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Ensino de matemática financeira e estatística básica

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Academic year: 2017

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8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Ensino de Matemática Financeira e Estatística Básica, Luís Henrique O. Silva, Manoel I. S. Bezerra e Miriam R. Silvestre ISSN 2176-9761

Ensino de Matemática Financeira e Estatística Básica

Luís Henrique O. Silva, Manoel I. S. Bezerra, Miriam R. Silvestre, UNESP, Campus de Presidente Prudente, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Estatística, [email protected], [email protected], [email protected], Bolsa BAAE III

Eixo1: “Direitos, Responsabilidade e Expressões para o Exercício da Cidadania”

Resumo

Este projeto foi realizado para tentar suprir a falta de conhecimento sobre matemática financeira e introduzir uma noção do que é estatística. O público alvo são crianças do ensino fundamental do Colégio Presbiteriano de Presidente Prudente, que cursam os 8º e 9º anos.

Palavras Chave: dinheiro, educação financeira, estatística

Abstract:

This project was carried out to try to address the lack of knowledge of financial mathematics and introduce a sense of what is statistics. The target audience is elementary school children from the Presbyterian College of Presidente Prudente, who attend the 8th and 9th grades.

Keywords: money, financial education, statistics

Introdução

Segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Educação Financeira é o processo mediante o qual os indivíduos e as sociedades melhoram sua compreensão em relação aos conceitos e produtos financeiros, de maneira que, com informação, formação e orientação, possam desenvolver os valores e as competências necessários para se tornarem mais conscientes das oportunidades e dos riscos neles envolvidos e, então, poderem fazer escolhas bem informadas, saber onde procurar ajuda, adotar outras ações que melhorem o seu bem-estar. Assim, podem contribuir de modo mais consistente para formação de

indivíduos e sociedades responsáveis,

comprometidos com o futuro, (ENEF, 2015).

Alguns números de uma pesquisa realizada pelo Data Popular em 2008:

 36% dos pesquisados tem perfil gastador;  54% não conseguiram honrar suas dívidas

pelo menos uma vez na vida;

 31% poupam regularmente para a

aposentadoria;

 Maior parte da renda familiar está destinada ao consumo, deixando de lado o investimento na poupança.

Com tudo isso, surge a necessidade de apresentar a toda comunidade uma forma de resolver suas dificuldades em relação à Educação

Financeira, permitindo que planejem melhor suas vidas.

De início a ideia é apresentar às crianças o que é a matemática financeira e com o tempo introduzir nestes estudos a estatística. O intuito é fazer com que este público alvo saiba quais os benefícios destas duas ciências podem trazer fazendo um bom planejamento. Apresentar saídas às crianças de como proceder para uma melhor forma de pagamento, escolha entre dois produtos, sejam eles diferentes ou iguais. Ou seja, consumir e poupar de modo ético, consciente e responsável.

O crescimento econômico de uma sociedade pode não só elevar as rendas das pessoas como também possibilitar ao Estado o financiamento da seguridade social e a intervenção governamental ativa para a distribuição da riqueza em prol da qualidade de vida e justiça social, (AMARTYA SEM, 2007, apud ENEF, 2015).

Objetivos

O objetivo principal, desse trabalho, é orientar e incentivar crianças do ensino fundamental a ter uma melhor noção das vertentes que o dinheiro pode

trazer como, ganhos e gastos, de modo geral, fazendo um uso consciente e

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de administrar o dinheiro que está em suas mãos, e com isso, como por exemplo: evitar a inadimplência. Pensando em duas dimensões temos o espaço e o tempo. No temporal, tem-se a característica de que ações tomadas no presente afetarão o futuro e na espacial, trata-se das ações individuais que implicam o contexto social, partindo do individual, passando pelo local e regional e chegando até nacional e global.

A Figura 1 ilustra o relacionamento dos níveis da dimensão espacial entre si sendo atravessados pela dimensão temporal.

Figura 1. Dimensões espaciais e temporais da Educação Financeira

Fonte: ENEF, 2015

Material e Métodos

Levantamento de dados junto aos alunos para conhecer melhor o nível de educação financeira do aluno e de sua família. Foram utilizadas técnicas de Pesquisa de Mercado e posteriormente, técnicas de Análise Exploratória de Dados (Estatística Descritiva) e Matemática Financeira ao público alvo. A Figura 2, a seguir, , mostra uma análise feita a partir de um questionário aplicado junto às crianças, onde se quer saber como está a educação financeira não tanto das crianças, mas também das pessoas que convivem com esta criança. Na figura, a questão apresentada é “Qual a forma de pagamento mais comum em sua casa?”, com esta questão podemos obter algumas respostas para posteriores análises, como por exemplo, podemos extrair a percentagem de crianças que não sabem responder a esta questão e investigar mais a fundo o porque desta criança não saber responder. Se é falta interesse da parte dela em não participar da rotina financeira domiciliar ou por falta de interesse dos responsáveis em não intoduzir a rotina financeira da família a esta criança. Obtvemos que, 46,75% responderam que a família realiza os

pagamentos mais comumente à prazo (em verde), 16,88% à vista (em vermelho) e 36,36% disserem que não sabem responder (em azul), este último é preocupante e necessita ser realizado alguma interferência para que esta percentagem diminua.

