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Avaliação do perfil de susceptibilidade a fluconazol e voriconazol frente a isolados de Candida spp. pelo método de disco-difusão

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(1)

AVALIAÇÃO DO PERFIL DE SUSCEPTIBILIDADE A

FLUCONAZOL E VORICONAZOL FRENTE A ISOLADOS

DE

Candida

spp. PELO MÉTODO DE DISCO-DIFUSÃO

Tese apresentada à Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, para obtenção do Título de Mestre em Ciências.

SÃO PAULO

(2)

ii

AVALIAÇÃO DO PERFIL DE SUSCEPTIBILIDADE A

FLUCONAZOL E VORICONAZOL FRENTE A ISOLADOS

DE

Candida

spp. PELO MÉTODO DE DISCO-DIFUSÃO

Tese apresentada à Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, para obtenção do Título de Mestre em Ciências.

Orientador: Prof. Dr. Arnaldo Lopes Colombo

São Paulo

(3)

iii

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO

ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA

DEPARTAMENTO DE MEDICINA

Chefe do Departamento: Profa. Dra. Emília Inoue Sato

Coordenador do Curso de Pós-Graduação: Prof. Dr. Arnaldo Lopes Colombo

(4)

iv

AVALIAÇÃO DO PERFIL DE SUSCEPTIBILIDADE A FLUCONAZOL E

VORICONAZOL FRENTE A ISOLADOS DE

Candida

spp. PELO MÉTODO

DE DISCO-DIFUSÃO

Presidente da banca:

Prof. Dr.: Arnaldo Lopes Colombo

________________________________________________________________________

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Sydney Hartz Alves

Profa. Dra. Mariceli Araújo Ribeiro

Dr. Patrício Godoy Martinez

SUPLENTE

(5)

v

Aos meus pais,

Antonio de Almeida Azevedo

e

Maria Aparecida Azevedo

que com todo amor e carinho me ensinaram

a cultivar valores importantes como os da

amizade, caráter, respeito e amor. Princípios

que dinheiro nenhum no mundo compram.

Amo vocês.

Ao meu irmão,

Victor Hugo de Almeida Azevedo,

por me mostrar exemplo de

caráter e determinação.

(6)

vi

Ao Xinho,

Sergio Bachini Pereira Júnior,

Por sempre me apoiar nos momentos em

que mais precisei e por me fazer feliz.

Meu carinho e amor.

À Natasha Bachini Pereira

Que sempre me incentivou a finalizar

(7)

vii

Ao meu irmão de coração,

Patrício Godoy Martinez,

Por sempre me estender a mão nos momentos mais

turbulentos da minha vida, por nunca me julgar pelos

meus erros, tendo sempre uma palavra sábia de

consolo para que eu pudesse me erguer. Amigo

como você é muito difícil encontrar.

(8)

viii

Agradecimentos

Por mais que esta caminhada seja árdua, aprendemos no final das

contas que na verdade o que nos faz grande não é a concretização desta

tese, e sim tudo que aprendemos com ela, principalmente as inúmeras

pessoas que contribuem para a realização de mais este sonho. Este espaço

é dedicado a vocês.

À

Deus

; por colocar pessoas tão especiais em minha vida e sempre me

dar força para concretizar mais esta etapa.

Ao

Prof. Dr.

Arnaldo Lopes Colombo

, pela orientação para o

aprimoramento dos longos passos destinados a realização deste trabalho, e

pela oportunidade do grande desenvolvimento profissional e pessoal que me

foi oferecida ao longo neste estudo.

À

Daniel Archimedes da Matta

que me deu a oportunidade de iniciar

minha jornada científica, sempre tendo paciência com minhas teimosias,

minha eterna amizade e admiração.

Á

Thomas Chagas

, que se mostrou uma pessoa amiga e pronta a

ajudar em todos os momentos que precisei. Sem você talvez esta tese

demoraria muito mais para sair. Minha eterna gratidão.

(9)

ix

À

Sarah

Gonçalves e Vagner

, que apesar do pouco tempo que nos

conhecemos, estiveram sempre me dando força e auxiliando no que fosse

necessário. Minha eterna amizade e gratidão.

À

Paty Girl

, amiga que apesar de não conviver mais diretamente com

sua alegria, mora em meu coração.

À

Edméa Helena

, que sempre teve uma palavra amiga para me ajudar

nos momentos difíceis, agradeço pela atenção e carinho.

A todos os amigos do LEMI que compartilharam comigo toda a

tragetória da minha tese e que de alguma forma me ajudaram a realizar este

sonho:

Thelma Alves,

Thaís Guimarães,

Vinicius Ponzio,

Leila Paula

,

Viviane Reis,

Cledja Amorim

,

Zelinda Nakagawa e Analy Sales.

Á

Miriam Amaral

e

André

por todo apoio oferecido durante a

elaboração desta tese.

Á

Maria

, por toda ajuda prestada nas horas em que precisei.

Á

Nilva Franco

, comadre que sempre me meu força para lutar pelos

meus sonhos.

A todos aqueles que em algum momento passaram pela minha vida e

puderam contribuir para aquilo que sou hoje.

(10)

x

“Na nossa busca, devemos superar obstáculos,

superar provas. Isso nos assusta. Devemos

transitar pela escuridão com fé, crendo que uma

mão nos leva enquanto vamos tateando o

caminho. De repente, a luz se faz. Então,

reconhecemos que valeu a pena ser valentes e

atravessar um terreno desconhecido”.

(11)

xi

Dedicatória ... v

Agradecimentos ... viii

Listas ... xi

Resumo ... xvii

1

INTRODUÇÃO

... 1

1.1 Testes de susceptibilidade a antifúngicos: a padronização do método de diluição em caldo ... 2

1.1.1 EUCAST: a padronização européia para ensaios de microdiluição... 6

1.1.2 Sensititre Yeast-One: sistema colorimétrico para ensaios de diluição em caldo... 9

1.2 Testes de susceptibilidade a antifúngicos – avanços em métodos de ágar difusão... 13

1.2.1 Ensaios com E-test... 13

1.2.2 Ensaios com disco-difusão... 17

1.3 Resistência a amostras de Candida spp. no Brasil... 25

2

OBJETIVOS

... 29

3

MATERIAL E MÉTODOS

... 31

3.1 Seleção de microrganismos... 32

3.2 Identificação de leveduras... 32

3.2.1 Análise de micromorfologia das colônias... 33

3.2.2 Perfil bioquímico... 33

3.3 Teste de susceptibilidade a antifúngicos: disco-difusão (NCCLS M44-A) ... 35

3.3.1 Preparo do meio... 35

3.3.2 Preparo do inóculo ... 36

(12)

xii

3.3.5 Interpretação dos halos inibitórios: definição qualitativa de

susceptibilidade das leveduras ... 38

3.3.6 Interpretação dos halos inibitórios: definição quantitativa de susceptibilidade das leveduras aos antifúngicos ... 40

3.4 Análise dos dados... 41

4

RESULTADOS

...

42

4.1 Microrganismos... 43

4.2 Distribuição das amostras de Candida spp. avaliadas em ensaios de disco-difusão com fluconazol ... 43

4.3 Controle de qualidade dos ensaios de disco-difusão com fluconazol utilizando a cepa-controle C. albicans (ATCC 90028) ... 46

4.4 Apresentação dos resultados qualitativos do método de disco-difusão com discos de fluconazol ... 47

4.5 Análise de resultados quantitativos de susceptibilidade com discos de fluconazol gerados pelo software do sistema Biomic ... 51

4.5.1 Análise comparativa do perfil de susceptibilidade a fluconazol em amostras testadas em dois períodos diferentes ... 53

4.6 Distribuição das amostras de Candida spp. avaliadas em ensaios de disco-difusão com voriconazol ... 55

4.7 Controle de qualidade dos ensaios de disco-difusão com voriconazol utilizando a cepa-controle C. albicans (ATCC 90028) ... 56

4.8 Apresentação dos resultados qualitativos do método de disco-difusão com discos de voriconazol ... 58

4.9 Análise de resultados quantitativos de susceptibilidade com discos de voriconazol gerados pelo software do sistema Biomic ... 61

5

DISCUSSÃO

...

63

6

CONCLUSÕES

...

76

7

ANEXOS

78 8

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

...

