MENSURAÇÃO DA DOR NO I DOSO: UMA REVI SÃO
Fr ancisco Alv es de Andr ade1 Lilian Var anda Per eir a2 Fát im a Apar ecida Em m Faleir os Sousa3
Andrade FA, Per eir a LV, Sousa FAEF. Mensuração da dor no idoso: um a r ev isão. Rev Lat ino- am Enfer m agem
2006 m ar ço- abr il; 14( 2) : 271- 6.
A base t eórica e prát ica da m ensuração de dor em idosos foi revisada e exam inada at ravés de est udos clín icos e r ev isões bibliogr áficas. As v an t agen s e lim it ações dos in st r u m en t os or din ais m ais fr eqü en t em en t e u t ilizados f or am discu t idas em sit u ações n as qu ais coex ist em alt er ações pr ópr ias do en v elh ecim en t o, cu j a ação na sensação dolorosa ainda não est á bem esclarecida. Os fat ores que int erferem no processo de avaliação da ex per iência dolor osa, lev ando à subest im ação e cont r ole inadequados da dor em indiv íduos idosos, for am ap on t ad os.
DESCRI TORES: idoso; m edição da dor , m ét odos
PAI N MEASUREMENT I N THE ELDERLY: A REVI EW
This st udy r ev ised and ex am ined t he t heor et ical and pr act ical base of pain m easur em ent in elder ly per sons t hr ough clinical st udies and bibliogr aphical r ev iew s. We discussed t he adv ant ages and lim it at ions of t he or dinal inst r um ent s m or e fr equent ly used in sit uat ions in w hich alt er at ions char act er ist ic of aging coex ist , whose act ions in feelings of pain have not been clarified yet . Moreover, we indicat ed t he fact ors t hat int ervene in t he ev aluat ion pr ocess of painful ex per iences leading t o under est im at ion and inadequat e cont r ol of pain in elder ly per son s.
DESCRI PTORS: aged; pain m easur em ent , m et hods
MENSURACI ÓN DEL DOLOR EN EL ANCI ANO: UNA REVI SI ÓN
La base t eór ica y pr áct ica de la m ensur ación del dolor en los ancianos fue r ev isada y ex am inada a t ravés de est udios clínicos y revisiones bibliográficas. Las vent aj as y lim it aciones de los inst rum ent os ordinales m ás fr ecu en t em en t e u t ilizados fu er on discu t idas en sit u acion es en las cu ales coex ist en alt er acion es pr opias del en v ej ecim ien t o, cu y a acción dolor osa t odav ía n o est á bien aclar ada. Los f act or es qu e in t er f ier en en el p r oceso d e ev alu ación d e la ex p er ien cia d olor osa, llev an d o a la d esv alor ización y con t r ol in ad ecu ad os d el dolor en ancianos, fuer on apunt ados.
DESCRI PTORES: anciano; dim ensión del dolor , m ét odos
1
I NTRODUÇÃO
A
t ransição dem ográfica é result ado de baixa m or t alidade e n at alidade e au m en t o da ex pect at iv a de vida, frut o do grande em penho cient ífico na busca e alcance da longevidade. Porém , essa t ransform ação v e m a co m p a n h a d a d e a u m e n t o n a i n ci d ê n ci a d e doenças incapacit ant es, crônicas e degenerat ivas, que r esu l t a m em d ep en d ên ci a e sã o a g r a v a d a s p el a s queix as de dor( 1).A d o r p o d e e s t a r a s s o c i a d a a i m a g e n s n e g a t i v a s , t a i s c o m o s o f r i m e n t o p r o l o n g a d o , t r anst or nos psiquiát r icos, inex ist ência de t r at am ent o e abuso de m edicam ent os, t ornando- se um problem a par a o in div ídu o, a f am ília e a sociedade, u m a v ez que direciona e lim it a as condições e o com port am ent o daquele que a v iv encia, aum ent ando a m or bidade e oner ando o Sist em a de Saúde( 1- 2).
