, engenhosos planetarios que

Arquime-des tinha onstrudo para representar os movimentos

dosorposelestes.

A mais fantastia de todas as lendas, (e que

aqui seradisutida) diz respeito aosfamosos espelhos

ustorios. Osabiogregosalvouasuaidadeinendiando

a frotaromana omraiossolaresonentradospor

es-pelhos postos na osta. Teria ele utilizado um unio

e enorme espelho para isso ou varios espelhos

meno-res? Se usou varios espelhos, quantos de um metro

quadrado,porexemplo,seriamneessariospara

inen-diar uma por~ao de madeira esura a em metros de

dist^aniaemmenos deumminuto? Osespelhos

deve-riamserurvosouplanos?

Primeiramente deve-se observar que os espelhos

existentes naepoa eramdebronze polidosomareia,

n~ao sendo possvel onseguir imagens muito ntidas.

Apenas em 1291 os espelhos de vidro foram

inventa-dos. Apesar do vidro ja ser onheido pelos egpios

desde2500a.C.,ninguemaindativeraaideiadeusa-lo

omoespelho. Assim,Arquimedessop^odeterutilizado

esudos debronze polidos.

Seosespelhosfossemplanos,Arquimedesteriatido

diuldadesemonentrarosraiossolaresdemaneiraa

queimarrapidamenteumobjeto,an~aoserquea

quanti-dadedeespelhosutilizadatenhasidoonsideravel. Este

problemaariaresolvidoseele tivesseusadoespelhos

^onavos. Surge,porem,umnovoproblema: ofoodos

espelhos^onavosexo,eosnavioseramalvosmoveis.

Assim, osespelhossoseriameientes dentro deuma

ertadist^ania.

Homensilustresdisutiramaveraidadedahistoria

dos espelhos: Desartes n~ao lhe davaredito, Galileu

sim. Ao longo da Historia, foram feitos varios testes

para veriarseaproezadeArquimedesseriapossvel

napratia:

Na obra \Grande arte da luz e da sombra", de

1646,opadrejesutaalem~aoAthanasiusKirher 3

[1602

- 1680℄ relatou as experi^enias que fez om espelhos

planosedisutiuessasupostafaanhadeArquimedes.

Ele onstatou que, om ino espelhos planos

dispos-tos apropriadamente, obtem-se um alor \quase

into-leravel" a mais de em pes (33 metros) de dist^ania.

Commaisespelhos,osefeitostornam-se

impressionan-tes. Kirher, alem disso, foi apropria idadede

Sira-usa ededuziuqueArquimedes n~aotinha neessidade

deumespelhode longoalane. Elesabia queum

es-pelho parabolio soseria eazseo naviovisado

esti-vessesituadoexatamentenofooeasseimovel. Essas

ondi~oeseramdifeisdepreenher. Porisso,ele

on-luiuqueArquimedesteriaatingidomaisfailmenteseu

objetivoomumabateriadeespelhosplanos 4

.

Em1747,GeorgesLouisLeler,onde deBuon 5

.

[1707-1788℄realizouvariasexperi^eniasemParispara

tentaronluiralgumaoisasobreosespelhosardentes

deArquimedes. Numa delas,utilizandoapenas 98

es-pelhosinendiou \umapranhaforradaombetumee

enxofre,oloadaa150pesde dist^ania"(erade 50

m). E ainda \o Sol estando muito frao e enoberto,

foi possvelhamusarom 154espelhosuma pranha

forrada ombetume a 150pesde dist^ania." Noutra

experi^enia utilizou um espelho omposto por168

vi-drosplanosmedindo6polegadaspor8(erade15m

por20m). Eleontaque\nodia10deabril,depoisde

meio-dia,omumsollaro,onseguimosinendiaruma

tabuadepinhoforradadebetume,a150pes(erade

50 m) om apenas 128 espelhos. Ela se inamou

ins-tantaneamenteemtodaaextens~aodofoo, quemedia

aproximadamente 16 polegadas (era de 40 m)

na-queladist^ania." Jaom148espelhos,\o fogofoi t~ao

violento que foi preiso mergulhara pranha na agua

para apaga-lo". Emmais uma experi^enia, o foo

es-tandoa20pesdedist^ania,\onseguimosderreterom

45espelhosumgrandevasodeestanhoquepesavaera

de seislibras; eom 117espelhosderretemos l^aminas

nasde prata etornamos rubrauma plaa de zino".

Apostodasessas experi^enias, sobre ofeito de

Arqui-medes,Buononluiu: \DevoonederaArquimedes

e aos antigos a gloria que lhes e devida; e erto que

Arquimedesp^odefazeromespelhosdemetaloquez

omespelhosdevidro."

Asexperi^eniasdeBuontiveramvastareperuss~ao

naepoa,omoregistraoGrandediionariouniversal,

de Pierre Larousse, da segunda metade do seulo 19:

graasaBuon,area~aofoiompletada,desmentindo

atesedeDesartes,quedelararaseremimpossveisos

espelhosdeArquimedes".

3

Kirherganhoureputa~aoeuropeiapelasuaerudi~aoetambemporpossuirumavivaimagina~ao(esreveuumlivrode~aosobre

viagensinterplanetarias). Estudou oshieroglifos egpiosetraduziuvarios nomesarabes deestrelas. Frequentemente eatribudaa

Kirherainven~aodalanternamagia,semaqualoineman~aoterianasido. Desritapelaprimeiravezem\Grandeartedaluzeda

sombra",alanternamagiaeumainvers~aoda^amaraesura.Enquantona^amaraesuraasimagensseprojetamdeforaparadentro,

nalanternamagiaelasofazemdedentroparafora.

4

Afaltadaobraoriginal,valemo-nosdodepoimentodePierreThuillier[3℄.

5

Buonfoiumelebrenaturalistafran^eseumdosmaisilustresesritores. Seusdoisgrandesmeritosforamodesenvolvimentosem

igualporeledadoaoJardimdoRei(atualJardimbot^anioeZoologio)doqualfoidiretorapartirde1739,eareda~ao,oupelomenos

adire~aogeral,daobra\Historianaturalgeralepartiular"(44 volumesde1749a1804,variosdosquaispostumos). Muitosoutros

(5)

Em1973oengenheirogregoIoannisSakkasutilizou

omoespelhossuperfiesdedimens~oesomparaveisas

dos esudos dos soldados gregos (ada um om era

de 1,7 0,70 m). Para n~ao sedistaniar muito da

re-alidade historia, uidou ate de modiar a superfie

de seus paineis de vidro, reobrindo-os omuma na

pelula de bronze n~ao muito polida. Depois de

pre-parar desta forma sessenta e seis \esudos-espelhos",

onou-os aseusajudantes, que, noPireu,

onentra-ramosraiossolaressobreummodeloreduzidodegalera

(omprimento: 3,60m),queutuavaaerade50mde

dist^ania. Quandoos homens puseram os espelhosna

posi~ao indiada, em doisminutos obaro

inendiou-see em pouos segundosfoi onsumido pelas hamas.

Pode-sedizerent~aoqueArquimedestinhaondi~oesde

realizaraproeza,tantoporquealgumasdasgaleras

ro-manasemSirausaestavamligadasentresi,paraservir

desuporteassambuas(um tipodetorredestinadaao

assaltodasfortia~oes). Taisonjuntos,pouomoveis

e vulneraveis, teriam ertamente onstitudo um bom

alvoparaosespelhosinendiarios.

Ainda assim, os ientistas brit^anios Allan Mills e

Robert Clift, daUniversidadeLeiesterresolveram

re-alizarmaistestespratiosparaveriarsetal artifio

dedefesaseriarealmentepossvel. Conseguiramreunir

440 peas de espelho (ada uma om um metro

qua-drado) em uma enosta. Oalor produzido foi apaz

deinendiarumatabuaa50metrosdedist^ania. Eles

atentaram para o fato que, mesmo seArquimedes

ti-vesse onseguido a proeza, a hama poderiaser

fail-mente apagada om um balde d'agua jogado por um

soldadoromano. Notrabalho\Reetions onthe

bur-ningmirrorsofArhimedes,withaonsiderationofthe

geometryandintensityofsunlightreetedfromplane

mirrors",publiado por eles no\EuropeanJournalof

Physis", em 1992, osientistasarmam que para

in-endiarapenas umbaro romano utilizandoumunio

espelhoArquimedes neessitariadeumespelhode420

metrosquadrados,impossveldeseonstruirnaepoa!

