INDEXAÇÃO
TESE SUBMETIDA A CONGREGAÇÃO DA
ESCOLA DE POS-GRADUAÇAO EM ECONOMIA (EPGE)
DO INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA
PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
DOUTOR EM ECONOMIA
POR
DANIEL VALENTE DANTAS
RIO DE JANIERO, RJ
TESE
DE
DOUTORADO
APRESENTADA
À EPGE
V
de Oliveira
DA FUNDAÇÃO GETÜLIO VARGAS
CIRCULAR N» 28-B
Assunto: Defesa Pública de Tese Doutorai
Reformulando o disposto na Circular anterior, de 21/07/82,
comunicamos formalmente a Congregação da Escola que esta marcada para
o dia 11/08/82 (4a. feira), as 10:00h no Auditório Eugênio Gudin (IO9
andar), a apresentação e defesa pública da Tese de Doutoramento, inti_
tulada "INDEXAÇÃO", do candidato DANIEL VALENTE DANTAS.
Jã remetemos aos membros da Congregação copia da súmula da
referida Tese para, com antecedência, ser apreciada pelos Professores
da EPGE.
A Banca-Examinadora "ad hoc" designada pela Escola serã com
posta pelos doutores: RUDIGER DORNBUSCH, ANTÔNIO CARLOS PORTO GONÇALVES,
URIEL DE MAGALHÃES e MARIO HENRIQUE SIMONSEN (presidente).
Com esta convocação oficial da Congregação de Professores
da Escola, estão ainda convidados a participarem desse ato acadêmico
todos os alunos da EPGE, interessados da FGV e de outras Instituições.
EPGE/iSRE
m *
Oi
Rio de Janeiro, 26 de julho de 1982,
enrique Simonsen
LAUDO SOBRE TESE DOUTORAL
Tendo examinado a Tese de Doutorado de DANIEL VA
LENTE DANTAS, entitulada "INDEXAÇÃO", considero se tratar de
um trabalho que espelha o uso adequado do instrumental de aná.
lise econômica, tendo sido realizado da forma mais abrangente
possível, a ponto de oferecer uma clara visão geral do tema
tratado. Em particular, louvo a competência e argúcia reve
ladas pelo candidato na abordagem do tema.
Assim, tendo em vista a importância desse tema e o
grande esforço de análise realizado pelo candidato, considero
sua Tese aprovada e atribuo-lhe o grau 10,0 (dez).
Rio de Janeiro, 11 de agosto de 1982
w
URIEL DE MAGALH ES - Professor da EPGE
A-4 Formato Internacional
LAUDO SOBRE TESE DOUTORAL
Como integrante da Banca Examinadora, designado pe
la EPGE para julgar a tese doutorai intitulada "INDEXAÇÃO",do
candidato ao título Sr. DANIEL VALENTE DANTAS, apresento as
seguintes ponderações que justificam meu voto e grau:
1) 0 tema é de extrema relevância na atual situação econômica
brasileira e mundial;
2) 0 candidato demonstrou sobejamente conhecer o assunto com
profundidade, fazendo um excelente e original trabalho te
órico, chegando a conclusões muito interessantes.
Assim, sou de parecer que a referida Tese seja
a-provada e outorgado o título pretendido pelo candidato e au
tor deste trabalho, atribuindo-lhe a nota ou grau 10 (dez).
Rio de Janeiro, 11 de agosto de 19 82
/
- /
Antônio Carlos Porto Gonçalves
Professor da EPGE/FGV
A-4 Formato Internacional
LAUDO SOBRE TESE DOUTORAL
Tendo examinado o trabalho "Indexação", submetido
pelo Sr. DANIEL VALENTE DANTAS, â congregação da EPGE, como Tese,
para obtenção do título de Doutor em Economia, recomendo sua
aprovação como tal conferindo-lhe o grau 10 (dez).
Rio de Janeiro, 11 de agosto de 1982
/
EPGE/iBRE
Rudiger Dornbusch,
professor do MIT (USA) e
professor-visitante da EPGE
A-4 Formato Internacional
LAUDO SOBRE TESE DOUTORAL
Como membro integrante da Banca Examinadora designa
da pela EPGE para julgar a Tese de Doutoramento, intitulada "IN
DEXAÇÂO", do candidato ao titulo, Sr. Daniel Valente Dantas,
a-presento as razões que justificam meu voto e grau:
1 - Considero o trabalho muito bem elaborado tecnicamente reve
lando apreciável conhecimento da macroeconomia moderna.;
2-0 trabalho contem várias contribuições teóricas originais
e trata de assunto da máxima relevância para a economia brasi
-leira.
3 - Embora represente primordialmente uma tese teórica, ela
contem uma serie de adendos empíricos bem desenvolvidos em mate
ria de técnicas quantitativas.
Nessas condições, sou de parecer que a referida te
se seja aprovada e outorgado o título de "Doutor em Economia",
pretendido pelo candidato e autor deste trabalho,atribuindo-lhe
a nota ou grau 10 (dez).
Rio de Janeiro, 11 de agosto de 1982.
g
EPGE/IBRE
enrique
firetor
Simonsen
da EPGE e Presidente
da Banca Examinadora
Ao Professor Mario Henrique Simonsen, sem cuja inspi
ração, e assistência permanente não teria sido realizado este
trabalho.
A John Andrew de Oliveira Harris, pela inestimável
colaboração
Ao Professor Rudiger Dornbusch, pelo estímulo, pela
valiosa colaboração e o benefício dos seus comentários.
A Angélica Maria de Queirois, pelo auxílio com os
dados e regressões.
A Maria Alice, por todo o trabalho.
Aos que por tantas formas tornaram este trabalho pos
i - introdução pg m oi
II - O MODELO DE JO ANNA GRAY - Versão estendida pg. 06
III- INDEXAÇÃO DEFASADA pg. 62
IV - MODELO DE INDEXAÇÃO COM ECONOMIA ABERTA pg. 74
1 - MODELO COM CONTRATOS POR TEMPO INDETER
MINADO pg.106
2 - INDEXAÇÃO ÓTIMA pg.123
3 - INDEXAÇÃO DEFASADA pg.135
V - INDEXAÇÃO DE IMPOSTOS pg.145
VI - INDEXAÇÃO DE TÍTULOS pg.154
VII- CURVA DE PHILLIPS (Estimativa para o Brasil) pg.196
VIII CORREÇÃO MONETÁRIA pg.210
A idéia de reajustar valores contratados na propor
ção de algum índice de preços previamente estabelecido, não
é nova. Foi explicitamente proposta por John Wheatly (38)- es
critor inglês sobre assuntos monetários - e defendida por
Alfred Marshall (31) e Irwing Fisher(15).
Friedman (20), num artigo publicado em 1974, recomen
dou a indexação como meio de facilitar o combate a inflação.
Sua linha de raciocínio baseava-se em dois argumentos, o
primeiro de consistência lógica discutível, o segundo, emb£
ra absolutamente consistente, pecava por ser válido apenas
em condições particulares. No primeiro Friedman recomendava
a indexação dos títulos da dívida pública, das faixas do im
posto de renda progressivo, e até de depósitos. Esta indexa
ção certamente reduziria o ganho fiscal que o governo tem
com a inflação, ele então conclui que por isto a propençãodo
governo de utilizar a inflação para financiar seus gastos
aumentaria a pre-disposição do governo em combater a infla
ção. Esta conclusão, no entanto, é discutível. Argumentam
Fellner (13)e Bernstein (7) que a indexação aumentaria o
déficit do governo e portanto ter-se-ia mais inflação. Os
dois argumentos assemelham-se aos efeitos renda e substitui
ção na teoria do consumidor. Friedman implicitamente cons^i
dera o efeita substituição mais forte, o argumento de
Fellner e Bernstein justamente lembra a existência do efei
to renda. Assim sendo, é" possível que embora o custo de obter
recursos via inflação aumente com a indexação, o governo ao
primeiro distúrbio orçamentário, pode ser compelido a infl£
cionar a economia mais do que faria na ausência de indexação,
a fim de financiar seus gastos. Alêa do mais, como a vida
com a inflação fica facilitada na presença da indexação, ê
possível que os governos se tornem menos hesitantes em per
mitir a alta dos preços.
