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Menores, marginalidade e educação

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Academic year: 2017

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(1)

--.)

,

.

(2)

Rio de Janeiro

F\Ulda~ão GetÚlio Vargas

lillNORIS, l1.!illGIN.:l.LIDJl.DE E El)lICAÇl~O

Sérgio Guerra ~~l~e

Dissertação submetida COI:'lO requisito

parcial para a obten~ão do Gr~u de

Mestre em Educação

Instituto de Estudos Avan~ad.os em Educação

Departamento de Administra~ão de Siste~~s Educacionais

(3)

SUMÁHIO

I - ApresentO-ção

11 - Hetodologia

111 - Resultados

1 - O Problema do Menor

2 - !·'lenol' e H3.rginalidade Soci::::.l

3 - As institui~ões que cuidrun elo menor

4 -

O menor e a poli tica educacional' e sodal

(4)

I - APR~~ZJ'ITM~::O

.

,

Este trabalho se propoe a a.l1a.ll:,;,:~r o chamado "problema do

menor" carente ou abandonado no Brasil, rel<'lcionnndo·-o a teorias cor

x'f:ntes de mrginaliclade social c a carac-terlsticas &.1. poÚtic.:t educ!!:

donal e social do Paiz. Trata-se ele \.UH tell;[i de n.:"l.turez1). sóeio~educa

cio.nal que á desI/eito da impol'tância c gravicl'lde que lhe atrib1Jl:::m étU

L 'da I 1 . "" d ' . . ."'"

. orl. eles, velCU os de COlTiunlC:l-.;ao e r.J.e.ssa c a proprla Op:UU$.o pUa

blica,

é

em geral negligenciado ou simplesr'1ente ignorado pelos

udni-nistradores, legisladores e onD..liütas da educação brasileira.

Supo-mos que ao eleger psse tema cot!:) Di:::;:>ertaçãü de Ht':strado esw.r1r,,,rr.os,

quaisquer que fossem os méritos ou deméritos desta, chamand.o a.

atul-- d .... 1 d b

çao e repensando ur:'i problema que, o aDgw.o os pedaGogos e m'ocrn.

tas da educação, ou não existe ou não

é

de sua.s contas. Ao

contrá-rio., acreditamos que o l1r;:o-atendj.,lrJent.o educacional ::; Eodal às

cha-madas "cria!l~as desassistidas"

é

urra Gas mais gritantes omissões d3.

rede escolar brasileira. e dGS que a. com~md::JJ!l. O corol8:rio dc:ssa pos!

~ão conduz nccessb.riaztente a pro!)C)s t'3.S de redefini,~ão eh poli ti ~a ed..::::.

cacional elo Pais, de modo a tornú-Ia a principal responsável

execuqao de medidas educacionain e sociais, end~re;i.ada.E: ao

pela

,

publico

inf'antil e juvenil carente. Isso não irnplica,.todavta, a s,;mples n.do

ção de cometimento,;; corretivos de orden politico-administratlva, n1Us

à

reavalia~ão e rcdefinição préVias da própria polltica do

desenvol-vimento social brasileiro.

A referência, comentada, aos elementos descritivos que

ser-vem para definir o "problema do menor", conforme o juizo

prevalecen-te entre os especialistas e leigos que dele se ocuprun, constitui a

matéria do capitulo inicial. Segue-se o que registra e estuda as

vá-rias acep~ões viGorantes acerca de nUlI'ginalidnde social. Embora

nes-se e etl outros cap{ tu.los fa..;sal'Uos alusão a menores infratores e a com

portamentos juvenis desviantes, não

é

esse foco central ele no~[!as

preocupa,~ões neste documento, senão na t::eàida em que integra os

con-ceitos e os preconcon-ceitos sobre o menor pohre em geral e suas prete,!!

sas predisposi~ões para o crime e outros atributos soc1als negativos.

O terceiro co.pÚulo diccorre sobre as in:-;titui.~ões oficiai!:: e

priva-das que comndrun e executam a polltica do bem-estar do menor. Não nos

foi poss1vel recorrer a entidLldc::l de todos os Bstados c, desce modo,

(5)

1

,

.. J

2.

realizar um 0<11..(1..n.:;0 (Titico em iL'1lbit.o :r.acIonal con maior dof,C de

va--

, .. . . ; . . .

lidaçao empirica.. 1[;s:, quer dJze:c que a J:1QJ.o:na das apreCl!;l .. ~OCS aq1)l

contidas sobre cé'.ract ·ds'dcr.s c situações reaif. cxictentes nas ins

tituições de ressocia 1. J.~ão do menor, dizem respeito ao que sucede,

sobretudo, em três ~re~ ~JlPtropo).it::Ulas: Hi o de JD.nciro, são Paulo c

Belo Horizonte. Foi uccr ~). lessas trf!s area.s que PQQ.crnos encontrar e

...

,

aproveitrlr dados dcrivad.o C.2 estudos r.:; pC'squ.i.sas bem como

estabele-cer contatos pessoais e di ,:;tos cO!n ele:êe:ütos que atuam

profissio-nalmente no campo do ben!-e~ l,u do menor. De qualquer L'lodo, outros da

dos secl.U1d.ários puderc"''U, ai lh que de modo fragmenté~rio, fornecer

uma idéia parcial d.o que OCl ~ l'e em outras unidades <h Fec.era,~ão. Nc!:

se particular, foi-nos de gr.l1de utilic'.adc o Relató:<.'io da Comicsão

ParlaJ::lcntar ele Inquérito ins- lt::::'nda pela Cânmra d03 Deputados em

1975. Vozes de todo o Brasil, 's'pecio..)Jll~:mte as dcs setores

execnti-vos estaduais - Secretarias ele P:::oruoçno Social, Trnbalilo, Assist~.n­

cia Social ou Servi~o Social, )em como Funli'1çõcs E::;tn.duais do Bem-Ss

tar do Menor - ali se fizeram t lNir, subrc.eterüm-Ge a indar.:ações e r~

gistrurarTl seus depoimentos. Es~:: tra"balbo pGd.e con·i~:ir. por isso) CO!Il

mui tas achegas preciosas e at~al~zac..ac. 1i8:0 menor inlportância teve,

para nós, o mterial recoDlido da im:0rC:Hsa. O qu_~to cap{ tuJ.o

con-fronta o "p:::-oble::m do menor" com a atual poli tica educacional e sug~

re alternativas de ação expostas no capitulo firmJ., relativo a

con-clusões e recoraendações.

11 - UEI'OIOJ,oGIA

Este estudo valeu-se de dü3.S orientações metodolóGicas: uma,

a de uso prevalecente, de nature ZéJ. bi bliográfi ca, tinha por mira des

cobrir, selecionar e ordenar, para fins de análise, toda a doc\~en­

ta~ão disporrl vcl

publicutlLt e re~crentc aos problemas do menor e

à

questão da mnré;inalidaà.e sodal urbD.l1:.l. Outra, de natureza antropoli

gica, consistia na re~li~a~~c infonr.al de contatos e entrevistas

a-bertas com autoridades e fW1cionários atu::tis ou pa3sados das

entida-des de amparo ao menor. No primeiro caso, foi pos::;lvel arrolar vasto

It'aterial, embora, Em t:uitos casos, de dif{cil obtenção. lni'ormações

de muitos Estados foram coletali~s, npecar de terem elas, em termos

(6)

e a exten:::ão. No scSundo caso, o::; contatos pessoais efetuados

res-trinr.;iram-sc 8.0 Rio de J·aneiro.. e, embora mui to auxiliassc!! na elabo

ração <b. Disserta.:;ão, não pudérrun ser desenvolvidos em toda a sua

plenitude c

RESUMO

Objetivo

Este estudo teve como ob.jetivo caracterizar o chamado

pro-blema. do menor no Brasil, cOllsiderando-o em relação a concepções e.l~

ternativas sobre o desenvolv:imento social brasileiro e teorias

cor-rentes de marginalidade social.

Hetodol.ogi ~

A metodologia deste tra.baJJlO compreendeu:

,

1 - com;ulta a fontes secund:lrir.s concernentes a:

- poli ticr. do bem-.estar do men:)r

- pol{tica eduC:lcional e social

- teorias e pesqui::;au relativas

à

marginalidade social

,

.

-2 - entrevistas abertas COT,l pessoal tecn:i_co e de direçao a ..

, ~ ' d ' , d ' ti ular d

tuante em orguos te era~s, es~a llalS e par c ez es

tinados ao ber:1-estn.r do menor.