Taispesquisadoresesqueeram,noentanto,de

aten-tar para dois fatos: primeiro, os registros historios

existentes n~aoarmam queArquimedesmirou na

ma-deira dos baros romanos. Estes utilizavam velas, e

panoemuitomaisfaildesequeimardoquemadeira;

segundo, o elemento surpresa. Saberiam os romanos

sedefender deum fen^omeno que eles n~ao onheiam?

Comopodiamexpliarofatodeseusbarosqueimarem

aparentementesemmotivoalgum? Certamentearam

desnorteados, eesse era mais um trunfo de

Arquime-des. Sobreesta quest~ao, diz PierreThuillier[3℄ noseu

livro\DeArquimedesaEinstein":

\Inendiar ousemearop^anio?".

Pode-se tambem inventar numerosas variantes. E

imaginar, entreoutrasoisas, queosespelhosardentes

n~ao serviram essenialmente para inendiar os navios

maspara atemorizareonfundirosmarinheiros...

Maistarde, algunshistoriadores teriam embelezado

um pouoasoisas. Um episodio seundariofoi ent~ao

ampliado a ponto de onstituir um experimento

ma-ravilhoso, digno do `divino Arquimedes'. Esta

inter-preta~ao, alias, n~ao e nova.

E enontrada, por

exem-plo, no historiador D. E. Smith 6

: `N~ao ha nada de

improvavel na ideia de que Arquimedes tenha podido

usarseusespelhosardentespelomenosnaideiade

tor-nar a situa~ao insustentavel para os soldados

roma-nos'. Louis Figuier 7

, no seulo XIX, tinha dito isso

em termos semelhantes: `Somos da opini~ao de que e

om raz~ao que se atribui a Arquimedes o emprego de

espelhosplanosou^onavosparaperturbar,sen~ao para

inendiar, afrota de Marelus'. Casoisso tenha

aon-teido, osil^enio do historiadorPolbio estaexpliado:

os espelhos ardentes desempenharam apenas um papel

aessorio, eele n~aoteria sedetido emomenta-los."

JaAdoniasFilho[1℄daaseguintevers~aoem\Avida

deArquimedes: omaiordossabiosdaAntiguidade":

\Muralha pesada e grossa protegia Sirausa por

terra. Arquimedes, e para que os inimigos n~ao p

ere-bessem,ordenouomaior reforo naparteinterior, por

dentro, om entenas de homens nesse trabalho dia e

noite. Essamuralha tinha a espessura media de ino

metrosqueaumentava odobronosontrafortes.

Cons-trura-se, em sua parte superior, um parapeito grosso

omseteirasque tambem seviam apouadist^ania do

solo e na altura de um homem. Existiam varias

fen-das enobertas por folhas de arvalho que, ja bastante

solidas, foram reforadas om tranas de ferro. Uma

folha larga,tambem de ferro, obriaoport~ao pelo lado

de fora.

Esavou-seumfossolargoeprofundoeparaele

des-viaramasaguasdeumriaho. E,nofundodessefosso,

porsugest~aode Arquimedes,enravaramestaas

ponti-agudasqueimpediriamqueosinimigososfranqueassem

anado. Estenderam-seordasentreumaeoutraestaa

demadeiraque, quemquerqueselanasse aagua,n~ao

sairia omfailidade de semelhante labirinto. E, alem

disso, avaram-se diversos fojos 8

em sua proximidade

onde puseram estaas pontiagudas que muito bem se

dissimulavamnaoberturadeaulesqueligeiraamada

de terraoultava.

Aproximar-seda muralha, pois, erauma tarefa

ar-risada edilimaquanto mais queoutras preau~oes

foram tomadas. Ergueram-se, por exemplo, varias

fo-gueiras,omabundanteprovis~aodelenha,eaolado

pu-seramenormesaldeir~oesparaque, nomomento

opor-tuno, neles se esquentasse o azeite. Arquimedes fez

instalar aparelhos estranhos - projetores de bronze

po-lido queonentravameprojetavamraiosdesolemum

6

SMITH,D.E.,Historyofmathematis,Dover,1958(1 a

edi~ao1923),v. 1,p.111-112.

7

FIGUIER,Louis. \ViedesSavantsillustres. Savantsdel'Antiquite",Libraireinternationale(Paris)1866,p.242

(6)

unio foo - que, em sua proje~ao de luz e

a-lor, abriaqueimadurasnossoldados. E,paraaumentar

osseus efeitos,dotou-osde movimentoaoredor deum

eixo e om ala na parte posterior, atraves da qual se

tornava fail gira-los. Conentravam-se failmente os

raiossolares,apesardamobilidadedosataantes,sobre

qualquerumdeles. E,onsiderandoasdefesasja

ergui-das nasimedia~oesda muralha, Arquimedesalulouo

foodosespelhosdeproje~aoparaquealanassemuma

dist^aniade sessentae oito^ovados 9

.

-Haapenasuminonveniente-eledisse,expliando

- eequesopodemosoloa-los namuralhaquedapara

oSul. As partesOestee Norte,porque n~ao reebem os

raiossolares, n~ao ser~ao beneiadas.

Osfamosos e lendarios espelhos de Arquimedes.

E

erto,porem,quen~aoosempregouontraaarmada

ro-mana porque,para teralgumresultado,neessitariade

tempo razoavel om asnaus,imoveis, na espera. Mas,

ao ontrario, armas terrveis eram os espelhos ontra

os soldados da infantaria e avalaria que avanassem

ontra a muralha. E, quando n~ao matavam homens e

animais, queimava-osouegava-os, gerandoop^anioe

omedo."

Assim, a a pergunta: Arquimedes inendiou a

frota romana? Ha evid^enias ontra e a favor da

re-aliza~aodesse feito. Diz alendaqueosabioteriatido

onheimento da apaidade dos espelhos em

onen-trar os raios solares quando, sentado em seu jardim,

omeoua sentir alorem uma das pernas. Olhando

para ela, viu um rulo de luz queimante projetado

nela. Talruloprovinhadeumesudodebronzeque

estavaapoiadonumaoluna deportio,todoreluzente

de sol. Assim,ateadesobertadessa propriedadedos

espelhosestaenvoltanumapologo.

Se algum dia for onrmado que Arquimedes e

em seguida Prolo, o primeiro em Sirausa e o

se-gundo em Constantinopla, onstruram poderosos

es-pelhosaustios,n~aohaporqu^esesurpreender,

espei-almente noasodosabiodeSirausa.

Einontestavel

que o engenheiro, fsio, ge^ometra e matematio

Ar-quimedes era imaginativo e habilidoso. Fabriou

mo-delos me^anios reproduzindo a marha dos planetas

e esreveuumtratado (hojeperdido)sobre oassunto.

Ninguem ontesta, ao que paree, que tenha tambem

onstrudo atapultas, guindastes e outros engenhos

om a nalidade de erguer argas enormes. Por que

seusdonsinventivosn~aolheteriamservidopara

elabo-rar umaarmainendiaria?

Paranalizar,doquefoi expostoonlui-se que:

a)Arquimedestinhaondi~oes,aindaque

rudimen-tares,derealizarafaanha.

b) Se realizou a faanha, Arquimedes n~ao utilizou

umunioegrandeespelho.

) Provavelmente utilizouespelhos planosnolugar

de ^onavos, ou talvez (por que n~ao?) uma bateria

mistadeespelhos(planose^onavos.)

d) Se mirou os raios solares nos navios, mirou-os

nasvelasdeles,en~aonamadeira(poisestaseriaa

ati-tude mais logia a serfeita).

E provavel queos raios

luminosostambemtenhamofusadoossoldados

roma-nosequeopropriofogodasvelastenhahamusadoa

madeiradosnavios.

III Galileu, mitos e

on-troversias

Ha tr^es historias famosas que eram Galileu. A

pri-meiradiz queele teriadesobertoaleido isoronismo

das osila~oes pendulares ao observar um lustre

ba-lanando;asegunda,queele,paraprovaraleidaqueda

simult^anea dosorpos, teriasoltado ao mesmo tempo

varios objetos do alto da Torre de Pisa (ate mesmo

uma balade anh~ao euma pena, everiadoque

ha-viamhegadojuntasao solo!);atereira, queele teria

murmurado\Eppur,simuove",depoisdetersido

obri-gadoanegarosistemahelio^entriodiantedoTribunal

daInquisi~ao.

