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Categorias no pensamento humano: conceitos ou protótipos?

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(1)

. I

INSTITUTO SUPERIOR DE ESTUDOS E PESQUISAS PSICOSSOCIAIS CENTRO DE POS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

CATEGORIAS NO PENSAMENTO HUMANO: CONCEITOS OU PROTOTIPOS?

VOLUME I ~/

MARIA OUSTINA FERRE IRA 00 NASCIMENTO

FGV/ISOP/CPGP

(2)

CATEGORIAS NO PENSAMENTO HUMANO: CONCEITOS OU PROTOTIPOS?

por

MARIA CRISTINA FERREIRA DO NASCIMENTO

Tese submetida como requisito parcial para obten ção do grau de

DOUTOR EM PSICOLOGIA

(3)
(4)

Ao professor Franco Lo Presti Seminério, pela aten

çao, boa vontade e carinho demonstrados, durante toda a orien

tação deste trabalho.

Ao professor Antonio Gomes Penna, pela segura

o-rientação que ofereceu, durante a realização de todas as

dis-ciplinas do curso de Doutorado, da qual se originou a escolha

e desenvolvimento do tema do presente trabalho.

Ao professor Cílio Rosa Ziviani, pela orientação

e ajuda prestadas, na fase de tratamento dos dados.

Ao professores Cynthia Clark e Nilton Pinto

Ribei-ro Filho, pelas críticas, sugestões e total colaboração

rece-bidas.

Aos meus pais, pelo apoio que sempre deram, em

to-das as etapas de meu desenvolvimento pessoal e profissional.

Aos meus familiares, que de forma direta ou indire

ta, participaram ativamente, para que este trabalho se concre

tizasse.

(5)

vo demonstrados, em todas as etapas do curso de Doutorado.

Aos alunos do curso de Psicologia da UGF, USU e

UFRJ, que voluntariamente participaram como sujeitos das

pes-quisas.

A todos aqueles que, com palavras amigas, contri

-buíram para que este trabalho se concretizasse.

(6)

Este trabalho representa urna tentativa de

reco-locar, à luz das mais recentes contribuições teoricas e

ve-rificações empíricas, o terna da obtenção de conceitos e de

sua atual alternativa, expressa atrav~s da teoria dos protª

tipos.

Para a consecuçao de tal objetivo. fez-se

ini-cialmente urna revisão dos principais aspectos que caracteri

zam a abordagem clássica na obtenção de conceitos.

Nessa abordagem, define-se um conceito por um

pequeno conjunto de propriedades comuns a todos os seus

e-xemplares, que são necessárias e suficientes para este fim.

Esta visão promoveu o desenvolvimento de várias

teorias explicativas e levou os estudos empíricos a se

uti-lizarem de estímulos artificiais, caracterizados por formas

geom~tricas de dimensões e valores bem definidos. A análise

das variáveis ligadas

à

tarefa, ao procedimento experimen

-tal e ao sujeito procurou esclarecer o comportamento

estra-tégico envolvido na atividade conceitual.

o

considerável volume de dados reunidos, nesta

área, foi objeto de minucioso estudo neste trabalho. Ao lon

go dessas revisões, tornou-se claro que a posição clássica

pouco esclareceu socre o processo através do qual os seres

(7)

veu-se à abordagem de protótipos na formação de categorias.

Esta posição, na última década, contrapondo- se

ã

visão clássica, desenvolveu a tese de que as categorias

naturais não possuem nenhum conjunto de características

co-muns a todos os seus membros, estando organizadas em torno

de protótipos, representados pelos exemplares mais típicos

da categoria.

A analise das explicações teóricas e evidências

empíricas reunidas por esta abordagem, no que se refere

-

a

natureza e organização das categorias naturais e de seus

e-feitos em diversas variáveis dependentes psicológicas,

per-mitiu a avaliação de que tal posição se constitui em uma aI

ternativa com possiBilidades potenciais de esclarecero

pro-cesso de formação de categorias.

Face a estas considerações, foi desenvolvido um

primeiro estudo que pretendeu verificar se as categorias na

turais de ambientes se estruturavam em torno de protótipos.

Os resultados ohtidos demonstraram que os sujei

tos foram capazes de realizar julgamentos significativos e

fidedignos a respeito da tipicidade dos membros das

categorias de ambientes, evidenciando que os protótipos desempe

-nhavam um importante papel na estruturação destas categorias.

(8)

interna das categorias de ambientes, tendo-se hipotetizado

que os membros mais típicos destas categorias apresentariam

uma maior semelhança de famílias com os demais membros que

os menos típicos.

A confirmação desta hipótese foi considerada c~

mo uma contribuição para a elucidação dos fatores

responsa-veis pela estruturação interna das categorias.

Um terceiro estudo pretendeu verificar se a

es-truturação das categorias de ambientes afetava o julgamento

de que um membro pertencia ou não a uma certa categoria de

ambientes, tendose hipotetizado que os membros mais típi

-cos das categorias de ambientes seriam mais rapidamente ju!

gados como pertencentes àquelas categorias que os

menos típicos.

membros

A análise dos resultados obtidos confirmou

ple-namente a hipótese em questão. indicando que a estrutura in

terna das categorias de ambientes possuía uma realidade psi

co lógica e que tal estrutura afetava o processamento

cogni-tivo destas categorias.

As evidências reunidas nos três estudos possibi

litaram uma confirmação e extensão de algumas das formula

(9)

sugestões úteis

ã

Psicologia Ambiental,

ã

Psicologia Ins

trucional e ã elaboração de modelos sobre o processo de for

mação de categorias.

(10)

This work represents an attempt of examining,

in the view of more recent theoretical contributions and

empirical verifications, the issue of the concept attainment

and its present alternative, that is expressed in the

prototype theory.

Thus, it was necessary a review of the main

points that characterize the classical view about concept

attainment.

In this view, a category is defined by a small

set of features that are common to alI members and they

are necessary and sufficient for this goal.

This approach has carried out the development

of various theories and empirical studies that has used

artificial stimuli, characterized by geometrical forms,

with dimensions and values well defined. The analysis of

the task variables as well as those concerning experimental

procedure and subject aimed at the explanation of the

behavior strategies of the subject involved in a conceptual

activity.

A great deal of empirical data collected by the

classical view was exhaustivelly studied. These reviews

have demonstrated that the classical approach has not

(11)

valuable evaluation of this problem is credited to prototype

approach in the formation of categories.

In the last decade. this approach. contrary to

the classical one, has developed the thesis that the

natural categories do not have any set of features common to

alI members, for they are organized around prototypes,

represented by their more typical members.

This work has examined the theoretical

explanations and empirical evidences from the classical

approach, in respect to the nature and organization of

natural categories and their effects on psychological

dependent variables. So, it was possible evaluate that the

prototype theory is an aiternative with"potential

possibilities of explainingthe process of category formatian.

From these considerations, it was carried out

a first study, that has aimed to investigate whether the

natural environmental categories were structured around

prototypes.

The results has showed that the subjects were

capable of making meaningful and reliable judgments about

the typicality of the members of environmental categories,

as an evidence tnat the prototypes have played an important

(12)

A second study has been carried out and it

intended to verify whether the family resemblance principIe

has affected the internaI structure of environmental

categories. So, it \<las hypothesized that the more typical

members of these categories would show a greater family

resemblance to the other members than the less typical ones.

