em espa¸
cos de Banach
Leandro Candido Batista
Dissertac
¸˜
ao apresentada
ao
Instituto de Matem´
atica e Estat´ıstica
da
Universidade de S˜
ao Paulo
para
obtenc
¸˜
ao do t´ıtulo
de
Mestre em Ciˆ
encias
Programa: Matem´
atica
Orientador: Profa. Dra. Mary Lilian Louren¸co
Durante o desenvolvimento deste trabalho o autor recebeu aux´ılio financeiro do CNPq e da FAPESP (processo 2008/01650-0).
Polinˆ
omios n-Homogˆ
eneos
e T´
opicos Relacionados
Este exemplar corresponde `a reda¸c˜ao final da disserta¸c˜ao devidamente corrigida e defendida por Leandro Candido Batista e aprovada pela Comiss˜ao Julgadora.
Banca Examinadora:
• Profa. Dra. Mary Lilian Louren¸co - IME-USP.
• Prof. Dr. Daniel Pellegrino - UFPB.
Agradecimentos
Agrade¸co `a minha orientadora, Profa. Dra. Mary Lilian Louren¸co, por sua orienta¸c˜ao, sugest˜ao dos temas, paciˆencia e amizade.
Agrade¸co a meus pais Vera e Joaquim e meu irm˜ao Leonardo, pelo apoio e incentivo. Agrade¸co `a minha noiva, Rita Cavalcanti, pelo carinho, paciˆencia e apoio durante toda a gradua¸c˜ao e o mestrado.
Agrade¸co a todos os professores que participaram da minha forma¸c˜ao, em especial `a Profa. Dra. L´ucia Renato Junqueira, por sua orienta¸c˜ao, conselhos e amizade durante minha gradua¸c˜ao.
Agrade¸co ao grande amigo Andr´e Pierro de Camargo que me ajudou de in´umeras formas. Agrade¸co aos amigos B´arbara Sayuri Ashino e Cesar Adriano Batista pelo incentivo e aux´ılio com o latex.
Agrade¸co aos membros da banca examinadora pelas sugest˜oes e corre¸c˜oes. Agrade¸co `a FAPESP e ao CNPq pelo apoio financeiro.
Resumo
Neste trabalho estudamos principalmente dois t´opicos em An´alise Funcional. No primeiro t´opico, estudamos zeros de polinˆomios em espa¸cos de Banach reais. Apresentamos resulta-dos deviresulta-dos a J. Ferrer, publicaresulta-dos em [11], estabelecendo que todo polinˆomio fracamente cont´ınuo sobre os subconjuntos limitados de um espa¸co de Banach, de dual n˜ao separ´avel na topologia fraca estrela, admite um subespa¸co linear fechado de dual n˜ao separ´avel na topologia fraca estrela, no qual o polinˆomio se anula.
Apresentamos tamb´em uma demonstra¸c˜ao, devida a J. Ferrer e publicada em [12], de que seK´e um espa¸co topol´ogico compacto n˜ao satisfazendo a condi¸c˜ao de cadeia cont´avel, ent˜ao todo polinˆomio definido emC(K) assumindo valores reais e se anulando na origem, se anula em um subespa¸co isometricamente isomorfo a c0(Γ), onde Γ ´e um conjunto n˜ao enumer´avel.
No segundo t´opico, exibimos uma vers˜ao multilinear para o Lema de Phelps, resultado publicado em [3] e devido a R. Aron, A. Cardwell., D. Garc´ıa e I. Zalzuendo.
Abstract
We study two topics in Functional Analysis. In the first topic, we study zeros of polyno-mials on real Banach spaces. We present results due to J. Ferrer published in [11], stating that every polynomial weakly continuous on bounded subsets of a Banach space, whose dual is not separable in the weak-star topology, admits a closed linear subspace whose dual is not separable in the weak- star topology either, where the polynomial vanishes.
We also present a proof, given by J. Ferrer and published in [12], that if K is a com-pact topological space not satisfying the countable chain condition, then every real-valued polynomial defined in C(K) and vanishing at the origin, vanishes in a subspace isometric to c0(Γ), where Γ is a non-enumerable set.
In the second topic, we show a multilinear version for the Phelps’ Lemma, published in [3] by R. Aron, A. Cardwell., D. Garc´ıa and I. Zalzuendo.
Introdu¸
c˜
ao
Neste trabalho estudamos principalmente dois t´opicos em An´alise Funcional. O primeiro e principal t´opico ´e dedicado ao estudo de zeros de polinˆomios. O estudo de zeros de polinˆomios complexos possui uma longa hist´oria, com resultados em an´alise complexa, geo-metria alg´ebrica e an´alise funcional. Um resultado devido a A. Plichko e A. Zagorodnyuk, publicado em [22], afirma que sobre um espa¸co de Banach complexo de dimens˜ao infinita, todo polinˆomio n-homogˆeneo assumindo valores complexos se anula em um subespa¸co de di-mens˜ao infinita. Este resultado despertou grande interesse no estudo de zeros de polinˆomios n-homogˆeneos, em diversas dire¸c˜oes.
Em [11], J. Ferrer estabelece condi¸c˜oes sob as quais um resultado similar ao teorema de A. Plichko e A. Zagorodnyuk, descrito acima, seja v´alido para espa¸cos de Banach reais de dimens˜ao infinita. Este ´e um problema ainda n˜ao resolvido completamente. Neste artigo, o autor desenvolve t´ecnicas que resolvem parcialmente este problema para um particular tipo de polinˆomio em um particular tipo de espa¸co.
No segundo t´opico apresentaremos um resultado fora do contexto de zeros de polinˆomios, mas que nos despertou interesse durante o desenvolvimento desse trabalho. Se trata de uma vers˜ao multilinear para o Lema de Phelps, resultado publicado em [3] e devido a R. Aron, A. Cardwell., D. Garc´ıa e I. Zalzuendo.
O Lema de Phelps ´e um resultado devido a R. R. Phelps, publicado em 1960, em [20]. Em uma vers˜ao atual afirma que dados um espa¸co de Banach X, funcionais f, g ∈ SX∗ e 0< ǫ <1, ent˜ao
SX ∩kerf ⊂SX ∩g−1(]−ǫ, ǫ[) =⇒ kg −αfk ≤2ǫ para algum |α|= 1.
No ano seguinte, este resultado foi utilizado em [6], por E. Bishop e R. R. Phelps, como um passo crucial na demonstra¸c˜ao do teorema de Bishop-Phelps, que afirma que todo espa¸co de Banach ´e subreflexivo, ou seja, em um espa¸co de Banach o conjunto dos funcionais lineares cont´ınuos que atingem sua norma ´e denso.
Em [3], os autores apresentam a seguinte vers˜ao multilinear para o Lema de Phelps. Dados X1, . . . , Xn espa¸cos de Banach, para todo n ∈ N existe Dn > 0 tal que para
quaisquer A, B ∈ L(X1, . . . , Xn) com kAk=kBk = 1 e ǫ > 0 suficientemente pequeno,
definindo-se Z(A) := {u ∈ SX1 ×. . .×SXn : A(u) = 0} e ǫ(B) := {u ∈ SX1 ×. . .×SXn :
|B(u)| ≤ǫ}
Z(A)⊂ǫ(B)⇒ kB−αAk ≤Dnǫ para algum |α|= 1.
A seguir, descreveremos sucintamente os assuntos abordados em cada cap´ıtulo.
No cap´ıtulo 1 estabelecemos resultados preliminares em an´alise funcional e topologia. Para um estudo detalhado sobre estes assuntos recomendamos [16].
No cap´ıtulo 2 introduzimos conceitos iniciais de aplica¸c˜oes multilineares e polinˆomios com base em [17]. Na se¸c˜ao 2.4 apresentamos, com base em [9], alguns tipos especiais de polinˆomios, dentre eles, os polinˆomios fracamente cont´ınuos sobre subconjuntos limitados de um espa¸co de Banach, que ter˜ao um papel fundamental no cap´ıtulo 3.
No cap´ıtulo 3 estudamos zeros de polinˆomios em espa¸cos de Banach reais. Apresentare-mos, principalmente, resultados devidos a J. Ferrer publicados em [11] e [12]. Na se¸c˜ao 3.1 exibimos com todos os detalhes a demonstra¸c˜ao do teorema de A. Plichko e A. Zagorod-nyuk mencionado acima. Na se¸c˜ao 3.2 apresentamos alguns resultados e caracteriza¸c˜oes para espa¸cos de dual separ´avel na topologia fraca estrela. Na se¸c˜ao 3.3 apresentamos a demons-tra¸c˜ao de que todo polinˆomio fracamente cont´ınuo sobre os subconjuntos limitados de um espa¸co de Banach, de dual n˜ao separ´avel na topologia fraca estrela, admite um subespa¸co linear fechado de dual n˜ao separ´avel na topologia fraca estrela, no qual o polinˆomio se anula. Na se¸c˜ao 3.4, estudamos a aplica¸c˜ao de alguns resultados das se¸c˜oes anteriores sobre espa¸cos com a propriedade de Dunford-Pettis. Apresentamos tamb´em a demonstra¸c˜ao de que seK ´e um espa¸co topol´ogico compacto n˜ao satisfazendo a condi¸c˜ao de cadeia cont´avel, ent˜ao todo polinˆomio definido em C(K) assumindo valores reais e se anulando na origem, se anula um um subespa¸co isometricamente isomorfo a c0(Γ), onde Γ ´e um conjunto n˜ao enumer´avel.
No cap´ıtulo 4 nosso objetivo ´e exibir a vers˜ao multilinear do Lema de Phelps, elaborada por R. Aron, A. Cardwell., D. Garc´ıa e I. Zalzuendo, o que fazemos na se¸c˜ao 4.4.
Para um completa compreens˜ao deste resultado s˜ao necess´arios alguns resultados encon-trados nos artigos [5] e [18].