A dor cr ôn ica é f at or lim it an t e de f u n ções, aum ent a a agit ação, o r isco de est r esse em ocional e de m ort alidade, afet ando part e do corpo, ou regiões, e l i m i t an d o o f u n ci o n am en t o f ísi co d o s i n d i v íd u o s i d o so s. A l i t er at u r a ap o n t a o i m p act o d a d o r n as at iv idades diár ias e a in flu ên cia dos alt os n ív eis de in ab ilid ad e f u n cion al n a m aior f r ag ilid ad e e n ív eis au m en t ados de com or bidades n esses pacien t es( 2 ).
A al t a p r ev al ên ci a d e d o r em i d o so s est á a sso ci a d a a d e so r d e n s cr ô n i ca s, p a r t i cu l a r m e n t e d o e n ç a s m u s c u l o e s q u e l é t i c a s c o m o a r t r i t e s e ost eoporose. Além disso, o aum ent o na incidência de cân cer, a n ecessidade de pr ocedim en t os cir ú r gicos, as úlcer as de pr essão e as doenças car diov ascular es cont ribuem para o aum ent o das queixas álgicas nesse gr upo et ár io( 3- 4).
Dor em indivíduos idosos é um sério problem a de saú de pú blica, qu e n ecessit a ser diagn ost icado, m en su r ad o, av aliad o e d ev id am en t e t r at ad o p elos pr of ission ais de saú de, m in im izan do a m or bidade e m elh or an do a qu alidade de v ida. Requ er est r at égia p a r a a v a l i a ç ã o p r e c i s a e t r a t a m e n t o a d e q u a d o , p o r é m , i n st r u m e n t o s d e a v a l i a çã o e m e n su r a çã o r a r a m e n t e s ã o u s a d o s p a r a m o n i t o r a r t a l e x p e r i ê n c i a( 2 ). Em b o r a t o d o s o s i n s t r u m e n t o s apr esen t em lim it ações n as pop u lações em qu e são v alidados e r efinados é im per at iv o o uso deles par a o co n t r o l e a d e q u a d o d a d o r. Ca b e r e ssa l t a r q u e poucos pr ofissionais pr escr evem um ant i- hiper t ensivo se m m o n i t o r a r a p r e ssã o a r t e r i a l , n ã o o b st a n t e , pr escr ev em an algésicos sem m on it or am en t o da dor por m eio de inst r um ent os v álidos e pr ecisos( 2).
I sso post o, fez- se, nest e est udo, um a revisão, ap on t an d o a av aliação d a d or n o id oso, os f at or es q u e i n t e r f e r e m n e sse p r o ce sso , o s i n st r u m e n t o s ut ilizados para m ensurar a experiência dolorosa, suas v ant agens e lim it ações. As r efer ências apr esent adas represent am um a am ost ra de t udo o que poderia ser m e n c i o n a d o . Os e s t u d o s a p r e s e n t a d o s f o r a m sel eci o n a d o s p el o f o co em d i f er en t es a b o r d a g en s sob r e m ed i d a d e d or, p ossib i l i t an d o f or n ecer u m a b r e v e r e v i s ã o s o b r e a m e n s u r a ç ã o d a d o r e m i n d i v íd u o s i d o s o s , s e m ê n f a s e n a s á r e a s d e quest ionam ent o próprio. Aqui, as conclusões reflet em o con sen so sobr e as pr in cipais qu est ões e dir eções f u t u r as d esej áv eis p ar a a m en su r ação e av aliação da dor no idoso.
O m at er ial apr esent ado est á or ganizado em t r ê s p a r t e s : 1 ) a v a l i a ç ã o d a d o r n o i d o s o , 2 ) in st r u m en t os par a m en su ração da dor, van t agen s e lim it ações 3) fat or es que int er fer em na av aliação da dor nesses pacient es e, no final, a conclusão.