The confirmation of this hypothesis was

considered as a contribution for the clarification of the

factors which are responsible for the internaI structure

of categories.

A third study intended to verify Hhether the

structure of the environmental categories has had some

effect on the judgment as to whether a member belonged to

a certain category. So, it was hypoyhesized that the more

typical members of the environmental categories would be

more rapidly judged as members of those categories than

the less typical ones.

The obtained results have fully confirmed the

hypothesis, aS,an' evidence that the internaI structure of

the environmental categories involved a psychological

reality and has had an effect on the cognitive processing

of these categories.

(13)

theoretical formulations implied in the prototype approach

of the category formation, and have permitted the development

of useful suggestions to Environmental Psychology,

Instructional Psychology and to the elaboration of models

on the process of category formation.

(14)

Tabela 1: Dezesseis partições únicas de uma população de

estímulos --- 17

Tabela 2: Regras conceituais descrevendo as partições

de uma população com dois atributos releva~

tes --- 18

Tabela 3: Assinalação dos estímulos às categorias po-sitiva e negativa, nas quatro regras conce!

tuais bidimensionais básicas --- 156

Tabela 4: Classificação, de acordo com a tabela da ve~

dade, dos estímulos usados no experimento de

Toppino e Johnson (1973) --- 159

Tabela 5: Regras conceituais pertencentes a cada um dos três níveis de complexidade definidos por

Neisser e Weene tlS62) --- 251

Tabela 6: Representação das quatro regras

bidimensio-nais básicas, de acordo com a tabela da

verdade --- 262

Tabela 7: Julgamentos do grau de tipicidade dos mem

-bros das categorias de ambientes --- 368

Tabela 8: Fidedignidade das avaliações de tipicidade

das categorias de ambientes --- 371

(15)

superordenadas de arnbientes--- 382

Tabela 10: Relação dos atributos pertencentes a dez

ou mais itens àa categoria --- 385

Tabela 11: Membros e categorias empregadas no

expe-rimento --- 396

Tabela 12: Tempos Médios de Reação e Proporção de

Erro para as Frases Típicas e Atípicas --- 404

Tabela 13: Distribuição das frases entre as varias

condições do experimento, de acordo com

o tamanho --- 408

Tabela 14: Comparação dos pares de médias em função

do tamanho das frases --- 409

(16)

Anexo I: Exemplo das folhas que compunham os dois tipos de blocos de estímulos utilizados no estudo sobre a estrutura interna das

categorias de ambientes --- 471

Anexo 11: Exemplo das folhas que compunham um dos

vinte diferentes tipos de blocos de es-tímulos utilizados no estudo sobre a se

melhança de famílias nas categorias de

ambientes ---~--- 482

Anexo 111: Listagem dos atributos mencionados na c~

tegoria superordenada "Local de Estudo",

com seus respectivos escores --- 488

Anexo IV: Exemplo do cálculo da medida básica e da

medida logarítmica de semelhança de famí

lias, em um dos itens da categoria supe~

Anexo

ordenada "Local de Estudo" --- 497

V: Frases de treino e frases de teste utili

zadas no experimento sobre a influência da estrutura interna das categorias de

ambientes em tarefas de julgamento --- 501

(17)

Agradecimentos --- iv

Resumo --- vi

Summary --- x

Lista de Tabelas -~--- xiv

Lista de Anexos --- xvi

CAPITULO I: INTRODUÇÃO-.:--- 001

1 - O PROBLEMA --- 001

CAPITULO 11: REVISÃO DA LITERATURA --- 010

1 - A ABORDAGEM CLÁSSICA DA OBTENÇÃO DE CONCEITOS --- 010

1.1 - Estrutura dos conceitos --- 011

1.2 - Métodos de estudo --- 019

1.3 - A Identificação de atributos --- 023

1. 3.1

-

Teor ias sobre a identificação de atributos - 023 1.3.1.1

-

Teorias associativas

---

024

1.3.1.2

-

Teorias mediacionais

---

031

1.3.1.3

-

Teorias das hipóteses --- 038

1.3.1.4 - Teo~ias do processamento de infor-maçao --- 056

1.3.1.5 - Análise das teorias sobre a identi ficação de atributos ---~ 064

1.3.2 - Estudos empíricos sobre a identificação de atributos --- 067

1.3.2.1 - Estratégias para a identificação de atributos ---~--- 069

1.3.2.2 - Variáveis relacionadas

à

identifi-cação de atributos --- 107

1.3.2.3 - Análise dos estudos empíricos so-bre a identificação de atributos--

(18)

2.2 - Princípios de categorização --- 274

2.3 - A dimensão vertical das categorias: categorias de nível básico --- 277

2.3.1 - Estudos empíricos sobre os níveis hierár quicos de categorização ---~---=--- 278

2.3.2 - Implicações das categorias de nível básico para outros campos da Psicologia --- 293

2.3.3 - Variáveis relacionadas aos níveis hierár-quicos de abstração ---~-- 302

2.3.4 - Comentários finais --- 305

2.4 - A Dimensão horizontal das categorias: protóti-pos --- 307

2.4.1 - Estrutura interna das categorias percep-tuais --- 308

2.4.2 - Estrutura interna das categorias semânti cas --- 322

2.4.3 - Efeitos de prototi~icidade em variáveis dependentes psicológicas --- 328

2.4.4 - Fatores responsáveis pela formação da estrutura interna das categorias semân ticas --- 344

2.4.5 - Comentários finais --- 357

CAPITULO 111: A ESTRUTURA INTERNA DAS CATEGORIAS DE AMBIENTES ---,-- 360

1 - OBJETIVO --- 360

2 - METODOLOGIA --- 360

2.1 - Sujeitos --- 360

2.2 - Estímulos ---~-~--- 361

2.3 - Procedimento ---~--~--- 365

3 - RESULTADOS --- 367

(19)

1 - OBJETIVO --- 376

2 - HIP6TESE --- 376

3 - VARIÁVEIS --- 376

4 - DEFINIÇÃO DOS TERMOS --- 377

5 - METODOLOGIA --- 377

5.1 - Sujeitos --- 377

5.2 - Estímulos --- 377

5.3 - Procedimento ---~- 378

6 - RESULTADOS --- 380

7 - DISCUSSÃO --- 387

CAPITULO V: INFLUENCIA DA ESTRUTURA INTERNA DAS CATEGO RIAS DE AMBIENTES EM TAREFAS DE JULGA~ffiNTO 393 1 - OBJETIVO --- 393

2 - HIP6TESE --- 393

3 - VARIÁVEIS --- 394

4 - DEFINIÇÃO DOS TERMOS --- 394

5 - METODOLOGIA --- 395

5.1 - Sujeitos --- 395

5.2 - Design --- 395

5.3 - Estímulos --- 395

5.4 - Material --- 397

5.5 - Procedimento --- 401

6 - RESULTADOS --- 403

7 - DISCUSSÃO --- 410

CAPITULO VI: CONCLUSOES E SUGESTOES --- 415

BIBLIOGRAFIA --- 440

(20)

1 - O PROBLEMA

A observação casual, bem como uma volumosa

pesqui-sa empírica, atestam a tendência humana de abstrair regras e

formar conceitos ou categorias.