0 segundo argumento de Friedman é" que o combate a
inflação em uma economia indexada ê" mais fácil. Isto porque
evita os problemas causados pela defasagem das expectativas.
flacionárias e portanto não faria com que os custos reais
dos fatores de produção, cujo fornecimento realmente envol
ve contratos a preços pre determinados, acompanhasse as flu
tuações dos preços dos produtos. Assim sendo, seria evitada
a transitória crise de estabilização, que normalmente acom
panha os combates inflacionãrios.
0 tipo de indexação recomendado por Friedman, no
entanto, não é encontrado na maioria dos países. Encontra-se
com freqüência correções monetárias defasadas como aproxima
ção da indexação perfeita. Embora semelhante na forma, a in
dexação defasada traz efeitos bastantes diversos da em bases
correntes. A indexação defasada ao invés de eliminar a in
terveniência da inflação passada na formação dos preços, que
em uma economia não indexada se dá via expectativas inflacio
nãrias, justamente institucionaliza esta intervenção, tornan
do desastrosas as conseqüências do combate ã inflação sobre
o produto e o emprego.
0 que foi esquecido nas recomendações Friedmania
nas foi justamente a possibilidade da economia ser submetida
de preços perder algumas dimensões, não havendo portanto ga
rantias da existência de um equilíbrio onde o valor de todos
os excessos de oferta são nulos. A economia fica incapacita
da de se ajustar ãs novas condições, devido a perda de fie
xibilidade dos preços relativos. Quando submetida a um cho
que de oferta desfavorável o desemprego aumenta, os preços
sobem, o balanço de pagamentos se desequilibra.
0 próprio Friedman, depois, reconheceu que caso a
economia fosse submetida a um choque de oferta, realmente se
ria preferível que não houvesse uma indexação perfeita. 0
que provavelmente o levou a desconsiderar os choques de ofer
ta, ao propor a indexação como receita de estabilidade, foi
o comportamento da década de 60. Nesta década os choques fo
ram na sua maioria positivos, estas pertubações simplesmen
te tsndiam a aumentar o emprego e o produto caso ocorressem
em uma economia indexada. Neste contexto realmente não ha
via dúvidas que era conveniente indexar as economias, não
sendo portanto motivo de perplexidade o grande número de de
fensores encontrados.
predominância dos choques negativos fez que fosse visto o
lado perverso da indexação. A parcela de sacrifício que nor
malmente recai sobre o salário a indexação impõe ao emprego.
£ grande a atual preocupação dos economistas quan
to aos efeitos da indexação, não só por interesse teórico
mas também como forma de estudar a sua conveniência e de que
forma seria preferível que se desse.
Economistas como Stanley Fisher, Jo Anna Gray,
Robert Barro, David Levari, Nissan Leviatan e outros tem se
dedicado aos estudos dos efeitos deste tipo de arranjo sobre
as variáveis macroeconômicas.
Existem vários modelos de indexação. Encontra-se
inclusive algumas divergências conceituais, como por exem
pio, os partidários das teorias de neutralidade que afirmam
ser inócua a indexação. Outros mostram que esta tem efeito
instabilizante do lado da oferta. Este trabalho se propõe a
analisar e comentar alguns dos trabalhos que parecem mais im
portantes na área; estende-los tirando algumas conclusões
adcionais das axiomãticas originais, criticá-los e aparesen
estudando
áreas,
ou
pontos,
específicos
não
cobertos
pela
teoria vigente.
Na segunda parte haverá uma descrição da indexação
adotada no Brasil e uma apreciação dos resultados.
D MODELO DE JO ANNA GRAY
Jo Anna Gray (22) conclui que a indexação, embora
isole a economia das perturbações monetárias, exacerba os
efeitos sobre o emprego e o produto dos choques de oferta. Es
tuda uma economia sujeita aos dois tipos de choques (monetá
rios e reais) e mostra que a indexação perfeita não seria o
remédio ideal para curar a incerteza monetária. A análise
chega a um grau ótimo de indexação que depende da estrutura
estocãstica das perturbações que a economia esta sujeita. Nas
conclusões do trabalho estão o fato do estímulo a indexação
depender da variância da inflação e não do seu nível. E que
em presença de choques de oferta o esquema ótimo de indexa
ção não neutralizaria completamente as pertubaçoes monetã
rias. Assim uma política que aumente a variância desta tra
O MODELO
Supõe uma economia com um estoque de capital fixo:
Yt
= at
GCLt)
at
=
1+ut
= KPtYt K = 1
Onde
Y = renda no período t
G() e a função de produção
M = oferta monetária
M = demanda por moeda
Pt = nível de preços em t
e, u são perturbações estocasticas com nédia 0,0 e
matriz de variância covariância r~ 9c ° ~\
L o ou J
L = mão de obra empregada em t
Assume que a produção ocorre em cada período dis
creto. No início deste período ê contratado o salário W* e
o parâmetro de indexação (y). Tanto W quanto Y são contrata
aleatórias
O salário W* é estabelecido de forma a igualar a
oferta com a demanda de mão de obra, supondo-se que as varia
veis £ e ut assuma seus valores esperados. Gray reconhece
que esta regra de contratação salarial é absolutamente ad
hoc e que não há razão para supor que o equilíbrio de merca
do resulte em algo assim Porém utiliza este expediente pois
elimina um número grande de complicações analíticas.
Como apreocupação do trabalho são os efeitos da in
dexação e não estudar o comportamento dos contratos diante
de incerteza, Gray justifica este expediente como capaz de
simplificar a analise conservando os resultados relevantes.
0 emprego é determinado pela demanda de mão de
obra após o conhecimento do valor dos choques. A obtenção do
nível de produção ê imediata, utilizando-se a função de pro
dução.
Será estudado, inicialmente, os impactos sobre o
produto, emprego, salários e preços dos choques considerados
separadamente, no contexto de indexação total e de não haver
A não existência de indexação de acordo com a re
gra de contratação de Gray eqüivale a tomar W como constaja
te. A indexação perfeita, por sua vez, é" equivalente a afir
mar que v: é" constante.
(1) - ECONOMIA SUJEITA A CHOQUES MONETÁRIOS APENAS
Y = G(L),
Ld
= f (w),
w =
W/P
Cl + e) M = KPY,
Da equação de equilíbrio obtemos
(1) (1 + e) M = K (W/w) G (f (v) )
Quando e cresce, a demanda por moeda deve crescer
imediatamente para equilibrar o mercado monetário. Assim,
LP (P = W/w) ou Gf (w) devem variar. Caso a economia seja in
dexada w é" constante portanto W tem que variar na mesma pro
porção que (1+e) a fim de reestabelecer o citado equilíbrio.
0 emprego e a produção se manteriam inalterados, pois são
função de w.
No caso da economia não ser indexada W ê constan
te portanto fica encarregado de reestabelecer o equilíbrio.
Como w afeta G parte do ajuste da demanda ocorre via altera
preços - (W/w) . Sendo assim, o emprego e a produção são afe
tados pelas variações monetárias.
Formalmente:
. (a) Economia indexada,
dw = O
Tomando o logarítimo neperiano da equação (1)
ln(l + e) + lnM = lnk + mW - Iihd + In G(f(ü)))
Difereneiando-se
dln (1 + e) = dlnw - dlnco + d In Gf
ou
dCl + e) = dw - dw + G' £' friw
1+e W w g [_
Como Y = G(L) G'(L) =
L = G'"\w)
= f (w)
-> £' (w)
=
1
G"(L)
d
Çl + e)
= _dJV_
-
dw
+
G'w
f
dw
1+e W W GG"
A economia estando indexada d. = 0
d(1
+ O
=
dw
1 + e
dF
(1 + e)
1 + e
dG/G
w
= 0
dP/P = dW/W pois w é constante.
w = W/P dw dw dP
w w
Logo a indexação protege o emprego e o produto dos
choques monetários caso a economia esteja perfeitamente in
dexada.