AVALI AÇÃO DA DOR NO I DOSO
O pr ocesso de av aliação da dor é am plo e en v olv e a ob t en ção d e in f or m ações, com o d at a d e i n íc i o , l o c a l i z a ç ã o , i n t e n s i d a d e , d u r a ç ã o e p er i o d i ci d ad e d o s ep i só d i o s d o l o r o so s; q u al i d ad es sensoriais e afet ivas dos m esm os; fat ores que iniciam , a u m e n t a m o u d i m i n u e m a i n t e n s i d a d e d a d o r ; si g n i f i ca d o d e ssa p a r a o p a ci e n t e e su a f a m íl i a ; i n t e r f e r ê n c i a n a s a t i v i d a d e s d i á r i a s , n o s r elacionam ent os afet iv os e no t r abalho; ex pect at iv as e m r e l a ç ã o à d o e n ç a e a o t r a t a m e n t o ; com por t am en t o h abit u al em sit u ações de est r esse; t i p o s e r e s u l t a d o s d e t r a t a m e n t o s , g a n h o s secundár ios, análise social e psíquica( 3, 5).
Para um diagnóst ico preciso de dor no idoso, e s p e c i a l m e n t e e n t r e a q u e l e s c o m i d a d e m a i s av an çada, r ecom en da- se qu e a av aliação sej a f eit a d e f o r m a e x a u s t i v a , e x a m e f ís i c o m i n u c i o s o e a v a l i a çã o d o e st a d o f u n ci o n a l , p síq u i co e so ci a l , cuidando para não se rest ringir apenas ao aut o- relat o do pacient e( 3,5).
in flam at ór ios ar t icu lar es e doen ças car diov ascu lar es dev em ser in v est igados, in clu in do qu est ion am en t os j unt o aos fam iliares, ut ilizando palavras chaves com o “ qual”, “ o quê”, “ quando”, “ onde” e “ com o”( 5).
Ou t r o aspect o im por t an t e é a den om in ação q u e o i d o so d á à ex p er i ên ci a d o l o r o sa, u t i l i zan d o p alav r as p ar a d escr ev ê- la q u e ap ar en t em en t e n ão significam dor, com o “ chaga”, “ queim ação”, “ ofensa”, “ fer ida”, “ peso”( 3, 5).
Du r an t e o ex am e f ísico, dev e- se r ealizar a palpação, com o pr opósit o de esclar ecer pon t os de i n f l a m a ç ã o , e s p a s m o s m u s c u l a r e s e d e g a t i l h o . I n sp eção e ob ser v ação d e d ef or m id ad es t ais com o e sco l i o se , ci f o se , p o st u r a a n o r m a l , a l i n h a m e n t o art icular e dist úrbio de m archa. I dent ificação de déficit s e n s o r i a l , f r a q u e z a , a t r o f i a m u s c u l a r, s i n a i s d e n e u r o p a t i a a u t o n ô m i ca . O e x a m e d e v e a b r a n g e r, ainda, sinais de dem ência, paralisia, parest esias, hiper ou hipor r eflex ia( 5- 6).
Quant o ao est ado funcional dos idosos, deve-se inv est igar déficit s no aut ocuidado, ident ificando e av alian do o gr au de depen dên cia e a qu alidade de v ida( 5).
A av aliação do est ado psíquico é im por t ant e par a a com pr eensão do idoso com dor, um a vez que a ex per iência dolor osa pode r esult ar em depr essão. A in t er v en ção psicológica ou psiqu iát r ica é in dicada para o cont role da experiência dolorosa, evit ando que sej a su b est i m ad a p o r ser ex p r essa d e f o r m a n ão eloqü en t e( 3 ).
Múlt iplos fat or es afet am a av aliação da dor, e, p a r a m en su r á - l a , t êm si d o u t i l i za d o s m ét o d o s su bj et iv os( 7 ).
I N S T R U M EN T O S U T I LI Z A D O S P A R A
MENSURAÇÃO DA DOR EM I DOSOS
Os i n st r u m en t o s p ar a m en su r ação d a d o r podem ser u n idim en sion ais e m u lt idim en sion ais. Os u n idim en sion ais qu an t if icam a ex per iên cia dolor osa em u m a ú n ica dim en são, com o a in t en sidade, e os m ult idim ensionais quant ificam - na em suas m últ iplas dim ensões( 3 , 7 - 8 ).