As se¸c˜oes 4.1 e 4.2 tratam de um pequeno estudo do atigo [18]. Estudamos t´ecnicas de complexifica¸c˜ao, que consistem em procedimentos para se obter espa¸cos de Banach complexos a partir de espa¸cos de Banach reais de forma que se possa estender aplica¸c˜oes multilineares e polinˆomios cont´ınuos reais de forma ´unica nesse espa¸co complexo, preservando-se a con-tinuidade e controlando-se a norma. Na se¸c˜ao 4.3 estudamos, com base em [5], um m´etodo para, supondo P1, . . . , Pnpolinˆomios sobre um espa¸co de BanachX, se obter uma constante
Sum´
ario
Introdu¸c˜ao ix
Nota¸c˜ao xiii
1 Preliminares 1
1.1 Redes . . . 1
1.2 Topologias Induzidas por Fam´ılias de Fun¸c˜oes . . . 3
1.3 Espa¸cos Vetoriais Topol´ogicos . . . 10
1.4 Espa¸cos de Sequˆencias . . . 12
2 Aplica¸c˜oes Multilineares e Polinˆomios 21 2.1 Aplica¸c˜oes Multilineares . . . 21
2.2 Aplica¸c˜oes Multilineares Sim´etricas . . . 27
2.3 Polinˆomios . . . 31
2.4 Polinˆomios Fracamente Cont´ınuos sobre Limitados . . . 37
3 Zeros de Polinˆomios 43 3.1 Zeros de Polinˆomios em Espa¸cos de Banach Complexos . . . 43
3.2 Espa¸cos de Dual w∗-Separ´avel . . . . 47
3.3 Zeros de Polinˆomios Fracamente Cont´ınuos sobre Limitados . . . 53
3.4 Zeros de Polinˆomios sobre Espa¸cos com a Propriedade DP . . . 58
4 Lema de Phelps Multilinear 67 4.1 Complexifica¸c˜ao de Espa¸cos de Banach Reais . . . 67
4.2 Extens˜oes Complexas de Multilineares e Polinˆomios Reais . . . 73
4.3 Produto de Polinˆomios em Espa¸cos de Banach . . . 76
4.4 Lema de Phelps . . . 85
Referˆencias Bibliogr´aficas 93
Nota¸
c˜
ao
N o conjunto dos n´umeros naturais
N0 o conjuntos dos n´umeros inteiros n˜ao negativos
Q o corpo dos racionais
R o corpo dos n´umeros reais
C o corpo dos n´umeros complexos
K o corpo R ouC
Sn o conjunto de todas as permuta¸c˜oes de {1, . . . , n}
BX a bola unit´aria fechada de um espa¸co normado X
SX a esfera unit´aria de um espa¸co normado X Br(x) a bola aberta de centro x e raio r
L(X;Y) o espa¸co das aplica¸c˜oes lineares cont´ınuas de X em Y X∗ o espa¸co das aplica¸c˜oes lineares cont´ınuas de X em K
L(nX;Y) o espa¸co das aplica¸c˜oes n-lineares cont´ınuas de Xn em Y L(nX) o espa¸co das aplica¸c˜oes n-lineares cont´ınuas de Xn em K P(nX;Y) o espa¸co dos polinˆomios n-homogˆeneos cont´ınuos de X em Y P(nX) o espa¸co dos polinˆomios n-homogˆeneos cont´ınuos de X em K C(K) o espa¸co das fun¸c˜oes cont´ınuas e limitadas de K em K [A]K o espa¸co vetorial gerado por A sobre o corpo K
[A] quando n˜ao h´a d´uvidas sobre o corpo, ´e o espa¸co vetorial gerado porA X ∼=Y X, Y s˜ao espa¸cos de Banach isometricamente isomorfos
∂kP ´e a aplica¸c˜ao em P(n−kX;P(kX;Y)), definida por
∂kP(x)(y) := n! (n−k)!P xb
n−kyk, x, y ∈X
A⊥ A ´e subconjunto de um espa¸co normado X,A⊥ ´e o subespa¸co de
todos os funcionais f ∈X∗, satistazendo f(x) = 0
B⊥ B ´e subconjunto de X∗,B⊥ ´e o subespa¸co de todos os elementosx∈X
satistazendo f(x) = 0, para todo f ∈B
Cap´ıtulo 1
Preliminares
Neste cap´ıtulo estudaremos conceitos b´asicos em topologia e an´alise funcional, necess´arios para o desenvolvimento deste trabalho. Para um estudo mais detalhado sobre esses t´opicos recomendamos [16].
1.1
Redes
Em espa¸cos m´etricos a continuidade de fun¸c˜oes pode ser caracterizada atrav´es de sequˆen-cias. Nesta se¸c˜ao introduziremos o conceito de rede, que generaliza o conceito de sequˆencia e nos permite obter uma caracteriza¸c˜ao para a continuidade em espa¸cos topol´ogicos quaisquer. Um estudo detalhado sobre redes bem como os resultados desta se¸c˜ao podem ser encon-trados em [16].
Defini¸c˜ao 1.1.1. Um conjunto n˜ao vazio Γ munido de uma ordem parcial ≤, tal que para cada α, β ∈ Γ exista γ ∈ Γ satisfazendo, α ≤ γ e β ≤ γ, ´e chamado conjunto dirigido. Uma rede em um conjunto X ´e uma aplica¸c˜ao x : Γ → X, onde Γ ´e um conjunto dirigido. Denotaremos uma rede x: Γ→X por (xγ)γ∈Γ, onde xγ :=x(γ).
Dizemos que uma rede (xγ)γ∈Γ em um espa¸co topol´ogicoXconverge parax∈X, se para
qualquer vizinhan¸caU dexexistir γ0 ∈Γ tal quexγ ∈U, sempre queγ ≥γ0. Demonstra-se
que uma rede em um espa¸co de Hausdorff converge no m´aximo a um ´unico elemento. Neste trabalho, lidaremos apenas com espa¸cos de Hausdorff. Portanto, se uma rede (xγ)γ∈Γ converge a algum x, diremos que x ´e o limite de (xγ)γ∈Γ e denotaremos xγ →x ou
limγxγ =x.
Claramente, toda sequˆencia ´e uma rede.
A proposi¸c˜ao a seguir nos fornece uma caracteriza¸c˜ao de fecho topol´ogico por redes.
Proposi¸c˜ao 1.1.2. Seja Y um subconjunto de um espa¸co topol´ogico X. Ent˜ao x ∈Y se e somente se existe uma rede em Y convergindo a x.
Demonstra¸c˜ao. Claramente, se existe uma rede emY convergindo ax, ent˜ao toda vizinhan¸ca dex cont´em elementos desta rede e portanto x∈Y.
Por outro lado, seja x∈ Y e seja Γ a cole¸c˜ao de todas as vizinhan¸cas de x, dirigida sob a rela¸c˜ao ≤, definida por
U1 ≤U2 se e somente se U2 ⊆U1.
Para cadaU ∈Γ, fixemosxU ∈U∩Y. Claramente (xU)U∈Γ´e uma rede emY convergindo
a x.
O resultado a seguir nos fornece uma generaliza¸c˜ao, para espa¸cos topol´ogicos quaisquer, da caracteriza¸c˜ao de continuidade por sequˆencias em espa¸cos m´etricos.
Teorema 1.1.3. Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos. Uma fun¸c˜ao f :X →Y ´e cont´ınua em
x0 ∈X se e somente se a rede (f(xγ))γ∈Γ converge a f(x0), se (xγ)γ∈Γ converge a x0.
Demonstra¸c˜ao. Sef ´e cont´ınua emx0 e (xγ)γ∈Γ ´e uma rede emX convergindo a x0, decorre
imediatamente das defini¸c˜oes de convergˆencia e continuidade que f(xγ)→f(x0).
Por outro lado, supondo por absurdo que f n˜ao seja cont´ınua em x0, existe uma
vizin-han¸ca V def(x0) tal que nenhuma vizinhan¸caU dex0 satisfa¸ca f(U)⊆V.
Seja Γ a cole¸c˜ao de todas as vizinhan¸cas de x0, dirigida sob a rela¸c˜ao≤, definida por
U1 ≤U2 se e somente se U2 ⊆U1.
Para cada U ∈ Γ, seja xU ∈U tal que f(xU)∈/ V. Decorre que (xU)U∈Γ ´e uma rede em
X convergindo a x0 e, por constru¸c˜ao, (f(xU))U∈Γ n˜ao converge af(x0), uma contradi¸c˜ao.
De acordo com o teorema acima, uma fun¸c˜ao f :X →Y ´e cont´ınua em X se e somente se para cada x∈X, a rede (f(xγ))γ∈Γ converge af(x) se (xγ)γ∈Γ converge ax.
Defini¸c˜ao 1.1.4. Um subconjunto Γ′ de um conjunto dirigido Γ ´ecofinal em Γ se para todo
α∈Γ existir βα em Γ′ tal que α ≤βα.
Defini¸c˜ao 1.1.5. Sejam X um conjunto, Γ um conjunto dirigido e (xγ)γ∈Γ uma rede em X.
1.2. TOPOLOGIAS INDUZIDAS POR FAM´ILIAS DE FUNC¸ ˜OES 3 (i) g(β1)≤g(β2) em Γ sempre que β1 ≤β2 ∈Γ′.
(ii) g(Γ′) ´e cofinal em Γ.
Ent˜ao, a rede xg(β)
β∈Γ′ ´e chamada subrede de (xγ)γ∈Γ.
Segue da defini¸c˜ao acima que se (xγ)γ∈Γ for uma rede em um conjuntoX, ent˜ao qualquer
subrede de (xγ)γ∈Γ ´e uma rede em X, e se X for um espa¸co topol´ogico e a rede (xγ)γ∈Γ
converge para algumx∈X, ent˜ao toda subrede converge a x.
1.2
Topologias Induzidas por Fam´ılias de Fun¸
c˜
oes
Nesta se¸c˜ao introduziremos alguns resultados b´asicos em topologia geral e em espa¸cos normados; introduziremos o conceito de topologias fraca e fraca∗.
Os resultados desta se¸c˜ao se encontram em [16].
Teorema 1.2.1. Sejam X um conjunto, F uma fam´ılia de fun¸c˜oes e {(Xf,Of) :f ∈ F}
uma fam´ılia de espa¸cos topol´ogicos tal que cada f em F seja fun¸c˜ao de X em Xf. Ent˜ao
existe sobre X uma topologia O satisfazendo:
(i) f : (X,O)→(Xf,Of) ´e cont´ınua para cada f ∈ F;
(ii) se O′ for uma topologia sobre X tal que f : (X;O′) → (X
f;Of) seja cont´ınua para
cada f ∈ F, ent˜ao O ⊆ O′.
Denotaremos O:=σ(X,F).