Resultados

A presen~a de mcnorC-G carentes, abandonados ou infratores

nas gr~Uldcs cidades, preocupa cada vez Ir'aie os setores médios e

al-tos da so~iedade. Para cODl}Jreender o problema, são adotadas diferen

tes intcrpreta.:;;ões, que quase s(;mpre evocam. as no';;ões d.e mareina.1i~

de e de c.esenvolvimentop Ar; bu~c:ls de solução para esse problerra, v.':,

riam fk"l. medida em que varie....t;l as concepções relativas aos temas acima

evocados e aos quadros explicativos que lhes serven de base: o

fun-cionalismo e a corrente hist~rico-c::;trutural, de que derivam, respe~

tivamente, as teorias da modernizaç5:o e ela. dependência. As posi-tões

oficiais alusi vns ao tem..'l, se vincula~, em Geral, ao funcional.ismo e

(7)

pre-I

~

sente, o probler:-a de menor e, de longa data, urrJ.é1. das característica.s

d..a vid.c:1. social nrbé.U1a brasileira. Ann.liso.nllo-se as condições .j.. •

a "llal,S

das insti tui,~ões que cuidam do r;:cr;.or desrunpn.rado, observa-ce um grú!!

de deficit ele atendimento, deficiêncills ele on.lcm qualit;~t~,ivn. e

pro-bleua.s de entros811ento inter c intrasetorial nos três ~,egL1entos qt;.2

compoem o sistern de at(::llclimento ao r.i.cnor: o pclicie.l, o judici~io

e o a,ssistcncial-cducac:ion<:tl. A polít.ica educacional Cétcra::lenta u.üa

distin,~ão entre a "cGcola rCg'cUar" e a rede d,e ['~pn.ro ao n:;nor, es··

,

tignntiz2.I1do a clientE'la desta ultirIn e conv,::rten:1c o tC:-LlO "li1enor")

de um atrib:l.t.o m2ramellte biológico, em 'uu atributo Dodal. Por seu

turno, a poli tica zocial e eCOl1Ôl:üca não pe:rece í'avorccer a i~i.clhoria

da:: concli~ões de vid:1. das famÍlia::; carcnLes e, portanto, su;jei tas 11

condi.:;ões de r::arginrllidade socin,l. A aceita.~ã~) di;s~a asrertiva. lev:.1

a proposi'~õe8 nUmerOH(lf.~ e variucl.:ls pelos que [,2 oeHll[U:1 do :pr:)b!.~r;..:l:

envolvend.o tanto sugestõ~s rie r',cdid.as conjuntlJ.ro.is ou pol.{ticoa('.;;:ô ..

-nistrativas até iniciativas ele l~:,')ior extensão e profundidade nos

campos educacional, social e econômico.

Conclusões c l1ccor::endD.';!õ~s

-

..

-Os (:lementos que c oml) o em o probler:;a. do menor 1:0 Brasil e a

persistência dos mesmos ao 10n80 do tCl:J!=>O, parecC!." sugerir a necess!~

dad e ue ' reavalla·~ao . - crl : . b.ca e redcLl.nl~ao ~. . - da prOprH1. ' . pol:L I .• i:.1Ca <lo

dc:-senvolvimento social brasileiro, üe :rl0do a que se operem, r,inr.1l.t!lDC3;

mente, interfE:rências corretivas em tl'ês dimen::;ões atinentes

à

regu-lação da vida coletiva: a educacional, a sodal e a econômica.

P!::.ra-lelamcnte, as autorid.n.des educacionais do paiG: os cÍrculos

pedagó-gicos e os meios acadêmicos deveria..rn (lar mais aten.:;ão

à

criança

de-sc.ssisticla e

às

instituições de 8.nparo

à

mC2!?'-'l, e'fito.ndo a SWi

mar-gil1aliza,~ão ou neutraliz.:mdo os sc:ur, efci tos c envolvendo a t'

-eSCO.La

regular" e seU[; responsáveis nwn cGforço f.oli<1ário conducente a urna

(8)

,

... ,

'''rá

louco 50! Eu gosto e de liberdade.

Nenhum passarinho devia ser preso.

Preso aqui, o c0ra~ão parece que

fe-cha. "

Depol~eLto de um merQno internado

pela terceira vez na I!'EBEM d.e são

Paulo. Cf. "Be!:l Estar do Henol~lI, in

Reporter, n9

6,

ITaio de

19r8.

"Nós temos tido casos de crian~as que

internadas rec~m-nasci<lB.s, muit!l.s

ve-zes até com horas de nascidas, em

1n-ternatos nossos, :nao saem ha

-

, oito

anos. Não saem há oi to anos, vi vem ali

no internato. Há oito e~os freqüentam

a mesma escola, co~ seus coleb~~~s

....

do mesmo internato, veem as mesmas

pessoas, no mesmo local."

Irna Marília Kaden, deI;oimento

à

CPI do Nenor. In Diário do Conln'cs"':

...

so Uaci onal, Ano XXX[, Suplemento

ao N9

65,

se'fão IJ

10/06/76,

p. 297.

(9)

I

G.

lI! - RJ~3UJJJ.';\]X;S

1 - O PH0J31EHt'\ IX) MEnOR

"Enquanto dispersos na imcl1sirJ,:tO rUl'al, os rr~

nores desasistidos r:;:;:0 eX'TIsti tuem.

t t · ' , . . " a ...

ma , l.sto e, nao (![m~lam l.ncoLlodo e ameaça. Os

incidentes por eles px'o'locados s;io

espor::di-cos porque diluic1os. A concentração urbar..a ..

as

- , ,

"-agrcssocs eticas e j~idlcas a sociedade. Es

sa conduta anti-social ~ que faz do menor

sanparado um "problema". EnquIJ,nto só

"caren-,

ciado", o menor f; um proble:na para a

COllS-... ,..,

Cl encl.a., nao para a segura.nç3. cb.s pessoas e

da propricd'lde."

Samuel d.a, Hocha Barros, de11oir.".cnto

à

CPI do

Menor. In Diário <':0 C_~Z~ :'~-aclori21, Ano

XXXI, Suplemento ao N? 65, seç[to I, 10/Cf5 /76,

(10)

7.

l;os cltimos anos, a ol)in::uo ptl:üic:.1 brasileira vca

r:unifes-tundo li..-:J. interesse crescente pelo ,ínc: fieou. c,endo eonhecido cor:lO "o

problc)::.n. dQ menor". TestCríi1.Lnha:n eSf.8 int.C!re,~se as i"'atérias a tal rcs

pei to i!}' ertns, com freqUê'ncia cn.cJ,.::l, vez naior, nor, noticiários e ed.i

torin.is de 1 jorn.:üs e reVistas de Granele circula,~õ.o e nos

inforJ:lmti-vos c 1'epor,'o..l.','11s de emissoras de rádio c televisão, bem como os

de-,

poimentos de pa,:,~, 'lmentares c n.utorid.::tdes do Poder Execui~i vo, nas are

as municipal, cstalual e federal. Além das ocorrêncio..G cotidianas

nas vias p-~blic<".:.; dos ::'ranàes centros U!'b:.1nos, e que 2.e tornaram

l7'..a-téria de di vul5a~ão pela imprensa, 8,-"ralmente envolvendo o' relato de

procediTJ.entos delituosos, o i!1tCl'eSSe crescente da opin:i.Ô:o p~blica

também foi fomentado pelas próprias iniciativas oficio.is, de 'lue são

exemplo, no ânbito do Executivo, a criacão ch FU1it-\B8\í - FU.'1cb.ção

Na-cional do 13em-~star do Menor - em lSX)!j e: nos anos subscQ.Uentcs, de

seus s{r:dles em cada unidade da Federação; c, no âmbito do

Legislo.-ti vo, afora os pronullciaraentos isolados de edÍs, dcpuJ-:;ados e

[iC'nado--

...-..

t i "

....

res, a instaurlJ..:;ao na Cru::-",1.ra dos Del1ui.-.ados, em Brasilia, da Condssao

Parla:n,:,n"~ar d.e Inqu~ri to de:st.imu1a a Invest.l.gar o F'1'cJ'ole!;'lâ. <1:t

Crian--;0. e do l·:enor Carent(~s do Brasil" (1). Refletindo es[;o..

também a fic~ão b1'o.sL eira tem-se ocu:P3.UO do t(,r!'.a (~~).

-.L>reocul'a~ao,

Nas em que con,',is t.e o "IJroble:::n. do :menor"? Arrolando tudo o

que

de comlll:J. E::n relatório;', oficiais, noticitírios c

proll1..mCiar.lcn-tos de personnlic1'1des de destaql;,c da viela pública brasileira,

podc-mos, tentat.ivamente, considerar oc seguintes componentes

definitó-rios:

l - A maioria 'da popuJ.ação brasileira tem menos de 20 anos

de idade.

2 - Elevado contincente dessa lJopulação jovem provém de

fa-wilias de baixa renda; 10130, dispõe de precárias

condi-3 - Em decorrência da situação econômica de puas

de oriGem, os dependente::: j':lC;DOreS vi vem em permanente

carencia nos plenos nutricional, educacional, médico-sa

nitário, habitad.o!'.:i.l, recreativo e a.:fetivo.

4 -

E:::se quadro de car~lcia por vezes se aGrava em razão de

situa'iõcs mais dramática::.; c pungentes de dissolu;Sã.o do

(11)

8.

,

5 - Parte dessas crian:;;as carentes e levada, desde tenra

i-dade, a traballk'll', geralmente em si tua,~ão de sub-empre~,

go, e:xcrccndo ocupa,;ões tn.:l!1llais não-quelificadan.