(B) Economia nao indexada,
dW = 0
dÇl+e) = dW
1 + e w
dw + G'w
w GG"
dw
w
dw/w
dÇl + e) G'w - 1
GG"
Como w = G'(L) Então
d(w/w) cg* -: GG" G'/G -C/G1 dlnG -1 dlnG' dlnG dlnG1
Representa a elasticidade do produto
com relação à produtividade marginal do
trabalho.
dP dw dP/P
w 1- dlnG
dlnG'
dG /dÇl + i
G /
l + i
= dlnG/d dlnG nG' -1dF = d/G"
dÇl + u) dlnG - 1
1 + u dlnG'
O denominar dlnG - 1 pode ser interpretado como
dlnG1
composto de duas componentes. A primeira dlnG, representa
dlnG
a variação no produto causada pela variação no salário real.
Assim os preços, por exemplo, têm que subir, a fim de equili
brar o mercado monetário quando a economia é submetida a um
choque monetário positivo, apenas de uma parcela deste cho
que, pois a subida do preço deprime os salários que por sua
vez aumentam o produto e portanto a demanda por moeda.
(2) - ECONOMIA SUJEITO A CHOQUES DE OFERTA APENAS:
MS
=
M
Da equação de equilíbrio no mercado monetário, de
forma semelhante obtem-se
(2) M = K(W/w) Cl+u) G Cfw/(l+u)) g(w/1+u) < 0
Sendo M dado, um crescimento e u tem que ser contra
balançando por alterações em W, w, e G( ). Caso a economia es
teja indexada, VJ ê constante e portanto w irá variar no mes
percen-tual de w é menor em módulo do que a que ocorreria em W ca
so a economia fosse indexada. Isto é w constante.
Formalmente:
Tomando o Log e diferenciando a equação [2)
obtém-0 = dW - dw + d (1+u) + G'f
W w (1+u) G
dw w d (1+u)
(1+u) (1+u) 1+u
Como U = (1+u) G(L) .'. (1+u) G'(L) = w .'. G'(L) = (w/l+u)
L = G1"1
(w/l+u)
= f(w/l+u)
Então f (w/l+u) = 1/G"(L)
Donde
0 = dw - dW + d (1+u) + GT
W w (1+u) G
dw
1+u
w d (1+u)
1+u 1+u)
Logo
Se a economia estiver indexada dw = 0
Como
0 = dW + d(l+u) - G1 (w) d(l+u)
W 1+u GG" (1+u) 1+u
G'(L)
Ou
W
d(l+u) =
-1+u
1 - G'G'
G G"
< O
pois G"< 0, G'> 0
G >0
dW /d(l+u)
W /
1+u
1 - dlnGdlnG'Como dv? = 0
dP /d(l+u)
P /
1+u
= dl?
W /
/d
(1+u)
1+u
1 - dlnGdlnG'A intuição econômica por traz deste resultado - 1 dlnG
dlnG1
e a seguinte:
(1) representa o impacto direto do choque de ofej_
ta sobre o produto dlnG/dlnG/' considera a variação no
produto induzida pela variação na produtividade marg.i
nal, que foi provocada pelo choque de oferta. Esta va_
riaçao nao foi repassada para os salários reais pois
a economia encontra-se indexada dw = 0. Em virtude da
_ equação de demanda por moeda e da hipótese de ofertamo
netlria constante, a variação percentual no produto é"
igual a variação percentual nos preços (com sinal tro
dF /d(l+u)
/
d(l+u)/
1+u
G"
1+u
w = -G' G" = - dlnLdlnG'O resultado acima corresponde a elasticidade da deman
da de mão de obra com relação â produtividade marginal
do trabalho.
dG/G 1 - G'/G
G"G'
1 - dlnG
dlnG'
b) Se a economia nao estiver indexada dW = 0
A equação de equilíbrio fica sendo:
0 = - dw + d(l+u) + _GJ_
w 1+u GG"
w
1+u 1+u 1+u
dw dÇl+u) = 1
w 1+u
Se G'w - 1
GG"(l+u)
0 que ê imediato pois G'>0,G>0
G"< 0.
Como dw = ãV - dP
w W P
- dP/P d(l+u) = -1
1+u
Quanto ao emprego
dF = 1
G"
dw _ w d(1+u)
1+u 1+u
G!
Y^í
~
d(l+u)~j
O smprego, portanto, fica inalterado. A variação nos
salários reais provocado pela variação dos preços ab
sorve toda a variação na produtividade gerada pelo cho
que de oferta. Assim não há variação no emprego.
Esta conclusão é muito particular, decorre apenas
das simplificações do modelo não sendo pois provida de
maior significância. £ fruto da hipótese de elasticida
de renda de moeda unitária em conjunto com a forma com
que os choques de oferta são transmitidos ã produtivi
dade marginal do trabalho. Se adotadas hipóteses dife
rentes deixaríamos de obter este resultado (ver Simon
sen (4), Fischer (17J.
Importante é" perceber que de qualquer forma o em
prego fica menos sensível aos choques de oferta se não
houver indexação.
dG
/d(l+u)
= 1
G /
1+u
Apenas o efeito direto do choque de oferta se
transmite ao produto já que o emprego fica constante.
Economia sujeita a choques puramente monetários
dw d(l+E)
w 1+ e
dK d(l+e)
W 1+ e
dF d(l+e)
1+e
dP/P d(l+ e)
1+ e INDEXADA 0 + 1 0 + 1 NAO INDEXADA
1 dlnG - 1
dlnG1
0
l/G'
/dlnG
- 1
/ dlnG1
-1 dlnG - 1
dlnG'
Economia sujeita a choques purante de oferta
dw/w d( 1+u)
1+u dW/W d(1+u) 1+u dF d(l+u) 1+u dG d(l+u) G 1+u dP d(l+u) P 1+u INDEXADA 0
dlnG - 1
dlnG'
- dlnl/dlnG1
1 - dlnG
dlnG'
dlnG - 1
dlnG1 NAO INDEXADA 1 0 0 1 -1
Gray, portanto, mostra que a indexação, embora proteja
choques de oferta, plis exacerba seus impactos sobre
emprego e a produção.
Daí surge a questão da existência de um grau ótimo
de indexação.
INDEXAÇÃO ÕTIMA
Particularizando o modelo:
1 - Log Y = 6 Log L + u
2 - Log
MS
= Log M
+ g
3 - Log
Md
= Log
K + Log
P + Log
Y
4 - Log
Ms
= Log
Md
5 - Log L = -n (Log vr - u ) + n Log <5 n = 1/(1-6)
6 - Log L = üjLog w + n Logo
n Log 6 ê tal que Log w* o equivalente certeza de Log w seja
nulo.
Gray postula que os "decision makers" são neutros
ao risco e têm expectativas racionais. Postula, também, uma
função de perda de bem estar social:
Z = E f~(
Log
Y - Log YQ
)
Log Yo = 6 Log LQ + u
Onde, Lq representa o nível de emprego que resulta
da intercecção da demanda e oferta de mão de obra, se na eco
nomia não houvesse custos de transação. Neste caso, o equilí
brio entre a demanda e a oferta de mão de obra, após a reali
zação das variáveis aleatórias, se daria em L .
o
A construção de Z tem o intuito de aproximar-se do
excedente do consumidor perdido com o desuso do produto do
nível ótimo.
Contrata-se neste modelo o salário base W, o parâ
metro de indexação é fixado de forma a maximizar o bem estar
social.