Demonstra¸c˜ao. SejaG ={f−1(U) :f ∈ F, U ∈ Of}eO a topologia sobreX gerada porG.
Claramente f : (X,O)→(Xf,Of) ´e cont´ınua para cadaf ∈ F.
SeO′ for uma outra topologia sobreX tal que f : (X,O′)→(X
f,Of) seja cont´ınua para
cada f ∈ F ent˜ao G ⊆ O′ e consequentementeO ⊆ O′.
Exemplo 1.2.2. (Topologia Produto) Dada uma cole¸c˜ao {Xγ :γ ∈Γ}, definimos seu
produto cartesiano por
Y
γ∈Γ
Xγ :=
(
f : Γ→ [ γ∈Γ
Xγ :f(γ)∈Xγ para todoγ ∈Γ
)
.
Fixemos a cole¸c˜ao F =nπα :Qγ∈ΓXγ →Xα :α∈Γ
o
onde cada πα ´e definido por,
πα
(fγ)γ∈Γ
:=fα.
A topologia em Qγ∈ΓXγ, induzida pela cole¸c˜ao F ´e denominada topologia produto.
Neste trabalho, sobre um produto cartesiano de espa¸cos topol´ogicos, sempre consideraremos a topologia produto.
Proposi¸c˜ao 1.2.3. Sejam X um conjunto, F uma cole¸c˜ao de fun¸c˜oes satisfazendo as hip´oteses do teorema 1.2.1 e (xγ)γ∈Γ uma rede em X. Considerando sobre X a topologia
induzida pela cole¸c˜ao F, ent˜ao xγ →x se e somente se f(xγ)→f(x) para todo f ∈ F.
Demonstra¸c˜ao. E evidente que se´ xγ →x, ent˜ao f(xγ)→f(x) para todo f ∈ F.
Por outro lado, fixada uma vizinhan¸ca arbitr´aria U de x, existem f1, . . . , fn ∈ F e
Vk ∈ Of, 1≤k≤n, tais que
x∈f1−1(V1)∩. . .∩fn−1(Vn)⊆U.
Por f(xγ) → f(x) para todo f ∈ F, para cada 1 ≤ k ≤ n, existe γk ∈ Γ, tal que
fk(xγ)∈Vk sempre que γ ≥γk.
Por Γ ser um conjunto dirigido, existe γ0 ∈Γ tal que γ0 ≥γk, 1≤k ≤n. Decorre,
xγ ∈f1−1(V1)∩. . .∩fn−1(Vn)⊆U,
sempre que γ ≥γ0. Portanto xγ →x.
Neste trabalho, se X e Y denotarem espa¸cos vetoriais, La(X;Y) denotar´a o espa¸co de
todas as aplica¸c˜oes lineares de X em Y. Em particular, se Y = K denotaremos X∗
a := La(X;K). No caso em que X e Y forem espa¸cos normados, denotaremos por L(X;Y) o subespa¸co de todas as aplica¸c˜oes lineares cont´ınuas de X em Y. Em particular, se Y =K, X∗ :=L(X;K).
Defini¸c˜ao 1.2.4. (Topologia Fraca) Seja X um espa¸co normado. A topologia induzida sobre X, pela cole¸c˜ao X∗ ´e denominada topologia fraca deX e denotada σ(X, X∗).
1.2. TOPOLOGIAS INDUZIDAS POR FAM´ILIAS DE FUNC¸ ˜OES 5 No que segue, apresentaremos alguns resultados relacionados `a topologia fraca e que ser˜ao ´
uteis neste trabalho.
Proposi¸c˜ao 1.2.5. Se T ∈ L(X;Y) ent˜ao T : (X, σ(X, X∗))→(Y, σ(Y, Y∗)) ´e cont´ınua.
Demonstra¸c˜ao. Fixemos (xγ)γ∈Γ uma rede emX convergindo fracamente a algum x∈X.
Para cada ϕ∈Y∗, temosϕ◦T ∈X∗ e consequentemente
ϕ(T(xγ)) =ϕ◦T(xγ)→ϕ◦T (x) =ϕ(T(x)).
Em virtude da proposi¸c˜ao 1.2.3, a rede (T (xγ))γ∈Γ converge fracamente a T(x).
Por (xγ)γ∈Γ ser uma rede w-convergente arbitr´aria, de acordo com a proposi¸c˜ao 1.1.3,
conclu´ımos que T : (X, σ(X, X∗))→(Y, σ(Y, Y∗)) ´e cont´ınua.
A proposi¸c˜ao a seguir nos permite simplificar algumas demonstra¸c˜oes. Sua verifica¸c˜ao ´e simples e ser´a omitida.
Proposi¸c˜ao 1.2.6. Se X ´e um espa¸co normado, ent˜ao os conjuntos da forma
W(x, ϕ1, . . . , ϕn, ǫ) :={y∈X :|ϕk(y)−ϕk(y)|< ǫ, 1≤k≤n},
onde x ∈ X, ϕ1, . . . , ϕn ∈ X∗ e ǫ > 0, formam uma base de abertos para a topologia
σ(X, X∗).
Defini¸c˜ao 1.2.7. A aplica¸c˜aoI :X →X∗∗que associa a cada x∈X, o funcionalI
x ∈X∗∗
definido por
Ix(ϕ) := ϕ(x), x∈X, ϕ ∈X∗, ´e chamada de aplica¸c˜ao canˆonica de X em X∗∗.
Utilizando-se o teorema de Hahn-Banach, demonstra-se que I ´e uma isometria linear.
Defini¸c˜ao 1.2.8. Se X ´e um espa¸co normado, dizemos que um subconjunto A ⊆ X ´e
fracamente limitado se para cadaϕ ∈X∗, existe M
ϕ >0 tal que supx∈A|ϕ(x)|< Mϕ.
Proposi¸c˜ao 1.2.9. Se X ´e um espa¸co normado, um subconjunto de X ´e limitado se e somente se for fracamente limitado.
Demonstra¸c˜ao. Seja Aum subconjunto de X. Se A for limitado, existe M >0 satisfazendo sup
x∈Ak
Para cada ϕ∈X∗, fixandoM
ϕ :=kϕkM, decorre
sup
x∈A|
ϕ(x)| ≤sup
x∈Ak
ϕk kxk<kϕkM =Mϕ.
Conclu´ımos que A´e fracamente limitado.
Por outro lado, se A ´e fracamente limitado e I : X → X∗∗ ´e a aplica¸c˜ao canˆonica,
ent˜ao{Ix :x∈A}´e uma cole¸c˜ao emX∗∗, pontualmente limitada. O Princ´ıpio da Limita¸c˜ao
Uniforme implica a existˆencia de M > 0 satisfazendo sup
x∈Ak
xk= sup
x∈AkIxk
< M.
Portanto A´e limitado.
Defini¸c˜ao 1.2.10. (Topologia Fraca∗) Sejam X um espa¸co normado e I : X → X∗∗ a
aplica¸c˜ao canˆonica. A topologia induzida sobreX∗, pela cole¸c˜aoI(X)⊆X∗∗´e denominada
topologia fraca∗ deX∗ e denotada σ(X∗, X).
Analogamente `a topologia fraca, muitas vezes utilizaremosw∗ fazendo referˆencia `a
topolo-gia fraca∗ no dual de um espa¸co normado.
No que segue, apresentaremos alguns resultados relacionados `a topologia fraca∗ e que
ser˜ao ´uteis neste trabalho.
A proposi¸c˜ao a seguir ´e uma aplica¸c˜ao simples do teorema 1.1.3.
Proposi¸c˜ao 1.2.11. Se X ´e um espa¸co normado, ent˜ao a aplica¸c˜ao canˆonica
I : (X,k.k)→(X∗∗, σ(X∗, X))
´e cont´ınua.
Analogamente `a proposi¸c˜ao 1.2.6, a proposi¸c˜ao a seguir nos permite simplificar algumas demonstra¸c˜oes. A demonstra¸c˜ao ´e simples e ser´a omitida.
Proposi¸c˜ao 1.2.12. Se X ´e um espa¸co normado, ent˜ao os conjuntos da forma
W(ϕ, x1, . . . , xn, ǫ) :={ϑ∈X∗ :|ϕ(xk)−ϑ(xk)|< ǫ, 1≤k ≤n},
onde ϕ ∈ X∗, x
1, . . . , xn ∈ X e ǫ > 0, formam uma base de abertos para a topologia
1.2. TOPOLOGIAS INDUZIDAS POR FAM´ILIAS DE FUNC¸ ˜OES 7 Dado um espa¸co topol´ogicoX, dizemos que um subconjuntoY ⊂X´esepar´avel se existir um subconjuntoD ⊂ Y enumer´avel, satisfazendo Y ⊆ D.
Se X ´e um espa¸co normado e A e B forem subconjuntos de X e X∗ respectivamente,
denotaremos por Aw o fecho de A sob a topologia fraca de X e porBw∗ o fecho de B sob a topologia fraca∗ deX∗.
Demonstra-se que se um subconjuntoY ⊆X, onde X ´e um espa¸co normado, ´e separ´avel ent˜ao [Y] ´e separ´avel. Temos tamb´em o seguinte resultado.
Proposi¸c˜ao 1.2.13. Seja X um espa¸co normado. Se um subconjunto A de X∗ ´e w∗
-separ´avel, ent˜ao [A] ´ew∗-separ´avel.
Demonstra¸c˜ao. Se A ´e w∗-separ´avel, existe uma cole¸c˜ao enumer´avel {ϕ
n:n∈N} ⊂ A
sa-tisfazendo
A⊆ {ϕn :n ∈N} w∗
. Seja KQ definido por
KQ :=
(
Q se K=R
Q+iQ se K=C .
Claramente KQ ´e um corpo denso em K e podemos definir D := [{ϕn:n∈N}]KQ, o
espa¸co vetorial gerado por {ϕn :n∈N} sobre o corpo KQ. Segue-se que D ´e enumer´avel.
Demonstraremos que [A]⊂ Dw
∗ .
Fixado u ∈ [A], seja W(u, x1, . . . , xr, ǫ), onde x1, . . . , xr ∈ X, e ǫ > 0, uma vizinhan¸ca
b´asica arbitr´aria de u na topologia fraca∗ deX∗.
