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Transformação estrutural, serviços e política industrial

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Transformação estrutural, serviços e política

industrial

7 de outubro de 20143 CommentsEconomia - Macro, Teoria EconômicaBy Pedro Cavalcanti Ferreira

Entre o imediato pós-guerra e meados dos anos setenta e início de 1980, a distância entre o produto por

trabalhador (e renda per capita) das economias latino-americanas e o dos Estados Unidos caiu

substancialmente. Foi um período de acelerada convergência. Após este período, e até anos recentes, a

dist ia au e tou. E t e e a o de pi o da o ve g ia , o p oduto po t a alhado

brasileiro (em ppp) foi de 16% do americano para 33%, enquanto que no México entre 1950 e 1976

ta o pi o da o ve g ia , o p oduto elativo foi de % pa a %. E a p odutividade

brasileira era apenas 23% da americana e a mexicana 38%.

Seria interessante tentar entender quanto deste fenômeno pode ser explicado por transformação

estrutural – mudança relativa do tamanho dos setores – ou por crescimento tecnológico dentro de cada

setor. A tabela abaixo apresenta uma decomposição da produtividade agregada de algumas economias da

América Latina com base na metodologia de McMillan e Rodrik (NBER, 2011). Este método divide o

crescimento agregado em uma parte de transformação estrutural (onde se congela a produtividade de

cada setor mas se permite a mudança observada nos tamanhos relativos dos setores) e outra de

es i e to te ológi o o de se o gela o ta a ho elativo do seto as se pe ite ue ada u esça às ta as o se vadas . No e e í io a ai o a olu a Ag eg ost a o es i e to da p odutividade ag egada, a olu a Te a po ç o deste crescimento explicada por fatores estruturais dentro de cada

seto po e e plo, uda ça de te ologia, e a olu a “t . T . ap ese ta a po ç o do es i e to

(2)

tempo vai de 1950 até o pico de convergência de cada país e depois do pico até 2005. Os setores são

agricultura, serviços e indústria.

Na aio ia dos países da egi o, de a eados da d ada de sete ta at o pi o , a ealo aç o de

mão de obra entre setores teve um impacto considerável na produtividade agregada. Ele explica 44% do

crescimento brasileiro de 1950 a 1980, e para períodos comparáveis, metade do crescimento agregado no

México, um terço no Peru, etc. Somente depois da maior parte da migração rural-urbana ter sido

completa, e a participação da agricultura na economia ser pequena, é que a contribuição da

transformação estrutural para o crescimento da produtividade é baixa ou negativa em alguns casos.

Este resultado é um pouco sensível ao período escolhido. Para 1990-2005 o processo de transformação

estrutural teve uma contribuição negativa em quase todos os países para o crescimento agregado, dado

que se observa uma migração de trabalhadores de setores mais produtivos (e.g. manufatura) para menos

produtivos (e.g., serviços, especialmente serviços pouco sofisticados como comércio). Isto é uma análise

de equilíbrio parcial. Se levarmos em conta que a produtividade nos serviços na América Latina é

relativamente baixa e que a da indústria é relativamente alta, qualquer movimento de mão de obra da

primeira para a segunda vai realmente diminuir a produtividade agregada, todo o resto constante.

O problema é o que o resto não está constante. Não há como afirmar que a contribuição do setor

industrial para o crescimento agregado possa ser muito mais elevada, mesmo se sua produtividade fosse

maior e o padrão de especialização de nossa econo ia o e to . A e os ue faça os algu a hipóteses

muito pouco razoáveis sobre elasticidade-renda da demanda por bens industrial vis-à-vis serviços (via de

eg a esta últi a aio e so e o ta a ho ideal da i dúst ia, o seto i dust ial te de a fi ar relativamente menor com o avanço do processo de desenvolvimento, e os serviços maiores. Por isso,

políticas voltadas para indústria terão um impacto agregado limitado: o que podemos alcançar, forçando

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beneficiaram alguns subsetores industriais específicos no Brasil (e de algumas outras economias da

região) teve muito pouco efeito nos setores visados, e muito provavelmente nenhum na produtividade

agregada. Se algo a o te eu foi o au e to das disto ções e isallo atio .

Neste sentido, no agregado duas coisas podem acontecer com a implementação de políticas setoriais com

o o jetivo de au e ta a p oduç o e seto es i dust iais de alta p odutividade . “e a p odutividade

cresce ainda mais do que o observado, o país necessitará de relativamente menos trabalhadores na

manufatura, uma vez que a demanda por bens industriais não vai crescer muito, de modo que o efeito

final sobre o PIB não será grande. Ou esses setores vão continuar a adicionar trabalhadores sem maiores

inovações (por causa de algum tipo de subsídio) de forma que a produtividade do setor cairia. Mais uma

vez, o impacto final no PIB será limitado.

A figu a a ai o ilust a este po to. É u a si ulaç o e a tigo eu o Leo a do “ilva Structural

Transformation and Productivity in Latin America o de utiliza os u odelo – bastante simples – de

equilíbrio geral com vários setores. Após 1980 mudamos a taxa de crescimento (filtrada) da produtividade

de um determinado setor pela sua taxa do período anterior, mantendo a produtividade dos dois setores

esta tes o o o se vado. Assi , a li ha I dust ve os ual se ia a t ajetó ia do PIB ag egado do

Brasil depois de 1980 se a indústria tivesse crescido às taxas do período de convergência (i.e., 1950-80) e

os serviços e a agricultura crescido às suas taxas observadas. Como se pode ver, e apesar da taxa de

crescimento da indústria ter sido duas vezes maior que a dos serviços no período anterior a 1980, o

impacto é limitado. Este resultado deve-se à realocação de mão-de-obra da indústria para os serviços,

que cresceu a uma taxa negativa de -1,7% no período 1981-2005: os ganhos com maior crescimento da

produtividade industrial são compensados em certa medida pelo menor nível e crescimento da

produtividade no setor dos serviços. Em contraste, o impacto de aumentar a produtividade do setor de

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Assim, talvez a questão fundamental de pesquisa é entender por que a produtividade no setor de serviços

é tão baixa no Brasil e na América Latina em geral, quais os subsetores que são responsáveis por esta

ineficiência e o que pode ser feito para melhorar o desempenho do setor. Um dos candidatos é a

edu aç o: todas as e o o ias se o e o o ias de se viços o futu o, as a uelas a u da tes e

trabalho qualificado irão se especializar em serviços mais sofisticados e produtivos – muitos deles

complementares (e.g., design, marketing, pesquisa, etc.) a atividades manufatureiras – enquanto as

economias com baixa educação se especializarão em serviços pouco produtivos.

Pedro Cavalcanti Ferreira

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