Assim,
Log Y = ôn (Logw - u) + u + &n Logo
Log w = Log W - Log P
= Log
W*
+ o
(Log
p _ Log
P*)
- LogP
Y = Log W - Log W"
Log P - Log P*
0 asterisco representa o equivalente certeza. Da
forma com que Gray constrói corresponde aos valores que se
E sempre possível fixar Log W* = 0 > Log W* = Log P*
Logw = (Y - 1) (Log p - Log P*)
(I)
Log
Y = - Sn
í~(ô
- 1) (Log
P - Log
P*)
- u ~] + u + 'Ôn Logo
De 2 e 3
Log P = Log M + e - Log K - Log Y
Colocando e = u = 0
Log P* = Log M - Log K - Log Y*
Log Y* = ôLog L* = ôn Logo
Log P - Log P* = e - Log Y + ôn Logo
Combinando esta equação com (I), temos:
(II) Log Y = Ôn (1 - y) e + yn + u + Ôn Logo
1 + ôn (1 - y)
Log Y = ôLog L + u
De 5 e 6
Log LQ = u n) +ôn Logo
Log YQ = ônu (oi/(w+ n) + u + ôn Logo
Donde
7 *2
Z = ô n Vu Y
1 + ôn (1-a) lü + n + v
-|2
-Onde Vu e Ve são as variâncias de u e e.
A maximizaçao do bem estar social seria obtida es
colhendo y de forma a minimizar Z.
Assim
yo
= <f, +
(1
- <j>)
pü/Cl
+ w)
I
* =
v£
n
Cl
+ m)
~| Vu
+ Ve
to + n
Caso V = 0
Yo = | a)
ti)
to
1 + 0)
0 racionale por traz disto está na observação de
que algum grau de exposição da economia ao choque de oferta
ê desejável.
Da
forma com que
foi
construído
o modelo
(hipõ
tese de elasticidade renda da moeda unitária é a transmição
do choque de oferta ao produto marginal conforme especifica
Gray) o produto potencial YQ fica entre o que seria obtido
caso a economia não fosse indexada Y* e o que se obteria com
Caso Vu = 0 Y = 1
A indexação total maximizaria o bem estar social
no sentido de Gray. Isto pois tornaria o emprego, salário
real e produção invariantes à política monetária.
No caso da economia ser sujeita a ambos os tipos
de choques a indexação ótima estará entre os dois extremos,
combinação linear entre eles com os pesos (4>) e (1 -<}>).
Gray mostra também que no caso de uma economia su
jeita a choques de oferta real, e "otimamente" indexada um
aumento de variância monetários imporia uma perda de bem es
tar ã sociedade. Esta conclusão não era obtida nos modelos
que consideravam apenas choques monetários.
Formalmente:
dZ = ÔZ/ÔV + (ô Z/ÔY ) (dy /dV )
£ O O £
dV
- 2
= ô2
n2
(1 - > 0Comentários:
Cl) 0 modelo de Gray não pressupõe qualquer rela
contratual é absoluta durante o período de produção e
nenhuma entre um período e outro. Certamente seria
mais realista supor que existisse alguma flexibilidade
durante o período de produção e também alguma dependên
cia no salário de um período para outro. Este tipo
de resultado pode ser obtido através da consideração
da existência de custo de transação em conjunto com um
modelo de otimização intertemporal. Afinal a existên
cia de contratos decorre justamente destes custos en
volvidos em negociar a cada instante os preços e quan
tidades .
(2) Outra restrição do modelo de Gray esta em consi
derar que uma vez acertado os salários a demanda de
mão de obra determinará o emprego. Isto seria natural
caso a demanda sofresse uma retração, já que as erapre
sas são livres para dispensar seus empregos. No caso
de haver um aumento na demanda trabalho, não existe
qualquer explicação dos motivos que levam o emprego a
níveis superiores ao que os trabalhores estão dispôs
forçados. Gray toca neste ponto e afirma que seria po:s
sível adotar como regra que o emprego seria dado pelo
mínimo entre a quantidade demandada e a ofertada. Cer
tamente esta hipótese seria mais realista, porém envol
veria a perda da linearidade do modelo, que resultaria
em maior complicação analítica, ou um aumento do irrea
lismo da hipótese de contratar com base no equivalente
certeza.
Poderia no entanto ser apresentada algumas razões
para que a demanda de mão de obra determinasse o emprego. En
tre elas estaria a hipótese de que no mercado de trabalho o
salário de equilíbrio estaria acima do que tornaria a deman
da de mão de obra igual ã oferta. As implicações desta hipó
tese encontra constatação empírica. Por exemplo, normalmente
os indivíduos não são indiferentes a trabalhar ou não. As. em
presas demitem muito mais do que os indivíduos pedem demis
-são. 0 desemprego existe sempre em alguma escala sem que o
salário caia a zero.
Este ponto será estudado mais detalhadamente mais
dutividade depende do salário e não só do volume de emprego
(ver Simonsen (42) pg. 243). Porque empregados mais bem pa
gos trabalham melhor, ou porque por pagar-se mais
consegue-se melhores empregados. Ou na linha do Phelps (33) por com
petição oligopolista no mercado de trabalho. 0 empregado
procura maximizar a esperança de seu ganho e isto implica em
pedir sempre um salário maior do que o mínimo pelo qual es
taria disposto a trabalhar. A medida que não consegue empre
go vai revendo a distribuição de probabilidade associada ao
seu emprego e cada vez exigindo menos. Assim em épocas de
grande desemprego, como a probabilidade de conseguir empre
go ê menor, os contratos se darão próximos do mínimo exigi
do pelo trabalhador.
(3) Uma 3a. restrição do modelo está na hipótese
de contratação com base no equivalente certeza das va
riáveis aleatórias. Isto ê, contratar como se fosse
certo que as variáveis assumiriam seus valores espera
dos. Na primeira parte do artigo, Gray supõe u e c
com média zero e distribuição simétrica. A contrata
seus valores esperados. Isto é, diferente de contratar
o valor esperado de W. £ interessante notar que, com
esta regra de contratação quanto maior a variância dos
parâmetros estocásticos maior a discrepância entre Evr
e w* . Não existe qualquer razão para supor que as re
gras de mercado poderiam levar a esta forma de contra
tação. A autora no entanto argumenta que este é um ex
pediente que tem como intuito apenas simplificação ana
lítica com a virtude de não alterar as principais con
clusões do mercado.
No segundo modelo, o Log linear, a regra de contra
tação corresponde ao que seria com expectativas racionais ,
uma vez que a esperança de uma transformação linear de varia
veis aleatórias ê a transformação linear da esperança destas
variáveis. Para maior consistência, no entanto, ê necessário
justificar o que levaria os agentes econômicos a contratar
de acordo com a esperança do seu logarítimo.
(4) A função de perda de bem estar social Z propôs
ta por Gray é ad hoc. Nada garante que o equilíbrio de
uma boa representante da perda do excedente do consumi
dor envolvida nas discrepancias entre Y e Y , não há
porque supor que represente realmente os custos so
ciais. Esta função não associa qualquer desutilidade
na instabilidade dos preços. Considera apenas as osc^
lações no produto como geradora de custos sociais. Foi
necessária a introdução de um planejador central que
com o objetivo de maximizar o bem estar, encarando a
função Z como custo social, fixa y . Não há porém por
que supor que o mercado contratasse esta forma, para
ser mais exato, não há porque supor que o mercado le
varia a contratos de indexação parciais na forma
des-crita, uma vez que certamente seria possível condicio
nar os salários aos choques de oferta, ou pelo menos
estabelecer condições para que sejam revistos os sala
rios reais diferentes da indexação parcial.
(5) Gray supõe que a correlação entre e, eu seja
0. Isto varre qualquer possibilidade da política mone
tãria servir para acomodar os choques reais. As con
sujeita a choques reais, certamente seriam afetadas ca
so COV(£,u) <0 seria talvez conveniente reduzir a in
dexação, para que os choques de oferta pudessem ser neu
tralizados em parte pela política monetária.
Caso COV(£,u) f 0 a função Z se transformaria em:
Z = ô n
Vu
y
_
oo
Ve
(1-y)
L +. 2C0V(e,u)
(
[l+
n(l-Y)
il6(l)
/
y(i-y)
cü (1-y)
)
1
No modelo de Gray, caso Vu ou V = 0 seria sempre
possível indexar parcialmente a economia de forma a tornar Z
= 0. Ou seja, eliminar a variância (Y-Y ). Caso a economia
estivesse exposta aos dois tipos de choques não existiria
possibilidade de se escolher y|VAR(Y-Y )= 0. Caso a
C0V(e,u) ^ 0 o resultado da indexação ótima é alterado.