Supondou=a1ϑ1+. . .+asϑs, coma1, . . . , as ∈Keϑ1, . . . , ϑs∈A, por{ϕk :k∈N}ser
w∗-denso em A, para cada 1 ≤k≤s existe ϕ
nk ∈W(ϑk, x1, . . . , xr, δ)∩ {ϕn:n∈N}, onde
δ := ǫ
2s(max1≤j≤s|aj|+ 1)
.
Ent˜ao, para cada 1≤k ≤s,
|ϑk(xj)−ϕnk(xj)|<
ǫ
2s(max1≤j≤s|aj|+ 1)
, 1≤j ≤r.
Fixando-se v := a1ϕn1 +. . .+asϕns, a densidade de KQ em K implica a existˆencia de b1, . . . , bs ∈KQ, satisfazendo
|ak−bk|<
ǫ
2s(max1≤j≤r|ϕnk(xj)|+ 1)
Segue-se que w:=b1ϕn1 +. . .+brϕnr ∈ D e para cada 1≤j ≤r,
|u(xj)−w(xj)| ≤ |u(xj)−v(xj)|+|v(xj)−w(xj)|
= s X k=1
ak(ϑk(xj)−ϕnk(xj))
+ s X k=1
(ak−bk)ϕnk(xj)
≤ s X k=1
|ak| |ϑk(xj)−ϕnk(xj)|+
s
X
k=1
|ak−bk| |ϕnk(xj)|
< s X k=1 ǫ 2s + s X k=1 ǫ 2s = ǫ 2 + ǫ 2 =ǫ.
Ent˜ao w ∈ W(u, x1, . . . , xr, ǫ)∩ D. Por W(u, x1, . . . , xr, ǫ) ser uma vizinhan¸ca b´asica
arbitr´aria deu, conclu´ımos que u∈ Dw ∗
.
Apresentaremos agora algumas defini¸c˜oes e teoremas importantes que ser˜ao utilizados ao longo deste trabalho. Estes resultados podem ser encontrados com todos os detalhes em [16].
Defini¸c˜ao 1.2.14. Sejam X um espa¸co normado e A e B subconjuntos de X e X∗
respec-tivamente, definimos
A⊥:={f ∈X∗ :f(x) = 0, x∈A}, B⊥:={x∈X :f(x) = 0, f ∈B}.
A⊥´e o anulador deA em X∗ eB
⊥ ´e oanulador de B em X.
Demonstra-se que A⊥ eB
⊥ s˜ao subespa¸cos fechados de X∗ e X respectivamente.
Teorema 1.2.15. SejamX um espa¸co normado e A e B subconjuntos de X e X∗
respecti-vamente.
(i) O conjunto A⊥ ´e w∗-fechado em X;
(ii) (B⊥)⊥= [B]
w∗
;
(iii) Se B for subespa¸co de X∗, ent˜ao (B
⊥)⊥=B
w∗
.
Teorema 1.2.16. (Alaoglu) Se X ´e um espa¸co normado, ent˜ao a bola fechada BX∗ ´e um
espa¸co de Hausdorff compacto na topologia fraca∗.
Teorema 1.2.17. (Goldstine) Sejam X um espa¸co normado e I :X →X∗∗ a aplica¸c˜ao
1.2. TOPOLOGIAS INDUZIDAS POR FAM´ILIAS DE FUNC¸ ˜OES 9
Teorema 1.2.18. Se X ´e um espa¸co normado separ´avel ent˜ao BX∗ ´ew∗-metriz´avel.
Demonstra¸c˜ao. Seja {xn :n ∈N} ⊂ X \ {0} um subconjunto enumer´avel, denso em X.
Observamos que para quaisquer f, g ∈BX∗
∞
X
n=1
1 2nkx
nk|
(f−g) (xn)| ≤
∞
X
n=1
1 2nkx
nkk
f−gk kxnk=kf −gk<∞.
Podemos ent˜ao definir a aplica¸c˜ao d :BX∗×B
X∗ →R por d(f, g) :=
∞
X
n=1
1 2nkx
nk|
(f −g) (xn)|, f, g∈BX∗.
Verifica-se sem dificuldade que para quaisquer f, g, h∈BX∗ (i) d(f, g)≥0;
(ii) d(f, g) = d(g, f);
(iii) d(f, g)≤d(f, h) + d(h, g).
Sef, g∈BX∗ s˜ao tais que d(f, g) = 0, ent˜aof(xn) =g(xn) para todon∈N. Por (xn)
n∈N
ser denso em X, decorre f =g. Podemos ent˜ao concluir que d ´e uma m´etrica sobre BX∗. Para demonstrarmos que a topologiaσ(X∗, X) sobreB
X∗ ´e metriz´avel, basta verificarmos que a identidade id : (BX∗, σ(X∗, X))→(B
X∗,d) ´e um homeomorfismo. Seja f ∈ BX∗ arbitr´ario. Dado ǫ > 0 arbitr´ario, existe n
0 ∈ N tal que 2n10 < 4ǫ e existe δ >0 tal que
δ
n0
X
k=1
1 2nkx
nk
!
< ǫ 2. Seja W :=W(f, x1, . . . , xn0, δ)∩BX∗. Se g ∈W temos
d(f, g) =
n0
X
k=1
1
2kkxkk|(f−g)(xk)|+
∞
X
k=n0+1
1
2kkxkk|(f −g)(xk)| ≤δ
n0
X
k=1
1 2kkxkk
!
+kf−gk
∞
X
k=n0+1
1 2k
!
≤ ǫ
2+ 2
∞
X
k=n0+1
Isso demonstra que id (W) ⊆ Bd
ǫ(f) :={g ∈BX∗ : d (f, g)< ǫ}, e podemos concluir que id ´e cont´ınua. Por outro lado, de acordo com o teorema de Alaoglu 1.2.16,BX∗´ew∗-compacto e por (BX∗,d) ser espa¸co topol´ogico de Hausdorff, id ´e uma aplica¸c˜ao fechada. Segue-se que id−1 ´e cont´ınua e conclu´ımos que id ´e um homeomorfismo.
1.3
Espa¸
cos Vetoriais Topol´
ogicos
Nesta se¸c˜ao introduziremos o conceito de espa¸co vetorial topol´ogico que generaliza o de espa¸co normado. Apresentaremos algumas defini¸c˜oes e resultados que dependem apenas da continuidade das opera¸c˜oes de adi¸c˜ao de vetores e multiplica¸c˜ao de vetor por escalar. Estudaremos tamb´em o conceito de precompacidade.
Defini¸c˜ao 1.3.1. Um espa¸co vetorial topol´ogico (EVT) ´e um par ordenado (X,O), onde X ´e um espa¸co vetorial sobre o corpo K e O ´e uma topologia sobreX tal que a adi¸c˜ao de vetores seja uma opera¸c˜ao cont´ınua de X×X em X e a multiplica¸c˜ao de vetor por escalar seja uma opera¸c˜ao cont´ınua de K×X em X. Se O admitir uma base de abertos convexos, dizemos que (X,O) ´e um espa¸co localmente convexo (ELC). Por quest˜ao de simplicidade, quando n˜ao houver d´uvidas sobre qual topologia se trata, denotaremos um espa¸co vetorial topol´ogico apenas por X.
Claramente, todo espa¸co normado X ´e um ELC. Verifica-se tamb´em que os espa¸cos (X, σ(X, X∗)) e (X∗, σ(X∗, X)) s˜ao ELCs.
Defini¸c˜ao 1.3.2. Uma rede (xγ)γ∈Γ em um espa¸co vetorial topol´ogicoX ´e chamada derede
de Cauchy se para toda vizinhan¸ca U de zero existir γ ∈Γ tal quexα−xβ ∈U sempre que
α, β ≥γ.
Defini¸c˜ao 1.3.3. DadosX,Y espa¸cos vetoriais topol´ogicos, dizemos que que uma aplica¸c˜ao f :A⊂ X →Y ´euniformemente cont´ınua se para toda vizinhan¸ca U de zero em Y existir uma vizinhan¸caV de zero emX, tal que para quaisquer x,y ∈A, f(x)−f(y)∈ U sempre que x−y∈V.
Defini¸c˜ao 1.3.4. Se X ´e um espa¸co vetorial topol´ogico e Y ´e subconjunto de X, dizemos que Y ´eprecompacto se toda rede (xγ)γ∈Γ⊂Y admite subrede de Cauchy.
1.3. ESPAC¸ OS VETORIAIS TOPOL ´OGICOS 11 vizinhan¸ca U de zero em Y tal que para cada vizinhan¸ca V de zero em X, existem xV,
yV ∈A, satisfazendo
xV −yV ∈V e f(xV)−f(yV)∈/ U.
Seja Γ a cole¸c˜ao de todas as vizinhan¸cas de zero, dirigida sob a rela¸c˜ao ≤, definida por V0 ≤V1 se e somente se se V1 ⊆V0.
Segue-se que (xV)V∈Γ e (yV)V∈Γ s˜ao redes em A satisfazendo, xV −yV →0.
Por A ser precompacto, (xV)V∈Γ e (yV)V∈Γ admitem subredes de Cauchy que, por
sim-plicidade, denotaremos (xγ)γ∈Γ1 e (yδ)δ∈Γ2 respectivamente.
Seja Γ0 := Γ1 ×Γ2, dirigido sob a rela¸c˜ao≤, definida por
(γ0, δ0)≤(γ1, δ1) se e somente seγ0 ≤γ1 e δ0 ≤δ1.
Fixando-se x(γ,δ)
(γ,δ)∈Γ0 e y(γ,δ)
(γ,δ)∈Γ0 onde
x(γ,δ):=xγ ey(γ,δ):=yδ,
obtemos redes de Cauchy em A, satisfazendo x(γ,δ)−y(γ,δ)→0 e f x(γ,δ)
−f y(γ,δ)
/
∈U, (γ, δ)∈Γ0.
Proposi¸c˜ao 1.3.5. Se X e Y forem espa¸cos localmente convexos e A ⊂X for precompacto, ent˜ao uma aplica¸c˜ao f : A →Y ´e uniformemente cont´ınua se e somente se aplica redes de Cauchy em redes de Cauchy.
Demonstra¸c˜ao. Claramente sef ´e uniformemente cont´ınua ent˜ao aplica redes de Cauchy em redes de Cauchy.
Por outro lado, se f n˜ao for uniformemente cont´ınua, de acordo com o que foi discutido acima, deve existir uma vizinhan¸ca U de zero e redes de Cauchy (xγ)γ∈Γ e (yγ)γ∈Γ em A,
satisfazendo
xγ−yγ →0 e f(xγ)−f(yγ)∈/ U, γ ∈Γ.