81

(13)

xiii

Listas de tabelas

Tabela 1. Distribuição de 4.625 isolados de Candida spp. identificados em diferentes culturas de materiais biológicos avaliados no período de 1998 a 2003...... 40 Tabela 2. Análise dos resultados da média e mediana dos diâmetros dos halos

inibitórios para discos de fluconazol referentes a amostras testadas no

período de 1998 a 2003... 44 Tabela 3. Média dos diâmetros dos halos inibitórios (mm) com discos de fluconazol

frente a 4.625 isolados de Candida spp. identificados em diferentes culturas de materiais biológicos obtidos de pacientes hospitalizados no

período de 1998 a 2003... 45 Tabela 4. Interpretação do perfil de susceptibilidade a fluconazol em categorias:

susceptível, SDD e resistente frente a amostras de Candida spp. obtidas no período de 1998 a 2003... 46 Tabela 5. Resultados quantitativos do perfil de susceptibilidade a fluconazol de 4.625

amostras de Candida spp.... 48 Tabela 6. Interpretação das categorias de susceptibilidade a fluconazol dos

organismos testados pelo método de disco-difusão em dois períodos: de 1998 a 2000 e 2001 a 2003... 50 Tabela 7. Distribuição de 2.793 isolados de Candida spp. identificados em diferentes

culturas de materiais biológicos avaliados no período de 2001 a 2003 ... 51 Tabela 8. Análise dos resultados de média e mediana dos diâmetros dos halos

inibitórios (mm) para discos de voriconazol referentes a amostras testadas no período de 2001 a 2003 ... 54 Tabela 9. Média dos diâmetros dos halos inibitórios (mm) com discos de voriconazol

frente a 2.793 isolados de Candida spp. identificados em diferentes culturas de materiais biológicos obtidos de pacientes hospitalizados no

período de 2001 a 2003... 55

Tabela 10. Comparação do perfil de susceptibilidade a 2.793 isolados de Candida

(14)

xiv

Figura 1. Distribuição das cinco principais espécies de Candida identificadas em diferentes fluídos biológicos ao longo do estudo ...

41 Figura 2. Avaliação da reprodutibilidade na leitura dos diâmetros dos halos

inibitórios obtidos com discos de fluconazol utilizando a cepa-controle ATCC 90028 (C. albicans) ... 42 Figura 3. Avaliação da reprodutibilidade na leitura dos diâmetros dos halos

(15)

xv

A Aprovado

aids “Acquired Immunodeficiency Syndrome” ATCC “American Type Culture Collection”

o

C Graus Celcius

C Meio de assimilação de carbono CIM Concentração inibitória mínima

CIM50 CIM de antifúngico capaz de inibir o crescimento de 50% dos isolados

CIM90 CIM de antifúngico capaz de inibir o crescimento de 90% dos isolados

CQ Controle de qualidade et al. E outros

EUA Estados Unidos da América

EUCAST European Committe on Antimicrobial Susceptibility Testing FDA “Food and Drug Administration”

g Gramas

g/L Gramas por litro

HAART Terapia anti-retroviral de alta potência

h Hora (s)

µg Micrograma

µL Microlitro

LEMI Laboratório Especial de Micologia MHA Mueller-Hinton ágar

mm Milimetro

mL Mililitro

MOPS Ácido morfolinopropanosulfônico NaCl Cloreto de sódio

NCCLS National Committee for Clinical Laboratory Standards

nm Nanômetro

No Número

P Proposta

pH Potencial hidrogeniônico

R Resistente

(16)

xvi

S-DD Susceptibilidade-dose dependente

SENTRY Programa Internacional de Vigilância das Infecções da Corrente Sanguínea

spp. Espécies

T Tentativa

UFC Unidade formadora de colônia

x Vezes

≤ Menor do que ou igual a

≥ Maior do que ou igual a

% Por cento

5-FC 5-Fluorocitosina

(17)

xvii

Introdução: Em 2004, o NCCLS padronizou a técnica de disco-difusão para ensaios com fluconazol. Este teste permite a análise de grande número de amostras com custo reduzido, resultado rápido e de fácil interpretação, não exigindo equipamento especial, sendo assim de grande utilidade em estudos de vigilância de resistência a fluconazol e voriconazol. Objetivos: 1) Avaliar a distribuição de espécies de Candida identificadas em diferentes materiais biológicos obtidos de pacientes hospitalizados. 2) Descrever o perfil de susceptibilidade pelo método de disco-difusão para as diferentes amostras de Candida

spp. frente a fluconazol e voriconazol. 3) Avaliar a prevalência de isolados de Candida

spp. resistentes a fluconazol. Material e Métodos: Foram incluídas todas as amostras de

Candida spp. isoladas de diversos materiais biológicos, provenientes de dois hospitais

terciários da cidade de São Paulo, entre janeiro de 1998 a dezembro de 2003. Após triagem de Candida albicans, utilizando-se meio cromogênico CHROMagar- Candida, os isolados de Candida não-albicans foram identificados por análise do perfil bioquímico pelo método comercial ID-32C, complementados por análise de microcultivo. O perfil de susceptibilidade das amostras frente a fluconazol e voriconazol foi realizado pelo método de disco-difusão, de acordo com a normatização do documento do NCCLS M44-A (2004). A determinação dos diâmetros dos halos inibitórios foi realizada utilizando de um sistema automatizado de leitura de placas para análise das imagens - BIOMIC. Resultados: Avaliou-se 4.625 isolados clínicos de Candida spp., incluindo 2.393 cepas de C. albicans

(51,7%), 658 de C. tropicalis (14,2%), 503 de C. glabrata (11%), 495 de C. parapsilosis

(10,8%), 292 de C. rugosa (6,3%), 195 de C. guilliermondii (4,2%), 53 de C. krusei (1,1%) e 36 de Candida spp. Na análise dos resultados qualitativos de susceptibilidade a fluconazol as amostras de C. albicans, C. parapsilosis e C. tropicalis apresentaram diâmetro dos halos inibitórios maiores, resultado este que sugere alta susceptibilidade destas cepas a fluconazol. Para os isolados de C. glabrata, C. krusei e C. rugosa os halos obtidos apresentaram menores diâmetros, dado compatível com susceptibilidade reduzida destas espécies a fluconazol. Em relação a voriconazol, os isolados de C. albicans, C.

parapsilosis, C. glabrata e C. tropicalis apresentaram diâmetros dos halos inibitórios

maiores. Para as amostras de C. krusei e C. rugosa, os halos apresentaram menor diâmetro em relação as espécies mais susceptíveis. Na análise dos resultados quantitativos de susceptibilidade a fluconazol as taxas de SDD/R para os isolados avaliados foram de 2,0 e 5,8%, respectivamente, sendo visto maior porcentagem de SDD/R com C. glabrata, C. krusei e C. rugosa. Com exceção das amostras de C. rugosa, todas as amostras testadas com voriconazol apresentaram valores de CIM90 ≤ 0,5µg/mL. Conclusão: 1. Em nosso estudo, das 4.625 espécies de Candida testadas, C. albicans foi a espécie prevalente em todos os fluídos biológicos avaliados. 2. Entre as leveduras de

Candida não-albicans, as espécies mais freqüentes foram C. tropicalis, C. glabrata e C.

parapsilosis em ambos os períodos avaliados. 3. Susceptibilidade dose-dependente (SDD)

(18)

Azevedo, Ana Carolina de Almeida

Avaliação do perfil de susceptibilidade a fluconazol e voriconazol frente a isolados de Candida spp. pelo método de disco-difusão. / Ana

Carolina de Almeida Azevedo. – São Paulo, 2005. xvii 94f.

Tese (Mestrado) – Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de Medicina. Programa de Pós-graduação em Infectologia.

Título em inglês: Evaluation of the fluconazole and voriconazole susceptibility profile of yeasts clinical isolates for disk diffusion method.

1. Disco-difusão. 2. Candida spp. 3. Fluconazol . 4. Voriconazol. 5. Resistência

a fluconazol.

(19)

1. INTRODUÇÃO

(20)

1.1 Testes de susceptibilidade a antifúngicos: a padronização do método de diluição em caldo

O desenvolvimento de métodos de susceptibilidade a antifúngicos

tem sua história vinculada aos avanços obtidos na quimioterapia

antibacteriana. Assim sendo, a utilização de testes de susceptibilidade in vitro

envolvendo princípios das metodologias conhecidas como difusão em ágar e

diluição em caldo foi inicialmente realizado por Flemming, durante a

investigação do potencial terapêutico da penicilina. Rapidamente, com o

advento de novos antimicrobianos, bem como o reconhecimento de bactérias

resistentes à penicilina, inúmeros laboratórios de microbiologia passaram a

realizar testes de susceptibilidade a antimicrobianos (Sherris, 1989).