Se C0V(e,u) >0*, a política monetária age procicli_
camente, com maior probabilidade ocorrem choques de oferta e
de demanda de mesmo sinal. Nestes casos o grau ótimo de inde
xação cai. Outro efeito interessante ê que a variância de
(Y-Y ) , quando a economia tem o grau de indexação inferior ao
* Estes resultados podem ser obtidos tomando as de
ótimo, é menor quando a COV(e,u)> 0. Isto, embora pareça es
tranho à primeira vista, decorre apenas do uso da equação
quantitativa da moeda em conjunto com a hipótese de transmis
são dos choques de oferta para o produto a pleno emprego ,
adotada por Gray. Assim por exemplo, se a economia não for
indexada e yótimo for maior do que zero, quando a economia é
submetida a um choque de oferta, o emprego fica constante
em razão do ganho de produtividade ser totalmente repassado
i
i
para o salário, embora o produto a pleno emprego, fruto da '
interseção da nova curva de demanda com a curva de oferta de j
!
mão de obra, se desloque. Caso houvesse simultaneamente um
aumento na oferta de moeda, os preços, que cairam em virtude i
do choque de oferta, subiriam de novo e aproximaria o produ
to do produto a pleno emprego. Portanto a variância de
(Y-Y ), sujeita as restrições de y= 0 e y > 0, se reduz se
p(c,u)E COV(e,u)/o£au = 1. Como jã era de se esperar, se
COV(e,u)< 0 a variância de (Y-Y ) quando a indexação está no
grau ótimo y ê menor, do que se COV(e,u)= 0 e mais Z (y ) é
função não decrescente de p(£,u) quando p(e,u)< 0. Se p(e,u)
Seria natural admitir que p(e,u) <0 uma vez que os
governos de alguma forma se esforçam para compensar os cho
ques com a política monetária. Naturalmente a hipótese im
plícita no modelo de que quando o choque de oferta for neg£
tivo e a economia não estiver indexada, o produto a pleno
emprego cairia abaixo do emprego efetivo. Reduzir a variân
cia de (Y-Y ) implicaria em reduzir o emprego para
ajustá-lo ao pleno emprego, isto dificilmente poderia ser espera
do de um objetivo de política econômica. 0 problema aqui
está ligado ao irrealismo da hipótese de equilíbrio no mer
cado de trabalho, provocando em certas circustâncias que
pessoas tenham que trabalhar embora não estejam dispostas
a tal. Se fosse admitido uma hipótese semelhante a Y=F(L,w)
onde o produto depende não só da quantidade de mao de obra
empregada, mas do estímulo de cada empregado no emprego. ,
seria possível contornar o problema. Este estímulo poderia
ser representado pelo salário to e S(u))/L, ou seja, a ofer
ta ao salário (to) dividido pela quantidade empregada. As
-sim um empregado seria tanto mais estimulado a produzir
a oferta e a demanda de trabalho a este salário . Neste ca
so, o emprego se equilibraria ex ante, sempre aquém da ofer
ta de mão de obra (ver Simonsen (42) pg. 243). Ocorrendo um
choque de oferta seria possível que o emprego aumentasse e
superasse o ponto de equilíbrio ex post sem implicar em tra
balhos forçados. Porém, nestas circunstâncias o emprego po
tencial L - definido como nível de emprego que equilibra
-ria a "demanda" e a oferta caso os agentes soubessem ao con
tratar o valor dos choques - não seria õtimo de Paretto, e
portanto não haveria sentido em minimizar (Y-Y ) como obje
tivo de política econômica.
Partes das conclusões do modelo se devem i defici
ências nas hipóteses adotadas, o que de certa forma não é
possível evitar. Porém convém analisar quais são as implica_
ções da indexação em si e quais as implicações que decorrem
das simplificações adotadas. 0 que será feito a seguir, com
parando este modelo a outros, que analizan o mesmo problema
partindo de hipóteses ligeiramente diferentes.
Stanley Fisher (17) desenvolveu em 1977 um modelo
xação protege o produto e o emprego dos choques de demanda,
mas aumenta sua vulnerabilidade aos choques de oferta.
Comentarei uma versão do Professor Simonsen (40)
do modelo Fisher-Gray, pois esta versão além de tratar am
bos como casos particulares do lado da oferta, utiliza uma
descrição mais geral da demanda agregada que, mais uma vez
tem a descrição de Fisher e Gray como caso particular.
MODELO
(1) Yt = at + b(Pt - wt) + ut
Y = Log produto real
P = Log nível de preços
i\ = Log do salário nominal
a = Constantes
b = Constante
u = Choque de oferta
No início do período contrata-se um salário nomi
nal base, de Log igual a w e o grau de indexação a e [0,1J .
0 salário a ser pago será:
lário real esperado ao determinado pela intersecção das
curvas ex-ante de oferta e demanda de mão de obra.
(3) Et_1 Yt = at + b Et_1 CPt - wt) + Et_1 ut
Y indica o log do produto real a pleno emprego,
t
E^_, esperança condicionada as informações dispo
níveis em t-1
Usando a equação (2) - regra de reajuste salarial
- em (3) tem-se:
Et-1
Yt
= at+
Ml-otDE,.!
Pt
- b wo
+ Et-1
ut
Donde determina w
C5) (I - Et_1) Yt = c(I - Et_1) ut
Sendo o ^ c < 1
Na versão de Fisher c = 0, ou seja, os choques de ^
ta não se transmitem ao produto a pleno emprego. Na versão
de Gray os choques são causados por deslocamento na função
de produção.
c = 1 + 6
Onde ô é a elasticidade de oferta de mão de obra em relação
ao salário real.
Usando a equação (1)
Yt = at + b(Pt - wt) + ut
conclui-se que u representa a variação do produto que de_
correria de um choque de oferta caso o salário nominal acom
panhasse o nível de preços, ou seja A (P. - w ) = 0 isto
é, o salário fosse perfeitamente indexado.
Desta forma, no caso de Gray, onde a demanda por
mão de obra se desloca na mesma proporção que o produto au
O Gráfico abaixo ilustra o efeito
C: - < \ ; r U
Ao se deslocar a curva de oferta agregada, confor
me a construção de Gray, a demanda se desloca verticalmente
na mesma proporção.
Se por hipótese houver um choque de oferta posi
tivo e, digamos que, a curva Y, se desloque para a curva
Y2, a demanda se desloca de D, para D^. 0 produto poten
ciai, que antes era obtido pela quantidade de emprego que
equilibrava a demanda com oferta em A, se desloca por dois
motivos. 0 primeiro é o deslocamento da curva Y, o segundo
é o deslocamento do pleno emprego para B. Assim podemos
ver que A ? pode ser decomposto em A Y1, representando o
aumento no produto a pleno emprego causado pelo aumento do
nível de pleno emprego. E AY" representando o aumento em Y
provocado pelo deslocamento da função de produção.
u portanto ê necessariamente maior ou igual a
A?, pois resulta do aumento do emprego que ocorreria caso
fosse mantido o salário do equilíbrio inicial. A igualdade
ocorreria se a elasticiade da oferta de mão de obra em re
lação ao salário real fosse infinita.
u = 1 + 6
A? 1+6+b
No modelo de Fisher c =0 ou seja, o choque não se transmite
ao produto a pleno emprego. Um exemplo deste tipo de choque
é o aumento do preço de bens de consumo importado. O pro
duto a pleno emprego não se altera, mas a disponibilidade in
terna é reduzida.