Seja ΓN:= Γ×N, dirigido sob a rela¸c˜ao≤, definida por
Fixemos z(γ,n)
(γ,n)∈ΓN definida por
z(γ,n) =
(
xγ se n for par
yγ se n for ´ımpar
.
Sem dificuldades verifica-se que z(γ,n)
(γ,n)∈ΓN ´e rede de Cauchy em A. Entretanto, a
rede f z(γ,n)
(γ,n)∈ΓN n˜ao ´e de Cauchy em Y, isso conclui a demonstra¸c˜ao.
Proposi¸c˜ao 1.3.6. Se X ´e um espa¸co de Banach, todo subconjunto precompacto de X ´e separ´avel.
Demonstra¸c˜ao. Seja A um subconjunto precompacto de X. Verifica-se que toda sequˆencia em A admite subsequˆencia convergindo a algum elemento de A, portanto A ´e compacto.
Por X ser um espa¸co de Banach e A ser compacto, A ´e separ´avel, e portanto existe um subconjunto enumer´avel D ={an :n∈N} satisfazendo
A=D. Para cadam, n∈N, fixemosbmn∈ B1
m(an)∩A. Segue-se queH:={bmn :m, n∈N} ⊂A ´e uma cole¸c˜ao enumer´avel, satisfazendo
A ⊆ H,
de onde conclu´ımos que A´e separ´avel.
A demonstra¸c˜ao da proposi¸c˜ao a seguir pode ser encontrada com todos os detalhes em [16] ou [19].
Proposi¸c˜ao 1.3.7. Se X ´e um espa¸co de Banach ent˜ao BX ´e w-precompacto.
1.4
Espa¸
cos de Sequˆ
encias
1.4. ESPAC¸ OS DE SEQU ˆENCIAS 13 Fixado um conjunto infinito Γ, c0(Γ) denota o espa¸co de todas as fun¸c˜oes ϕ : Γ → K
satisfazendo
kϕk∞ := sup
λ∈Γ{|
ϕ(λ)|}<∞.
e tais que para todo ǫ >0 o conjunto{λ∈Γ :|ϕ(λ)| ≥ǫ}´e finito.
Observamos que sob esta defini¸c˜ao, qualquerϕ ∈c0(Γ) se anula em todo Γ, com exce¸c˜ao
de um subconjunto enumer´avel Γϕ.
Se 1 ≤p < ∞, lp(Γ) denota o conjunto de todas as fun¸c˜oes ϕ : Γ →K se anulando em
todo Γ com exce¸c˜ao de um subconjunto enumer´avel Γϕ ⊆ {λk :k ∈N} satisfazendo
kϕkp :=
∞
X
k=1
|ϕ(λk)|p
!1
p <∞.
Por abuso de nota¸c˜ao muitas vezes escreveremos
kϕkp := X
λ∈Γ
|ϕ(λ)|p
!1
p .
Denotamos por l∞(Γ) o espa¸co de todas as fun¸c˜oes ϕ : Γ→K com
kϕk∞ := sup
t∈Γ {|
ϕ(t)|}.
Demonstra-se que c0(Γ) e lp(Γ), 1 ≤ p ≤ ∞ s˜ao espa¸cos de Banach. Um elemento
arbitr´ario ϕ de algum desses espa¸cos, ser´a denotado por (ϕλ)λ∈Γ onde ϕλ :=ϕ(λ).
Por simplicidade, denotaremos c0(N) :=c0 e lp(N) := lp, 1≤p≤ ∞.
Seja B={eλ :λ∈Γ} onde eλ = (eλγ)γ∈Γ ´e definido por
eλγ :=
(
1 se λ=γ 0 se λ6=γ .
Claramente B ´e um conjunto linearmente independente. Fixado ϕ = (ϕλ)λ∈Γ em lp(Γ),
1≤p <∞ ouc0(Γ), o conjunto Γϕ :={λ∈Γ :ϕλ 6= 0}´e enumer´avel.
Se Γϕ for finito, ϕ ´e combina¸c˜ao linear de elementos de B. Supondo Γϕ ={λk :k∈N},
definimos a sequˆencia (ϑn)n∈N por
ϑn:= n
X
k=1
Dado ǫ >0, se ϕ∈lp(Γ), 1 ≤p <∞, existe n0 tal que
kϕ−ϑnkp ≤
∞
X
k=n+1 |ϕλk|
p
!1
p < ǫ,
sempre que n ≥n0.
Se ϕ∈c0(Γ), existe n1 tal que
kϕ−ϑnk∞ ≤ sup k≥n+1{|
ϕλk|} ≤ǫ,
sempre que n ≥n1.
Em qualquer caso
ϕ = lim
n→∞ϑn= limn→∞
n
X
k=1
ϕλkeλk :=
∞
X
k=1
ϕλkeλk
Claramente, a s´erie converge incondicionalmente, ou seja
∞
X
k=1
ϕλkeλk =
∞
X
k=1
ϕλσ(k)eλσ(k),
para toda permuta¸c˜ao σ :N→N. Ent˜ao, por abuso de nota¸c˜ao escrevemos ϕ=X
λ∈Γ
ϕλeλ.
O conjunto B ser´a chamado de base canˆonica dec0(Γ) ou lp(Γ), 1≤p <∞.
Proposi¸c˜ao 1.4.1. Se Γ´e um conjunto infinito qualquer ent˜ao (c0(Γ))∗ ´e isometricamente
isomorfo a l1(Γ).
Demonstra¸c˜ao. Seja B = {eλ :λ∈Γ} a base canˆonica de c0(Γ). Verificaremos
primeira-mente que para cada ϕ∈(c0(Γ))∗ o conjunto Γ∗ϕ :={λ ∈Γ :ϕ(eλ)6= 0} ´e enumer´avel.
Com efeito, fixado ϕ∈(c0(Γ))∗ para cada n∈N definimos
Fn :=
λ∈Γ :|ϕ(eλ)| ≥
1 n
.
1.4. ESPAC¸ OS DE SEQU ˆENCIAS 15 enumer´avel {λk :k ∈N} ⊆Fn0 e definir uma sequˆencia (vn)n∈N onde
vn:= n
X
k=1
1 k
ϕ(eλk)
|ϕ(eλk)| eλk.
Claramente kvnk∞ = 1, n∈N, e
|ϕ(vn)|=
ϕ n X k=1 1 k
ϕ(eλk)
|ϕ(eλk)| eλk
! = n X k=1 1
k |ϕ(eλk)|
≥ 1 n0 n X k=1 1 k ! .
Isso implica uma contradi¸c˜ao pelo fato de ϕ ser cont´ınua. Ent˜ao Fn ´e finito para todo
n∈N, e portanto, o conjunto
Γ∗ϕ = [
n∈N
Fn
´e enumer´avel.
Para cadaϕ ∈(c0(Γ))∗, supondo sem perda de generalidade Γ∗ϕ ={λk :k ∈N}, definimos
para cada n∈N
un := n
X
k=1
ϕ(eλk)
|ϕ(eλk)|
eλk.
Claramente kunk∞= 1 para cada n∈N, e vale a seguinte rela¸c˜ao
n
X
k=1
|ϕ(eλk)|=
ϕ n X k=1
ϕ(eλk)
|ϕ(eλk)| eλk
!
=|ϕ(un)| ≤ kϕk∞.
Segue-se que
∞
X
k=1
|ϕ(eλk)| ≤ kϕk∞
e a convergˆencia ´e claramente incondicional. Por abuso de nota¸c˜ao escreveremos
X
λ∈Γ
|ϕ(eλ)|:=
∞
X
k=1
Podemos ent˜ao, definir uma aplica¸c˜ao Φ : (c0(Γ))∗ →l1(Γ), por
Φ(ϕ) := (ϕ(eλ))λ∈Γ.
Verifica-se que Φ ´e uma aplica¸c˜ao linear, e da rela¸c˜ao (1.1) segue-se imediatamente,
kΦ(ϕ)k1 ≤ kϕk∞ para todoϕ∈(c0(Γ))∗.
Observemos agora que para cada ϕ ∈(c0(Γ))∗ e para cada x = (xλ)λ∈Γ =Pλ∈Γxλeλ ∈
Bc0(Γ), vale a seguinte rela¸c˜ao
|ϕ(x)|=
X
λ∈Γ
xλϕ(eλ)
≤
X
λ∈Γ
|xλ| |ϕ(eλ)|
≤ X
λ∈Γ
|ϕ(eλ)|
!
=kΦ(ϕ)k1,
de onde conclu´ımos, kϕk∞≤ kΦ(ϕ)k1 para todoϕ ∈(c0(Γ))∗.
Ent˜ao Φ ´e uma isometria. Para verificarmos a sobrejetividade basta notar que para cada (xλ)λ∈Γ∈l1(Γ), a aplica¸c˜ao φ:c0(Γ)→K definida por
φ(u) :=X
λ∈Γ
uλxλ, u= (uλ)λ∈Γ ∈c0(Γ),
´e linear e cont´ınua. Claramente Φ (φ) = (xλ)λ∈Γ.
De forma semelhante, demonstra-se que se 1 p +
1
q = 1 ent˜ao (lp(Γ))
∗
´e isometricamente isomorfo alq(Γ) e que (l1(Γ))∗ ´e isometricamente isomorfo a l∞(Γ).
A demonstra¸c˜ao da proposi¸c˜ao a seguir pode ser encontrada em [10].
Proposi¸c˜ao 1.4.2.
(i) c0 e lp, 1≤p <∞ s˜ao separ´aveis.
(ii) l∞ n˜ao ´e separ´avel.
(iii) Se Γ for um conjunto n˜ao enumer´avel, ent˜ao c0(Γ) e lp(Γ), 1 ≤ p ≤ ∞, n˜ao s˜ao
separ´aveis.
Uma propriedade importante dos espa¸cos l1(Γ) ´e que, sobre esse espa¸cos, uma sequˆencia
converge fracamente se e somente se converge em norma. Tal propriedade ´e denominada
1.4. ESPAC¸ OS DE SEQU ˆENCIAS 17
Defini¸c˜ao 1.4.3. Dizemos que um espa¸co normadoX tem a propriedade de Schur, se toda sequˆencia (xn)n∈N em X convergindo fracamente a algum x∈X, converge em norma a x.