Dent r e eles, dest aca- se a/ o:
Esca la Ve r ba l - o pacient e quant ifica a ex per iência
dolor osa u san do f r ases qu e r epr esen t am dif er en t es int ensidades su bj et ivas de dor, com o n en h u m a dor,
dor leve, dor m oderada, dor fort e, dor insuport ável e
a p i o r d o r p o ssív e l. Essa s e sca l a s m o st r a r a m - se
v álidas e f idedign as n a m en su r ação da ex per iên cia d o l o r o sa em i d o so s. En t r et an t o , al g u n s p aci en t es apr esent ar am dificuldade em ut ilizá- las, por falt a de h abilidade cogn it iv a ou in t r ospecção par a en t en der a s p a l a v r a s( 7 ). O p a c i e n t e d e v e i n t e r p r e t a r e e x p r e ssa r su a d o r v e r b a l m e n t e , se n d o a e sca l a p r ef er id a p or m u it os id osos, in clu siv e aq u eles com leve e m oderado déficit cognit ivo( 2- 3). A variação dessa escala, em f or m a d e t er m ôm et r o, é p r ef er id a p ar a p acien t es com alt er ações m od er ad as e sev er as ou par a pacient es que t êm dificuldades de abst r ação e de com unicação v er bal( 3 ).
Escala N um érica - perm it e quant ificar a int ensidade
da dor usando núm eros. Geralm ent e possui 11 pont os, de 0 a 10. Podendo ser de 6 pont os ( 0 a 5) , de 21 pont os ( 0 a 20) e de 101 pont os ( 0 a 100) . O pont o 0 ( zero) represent a nenhum a dor e 10 ( dez) represent a
a pior dor possível. Os dem ais núm eros represent am quant idades int er m ediár ias de dor. Pode ser aplicada gr áfica ou v er balm ent e( 1, 3, 6- 9).
A Esca l a Nu m é r i ca m o st r o u - se f i d e d i g n a quando ut ilizada par a m ensur ação da int ensidade de dor ent r e idosos, em bor a pr opor ção consider áv el de indiv íduos t enha apr esent ado dificuldades em ut ilizá-la, dada a necessidade de dom ínio das pr opr iedades ar it m ét icas( 3 ).
Esca la Ana lógica Visua l - consist e fr eqüent em ent e
e m u m a l i n h a r e t a , d e 1 0 cm , q u e r e p r e se n t a o cont ínuo dor, ancorada pelas palavras sem dor e pior dor. Porém , pode ser um a linha vert ical ou curva, de difer ent es com pr im ent os. Solicit a- se que o indiv íduo m arque na linha o lugar que represent a a int ensidade d a d o r s e n t i d a . O o b s e r v a d o r d e v e m e d i r, e m c e n t ím e t r o s , a d i s t â n c i a e n t r e a e x t r e m i d a d e ancorada pelas palavras sem dor e a m arca feit a pelo p acien t e, q u e cor r esp on d er á à in t en sid ad e d e su a dor( 3,7- 10). A Escala Analógica Visual requer nível m aior d a f u n çã o co g n i t i v a . Al g u m a s v a r i a çõ es t êm si d o su g er id as p ar a r em ed iar essas lim it ações( 1 0 ). Essa escal a p o d e ser i n ap r o p r i ad a p ar a p aci en t es co m baixos níveis de educação e com alt erações cognit ivas e visuais( 2- 3).
Esca la de Fa ce s - con sist e de u m a sér ie de faces
de su a pr esen ça( 6 ). Adapt ações da Escala de Faces, o r i g i n a l m e n t e d e se n v o l v i d a p a r a u so p e d i á t r i co , m o s t r o u , p r e l i m i n a r m e n t e , r e f o r ç o p a r a f id ed ig n id ad e( 3 , 1 1 ), q u an d o u t ilizad a com in d iv íd u os id osos. Most r a- se com o alt er n at iv a f id ed ig n a p ar a avaliar a int ensidade de dor em indivíduos com baixo nív el educacional, sem alt er ações cognit iv as ou com a l t e r a ç õ e s c o g n i t i v a s l e v e s , p o r é m , a p r e s e n t a l i m i t a ç õ e s q u a n d o u t i l i z a d a e m p a c i e n t e s c o m alt er ações cognit iv as gr av es( 3 , 1 2 ).