Os salários seguem a regra contratual e o empre_
go ê determinado ex-post, pela demanda por mão de obra. As
sim:
(6) Yt = at+b(l-c0Pt-bwo+ut
Subtraindo-se a equação (4) tem-se
Y-Et_1?t = b(l-a)(I-Et_1)Pt+(I-Et_1)ut
Notando que ?t = (I-Et_1)Yt+Et_1?t
e que _ CI-Et_1)?t = cCI-E^)^
(7) Y-?t = (l-Et_1)(b'Pt+(l-c)ut
Nota-se a partir de (3), (6) e (7) que neste contexto a in
dexação tem como único efeito, diminuir a elasticidade pre
ço da oferta agregada. Transformando b em b' caso a= 1 a
oferta agregada torna-se insensível aos preços.
0 professor Simonsen adota uma descrição mais g£
ral da demanda agregada - Fisher (17) e Gray (22) usaram a
teoria quantitativa da moeda.
(9) Yt = ct+D(rt-Et_1(Pt+1-Pt))+elt
(10) mt-Pt+G+e2t = FYt-Brt
m^ = Log da oferta monetária
rt = Taxa real de juros (instantânea)
e, = Choque de demanda
e2t= Choque de oferta
De (9) e (10) obtem-se
A = F+B/D (12A)
Vt= G+(B/D)/ct (12B)
Postula adicionalmente a condição de transversal^
dade.
n
lim
/
B
j
£
p
B+l
'
t"1
1
Necessária e suficiente para evitar a possibilidade de com
bustão espontânea do nível de preços, provocado pelas ex
pectativas.
Usando-se a equação (7) e (11) obtem-se
C13a)
1+Ab'
Cl-Et_1)CYt-Yt) = (I-Et_1Cb'(mt+et)+(l-c(l+Ab')ut) (13b)
1+Ab'
1+Ab'
Supondo não correlacionados os choques de oferta
u, e as perturbações de demanda e ; conclui-se
a) quanto maior o grau de indexação maior a quan
£ imediato de (13a) pois b* = (l-ct)b quando a
cresce b1 decresce.
b) quanto maior o grau de indexação, menor a vul
neralidade do produto e do emprego, e maior a
sensibilidade dos preços aos choques de deman
da. De acordo com as hipóteses (Y-Y) é pro
porcional a (L-L) onde £ e o log do nível de
pleno emprego, (lei de Okun).
c) Os efeitos do grau de indexação sobre a
varia-bilidade do emprego é função de c e de (1+Ab) .
Se c(l+Ab) < 1 quanto maior o grau de indexa
ção maior a vulneralidade do emprego aos cho
quês de oferta. Se c(l+Ab) >1 os choques de
oferta se transmitem ao emprego com sinal tro
cado. Caso c(l+Ab) = 1 o emprego fica protegi
do de choques de oferta.
No modelo de Gray a demanda é determinada pela
teoria quantitativa. O que eqüivale a
particu-larizar A = 1, e c = 1+5
Neste caso o valor de a que minimiza a variân
cia do emprego ou (Y-Y) , quando sõ existe chc>
quês reais e:
a ! 1+6 (l+b(l-a)) = 1 ou a = 6
' 1+ô+b 1+a
Exatamente o resultado de Gray.
E importante observar mais uma vez que a variân
cia do emprego vista pela relação (Y-Y) constitui a
variân-cia do desvio do emprego do nível de equilíbrio das curvas
da demanda e oferta de mão de obra ex-post. 0 que não cor
responde à variância do emprego em si. Quando por exemplo
c(l+Ab') >1 o produto a pleno emprego tem variância maior
do que o produto em si. A conseqüência é que os choques de
oferta se transmitem com sinal contrario. Ou seja, caso ocor
ra um choque positivo o nível de pleno emprego sofre um
deslocamento superior ao do próprio emprego. Isto não pode
ocorrer caso a economia se encontre perfeitamente indexada,
pois b' = 0 e c, por hipótese, é" menor do que 1. Porém caso
perfeita-mente possível que, como foi visto no modelo de Gray, a que
da nos preços induzida pelo aumento do produto eleve o sala
rio real mais do que o nível de salário que equilibraria a
oferta com a demanda. Neste caso o emprego se situaria abai
xo do pleno após o choque. £ importante notar que o fato
de (L-L) tem ficado negativo não implica que com este grau
de indexação o choque positivo tenha sido nocivo, apenas ín
dica que não foi bem aproveitado, seria desejável que L se
aproximasse mais de L. Do mesmo modo devemos ao trabalhar
com Y-Y ter a preocupação de não prescrever políticas de es
tabilidade do emprego que implique em queda de Y, para di
minuir (Y-?). Convém lembrar que, uma solução trivial para
(Y-Y) = 0 seria eliminar toda e qualquer possibilidade de
produção na economia e assim tornar a curva de demanda por
trabalho identicamente nula. Desta forma admitindo que
ninguém trabalhe por prazer, ou seja, que a oferta de tra
balho ao salário nulo seria nula, (Y-Y) seria também igual
a zero e estável.
0 modelo generalizado permite adicionalmente es
Aplicando (I"Et_i) sobre a equação (9), resulta
Usando (12A), (12B) e (12C)
D(l+Ab')
Como 0 < F<A verifica-se que o aumento do grau de
indexação aumenta a sensibilidade dos juros os choques de
oferta e aos choques reais de Memanda, e diminui a sensibi
lidade aos choques e erros mor: -tários.
De (13b) verifica-se facilmente que quanto maior
a, menor o efeito da política monetária sobre o hiato.Corro
borando a prescrição Frit-J^aniana de que se a= 1, o comba
te ã inflação seria indolor. Se ot= 1, porém, a economia fi
ca sujeita aos choques de oferta não sendo possível nenhum
tipo de política monetária que possa acomodar os choques,
absorvendo-os a fim de não permitir sua transmissão ao pro
duto. Os choques de oferta sõ poderiam ser amenizados por
uma política fiscal ou outro choque de oferta contrário. Pa
uma política monetária de forma que:
t = (l-c(l+Ab'))ut _ e
Quanto menor b1 = (b(l-a)), maior a dificuldade
de absorver os choques de oferta via política monetária. No
caso limite b'= 0 torna-se impossível tal tarefa. E também
quanto maior a maior a instabilidade provocada nos preços
em decorrência da estabilização do produto.
Quanto aos preços, podemos notar a partir da equa
ção (13C), que independente do grau de indexação, a políti
ca de neutralização da componente inesperada do nível de
preços seria a mesma.
= Aut-et
A indexação também afeta a possibilidade do con
trole da componente imprevista da taxa de juros reais. Quan
to maior o grau de indexação menor será o efeito da políti
ca monetária sobre os juros e portanto mais difícil a neu
lítica monetária.
Estes resultados podem ser estendidos para o caso
mais geral onde os contratos salariais são justapostos. A
cada período contrata-se, a Ia Gray, os salários diversos
períodos â frente. As conclusões básicas acima são válidas.
A introdução dos contratos justapostos de trabalho tem a
vantagem de eliminar, em parte, o irrealismo da suposição
do modelo Gray-Fisher de independência completa entre os sa
lãrios de um período para o outro.
Assim adota-se a hipótese de que a cada período
contrata-se salários de uma fração (l/n) dos trabalhadores
para n períodos a frente. Admitindo que as informações de
um período são conhecidas nos demais, a curva de Phillips
do modelo se transformaria em:
Yt-yt
= ^-Et-i)+(aiRt-i+a2Rt-2+-
+an-iIWi>
Cb'Pt+(i-c)ut)
Onde: ai = n-i
n
1 - Quanto maior o grau de indexação menos penoso
será
o seu
combate,
pois
os
erros
de
previsão
dos
preços se tornam menos importantes, já que b' = (l-a)b.
Assim fica visto o argumento de Friedman, segundo o
qual a indexação reduziria os custos do programa ante
inflacionário.
Como o Professor Simonsen observa, esta conclusão
depende da hipótese de que a indexação não alongue os con
tratos de trabalho. Gray (23) mostra que provavelmente o pe
riodo de contratação seria uma função do grau de indexação.
Caso,
porém,
a=
1 ou
b1
= 0
o combate
ã inflação
seria
in
dolor,
já
que
os
contratos
de
trabalho
não
poderiam
ser
es
tendidos infinitamente. As expectativas inflacionárias per
deriam
o seu
papel
deixando
de
influir
nas
contratações
sa
lariais.