A habilidade de formar categorias se constitui

nu-ma das fornu-mas básicas de cognição, utilizada pelos indivíduos

para se adaptarem ao meio ambiente.

Uma categoria existe quando dois ou mais objetos

ou eventos distintos são tratados como equivalentes, sendo

que a categorização pode assumir as mais variadas formas,tais

como a rotulação de objetos ou eventos distintos com o mesmo

nome ou a realização de uma mesma açao com diferentes objetos.

A categorização ê essencial, na medida em que o

meio ambiente consiste de um número infinito de estímulos dis

criminavelmente diferentes, o que torna impossível a percep

-ção, memorização ou comunicação de cada objeto ou evento como

se fosse único. Deste modo, a categorização permite ao indivÍ

duo interagir efetivaEente com todos os estímulos ambientais,

sem que ocorra uma sobrecarga de informações, já qu~, através

do conhecimento das categorias, o indivíduo é capaz de identi

ficar novos estímulos como membros de determinadas categorias

(21)
(22)

categoria ê definida por um pequeno conjunto de propriedades

comuns a todos os exemplares da categoria, sendo estas

pro-priedades necessárias e suficientes para se definir o

concei-to.

Deste modo, qualquer exemplar que possua o

conjun-to de atribuconjun-tos ou propriedades necessárias e suficientes, se

constituirá em um membro da categoria, e todos os membos que

possuirem todas estas características serão igualmente

repre-sentativos da categoria. Assim, todas as

características-crí-ticas são igualmente importantes para o processo de

categori-zaçao e as categorias possuem limites bem distintos, o que

impede o aparecimento de exemplares ambíguos, que apresentem

possibilidades de serem classificados em mais de uma catego

-ria.

A categoria "quadrado", por exemplo, ê definida por

quatro propriedades: quatro lados; quatro ângulos; quatro

la-dos iguais e quatro ângulos iguais. Cada propriedade

é

unica-mente necessária na medida em que um objeto, para ser um

quadrado, deve ter aquela propriedade, e, as quatros proprieda

-des. são conjuntamente suficientes na medida em que todos os

objetos que possuam todas as quatro propriedades são quadra

-dos. Tais características necessárias e suficientes são, por

esta razão, denominadas de propriedades definidoras.

Uma segunda proposição da visão clássica se refere

(23)

ticas definidoras de uma categoria mais abstrata se incluem

entre as características definidoras de uma categoria menos

abstrata relacionada àquela categoria mais abstrata. Deste

-modo, se o conceito "X" e um subconjunto do conceito "Y",

en-tão, as características definidoras de "Y" se incluem entre

as características definidoras de "X". Assim, por exemplo, o

conceito de "quadrado" (menos abstrato) e um subconjunto do

conceito de "quadrilátero" (;mais abstrato) e, por isto, as ca

racterísticas definidoras do conceito de "quadrilátero"

(qua-tro lados e qua(qua-tro ângulos) estão incluídas entre as

caracte-rísticas definidoras do conceito de "quadrado".

As suposições da abordagem clássica sobre a

estru-tura dos conceitos influenciaram o modo pelo qual os pesquis~

dores elaboraram os materiais estimuladores empregados nos es

tudos convencionais de laboratório sobre a obtenção de concei

tos. A maioria destes estudos, portanto, empregou conceitos a~

tificiais bem definidos e se concentrou em aspectos ligados à

relativa dificuldade em se adquirir diferentes regras sobre

os conceitos, às estrategias para se formular e testar

alter-nativas sobre os conceitos e à transferência de comportamento

para novos materiais. Tal abordagem, ao longo dos anos, acum~

lou considerável informação sobre os processos responsáveis

pela seleção de hipóteses e aprendizagem de regras bem defini

das, porem pouco esclareceu sobre o modo pelo qual tais

mode-los poderiam ser aplicados às várias situações nas quais as

regras e os conceitos não se encontram tão precisamente

(24)

Por esta razao, a posição clássica foi a dominan

te na década de sessenta, porém, nos últimos anos, a pesquisa

com os sistemas naturais de categorização, constituídos de ca

tegorias comuns encontradas no dia a dia, tais como "pássaro"

e "mobília", têm trazido sérios problemas para a abordagem

clássica, na medida em que os pressupostos básicos desta abor

dagem não se sustentaram, nos sistemas de categorias naturais.

o

estudo de várias categorias de objetos naturais

tem mostrado que os membros destas categorias não possuem

ne-nhum conjunto de características comuns a todos os membros da

categoria, que estas categorias possuem uma série de

limítrofes e que os membros de tais categorias são

membros

bastante

heterogeneos no que se refere às propriedades que possuem, o

que faz com que estes membros variem na sua

representativida-de em relação

ã

categoria.

Tais estudos sobre as categorias naturais

conduzi-ram ao surgimento, nos anos setenta, da ahordagem de

protóti-pos no estudo da categorização, que sustenta que as catego

rias naturais não são hem definidas, sendo, pelo contrário,b~

seadas em relações que são somente geralmente verdadeiras.

A abordagem de protótipos supoe que as categorias

se acham organizadas em torno de protótipos, constituídos

pe-los melhores ou mais típicos exemplares da categoria, apresen

tando membros menos típicos que se encontram mais próximos ou

(25)

progressiva distância a partir dos exemplares típicos

centra-is.

Uma segunda proposição da abordagem de protótipos

é a de que as propriedades associadas com uma determinada

ca-tegoria se encontram mais próximas· de alguns exemplares do que

de outros, e assim, os exemplares variam quanto ao número de

propriedades características que possuem, fazendo com que

alguns membros mais típicos sejam mais representativos do con

-ceito que outros membros menos típicos, e que surjam muitos

casos limítrofes ambíguos, o que impede a existência de

limi-tes fixos para separar as categorias alternativas. Neste

sen-tido, o processo de categorização se converte em uma decisão

de natureza probabilística.

A noçao de que as categorias se estruturam intern~

mente em torno de protótipos foi verificada inicialmente por

Rosch (197Sa), no domínio das categorias perceptuais, e post~

riormente, no domínio das categorias de objetos concretos da

linguagem natural (Rosch, 1975b). Uma extensão desta aborda

-gem foi realizada por Cantor e Mischel [1979), no campo da pe!.

cepção de pessoa, na categorização de tipos de pessoas.

Entretanto, o sistema conceitual de um indivíduoen ..

-contra-se organizado em varios tipos de categorias, mais ou

menos abstratas, que são utilizadas em sua interação com o

meio ambiente. Neste contexto, inserem-se as categorias de am

(26)

consideradas como os locais nos quais os comportamentos

huma-nos ocorrem, e por isto, tais categorias desempenham um

im-portante papel na determinação do comportamento, como tem

si-do consubstanciasi-do, ao longo si-dos anos, pela Psicologia da

Per-sonalidade, Social, Organizacional e Ambiental.