A quimioterapia de doenças fúngicas apresentava, até um

passado recente, grande disparidade em relação à terapêutica antibacteriana.

Até o advento dos antifúngicos azólicos na década de 70, apenas a

anfotericina-B e a 5-fluorocitosina (5-FC) encontravam-se disponíveis para o

tratamento de micoses sistêmicas. Atualmente, no Brasil, são encontrados

comercialmente diversas drogas antifúngicas para uso sistêmico, incluíndo

anfotericina-B desoxicolato e formulações lipídicas, fluconazol, itraconazol,

cetoconazol, 5-FC e recentemente, voriconazol e caspofungina (Dismukes,

2001; Groll et al., 2002; Colombo et al., 2003; Datry, Bart Delabesse, 2005).

Além do lançamento de voriconazol e caspofungina, outras três drogas

encontram-se em fase avançada de investigação clínica: ravuconazol,

posaconazol e micafungina (Arikan, Rex, 2002; Ostrosky-Zeichner, 2003;

(21)

Se por um lado, temos hoje maior número de opções de drogas

antifúngicas, por outro, há crescente preocupação com o aumento da

resistência a estas drogas. Estudos de vigilância de resistência a antifúngicos

no mundo todo mostram a emergência de leveduras de Candida não-albicans

como causa de infecções superficiais e invasivas, sendo que muitas destas

espécies apresentam menor susceptibilidade a anfotericina-B e/ou azólicos

(Pfaller et al., 2002; Krcmery, Barnes, 2002; Colombo, 2003a; Hajjeh et al.,

2004; Almirante et al., 2005).

Diante deste fato, aumentou o interesse da comunidade científica

no aperfeiçoamento de testes de susceptibilidade para auxiliar na escolha mais

adequada na terapêutica antifúngica como também, da indústria farmacêutica

para utilizar essa ferramenta no desenvolvimento de novas drogas (Rex et al.,

2001; Pfaller et al., 2002; Bedout et al., 2003).

No final da década de 80, como parte da estratégia para obter um

método de alta reprodutibilidade, o National Committee for Clinical Laboratory

Standards (NCCLS) conduziu vários estudos multicêntricos para definir as

condições ideais de realização de ensaios de diluição em caldo. Neste sentido, as

variáveis que foram objeto de padronização incluíram a definição do método e

preparação de inóculo, a composição e o pH do meio a ser utilizado, a

temperatura, o tempo de incubação e determinação dos critérios de leitura do

teste (NCCLS, 1992; Pfaller, Rinaldi, 1993; Rex et al., 1993).

Pfaller et al. (1988) realizaram estudo com o objetivo de

padronizar o inóculo a ser utilizado no ensaio, comparando a técnica de

espectrofotometria com três outros testes. A partir dos resultados obtidos,

concluíram que a espectrofotometria foi a metodologia com melhor

reprodutibilidade e fácil execução para o teste de susceptibilidade a

(22)

crescimento mais rápido quando incubadas à 35oC do que à 30oC (Pfaller et al.,

1990).

Fromtling et al. (1993) desenvolveram trabalho multicêntrico

envolvendo 13 laboratórios diferentes para otimizar a correlação

interlaboratorial dos resultados do método de microdiluição em caldo, testando

três classes de drogas antifúngicas frente a 100 isolados de Candida spp..

Foram comparados dois tamanhos de inóculo (5x104 e 2-5x103 UFC/mL) e dois

tempos de leitura (24h e 48h de incubação). Houve maior reprodutibilidade nos

ensaios que utilizaram menor concentração do inóculo (2-5x103 UFC/mL) e

leitura de 48h, mostrando assim melhor correlação interlaboratorial dos

resultados obtidos.

Estes trabalhos foram fundamentais para a padronização do teste

de susceptibilidade a antifúngicos pelo NCCLS que ocorreu após 15 anos de

trabalhos colaborativos possibilitando a publicação de normas e técnicas

envolvendo os documentos M27-P (proposta - 1992), M27-T (tentativa - 1995),

M27-A (aprovado - 1997) e, mais recentemente a versão M27A-2 (2002)

(NCCLS, 1992; NCCLS, 1995; NCCLS, 1997; Rex et al., 2001; NCCLS, 2002).

Estes documentos fundamentaram a metodologia de diluição em

caldo (macrodiluição ou microdiluição em caldo como técnica equivalente)

como padrão ouro para testes de susceptibilidade a antifúngicos. Desta forma,

o NCCLS estabeleceu a utilização do meio de cultura RPMI -1640 com

L-glutamina, sem bicarbonato e tamponado com ácido morfolinopropanosulfônico

(MOPS) com pH 7,0; o tamanho do inóculo de 0,5 à 2,5 X 103 UFC/mL utilizando

espectrofotometria, a temperatura de incubação de 35°C com períodos variando

de 48h para isolados de Candida spp. e 72h para Cryptococcus neoformans. O

critério de leitura dos ensaios com azólicos e 5-FC foi definido como a menor

concentração capaz de gerar inibição significativa (50% para microdiluição e

(23)

(CIM) foi definida como a menor concentração capaz de inibir qualquer

crescimento visível (Pfaller et al., 1988; Pfaller et al., 1990; Espinell-Ingroff et

al., 1992; Fromtling et al., 1993; Pfaller, Rinaldi, 1993; Rex et al., 1993; Rex et

al., 2001; NCCLS, 2002).

A correlação clínico-laboratorial dos valores das CIMs gerados

pelo método de microdiluição em caldo foi avaliada em diversos estudos em

pacientes com aids, portadores de candidíase orofaríngea. Dados obtidos por

vários autores mostraram que valores mais elevados das CIMs frente a

fluconazol para isolados de Candida albicans originários da cavidade oral de

pacientes com aids, correlacionaram-se com falência terapêutica. De forma

complementar, aqueles isolados cujos valores das CIMs foram baixos,

correlacionaram-se com êxito à terapêutica antifúngica (Rex et al.,2001; Pfaller

et al., 2004). Após a revisão dos dados de correlação clínico-laboratorial

obtidos por diversos trabalhos, o NCCLS publicou uma proposta para a

interpretação dos valores das CIMs de fluconazol e itraconazol, dividindo as

amostras testadas em três categorias: susceptível, susceptibilidade

dose-dependente (SDD) ou resistente (Rex et al., 1997, Martin-Mazuelos et

(24)

1.1.1 EUCAST: a padronização européia para ensaios de microdiluição

Paralelamente aos esforços do NCCLS para o aprimoramento de

testes de susceptibilidade, a comunidade científica européia se organizou na

realização de estudos para otimização destes ensaios. Recentemente, a

entidade responsável pela normatização de técnicas de laboratório clínico na

Europa, o European Committe on Antimicrobial Susceptibility Testing

(EUCAST), designou um subcomitê para elaborar uma proposta alternativa em

relação a padronização do teste de microdiluição em caldo para leveduras

fermentadoras, baseada no documento NCCLS M27-A (1997). Esta

metodologia incorporou algumas modificações no teste padrão do NCCLS,

sendo as principais a utilização do meio RPMI suplementado com 2% de

glicose, para suportar melhor crescimento de leveduras fermentadoras, o

aumento no tamanho do inóculo para 0,5-2,5x105 UFC/mL, possibilitando

menor tempo de incubação do ensaio de 48h para 24h e, finalmente, a leitura

dos testes por espectrofotometria, para eliminar a subjetividade da leitura visual

do ensaio (Estrella et al., 2002; Chryssanthou et al., 2002;

Cuenca-Estrella et al., 2003).