CONTRATOS POR TEMPO INDETERMINADO
Como foi dito as hipóteses, por traz dos contra
tos de trabalho de Gray (22), são um tanto quanto irrealis
1 - A inexistência de vínculo entre o contrato de
um período e do outro.
2 - A completa inflexibilidade do salário contra
tado durante a vigência do contrato, acompanhado da
hipótese de que o emprego seria determinado pela de
manda a este nível de salário previamente acertado.
Ou seja, após conhecimento dos choques, apenas o vo
lume de emprego poderia se ajustar, e de acordo com
os contratos as empresas poderiam demitir a vontade
ou recrutar mão de obra extra ao salário estabelecido,
mesmo contra a vontade dos trabalhadores. Isto é aci
ma da curva de oferta de mão de obra.
0 conjunto destas duas hipóteses com a ausência
de correlação entre os choques transformam o emprego em rui
do branco. Passando a não haver correlação entre o nível de
emprego em um período e no outro. Podendo-se passar de um
desemprego de 20% para um super emprego de outros 201, e de
volta para um desemprego de 20%. Sendo suficiente para tal,
dire-ções opostas.
A hipótese dos contratos por prazo indetermina
dos, introduzida pelo Professor Simonsen (40), suluciona es
tes problemas do modelo de Gray, conferindo maior realisraos
as hipóteses por traz dos contratos. E, o que é mais impor
tante, permite observarmos quais as conclusões do modelo de
Gray que surgem apenas em decorrência da adoção deste tipo
de contrato de trabalho.
1 Yt = at+b(Pt-wt)+ut
at - cresce em progressão geométrica
u - incorpora os demais deslocamentos na
curva de oferta.
Admite a hipótese de Grau de que o emprego se de
termina ex-post pela procura de mão de obra. O que implica
a equação (1).
Y - cresce em progressão geométrica
c = coeficiente de transmissão dos cho
3
bx
= (at-at-l^Wl^
x = coeficiente de aumento de produtividade.
Equação (3) mostra que x representa a taxa de cresc_i
mento dos salários, se o produto seguisse a tragetó_
ria do pleno emprego na ausência de choques de oferta.
ht
=
wt~wt-l
Sendo a o grau de indexação
De acordo com (5) a taxa de crescimento dos salários
é determinada pelo aumento de produtividade pela in
fiação (combinação linear entre a inflação esperada e
efetiva em função do grau de indexação) e do fator
de revisão contratual F (h ) .
0 F(h ) permite que os salários sejam revistos, caso
as previsões tenham sido frustradas.
Esti revisão, porém, é apenas parcial, pois, ca_
so fosse feita de acordo com as hipóteses de Barro (4), s£
gundo a qual o ótimo seria a renegociação total dos salá
trabalho, não faria sentido a existência de contratos. 0
contrato existe, justamente, devido ao custo de transação
implicito no ajuste contínuo do seu objeto para melhor sa
tisfazer as partes, e para eliminar os problemas de azar mo
ral.
Portanto, o F(ht) implicitamente pressupõe algum
custo em ajustar os salários, porém, não que este custo se
ja proibitivo, como no modelo de Gray.
Par manter a Log linearidade do modelo, condição
essencial para que possa utilizar o instrumental das expec
tativas racionais, foi adotada a hipótese de que F(h)= K(h).
Porém, o Professor Simonsen chama a atenção de
que:
1 - F(ht) deveria ser convexa, por ser mais fácil
negociar salários para cima que para baixo.
2 - Deveria existir h n tal que:n
Lim F(h ) = °°
ht -
hn
Tomando a primeira diferença da equação (1), e
utilizando as demais, após os devidos algebrismos, encon
tra-se a relação de Phillips.
Tomando F(h) na forma Log linear resulta:
(1+Kb) = ht_1+b(l-a)(I-Et_1)Pt+(l-c)(ut-ut_1)
Demanda agregada se descreve pela equação quanti
tativa
As variáveis do período t-1 são conhecidas no
período t-1, isto e:
EtrlZt-l
= Zt-1
Qualquer
que
seja
Zt_1
Das equações 6 e 7 obtém
8
Et-iht=
1+Kb
10 CI-E^j)^ = a-Et_1)CbC
11
(I~Et-i)pt
= ci-Et-i
l+b'+Kb
b' = b(l-a)
Os efeitos do grau de indexação sobre o produto e
o emprego são qualitativamente os mesmos do modelo de Gray,
a principal diferença é que neste modelo E h é idêntica
L """ _L L. -~~
mente nulo, como no modelo de Gray.
Este modelo destaca os seguintes pontos importan
tes:
1 - A variância de Et_I (h) ê função decrescente
de K. Isto ocorre pois, quanto maior K, menor a heran
ça de desajuste salarial do período anterior. E mais,
no próprio período o salário se afasta menos, em vir
tude dos choques, do nível consistente com o pleno em
prego.
2 " Et_i(h) independe do grau de indexação.
Dado ht_1, que pode depender do grau de indexação, h
é determinado
pelos
choques
em
t.
0 parâmetro
de
in
dexação determina o grau de interveniência da compo
por conseguinte no produto. Mas a esperança em t-1 j
i
desta componente imprevista dos preços é por constru I
|
ção nula, portanto E -, (h ) independe de a. |
3 - Quanto maior K menor a sensibilidade do hiato
a qualquer tipo de choque.
0
salário,
como
foi
dito,
se
afasta
menos
do
nível
con-
'
sistente com o pleno emprego, ex-posto, quanto maior |
i
!
o valor de K, e portanto menores os desvios do produ- i
i
to em relação ao produto de pleno emprego, causados pe j
los choques.
4 - Quanto maior K maior a sensibilidade dos pre
ços aos choques de demanda.
0 fato de K ser alto, impede que a produção cresça em
razão da queda de salários reais, provocada pelo aumen
to de preços, que surge em decorrência do aumento na
demanda. Portanto, quando existe um choque de demanda,
este efeito amortecedor é tanto menor quanto_maior K.
5 - A sensibilidade dos preços aos choques inespe
rados de oferta pode ser função crescente ou
A razão deste efeito é um pouco mais útil. Quanto
maior o valor de K, menor será o componente inespera
do do hiato provocado pelo choque de oferta. A compo
nente esperada do hiato já esta embutida na expectati
va dos preços, portanto (I-E ,)P não é afetada pelo
hiato anterior (h ,). Ocorrendo um choque de oferta,
positivo por exemplo, o produto sobre, em virtude do
impacto direto do choque sobre a produção e do aumen
to no emprego, provocado pelo aumento da demanda de
mão de obra induzido pelo choque. 0 produto a pleno
emprego cresce em função de c, que é justamente o
coeficiente de transmissão dos choques para o produ
to a pleno emprego. 0 choque de oferta positivo pro
voca um aumento da oferta, que por sua vez, em virtu
de da descrição da demanda pela teoria quantitativa,
"coeteris paribus" provocaria uma queda nos preços na
mesma proporção. 0 produto da economia, no entanto é"
determinado pela intersecção do salário real com a
curva de demanda por mao de obra. 0 salário real, no
quanto menor o grau de indexação, já que os preços
cairiam abaixo do esperado. Assim, em função do grau
de indexação e do coeficiente c, a intersecção do sa
lãrio real com a demanda por mão de obra se dará a um
nível de emprego maior ou menor que o de pleno empre
go. Do ponto de vista de minimização das flutuações
da componente inesperada dos preços, seria desejável
que o emprego se afastasse o mínimo possível da posi
ção esperada. Para ser mais preciso, se a meta fosse
a mínima variância dos preços, seria preferível que,
em presença de um choque de oferta positivo, o eiripre;
go se contraisse afim de compensar o aumento de produ
tividade, e assim não houvesse alteração no nível de
produção, consequentemente o nível de preços se mante
ria inalterado. 0 modelo acima não permite este resu^
tado, isto é, contração de emprego em virtude de ch(D
quês de oferta positivos. Porém quanto maior K, dado
(h ,) mais próximo ele ficará do novo pleno emprego,
desviando-se da regra de contratação. Assim, se a re
parâmetro c forem tais que o nível de emprego, em
presença do choque de oferta positivo, exceda o de
pleno emprego, seria preferível, do ponto de vista de
mínima variância da componente inesperada dos preços,
um maior valor de K, pois assim o emprego ficaria mais
próximo do nível pleno que por hipótese ê menor que o
resultante da regra de contratação. Portanto o produ
to cresceria menos e a flutuação dos preços seria me
nor, caso c e b' fossem tais que o emprego determina
do pelo contrato ficasse aquém do nível de pleno em
prego. Um valor baixo de K manteria o empreo mais pró
ximo do valor consistente com o que foi contratado em
termos de salários, evitando que este subisse para o
nível de pleno emprego, que por hipótese é maior.