Tais evidências conduziram a inúmeras tentativas de

caracterizar os ambientes, através da utilização de técnicas

estatísticas de análise multivariada (Moos, 1973). Mais recen

temente, Tversky e Hemenway ()983) realizaram uma abordagem

complementar

ã

caracterização de ambientes, ao introduzirem,

neste domínio, a metodologia desenvolvida por Rosch e

colabo-radores (1976a), para construirem uma taxonomia de cenas

am-bientais, tendo identificado a existência de um nível básico

de categorias de amnientes, que se mostrou o preferido na

cognição, comportamento e comunicação.

A análise de Tversky e Hemenway se restringiu ã di

-mensao vertical das categorias de ambientes, porem, como os

próprios autores sugerem na conclusão de seu artigo, uma

ex-tensão natural do estudo de uma taxonomia de cenas ambientais,

dentro da estrutura conceitual e metodológica desenvolvida por

Rosch (.1978), seria uma análise da dimensão horizontal, isto

é,' da estrutura interna das categorias de cenas ambientais.

Portanto, a partir destas considerações e das pre~

cupaçoes teóricas correlatas, surgiu o enfoque deste trabalho,

(27)

Em que medida as categorias originadas pela

cogni-çao de ambientes se estruturam internamente em torno de prot~

tipos? Até que ponto

é

possível se detectar uma estrutura de

semelhança de famílias como fator básico na formação destes

protótipos? Até que ponto a influência dessas estruturas

pregnante na construção de significações psicológicas ao

vel do julgamento?

-e

Tais problemas orientaram a realização de três

es-tudos específicos, interconexos, definidos pelos seguintes ob

jetivos:

1 - O primeiro estudo teve o objetivo de verificar

se as categorias de ambientes apresentavam uma estruturação in

terna em torno de protótipos.

2 - O segundo estudo teve o objetivo de verificar

se o princípio de semelhança de famílias influenciava a estru

turação das categorias de ambientes em torno de protótipos.

3 - O terceiro estudo teve o objetivo de verificar

se a estruturação interna das categorias de ambientes em

tor-no de protótipos afetava o julgamento de que um membro perten

cia.ou nao a uma determinada categoria superordenada de

ambi-ente.

-Para a consecuçao destes objetivos, fez-se necessa

(28)

cias empíricas que caracterizam a abordagem clássica e a abo~

dagem de protótipos na formação de categorias, os quais servi

ram de estrutura de referência teórica ao desenvolvimento dos

(29)

CAPrTULO 11: REVISÃO DA LITERATURA

1 - A ABORDAGEM CLÁSSICA DA OBTENÇÃO DE CONCEITOS

Os te6ricos da abordagem tradicional na obtenção

de conceitos fazem distinção entre duas grandes áreas de estu

do do comportamento conceitual, denominadas respectivamente

como formação de conceitos e obtenção de conceitos.

No estudo da formação de conceitos, o interesse do

pesquisador se concentra principalmente nos indivíduos que es

tão aprendendo a classificar pela primeira vez. Neste sentido,

os estudos nesta área se orientam fundamentalmente para o

esclarecimento do modo pelo qual a criança forma e usa os con

ceitos básicos que lhe permitem desenvolver uma relação coe

-rente e organizada com o mundo externo. A preocupaçao básica

consiste na descrição de como se processa o desenvolvimento e

organização das estruturas cognitivas responsáveis pela ativ!

dade conceitual e na caracterização dos conceitos que vao se

formando através dos vários estágios do desenvolvimento. Tal

linha de investigação tem no nome de Piaget o seu principal

representante, e, seus trabalhos, bem como de seus seguidores,

não serão abordados aqui, por se basearem em pressupostos teõ

ricos e métodos que se distanciam bastante dos objetivos que

nortearam o presente trabalho.

No estudo da obtenção de conceitos, o interesse do

(30)

dos na atividade de descobrir, entre as várias modalidades de

classificação que já lhe são familiares, a modalidade que se

mostra mais adequada a uma situação específica.

Neste sentido, os estudos nesta área se dirigem ~

damentalmente para o esclarecimento do modo através do qual os

sujeitos adultos reorganizam seu complexo repertório de

con-ceitos já formado e utilizam-no para lidar com o mundo

exter-no.

A preocupaçao básica consiste na descrição dos pro

cessos que o adulto utiliza para modificar e adaptar os

con-ceitos disponíveis, aprendendo e aplicando novos usos destes

conceitos. Tais processos, em geral designados como obtenção,

aquisição ou identificação de conceitos, se converteram no f~

co das atenções dos teóricos adeptos da perspectiva clássica,

nos últimos vinte anos, o que permitiu o desenvolvimento de

~

uma grande variedade de modelos explicativos e um grande nume

ro de evidências empíricas, cujos resultados mais

representa-tivos serão considerados na primeira parte desta exposição.

1.1 - Estrutura dos Conceitos

A investigação experimental sobre a obtenção de

conceitos tem-se concentrado principalmente no estudo dos con

(31)

Uma classe ou categoria consiste em uma estrutura

discreta que difere qualitativamente das outras estruturas e

determina a divisão de uma população de objetos de estímulo

em grupos. Assim, por exemplo, pode-se falar da classe dos

círculos, dos triângulos, dos cães, etc.

A classificação de um objeto em categorias pode-se

efetuar através de diversos modos de organização, já que um

mesmo objeto possui diferentes pontos de referência, que

de-pendem dos outros objetos com os quais ele é comparado.

Bruner e seus colaboradores (1956) distinguem

en-tre as classes de identidade e as classes de equivalência. Na

categorização por identidade, um conjunto de objetos é inclui

do numa classe, por estes representarem formas diferentes de

um mesmo objeto ou evento (por exemplo, as diversas fases da

lua são classificadas na categoria "lua"). Na categorização

por equivalência, um conjunto de estímulos discriminavelmente

diferentes, é incluído numa classe, por serem êstes considera

dos equivalentes para algum fim (por exemplo, a alface, o

na-bo e o tomate são classificados na categoria "vegetais").

Uma classe pode ser definida extensionalmente ou.

intensionalmente.

A definição por extensão cons iste na enumeraçao dos

objetos que se incluem na classe. Assim, pode-se definir mobi

(32)

-rios, etc.

A definição intensional consiste na descrição das

propriedades que caracterizam a classe e que sao comuns a

to-dos os objetos nela incluíto-dos. Assim, um cao pode ser

defini-do como um animal defini-doméstico, coberto de pêlo, que ladra, etc.

As numerosas propriedades que os objetos apresen

-tam, e que são usadas na classificação, recebem o nome de

a-tributos ou dimensões. Toda dimensão varia contínua ou discre

tamente, comportando assim, diferentes níveis ou valores.

Uma grande variedade de materiais de estímulo pode

ser utilizada na pesquisa sobre a obtenção de conceitos,

po-rém a maioria dos estudos têm empregado desenhos geométricos

simples, que variam ao longo de dimensões tais como forma,cor,

tamanho, número, posição, etc, com cada dimensão apresentando

dois ou mais valores. Assim, por exemplo, na dimensão forma,

pode-se especificar os valores quadrado, círculo e cruz; e na

dimensão cor, pode-se especificar os valores vermelho, preto

e verde. A figura I ilustra um conjunto de desenhos construI

dos para a pesquisa conceitual, que apresentam quatro

dimen-sões, com cada uma variando em três valores: forma das

figu-ras (~uadrado, círculo ou cruz); número das figuras (uma,

duas ou três); cor das figuras (vermelha, verde ou preta) e

(33)

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III

Figura 1: Conjunto de 18 desenhos para a pesquisa de obtenção de concei -tos, selecionados de um total de 81 desenhos usados por Bruner, Goodnow e Austin (1956). As figuras brancas eram verdes, as tra cejadas eram vermelhas e as pretas eram desta mesma cor nos ex= perimentos.