Cuenca-Estrella et al. (2002) avaliaram a correlação dos resultados

obtidos entre dois métodos de microdiluição em caldo: NCCLS M27-A (1997)

versus EUCAST. Foram avaliadas um total de 109 amostras de Candida spp.

isoladas de hemoculturas obtidas de um programa de vigilância de resistência

a antifúngicos em Baltimore, Connecticut. Foram utilizadas as seguintes drogas

antifúngicas: anfotericina-B, fluconazol, 5-FC e itraconazol. A leitura dos

ensaios do EUCAST foi realizada após 24h de incubação e a metodologia do

NCCLS, após 48h de incubação. O índice de correlação entre as CIMs geradas

pelos dois métodos foi de 92%. Para ensaios com anfotericina-B houve boa

concordância entre todas as amostras testadas: Candida glabrata (95,3%),

Candida parapsilosis (95,1%), Candida albicans (94,5%) e Candida tropicalis

(25)

avaliados (100%). Em relação a fluconazol houve boa correlação para todas as

amostras: C. parapsilosis (94,6%), C. albicans (93,9%), C. glabrata (93,8%) e

C. tropicalis (88,5%). Entretanto, para itraconazol houve menor concordância

em ensaios envolvendo C. glabrata (81%), C. parapsilosis (80,7%), C. albicans

(80,4%) e C. tropicalis (78,8%). Pode-se concluir que em relação as amostras

avaliadas, houve maior correlação entre os ensaios envolvendo isolados de C.

albicans e C. parapsilosis e menor correlação para as amostras de C. tropicalis.

Já para as drogas testadas, houve concordância maior em ensaios envolvendo

anfotericina-B, fluconazol e 5-FC, sendo menor para itraconazol. De forma

geral, os autores concluíram que a concordância entre os dois métodos foi

bastante significativa, havendo vantagem de leitura após 24h para os ensaios

do EUCAST.

Em estudo realizado por Chryssanthou et al. (2002) foi analisada

a concordância entre os valores das CIMs para voriconazol e caspofungina em

relação a dois diferentes ensaios: o método de microdiluição em caldo

padronizado pelo NCCLS M27-A (1997) e a proposta do EUCAST. Foram

avaliadas 102 amostras de leveduras isoladas de vários materiais biológicos

provenientes de pacientes admitidos no Hospital Karolinska, Suécia. A

correlação entre os resultados das CIMs obtidas pelas duas metodologias para

leitura de 24h foi boa para ambas as drogas testadas: voriconazol (99%) e

caspofungina (98%). Já a correlação entre as leituras de 24h para o EUCAST e

48h para o NCCLS foi maior para caspofungina (96%) e menor para

voriconazol (87%). Em ensaios com leitura de 48h para ambas as

metodologias, a concordância foi boa para as duas drogas testadas:

voriconazol (97%) e caspofungina (100%). Os autores concluíram que a leitura

de 24h pelo método EUCAST oferece excelente performance e permite a

(26)

Cuenca-Estrella et al. (2003) realizaram estudo multicêntrico

avaliando a reprodutibilidade de dois métodos de microdiluição em caldo:

EUCAST e NCCLS M27-A2 (2002). Participaram deste trabalho nove

laboratórios, sendo testados 60 isolados clínicos de Candida spp. frente a três

drogas antifúngicas (fluconazol, itraconazol e 5-FC). A correlação entre as

leituras de 24h para ambos os métodos foi de 99,2% e após 48h foi de 96,4%.

A leitura de 24h do EUCAST possibilitou concordância maior que 95% para a

grande maioria das drogas e para as espécies de leveduras testadas. Apenas

ensaios realizados com isolados de C. glabrata apresentaram menor

concordância e reprodutibilidade. Estes dados confirmam que a leitura de 24h

do EUCAST oferece melhores resultados, devendo-se realizar leitura de 48h

apenas para amostras com limitado crescimento após curto período de

incubação.

Espinel-Ingroff et al. (2005) compararam as CIMs de fluconazol,

itraconazol, posaconazol e voriconazol obtidas segundo duas metodologias:

EUCAST e NCCLS M27-A2 (2002). Foram selecionados 421 isolados de

Candida spp. de seis diferentes centros. A concordância entre as duas

metodologias para leitura de 24h em ambos os métodos foi boa em todas as

drogas avaliadas: fluconazol (95%), voriconazol (94%), posaconazol (91%) e

itraconazol (90%). A leitura de 48h não aumentou a concordância entre os

métodos avaliados. Entretanto, os autores verificaram que os resultados das

CIMs do EUCAST em relação a azólicos foram consistentemente menores que

os dados obtidos com o método padrão do NCCLS. Sendo assim, é possível

que os pontos de corte para a susceptibilidade a azólicos sugeridos pelo

(27)

1.1.2 Sensititre Yeast-One: sistema colorimétrico para ensaios de diluição em caldo

Devido à necessidade de métodos de susceptibilidade a

antifúngicos que pudessem gerar resultados com maior rapidez e praticidade,

auxiliando a rotina de laboratórios clínicos, vários sistemas comerciais foram

desenvolvidos para a avaliação in vitro de drogas antifúngicas. Dentre eles,

destaca-se o sistema comercial Sensititre Yeast-One, consistindo numa placa

de microdiluição contendo diferentes concentrações de cinco agentes

antifúngicos: anfotericina-B, fluconazol, 5-FC, itraconazol e cetoconazol. Essa

placa contém um indicador colorimétrico (azul de alamar) que permite visualizar

mudança de pH frente à multiplicação das células fúngicas. Desta forma, este

sistema colorimétrico desencadeia uma reação de óxido-redução com

conseqüente mudança de cor azul para vermelho nos poços onde há

crescimento do inóculo. Essa reação facilita a identificação do ponto de leitura

das CIMs, na transição de mudança de cor. As vantagens desse método

comercial incluem não apenas as facilidades operacionais, (visto que as drogas

já se apresentam prontas na placa de leitura), como também a rápida liberação

de resultados (leitura de 24h) e interpretação do ponto de leitura por mudança

de cor (Tiballi et al., 1995; Espinel-Ingroff et al., 1999; Chryssanthou, 2001;

Morace et al., 2002).

No estudo conduzido por Davey et al. (1998) foram comparados

os seguintes métodos de microdiluição em caldo: Sensititre Yeast-One e

NCCLS M27-A (1997) para determinar a susceptibilidade de 180 isolados de

Candida spp. em relação a quatro drogas antifúngicas: anfotericina-B,

fluconazol, itraconazol e cetoconazol. Houve concordância superior a 90%

entre os métodos para ensaios envolvendo anfotericina-B e fluconazol em

relação a todas as cepas avaliadas. Em ensaios envolvendo itraconazol e

cetoconazol os índices de concordância para a maioria das amostras avaliadas

foi boa (91%), com exceção de ensaios envolvendo isolados de C. tropicalis

(28)

duas metodologias foi maior com testes envolvendo fluconazol e anfotericina-B,

tendo menor concordância para amostras de C. tropicalis em relação a

antifúngicos azólicos.

Espinel-Ingroff et al. (1999) avaliaram a concordância do método

comercial Sensititre Yeast-One em relação ao método padronizado pelo

NCCLS M27-A (1997), em três diferentes laboratórios, testando 1.176 isolados

clínicos de espécies de Candida. Os resultados das CIMs do método comercial

em relação aos cinco agentes antifúngicos (anfotericina-B, fluconazol, 5-FC,

itraconazol e cetoconazol) foram comparados após 24h de incubação para o

teste colorimétrico, e 48h para o método do NCCLS. A concordância entre as

duas metodologias variou de 90 a 98% para todas as espécies avaliadas. Os

dados sugerem que a placa Sensititre Yeast-One tem uso potencial em

laboratórios de rotina por sua facilidade de execução e concordância com o

NCCLS.

Chryssanthou et al. (2001) conduziram estudo comparando o

sistema Sensititre Yeast-One com o método de macrodiluição em caldo frente a

anfotericina-B, fluconazol, itraconazol e 5-FC. Foram selecionadas para o

estudo 233 espécies de Candida isoladas de hemoculturas na Suécia. A

concordância entre as leituras de 24h para o teste colorimétrico e 48h para o

método do NCCLS foi de 87%. Houve concordância maior para anfotericina-B

(97%), 5-FC (94%), fluconazol (93%) e menor para itraconazol (70%) quando

avaliadas amostras de C. albicans. Já para as espécies de Candida

não-albicans, houve concordância maior apenas para anfotericina-B (82%), sendo

menor para fluconazol (78%), 5-FC (75%) e itraconazol (44%). Os autores

concluíram que houve discrepância de resultados entre as espécies avaliadas,

sendo que para ensaios com isolados de C. albicans houve boa correlação em

quase todas as drogas avaliadas, exceto para itraconazol. Em relação as

amostras de Candida não-albicans, principalmente C. glabrata, C. krusei e C.

parapsilosis apresentaram baixa correlação de resultados para quase todas as

(29)

faz-se necessária a confirmação dos resultados com o método de referência para

os resultados do teste de susceptibilidade a azólicos frente aos isolados de C.

glabrata, C. krusei e C. parapsilosis.