A proposi¸c˜ao a seguir pode ser encontrada em [8].
Proposi¸c˜ao 1.4.4. l1 tem a propriedade de Schur.
Demonstra¸c˜ao. Seja (xn)n∈N⊂l1 uma sequˆencia arbitr´aria convergindo fracamente a algum
x∈l1. Dado ǫ >0 arbitr´ario, definimos para cada m∈N, Bm :=
n
φ∈Bl∞ :|φ(xn−x)| ≤ ǫ
3, n≥m
o
.
Notando-se que para cada n ∈N, a aplica¸c˜aoβn:l∞ →K, definida por
βn(φ) :=φ(xn−x),
´e cont´ınua, com respeito `a topologia fraca∗ de l
∞ e a topologia usual de K, e
Bm =
\
n≥m
βn−1 Bǫ
3(0)
!
∩Bl∞,
conclu´ımos que Bm ´ew∗-fechado para cada m ∈ N. Por (x
n)n∈N convergir fracamente a x,
segue-se
Bl∞ =
[
m∈N Bm.
Por l∗
1 ∼= l∞, o teorema de Alaoglu 1.2.16 implica que Bl∞ ´e w
∗-compacto. Por l
1 ser
separ´avel, decorre da proposi¸c˜ao 1.2.18, queBl∞ ´ew
∗-metriz´avel. Portanto, sob a topologia
fraca∗,B
l∞ ´e um espa¸co m´etrico compacto e consequentemente, um espa¸co de Baire. Ent˜ao, de acordo com o teorema de Baire, existem0 ∈Ntal que o interior, com respeito `a topologia
fraca∗, de Bm
0 n˜ao seja vazio. Segue-se que existem φ0 ∈ Bl∞, y1, . . . , yr ∈ l1 e δ0 > 0, tais
que
W(φ0, y1, . . . , yr, δ0)∩Bl∞ ⊂ Bm0. Supondo yi = (yik)k∈N, 1≤i≤r, fixemoss ∈Ntal que
∞
X
k=s+1
yki< δ0
4, 1≤i≤r.
Se {ek :k ∈N}´e a base canˆonica de l1, para cada φ∈Bl∞ satisfazendo
|φ(ei)−φ0(ei)| ≤δ1 :=
δ0
2(max1≤k≤rkykk1+ 1)
temos
|φ(yi)−φ0(yi)|=
∞ X k=1
(φ(ei)−φ0(ei))yki
≤ s X k=1
|φ(ei)−φ0(ei)|
yki+
∞
X
k=s+1
(kφk+kφ0k)
yik
≤δ1 s X k=1 yi k + 2δ0
4
≤δ1 max
1≤k≤rkykk1+
δ0
2 < δ0, ou seja, φ∈W(φ0, y1, . . . , yr, δ0) e podemos concluir
W(φ0, e1, . . . , es, δ0)∩Bl∞ ⊂W(φ0, y1, . . . , yr, δ0)∩Bl∞. (1.2)
Supondo para cada n∈N, xn:= (χnk)k∈N ex:= (χk)k∈N, temos
kxn−xk1 =
∞
X
k=1
|χnk −χk|
=
s
X
k=1
|χnk −χk|+
∞
X
k=s+1
|χnk−χk|
=
s
X
k=1
|χnk −χk| − s
X
k=1
φ0(ek) (χnk−χk)
+
s
X
k=1
φ0(ek) (χnk −χk) +
∞
X
k=s+1
|χnk−χk|
≤2
s
X
k=1
|χnk −χk|+|ψ(xn−x)|,
onde ψ := (φ0(e1), . . . , φ0(es), sng(χns+1−χns+1), sng(χns+2−χns+2), . . .)∈Bl∞ e
sng(u) :=
(
u
|u| se u6= 0
0 se u= 0 . Notando-se que (ψ−φ0)(ek) = 0 para todo 1≤k ≤s, decorre
1.4. ESPAC¸ OS DE SEQU ˆENCIAS 19 Por xn
w
→x, segue-se χn
k →χk, k∈N. Podemos fixar m1 ∈N tal que s
X
k=1
|χnk−χk|<
ǫ
3, n≥m1. Ent˜ao para todo n >max{m0, m1}
kxn−xk1 <2
ǫ 3 +
ǫ 3 =ǫ e isso demonstra que xn→x em l1.
Proposi¸c˜ao 1.4.5. Para qualquer conjunto Γ n˜ao enumer´avel, l1(Γ) tem a propriedade de
Schur
Demonstra¸c˜ao. Seja (xn)n∈N uma sequˆencia em l1(Γ), convergindo fracamente a algumx∈
l1(Γ).
Para cada y = (yλ)λ∈Γ ∈ l1(Γ), de acordo com a defini¸c˜ao de l1(Γ), o conjunto Γy := {λ∈Γ :yλ 6= 0}´e enumer´avel. Seja
Γ0 :=
[
n∈N
Γxn
!
∪Γx.
Claramente Γ0 ´e enumer´avel e podemos, sem perda de generalidade, supor
Γ0 ={λk :k ∈N}.
Observemos que para cada y= (yλ)λ∈Γ∈l1(Γ), vale a seguinte rela¸c˜ao
X
k∈N
|yλk| ≤
X
λ∈Γ
|yλ|=k(yλ)λ∈Γk1. (1.3)
Podemos ent˜ao definir uma aplica¸c˜ao Φ :l1(Γ)→l1 por
Φ (yλ)λ∈Γ
:= (yλk)k∈N.
Sem dificuldade, demonstra-se que Φ ´e linear, e da rela¸c˜ao (1.3), segue-se imediatamente que Φ ´e cont´ınua.
Em virtude da proposi¸c˜ao 1.2.5, a sequˆencia (Φ(xn))n∈N em l1 converge fracamente a
Por l1 ter apropriedade de Schur, (Φ(xn))n∈N converge em norma para Φ(x) e de acordo
com a defini¸c˜ao de Φ, temos
kΦ(xn)−Φ(x)k1 =kΦ(xn−x)k1 =kxn−xk1, n∈N.
Cap´ıtulo 2
Aplica¸
c˜
oes Multilineares e Polinˆ
omios
Este cap´ıtulo ´e dedicado ao estudo de conceitos b´asicos sobre aplica¸c˜oes multilineares, polinˆomios e t´opicos relacionados. Para um estudo mais detalhado, recomendamos [9] e [17].
2.1
Aplica¸
c˜
oes Multilineares
Defini¸c˜ao 2.1.1. Sejam X1, . . . , Xn e Y, espa¸cos vetoriais sobre um corpo K. Dizemos que
uma aplica¸c˜aoA :X1×. . .×Xn →Y ´en-linear se for linear em cada vari´avel separadamente,
ou seja
A(x1, . . . , xi +λyi, . . . , xn) =A(x1. . . , xi, . . . , xn) +λA(x1, . . . , yi, . . . , xn)
para quaisquer x1, . . . , xi, yi, . . . , xn ∈Xi, 1≤i≤n e λ∈K.
Verifica-se facilmente que o conjunto de todas as aplica¸c˜oes n-lineares de X1, . . . , Xn
em Y, sob as opera¸c˜oes usuais de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao por escalar, ´e um espa¸co vetorial. Este espa¸co ser´a denotado por La(X1, . . . , Xn;Y). Em particular, se X1 = . . . = Xn =
X denotaremos La(X1, . . . , Xn;Y) := La(nX;Y), La(1X;Y) = La(X;Y) e por conven¸c˜ao La(0X;Y) =Y. Se Y =K, denotaremos La(X
1, . . . , Xn;K) :=La(X1, . . . , Xn).
A partir de agora, menos que sejam mencionadas outras hip´oteses, X1, . . . , Xn, X, Y
denotar˜ao espa¸cos normados. Por quest˜ao de simplicidade e quando n˜ao houver possibilidade de confus˜ao, qualquer norma ser´a denotada apenas por k.k, ficando claro pelo contexto a qual espa¸co se refere.
A topologia produto sobre X1×. . .×Xn pode ser gerada pela norma k(x1, . . . , xn)k:= max
1≤k≤nkxkk.
Neste trabalho, sobre um produto de espa¸cos normados, esta ser´a a norma utilizada. Demonstra-se sem dificuladade que X1 ×. . .×Xn ´e um espa¸co de Banach se e somente
se X1, . . . , Xn s˜ao espa¸cos de Banach.
Proposi¸c˜ao 2.1.2. Para cada A∈ La(X1, . . . , Xn;Y) s˜ao equivalentes:
(i) A ´e cont´ınua;
(ii) A ´e cont´ınua na origem;
(iii) Existe M > 0 tal que kA(x1, . . . , xn)k ≤ Mkx1k. . .kxnk para todo (x1, . . . , xn) ∈
X1 ×. . .×Xn.
Demonstra¸c˜ao. (i)⇒(ii) Evidente.
(ii) ⇒ (iii) Se A ´e cont´ınua na origem, ent˜ao existe δ > 0 tal que kA(x1, . . . , xn)k ≤ 1
sempre que k(x1, . . . , xn)k ≤δ.
Fixando-se M := δ1n, seja (x1, . . . , xn)∈X1×. . .×Xn arbitr´ario. Se xk = 0 para algum 1≤k≤n ent˜ao
kA(x1, . . . , xn)k= 0 =Mkx1k. . .kxnk.
Se xk6= 0, 1≤k ≤n, ent˜ao
A
δx1 kx1k
, . . . , δxn
kxnk
≤1,
pois claramente
δx1 kx1k, . . . ,
δxn kxnk
≤δ.
Consequentemente
kA(x1, . . . , xn)k ≤
1
δnkx1k. . .kxnk=Mkx1k. . .kxnk.
2.1. APLICAC¸ ˜OES MULTILINEARES 23 Definindo-se z0 :=x, z1 := (y1, x2. . . , xn), z2 := (y1, y2, x3. . . , xn),. . .,zn:=y, temos
kA(y)−A(x)k=
n X k=1
(A(zk)−A(zk−1))
≤ n X k=1
kA(zk)−A(zk−1)k
=
n
X
k=1
kA(y1, . . . , yk−xk, . . . , xn)k
≤ n
X
k=1
Mkx1k. . .kyk−xkk. . .kxnk
≤M mn−1
n
X
k=1
kyk−xkk
!
.