Os atributos ou dimensões que sao necessários

ã

de

finição dos conceitos de classe são denominados de atributos ou

dimensões relevantes do conceito, e constituem, por um de seus

valores, um critério de inclusão dos objetos na classe conside

rada. Os outros atributos variáveis dos objetos, cujos valores

não entram na definição da classe, constituem-se nos atributos

ou dimensões irrelevantes do conceito. Assim, por exemplo, no

conceito "dois círculos", as dimensões "número de figuras e

(34)

bordas" sao irrelevantes.

Os objetos que exibem os valores dos atributos

re-levantes de um conceito são caracterizados como exemplos

posi-tivos do conceito, enquanto os que não exibem estes valores

são caracterizados como exemplos negativos do conceito.

Toman-do-se como exemplo o conceito "quadrado", todos os objetos qu~

drados são exemplos positivos do conceito, independente de sua

cor, tamanho, etc, e todos os objetos que não são quadrados sao

~

exemplos negativos do conceito. Na Figura 1, os desenhos de nu

meros 5, 12 e 18 são exemplos positivos do conceito "dois

cír-culos", enquanto os demais desenhos são exemplos negativos

des-te conceito.

A aquisição dos conceitos de classe depende nao so

mente do conhecimento de seus atributos relevantes, mas também

da regra de classificação utilizada para se relacionar estes

atributos definidores, já que os valores das dimensões relevan

tes podem ser combinados através de várias maneiras, dando ori

gem a diferentes tipos de conceitos. Assim, por exemplo, os va

lores "vermelho-quadrado" podem ser combinados para formar o

conceito "vermelho e quadrado", que relaciona os valores

atra-vés de um modo conjuntivo, onde os estímulos precisam

apresen-tar ambas as características para serem considerados exemplos

positivos do conceito. Estes mesmos valores podem ser

combina-dos para formar o conceito "vermelho e/ou quadrado", que rela-.

ciona os valores através de um modo disjuntivo, onde

é

suficiente que os estímulos apressuficientem apenas uma das característi

(35)

cas, para serem considerados exemplos positivos do conceito.

Verifica-se assim, que as mesmas dimensões relevantes podem

dar origem a diferentes categorias, em função da regra aplic~

da a estas dimensões.

A corijunção e a disjunção sao apenas dois exemplos

das varias regras que podem ser usadas para se relacionar os

atributos e formar conceitos de classe.

Para ilustrar estas regras, Haygood e Bourne (1965)

selecionaram dois valores (vermelho e quadrado), de duas dimen

sões relevantes diferentes como atributos focais. Tomando como

ponto de partida a presença ou ausência destes atributos,

ob-tem-se quatro contingências, correspondentes à presença de

am-bos os atributos, presença do primeiro atributo somente,

pre-sença do segundo atributo somente e ausência de ambos os

atri-butos. Considerando-se que cada uma destas contingências podem

dar origem a um exemplo positivo ou negativo do conceito,

ob-tem-se dezesseis diferentes possibilidades de se repartir uma

população de estímulos, que se constituem em dezesseis manei

-ras diferentes de se relacionar dois valores de atributos rele

(36)

Tabela 1

Dezesseis partições únicas de wna população de estímulos. Os

sínbo-los V e F, da tenninologia lógica, foram usados para representar a

presença e a ausência, respectivamente, dos atributos especificados.

Dimensões e níveis Partições

Estímulos Cor Forma

Vennelho Quadrado A B C D E F G H I J K L ~1 N O P

Ambos os atributos

presentes V V + + + + - + + + - - - + -

-Presença do 19

atri-buto apenas V F + + + + + + + +

-Presença do 29

atri-buto apenas F V + + + + + + + +

-Ambos os atributos

ausentes F F + - + + + - - + + - + - - +

-Destas dezesseis regras, duas (A e Pl nao sao

signi-ficativas, porque consideram todos os estímulos como positivos

ou negativos. As quatorze regras restantes podem ser reduzidas

a dez, na medida em que quatro pares

CC

e D; F e G; I e K; MeN)

se ~ssemelham logicamente, já que diferem somente no

relevante presente, nas contingências definidas pela

atributo

presença

de apenas um dos atributos. Estas dez regras podem ser agrupa

-das em cinco pares, constituídos por uma regra básica e uma

re-gra complementar, já que, em cada par, a contingência positiva

na regra básica se torna negativa na regra complementar. A tabe

la 2 apresenta uma descrição destes pares de regras, de

simbólica e verbal.

(37)

Ve Q, ,foram usadâs, respectivamente, para verirelhoequadrado, considerados como atributos relevantes,'

(~tado de Hayg60d e Bourne, 1965) ,

T : : à

I Regra básica Regra complemen~ar

Par- ,

,Par-Descrição

tição NCME Simbólica Descrição Verbal tição

.

NCNE D:lscrição Simbólica Descrição Verbal

..

F Afirrna- V Todos

6

d

estírrulos venre -- l' . Negaç~o V . --Toaos os estírrulos que .não '

çao, \

lhos sâ exemplos do con são vermelhos são exemplos

. ' ceito. - , . do conce i to •

.

L Conjun-

-

, Vn,Q 'Todos os estímulos verme E Negação

VUQ

Todos os estímulos que ou

,lhos e quadrados ,são e-

-'

alterna-

.

não são vermelhos ou não sã

çao ,

.

xemplos. , tiva

-

quadrados são exemplos.

(ausência

.

de 'con

-: junção) .

.

,

I

B Disjun- vUQ To~os os estímulos que O Negação V ()

Q

Todos'os estímulos que não

ç50 in- são vernelhos ou' quadril conjunta são nem vermelhos e nem qua

clusiva dos ou ambos são exem

=

(ausência drad~s são exemplos.

-.

pIos . de disjun

..

_-

ção)

-"

J

D Condi- ,V~Q Se um estímulos é verme M Exclusão V() Q ,Todos os estímulos que são

cional CV"U Q) lho, então ele deve ser verme lhos e não são quadra

um quadrado para ser um dos são exemplos. . -.,

i exemplo; se ele não ê

-vern~lhQ, então ele é , " .~ ..

um exemplo. quaiquer que'

sej a a forma.

..

.

.

'

H BicOlldi- V~Q OS est~ulos vermelhos são J Disjunção. V ij Q Todos os estímulos ~ue são

cional (V() Q) U exemplos se e somente se exclusiva

-~(") Q) O

vermelhos ou quadr os •

forem quadrados; quaisquer mas não ambos, são exemplos

(Vn Q) estímulos que são verme - CYr)Q)

lhos mas não são quadrados -.