Morace et al. (2002) determinaram a susceptibilidade de

fluconazol através de seis metodologias, dentre estas o comercial Sensititre

Yeast-One e NCCLS M27-A (1997), sendo testadas 800 amostras clínicas de

Candida spp. A concordância entre os métodos avaliados foi de 81,4%. Houve

maior correlação em ensaios com fluconazol para isolados de C. parapsilosis

(88,9%), C. albicans (88,4%), C. tropicalis (83,1%) e menor em amostras de C.

krusei (66,7%) e C. glabrata (50,8%). Através deste estudo, os autores

concluíram que os resultados do teste colorimétrico para os isolados de C.

krusei e C. glabrata apresentaram baixa correlação com o método de

referência. Isto pode ser devido as dificuldades de adaptação a diferença de

curva de crescimento para amostras de C. glabrata e C. krusei em diferentes

condições na realização do teste de susceptibilidade a antifúngicos.

Trabalhos mais recentes têm avaliado a eficácia deste sistema

comercial com novas drogas antifúngicas como: voriconazol, posaconazol e

ravuconazol. No estudo de Pfaller et al. (2004b) foi avaliado o sistema

Sensititre Yeast-One, comparando os resultados do teste com o NCCLS

M27-A2 (2002). Foram avaliados 300 isolados clínicos de C. albicans, C.

parapsilosis, C. krusei, C. lusitaniae, C. tropicalis e C. glabrata frente a

fluconazol, voriconazol, posaconazol e ravuconazol. A concordância entre os

resultados dos métodos avaliados foi de 95,4%. Em relação a fluconazol,

ravuconazol, voriconazol e posaconazol houve boa correlação para todas as

espécies testadas (98%, 96%, 95,3% e 92,3%, respectivamente). No trabalho

citado acima, foram obtidos melhores resultados para o sistema comercial

Sensititre Yeast-One envolvendo azólicos quando comparados aos estudos de

(30)

Após vários anos de pesquisas avaliando o sistema comercial

Sensititre Yeast-One, pode-se concluir que este método apresenta boa

reprodutibilidade e acurária significativa comparado ao NCCLS M27-A2 (2002).

Entretanto, os resultados parecem depender da combinação entre espécies de

Candida e as drogas testadas. Estes estudos levaram à aprovação deste

sistema pelo “Food and Drug Administration” (FDA) nos EUA. Contudo, por se

tratar de um método com custo elevado, torna-se limitante a utilização em

(31)

1.2 Testes de susceptibilidade a antifúngicos – avanços em métodos de ágar difusão

1.2.1 Ensaios com E-test

Apesar dos métodos de diluição em caldo representarem um

importante avanço no desenvolvimento de testes de susceptibilidade a

antifúngicos, seja por suas características de reprodutibilidade e boa correlação

clínica observada, tratam-se de métodos laboriosos e de difícil execução em

laboratórios de rotina. Por estes motivos, vários pesquisadores tiveram a

necessidade de desenvolver ensaios mais adequados à rotina de laboratórios

clínicos, cujos resultados fossem equivalentes àqueles gerados pelo método de

referência (Martin-Mazuelos et al., 1999; Koc et al., 2000; Laverdiere et al.,

2002).

Na tentativa de encontrar ensaios que pudessem ser utilizados

em laboratórios de rotina para obter maior rapidez e praticidade, foram

desenvolvidos métodos alternativos de difusão em ágar, como o teste de

disco-difusão e o E-test, com a finalidade de determinar in vitro a susceptibilidade de

leveduras frente a várias classes de antifúngicos (Colombo et al.,1995; Koc et

al., 2000; Matar et al., 2003; Maxwell et al., 2003; Hospenthal et al., 2004).

O E-test (AB Biodisk, Solna, Suécia) é um teste de difusão em

ágar, que fornece valores quantitativos referentes à CIM do antifúngico para o

microrganismo em estudo. Este método consiste numa fita plástica contendo

droga em diferentes concentrações expressas no reverso da tira. Uma vez

colocada na superfície do meio solidificado, a droga contida na fita difunde-se

rapidamente para o meio, mantendo por longo tempo um gradiente fixo de

(32)

inibe o crescimento do microrganismo inoculado no meio, gerando área de

inibição em formato de elipse. A CIM é lida como sendo a concentração da

droga superior àquela expressa na fita no ponto em que a tira de E-test

intercepta a borda da zona de inibição. Deste modo, este método reúne a

vantagem na simplicidade de execução de testes de difusão em ágar, com as

informações quantitativas fornecidas pelos ensaios de diluição (Baker et al.,

1991; Sanchez, Jones, 1993; Colombo et al., 1995).

Colombo et al. (1995) analisaram a concordância de dois

métodos: E-test e NCCLS M27-T (1992). Foram avaliados 100 isolados de

Candida spp. frente a fluconazol, cetoconazol e itraconazol. A correlação entre

as metodologias para fluconazol foi maior em ensaios envolvendo as amostras

de C. glabrata (95%) e C. albicans (84%), sendo menor para os isolados de C.

tropicalis e C. parapsilosis (53%). Em ensaios envolvendo cetoconazol a

correlação foi maior entre as amostras de C. albicans (88%) e C. parapsilosis

(87%), tendo menor correlação para isolados de C. tropicalis (73%) e C.

glabrata (45%). Em relação a itraconazol, houve maior concordância em

relação as amostras de C. glabrata (100%) e C. parapsilosis (87%), tendo

menor concordância entre os isolados de C. albicans (76%) e C. tropicalis

(33%). Em conclusão, o E-test apresentou correlação variável com o método

de referência, com maior acurácia em ensaios com itraconazol e fluconazol e

menor para cetoconazol. Entre as espécies testadas houve menor performance

apenas para amostras de C. tropicalis.

Em estudo desenvolvido por Martin-Mazuelos et al. (1999) foi

avaliada a utilização do E-test em relação ao teste padronizado pelo NCCLS

M27-A, (1997) para ensaios com fluconazol e itraconazol. Foram testadas 102

amostras de Candida spp. isoladas da cavidade orofaríngea de pacientes

admitidos no Hospital da Universidade de Sevilla, Espanha. A concordância

entre as metodologias avaliadas foi de 74,5%. A concordância para ensaios

com fluconazol foi maior nos testes envolvendo amostras de C. tropicalis

(33)

glabrata (66,6%). Em relação a itraconazol, a correlação foi maior entre os

isolados de C. glabrata (88,8%) e C. tropicalis (82,3%), apresentando menor

correlação para C. albicans (60,5%) e C. parapsilosis (42,9%).

Koc et al. (2000) avaliaram a concordância do E-test com o teste

de microdiluição em caldo frente a anfotericina-B, fluconazol, itraconazol e

cetoconazol. Foram selecionados para o estudo 102 isolados de Candida spp..

A concordância entre as metodologias para anfotericina-B foi boa em relação a

todas as amostras avaliadas: C. parapsilosis (100%), C. albicans (96,7%), C.

tropicalis (90%) e C. glabrata (87,5%). Em ensaios com fluconazol e itraconazol

houve maior concordância entre as amostras de C. albicans (83,3%) e C.

tropicalis (80%) e menor para C. parapsilosis e C. glabrata (75%). Ensaios

envolvendo cetoconazol foram similares a fluconazol e itraconazol, mudando

apenas em relação aos isolados de C. albicans (86,7%). Sendo assim, pode-se

concluir que houve maior concordância entre as metodologias nos ensaios

envolvendo anfotericina-B, sendo menor com azólicos. Entre as espécies

analisadas houve menor correlação para as amostras de C. glabrata quando

testadas com azólicos.

Laverdiere et al. (2002) determinaram a susceptibilidade a

anfotericina-B, fluconazol, itraconazol e caspofungina através de dois métodos:

E-test e NCCLS M27-A (1997). Foram testadas 178 amostras de Candida spp.

isoladas de hemoculturas, provenientes de dois centros canadenses. A

correlação entre as duas metodologias com a variação de até duas diluições

para as espécies avaliadas variou de 81% à 97%. A correlação para

anfotericina-B foi boa para todas as amostras avaliadas: C. albicans, C.

glabrata, C. tropicalis (100%) e C. parapsilosis (90%). Em relação a fluconazol

houve maior correlação entre as amostras de C. parapsilosis (90%), C. albicans

(34)

Em relação a itraconazol houve maior correlação para C. tropicalis (86%), C.

parapsilosis (85%) e C. albicans (84%), sendo menor para C. glabrata (77%).