A primeira lenda, ado lustre, e bem possvel que

seja verdadeira. Sabe-se que Galileu, omo rist~ao,

ostumava ir a Igrejas rezar. Aos 19 anos, ele teria

reebido na Universidade de Pisa a visita do pai,

Vi-enzo,quetendosidonotiiadodeseupessimo

desem-penhonamediina(materiaqueaprinpioGalileu

de-veria estudar om prioridade), fora pedir explia~oes.

Galileurevelou-lhe, ent~ao, que n~ao estava interessado

na mediina e que preferia muito mais matematia e

fsia. VienzovoltouparaFlorena,ondemorava,

na-quelamesmodia,deepionadopelolhotertroadoa

mediina,que ele julgavauma i^enianobre,pela

ma-tematia,paraeleumai^eniadesonhadores,deixando

Galileutristeesemdinheiro.

Pouo apos a ida do pai, Galileu resolveu entrar

naatedraldePisapara rezar. Nela,algunsoperarios

estavam trabalhando num anto afastado do templo,

erguendoummonumentoaotumulodeumardeal

fa-leidoreentemente. Galileunotou queum lustre

sus-penso,noqualalgumdosoperariossegurandoumaviga

devia ter esbarrado enquanto passava, osilava

lenta-mente,eque asosila~oes, embora fossemdiminuindo

pouoapouodeamplitude,duravamsempreomesmo

tempo,fatoquep^odeomprovarontandosuasproprias

pulsa~oes. Fez, assim,aprimeirade umaserie de

des-obertasqueseseguiriam:oisoronismodasosila~oes

pendulares, quelogoproporiaparaserutilizadana

re-gulariza~aodosrelogios.

Ha, porem, varias vers~oes da ena do lustre. Eis

omoadesreveJames RestonJunior[4℄,napagina33

deseulivro\Galileu,umavida":

\Ao que se diz, o estudante (Galileu) assistia ao

servio religiosonumdomingonaatedral, quandosua

(7)

mentesedesvioudas vesperasmonoordiaseseuolhar

topouomumalanterna deorativa, penduradaporum

longo o do teto launar no entroda nave. A hama

da lanternatremeluzia omaorrente de ardentroda

grande igreja, e a lanterna osilava onstantemente,

de um lado para o outro, om a regularidade da...

pulsa~ao! Eo! (...).

Essa foiaprimeira lendaem tornode Galileu".

Quantoa segundalenda,amaioria dos

historiado-restendeaonsidera-la fantasiosa. Teria Galileu

real-mentelanadopesosdaTorredePisa? Fezalgumas

ex-peri^eniasnesse sentido,deerto: deixoubolasdepeso

diferente rolarem numa inlina~ao suave. Eis a

des-ri~ao deuma experi^eniafeitapor ele, nolivro

\Dis-ursos edemonstra~oesmatematiassobre duasnovas

i^enias",de1638:

\Em uma regua, ou mais exatamente uma viga de

madeira, medindoerade seismetrosde omprimento

e oma espessurade tr^esdedos, avamos um pequeno

anal om pouo mais de um dedo, perfeitamente

re-tilneo; em seguida o guarneemos om uma folha de

pergaminho bem lustrosa, paratorna-lo omais

esor-regadio possvel, e deixamos orrer sobre ele uma bola

de bronze bem duro, perfeitamente redonda e polida.

Coloando ent~ao o aparelho numa posi~ao inlinada e

elevando uma das extremidades a 50 m ou um

me-troaima do horizonte, nos deixamos, omo ja disse,

a bola rolar sobre o anal (...) anotando o tempo

ne-essario paraumadesida ompleta. A experi^enia foi

repetida varias vezes, a m de determinarmos

exata-mente a dura~ao do tempo, mas sem que nuna

des-obrssemosumadiferena superioradeimafra~aode

umbatimento depulso. Depoisde oloar abolano

lu-gar e tomar essa primeira medida, fazamos om que

ela desessesomente a quarta partedo anal; o tempo

medido era sempre e rigorosamente igual a metade do

tempopreedente. Emseguida,variamosaexperi^enia,

omparando o tempo neessario para perorrer a

me-tade e os dois teros , ou tr^es quartos, ou uma outra

fra~ao; repetindo essa experi^enia mais de em vezes,

veriamos sempre queosespaosperorridos estavam

entresiomoosquadradosdostempos,fossequalfosse

a inlina~ao do plano, ou seja, do anal pelo qual se

fazia deser abola."

A situa~aoesemelhante aqueladosorpospesados

aindo vertialmente, mas e de mais fail observa~ao,

porque as veloidades desenvolvidas s~ao menores. A

mensura~aodeGalileuindiavaquetodososorpos

au-mentavamsuaveloidadeamesmaraz~ao,independente

do peso de ada um. N~aohaquase nada queindique

queeleatirouobjetosdafamosaTorredePisa. Apesar

disso,esreveJamesRestonJunior[4℄,napagina50de

suabiograa\Galileu,umavida":

\Ele (Galileu) subiu na Torre de Pisa. A

ousa-dia dessa ideia estava em seu arater obvio - porem

ninguemantesdelehaviapensadonelaouousaratent

a-la. Oproblemaresidiaem medir ograude quedalivre.

Haveria melhor lugar para onduzir a experi^enia do

que esse monumento proximo as imperfei~oes

huma-nas? Se Aristoteles argumentava queumabolade em

librasaindodeumaalturadeem ubitosatingeosolo

antes que outra bola de uma libra tenha desido uma

dist^ania de um ubito, qu~ao fail seria onrmar ou

abalar essa assertiva. (Cem ubitos eq uivalem a 58,4

metros;aTorre de Pisamede 54metros.)

Subindo a esada de araol, ele arregou bolas de

diferentes pesose medidas - de humboeebano, talvez

atedeouroeporroeobre. Maistarde,eleimaginaria

adiferena entreastrajetoriasde umovo de galinhae

de um ovo de marmore. Diz alenda queele apregoou

suademonstra~aoamplamente,atraindoumamultid~ao

entusiasmada de estudantes e professores. Emergindo

expansivamente notopo, entrepilastraseprearias

ar-adas abertas, ele representou para sua multid~ao. Ele

foialamadolamorosamente. Estranhasvaias

despon-taramentreasalama~oes,poisamaioriadaturbasem

d uvidaesperava testemunharum aso. Haviaalgona

torrequepareia atrair osex^entrioseos

exibiionis-tas. Quemeraaquelejovem g^enio,aqueleradial, para

desaar n~ao apenas as autoridades no ampo, mas o

proprio Aristoteles? Talvez se assemelhasse ao

or-unda que supostamente onstrura a torre

inlinada-mente paraalardearsua propria deformidade!"

Ofato e que oproprio Galileu n~ao esreveu sobre

essaexperi^enia. Alendaoriginou-sedealgunstrehos

que o primeiro biografode Galileu, Viente Viviani 10

[1622-1703℄,esreveu.

Alguns historiadorespensam queViviani teria

for-jado a historia. Outros, que Galileu, ontando suas

aventuras a Viviani, teria inventado herosmos de

ju-ventude. Na verdade, foram os biografos rom^antios

que insistiram na historia da Torre de Pisa. A bem

daverdade,emboraGalileun~aotenhadesritosua

su-postaexperi^enia de formalaraaepoa,f^e-lo

indire-tamente mais tarde. Em \Disursos e demonstra~oes

matematiassobre asduas novasi^enias" 11

, de1638,

haaseguintepassagem:

\Digoqueasbolasatingemosoloaomesmotempo.

Ao fazer a experi^enia, vo^e desobre que, quando a

massa mais pesada toa o solo, a mais leve esta dois

dedos mais distante. Agoravo^e estaenfatizando meu

min usulo erro,enquanto seesqueedo grande errode

99 ubitosde Aristoteles"

Maisadiantenessaobra,elediriaquebolasdeouro,

humbo,obreeporrodemesmopesorevelariam

ape-nasdiferenasnmasnotempodehegadaquando

jo-10

Vivianitinha17anosquandopassouaestudaromGalileu,em1639.