6 - Quer trabalhem ou n~o, parte dessas crian~as carentes

se envolve com grupos ele delinqüência, nos grandes

cen-tres urbanos, passando a atl.:.ar em assaltos e outros ates

de inr'ra~ão a lei.

,

7 - Esse quadro de conj unto rela ti vo 8.0 mer!or e erl gcrrü 8.E..

sociado, em termos causais, às r:ligra~ões rm'al-urbanas

e ao conseqüente creseimcnt.o desmediüo das r.idades

bra-sileiras, o que COr.fi[;11:ra:cla l}"c;J. si tua~ão típica de J1'.J.3.r

ginalidade social.

8 - Lssa situu.:;no de mnrginalicL:1.de sodal] na qlJ.al despcnta

a marginaliza.:;ão elo rne:r..ür, conteri:::. ri3cos c-escentcs,

tanto no plano ela scg'J.l'an~a inói vió.ual dos cida.d:los

co-mo no ple.no coletivo dos objetivos lXtcionD.is do

descn-volvin:C!ltO.

Vamos considerar., u.rn a mu, esse~; enunciados:

1 - A 111aio1'i8 da .Do"0:l1n.:~,;:to brD.sileí:r·2, tem menos de 20 ~mos

de idnde.

A extrerra juvenilidade às nossa popula~ão

é

caractcristica

que persiste nas ÚltiF~s décadas, rcsi~tindo pois a uma esperada ten

dência declinante, peculiar ao processo de desenvolvimento.

É

de

no-tar que havia 28.330.200 crianças na f'aiy..a de O a 9 a:los,

correspon-dendo a 30,37% do total de 93.292.100 habitantes, em 1970; a faixa

de 10 a 19 anos tinha 21.048.000 habitantes, ou seja,

22,56%

do

to-tal. Somando os percentuais dos dois sub-grupos, vemos que 52,93% da.

pOPula~ão brasileira estava na faiy~ de O a

19

anos. De O a 14 anos

tinh~~os 42% da popula~ão

(3),

proporçao que

é

de 30;5% nos Estados

Unidos, 22,8% na Inglaterr~., 24,8;'~ :na F"ran.;sa e 29,9"~naArgentina (4).

o

levantamento promovido pela CPI do N,enor em todo o Pais,

abarcando 3.953 municÍpios, acusou urna população na. faixa. etária de

O a 18 anos de 48.226.718 menores, assim di~tribuidos segundo as

(12)

REGIÃO

,

l'lUW ... 'T!O Dj~ I1:1':OH;<;S

%

Norte L79Q.52.l

3,73

Hordeste 15~2l)O.)54 31,64

Sudeste 20.699.5'+5 42,91

Sul 8.02l. 556

16,64

Centro-Oéste 2. 1[48$542

5,08

Cabe assinala.!' tamb~ a desiQl~üdl3de (las propor'\õcs

numéri-cas de menores, ~,egundo as várias faixas de idüdc:: em 1973, a faixa

etária. de O a 6 anos retmia 21.745.000 cl'iún";as, o que representava

quase a metade do tot8~ da popula:;ão de O a 18 anos.

Se perdu:::-arem essas tendência~ ~té o fim cio séc·J.lo, quando

se prevê, no ano 2000, para a popule.,ção brasileira, um total de 200

a 212 milhões de haoi tantes, haverá cerca de cem núlhões de menores

(5). Persiztinda a atual ta>::,[l de crescimento, haverá cerca de 500

lhões de brasileiros no ano 2025 e 1Jm biD1ão no ano 2050

(6).

,

2 - Elevado continccnte c1.cGsa POPulD.S2=io jove:n provc:n de

fa-~

,i?es de vida.

SeGuncb o IBGE, erl FJl3, dz.s pessoas empreGadas que rccebi1.ll"n

só em din.'1-!eiro, 1;.3,4'10 auferiam até um salário miniIJ.O; 29,O~, mais de

um até dois; ll,6~~, Il'.nis de dois até três; e 13 ,5~, mais de três

sa-lários mÍnimos. Para os que reccbio.m em bens e cn dinheiro, esses

percentuais eram, rcspcctivarncnte, 0~,9;~, ll,2~, 2,l't e 2,1;t Reunin

-

,

do os dois tipos de remuneraçao dos assalariados, tirJ~s, ate um

" ~

salario mini.mo, 54,J+';0; as proporçoes ccguintes eram 25,g;~; 10,0-;0; e

13,5% (7).

Outros dados oriundos do Censo de 1970 dão conta do

proces-so de concentraçno da riqueza: }S,;~ do total da renda pesscn,l. estava

concentrada nas mãos de

510

das famílias mais ricas. Os 10;~ das frun1- ..

"-lias mais abastadas dettnham 1+910 da renda do pais. A outra metade da

renda nacional era repartida entre

9O;S

das :fn.m:llias brasileiras. Em

1972, havia 37~ de domicilios cuja renda mensal era menor que o maior

(13)

C?!rLO prepünderur:1

indire ta.."ller, '~c, a si tua;são de c:lrência ::;-.atcrial di<. rr:.aiüriu (ln

popula-:;ão brasileL'u 'l[:o-adulta,

que tendem a 3er maif> TlLl.i'uerosas e

pro-f • ... • .. ..- • , ' . ' . ~ ~

l~flcaG as fa;·nlL::.2 poores. J:'~xu:;t.cm porem (helos, fOrneC1QOS em 197)

1 lI ' . . ' ~ .--1,. 7) ' d - ' ..., A""· '~i·~" -a C',O~l'nl. que.

pe o ·unlsccrlO u.él 1 rCVl cnela 'o • ..,..,1,') v·.~!1Cl, U c: __ C).~., apresenta!ll

essa pro'por~ito no que tQllCe às far:tl1i3.~; re~ident.es ::lo':lS regiões roetr2

,

poli t.una.s do Pals, o percentual das mU;::!:1S que rc~('be;n -ll.,.'?} e meio

sa-lário minimo r('{;,;iono.1 e a p:.:t:rticilX1Ção dos menores (Fi):

,

ReGião J.í:etropolitcn:J. de rolem

a) em w:.a populn.::;ão de G::'3.306 pessoas, ill.::;tribuerl-se

114.271 fam:ilias (5 pessoas por fu..'ll{lií·). Dessas, lIB.i307 (4Jib)

con-taril com redimentos até 1,5 sc.l~~rjo r.1.{nJ.mo TCGion2.1.

b) da lc'opula·~ão de O a 18 ano~~, const.ituida de 333.000 mE;n~

res, 139.000 (4C~) provém dos 43;~ dcscD.s farnllias lY:enos favoreCid;>.s,

send0 que 65. 000 (19~) tem de O a 6 anos; 55.000 (161,), de '1 c., 14

anos; e 19.000 (5~~), de 15 2. 18 anos.

Região Hetropol i tan:l d.e Fort.alez~l

a) t;ID tll!·~1. popula~üo de 1. 0IJ .. 970 psssoas) cllstribu'3!n-!:;e

194.17'7 famllias (5 pessoas p<:"T famllia). Dessas, 109.605 (57~i)

ccn-tam co~ redimen-'c.o8 até 1,5 salário ;"'lÍnima regiona1.

b) da POIHÚrl.:são de O a 13 anos, constituida de 516.000 mer..o

res, 291:.000 (55n provém de 57~~ dessas fCj,i1ias i~I('nOS favorccid~s,

sendo que 11+5.000 (2<3%) tem de O a 6 anos;

1a3.oco

(2U,;), ele C(a 11;

anos j e 41.000 ('1%), de 15 a 18 anos.

a) em u,'n.."l. população de 1.749.736 pessoas, distribuem-se

3--' "'1. '{orl f'> ... M{ll' as ('" ./ pessoas por i.'<lI"ll ( 'I' ) l a • Dessas, 17- .122 8 ( ~, rl)

)-'-:)

con-tam com rendimentos at~ l , 5 ~~a:tário ~ninimo rcgior,.a1.

b) da popula~ão ele O RIS a..'10S, constitaida <.le 897.000 men~

res, 476.000 (5~~:~) provém dos 51% desGas farpili ';ú, menOG favorécidas,

sendo que 227.000 (25,'b) tem de O a 6 anos; 185.000 (20~~), de 7 a 14

(14)

I

11.

a) em uma popu.la.:são GJé! 1.100. "{oh pessoas, distribuem-se

218. 91~4 famílias (5 pessoas per f<.u·,jlin:!. Dessas, 91. 0:-18 (lj2'}~)

con-tam com rend:imentos até 1,5 s3.lário TI'irLjmo reGional.

b) da. pOl:;ulação de O u 18 anos, const;i tuida de 558.000 meno

res, 2)1+.000 (40,O) provém um; !:2;~ d.r:ssar; fam.Ílias menos favo.tecidas,

sendo que 116.ooo (20;0 tem d •. ,) a 6 anos; 89.000 (15~~), de '7 a l)j

anos; e 29.000 (5(~) d8 15 a 18 ,nos.

a) em ur.:a l>opul8.~ão de 511~.190 /!sscas, distribuem-se

103.8311-

famÜias (5 pessoas por fanilia). Des~as, 31.042 C3Oj~)

con-tam com redimentos até 1,5 salário m.lnimo rcgL·.nr1.

b) da pO'pu1a~ão de O a 18 anos, C011Stitu:, de') ele 265.000 me no

res: 82.000 (29M provém dos 30;~, dCr:SélS fa:illlias rr:;nos fi1YOrec:tdas,

sendo que 1-14.000 (16%) tem de O a 6 anos; 29.000 (lv,b), de 7 a li.~

anos; e 9.000 (y,~), de 15 a 18 unos.