.-ou que não são vermelhos , mas são quadrados não são

(38)

1.2 - Métodos de Estudo

No estudo da obtenção de conceitos, pode-se disti~

guir três procedimentos experimentais básicos, que diferem de

acordo com as informações que o indivíduo dispõe ao início da

tarefa, a respeito dos dois aspectos fundamentais que entram

na c0mposição do conceito.

A aquisição de um conceito requer que o indivíduo

aprenda a identificar não somente os atributos críticos ou

de-finidores que se encontram presentes nos exemplares daquele

conceito, mas também a regra através da qual estes atributos

se relacionam. Assim, a aprendizagem de atributos e a

aprendi-zagem de regras se convertem em diferentes processos que podem

ocorrer simultaneamente ou em paralelo. Por esta razão,

torna-se importante obtorna-servar experimentalmente cada processo de modo

independente, bem como a atuação dos dois processos de forma

concomitante. Tais requerimentos determinam os três procedimen

tos experimentais mencionados, que são denominados

respectiva-mente de aprendizagem ou identificação de atributos, aprendiz~

gem de regras e aprendizagem de conceitos completa.

Na identificação de atributos, o interes~e se

concentra no processo utilizado para a identificação dos atribu

-tos relevantes do conceito, e, por esta razão, o sujeito

rece-be informações preliminares através de instruções e exemplos ,

a respeito da regra conceitual ou forma de solução a ser usa

(39)

que entram na definição do conceito, através de um processo in

dutivo baseado na observação de exemplos positivos e negativos

do conceito.

Na aprendizagem de regras, o interesse se concen

-tra no processo utilizado para a aprendizagem da regra que

define o conceito, e, por esta razão, o sujeito recebe informa

-çoes preliminares sobre os nomes dos atributos relevantes, se~

do-lhe dada a tarefa de descobrir a regra apropriada para rel~

cionar estes atributos, novamente através de um processo

indu-tivo baseado na observação de exemplos posiindu-tivos e negativos

do conceito .

Na aprendizagem completa, o sujeito recebe inform~

çoes preliminares relacionadas apenas à descrição da população

de estímulos e ao número de atributos relevantes que entram na

definição do conceito, cabendo-lhe descobrir quais são estes

atributos e o modo (regra) pelo qual eles se encontram relacio

nados, através da observação dos exemplos positivos e negati

-vos do conceito.

Embora o estudo da obtenção de conceitos permita o

uso dos três procedimentos experimentais descritos, a maior

parte das investigaç6es nesta irea t~rn-se concentrado nas tare

fas de identificação de atributos.

o

modo de apresentação do material estimulador aos

(40)

-digma de seleção e para-digma de recepçao.

Em ambos os métodos, o experimento começa com uma

série de instruções gerais ao sujeito,sobre a tarefa a se

rea-lizar. Assim, o sujeito é informado sobre os atributos relevan

tes ou sobre a regra de classificação a ser usada; sobre os

e-xemplos que formam a população de estímulos, com seus atributos e

valores; sobre o modo de apresentação destes exemplos e o tipo

de resposta a ser dada aos est!mulos apresentados. O expeiime~

tador enfatiza também a importincia do sujeito atingir a

res-posta correta sobre o componente desconhecido do conceito da

forma mais eficiente possível.

No paradigma da seleção, após as instruções

inici-ais, o experimentador apresenta ao sujeito a população total

de estímulos, simultaneamente, apontando-lhe um exemplo positi

vo do conceito a ser descoberto. A tarefa do sujeito consiste

em selecionar, a sua vontade, os exemplos que devem ser

testa-dos. A cada escolha, o experimentador identifica o exemplo

co-mo positivo ou negativo, e o sujeito em seguida verbaliza sua

melhor hipótese sobre o conceito, recebendo um "feedback"

in-formativo sobre sua resposta estar ou não correta. Esta rotina

se sucede até que o sujeito atinja a hipótese correta sobre o

conceito.

No paradigma de recepçao, após as instruções

ini-ciais, o experimentador apresenta ao sujeito um estímulo de ca

(41)

estímula apresentado, assinalandoo a uma das categorias de res

-posta disponíveis. Tais categorias usualmente consistem em

uma categoria positiva e outra negativa,ou se referem às

com-binações possíveis entre os valores das dimensões relevantes

ao conceito. Após cada classificação, o sujeito recebe um

"feedback" informativo sobre sua resposta estar ou nao

corre-ta, e assim, à medida que as apresentações se sucedem, ele

vai adquirindo mais informações. Esta rotina continua até o

sujeito descobrir o componente desconhecido do conceito, quan

do passa,então,a assinalar os estímulos às categorias de

res-posta corretamente.

Uma variação no formato geral do procedimento de

recepçao consiste em se apresentar dois estímulos a cada

en-saio, pedindo-se ao sujeito que identifique o estímulo positi

vo. Uma outra modificação consiste em se identificar cada

es-tímulo apresentado como sendo um exemplo positivo ou negativo

do conceito, pedindo-se ao sujeito que verbalize sua melhor

hipótese sobre a solução da tarefa após cada apresentação, for

necendo-se a ele,em seguida,o "feedback"infornativo.

A diferença básica entre os dois procedimentos se

refere ao papel ativo ou passivo desempenhado pelo sujeito na

escolha dos estímulos, já que, no paradigma de seleção, o

su-jeito determina a sequência de exemplos, enquanto, no paradi&

ma de recepção, cabe ao experimentador o controle da ordem de a- .

(42)

As medidas de desempenho mais utilizadas nas

tare-fas conceituais são o número de tentativas ou o número de

er-ros cometidos até se alcançar a solução correta do problema,

sendo a solução definida através de um certo número de

en-saios consecutivos corretos. Tais medidas, entretanto,

indi-cam apenas a eficiência de desempenho do sujeito na resolução

dos problemas conceituais, nada informando, porém, sobre as

operaçoes mentais que dirigem e acompanham o comportamentoc~

ceitual.

As inferências sobre os processos de solução empr~

gados pelos sujeitos, no que se refere às hipóteses inicial

-mente formuladas e ao modo como estas são reformuladas, em

função das novas informações que vão sendo recebidas, podem

ser obtidas através de uma análise das hipóteses verbalizadas

e de sua relação com os exemplos selecionados pelo sujeito ou

apresentados pelo experimentador.

1.3 - A Identificação de Atributos

1.3.1 - Teorias sobre a identificação de atributos

Em linhas gerais, as teorias sobre a identificação

de atributos se subdividem em três grandes grupos, em função

do conceito central utilizado como plataforma básica para o

desenvolvimento destas teorias e do papel atribuído ao

(43)

Neste sentido, as teorias associacionistas se

cen-tram no conceito de "associação", concebida como um.

mecanis-mo que governa o sujeito a sua revelia, fazendo com que os da

dos de entrada e saída dos estímulos permaneçam fora do

con-trole direto do sujeito.

As teorias das hipóteses se centram no conceito de

"hipótese", concebida como um mecanismo que se origina no

su-jeito, o que lhe permite uma autonomia em termos de decisão,

mas apenas sobre um material que lhe é dado, já que a

decodi-ficação deste material não sofre interferência do sujeito.