11

NestaobraGalileuvoltaaesrevernaformadeumdialogoentre tr^espersonagens: Simplio(queenarnaalosoatradiional,

(8)

gadas de torres. Assim, paree que Galileu teria

re-alizado uma experi^enia envolvendo pesos jogados de

torres. Ohistoriador fran^esde origem russa

Alexan-dreKoyre[1822-1964℄,ontudo,emsuaobra\Estudos

Galileanos" [1940℄,armaquetais desri~oesn~ao

pas-samdeumexeriomentaldeGalileu,umaexperi^enia

imaginaria: searesist^eniadoar fosseremovida,ouse

as bolasassemnovauo-postulouGalileu-airiam

exatamentenamesmaveloidade!

Essa e a opini~ao de Koyre.

E neessario repetir:

opini~ao. Atehojenenhumhistoriadorprovouafantasia

dessalenda. Oassuntoaindaesusetveldedisuss~oes.

Pode-sedizeromerteza,porem,queefalsaahistoria

em queGalileuterialanadoumapenaeumabalade

anh~ao do alto da Torre de Pisa para provara queda

simult^aneadosorpos. Talexperi^enia sopoderiadar

ertonovauo!

Para ompletar a analise desse mito, e posto aqui

um texto de Rihard Brennan[5℄, enontrado a partir

da pagina 20 de seu livro \Gigantes da Fsia", que

bem mostra a import^ania das experi^enias do sabio

italiano(Brennan desr^edalendadatorre):

\Segundo uma historia interessante, que

infeliz-mente n~ao passade um mito,Galileu deixouair

obje-tosde diferentes pesosda inlinadaTorre dePisa para

demonstrarqueairiamsobreaterranamesma

veloi-dade. Essa historia n~ao e menionada porGalileu em

nenhuma de suas anota~oes; na verdade, foiatribuda

a ele anos mais tarde. Seja omo for, oexperimento,

tivesse ele sido efetuado, n~ao teria tido os resultados

presumidos, porque objetos de diferentes pesos so

ai-riamna mesmamarhano vauo.

O que Galileu de fato fez foi estudar omo os

ob-jetos se movem, n~ao deixando que assem livremente

da torre ou de qualquer outro lugar, mas usando um

plano inlinado. Fazendo bolas de diferentes pesos

ro-larem por um plano inlinado abaixo, tornou o

movi-mento mais lento ate o ponto em que podia medi-lo.

N~ao era um experimento perfeito porque havia atrito

envolvido e objetos mais pesadosseriammais afetados

que outros mais leves. Galileu fez o possvel para

eli-minaressefator,polindo atabuainlinadaatedeixa-la

lustrosa. Comeou omumainlina~aosuave eem

se-guidarepetiuoexperimentoominlina~oesresentes,

ate queaveloidade se tornougrande demais paraser

medida om alguma preis~ao. Galileu foiapaz de

ex-trapolarosresultadosdessesexperimentosomdelives,

onebendoumexperimentohipotetiomentalpara

on-jeturaroqueoorreriaaobjetosnumaquedalivre.

Des-obriuqueum objeto emqueda n~ao aisimplesmente

-ele aiada vezmais depressaao longo do tempo. Em

outraspalavras, eleseaelera,eaaelera~ao (aumento

de veloidade) e onstante. Alem disso, Galileu

obser-vou que a taxa de aumento da veloidade e a mesma

para todas as esferas, seja qual for seu peso ou

tama-nho. Sendo um matematio, expressou todas as suas

da queda dos orpos. N~ao preisamos detalhar a

ma-tematiaoua formula, masabe simplesmente

assina-larquehoje seonsideraqueasobserva~oesededu~oes

de Galileu deram inio a i^enia da me^ania e que

tiveram enormeinu^enia sobreIsaa Newton".

Outro mitoarma queGalileu, apos abjurar

ajoe-lhado as suas ideias perante a Inquisi~ao, teria se

le-vantadoedito: \Eppur,simuove",istoe,\Noentanto

(a Terra) se move". Isso e inven~ao de um biografo

rom^antio. Aprimeiramen~aoaessaita~aoestanum

livro editado na Frana em 1789.

E falsa, portanto,

essa historia. Constitui um fato, porem, que

intima-menteGalileununarenegousuasideias.

Tambeme~aoqueGalileutenhapassadopela

tor-tura. Sempre foi tratado omoum grandesenhor. Os

instrumentos de torturanem hegaram alhe ser

mos-trados,omoeradepraxenaepoa. Em1755,ofran^es

PierreEsteve,noseulivroHistoriadaAstronomia,

es-reveu queaInquisi~ao furou-lheos olhos. Estaerto

queGalileuouego,masn~aoporessemotivo,esim

porqueadquiriuatarata.

Porm,inumeroslivrosdedivulga~aoienta

di-zemque, apesar deGalileu n~aoter sido oinventor da

luneta,temomeritodetersidooprimeiroaaponta-la

paraoeu. Isso,porem,eumainforma~aoequivoada.

Oprimeirohomem aapontaruma lunetaparaoseus

foiumingl^eshamadoThomasHarriot[1560-1621℄,o

primeiroartografodaLua,ontempor^aneodeGalileu,

quen~aopubliousuasobserva~oes[11℄.

IV A ma~a de Newton

Talvez a mais famosa de todas as lendas que

envol-vemosgrandesientistassejaesta: ama~adeNewton.

Comotodahistoriaonsagradapelotempo,existem

al-gumasvariantes que eram essa lenda (algunsdizem

queama~aaiunaabeadoientista,outros,aospes

dele,porexemplo)masavers~aomaisomumente

on-tadaeaseguinte: onta-sequeNewtonestavasentado

erto dia sob uma maieira e um fruto dessa arvore

aiuem sua abea. O episodioteria dado aNewton

imediataompreens~aodaforauniversaldagravidade.

Essa, sem duvida, e amais fantasiosa de todasas

vers~oes, e, ao invesde enalte^e-lo, faz de Newton um

ompleto estupido, pois era neessario uma ma~a air

naabeadeleparaele desobrirqueexisteuma fora

dominante noUniverso? Eleporaason~ao viaas

oi-sas arem? N~ao poderia ter deduzido isso de outras

maneirasn~aot~aoesdruxulas?

Esteartigon~aovisaquestionarointeletode

New-tone sim analisar ateonde pode haver verdade nesse

episodio,bemomomostrarasontroversiasdomesmo.

Esse episodio tornou-se famoso por dois motivos:

primeiro, porque aonteeu om um g^enio (Newton),

(9)

fran^esVoltaire[1694-1778℄,quearmouterouvidoa

historia deuma sobrinhadeNewton. Voltairenarra o

fatonoseulivro\FilosoasdeNewton",de1738:

\Um dia no ano de 1666, Newton, ent~ao em sua

fazenda, vendo umafrutaair de umaarvore, segundo

medisse suasobrinha, Mme. Conduit, omeoua

me-ditar profundamente sobre a ausa que atrai todos os

orposnadire~ao doentroda Terra".

Alguns eminentes astr^onomos omo Carl Sagan[6℄

[1934 - 1996℄, negavam qualquer veraidade nessa

historia. Nasuaobra \Osplanetas",esrita

onjunta-mente omJonathan NortonLeonard, l^e-se napagina

15:

ALua,um orpoqueai

\Newton n~ao desobriu a gravita~ao observando a

queda de uma ma~a nem sendo por ela atingido

on-forme reza a lenda popular. As leis relativas a queda

dos orposhaviam sidoamplamente estudadas, masse

apliavam somente a superfie da Terra. N~ao havia

ideia da gravita~ao omo fora universal, afetando

to-dos os objetos, onde quer que se enontrassem.

Evi-dentemente, raioinava-se na epoa que tais leis n~ao

se apliavam aos orpos elestes, pois eles n~ao aem

paraa Terra. Newton mostrou seug^enio utilizando as

leis dasquedasdos orposparaaLua,quen~aoaa.