Reçião lt.etr<?!':lo1i tan'.\ de Belo Hori zontc

a) em UF .. a'l- pcpu.la~ão de 1. 557 .1.~13 pessoaf, distribuem-se

311.91+5 far.LÍlias (5 pessoas por família). Dcs·sas, 116.119 (yr%)

con-, "~(

.

..

tam CC:-:l rendimentos a.te 1,5 SaL'1rlOS lllJ.n.'.mo reelonal.

b) da popula\ão de O a 18 anos, cons ti t,lida d.e 768.000 men.9.

res, 288.000 (36~s) provém dos 37';~ dessas famiL~, r.".enos favorecidas,

sendo que 11+3.000 (18%) tem de O a 6 anos; ]~2.0JC (J.4j~,), de 7 a 14

anos; e 33.000 (4;~), de 15 a 13 an08.

ReGião Hetropoli télna _dc.> _ Rio de Janeiro

a) em uma população de

6.8lt5.101

pessoas, distribuem-se

1.632.046 fa.:rdlias (4 pessoas por farn.11ia). Dessas, !1'7.!ü2

(27~)co.~:!

tam com rendimentos até 1,5 salário m:Lnimo rer,ional.

b) da pOI.'ula-;ão de O a 18 anos) constituida (le 2.907.000 Ir..!: .,., .•

nores, <..'J+1.000 (27h) provém do:::

27;'0

dessas frunlliaz mEnos

favoreci-das, senc10 :a.ue 395.000 (13'~) tem. de O a 6 anos; 337.00) (lljG), de 7

(15)

a) em llillU p()pllla~ão de '{. 747.669 pessoas 1 distribuem-se

1.8,32.441 faml1ias (l~ pessoas por fo.m.i.lü,). D';;~sas, 1117.712 (27%)co.!!

tam com redimcntos até 1,5 salário miniao regiol1al.

b) da população de O a 1~3 anels, constitui da de 5.279.000 n!

nores, 577.000 (16::b) provém dos lT~ d~:;;;:;as fa'.lllias m'2nos

favoreci-das, sendo que 298.000 (9~) tem de O a 6 ano;); 2211.000 (6%), de 'j' a

14 anos; e 55.000 (1%) de 15 a .18 anos.

!1

egião Hetropoli tanú de....Qu:!.'i ti

ca

a) em ULla populá.~ão de 780.C38 pessoas, di strlbu<2!l1-s e

177.456 famiUa.s (4 pessoas por fm!l{lia). Des~as, 55.691+ (32%)

con-tam com rendimentos até 1,5 salário J~nimo recional.

b) da popu1a~ão de O a 18 anos! consti tuid,.'l de :::6)~. 000

me-nores, 115.000 (30~~) provém des::;cs32;,~ dessas fa."!1ili~lS nonos

favore-cià.as, sendo que 57.000 (15M tem de O a 6 ::mQS; 43.000 (11;:;), de 7

e. 14 anos; e 15.

oco

(1+ h) de 15 a 13 anos.

a) em uma popula~ão de 1.4al.518 pessoas, diGtribuerr..-se

360.631 farn.Üias (1+ pessoas por faml1ia). Dessas, 109.08li (3~b)

COl1-trua com rendimentos até 1,5 sn~ári.o ruirri.mo regional.

b) da populaçio de O a 18 anos, constituida de 6Y~.ooo

me-nores, 203.000

(30%)

provém dos 30~ dessas famÍlias menos

faiToreci-das, send.o que 95.000 (15'%) tem de O a 6 anos; 32.000 (12)>), de 7 e.

14 anos; e 25.000 (3%), de 15 a. 18 nnos.

,

-Como esses dados se reportam a situaçn.ovigcntc em 1970, c!!,

beria indagar se ela não alterou, no decorrer da presente d~cada. Co~

pulsando dados referentes ao Estado de

são ruulo,

provindos das

de-clarações das empresas privadas urb::Lrm~ em obediência

à

cham ... ').c1a Lei

dos 2/3, e abrangendo a totalidade elos assalariados ind'..lstrinis e

dos servi~os e:ncluudrados na CLT, .PauJ. S:i.ngcr compôs "O qWldro a

se-guir, pelo qual se c~ncltü que as disparidades de rencb. r.ão

(16)

1

1.30

, ,

l..f )

Ni .... eis de :::ala:rio-;d.rd mo • '1

'.'

Anos 0-1 1-2 2-10 10 c mais

Homens 19ro 6 ) '7

.

41,1 )-1-'1,5 j~ ,'7 100,0

1975 11,::'

35,5

47,0 6 ,.L 'J 100,0

Hulhcres 1970 11~ ,0 )', Cl ..

,

./ 30,2 0,9 100,0

1975 23,1 ), '" i r I; , 2'7,9 1,4 100,0

Segundo a Pesquisa l'ra.cion~.l )!\l' lH:,ostra de Domicilios, do

IBGE, ~o Último trimestre d.e 1972; o {n(ii~," (!e f!oncentração dc W, .. ni

(um número que varia entre O e 1; quanto ffi:'l '.8 perto de 1,

maior concentração do elemcnt.ú cs-!:w'L:1.do, 110 ~ai '), a riqueza)

indica

Sl..i.biu

de 0,5? em 1970 para 0,62 em 1972). l'eséluis<l do :PJ';. coa base 110S da

dos da Lei dOI:: 2/3, cobrind·.) E,,8 r_ti.1..hõ;~s de empre!!,D.<... 'L' ele meio

urba-no (ind~stria., cemercio e i:1CUcOU ql:e entl'c 1970 ~ 1974

os ganhOS de Ga1~rio real Q1. !ê~e C,3.d.'2 infcriOl~ do ei(jprc!tU :.rclustrín.l

foram de

1,4'10

ao nno, enquar, Lo para os 10% do topo o aUJ':lento f ,i de

l3,1~~ a.'1u.al. Q.u.e..nto a Comérci) c S0TViços, a metade iní'erior da

dis-tribui~ão teve ll..m redu,~ão mécba anual d.e sal~rio real d.e 1,3% r.ü

perlodo, enquanto os 10'/0 do topo cY,~ -:-J.j2Ja anualmente um aULlento do

salário real

à

méd.ia de 6,6''[, G.') ano.

3 - Em deeorrêncin (:a fcCO,3ICtiC:l d.e

---

Guns fam.Üias

~igem: os uCl)E:ndent::=.s lC,"')lOre::: _V:V'2i!l e:n perr,'J .. nente

estado de carência no:: })l[tn(~~~1:cic:'ll, edu(!::,cion~ll

, ,

medio·-sa.rli ta.r50, }-'.'J,bi tnciQ:nl. recreG.ti vo e efet.i VO.

---,-""---

~

-Há lU!la copiosa docu!i'.entação, includ vc de fontes Lficiais,

que con:firrJa.

à

saci ec1ad<.; a correlu.:;,~o po~i tj.vu entre "oaixos nlve1.S ! .

de renda e baixCE ni veis nutricionais, cclilcnci.on..ais e

médico·€a..rlH:1ri-os (10). A existência de carência~) recrelJtivas e afetivas; de quant~:

fica·.;;üo mz:ds problcrr~~tica, ven aintla assim recebend.o o conSC:lSO dos

que estudrun a natéria, ewbora, no caco, tais cv..rê'ncit\.s també:u sejrun

apontadas, por razões di fercntes, nas faixo.s privilegiadas da

popu-la~ão.

Em 1975, dizia o Presidente da FUl'tf\.BtJ.l, Dr. Fa,-:ler de gelo:

11 • • • em um p,·...{s onde D. tcr~a p(l.r-'~e das famÍlias recebe nenos

de mil cruzeiros por mês, c onde qU!lse uois ter\o~: dos

(17)

cru-....

zcír03 por mes, e ond.e qua~>e d()i~ tcr,~os d:JC habitnntcs

eco-nom; eamcnte ativos :::-::CCb::r:l ,,,c:nr JG ll~ cinzentos cruzeiros por

mês o processo de m'lrc:in;:l1:i.zn~~ào qU'.:.' at:i,n;:c crian~ar; e

aQü-lescen'tcs deixa de sc:r (;xc(;~ão, cano acontece nos países

de-senvolvidos, para ser regra gc:t:ü, eu-l.:,endcndo-r;e CGse proces

~ ,~

--so de marr;inaliza'-':Ro como tenllo '1.nj .. cio em CU.:rC'lC.io.S d(,~ toda

sorte que Ul4l8. renda mens0..1 de ~!OO cruzeiros

é

inC:'1paz d.e

su-pr'ir, l:lOrmente f:m face (h crcscc:ntc l:ictropoliLanização à.e

no::.;sa rcpula~ão" (11).

circulo f2.::üliur e de al).:lnr1ono das cria.n~a::; e

aã.oles-centes.