Já para caspofungina, houve boa correlação em relação a todas as amostras

testadas: C. tropicalis (100%), C. parapsilosis (90%), C. albicans (88%) e C.

glabrata (85%). Em conclusão, os autores confirmaram que apesar da

correlação satisfatória entre os dois métodos, há variáveis de concordância

conforme a droga e espécie avaliada.

Maxwell et al. (2003) avaliaram a performance do E-test para

fluconazol e voriconazol frente aos resultados das CIMs determinadas pelo

método NCCLS M27-A (2002). Foram avaliadas 279 amostras de Candida spp.

isoladas de hemoculturas, obtidas de 68 diferentes laboratórios. A

concordância entre os resultados das metodologias avaliadas em ensaios com

fluconazol foi boa para todas as espécies testadas. Já em relação a voriconazol

houve maior concordância para C. lusitaniae e C. rugosa (100%), sendo menor

para amostras de C. guilliermondii (79%). Os autores concluíram que houve

boa correlação para as duas drogas avaliadas, tendo baixa correlação para os

isolados de C. guilliermondii quando testado voriconazol. O E-test pareceu ser

um método alternativo para determinar a susceptibilidade de espécies

incomuns de Candida.

Os resultados dos vários estudos demonstram que o E-test

apresenta significativa concordância com o método padronizado pelo NCCLS

M27-A2 (2002). Conseqüentemente, este teste também foi aprovado pelo FDA

para utilização em laboratórios de rotina. Deve-se mencionar que vários

autores sugerem que E-test gera maior variação de valores das CIMs para

anfotericina-B quando comparado ao NCCLS. Esta qualidade permite maior

poder discriminatório para o E-test na identificação de espécies resistentes a

(35)

1.2.2 Ensaios com disco-difusão

O método de disco-difusão, descrito por Anderson e modificado

por Kirby e Bauer, vem sendo empregado com sucesso na bacteriologia desde

1966, com a finalidade de determinar a susceptibilidade de bactérias a

antimicrobianos, apresentando ótima correlação clínico-laboratorial. Tendo em

vista sua simplicidade operacional e bons resultados obtidos na bacteriologia é

de extrema importância a tentativa de adaptar esta metodologia para os

ensaios com antifúngicos (Bauer et al., 1966; Jorgensen et al., 1977; NCCLS,

1993; ).

Nas décadas de 70 e 80, vários autores trabalharam com o

método de disco-difusão em micologia utilizando discos de 5-FC,

anfotericina-B, miconazol e clotrimazol. Entretanto, os trabalhos foram realizados com

diferentes metodologias, sendo difícil a comparação entre seus resultados. Da

mesma forma, não houve preocupação dos autores no desenvolvimento de

estudos que possibilitassem a padronização de diferentes variáveis

fundamentais para garantir consistência e reprodutibilidade nos ensaios

(Marks, Eickhoff, 1970; Utz, Shadomy, 1977; Grendahl, Sung, 1978; Saubolle,

Hoeprich, 1978; Casals, 1979; Torres-Rodríguez et al., 1990).

Na década de 90, após a padronização do método de

microdiluição em caldo, o NCCLS designou um subcomitê para padronizar o

teste de disco-difusão frente a leveduras, onde vários estudos foram realizados

analisando as variáveis mais importantes na acurácia dos ensaios, incluindo o

meio a ser utilizado, a temperatura, o tempo de incubação, o disco contendo

antifúngico e a determinação dos critérios de leitura do teste (Pfaller et al.,

(36)

O meio de cultura a ser utilizado no teste de disco-difusão deve

ser capaz de suportar crescimento adequado dos microrganismos a serem

testados, sem causar qualquer interação com a atividade das drogas utilizadas

no ensaio. Têm sido preconizados meios de composição química

completamente definida, para viabilizar a reprodutibilidade dos ensaios

(Hoeprich et al.,1970; Hoeprich, Finn,1972; Radetsky, 1986).

Barry, Brown (1996) propuseram estudo com o método de

disco-difusão utilizando o meio RPMI-1640 com 2% glicose e 1,5% de ágar, levando

em conta os bons resultados deste meio nos ensaios de microdiluição em caldo

padronizados pelo NCCLS M27-T (1995). Neste estudo, os autores observaram

que o meio RPMI parece não ser apropriado para testar algumas espécies de

leveduras que apresentam pobre crescimento nesse meio, como foi visto para

amostras de C. glabrata e C. krusei, que apresentaram crescimento satisfatório

somente após 48h de incubação.

Estudos posteriores foram realizados a fim de encontrar um meio

mais adequado para o teste de disco-difusão na rotina de laboratórios clínicos.

Barry et al. (2002) avaliaram a utilização de dois meios para o método de

disco-difusão a fluconazol, testando 495 isolados de Candida spp.: meio

Mueller-Hinton ágar (MHA) suplementado com glicose e azul de metileno e o meio

RPMI-1640 ágar suplementado com glicose. Os resultados do teste de

disco-difusão para os dois meios foram comparados com os resultados do método de

referência (microdiluição em caldo). A correlação dos resultados para os dois

meios avaliados foi maior para a leitura de 24h com MHA (96,9%), sendo

menor com o meio RPMI (93,6%). Já em relação a leitura de 48h, houve menor

concordância para ensaios com ambos os meios testados: MHA (93,3%) e

RPMI (93,5%). Pode-se verificar que com a utilização do meio RPMI as

(37)

tempo maior (48h) para a leitura do teste. Também houve problemas com três

isolados de C. krusei e duas amostras de C. albicans. Para ensaios com o meio

MHA suplementado com glicose e azul de metileno houve melhor crescimento

para todos os isolados de diferentes espécies testadas e melhor definição do

halo de inibição, respectivamente. Os autores verificaram que ensaios de

disco-difusão utilizando o meio MHA apresentaram maior compatibilidade com

os resultados da microdiluição, suportando melhor o crescimento para as

diferentes espécies de leveduras avaliadas. Além disso, os resultados gerados

pelo teste de disco-difusão após 24h de incubação apresentaram maior

reprodutibilidade que aqueles obtidos após 48h de incubação.

Rubio et al. (2003) desenvolveram estudo para avaliar a

performance de três meios em relação ao teste de disco-difusão: meio MHA

suplementado com dextrose e azul de metileno, meio RPMI-1640 com glicose e

o meio Shadomy (SHDM). Foram selecionados 150 isolados de Candida spp.

provenientes de pacientes admitidos no Hospital Universitário Lozano Blesa,

Espanha. Os resultados do teste de disco-difusão para os três meios avaliados

foram comparados com os resultados do método de microdiluição em caldo

(NCCLS M27-A2). A correlação dos resultados após 24h de incubação foi

maior para o meio MHA (95,3%), sendo um pouco menor para os meios RPMI

(94%) e SHDM (92,6%). Em relação as leituras de 48h também houve maior

correlação com o meio MHA (94,6%), sendo menor para os meios SHDM

(91,3%) e RPMI (75,3%). O crescimento de microcolônias dentro do halo de

inibição foi comum para os meios RPMI (63,4%) e SHDM (64,7%), sendo

infrequente para o meio MHA (8,7%). O meio MHA apresentou um halo de

inibição claro e definido em 91,3% dos testes de disco-difusão. Com este

estudo, os autores concluíram que o meio MHA parece ser o meio ideal para o

método de disco-difusão devido à menor ocorrência de crescimento de

microcolônias dentro do halo de inibição, facilitando a leitura do teste e

minimizando qualquer subjetividade. Da mesma forma, o MHA apresentou

melhores índices de equivalência com os resultados gerados pelo método de

(38)

Barry et al. (2003) propuseram trabalho colaborativo internacional

envolvendo oito instituições para definir os limites do halo de inibição para as

cepas-controle a serem utilizadas nos testes de disco-difusão com fluconazol,

em meio MHA suplementado com glicose e azul de metileno. As oito

instituições avaliaram em dez dias distintos, três cepas-controle como controle

de qualidade (CQ) para definir o tamanho do halo de inibição: C. albicans

(ATCC 90028), C. parapsilosis (ATCC 22019), C. tropicalis (ATCC 750). Os

resultados gerados pelas cepas-controle foram: C. albicans variaram de 28 a

39mm, para C. parapsilosis variaram de 22 a 33mm e para C. tropicalis

variaram de 26 a 37mm. Os autores concluíram que houve maior

reprodutibilidade com leitura de 24h de incubação em todos os ensaios. Os

resultados mostraram também que a adição de azul de metileno ao meio MHA

define melhor o halo de inibição, produzindo um halo de inibição com razoável

grau de precisão quando avaliadas as cepas-controle C. albicans (ATCC

90028), C. parapsilosis (ATCC 22019) e C. tropicalis (ATCC 750).