Viu por experi^enia que um objeto atirado

hori-zontalmenteseguetrajetoriatantomenos urvaquanto

mais veloidade tenha. Newtonraioinou quetalvez a

veloidade daLua,erade 3700 quil^ometrosporhora,

fosse suiente para faz^e-la seguir sua onheida

tra-jetoria, a despeito da tend^enia para air, omo

ou-trosobjetos. Em umainspiradaestimativabaseadanas

propriedades matematias das elipses de Kepler,

ad-mitiu que, quando aumenta a dist^ania da Terra, a

fora desuagravita~aodiminuisegundooquadradoda

dist^ania.

N~ao foi bem um suesso a primeira tentativa de

NewtonemapliartalideiaaLua,mas, quando

onse-guiumelhor estimativa do tamanho da Terra, deu

ad-miravel resultado. Na realidade, a Lua se movia om

aexataveloidade paraqueagravita~aoda Terra,

ate-nuada pela dist^ania, amantivesse emorbita. Newton

onseguira uma oisa extraordinaria, um dos maiores

feitosna historiado pensamento humano. Usaraa

o-nheida fora que faz as oisas arem sobre a Terra,

paraexpliarporquea Luan~ao aa."

Anal, o que nessa historia pode ser estabeleido

omofato?

E fato que a asa de Newton, em Woolsthorpe,

possua um jardim om varias maieiras. O enario

paraalenda,portanto,existe. Oepisodioteriaoorrido

em1666,quandoNewtontinha,portanto,23anos. Seu

livro, \Prinpios Matematios da Filosoa Natural",

emqueexp~oeooneitoeasleisdagravita~ao

univer-sal,foipubliadoem1687. Transorreram-se,portanto,

21 anos desdeoepisodioateque asleis dagravita~ao

estivessemsuientementedesenvolvidasparaserem

di-vulgadasnosambientes ientos.

Essamesmaobserva~aoonstanapagina51daobra

\AvidadeIsaaNewton"deRihardWestfall[7℄,o

re-nomadobiografodeNewton:

\N~ao surpreende que essa historieta, que faz

lem-braraassoia~ao judaio-rist~ada ma~aom o

onhe-imento, ontinue a ser repetida. Juntamente om o

mito do annus mirabilise om aanota~ao de

New-ton que dizia haver ele onstatado que o alulo

ti-nhaumaorrespond^enia muito proxima, elatem

on-tribudoparaaideia dequeagravita~ao universal

sur-giu diante de Newton num lampejo de disernimento,

em 1666, e de que ele arregou os Prinipia para la

e para a durante 20 anos, essenialmente onludos,

ate Halley onseguir solta-los e entrega-los ao mundo.

Formuladodessamaneira,esserelaton~aoresisteauma

ompara~ao om ohistorio dosprimeirostrabalhosde

Newtonname^ania. Elebanalizaagravita~ao

univer-sal, tratando-a omo uma ideia brilhante. Uma ideia

brilhanten~aoonseguemoldarumatradi~aoienta."

O que deve, ent~ao, ter aonteido realmente? Se

ele tivessetidoompreens~aoinstant^aneadagravita~ao

universal quando a ma~a aiu-lhena abea, teria ele

levado dois de^enios para esrever sua obra-prima?

Tendo em vista os fatos historios, o leitor pode

per-feitamente onluirque, damaneiraomo foiontada,

ahistoria dama~aeabsurda einverossmil. A vers~ao

mais plausvel do que deve ter aonteido paree ser

a ontada porJohn Conduitt 12

[1688 - 1737℄, marido

dasobrinhadeNewton. Essaeoutradentreas quatro

vers~oesindependentesqueexistem:

\No anode 1666, ele tornou a seafastar de

Cam-bridge (...) indo ter om a m~ae em Linonshire, e

quando meditava num jardim, oorreu-lhe que o poder

da gravidade (que derrubara uma ma~a da arvore no

h~ao) n~ao estava limitado a uma erta dist^ania da

Terra, mas deveria estender-se muito alem do que se

ostumava pensar. `Por quen~ao ateaLua?'- disse ele

asi mesmo,e, se assimfosse,isso deveria inueniar

seu movimentoe talvezmant^e-laem suaorbita."

Explanando-seavers~aodeConduitt,peloqueainda

sesabeda vidadeNewton, perebe-se melhoromo a

quedadama~ainueniouadesobertadagravita~ao:

numdia de1666, Newtonestavasentado

ontemplati-vamente debaixo de uma maieira, quando foi

surpre-endido pela queda de uma ma~a. HatemposNewton

estudavaateoriadeKeplersobreasleisdos

movimen-tosplanetarios,efoilevadoporessepequenoinidente

a reetir sobre que tipo de fora puxa osorpospara

o entro da Terra. Perguntou-se, tambem, ate onde

iriamoslimitesdessa fora. Porquen~aoseestenderia

essepoderateaLuae,nesse aso,porqueaLua,bem

maiordoqueumama~a,n~aoaasobreaTerra? Oque

12

(10)

mantinhaesseastroorbitandoaTerra? Essamesma

in-daga~aoseformou nasuamente omrespeitoaos

pla-netas,quesemovememvoltadoSol. Deraionioem

raionio,hegouassimNewtonaonep~aodagrande

teoria, que seus alulos n~ao tardaram em onrmar.

Olivro\PrinpiosMatematiosdaFilosoaNatural"

aborda muitos outros temas alem da gravita~ao; esse

foi um dosmotivos da demora em sua publia~ao. A

ma~adeNewtoneitadaomoexemplodosresultados

de grande import^ania, que muitas vezes derivam de

ausasinsigniantes.

Em plena onord^ania do que aabou de ser

ex-posto, ita-se por m um treho da obra \Gigantes

daFsia",deRihardBrennan[5℄,referentealendaria

ma~adeNewton, situadonapagina36:

\A historia de que a ideia da gravita~ao universal

foi sugerida aNewton pela queda de uma ma~aparee

verdadeira. William Stukeley 13

,oprimeirobiografode

Newton,relataqueouviuoasodeleproprio. Ao

obser-var ofato, Newtondeuum saltomental intuitivoefez

a si mesmo umapergunta basia: e se amesma fora

responsavel pela queda da ma~a se estendesse a orbita

da Lua? Em primeiro lugar, presumiu que a Lua

es-tava aindo em dire~ao aTerraem resposta ao pux~ao

parabaixo(vertial)dagravidadedaTerra,masjamais

se hoava om esta por ausa do pux~ao horizontal,

mais forte, doSol. Sup^osquea Lua,amedida queai

emdire~aoaTerra,etambempuxadahorizontalmente,

nograuexatamente neessarioparaompensaraqueda

e arrega-la em torno da urvatura da Terra em sua

orbitaelptia. Emsegundolugar,imaginouqueafora

gravitaionalemanariadoentrodeumorpo(aTerra,

nesteaso)en~aodesuasuperfie. Tentouent~ao

quan-tiaradiferena entrea fora exerida sobre ama~a

e aquela exerida sobre a distante Lua. Realizou esta

ultima tarefatomando por base atereira lei do

movi-mentoplanetariodeKepler, hegandoaoquesetornou

onheido omo a lei do inverso do quadrado. A

fora gravitaional diminuiom oinversodo quadrado

da dist^ania sobre a qual se propaga. Se a ma~a

esti-vesse60 vezesmais proximadoentrode gravidade da

TerradoqueaLua(omodefatoesta),afora

gravita-ional exerida sobre ama~a seria 60ao quadrado, ou

3.600 vezes mais forte que aquela experimentada pela

Lua. Inversamente, portanto, a Luadeveria se urvar

para baixoao longo de suaorbita (queda) 1/3600 avos

do que a ma~a ai no mesmo tempo. A partir dessas

suposi~oes,Newtonp^odealularaorbitaexatadaLua.

A elabora~ao matematia de tudo isso onrmou a

magna intui~ao de Newton de que a mesma fora

que puxaa ma~aparabaixo,puxa aLua. Em seguida,

eledeumaisumpassogigantesoparaahumanidadeao

pressupor que aqueles mesmos prinpios matematios

se apliavam a todos os orpos - planeta, lua ou

as-teroide - no universo. De fato, Newton tomarao

qua-drogeral do Universode Desartes eotornara

rigoro-samente matematio e preiso. Havia feito nada

me-nos que onstruir a primeira sntese moderna sobre o

universo fsio, uma vis~ao fundada na me^ania, em

quetantoasmenorespartulasquantoosmaiores

or-pos elestesmovem-se todos de aordo omos mesmos

prinpios matematios."