Dos 48 milhões 226 mil 1:1enOres brasileiroB, os carentes e

abandonados somariam 15 milhões 452 mil, ou seja, Clué'.se

3cth

li."l.

popu-la\ão com menos de 18 anos. O Relatório da CPI do 1!enor, fontE:

des-ses dados, revelou a existência de 13.542. 50<:'3 n~cn()r.e::; earentes no

Brasil, dos qm.is 5.101+.203 no norde"tc (37 ,68~) c :>.052.G17 no

su-deste (37, 31'jj). Quanto a0S m8nores <::"bandonados, eles sonaria.'!l

l.909.570 crianças e jovens, dos quais 851-t.81+9 no sudeste (if4,771,) e

776.200 no nordeé;te (40,65~j). O r,lcsmo Te1atório advertiu que esses

dadm~ se referia.!r.

à

ca.rência e ao aband.ono vis{ vels, percebidos

pe-los inforrnantes da pesquisa. rIns poder-sc-ia chegar, segundo o

rela-tório,

à

í'ai;;a dos 25 ITlJ.lhões de ncncrcs carentes e abandonados se

levássemos e.rn conta o indicador sócio-econômico do rendi.'T..ento mensal

de mais de dois ter~os da popLuação assalariada brasileira, o

não ult.rapassa dois sauirios mlnilnos.

qua.l

5 - Parte dessas crian.~as

_

..

c::.re:1tes _e_,_l_e_Y_a_r1_a~,,--d_c_r,_d_e ___ t_e_p..r_a

CUD-en-prego z exercendo ocu~:,'1,~ÕCS nnnuais não-qUJJ.lificad1:1s.

SeClmdo a UNESCü, em todo o mundo havia, em 1970, rr".·üs de

lfO miDlões 'de crial1~as até J.~ anos de idade que

trabaThavara,

sen-do 9Cf~ delas e:n paises do' Terceiro Hl.U1do. Em termos mais preciosos,

no::; países em desenvolvimento "

"haVia 41.125.000 crian~as cconom:tcamente ativas (o que

re-presenta :i ,1% do total d.e cria.n~~s até 11j anos de id.E..<le) em

1%0 c 39.975.000 (l..(S) em. 19'70. 2m contraste com e::;cn. situa

ção, nos puiscs indu~tricJ.ízG.dos ac cifras eramde4.035.00õ

(18)

i:.rabul!1~'ll ,

bem como

5Th

dos que têm entre ]5 e 19 2 .. nos. A Pesqüisa Nacional por

Amostra de Donü.cÍlios, d.o IBGE, indicoil, fm 1973, a propor\ão de

rr,c-nores na faixa de 10 a 19 anos que trabalhavam, discrir.-d.nando

dados por área urbana e ruraL Doe que rCBidiul11 na primeira, 30~

ta.is

,

ja

trabalhavam j nas Sef,lmelas, 54~. Del.dos relativos ao Censo de 1970 t8.!n

bém perni tem considerar, de fCr'r.l3. àistinta .. as faixas ele idr:.de de 10

a 14 anos e de 15 a 19 ar;.os, no tocante

à

ropula;;ão ccono:n.icamente

ati va e ao i>exo. No grupo qUinqlienal de 10 a 11f, l-.avcria 13%

eng~

jados no trabalho remul1erado; dentre os de 15 a 19 anos, haveria 43%.

Reagrupando 0S mesmos CD.dos absolutos por sexo, verifica-se que na

faixa de 10 a 111, no caso dos homens, 19~ deles

trabalhavam; no

caso das muUleres,

6%;

na faixa de

15

a 19, sobem as proporções: 62~

para os homens e 24* para as muJJwres. Esses cl.ndos tomara como uni ver

so a popu1a~ão total de 10 a ].4 e a de 15 a 19 anos; y!'..as outro

ele-mento de confronto pode partir do totnl da pe..'pl.'.la':;llo q~.lC "trc.bc.lha (cc

10 a nnis de 60 anos) e re[;istra.r, ai, os percentuais que se

encon-tram nas faixas de 10 a 14 e de 15 a 19. Considerando eSSE'f: dados .P~

ra o Brasil, vê-se qU2 do conjul1to da popu1a~ão econômica!:lcntc

:-'!.ti-va, 7, 03~ pertencem

à

faixa de 10 a 14 anos; e 1) J.3i3J~

à

faix.a de 15

a 19 anos (13). Se desaGreGarmos e:;scs dad.os .por Ati vidades Ag:~:·{.~

las e A ti vidacles não-at;:rico1as (cad,':l qual constituindo pois U.:'11

uni-verso), veremos que, no priL'leiro caso, a faixa. de 10 ti 1.1! anos E:ntra

com 12,881> e a de 15 a 19 com 18,C6~; no segumlo caso, baixa

2,85%

e 13-,li2'~, respectiwunente (l}r).

para

Um outro arranjo de dados, especifico para. atividades

eco-nômicas da popu1a~ão urbana, permite cotejar, para os grupos de

idn-de idn-de 10 a 14 e 15 a 19, a taxa de ocura.:;ão dm; h0mcns e elas

mulhe-res, considerando-os U sCf.,'Uir conforme sejam mi brantes O~ mo-m.i.gl'll.!!

tes. Por

ai

se verifica que na. faixa de 10 a 14,

6,8%

dos homens e

5,6%

das mulheres trabalham; na de

15

a 19., trabalham 48,1~0 dos

ho-mens e

29,6%

das mulheres. Dj.spondo os Mdos por m.igrantes e

não-mi-grrultes, teoos: na faixa de 10 a 14, 08 homens aprcsent~ 6,3%

en-tre os não-llÚgrant.es e 8 J

entre os migrantes; as mu.Ulcres, 4,8% e

8,3%,

respectivamente; na faixa de 15 a 19 anos, os homens

(19)

.Lo.

Duas consid.erações merece;:;. ~cr ~mlientadas, pois convi dr'1.Ill

ao debate e

à

reflexão: primeiro, ql~e no. faixa de 15 a 19 anos a.s di

ferenças entre os empregos rlITais e urbanos, bem como entre empregos

de migrantes e não-migrantes são menores d.o que se poderia supor. o~

seja, não sao apenas os menores ruriGcnu.s que forçam a demanda de

trabalho; segundo, que os dados oficiais alusivos aos menores que

trabalham nas Grandes metrópoles podem estar subestimados,

que nao

arrolam os que exercem ocupaçoes "nJarf,iuais" ou tetnporárias, sem o

correspondente registro legal. Tal observação também

é

válida para o

meio rural, mas o nosso interesse aqui

é

salientar a

do problema em relação aos grandes centros urbanos.

peCuliaridade

Fortes indicias de que isso eY~ste, em p~oporções signifi~

cativas, podem ser buscados nas escolas primárias das cidades

brasi-leiras, onde se verifica que sempre em ~m mesmo dia da semana, ou em

dois dias alterlli~dos, a freqUência da tur~~, comparada

à

dos dias

precedentes, bah'.a subitamente, de'\rido

à

ausé'nciA, ele seus

integrun-tes mais pobres, que faltam para poder trabalhar na feira-livre do

bairro ou de bairros adjacentes, fazendo o "carreto" das donas-de-co.

sa e/ou recolhendo, para o seu pr6prio lar, restos de gêneros alimeE,

tidos deixados pelas barraca::; (16). Ur:-;Et va.riante l"'J8.is recente dessa

forma de atuação, se observa

à

porta dos super-mercados. nos

subur-bios do Rio de Janeiro, outra forma habitual de trabalho

"clandesti-no" dos menores consiste na venda de balas nos trens. Quer estejam

ou mo matriculados em escolas, muitas crian~as passam dias inteiros

nessa atiVidade. Quando são detidos pel'l seguran,~a da. ferrovia, sao

repreendidos e castigados, às vezes de uma maneira verbal, ou obrig!:

dos a escovar ou engraxar o sapato dOG ~lardas. Outras vezes, com

puni~ões mais rigorosas, envolvendo ~~ \~sta ga~a de castigos

fisi-cos

(17).