Pfaller et al. (2004d) realizaram estudo similar ao citado

anteriormente, mas para determinar os resultados de leitura para o controle de

qualidade no teste de disco-difusão a voriconazol com o meio MHA

suplementado com glicose e azul de metileno. Foram utilizadas três

cepas-controle no ensaio: C. albicans (ATCC 90028), C. parapsilosis (ATCC 22019) e

C. krusei (ATCC 6258). Assim como no teste para fluconazol, foram realizadas

leituras de 24h e 48h para determinar o impacto do tempo de incubação nas

leituras para este método. Os resultados gerados pelas cepas-controle foram:

ATCC 90028 – (31 a 42mm), ATCC 22019 - (28 a 37mm) e ATCC 6258 – (16 a

25mm). Os autores concluíram que, assim como reportado para os testes com

fluconazol, houve melhor performance dos resultados com leitura de 24h de

incubação para voriconazol. Pode-se também estabelecer a confiabilidade das

cepas-controle como parâmetros para interpretação dos testes: C. albicans

(39)

Os trabalhos de Barry et al. (2003) e Pfaller et al. (2004d)

avaliando as cepas-controle foram fundamentais para consolidar a leitura de

24h como melhor parâmetro de leitura para o teste de disco-difusão, como

também para permitir o uso de cepas-padrão no controle de qualidade destes

ensaios em laboratórios de rotina.

Uma vez definida a melhor condição de realização do método de

disco-difusão, foi importante avaliar qual a sua correlação com o método

referência de diluição em caldo do NCCLS M27A-2 (2002), na categorização

dos isolados como: susceptível, SDD ou resistente.

Barry et al. (2002) compararam os métodos de disco-difusão e

microdiluição em caldo para avaliar o perfil de susceptibilidade a antifúngicos

frente a 495 isolados de Candida spp.. Através de uma curva de regressão

linear os autores correlacionaram o tamanho do halo inibitório do teste de

disco-difusão com os valores das CIMs gerados pelo método de microdiluição.

Todas as espécies avaliadas para a susceptibilidade foram interpretadas frente

a três categorias: isolado susceptível - se observado valores das CIMs de ≤

8µg/mL ou diâmetro do halo de ≥19mm; amostra SDD - se observado valores

das CIMs de 16 a 32µg/mL ou diâmetro do halo de 15 a 18mm; isolado

resistente - se observado valores das CIMs de ≥ 64µg/mL ou diâmetro do halo

de ≤ 14mm. Os resultados do teste de microdiluição em caldo tiveram uma

concordância de 97% com o método de disco-difusão. A correlação entre as

duas metodologias foi realizada frente a três resultados de discrepância: erro

gravíssimo (a espécie testada apresenta susceptibilidade para o teste de

disco-difusão e resistência para o método de microdiluição em caldo); erro grave (a

espécie avaliada apresenta resistência para o teste de disco-difusão, sendo

susceptível para o método de microdiluição); e erro leve (a espécie apresenta

SDD para um teste e susceptível ou resistente para o outro método). Os

resultados mostraram erro gravíssimo somente para uma amostra de C. krusei,

não apresentando ocorrência de erro grave. Houve a presença de 14 erros

(40)

duas amostras de C. glabrata e um isolado de C. albicans. Os autores

concluíram que os resultados do teste de susceptibilidade a fluconazol pelo

método de disco-difusão tiveram boa equivalência com o método de

microdiluição em caldo, tendo aplicação potencial em laboratórios de rotina

para a triagem de amostras resistentes a fluconazol.

Matar et al. (2003) avaliaram a concordância do método de

disco-difusão com o teste de microdiluição em caldo padronizado pelo NCCLS

M27-A2 (2002) frente a fluconazol e voriconazol. Foram avaliadas 400 amostras de

Candida spp. isoladas de hemocultura. Os diâmetros dos halos de inibição

foram interpretados com base no estudo prévio de Barry et al. (2002). A

concordância entre as categorias de susceptibilidade a fluconazol,

considerando resultados gerados pelo teste de disco-difusão e microdiluição

em caldo, foi de 88,8% para leitura de 24h. Erro gravíssimo foi observado em

15 amostras testadas, não ocorrendo erro grave. Houve a presença de 14 erros

leves para os isolados testados. Em relação a voriconazol, como ainda não

foram definidos os pontos de corte de susceptibilidade, foi realizada apenas

análise descritiva dos resultados dos métodos de microdiluição e teste de

disco-difusão após 24h de incubação. Esses dados sugerem que apesar da

boa equivalência entre os métodos, o teste de disco-difusão tem melhor

performance na identificação de amostras susceptíveis e algumas limitações no

reconhecimento de amostras resistentes.

Finquelievich et al. (2003) conduziram estudo para avaliar o teste

de disco-difusão para fluconazol comparando os resultados com o método de

microdiluição em caldo padronizado pelo NCCLS M27-A2 (2002), sendo

testados 290 isolados de Candida spp. A concordância entre as duas

metodologias foi de 90%. Foram identificadas 258 amostras susceptíveis para

(41)

disco-difusão, com concordância de categoria de 99,6%. Houve 13 amostras

SDD para o teste de microdiluição e 21 isolados para o método de

disco-difusão. Em relação a resistência, houve 19 amostras para o teste de

microdiluição e 21 isolados para o método de disco-difusão. Não ocorreu erro

gravíssimo na correlação dos dois métodos. Entretanto, erro grave ocorreu em

1,03% dos isolados testados e erro leve em 8,97% das espécies avaliadas. Os

resultados sugerem que o método de disco-difusão tem boa correlação com o

teste de referência para determinar amostras susceptíveis a fluconazol. Já a

menor correlação entre as duas metodologias para SDD e resistência pode ter

ocorrido devido ao fenônemo in vitro conhecido como “trailing”, sendo

caracterizado pelo crescimento reduzido mais persistente de alguns isolados

de Candida spp. na presença de drogas fungistáticas. Este fenômeno pode

prejudicar a leitura e, por conseguinte, o resultado final do ensaio de

disco-difusão.

Pfaller et al. (2004e) avaliaram a acurácia dos resultados do teste

de disco- difusão comparado ao método de microdiluição em caldo a fluconazol

dos laboratórios participantes do projeto ARTEMIS. Foram selecionados 2.949

isolados de Candida spp. com significância clínica nos sítios de infecção

(sangue e sítios estéreis) causando infecção invasiva em pacientes de diversos

hospitais sentinela da América do Norte, América Latina, Europa, África e Ásia.

Estas amostras foram posteriormente enviadas para o laboratório central em

Iowa (EUA) para comparação dos resultados obtidos entre as duas

metodologias. Através de uma curva de regressão linear foram correlacionados

o tamanho do halo inibitório do teste de disco-difusão com os valores das CIMs

gerados pelo método de microdiluição. Foi realizado monitoramento do

diâmetro do halo do disco relatado em 54 diferentes centros médicos entre

2001 e 2002. A concordância entre as metodologias avaliadas foi maior para o

(42)

(87,4%). A concordância entre as metodologias foi maior para amostras de C.

albicans (97,7%) não apresentando erro gravíssimo, ocorrência de 1,4% dos

isolados com erro grave e 0,9% das amostras com erro leve. Para ensaios com

C. tropicalis houve concordância de 87,7%, apresentando erro gravíssimo em

7,3% dos isolados, 3,4% das amostras com erro grave e 0,6% de erro leve. A

concordância para isolados de C. parapsilosis foi de 85,5%, apresentando erro

gravíssimo em 9,7% dos isolados, 4,8% das amostras com erro grave e

nenhum erro leve. Houve menor concordância para os isolados de C. glabrata

(60,6%), com ocorrência de erro gravíssimo em 31,3% dos isolados, erro grave

para 7,4% das amostras e erro leve para 0,7% dos isolados. Este estudo foi de

grande importância para validação da performance do teste de disco-difusão de

acordo com o NCCLS M44-A (2004), no programa de vigilância antifúngica

entre os laboratórios participantes e o centro de referência em Iowa.