E sabido quea i^enia frequentemente passa pelos

aminhosdooasional,maslogoeredireionadaparaa

analise,apesquisa,otrabalhointeletual.Umaminho

difil,omoseperebe,masdemeritosmuitomaiores.

Muitasma~ashaviamadoantesdeNewtonnaser.

Enunaalguemantesdelehaviaseperguntadoporqu^e,

aoinvesdearemnoh~ao,asma~asn~aosubiamateo

eu,perdendo-senoUniverso,ouporqueelasn~ao

deve-riamalgumasvezesair,outrasvezessubir,outrasvezes

moverem-separaalgumlado. Taisperguntaseram

on-sideradas pelas pessoasomunsdesinteressantes e ate

idiotas. O homem omum, que se ahaheiode bom

senso e aeita o mundo omo tal e, sem se fazer

per-guntas absurdas, nunadesobriu nada e nunariou

nada. Newton, ao ontrario,fez a\pergunta idiota"e

desobriu,gradualmente,aleidagravita~aouniversal.

OutroepisodiodavidadeNewtonquetornou-semotivo

para ontesta~oes e relativo aos seus hamados\anos

admiraveis" 14

. Em1665,umsurtodepesteobrigouas

universidadesafeharemasportas. RihardWestfall[7℄

assimrelatouoasonapagina38desuaobra:

\No ver~ao de 1665, uma alamidade abateu-se

so-bre muitas partes da Inglaterra, inlusive Cambridge.

`Aprouve a Deus Todo-poderoso, em sua justa

severi-dade',omodisse EmmanuelCollege,`astigaresta

i-dade de Cambridge om a praga da pestil^enia'.

Em-bora Cambridge n~ao tivesse omo saber disso e pouo

tenha feito, nos anos seguintes, paraaplaar a

severi-dadedivina,aprova~aodedoisanosfoiaultimavezem

que Deus optou por astiga-la dessa maneira. Em 1 o

.

de setembro, o governo muniipal anelou a Feira de

Sturbridgeeproibiu todasasreuni~oesp ublias. Na

ver-dade,osolegiostinham feito asmalas esedispersado

muitoantesdisso. OTrinityregistrara,em7deagosto,

adeis~ao de que `todos os professores ealunos que

fo-remagoraparaointerioremvirtudedapestil^enia

de-ver~ao reeber as verbas usuais para seu sustento pelo

prazo do m^es subseq uente'. Os registros do e^onomo

deixam laro que o olegio, embora anteipando-se a

universidade, ouatras de muitosde seus residentes,

quejahaviam fugidoe, poronseguinte,n~ao reeberam

a verba relativa ao ultimo m^es do trimestre de ver~ao.

Duranteoitomeses,auniversidadeouquasedeserta.

Emmeadosde maro,n~aotendo havidonenhum

regis-13

O medio Stukeley onheeuNewton noiniode1718, omo qualfezamizade. AosemudarparaGrantham posteriormente,

Stukeleyfezquest~ao,asemelhanadeConduitt,deolherinforma~oessobreNewton.

14

(11)

trodemorteemseissemanas, auniversidadeonvidou

seu orpo doente e disente avoltar. Emjunho, ou

laroqueoastigodivinoaindan~aosehaviaenerrado.

Houveumsegundo^exodoeauniversidadesop^ode

reto-marseu pleno funionamentonaprimaverade 1667".

IsaaNewton deixouaUniversidadedeCambridge

paraumaperman^eniaforadanasuaasade

Woolst-horpe, ondep^odeestudaravontade. Na pagina39do

livrodeRihardWestfall[7℄,onstaorelatodeNewton

sobreesseperodo:

\No inio do ano de 1665, desobri o metodo de

aproxima~ao a umaserie desse tipo e aregra para

re-duzir qualquer pot^enia de qualquer bin^omio para tal

serie. Nomesmoano,emmaio, desobriometododas

tangentes deGregoryeSlusius e, emnovembro,obtive

ometodo direto das ux~oes,e no anoseguinte, em

ja-neiro, ateoriadas ores, eemmaioseguintedesvendei

ometodoinversodasux~oese,nomesmoano,omeei

apensarna gravidade omo seestendendo ateaorbita

daLuae(depoisdedesobriromoalularaforaom

que[um℄ globo girando dentrode umaesfera pressiona

a superfie da esfera), a partir da regra de Kepler de

queosperodosdosplanetasest~aonumapropor~ao

ses-quialteraomsuasdist^aniasdoentrodesuasorbitas,

deduzi que as foras que mant^em os planetas em suas

orbitasdevem[variar℄reiproamente,omooquadrado

de sua dist^ania do entro em torno do qual eles

gi-ram: eapartirdisso, omparei aforaneessariapara

manter aLua em suaorbita omafora da gravidade

na superfie da Terra, e desobri que elas se

orres-pondem bem de perto. Tudo isso foi nos dois anos da

peste,1665-1666. Pois,nessaepoa, euestavanoauge

de minha fase de inven~ao eme interessava mais pela

matematiae pela losoa do queem qualqueroasi~ao

posterior."

Nem todos oshistoriadores r^eem que Newton

te-nhafeitotudoissoemsuaurtaestadade17mesesno

ampo. Issoporque esse relatofoi esritoaproposito

daontroversiadoalulo,ujaprioridadeNewton

dis-putou ferrenhamente om Leibniz. Assim essa rena

ousituadanaategoriademito, aoladodahistoria

da queda da ma~a. Esse e o aso, por exemplo, do

proprio Rihard Westfall. Esreveele napagina59de

seulivro\AvidadeIsaaNewton":

\Ante um exame minuioso, os anni mirabiles

revelam-se menos miraulosos do que o annus

mira-bilisdomito newtoniano. Quando1666hegouaom,

Newton n~ao estava de posse dos resultados que

torna-ram sua reputa~ao imortal, nem na matematia, nem

na me^ania, nem na optia. O que ele zera nessas

tr^es areasforalanarbases,algumas mais extensas do

queoutras, sobreas quaispudesse onstruir om

segu-rana, porem nada estava onludo no m de 1666,

e a maior parte nem sequer hegava perto de estar

onluda. Longe de diminuir a estatura de Newton,

estejuzo aaumenta, por tratar suas realiza~oes omo

historia de revela~ao divina."

De fato, de doumentos, poua oisa ha que

om-prove (ou desarte) as palavras de Newton. Porem,

omo bem argumentou Rihard Brennan[5℄ na pagina

39 de sua ja itada obra, \na aus^enia de prova em

ontrario, eopini~aodeste autor que sedeveria aeitar

apalavradeNewtonomoexpress~aodoqueaonteeu

edomomentoemqueaonteeu".

V A ideia luminosa de Edison

TomasAlvaEdison naseu em11de fevereirode1847

e morreu em 18 de outubro de 1931.

E onsiderado

ate hoje o mais profuo inventor do mundo!

Auto-didata, suaprimeira inven~ao data de 1868, e

onsis-tia num ontador automatio de votos, que n~ao

ob-teve suesso. Durante seus 84 anos de vida, ele e sua

equipepatentearammaisde1000inventos,dentreeles:

otelegrafoduplo, que permitia seremtransmitidas

si-multaneamente duas mensagens num mesmo o e em

sentidosontrarios;ofonografo,em1877(omodelo

ori-ginal deste ultimo era um ilindro reoberto por era

que girava em torno de seu eixo, enquanto um

esti-leteregistravasulosquepermitiamreproduzirossons.

Alguns anos mais tarde Edison requereuregistropara

o modelo que utilizava disos); aparelhos telegraos

quadruploses^extuploseoinesopio(1891). Em1883

Edisonhaviadesobertoaemiss~aodeeletronspor

me-tais inandesentes, quee aorigemdal^ampadade

di-odo.