O Juiz de Menores de Duque de Ca)~as, Dr. Liborni Siqueira,

assim rela·tou um e'studo-de-caso sobre menores que vendem nas ruas e

a atitude policial ante os mesmos:

,

e ra- to-de

"Tem 13 anos, morá com os pais e tem nove irrnãos seu pai

aposentado e a aposentadoria nElo

nem para comer, em

~o do que trabalha como faxineiro; a

mãe

fica em casa

mando conta dos outros irmãos, cstulli~ no Colégio José

Oliveira Peres no horário das

14

às

l~ horas, cursando

(20)

comprar as ~ala~ de hor~e~~J as quais são vendidas na

,par-te da manha e a noi,par-te a,par-te as 20 horas. Tira em media,

Cr$ 20 a Cr$ 30 diários. Esses meninos, em todos os cantos,

os guardam prendem, tomam as balas, o dinheiro e ainda batem e raspam a cabeça (mostra a roto do menino com

a cabe~a raspada), como ora se apresenta o informante, com

a sua cabeça raspada e as marcas pelo corpo. Vários meninos

da sua idade fazem a mesma coisa. Assim, comparece ao

Jui-zado para pedir prote~ão, evitando que se torne um

margi-nal". (18)

17.

A utiliza~ão de crianças para o trabalho remunerado,

pais, tem sido considerada, em nossa literatura especializada

pedagogia oficial como uma situação estritamente rural

(19);

pelos

e pela

embora

apareça, de fato, com maior incidência no campo, ela també~ ocorre

nas grandes cidades e, a nosso ver, é subestimada em seu nÍvel de ~

nifestação e simplesmente ignorada nos planos estaduais e municipais

de educação.

6 - Quer trabalhem ou não, parte dessas crianças carentes

se envolve com grUPOS de delinqüência

z

nos grandes

cen-tros urbanos, passando a atuar em assaltos e oucen-tros atos

de infraião

à

lei.

Dai decorre, nos estudos relativos ao problema do menor, uma distin~ão terminológica entre "menor carente" e "menor abandonado". Segundo o Relatório Final da CPI do Menor, "As expressões "menor

ca-renciado" "abandonado" "desassistido" ou "marginalizado" são usa-

,

,

das para identificar a crian~a ou adolescente vitimas de disfun~ão

social, que por não disporem de renda suficiente, têm insatisfatória

participação no consumo de bens materiais e culturais e não usufruem

os serviços de saúde, educa~ão, habitação, recreação e outras

benes-ses do desenvolvimento. Por se tratar de um processo social,

apre-senta estágiOS de evolu~ão ou graus diferentes de apresentação. Ini

cia-se com o menor em Via de marginaliza~ão social e cultural com o

menor infrator, considerando-se a criminalidade o grau máximo de mar

ginalização social. As diferentes categorias de menores envolvidos

no processo de marginalização social encontram-se relacionados pela

FUNABEl>1:

- os eÀ~ostos, órfãos sem parentes ou rejeitados pela famÍlia;

- os que perambulam pedindo esmolas para sus tento próprio ou da

(21)

18.

- os que se dedicam habitualmente a práticas viciosas

(alcoolis-mo, jogo, prostituição etc)j e

- os que se corrompem em companhia dos pais ou com o

conhecimen-to destes.

A FUNABEM emprega a expressão "d~sassistido" para denominar

"todo menor que, atingido pelo processo de marginalização,

consti-tui-se em "Menor-Problema Social", estabelecendo a partir daí duas

categorias:

a) menor carenciado - aquele que, em virtude do não-atendimento

de suas necessidades básicas e da ausência ou incapacidade

dos paiS ou responsáveis, encontra-se em situação de abandono total ou de fato, ou está sendo vitima de exploraçãoj

b) menor de conduta anti-social - aquele que infringe as normas

éticas e jurídicas da sociedade.

É fácil perceber que não

um critério Único ou

satisfató-rio para designar definir o "menor-problema social" e discernir os

, ,

varias tipos possiveis de menores carentes ou abandonados. Os meno-res provenientes de famÍlias pobmeno-res e tidos como marginalizados, são em geral classificados pelas autoridades pOliciais segundo uma

esca-la com as seguintes gradações: num extremo, os não-infratores, que

participam do mercado de trabalho, onde exercem funções subalternas, de parca remuneração. Podem ter ocupação fixa, ou, em situação menos

vantajosa, ocupações intermitentes, típicas de sub-emprego e de ine~

pressiva utilidade socialj no outro extremo, os contraventores e

in-fratores. Entre uns e outros, acham-se os não-infratores em

condi-ções mais precárias que os primeiros: vadios, mendigos, doentes ou

deficientes fíSicos, órfãos, abandonados, infantes expostos, prosti-tutas.

É

nossa suposição que em situações concretas essas classifi

cações sociais nem sempre sejam aplicadas de modo objetivo e isento de tendenciosidade. Além disso, um individuo pode pertencer,

simul-tânea ou sucessivamente, a mais de uma dessas gradações da escala,

que nao são excludentes.

o

Código de Menores assim define os vários tipos de

(22)

Vadio - é o menor Ç.'.le habitualmente vaga pelas ruas e que,

morando em casa dos pais o l responsáveis (tutor ou guarda) é

refra-tário a receber instrução (·u entrec;ar-se a trabalho sério e útil. Ou,

ainda, aquele que, havendo deixado sem causa legitima, o domicílio do

pai, mãe, tutor ou guarda, ::>u o lugar em que se achava colocado

pe-los mesmos, ou não tendo dc:niciUo ou alguém por si,

é

encontrado

nas ruas, sem que tenha mei.)s de vida regular, ou tirando recursos

de ocupação imoral ou proibida (Art. 28). Vadio h.:bitual

é

o que,

preenchendo as condições ~~teriores, seja apreendido em estado de

vadiagem por mais de duas vezes (Art. 61).

,

Mendigo - e o mene T que habitualmente pede esmolas para si

ou para outrem, ainda que este seja pai ou mãe, ou pede donativo sob

o pretexto de venda ou oferecimento de objetos (Art. 29). Mendigo hJ!

bi tual é o que, por mais de duas vezes, é apreendido na situação des

crita (Art. 61).

. Infantes expostos - são as crianças até

7

anos de idade

en-contradas abandonadas, onde quer que seja (Art. 14).

Libertino - é o menor que habitualmente na via pública

per-segue ou convida companheiros ou transeuntes para a prática de atos

obscenos, ou se entrega

à

prostituição em se~ próprio dcmiciUo ou

vive em casa de prostituição ou freqüenta casas de tolerância, para

praticar atos obscenos, ou for encontrado em qualquer casa ou lugar

não destinados

à

prostit\ução praticando atos obscenos com outrem,

ou, por fim, que vive da prostituição de outrem (Art. 30).

,

Infrator - e o menor de

14

a

17

anos que praticou ato

con-siderado infração penal (Art. 23 do Código Penal. combinado com o Art.

/(J

19 da "Lei de l<Jnergência" - Decreto-Lei n9 6.026, de 24-ll-43).

Não faltam, porém, restrições a essas e outras

classifica

-çoes oficiais. Segundo o Dr. Liborni Siqueira, Juiz de Menores de Du

que de Caxias,

"Nós precisamos é ten1li.nar com as rotulagem;. É mui"vo bonito

aos teóricos, aos doutrinadores, f'alar em direi to do r::enor.

Não existe. Arrepia-m,~, até, ouvir f'nlar nisso, como Juiz de

~fenores. ~ tlUi to bonito cha .. naIT.los o oenor de infrator, el.as·

sif'icá-lo de menor em sit'mção irregula.r, o menor em })crigo

social, o menor abandonado, o menor CI"· :llciado e por

ai

afo-ra. são rotulagens. O q.ue

hn

é

o menor (~núncntemente

(23)

20.

7 - Esse quad.r:> 5c can,-junto relativo ao menor e , em geral

. '

-associado I em termos causaJ.s, as migra'ioes

rural-urba-nas e ao crmseqüente crencimento desmedido das cidades

. . - t i i

brasileiraL, o que conf~guraria uma s~tu.açao ~p ca de

marginalidaie social.

"

-O predominio n~~erico da populaçao urbana sobre a rural, f!

nâmeno relativamente recente na história do País, pode ser ilustrado

pelos dados que se seguem: em 1975, segundo estimativa feita pelo·

IBGE em 1972, a população do Brasil seria de 108.524.900 habitantes,

dos -quais 65.311.700 (60,18%) residirianí em áreas urbanas. Nos

pró-ximos anos vai-se acentuar a proporção da população residente urbana

do Brasil em rela'(ão

à

população residente total. Em 1985, segundo e!

timativas do IBGE; o percentual nacional será de 66,01%. Os Estados

do Rio de Janeiro e são Paulo terão, respectivamente,

9+

,y>%

e 93,~í

de pOpulação urbana, seguindo-se-lhes Minas Gerais (69, 40%)

,Esp1ri-to San,Esp1ri-to (67,49%), Pernambuco (64 ,88%) e Rio Grande do Sul (63,52%).

A região sudeste, com 86,87%, preponderará sobre todas as demais

re-giões quanto ao 1ndice de urbanização (21).