Q u e s t i o n á r i o d e D o r d e M c Gi l l ( M PQ ) -u t i l i za d o p a r a a v a l i a çã o d o s a sp e ct o s se n so r i a i s, af et i v o s e av al i at i v o s d a d o r, i n cl u i u m d i ag r am a corporal para localização da experiência dolorosa, um a
e s c a l a d e i n t e n s i d a d e e 7 8 d e s c r i t o r e s d e d o r
ag r u p ad os em 4 g r an d es g r u p os e 2 0 su b g r u p os. Algu n s au t or es apon t ar am r est r ições par a o u so do MPQ em indiv íduos idosos( 2,5), especialm ent e quando a n a l f a b e t o s o u co m a l t e r a çõ e s co g n i t i v a s( 3 , 7 , 9 , 1 3 ). Po r é m , o MPQ m o st r o u - se ú t i l p a r a o b t e n çã o d e infor m ações qualit at iv as da dor quando ut ilizado no idoso com im pedim ent os cognit iv os( 3,10). A v ant agem est ev e cent r ada no dir ecionam ent o de alguns idosos para a classificação do “ desconfort o”, do “ sofrim ent o” e da “ chaga” m uit as vezes r efer idos com o queixa de d or.
Poucos inst r um ent os de m ensur ação de dor f o r a m p a d r o n i z a d o s p a r a a p o p u l a ç ã o i d o s a , e n t r e t a n t o , a l g u m a s e s c a l a s u n i d i m e n s i o n a i s elabor ados par a in div ídu os m ais j ov en s t êm ger ado dados fidedignos quando ut ilizadas em idosos. Dent re as escalas at é ent ão cit adas nest e est udo, a Escala Verbal e a Escala Num érica de 11 pont os, de 0 ( zero) a 1 0 ( d e z ) , f o r a m a s p r e f e r i d a s p o r e s s e s indivíduos( 3,10- 11).
Os inst r um ent os unidim ensionais quant ificam a dor, por ém , são cr it icados por n ão possibilit ar em m ensur ação m ult idim ensional dessa ex per iência. São f acilm en t e adm in ist r ados e r equ er em pou co t em po, t reinam ent o ou experiência para a obt enção de dados. Most r ar am - se fidedignos e v iáv eis par a m ensur ação da dor em idosos saudáv eis.
Av a l i a çõ e s p si co m é t r i ca s d a s e sca l a s d e int ensidade m ost raram que a Escala Num érica, Escala Ver b al, Escala d e Faces e Escala An alóg ica Visu al podem ser apr opr iadas par a m ensur ação da dor em idosos, porém necessit am de algum as m odificações( 3). Os a u t o r e s a p o n t a r a m a n e c e s s i d a d e d e s e det er m inar a habilidade par t icular de cada indiv iduo para ler, ouv ir e ent ender os inst r um ent os.
Em casos de surdez, por exem plo, um a Escala Ver bal pode não ser apr opr iada. A Escala Analógica Visu al n ão p od e ser u t ilizad a p elos in d iv íd u os com d é f i c i t s v i s u a i s . Re c o m e n d a - s e q u e v á r i o s in st r u m en t os est ej am d isp on ív eis p ar a at en d er às in abilidades in div idu ais, por ém , as m esm as escalas dev er ão ser u sadas em av aliações su bseqü en t es.
Est udos em que as escalas de m edida foram u t i l i z a d a s e v i d e n c i a r a m q u e s o m e n t e 3 2 % d o s p a r t i c i p a n t e s f o r a m c a p a z e s d e c o m p l e t a r o s inst r um ent os apr esent ados. Obser v ou- se que apenas 8 % d o s p a ci e n t e s i d o so s, co m d e m ê n ci a , f o r a m capazes de com plet ar qu alqu er escala; 1 7 % f or am ca p a ze s d e co m p l e t a r d u a s e sca l a s; 4 2 % f o r a m ca p a ze s d e co m p l e t a r a Esca l a d e Fa ce s e 4 4 % com plet ar am a Escala An alógica Visu al. Apon t ou - se as escalas sim ples e fáceis com o ideais para avaliação d e d or n o id oso sem alt er ações cog n it iv as ou com alt er ações cognit iv as m oder adas ( 2, 14).