A mais popular de suas inven~oes, ontudo, e a

l^ampada eletria inandesente. Isso, porem, e um

mito:ao ontrario do que popularmente se diz, Edison

n~ao inventou a l^ampada eletria. Varios modelos de

l^ampadaeletriainandesentejahaviamsido

apresen-tados ao mundo antes de Edison. Ignaio de Loyola

Brand~ao[8℄,napagina93deseulivro\TomasEdison",

explia:

\Edison n~ao inventou a luz (eletria). Apesar de

ser reonheido popularmente porela, atravesdos

tem-pos, o quena verdade ele fez foi dar o toquede g^enio:

aperfeioa-la. Oproblema dal^ampadaeletriaera

bas-tante omplexo. Sua realiza~ao tinha sido tentada por

umas dez pessoas. Ao menos, sabe-se que dez

hega-ramaumresultadomaissatisfatorio, onseguindo

ela-borar umal^ampada queseaendia poralguns

momen-tos. Em1820, naFrana, DeLaRiveapresentou uma

l^ampada inandesente. Houve depois as experi^enias

deDeMoylens,em1841,J.W.Starr,em1845,Joseph

Swan, um ingl^es, que produziu l^ampadas

inandesen-tesusando arv~ao ouplatina omoondutores, apartir

de 1848. Osrussos Kohne Lodyguinehegaram muito

perto. Outrorusso,Jablohko iluminou a avenida da

opera om 64 l^ampadas, durante aExposi~ao

(12)

l^ampadas onstrudas om os de platina e irdio. E

Sawyer tinha onseguidouma patente protegendo uma

l^ampadaujos oseramde platina.."

Os problemas das l^ampadas inandesentes da

epoaerambasiamente dois: davamluzesde

diferen-tesintensidades,sempremuitofortes,en~aosuportavam

araesasmaisquealgunsminutos. Aoserem

aquei-das,osondutoresdeorrenteeletrialogosefundiam.

Nabusadeummaterialduravelqueservisseomo

lamento 15

paraal^ampada,Edisonusoupratiamente

detudo: algod~ao,bario, borrahavulanizada,arv~ao,

rina de avalo, platina, rodio, rut^enio, seda, tit^anio,

zir^onio... usouateodebarbadeumdeseus

ajudan-tes! Como se v^e, Edison andava pratiamente as

e-gas. Omaterialquedeumelhoresresultadosfoimesmo

o algod~ao arbonizado. Atualmente, o lamento das

l^ampadaseletriasede tungst^enio,porserometalde

maiselevadopontodefus~ao(3410 Æ

C).

Assim, o que Edison fez foi popularizar a energia

eletria, tornando-a barata. O maximo que se pode

dizer e que Edison inventou um modelo eon^omio de

l^ampadaeletriainandesente. Semseutrabalhoe

es-foro,ertamenteaeletriidadepermaneeriapormuito

tempoomo umartigodeluxoeara. Esseeomerito

de Edison (o que n~ao epouo). N~ao sepode, porem,

esqueerotrabalhodosoutrosientistas.

VI O zero de Einstein

A rena popular diz que o grande fsio alem~ao

Al-bertEinstein [1879-1955℄,naturalizadoameriano,ja

tirouzeroemmatematia. Aorigemdestemito

prova-velmenteeesta: as notasesolaresalem~aesv~aode6a

1 (1 e a nota maxima): 1 = sehr gut (muito bom);

2 = gut (bom); 3 = befriedigend (satisfatorio); 4 =

ausreihend (suiente); 5 = mangelhaft (frao), 6 =

ungen ugend(insuiente). Assim,epossvelqueos

pri-meirosbiografosdeEinsteintenhaminterpretado

erro-neamente seuboletim. Naverdade,Einstein era

exe-lente emaritmetia. Paraseuinfortunio,entretanto,a

mesma exel^enian~ao severiavanasoutras

disipli-nasesolares.

Outra rena, que dessa vez nada tem de popular

eostumaserespalhadoporpessoaspedantes(e

igno-rantes)equeEinsteinteriaditoaseguintefrase:\Tudo

erelativo". Einstein nuna disse isso. Pelo ontrario,

segundoEinsteinexistepelomenosumaoisaabsoluta

nesse mundo: a veloidade da luz (no vauo), pois e

onstante e independe da veloidade relativa da sua

origem edoobservador: 300.000.000demetrospor

se-gundo!

OmaisreentemitoquehaemtornodeEinsteindiz

respeitoaumalhaqueeleteriatidoem1902,hamada

Lieserl. A historiasoemergiuem 1986,dandolugar a

varias historietasque prouramdesvendaroque teria

aonteido alhado eminente ientista. Toda e

qual-quernovidadeenotiiadapelosmeiosdeomunia~ao,

espeialmentepelosjornais. Nodomingode5demaro

de2000,ojornal\OGlobo"publiounapagina10da

se~ao\O Pas"umapequena reportagem relatandoas

ultimasdesobertasdosbiografoseinsteinianossobrea

desapareidaLieserl:

NOVIDADESNOMIST

ERIODA FILHADE

EINSTEIN

\

Epossvelquesetenhaahadooaminhoque

des-vendaraumdosmaioresmisteriosdoseulopassado,o

destinoda lha deAlbert Einstein.

Em1902, aos22anos, Einsteinteveumalha om

MilevaMari, sua namorada eolega no Instituto

Po-litenio de Zurique. Eles viriam a se asar, mas da

menina,hamada Lieserl, nada se soube. Soem 1986

e quese desobriu sua exist^enia. Einstein soa

men-ionou numa arta, em 1903, e nuna mais falou do

assunto. Em 1935, ao saber que havia uma mulher

dizendo-se sua lha, ontratou um detetive, sem

qual-quer suesso. Soube-se apenas que a riana ou na

Servia,omafamlia da m~ae.

Einsteinn~ao foiounioresponsavelpelosumio da

riana,vistoqueeleeMilevaviveramjuntospormais

17 anose tiveramoutrosdois lhos (um dos quais

es-quizofr^enio). Eleaabandonou,paraasar-seomuma

prima.

A esritora Mihele Zakheim orreu atras do

misterio durante inoanos. Reviroulembranase

li-vrosdeparoquias. Perseguiupistasquelevavama

qua-tro mulheres que poderiam ter sido Lieserl (mas n~ao

eram). N~ao hegou a uma onlus~ao denitiva, mas

onveneu-se deque ameninanaseu omdei^enias

mentaisemorreuaos doisanos, de esarlatina.

A pesquisa de Zakheim esta no seu livro,

`Eins-teindaughter: Adark hapterintheearlylifeofAlbert

Einstein' (`A lha de Einstein: um aptulo negro na

juventude de Albert Einstein, inedito em portugu^es).

Pelo notiiario que o livro provoou, perebe-se que,

mesmosendoautelosamenteinonlusiva,adesoberta

esbarranahistoria dodetetive. Se Lieserltivesse

mor-ridoduranteomatrim^oniodo fsioomMileva,

Eins-teinn~ao tinhaporqu^eproura-la.

Zakheim trabalhou om a ajuda de uma jovem

serviaqueestudavafsianosEstadosUnidos.

Chama-seMarija Dokmanovi. Ela ajudou-a traduzindo

dou-mentos servios e depois foi a luta por onta propria.

Chegou a uma onlus~ao diferente. Lieserl teria

he-gado a idade adulta. Por enquanto, Dokmanovi

reusa-se a revelar o nome dessa mulher, pois admite

quelhefaltam provas.

Essahipotese onfereomassuspeitasdoprofessor

RobertShulmann,da BostonUniversityeguardi~ao do

(13)

papelorio de Einstein. Ele ontou (ao) esritor Denis

Brian,magnobiografodoientista(`Einstein-uma

vida', editadono Brasil)que Lieserlsobreviveu ao pai,

que morreuem 1955.

E possvel que Lieserl tenha

vi-vido sem saber queeralhade Einstein. (...)"

O testamenteiroe grande amigo de Einstein, Otto

Nathan,durantequase35anosimpediuoaessode

pes-quisadores aos arquivos, doumentos e anota~oes

pes-soaisdoientista. Nestetrabalhodeoulta~aofoi

auxi-liadopelalealseretariadeEinstein,HelenDukas,que

om ele trabalhou durante 27 anos, e oleionou ate

mesmo os rasunhos e notas que ele atirava na esta

delixo. Devotos,amboslutaramparapreservara

ima-gemquase an^onia deEinstein quefoi projetada -e,

deertaformatambemmontada-pelamdiaaolongo

dosanos: abeagrande,abelosdesgrenhados,roupas

amarfanhadaseuminabalavelbomhumor.