A rela¸c˜ao acima implica claramente a continuidade de A.
Denotaremos por L(X1, . . . , Xn;Y) o subespa¸co deLa(X1, . . . , Xn;Y) consistindo de
to-das as aplica¸c˜oes n-lineares cont´ınuas. Em particular, se X1 =. . . =Xn =X denotaremos L(nX;Y) :=L(X
1, . . . , Xn;Y). Denotaremos tamb´emL(X1, . . . , Xn) :=L(X1, . . . , Xn;K) e L(nX) :=L(nX;K).
A seguir um exemplo de aplica¸c˜ao multilinear n˜ao cont´ınua.
Exemplo 2.1.3. Seja X = (l1,k.k∞) e A∈ La(2X) definida por
A (αk)k∈N,(βk)k∈N
:=
∞
X
k=1
αkβk, (αk)k∈N,(βk)k∈N∈l1.
Para cadan ∈N, seja xn= ( n
z }| {
1, . . . ,1,0, . . .). Claramente k(xn, xn)k= 1 para todo n∈N
e kA(xn, xn)k=n. De acordo com a proposi¸c˜ao 2.1.2, A n˜ao ´e cont´ınua.
Observamos no entanto que, para cada (αk)k∈N, (βk)k∈N ∈ l1, s˜ao v´alidas as seguintes
rela¸c˜oes:
kA (αk)k∈N,(βk)k∈N
k= ∞ X k
αkβk
≤ k(αk)k∈Nk1k(βk)k∈Nk∞, kA (αk)k∈N,(βk)k∈N
k= ∞ X k
αkβk
≤ k(βk)k∈Nk1k(αk)k∈Nk∞.
Devemos observar tamb´em que o espa¸co (l1,k.k∞) n˜ao ´e de Banach. A proposi¸c˜ao a seguir
nos mostra que se os espa¸cos forem de Banach, em uma aplica¸c˜ao multilinear, a continuidade em cada vari´avel separadamente implica a continuidade.
Proposi¸c˜ao 2.1.4. Sejam X1, . . . , Xn espa¸cos de Banach e Y um espa¸co normado. Uma
aplica¸c˜ao A ∈ La(X1, . . . , Xn;Y) ´e cont´ınua se e somente se ´e cont´ınua em cada vari´avel
separadamente.
Demonstra¸c˜ao. Claramente, se A for cont´ınua ent˜ao ´e cont´ınua em cada vari´avel separada-mente.
A demonstra¸c˜ao da afirma¸c˜ao rec´ıproca ser´a por indu¸c˜ao sobren. Se n= 1, a tese segue trivialmente. Supondon >1 e a tese v´alida emLa(X1, . . . , Xn−1;Y), fixemos uma sequˆencia
((xk, yk))k∈N em X1×. . .×Xn, com xk ∈X1×. . .×Xn−1 eyk ∈Xn, convergindo a zero.
Seja F ={Ak :k ∈N} ⊂ La(Xn;Y) onde
Ak(y) := A(xk, y), k ∈N.
Para cada y∈Xn a aplica¸c˜ao Ay :X1×. . .×Xn−1 →Y definida por
Ay(x) :=A(x, y),
´e n −1-linear e cont´ınua em cada vari´avel separadamente. De acordo com a hip´otese de indu¸c˜ao, Ay ´e cont´ınua. Ent˜ao para cada k ∈N e y∈Xn temos
lim
k→∞Ak(y) = limk→∞A(xk, y) = limk→∞Ay(xk) = 0.
Consequentemente, F ´e uma cole¸c˜ao de aplica¸c˜oes lineares pontualmente limitada. Pelo Princ´ıpio da Limita¸c˜ao Uniforme, existe M > 0 tal que supk∈NkAkk ≤M. Ent˜ao
lim
k→∞kA(xk, yk)k= limk→∞kAkykk ≤klim→∞Mkykk= 0.
Conclu´ımos que A ´e cont´ınua na origem e portanto, em virtude da proposi¸c˜ao 2.1.2,A ´e cont´ınua.
Proposi¸c˜ao 2.1.5. A aplica¸c˜ao k.k:L(X1, . . . , Xn;Y)→R definida por kAk:= sup{kA(x)k:x∈X1×. . .×Xn,kxk ≤1},
2.1. APLICAC¸ ˜OES MULTILINEARES 25
Demonstra¸c˜ao. Segue da proposi¸c˜ao 2.1.2 que para todo A∈ L(nX;Y), kAk<∞e
kA(x1, . . . , xn)k ≤ kAkkx1k. . .kxnk. (2.1)
Claramente, para cada A ∈ L(nX;Y), temos kAk ≥ 0. Se kAk = 0, da rela¸c˜ao (2.1),
temos para cada (x1, . . . , xn)
kA(x1, . . . , xn)k ≤ kAkkx1k. . .kxnk= 0,
portanto A≡0.
Fixado λ∈K ek(x1, . . . , xn)k ≤1 temos
kλA(x1, . . . , xn)k=|λ| kA(x1, . . . , xn)k ≤ |λ| kAk, (2.2)
consequentemente
kλAk ≤ |λ| kAk.
Se λ= 0, claramente vale a igualdade na rela¸c˜ao (2.2). Se λ6= 0 temos
kA(x1, . . . , xn)k=
λ
1 λ
A(x1, . . . , xn)
=
1
|λ|kλA(x1, . . . , xn)k ≤
1
|λ|kλAk,
portanto
|λ| kAk ≤ kλAk. (2.3)
Das rela¸c˜oes (2.2) e (2.3) decorre a igualdade para toda aplica¸c˜aoA∈ L(X1, . . . , Xn;Y).
Se A, B ∈ L(X1, . . . , Xn;Y), fixado k(x1, . . . , xn)k ≤1 arbitr´ario temos
kA(x1, . . . , xn) +B(x1, . . . , xn)k ≤ kA(x1, . . . , xn)k+kB(x1, . . . , xn)k ≤ kAk+kBk,
portanto
kA+Bk ≤ kAk+kBk.
Proposi¸c˜ao 2.1.6. Se Y ´e um espa¸co de Banach ent˜ao, sob a norma A 7→ kAk , o espa¸co
L(X1, . . . , Xn;Y) ´e de Banach.
Demonstra¸c˜ao. Seja (Ak)k∈N uma sequencia de Cauchy em L(X1, . . . , Xn;Y). Para cada
(x1, . . . , xn)∈X1×. . .×Xn e para cada k, r∈N,
Ent˜ao, para cadau∈X1×. . .×Xn, a sequˆencia (Ak(u))k∈N´e de Cauchy emY e converge,
pois Y ´e completo.
Podemos ent˜ao, definir uma aplica¸c˜ao A:X1×. . .×Xn →Y por
A(u) := lim
k→∞Ak(u).
An-linearidade da aplica¸c˜aoAsegue das propriedades operat´orias do limite de sequˆencias e da n-linearidade de cada uma das aplica¸c˜oesAk.
Para verificarmos a continuidade de A, fixemos u∈ X1 ×. . .×Xn com kuk ≤ 1 arbitr´ario.
De acordo com a rela¸c˜ao (2.1), deve existir k0 ∈N tal que kAk(u)−Ar(u)k ≤1,
sempre que k, r≥k0. Ent˜ao, para todo k ≥k0, a desigualdade triangular implica kAk(u)k ≤ kAk0(u)k+ 1≤ kAk0k+ 1
e consequentemente
kAk ≤ kAk0k+ 1.
Conclu´ımos que kAk ≤ ∞, e em virtude da proposi¸c˜ao 2.1.2, A´e cont´ınua. Finalmente, fixando-se ǫ >0, existe k1 ∈N tal que para quaisquer k, r≥k1
kAk−Ark ≤
ǫ 2. Seja kuk ≤1 arbitr´ario. Para quaisquerk, r≥k1
kAk(u)−Ar(u)k ≤ kAk−Ark ≤
ǫ 2 Fixando-se k ≥k1 temos
lim
r→∞kAk(u)−Ar(u)k=kAk(u)−A(u)k ≤
ǫ 2 < ǫ. Por kuk ≤1 ser arbitr´ario,
kAk−Ak< ǫ,
2.2. APLICAC¸ ˜OES MULTILINEARES SIM ´ETRICAS 27
2.2
Aplica¸
c˜
oes Multilineares Sim´
etricas
As aplica¸c˜oes multilineares sim´etricas tˆem importˆancia fundamental no estudo de poli-nˆomios, objetos que estudaremos a partir da pr´oxima se¸c˜ao. Denotaremos porSno conjunto
de todas as permuta¸c˜oes de{1, . . . , n}, ou seja, o conjunto de todas as bije¸c˜oes de{1, . . . , n} em {1, . . . , n}.
Defini¸c˜ao 2.2.1. Dizemos queA∈ La(nX;Y) ´e sim´etrica se para quaisquerx1, . . . , xn∈X
e para todo σ ∈ Sn
A(x1, . . . , xn) = A(xσ(1), . . . , xσ(n)).
Verifica-se facilmente que o conjunto de todas as aplica¸c˜oes multilineares sim´etricas ´e um subespa¸co de La(nX;Y) e ser´a denotado por Ls
a(nX;Y). Em particular, denotaremos Ls
a(nX) :=Lsa(nX;K).
Defini¸c˜ao 2.2.2. Para cadaα = (α1, . . . , αm)∈Nm0 :=
m
z }| {
N0×. . .×N0, definimos
|α|:=α1+. . .+αm e α! :=α1!. . . αm!.
Em diversos momentos neste trabalho, tendo em vista simplificar algumas nota¸c˜oes, dado A∈ La(nX;Y), x
1, . . . , xm ∈X e α= (α1, . . . , αm)∈Nm0 com |α|=n, denotaremos
Axα1
1 . . . xαmm :=A x| {z }1. . . x1 α1
. . . x| {z }m. . . xm αm
.
Denotaremos por Ls(nX;Y) o subespa¸co de Ls
a(nX;Y) de todas as aplica¸c˜oesn-lineares
sim´etricas cont´ınuas. Em particular, denotaremos Ls(nX) :=Ls(nX;K).
Corol´ario 2.2.3. Se Y ´e um espa¸co de Banach ent˜ao Ls(nX;Y) ´e um espa¸co de Banach.
Demonstra¸c˜ao. Segue diretamente da proposi¸c˜ao 2.1.6 e da unicidade do limite de uma sequˆencia em um espa¸co normado.