As teorias do processamento de informação se

centram no conceito de "processamento", concebido como um meca

-nismo que depende totalmente do sujeito, o que faz com que o

sujeito inicie sua atuação no momento de decodificação do

ma-terial e governe todo o processo, através de decisões encadea

das.

Deve-se ressaltar ainda que, em todas as teorias,

encontra-se implícita a noção de que o sujeito é dotado de me

canismos extremamente lógicos, o que pode não corresponder a

um modelo real de funcionamento do ser humano.

1.3.1.1 - Teorias Associativas

(44)

fundamentam-se no princípio associacionista da teoria S-R da

aprendizagem, segundo o qual um estímulo adquire uma força

gradual na evocaçao de uma resposta, como resultado da asso

-ciação que se forma entre estes dois eventos, devido à

apre-sentação conjunta e repetida dos mesmos.

Assim, a abordagem associativa postula que a

iden-tificação de conceitos

é

uma forma de aprendizagem de

discri-minação, na qual ocorre uma associação gradualmente fortaleci

da entre certas características do estímulo, relevantes a

si-tuação, e a resposta correta, devido ao reforçamento da

asso-ciação estabelecida entre os estímulos positivos, que denotam

o conceito (triângulos pretos, por exemplo) e a resposta ide~

tificadora correta ("SIM"} e ao não reforçamento da

associa-çao estabelecida entre os estímulos negativos, que não

deno-tam o conceito (círculos pretos, por exemplo) e a resposta

i-dentificadora incorreta ("SIM"}. Nesta perspectiva, um concei

to é caracterizado como um ou vários elementos que são comuns

a uma série de objetos.

Clark Hull (192U) foi um dos primeiros a estudar ex

perimentalmente a conduta conceitual à luz do modelo

associa-tivo.

Hull descreveu a identificação de conceitos como

um processo pelo qual os elementos idênticos a uma classe de

estímulos eram abstraídos e ligados a uma única resposta

(45)

elemen-tos idênticos, eliciariam a mesma resposta comum, devido ao

processo de generalização de estímulos.

Para demonstrar a sua teoria, o autor realizou um

experimento em que utilizou seis séries de cartões (Figura 2),

sendo cada série constituída de doze cartões, que continham d~

senhos de ideogramas ou caracteres chineses. Em cada uma das

séries, cada ideograma apresentava um elemento particular (r~

dical) que se repetia em un dos caracteres das demais séries,

embora diferissem nos outros elementos que lhes eram específl

coso Deste modo, cada um dos cartões que compunham cada série,

continham cada um dos doze radicais básicos. Em alguns

carac-teres, o radical era mais proeminente, encontrando-se isolado

do resto da figura, porém, em outros caracteres. o radical en

contrava-se profundamenteI::esclado com os outros traços da

figura. As séries de cartões eram apresentadas sucessivamente

aos sujeitos e, a cada exposição. o experimentador

pronuncia-va uma palavra sem sentido, sendo que, uma mesma palavra sem

sentido era sempre associada a um mesmo radical, no decorrer

das diferentes séries. A tarefa do sujeito consistia em

ante-cipar, nas apresentações seguintes, a sílaba sem sentido a

ser emparelhada com cada cartão apresentado, o que exigia que

o sujeito fosse capaz de identificar o radical comum a cada

grupo de cartões. Os sujeitos não sa?iam que os cartões eram

arrumados de modo a terem um mesmo radical comum a cada gru

-po, e, durante o experimento, eram corrigidos todas as vezes

(46)

Palavra

00

yer

li

ta

deg

ling

Radical (conceito)

Serie Serie Serie Serie Serie Serie

I I I 111 IV V VI

#

(iJi

4ir

flt

$f

~

~Ni~~fk~R

J/J

J;J

JJ;

f(Jj

l!J

~

IX

~lJ[

41

W!

m

.-5

d

fi)

!f

1!1

iíi

!~1l:_1lf~~

~

Figura 2: Alguns dos caracteres chineses usados por Rull (1920).

Os resultados demonstraram que a aprendizagem se

realizou progressivamente no decorrer dos ensaios, já que so-mente após muitas tentativas, os sujeitos tornavam-se capazes de classificar corretamente os caracteres já vistos, bem como

de associar corretamente a sílaba sem sentido a caracteres

que não tinham visto anteriormente. Em muitos casos, os suje~

tos mostravam que podiam classificar os caracteres, antes mes

mo que fossem capazes de explicitar a base de classificação.

(47)

Hull concluiu então que os sujeitos aprenderam a

abstrair o radical comum a cada grupo de caracteres, devido

ao fortalecimento contínuo da associação entre o radical

co-mum e a sílaba sem sentido que o denotava, o que possibilitou

ao radical comum adquirir gradualmente uma força de hábito su

fi ciente para sozinho eliciar a resposta correta. Além disso,

as associações aprendidas se generalizaram, possibilitando o

estabelecimento de associações com caracteres novos, sem

ne-cessidade de reforçamento prévio. Hull concluiu também que tal

processo poderia ser relati vamente inconsciente, j á que a mai~

ria dos sujeitos nao conseguiram dar uma explicação para as

respostas que davam aos caracteres novos.

Assim, de acordo com a análise experimental

reali-zada por Hull, a identificação de conceitos é considerada

co-mo um processo de abstração de um elemento comum, que ocorre

a partir da identidade perceptual ou física dos elementos que

compõem um conjunto de estímulos.

Tal noçao de abstração de um elemento comum como

uma descrição teórica da identificação de conceitos manteve

-se popular até a década de cinquenta, devendo--se a Bourne e

Restle (1959) a mais recente formulação de tal noção, através

de uma teoria matemática sobre a identificação de

que estes autores desenvolveram.

conceitos

Esta teoria postula que, nas tarefas de identifica

(48)

uma multiplicidade de elementos ou pistas, alguns dos quais

sao relevantes ao conceito a ser descoberto e outros são irre

levantes. A cada ensaio, algumas pistas relevantes e irrele

-vantes aparecem no estímulo apresentado e se associam com a

resposta reforçada. Após um certo número de ensaios, todas as

pistas relevantes terão sido apresentadas e associadas com a

resposta reforçada correta. Entretanto, as pistas irrelevan

-tes, por aparecerem tanto nas situações de reforço como nas

de não reforço, são neutralizadas ou adaptadas, devido à

fra-gilidade do reforçamento. Deste modo, a taxa de formação de

associações é definida como uma função direta da proporção de

pistas relevantes e da probabilidade de que uma pista esteja

presente no momento do reforçamento.

A identificação de conceitos nesta perspectiva teó

rica é considerada, portanto, como um processo de formação de

associações unicamente entre as dimensões relevantes do

estí-mulo ea.resposta correta, sendo as dimensões irrelevantes vis

tas como ineficazes para o processo em questão.

A teoria associativa de Bourne e Restle está apoi~

da em amplo número de dados empíricos e parece predizer com

precisão as curvas de aprendizagem obtidas nas tarefas de

i-dentificação de atributos. (Solso, 1979}

Entretanto, ela se limita a análise do processo de

identificação de atributos de conceitos conjuntivos e se apóia

(49)

ao afirmar que os conceitos sao adquiridos através de associa

ções automáti,cas, nas quais nao intervém nenhum processo de

natureza cognitiva.