Baseado nos resultados mencionados anteriormente, o NCCLS

padronizou o método de disco-difusão através do documento M44-A (2004),

utilizando o meio MHA suplementado com dextrose e azul de metileno, o

tamanho do inóculo de 0,5 a 2,5x103 UFC/mL preparado com o auxílio de

espectrofotometria, a temperatura de incubação de 35oC e com tempo de

leitura de 24h.

O teste de disco-difusão proporciona um resultado rápido, de

baixo custo, não exigindo equipamento especial, proporcionando resultados

qualitativos de fácil interpretação, podendo assim ser utilizado em laboratórios

de rotina avaliando a susceptibilidade de espécies de Candida para discos de

fluconazol e voriconazol. Entretanto, é necessário cautela na interpretação de

resultados de disco-difusão em ensaios envolvendo amostras de C. glabrata e

C. krusei, onde o crescimento inadequado da espécie testada pode ocasionar

resultado de falsa susceptibilidade.

(43)

1.3 Resistência a amostras de Candida spp. no Brasil

No Brasil, são poucos os estudos disponíveis na detecção de

resistência a azólicos envolvendo um número significativo de amostras clínicas

de Candida spp.. Nos anos 90, alguns autores destacaram a ocorrência de

espécies de Candida resistentes a azólicos em pacientes com aids. Na era

pré-HAART (terapia anti-retroviral de alta potência), cerca de 50 a 90% dos

pacientes evoluíam com candidíase oral recorrente necessitando de uso

prolongado de azólicos e, conseqüentemente, a seleção de isolados

resistentes. Milan et al. (1998) conduziram o primeiro trabalho para determinar

resistência a azólicos frente a 109 pacientes com aids apresentando cultura de

cavidade oral positiva para isolados de Candida spp.. Os autores concluíram

que 21 (19%) dos pacientes avaliados apresentavam isolados SDD ou

resistentes a um ou mais azólicos, sendo que 18 destes isolados pertenciam a

espécies de Candida não-albicans.

Na era pós-HAART, Sant’Anna et al. (2002) realizaram estudo

multicêntrico para avaliar o perfil de susceptibilidade a azólicos de 142

amostras de Candida spp. isoladas de 130 pacientes com aids apresentando

candidíase oral. Os resultados deste estudo demostraram redução de 19%

para 11% na porcentagem de espécies de Candida apresentando SDD ou

resistência a azólicos comparado ao estudo de Milan et al. (1998). No ambiente

hospitalar, há crescente preocupação com a emergência de cepas resistentes

a fluconazol, particularmente nos EUA e Europa (Pfaller et al., 1998, Diekema

et al., 2002; Ostrosky-Zeichner et al., 2003; Almirante et al., 2005).

Estudo multicêntrico conduzido por Godoy et al. (2003) foi

avaliado o perfil de susceptibilidade a antifúngicos envolvendo pacientes

internados em cinco hospitais terciários da América Latina, reunindo 103

amostras de Candida spp. isoladas de hemocultura. Neste estudo, apenas um

isolado de C. albicans mostrou resistência a 5-FC, porém isolados de Candida

(44)

susceptibilidade preservada a anfotericina-B. Pode-se concluir que os isolados

de C. glabrata desta casuística apresentaram valores das CIMs menores para

fluconazol, o que se justifica pelo menor uso de fluconazol nos países da

América Latina, em contrapartida com os EUA e Europa.

Colombo et al. (2003b) determinaram a susceptibilidade a

antifúngicos frente a 200 espécies de Candida isoladas de hemocultura de

cinco hospitais terciários. Em relação a fluconazol foi observado resistência

somente para duas amostras de C. krusei e nove de C. glabrata, Apenas uma

amostra de C.albicans e um isolado de C. guilliermondii apresentaram SDD.

Em relação a itraconazol, apenas uma amostra de C. glabrata apresentou

resistência e 13 isolados (6,5%) exibiram SDD. Em ensaios com 5-FC, 3% dos

isolados foram resistentes. Para anfotericina-B foi observada resistência em

2,5% dos isolados (duas amostras de C. albicans e C. parapsilosis e um

isolado de C. krusei). Através deste estudo os autores concluíram que é

necessário realizar vigilância periódica no perfil de susceptibilidade para

detectar resistência a drogas antifúngicas.

Antunes et al. (2004) avaliaram a susceptibilidade a antifúngicos,

selecionando 120 isolados de Candida spp. provenientes do Complexo

Hospitalar da Santa Casa, Porto Alegre. Para as drogas antifúngicas testadas,

fluconazol apresentou SDD em 1,6% das amostras testadas. Já para ensaios

com itraconazol foi observado SDD em 14,2% das espécies avaliadas. Não foi

encontrada resistência aos antifúngicos testados, possivelmente devido ao

baixo consumo de fluconazol neste hospital.

Devido ao aumento da incidência de candidemias, vários

programas de vigilância têm sido implantados nos Estados Unidos da América

(EUA) para analisar a epidemiologia das infecções fúngicas, incluindo o

Programa Internacional de Vigilância das Infecções da Corrente Sanguínea

(SENTRY) e o Programa de Susceptibilidade Antifúngica Global Ártemis

(45)

O programa de vigilância SENTRY utiliza um laboratório central

para monitorar variação da susceptibilidade antifúngica e resistência em 74

hospitais sentinelas em 11 países. Desde 1997, um dos principais objetivos

deste programa é realizar vigilância de resistência antifúngica entre espécies

de Candida causando infecções na corrente sanguínea nos EUA, Canadá,

América Latina e Europa (Pfaller et al., 2001; Pfaller et al., 2002; Antunes et al.,

2004; Hajjeh et al., 2004).

TrabaIhos envolvendo o SENTRY, em centros nos EUA, Canadá

e América do Sul relataram que 2,4% das amostras de Candida spp. originadas

da América do Sul foram resistentes a fluconazol. Entretanto, o número de

cepas analisadas nos cinco centros da América do Sul que participaram deste

estudo foi muito pequeno (n=42) e, portanto, não foi representativo da

realidade epidemiológica destes países. Outro dado a ser citado é que o estudo

SENTRY não coleta nem analisa dados clínicos e epidemiológicos dos

pacientes dos quais os isolados são obtidos (Pfaller et al., 1998, Pfaller et al.,

2001).

O programa Artemis foi iniciado em 2001, contando com a

participaçäo de mais de 80 laboratórios em 35 países, incluíndo o Brasil,

promovendo monitoramento dos resultados de vigilância a fluconazol e

voriconazol frente a isolados de Candida spp. com relevância clínica. Além

disso, este programa auxilia na continuidade no desenvolvimento e validação

de vários testes de susceptibilidade, dentre eles o teste de disco-difusão. Os

isolados coletados nestes programas são enviados ao laboratório de referência

central em Iowa, sendo utilizados como ferramenta importante na detecção de

resistência principalmente com fungos emergentes. Claramente, os resultados

gerados por tais programas de vigilância servem como base para o tratamento

antifúngico empírico de diferentes grupos de risco (Pfaller et al., 2003; Hazen et

(46)

As publicações referentes a estes programas não permitem

análise acurada do fenômeno de resistência no Brasil, pois os resultados são

avaliados em conjunto com outros países da América Latina. No Artemis,

apesar de haver algum detalhamento de Brasil, não há informações sobre as

diferentes espécies de Candida e materiais biológicos. Sendo assim, estes

estudos sugerem que resistência a fluconazol em pacientes atendidos na

comunidade e no ambiente hospitalar ainda é pouco freqüente, e particularmente

relacionada a amostras de C. glabrata e C. krusei. Tendo em vista o crescente

uso de azólicos em esquemas de profilaxia e terapêutica empírica, é fundamental

a realização contínua de estudos de vigilância para detecção de amostras

resistentes a estes antifúngicos no sentido de otimizar as opções terapêuticas em

(47)

2. OBJETIVOS

(48)

A presente investigação tem por objetivos:

I – Estabelecer e correlacionar a distribuição de espécies de Candida identificadas com relação a diferentes materiais biológicos obtidos de pacientes hospitalizados.

II - Descrever o perfil de susceptibilidade pelo método de disco-difusão para as diferentes amostras de Candida spp. frente a discos de dois antifúngicos triazólicos: fluconazol e voriconazol.

(49)

3. MATERIAL E MÉTODOS

Referências

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