Segundo o 11 PND, até o final da. década dois terços da pop,!!

lação brasileira (80 milhões) viverão em cidades. em 1970, havia 2

cidades acima. de 2 milhões de habitantes; oi t~ entre 500 mil e 2

mi-lhões; seis entre 250 mil e 500 mil;

34

entre 100 mil e 250 mil; 1~8

cidades entre 50 mil e 100 mil; e 177 entre 20 mil e 50 mil. Abaixo

de 20 mil habitantes, 3.574 cidades - quase

90%

do total de cidades

brasileiras. Essas 3.574 cidades, reunidas, tinham populaçàoinferior

" , , ,

a das duas maiores metropoles somadas. E inferior, tarlbem, a

popula-ção residente nas 48 cidades entre 100 mil e 2 milhões de habitantes.

A área metropolitana de são Paulo tem

910

da população nacional; a do

Rio,

7%;

ambas perfazem 28% da população urbana e

36%

dos empregos

industriais.

Esses dados nos levam a três ponderações: primeiro, que o

índice nacional de urbanização pode estar superestimada,

que se

, ,

baseia exclusivamente no critcrio politico-administrativo ado{;ada

pelo IBGE - toda sede de município é área urbana - abstraindo as

di-mensões sociais, econômicas e eC:>lóeicas que tipificruo a cidade do

(24)

assu-21.

-

,

me proporçoes alarmantes somente em um numero restrito de cidades e

áreas circunvizinhas em processo de conurbação; terceiro, que nãoob~

tante as ponderações iniciais; o processo de metropolização se ace-lera para o País como um todo.

Segundo o Censo de 19rO, nada menos que 1.227 municlpios

(quase um terco do total) perderam popula.:são rural, em nÚmero

abso-lutos, entre 1960 e 1970. Isso sugere o agravamento do êxodo rural,

e deve estar ligado

à

penetração maciça do capitalismo no campo,

en-volvendo a luta pela terra, despejos em massa de colonos, agregados e mesmo assalariados permanentes, impostos pelos grandes proprietá-rios, quer para substituir lavouras por pastagens e culturas de

sub-sistência por culturas destinadas

à

e~ortação, quer em razão do uso

de tecnologia liberadora de mão-de':obra, quer, ainda, para. i'ugir ao

cumprimento de obriga.:sões trabalhistas que a legislação recente le-vou ao campo.

o

afluxo do campo para as cidades é tema aberto de

discus-sões em todo o mundo, e suscita as mais desencontradas posições.

quem veja nele uma versão contemporânea da invasão dos bárbaros,

nu-ma visão quase apocal1ptica do fenômeno. Outros, porém, consideram

inevitável e até positivo, para os migrantes e para a sociedade em

geral, essa mobilidade espacial da popula.:são •. Al.guns sugerem que os

migrantes não criam os problemas urbanos, se bem que os agravem.

A migração é, f'undamentalmente, a Única alternativa dos gr~

pos de renda baixa premidoS por condições desfavoráveis de vida em

seus locais de origem. Paul. Singer, ao analisar a repulsão

demográ-fica no campo, identidemográ-fica duas ordens de fatores: os fatores de

mu-,

danga, decorrentes da ~ntrodu~ão de relações capitalistas nas

rurais e fatores de estagnação, que levariam a

areas

"uma crescente pressão populacional sobre uma.

disponibili-dade de áreas cultiváveis que pode ser limitada tanto pela

-( ,

insuficiencia f~sica de terra aproveitavel como pela

mono-polização de grande parte da mesma pelos grandes

proprie-tários". (22)

Em rela~ão aos seus efeitos, o problema mais grave não esta

ria propriamente no crescimento maior da cidade em relação ao campo,

mas no crescimento desigual no interior das áreas urbanas, com pre~

lência inquietadora dos setores di tos "marginais". Morse

que, em Geral,

(25)

"se as taxas de crescimento urbano são duas ou três vezes

maior que as rurais, :~~vcmos lembrar que as taxas de

cres-cimento "marginal" nas cidades podem ser três ou quatro ve

zes maiores que a taxa urbana em geral". (23)

-22.

,

Reportando-se ao Rio de Janeiro, na decada de

60,

Janice E.

Perlman afirma que

"enquanto a cidade do Rio crescia ,

2,7

por cento ao ano, as

suas favelas - e os seus suburbios - expandiam-se a um

ritmo anual de 7,5 por cento". (24)

Essa caracteristica de afluxo geometricamente crescente

pa-as cidades, sem que estpa-as ofereçam correspondentes condições q~

,

"t empregos ou serviços comuni tarios, foi chamada por Gilberto

F~~, e e outros cientistas sociais ligados ao Instituto Joaquim Nab~

co '. ~ '!squisas Sociais de "inchamento" das cidades, para acentuar

seus '.E )ectos sociopáticos e distingui-la de um crescimento

harmÔni-co ou '~getativo. Termo talvez correspondente seria "superurbaniZ!:

ção" ou 'hiperurbanizaijão", no sentido que lhe dão Friedman e

Lackingt )ll: uma.

"rela'ão de desequilíbrio entre os n!veis de urbanização e

de dE. ,envolvimento econômico de lUU pais ••• uma.

concentra-csão d~ trabalhadores nas cidades· superior ao emprego

regu--lar re.: 'UIlerativo no setor moderno C:a economia". (25)

Mort~ assevera que

"O fl~o l e pessoas para as cidades grandes é des~roporcio­

nal as no ~s oportunidades de emprego urbano estavel, esp!

cialmente tndustrial".

Para el~, a cidade, na América Latina, apresenta insuficien

te capacidade, gc rernamental ou privada, para absorver a

população urbana.

(26)

crescente

No Brasil , outros países, está na ordem do dia a discus

são sobre os custos .. i '.is da urbanização. A "critica anti urbana "

questiona a no~ão da . l1e\ '.tabilidade e irreversibilidade do fluxo mi

, , , ,

gratorio para as cidates e salienta que sera impOSSível, ate o fim

do séculO, oferecer al·~.entos, energia e empregos produtiVOS

à

massa

crescente consti tuida 1 ('}.os que sacra do campo e passrun a morar nas

ci~~des. De acordo com ~ssa posição, o certo seria, Gem deixar de

dar aten~ão às cidades, melhorar as conciições de vida. e de produtiV!

dade no meio rural

(27).

Em posição oP9sta, autores caruo DoUf~as

(26)

urba-•

nização, já que nos espaços onde se concentramos migrantes poucos

serviços de infra-estrutura ou gastos municipais são feitos. Graham

aponta a funcionalidade das migrações, por sig~ificarem uma garantia

de reserva de mão-de-obra que propicia a acumulação de capital neces

,

.

-saria ao desenvolvimento do processo de 1ndustrializa~ao.

"É preciso não esquecer que a grande afluência de migrantes

para os mercados de trabalho urbanos do Sul indubitavelmen te desempenhou um papel positivo em manter a taxa de aumen

to dos salários urbanos atrás da taxa de infla~ão e da

ta-r

xa de aumento dos lucros durante grande parte do per10do

de pós-guerra, destarte permitindo uma taxa mais alta de

acumulação de capital do que teria occrrido sem uma

migra-ção significativa." (28)

Segundo essa posição, a principal contribuição dos

migran-tes leria em estimular mais lucros e produção nos centros urbanos

indust~i;is concentrados mediante uma oferta elástica de trabalho ba

rato Pé ~é exploração. Esse ar'gumento, que o Autor usa para refutar

~ ~

a ideia \~ que o migrante e um parasita da cidade, constitui, por ou

tro lado, ,mn apreciação de natureza funcionalista, que

não

vai além

. . . ' ,

das funçot~ e papeis desempenhados pelos varios atores sociais.

Ou-tras consid 'rações, na mesma. linha de Graham, sobre a importância que

vem sendo' da, 'a

à

urbanização salientam a contribuição do setor secun

~

dario ao Prod to Interno Bruto: o dobro do correspondente ao setor

primáriO. Ou a prioridade que os dois PND de~

à

criação de

empre-gos urbanos: pa, 'U o periodo de 19T2/74, previu-se um crescimento anu

al de

1,2%

para l ' setor primário, 4,1% para o secl.Ul<UÍrio e 4, 7'~ para

o terciário~ (29) Em contraposição a essas linhas de argumentação,

poder-se-ia alegar que tudo isso só prova a continuação de

tendên-cias espontâneas e _ )rovocadas

à

urbanização, e, não, a sua conveniên

cia ou a inexistênci 1e problemas sociais inerentes

à

"hiperurbani-zação" que sofremos t. . )~)sas áreas metropolitanas.

/}

/

8 - Essa si tua'ião de marginalidade social, na qual desponta

a marginalj~ação do menor, conteria riscos crescentes:

tanto no plmo ctn seçurança individual dos cidadãos

co-mo no plano coletivo dos objetivos nacionais do

desen-volvimento.