Pacient es idosos, com déficit cognit ivo grave, dev em ser av aliados, incluindo- se a obser v ação dos p r oced im en t os e d as q u eix as( 3 , 1 1 ). Vár ios t r ab alh os m ost r ar am que a agit ação desencadeia e m ant ém a dor, dim inuindo drast icam ent e quando a dor é t rat ada adequ adam en t e em idosos com dem ên cia.
FATORES QUE I NTERFEREM NA AVALI AÇÃO
E MENSURAÇÃO DA DOR EM I DOSOS
conseqüência nat ur al e esper ada da idade. Adem ais, o b s e r v a - s e q u e m u i t o s i d o s o s a c r e d i t a m n e s s e conceit o e não procuram aj uda m esm o quando a dor se t or na insupor t áv el( 2,15).
Por ou t r o lado, por cen t agem r elat iv am en t e alt a de idosos apr esen t a alt er ações das h abilidades co g n i t i v a s, se n só r i o - p e r ce p t i v a s e m o t o r a s, q u e i n t e r f e r e m n a h a b i l i d a d e d e c o m u n i c a ç ã o e m ensur ação da dor t ais com o: delír io ou dem ência, par aplegia, síndr om es de disfasia ou afasia, r et ar dos d e d e s e n v o l v i m e n t o e p e r d a d a c a p a c i d a d e d e ex pr essar o idiom a. Acr edit a- se qu e m u it os desses i n d i v íd u o s p o d e m e x p r e s s a r a d o r p o r m e i o d o isolam ent o social, da confusão ou da apat ia, ficando sob a r espon sabilidade dos pr of ission ais/ cu idador es a ident ificação dessas form as de expressão. Segundo a lit er at u r a, as m an eir as d e ex p r essar a d or p elos idosos com dem ência incluem , ainda, as ex pr essões par alin gü íst icas ( gr it o agu do, gem ido) , a lin gu agem e as ex p r essões f aciais ( car et a, ar q u eam en t o d as sobr ancelhas) , posições ant álgicas e r ubor( 6, 15).
Alt erações visuais e audit ivas, de m em ória e m o t o r a , d e c o r r e n t e s d e a c i d e n t e s v a s c u l a r e s c e r e b r a i s e a r t r i t e s t a m b é m p o d e m d i f i c u l t a r a u t i l i z a ç ã o d e e s c a l a s d e m e n s u r a ç ã o d e d o r. A afir m ação qu e in div ídu os idosos com dem ên cia t ipo Al zh ei m er so f r em m en o s d o r b asei a- se em d ad o s e s t a t ís t i c o s s o b r e a p e q u e n a q u a n t i d a d e d e an al g ési cos ad m i n i st r ad os a el es. Por ém , est u d os cont r olados concluír am que as ev idências não for am su f i ci e n t e s p a r a a f i r m a r q u e o u so r e d u z i d o d e a n a l g é s i c o s e s t i v e s s e a t r e l a d o à m u d a n ç a n a per cepção de dor com r edução da m esm a( 6,15).
O con t ex t o em q u e a ex p er iên cia d olor osa surge é fat or im port ant e na respost a à dor, um a vez que em algum as sit uações ela pode represent ar um a per da, um per igo, ou um desafio. Tam bém pode ser causa de m edo de doença gr av e ou m or t e im inent e, necessidade de hospit alização, m ét odos diagnóst icos ou m edicações que t êm efeit os indesej áveis, despesas a d i c i o n a i s , o u p e r d a d a i n d e p e n d ê n c i a e d a aut onom ia, dificult ando a expressão e avaliação dessa ex per iência( 3). Padr ão de sono e pr ocessos fam iliar es alt er ad os, an sied ad e, m ed o d a m or t e e d a solid ão t am bém podem m odificar a r espost a à dor( 3,6,10).
A ex p er i ên ci a d o l o r o sa é i n f l u en ci ad a p o r f at or es ét n icos, cu lt u r ais, dem ogr áf icos, espir it u ais, sociais e fam iliares que int erferem na expressão dela, podendo lev ar à int er pr et ação er r ônea da m agnit ude da ex per iên cia v iv en ciada.