Do ponto de vista epistemológico, as teorias

asso-ciativas possuem uma tendência reducionista e mecanicista, ao

considerarem a atividade conceitual como um simples jogo de

associações mecânicas entre o estímulo e a resposta, que se

estabelecem através do ensaio e erro, e da qual não participa

nenhum elemento ativo interno. Os processos mediacionais, ou

deixam de ser considerados, ou aparecem como meros fatores de

interligação probabilística.

De natureza empirista, afirmam que o processo de

obtenção de conceitos depende totalmente do meio, a partir

dos estímulos externos que atuam sobre o sujeito, ocasionando

respostas reflexas que se situam a nível dos automatismos.

Neste sentido, o sujeito é encarado como um mero

recipiente passivo de impressões sensoriais, que gradualmente

se somam, formando um acúmulo de dados invariantes, aos quais

se deve o conceito. Não existe portanto, nestas teorias, um

lugar para uma verdadeira participação do sujeito, já que suas

finalidades e intervenções não são levadas em consideração.

Presume-se que o sujeito seja capaz de classificar estímulos

através de combinações, sem contudo ser capaz de estabelecer

(50)

Assim, a açao do sujeito nestas teorias

E

minimiza

da, o que torna esta concepção do funcionamento

simplificada e pouco flexível.

1;3.1.2 - Teorias Mediacionais

intelectual

A explicação associativa da identificação de

con-ceitos, apoiada unicamente na similaridade física de certas

propriedades dos estímulos que se constituem em exemplares de

um conceito e em suas conexoes com a resposta manifesta, nao

se adequa às situações em que os exemplares do conceito nao

possuem características perceptuais comuns, como por exemplo,

no conceito de vestuário ou de pecado.

Para lidar com tais situações, as teorias mediacio

nais, embora desenvolvidas na tradição S-R. postulam a exis

-tência de processos mediacionais intervenientes entre o

estÍ-mulo externo e a resposta manifesta.

o

esquema mediacional prediz que, quando um estÍm~

10 externo

E

apresentado, sua imagem evoca no organismo va-

-rias respostas mediacionais, previamente aprendidas e intern~

.lizadas. Uma destas respostas mediadoras irá agir como estÍmu

lo ou pista para evocar uma outra resposta, e tal cadeia de

mediadores se sucede até finalizar em uma resposta manifesta.

(51)

medi acionais se subdividem quanto ao papel desempenhado pe la

resposta mediadora.

A posição sustentada por Osgood (1953) afirma que

a mediação consiste no conjunto de respostas internaI iz adas

competitivas eliciadas pelo estímulo a ser categorizado.

As-sim, numa situação experimental de identificação de conceitos,

cada estímulo provoca várias respostas mediacionais, ao qual

já foram anteriormente condicionadas. Tais respostas se

cons-tituem em um conjunto de denotações de conceitos, entre as

quais devem ser selecionadas as que podem ser aplicadas ao

estímulo apresentado. A resposta mediacional de mais força te

rá domínio sobre as outras e conduzirá a uma resposta manife~

ta que, se for correta, será reforçada. Caso esta resposta s~

ja incorreta, não será reforçada e perderá a sua força, dando

lugar

à

segunda resposta mediacional mais forte. Tal rotina

se sucede até que a resposta mediacional correta se torne a

dominante e controle então as respostas manifestas apropria

-das

ã

situação.

A aprendizagem conceitual, portanto, implica em

que vários estímulos externos sejam associados, através de

reforçamento, a uma mesma resposta mediacional comum

(concei-to), que cOQdui à resposta manifesta denotativa do conceito.

Kendler e Kendler ll9.621 desenvolveram uma outra

posição em que a resposta mediacional é considerada como uma

(52)

ex-perimenta1, a qual orienta a atenção do sujeito na direção de

apenas um aspecto particular (dimensão) do estímulo, e não p!

ra o estímulo como um todo, conforme afirma Osgood (1953).

Esta hipótese da resposta mediacional orientadora

se mostrou bastante útil para explicar o comportamento dos su

jeitos em uma série de estudos desenvolvidos por Kendler e

seus associados (Kendler e D'Amato, 1955; Kendler e Kendler,

1959; Kendler e cal. 1960), sobre a aquisição de conceitos

em situações de transferência, onde ocorre a mudança do crité

rio usado para a classificação.

Em estudos desta natureza, os sujeitos devem reso!

ver dois problemas de obtenção de conceitos, em que os estím~

los variam em duas dimensões, como por exemplo, otamanho (qU!

drados grandes ou pequenos) e a cor (quadrados brancos ou pr~

tos). O primeiro problema consiste em uma aprendizagem discri

minativa com uma dimensão relevante. Deste modo, os dois

pa-res de estímulos são appa-resentados sequencialmente e os

sujei-tos recebem reforço todas as vezes em que a dimensão

relevan-te se apresenta, até aprenderem a responder corretamenrelevan-te.

As-sim, por exemplo, os sujeitos podem receber reforço pelos

es-tímulos grandes, devendo aprender a responder positivamente,

todas as vezes que aparecer um quadrado grande (branco ou pr~

to) e a responder negativamente, todas as vezes em que

apare-cer um quadrado pequeno (branco ou preto). Ao término da

pri-meira aprendizagem, os sujeitos são divididos em dois sub-gr~

(53)

com inversão (intradimensional) ou uma mudança sem inversão

(extradimensional), sendo que nada e dito aos sujeitos sobre

a mudança. Na mudança com inversão, mantem-se a mesma

dimen-sao relevante (tamanho), porem muda-se o valor crítico, e to

dos os objetos positivos se tornam negativos. Assim, os

qua-drados pequenos (brancos ou pretos) passam a ser positivos e

os quadrados grandes (brancos ou pretos) passam a ser

negati-vos. Na mudança sem inversão, a dimensão irrelevante (cor)

passa a ser relevante. Assim, os quadrados pretos (grandes

ou pequenos) passam a ser positivos e os quadrados brancos

(grandes ou pequenos) passam a ser negativos (Figura 3).

19 problema 29 problema

+

O

r .. ,

+

O

+

O

õ«).<o-Cs«). ,.. O

11

? e1.cz,~ •

.~

~").

c

+

+

D

11

8ellJ • IlJlJr:t ~tq

O

. .l~lI:

e./:" --.

8qo

o

+

Imagem

Figura  1:  Conjunto  de  18  desenhos  para  a  pesquisa  de  obtenção  de  concei  - -tos,  selecionados  de  um  total  de  81  desenhos  usados  por  Bruner,  Goodnow  e  Austin  (1956)
Figura  2:  Alguns  dos  caracteres  chineses  usados  por  Rull  (1920).
Figura  3:  Exemplo  da  aquisição  de  conceitos  em  situações  de  transferên- transferência,  utilizandose  mudança  com  inversão  e  mudança  sem  inver   -são  (Kendler  e  Kendler,  1962)
Figura  4:  Padrões  de  respostas  correspondentes  a  cada  uma  das  oito  hipó- hipó-teses  que  o  sujeito  pode  testar,  quando  os  quatro  pares  de   es-tímulos  são  apresentados  sucessivamente  e  sem  &#34;feedback&#34;
+3

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