PouoantesdeOttoNathanmorrer,em1987,uma

a~aojudiialtirouosarquivosdeEinsteindesuasm~aos

e abriu-os aos pesquisadores. S~ao milhares de

dou-mentos. Uma pequena parelado material,

prinipal-mente a orrespond^enia de Einstein om a segunda

mulher, Elsa, e om os lhos, ainda ontinua

interdi-tada. Apartetornadavisvelofereematerialt~aofarto

que,ertamente,omotempo,tornarapubliasnovas

esurpreendentesrevela~oes.

DenisBrianmergulhounesses arquivose,om

per-tinaia de reporter linha de frente, foi atras de

pes-soasque onviveramomEinstein: ientistas, amigos,

dispulos. Aaberturadosarquivoseairunst^aniade

amaioria dos envolvidosmais diretamente jaestarem

mortosromperamas barreirasdosil^enio obsequiso,e

desta pesquisa resultouuma biograa reveladorae

in-teirasobreoEinstein\terreno".

Noprefaiode\Einstein-Ai^eniadavida",Brian

ita a evid^enia irrefutavel daexist^enia de uma lha

ilegtimaqueoientistajamaisreonheeu:

\Desobri que a vida de Einstein e repleta de

tri-unfos e de tragias ironias. O ientista uja mente o

levou aospontos maisdistantes do espao tinha um

-lho esquizofr^enio que n~ao onseguia atravessar a rua

sozinho. O paista, que literalmente n~ao mataria

uma mosa, foi obrigado aexigir afabria~ao de uma

bombadevastadora. Ohumanista quedemonstrava

a-rinhoeinteressepeloslhosdosoutrosnegligeniavaos

propriosemantinhaemsegredoaexist^eniadesua

pri-meiralha, ilegtima. Oamanteda solid~ao vivia

inva-riavelmenterodeadodemulheres, aadopelaimprensa

e assediado pelas multid~oes. E o demorata dediado

era onstantementeausado de omunistaou inoente

util aeles."

VII Considera~oes nais

Certamenteseriaproveitosoaosestudantesdenvel

fun-relatassem esses e outros mitos ontados de gera~ao

em gera~ao, mas tambem osdisutissem, treinando o

estudante para saber disernir o fantasioso do real, o

improvavel do plausvel. S~ao exemplos de livros om

falta de disuss~ao (e poronseguinte, ar^enia ora de

ientiidade,oradehistoriograa,oradeambos)as

se-guintesobras: \Termologiae

Optia",deLusAlberto

Guimar~aes[9℄eMareloFonteBoa,daEditoraHarbra,

de 1998,que napagina 184daomoerta, sema

me-nordisuss~ao,aqueimadafrotaromanasupostamente

realizadapelosespelhosaustiosdeArquimedes:

\(...) Arquimedesapliou, napratia, areex~aoda

luz om ns n~ao muitos paos: utilizando grandes

espelhosparabolios, ele onentrouosraiossolares

so-breasvelas denaviosromanosqueataavam Sirausa,

inendiando-os"

No ensino medio e leionado

Optia, e o aso de

Arquimedes poderia ser explorado em pequenos

pro-blemas queabordassem, porexemplo,aspropriedades

dosespelhosesferiosdeGauss (lembrando-seque

Ar-quimedesn~aoutilizouespelhos,esimesudosdebronze

polidos). Porexemplo,umprofessorpoderiaofereero

seguinteproblemaaosseusalunos:

\ParaArquimedesqueimarasvelasdeumnavio

ro-manoqueestivessesituadoa50metrosdele,valendo-se

para isso de um unio espelho ^onavo que obedeesse

as leis de Gauss, qual deveria ser o raio de urvatura

desse espelho?"

Noespelho^onavo, ofooereal (interse~ao

efe-tiva dos raios luminosos). Para queimar as velas da

embara~ao,estadeveraestarsituadanofoodo

espe-lho. Sabe-sequeofoodeumespelhoesferiodeGauss

situa-se aproximadamente na metade dadist^ania

en-tre o entro de urvatura do espelho e o seu vertie.

Logo,Arquimedesteriaqueusarumespelhoderaiode

urvaturade100metros.

A obra \Os Fundamentos da Fsia", Volume 1,

Me^ania, de Ramalho[10℄, Niolau e Toledo, da

Edi-toraModerna,1999,napagina86relatatr^esmitos

ga-lileanos:

\Foi Galileu quem estabeleeu a lei da queda dos

orpos, armando que, quando um orpo esta aindo

livremente, sua aelera~ao e onstante e e a mesma

para todos os orpos, leves oupesados, grandes ou

pe-quenos. Conta-se inlusive que Galileu teria realizado

umademonstra~ao p ubliadesse fato,abandonando

si-multaneamente varios orposdo alto da Torre de Pisa

everiando quehegavamjuntos aosolo.

No ampo da Astronomia, Galileu foi o primeiro

homem aobservar oeuom umtelesopio".

Tal informa~ao esta equivoada, pois foi o ingl^es

ThomasHarriotopioneirodessafaanha.

\(...) Porsuasideiasrevoluionarias eseuesprito

rebelde, Galileu foi perseguido e ondenado pela

In-quisi~ao. Para evitar um mal maior, Galileu

(14)

in-onsta que apos sua abjura~ao, ao sair do tribunal, o

genialientistateriamurmurado: Epursimuove(`No

entanto, se move')".

Napagina 452do mesmolivro, os autoresontam

ummitoarquimediano:

\Quandoumapessoaestamergulhada nasaguasde

uma pisina ou do mar sente-semais leve, omo se o

lquido estivesse empurrando seu orpopara ima,

ali-viando seupeso. Quempela primeiravezveriouesse

fato foi o ientista grego Arquimedes, durante um

ba-nho. Conta-seque,entusiasmadoomadesobertaque

lhe permitiu resolver um problema que o preoupava,

Arquimedessaiu nupelas ruas de suaidade, gritando

`Heurea! Heurea!' "

Essesexemplosprovamapresenamarantedesses

ontos nos livros didatios. Alem de tirar duvidas, a

disuss~aodessashistoriasmostrariaomoeoverdadeiro

trabalho de umientista, provandoque sorteajuda, e

muito, masn~aoesuiente para uma desoberta. Tal

li~ao ja foienuniadahatempospelo qumioe

biolo-gistafran^esLouis Pasteur[1822-1895℄. Foielequem

disse: \Noterrenodaobserva~ao,asortefavoree

ape-nasosespritos prevenidos".

Refer^enias

[1℄ FILHO, Adonias. A vida de Arquimedes: o maior

dos sabiosdaAntig uidade,Ediouro,Serie\OsGrandes

PersonagenseaHistoria",1983.

[2℄ MARTINS, Roberto de Andrade. Arquimedes e a

oroa do rei: problemas historios, Caderno

Catari-nense de Ensino de Fsia, vol. 17, n o

.

2, agosto de

2000.

[3℄ THUILLIER, Pierre. De Arquimedes a Einstein

-Afae oulta da inven~aoienta,Cole~aoCi^eniae

Cultura,JorgeZaharEditor,1998.

[4℄J

UNIOR,JamesReston,Galileu,umavida,Editora

JoseOlympio,1994.

[5℄ BRENNAN, Rihard. Gigantes da Fsia - Uma

historia da fsia moderna atraves de oito biograas,

JorgeZaharEditor,1998.

[6℄SAGAN, CarleLEONARD, JonathanNorton. Os

planetas,LivrariaJoseolmpioEditora.

[7℄WESTFALL, Rihard S. A Vida de Isaa Newton,

EditoraFronteira,1995.

[8℄ BRAND ~

AO, Ignaio de Loyola. Thomas Edison,

Cole~ao \Os Homens que mudaram a Humanidade",

EditoraTr^es,1974.

[9℄GUIMAR ~

AES,LusAlbertoeBOA,MareloFonte.

Termologiae

Optia, EditoraHarbra,1998.

[10℄ RAMALHO, NICOLAU, TOLEDO. Os

Funda-mentosda Fsia, Vol. 1,Me^ania,EditoraModerna,

1999.

[11℄MOUR ~

AO,RonaldoRogeriodeFreitas. Diionario

Enilopediode AstronomiaeAstronautia. 1 a

,

Referências

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