No modelo de Gray
c = 1 + 6
1 + ô+b
Onde 6 representa a elasticidade preço da oferta de
mão de obra.
Neste caso, a condição l-c(l+b') >0 eqüivale a
qualquer que seja o grau de indexação desde que dife
rente de zero, a condição acima se verifica e um au
mento de K reduz as flutuações dos preços. Pois, como
foi dito acima, o emprego, que adviria do cumprimento
dos contratos, estaria acima do nível de pleno empre
go, logo quanto maior K menor seria o aumento do em
prego provocado pela rigidez de salário real introdu
zida pela fração indexada do contrato de trabalho.
No caso de a = 0, em virtude da descrição da demanda
pela teoria quantitativa, todo o ganho de produtivida
de seria passado para o salário, assim não haveria va
riação no emprego e portanto o emprego determinado pe
Ia regra contratual coincidiria com o nível de pleno
emprego, assim o seu nível independeria de K.
Para ô>0 a condição para que o aumento no valor de K
reduzisse a variância de (I-E ,)Pt seria que
6 > q
1-a
taria a flutuação dos preços. Se a= 1 qualquer que
seja ô, um aumento de K reduzirá as flutuações dos
preços.
No caso de 6 < 0 a condição acima é modificada. Se
ô > -1 então c > 0 no modelo de Gray. 6 < 0 signifi
ca que se o salário aumenta o emprego cai. Se 6 >-l a
redução do emprego não é" suficiente para eliminar o
efeito do aumento na produtividade, e assim o produto
a pleno emprego cresce, no caso da economia ser sur
preendida por um choque de oferta positivo. Assim, in
dependente do valor de a, quanto maior K menor a flu
tuação do produto e portanto dos preços.
No caso de 6 = -1, c = 0, o que eqüivale a afirmar
que a queda no pleno emprego absorve todo o ganho de
produtividade, e sendo assim os choques de Qferta não
se transmitem ao produto a pleno emprego. Desta forma
quanto maior K mais o produto se aproximará do nível
de pleno emprego e portanto menos flutuará, indepen
dente do grau de indexação.
se transmitem ao produto a pleno emprego, quanto maior
K menor a flutuação absoluta do produto e portanto da
componente inesperada dos preços.
No caso de 6 < -1, c < 0, passa a existir um valor
ótimo de K, para o qual a variância da componente ines
perada dos preços é mínima. Economicamente, se 6 < -1
um choque de oferta positivo acarreta uma queda no
produto a pleno emprego, porem como o emprego efetivo
é determinado
entre
a
intersecção
da
demanda
com
a re
gra de contrato salarial e o nível de pleno emprego,
haverá
um
nível
de
K que
tornara
mínima
a
flutuação
do produto. Já que em um extremo ele cresce com K e
no outro decresce, por continuidade ê fácil ver que
existe K capaz de estabilizar o produto e portanto os
preços.
NOTA 1 - Todas as condições acima foram estudadas admi
tindo respeitada a condição de estabilidade da ofer
ta e demanda no mercado de trabalho, isto é (l+6+b)> 0.
Na falta desta condição surgem uma série de considera
desprovidas de sentido econômico.
NOTA 2 - £ conveniente estar atento que não existe r£
lação, nem seria necessariamente desejável do ponto de
vista econômico, a estabilidade do produto descrita
acima. Embora ela implique em estabilidade do empre
-NOTA 3 - Quanto maior o valor de K, independente dos
demais arranjos da economia, mais próximo ficará o
emprego do ponto ótimo, no sentido de Paretto.
Os resultados do modelo podem ser apresentados em
termos de hiato e taxas de inflação.
ut=
V
VPt-l
Onde Ht indica a inflação no período t
u a taxa de crescimento composta com as varia
ções nos choques de demanda.
1 - A relação de Phillips
(l+kb)ht= ht_1+b(l-a)(I-Et_1)Ht+(l-c)Cut-ut_1)
2 - A equação monetária em primeira diferença
Resultado
.
h.
ht-l+a-c)(Et-lUt-Ut-l)
(12)
1 + Kb
1 + Kb
. T
E.
..
t-l
Et-lut-Ut-l^
(13)
-1 t l-1 t 1 + Kb
(I-Ef .)ht ^-Et-l)Cb'ut+U-c(l + b'))ut) (14)
^, (I-E. 1)(l+Kb)u.-(l+Kbc)u.) (15)
t 1 t l+b'+Kb
eilUOTECA OARIO HENRIQUE
INDEXAÇÃO DEFASADA
Para tratar do caso mais comun de indexação, a in
dexação, defasada basta substituir a equação de reajustes
salariais por:
A
componente
de
reajuste
dos
salários
ligada
ã
inflação deixa de ser aí para ser
ocít_1-A relação de Phillips torna-se
d")
ht + bF(ht)=ht_1 + abC\-\.1) + (l-o')b(I-Et_1)íIt+(l-c)(ut-ut_1)
Fazendo F(ht) = Kht
(18)
Usando a mesma equação monetária anterior
ut=
\+ht~ht_i
+ c(ut~ut-l-)
obtem-se
(19)
(20)
(l+Kb)Et_lUt Kbht_1+ b t_1-(l+Kbc)(Et_1ut-ut_J)
t-1
t
1 + b CK
+
)
:
(21)
(I-E )(bu +(l-c(l+b))u .
fT-E Vi = x - LI
1
t-lJ1t
(l + b(k
+ l))
fT-u
(I-E )(1+Kb)u -(1+Kbc)u.)
t= t-1 L t_
ríFrrõi
A comparação dos resultados das equações (19)
(20), (21), (22) com as equações (12), (13), (14),(15) mos
tra as profundas diferenças entre os efeitos da indexação
ex-post e a indexação defasa.
1 - Na indexação defasada o grau de indexação
afeta apenas as componentes esperadas do produto e in
fiação, enquanto na indexação "ex-post" o inverso o
-corre, a afeta apenas as componentes não esperadas.Is
to, pois, no caso da indexação "ex-post", os sala
-rios são contratados envolvendo uma combinação linear
da inflação esperada com a que efetivamente ocorre
-rã. A componente esperada desta combinação linear é
sempre igual a inflação esperada independente de a .
mode-Io com indexação "ex-post". Naturalmente « influirá
nas componentes inesperadas das variáveis nesta moda
lidade pois, em função deste parâmetro, o salário re
al variará mais ou menos em presença dos choques.
Já com a indexação defasada, como pt_i~pt_2 na0
necessariamente
é
igual
a Et_i(pt~Pt-l^'
°
reajuste
salarial dependerá de a. Logo, também dependerá de a
as componentes esperadas do produto e emprego. Quanto
ãs componentes inesperadas, o grau de indexação não
as afeta pois, os reajustes salariais dependem de uma
combinação linear de Et_1ít e ^t-1' e POTtanto a coIü
ponente inesperada desta combinação linear ê nula,
qualquer que seja a . Como o modelo é linear, a com
ponente inesperada de cada variável independe de sua
componente esperada.
2 - Com indexação defasada as componentes inespe
radas, do produto e dos preços, se comportam exatamen
te como se os salários fossem contratados em termos
nominais, com base nas expectivas racionais. 0 fato