Proposi¸c˜ao 2.2.4. Para cada A∈ L(nX;Y) seja As definida por
As(x1, . . . , xn) :=
1 n!
X
σ∈Sn
Ent˜ao a aplica¸c˜ao A 7→ As ´e uma proje¸c˜ao de L(nX;Y) em Ls(nX;Y), e para cada
A∈ L(nX;Y),
kAk ≤ kAsk.
Denominaremos As, a aplica¸c˜ao n-linear sim´etrica associada a A.
Demonstra¸c˜ao. Fixado A ∈ L(nX;Y), claramente As ´e uma aplica¸c˜ao multilinear cont´ınua
e para cada γ ∈ Sn,
As(xγ(1), . . . , xγ(n)) =
1 n!
X
σ∈Sn
A xγ(σ(1)), . . . , xγ(σ(n))
= 1 n!
X
β∈Sn
A xβ(1), . . . , xβ(n)
=As(x1, . . . , xn).
Ent˜ao, de fato As∈ Ls(nX;Y). ClaramenteA7→As ´e uma aplica¸c˜ao linear e para cada
A∈ L(nX;Y)
(As)s(x1, . . . , xn) =
1 n!
X
σ∈Sn
As xσ(1), . . . , xσ(n)
= 1 n!
X
σ∈Sn
As(x1, . . . , xn) =As(x1, . . . , xn).
Conclu´ımos que a aplica¸c˜ao A 7→As ´e uma proje¸c˜ao de L(nX;Y) em Ls(nX;Y).
Fixando-se k(x1, . . . , xn)k ≤1 arbitr´ario, temos
kAs(x1, . . . , xn)k=
1 n! X
σ∈Sn
A(x1, . . . , xn)
≤ 1 n!kAk
X
σ∈Sn
1 =kAk.
Consequentemente kAsk ≤ kAk.
Mais geralmente a aplica¸c˜ao A7→ As, associando cada A∈ La(nX;Y) a aplica¸c˜ao As ∈ Ls
a(nX;Y), definida por
As(x1, . . . , xn) :=
1 n!
X
σ∈Sn
A(xσ(1), . . . , xσ(n)), x1, . . . , xn∈X,
´e uma proje¸c˜ao de La(nX;Y) em Lsa(nX;Y).
Analogamente ao caso cont´ınuo, denominaremos As, a aplica¸c˜ao n-linear sim´etrica
2.2. APLICAC¸ ˜OES MULTILINEARES SIM ´ETRICAS 29
Proposi¸c˜ao 2.2.5. (F´ormula de Leibniz) Seja A∈ Ls
a(nX;Y). Para x1, . . . , xm ∈X,
A(x1+. . .+xm)n =
X
|α|=n
n! α!Ax
α1
1 . . . xαmm,
onde α = (α1, . . . , αm)∈Nm0 , tal que |α|=n.
Demonstra¸c˜ao. A demonstra¸c˜ao ser´a feita por indu¸c˜ao em n. ´E evidente que a proposi¸c˜ao se verifica para n = 0 e n = 1. Se n > 1, supondo v´alida a tese em Ls
a(n−1X;Y) fixemos
x1, . . . , xm ∈ X. Aplicando-se a hip´otese de indu¸c˜ao para a aplica¸c˜ao B ∈ Lsa(n−1X;Y)
definida por
B(y1, . . . , yn−1) := A(x1+. . .+xm) (y1, . . . , yn−1), y1, . . . , yn−1 ∈X,
teremos
A(x1+. . .+xm)n=B(x1+. . .+xm)n−1
= X
|α|=n−1
(n−1)! α! Bx
α1
1 . . . xαmm
= X
|α|=n−1
(n−1)!
α! A(x1+. . .+xm)x
α1
1 . . . xαmm
= X
|α|=n−1
(n−1)! α! Ax
α1+1
1 . . . xαmm +. . .+
X
|α|=n−1
(n−1)! α! Ax
α1
1 . . . xαmm+1.
Para cada 1 ≤ k ≤ m, definimos β(k) = β(k) 1 , ..., β
(k) m
onde β1(k) := α1, . . . , βk(k) :=
Podemos escrever
X
|α|=n−1
(n−1)! α! Ax
α1+1
1 . . . xαmm+. . .+
X
|α|=n−1
(n−1)! α! Ax
α1
1 . . . xαmm+1
= X
|β(1)|=n
β1(1)(n−1)! β(1)! Ax
β(1)1 1 . . . xβ
(1)
m
m +. . .+
X
|β(m)|=n
βm(m)(n−1)!
β(m)! Ax β(1m) 1 . . . xβ
(m)
m
m
= X
|β|=n
β1(n−1)!
β! Ax
β1
1 . . . xβmm+. . .+
X
|β|=n
βm(n−1)!
β! Ax
β1
1 . . . xβmm
= X
|β|=n
(β1+. . .+βm) (n−1)!
β! Ax
β1
1 . . . xβmm
= X
|β|=n
n! β!Ax
β1
1 . . . xβmm,
como quer´ıamos.
Corol´ario 2.2.6. (F´ormula do Binˆomio) Seja A∈ Ls
a(nX;Y). Para x, y ∈X,
A(x+y)n=
n X k=0 n k
Axn−kyk.
O pr´oximo resultado estabelece que uma aplica¸c˜ao multilinear sim´etrica ´e determinada pelos seus valores na diagonal de Xn.
Proposi¸c˜ao 2.2.7. (F´ormula de Polariza¸c˜ao) Se A ∈ Ls
a(nX;Y), ent˜ao para todo
x0, . . . , xn ∈X
A(x1, . . . , xn) =
1 n!2n
X
ǫk=±1
ǫ1. . . ǫnA(x0+ǫ1x1+. . .+ǫnxn)n.
A soma percorre todas as 2n sequˆencias (ǫ
1, . . . , ǫn), onde ǫk =±1 para cada 1≤k ≤n.
Demonstra¸c˜ao. De acordo com a F´ormula de Leibniz 2.2.5, fixando-sex0, . . . , xn ∈X e uma
sequˆencia (ǫ1, . . . , ǫn), ondeǫk =±1 para cada 1 ≤k≤n, temos
A(x0 +ǫ1x1+. . .+ǫnxn)n =
X
|α|=n
n! α!ǫ
α1
2.3. POLIN ˆOMIOS 31 equivalentemente
ǫ1. . . ǫnA(x0+ǫ1x1+. . .+ǫnxn)n =
X
|α|=n
ǫα1+1
1 . . . ǫαnn+1
n! α!Ax
α0
0 . . . xαnn.
Considerando-se a soma percorrendo todas as 2n sequˆencias (ǫ
1, . . . , ǫn), onde ǫk = ±1
para cada 1≤k≤n, teremos
X
ǫk=±1
ǫ1. . . ǫnA(x0+ǫ1x1+. . .+ǫnxn)n=
X
ǫk=±1
X
|α|=n
ǫα1+1
1 . . . ǫαnn+1
n! α!Ax
α0
0 . . . xαnn
= X
|α|=n
n! α!Ax
α0
0 . . . xαnn
X
ǫk=±1 ǫα1+1
1 . . . ǫαnn+1
!
.
Seja α= (α0, . . . , αn)∈Nn+1 com |α|=n. Se para algum 1≤k ≤n tivermos αk = 0, e
podemos supor sem perda de generalidade que k= 1, ent˜ao
X
ǫk=±1 ǫα1+1
1 . . . ǫαnn+1 =
X
ǫk=±1
ǫ1ǫα22+1. . . ǫαnn+1
= X
ǫk=±1
ǫ2. . . ǫαnn+1−
X
ǫk=±1
ǫ2. . . ǫαnn+1 = 0.
Lembrando-se que |α| = n, podemos concluir que αk 6= 0 para todo 1 ≤ k ≤ n se e
somente seα0 = 0 e α1 =. . .=αn= 1. Ent˜ao,
X
ǫk=±1
ǫ1. . . ǫnA(x0 +ǫ1x1+. . .+ǫnxn)n =
X
ǫk=±1
ǫ21. . . ǫ2n
!
n!A(x1, . . . , xn)
=n!2nA(x1, . . . , xn),
ou seja,
A(x1, . . . , xn) =
1 n!2n
X
ǫk=±1
ǫ1. . . ǫnA(x0+ǫ1x1+. . .+ǫnxn)n.
2.3
Polinˆ
omios
Defini¸c˜ao 2.3.1. Dizemos que uma aplica¸c˜ao P : X → Y ´e um polinˆomio homogˆeneo de graun, ou um polinˆomion-homogˆeneo, se existir uma aplica¸c˜aoA∈ La(nX;Y) satisfazendo
P(x) =Axn.
Denotaremos por A a aplica¸c˜ao n-linear associada ao polinˆomio P.
Verifica-se facilmente que o conjunto dos polinˆomios n-homogˆeneos de X em Y, munido das opera¸c˜oes usuais de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao por escalar, ´e um espa¸co vetorial. Deno-taremos esse espa¸co por Pa(nX;Y). Em particular, se Y = K denotaremos Pa(nX) := Pa(nX;K). Por conven¸c˜ao, Pa(0X;Y) :=Y.
Proposi¸c˜ao 2.3.2. Sejam n ∈ N, P ∈ Pa(nX;Y) e A ∈ Lsa(nX;Y) a aplica¸c˜ao n-linear
associada a P. S˜ao equivalentes: (i) A ´e cont´ınua;
(ii) P ´e cont´ınua;
(iii) P ´e cont´ınua na origem;
(iv) Existe M >0 tal que kP(x)k ≤Mkxkn para todo x∈X.
Demonstra¸c˜ao. (i)⇒(ii) Seja I :X →Xn a inclus˜ao definida por
I(x) = (
n
z }| {
x, . . . , x), x∈X.
Claramente, I ´e cont´ınua. SeA for cont´ınua ent˜ao a composi¸c˜ao P =A◦I ´e cont´ınua. (ii)⇒(iii) Evidente.
(iii)⇒(iv) Se P for cont´ınua na origem, ent˜ao existeδ > 0 tal que kP(x)k ≤1 sempre que kxk ≤δ.
Se x6= 0 ent˜aoδ x
kxk
≤δ e portanto
P
δ x
kxk
≤1.
Consequentemente
kP(x)k ≤ 1 δnkxk
n. (2.4)