(27)

"o "problema do menor" surge como um dos subprodutos do sub desenvolvimcnto,de que a pobreza é o sintoma mais exube= rante. Di-lo precisamente o Relatório da CPI. Embora

inti-mamente ligado

à

pobreza, que é tão antiga quanto a Humani

dade, só recentemente a5sumiu feição de "problema". Issõ

porque aumentou de modo considerável a massa de menores mar ginalizados, em conseqüência do crescimento demográfico

eX-plosi vo, a partir da segunda década do século

:xx,

ao mesmõ

passo que se verificou a sua concentração nos centros

ur-banos, produto da industrialização. O fenômeno resulta

pois de do~s fatores fun~entais: aumento de quantidade e

concentrasao. Aumento do numero de menores pobres e sua

tglomeraçao. Enquanto dispersos na imensidão rural, os me-nores desassistidos não constituem "problema", isto é, não causam incômodo e ameaça. Os incidentes por eles provoca-dos são esporádiCOS porque àiluiprovoca-dos. A concentração

urba-na, , todavia, torna cada vez mais freqüentes as agressões

( '

,

eticas e jur1dicas a sociedade. Essa conduta anti-social e

que faz do menor desamparado um "problema". Enquanto só

" carenciado", o menor ~ um problema. para a consciência,

não para. a segurança das pessoas e da propriedade." (30)

,

,

24.

Ja na decada de

30,

e como reflexo do acirramento dos

emba-tes polÍticos-ideológicos na Europa, o problema do menor no Brasil

passa a ser também encarado como um ameaçador diluente da ordem

so-cial vigente. Segundo o então Presidente da Corte de Apelação, Desem

bargador Vicente Piragibe,

"Ou salvamos a criança de hoj e ou perder~mos o Brasil de

amanhã.

Para desde logo compreender a grande verdade en1~ei

xada nestas palavras, bastará denorar, por um in5tante, a

atenção nestes algarismos profundamente impressionantes: a

qui, na nossa capital, segundo afirmação autorizada do

JuI

zo competente, existem, carecendo de assistência, nada me~

nos de g50.000 menores. Po~~a-s~ ao lado desta, esta outra

cifra 000 menos desoladora; o numero de socorridos, por to

dos os serviços públicos e particulares, não atinge

ã

5.000. Refii ta-se um pouco mais e chegaremos a esta conclu

são acabrunhadora: den~ro de poucos anos, uma. grande parte

dessa massa, que por ai vem rolando, das alfurjas para as

t~apeiras, das trapeiras para os monturos, da fome para o

víCiO, do vicio para o crime e do crim~ para o cárcere ou

para manicômio, estará definitivamente incorporada

à

socie

dade, multiplicando o nÚmero de descontentes e dos revoltã dos, arrastados pela ignorância e pelo desespero, a aceltã rem qualquer solução, por mais violenta, por mais contrã-ria aos principios sadios que concorreram para a nossa for

mação, prontos a adotarem as ideologias exóticas e os cre~

dos selvagens, que fazem a aboli~ão da Fam1lia, da Pátria

e de Deus." (31)

Ao compulsarmos o vasto , diversificado e heterogêneo

(28)

25 •.

tendência a considerar este apcna~ como um proble~a para nós, vale

dizer, quando deixa. de ser somente um estado de carência para se

..

transformar em ameaças reais ou supostas a segurança de cada um ede

todos.

,

Talvez por isso, ele e encarado como um problema. urbano. A produção sociológica brasileira já apresentou alguns notáveis

traba-lhos, como o de Clóvis Caldeira, em 19$0 (32) em que é mostrada e

,

.". ""

.

(

anaJ.isada a precaria situaçao da infancl.a no meio rural. do PaJ.s;

en-tretanto, a marginalidade social do menor

é

em geral entendida,

res-tri tamente, como a que ocorre nas grandes cidades, sendo

a1.

identif!,

cada, muitas vezes, tão só com atos de transgressão

à

~ei e

à

ordem.

,

SUMl\RIO

,

A maior parte dos brasileiros e de menoridade,

representan-do, em nÚmeros absolutos, dezenas de milhões de pessoas, as quais,

em sua maioria, são pobres; essa pobreza persiste, apesar do

proces-so de des~nvolvimento ou, segundo alguns intérpretes, precisamente

por causa das características que esse processo assumiu em nosso

País, porquanto ele é fortemente concentrador.de renda; por isso,

m!

lhões de pessoas, na melllor das hipÓteses, não conseguem se tornar

menos pobres e, na pior das hipóteses, são vitimas de um processo

implacável de crescente empobrecimento relativo e de conseqnente pri vação nos planos educacional, nutricional, médico-sanitário, habita-cional, recreativo e afetivo; a situação de vida assim descrita

mui-tas vezes provoca o enfraquecimento ou a dissolução dos la~os

fami-liares, com o abandono de crianças ou a sua utilização em atividades de sub-emprego ou em práticas marginais, que vão desde a vadiagem e

a mendicância até a participa~ão em atos criminosos. Dada a

intensi-ficação da ~eração rural-urbana, essa situação dos menores é mais

claramente perceptível e perturbadora para os estratos médios ealtos das grandes cidades brasileiras, delineando assim o que se convencio

(29)

26.

NOTAS

(1) A Comissão Parlamentar de Inquérito foi criada por for~a do

Re-querimento n9 22/75, publicado no Diário do COngresso Nacional

de 21 de maio de 1975, p. 2999, 2a. coluna.

(2)

(4 )

(5)

,

,

-Desde o inicio do seculo a literatura brasileira de , fic~ao tem

dado guarida, em sua tematica, aos problemas enfrentados pelos

menores nos internatos e pelas crian~as e jovens abandonados.São

,

exemplos, no primeiro caso, O Ateneu, de Raul Pompeia, romance

que relata os sofrimentos, esperan~as e desilusões de um

adoles-cente revoltado contra um regime tirânico de reclusão, onde

im-pera o moralismo estreito, o egoísmo, a corrup~ão , e um mal

dis-far~ado homossexualismo; Doidinho, de Jose Lins do Rego, que des

creve as experiências

10

personagem Carlos de Melo, o Doidinho:

como interno em um colegio severo; O Espião, conto de Dalton Tre

,

-visan, que em apenas seis paginas narra, com riqueza de detalhes, o tratamento dispensado por freiras, num internato, a meninas e senhoras idosas; no segundO caso, Capi ães de Areia, de Jorge Ama

do, que trata de um bando de crian-sas rias e sem lar, que sobre

,

-vivem, no porto de Salvador, a custa de pequenos furtos e

trapa-ças; Menino João, de Santos Morais, sobre as crian~as q~e

peram-bulam na zona sul do Rio; e Infância dos Mortos, de Jose

Louzei-ro, que revive o episódio real, ocorrido em 1974, quando 102 me-

-

,

....

nores detidos em Sao Paulo foram postos a for~a em um onibus,

por elementos da Secretaria de

,

Seguran~a-e deportados do Estado, ,

sendo lan-sados a noite nus e famintos, em uma estrada no munici-

,

pio de Camanducaia, no Sul de Minas Gerais. Cf. POHPEIA, Raul.

O Ateneu, são Paulo, J.lelhoramentos, 1953; REGO, José Lins do. Doi

dinho, Rio de Janeiro, José Olympio, 1935; TREVISAN, Dalton. -IIÕ

Esp~âottL in O Cemitério de Elefantes, Rio, de ~a~eiro, Editora

S!.

vilizaçao Brasileira, 1970; ANAOO, Jorge. Cap1 taes de Areia, Sao

Paulo, Martins Editora L 1959 i M)RAIS, Santos. Menino Joa~. Rio

de Janeiro. Livraria Sao Jose, 1959; LOUZEIRO, Jose. Infunda dos

Mortos, Rio de Janeiro, Record, 1977; "Camanducaia protestall

, in

O Estado de são Paulo, 22-10-74; "0 vergonhoso episódio da

"de-portaçao de menorestl

, in Jornal da Tarde, são Paulo, 23-10-74.

De Adelaide Car~ro, Podridao, que retrata a promiscuidade em in

ternato existente em Batatais (SP), foi retirado de

circula~ão.-BRASIL. IBGE. Boletim Demográfico, Vol.

8,

n~ 1, Julho/Setembro

1977; Funda~ão Getulio Vargas. Dados 'Estatísticos Parciais Neces

sáriOs ao Estudo dos Recursos Humanos no Brasil. Rio de Janeiro: 1971.

Cf. !lADEIRA, J. L. & roSTA, l-1.A. "E.'volu~ão Demográfi ca do Brasil

e Aspectos Estruturais", in IBGE - Boletim Estatístico, n9 100,

outubro /dezembro 1957.

Se considerarmos a alternativa superior"a popu1a~ão residente

no Brasil, a 1~ de julho do ano 2000 sera de 222.112.21

a.

De O a

20 anos haverá 1ll.179.667. Por grupos etários qüinqüenais

tere-mos 32.139.509 crian~as de O a menos de 5 anos; 29.546.868 crian

~as de 5 a menos de 10 anos; 26.21+3.199 de 10 a menos de 15;

e

23.250.091 de 15 a menos de 20. Cf. BRASIL. IBGE. Centro de Es-tudos Demográficos. "Proje\ão da FOPula;;ào Brasileira por idade

e Sexo - Periodo 1<J70j2000. In EncQntro Brasileiro de :~studos Po

pulacionais - Contribuigões Apresentadas. Rio de Janeiro, 1976:

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