A depr essão est á associada ao au m en t o da f r eq ü ên ci a e i n t en si d a d e d a s q u ei x a s d e d o r e é i d e n t i f i c a d a c o m o u m a v a r i á v e l d e p e n d e n t e o u
r esult ant e dela( 2). Consider ando a est r eit a associação e n t r e d e p r e s s ã o , a n s i e d a d e e d o r a p o n t a - s e a
im por t ância da avaliação r ot ineir a do im pact o dessas ex per iên cias n a h abilidade do in div ídu o em r ealizar
at ividade física, em relacionar- se com out ras pessoas, em alcançar um padrão de sono adequado, alim ent
ar-se e m ant er at ividade ar-sexual ( 2- 3,12).
CONCLUSÃO
Nas últ im as décadas, observou- se avanço na elaboração de inst rum ent os de m edida de dor, porém ,
a m ensur ação da ex per iência dolor osa em indiv íduos id osos ain d a car ece d e at en ção d os est u d iosos n o
se n t i d o d e se e l a b o r a r e sca l a s q u e a t e n d a m à s n ecessid ad es d essa p op u lação, esp ecialm en t e n os caso s em q u e se asso ci am o s d éf i ci t s co g n i t i v o s,
sen sor iais e m ot or es.
Os in st r u m en t os d e m en su r ação or d in ais e u n i d i m en si o n a i s, co m o a esca l a n u m ér i ca , esca l a a n a l ó g i c a v i s u a l , e s c a l a d e f a c e s e e s c a l a d e
d e s c r i t o r e s v e r b a i s , a p a r e c e m c o m o o s m a i s frequent em ent e ut ilizados, no ent ant o, especialm ent e
no Brasil, as referências são escassas, apont ando para a subident ificação e subav aliação da dor em idosos.
Os i n s t r u m e n t o s d e m e n s u r a ç ã o m u l t i d i m e n s i o n a i s a i n d a s ã o p o u c o u t i l i z a d o s , esp eci al m en t e n a p o p u l ação i d o sa, n o en t an t o , o
Qu e s t i o n á r i o d e Mc Gi l l c o n t i n u a s e n d o o m a i s fr eqüent em ent e aplicado pelos pesquisador es, apesar
d as d if icu ld ad es en con t r ad as n a in t er p r et ação d os escalon am en t os g er ad os.
Os i n st r u m en t o s u t i l i zad o s em i d o so s são p r a t i c a m e n t e o s m e s m o s u t i l i z a d o s e m o u t r a s am ost r as. Caber á a cada pr ofissional escolher aquele que at enda de form a m ais adequada as necessidades
do in div ídu o idoso, con sider an do a possibilidade de adapt ações e, pr in cipalm en t e, a n ecessidade de se elaborar inst rum ent os válidos e precisos que perm it am
a p r on t a id en t if icação e t r at am en t o d a d or n esses in d iv íd u os.
Ob s e r v o u - s e q u e a p r e s e n ç a d e
q u e in t er f er em n a m en su ração e av aliação d a d or. Po r o u t r o l a d o , m u i t o s p a ci en t es a ssu m em p a p el passivo no cuidado à saúde, t ant o pela inexper iência e d e sco n h e ci m e n t o d e se u s d i r e i t o s, co m o p e l a int erferência de valores cult urais. Parecem não querer pr eocupar os pr ofissionais da saúde, assum indo que ela é par t e nor m al da idade av ançada.
A d or est á en t r e os p r in cip ais f at or es q u e podem im pact ar negat iv am ent e a qualidade de v ida d o i n d i v íd u o i d o so , p o i s l i m i t a su a s a t i v i d a d e s, a u m e n t a a a g i t a ç ã o , o r i s c o p a r a e s t r e s s e e o i s o l a m e n t o s o c i a l . A m e n s u r a ç ã o p r e c i s a d e s s a ex p er iên cia p od e con t r ib u ir p ar a q u e esse im p act o sej a m inim izado, ev it ando sofr im ent o desnecessár io.
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