Figura 2. Percentagem dos pagamentos dentro da família em relação às formas de pagamento.

Com auxílio de vídeos educativos como disponíveis

na homepage do BM&FBOVESPA (TV Educação

Financeira) e algumas diretrizes do Programa de Educação Financeira nas Escolas foi introduzida aos alunos a história do dinheiro, o porquê de poupar e como fazer isso, entre outras informações. O uso de recursos gráficos é importante para que cada aluno possa enxergar melhor o que está sendo manipulado e com isso, entender de uma forma bastante clara o que se quer. Uma forma de introduzir o cotidiano individual de cada criança é utilizando os próprios gastos familiar, como os gastos no supermercado, na cantina da escola, com os gastos em contas mensais como energia elétrica e telefone. Cada aluno também teve a oportunidade de colocar os gastos da família em uma planilha do Excel e analisar o que está realmente acontecendo, como os gastos com contas mensais e necessárias e o que é supérfluo. Assim, já é apresentado o software como uma saída para organizar e analisar os dados adquiridos durante certo período de tempo.

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do país. Com a tecnologia ao nosso favor, com uma escola onde tenha computadores disponíveis, essa tarefa é prazerosa. Pois assim prende a atenção dos alunos e ainda, com o uso do Excel podem aprender a construir tabelas e gráficos de uma maneira didática e lúdica, além de ser um software que está no cotidiano de muitas empresas e que facilitaria posteriormente esta introdução. Tem-se que trabalhar de uma maneira onde todos possam entender o que se está sendo proposto. Exemplo disso são as crianças de uma série onde não foi apresentada a percentagem, com isso, tentar introduzir a percentagem é uma forma mais trabalhosa na questão de tempo e para educação financeira é essencial. A estatística nestes momentos auxilia, tentando introduzir percentagem, realizam-se experimentos com moeda, onde teremos uma probabilidade e depois disso, a percentagem e claro, com o auxílio dos softwares Excel e o R (www.r-project.org), este último é um software estatístico livre que será utilizado também para calcular estatísticas básicas como: média, mediana, mínimo, máximo, variabilidade e também comandos para a construção de alguns gráficos. Alguns sites de compras foram utilizados para fazer comparação de preços de produtos, com o objetivo de mostrar para as crianças a importância de ter uma boa educação para a vida financeira. Essa metodologia adotada tem despertado a curiosidade e o interesse dos alunos, pelas áreas de Matemática e Estatística.

Resultados e Discussão

Em um dos métodos, os alunos criam tabelas em uma planilha do Excel e a partir disso, para melhor interpretar os dados, fazem gráficos e tudo isso, a partir dos dados da própria família. Assim, podem ter uma participação maior nas rotinas da família envolvendo o dinheiro e com isso, desenvolver autonomia de como administrar o dinheiro.

Produto Valor Quantidade Total

Coca-Cola 2L 6,75 2 13,50

Chocolate Kit-Kat 2,75 5 13,75

Arroz5kg 6,00 1 6,00

Macarrão Instantâneo 0,55 4 2,20

Carne moída 1kg 17,50 2 35,00

Macarrão Pacote 1,40 3 4,20

Queijo Mussarela1kg 19,00 1 19,00

Tomate 1kg 5,75 2 11,50

Salgadinho 2,30 6 13,80

Total 26 118,95

Tabela 1: Exemplo de Orçamento Pessoal

A Tabela 1, mostra um exemplo aplicado em sala. Temos alguns produtos adquiridos em certo supermercado e juntos a eles, a quantidade em que foi comprado e claro, o valor gasto em cada unidade. Na última linha, temos o total de produtos comprados e o total gasto. Dessa maneira, podemos introduzir o consumo responsável, consciente e sustentável. Aquele que demanda dos consumidores as atitudes de refletir, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar, que constituem os 5R’s

recomendados pelo documento Manual de

Educação para o Consumo Sustentável.

Junto à Tabela 1, podem ser apresentadas questões como da Figura 3.

Perguntas:

Quais destes produtos são essenciais para uma família?

Quais poderiam ser descartados da compra? Quais destes poderiam ser comprados em menor

quantidade?

Figura 3. Perguntas realizadas

As Figuras 4 e 5 foram feitas através do Excel, já a Figura 2, no software R. Mostrando que ambos os softwares podem ser utilizados. Utilizando recursos gráficos, as crianças conseguem visualizar melhor as atividades desenvolvidas. Isto não é utilizado somente no âmbito da educação financeira, é utilizado também em matemática, geografia e etc. Neste exemplo, foi construída a Figura 4, na qual o valor em reais dos produtos mostrados anteriormente na Tabela 1 pode ser observado em forma de gráfico.

Figura 4. Gráfico dos valores dos produtos

Na Figura 5 a seguir, temos o gráfico que ilustra a quantidade dos produtos mostrados na Tabela 1. Com isso, pode-se também introduzir a estatística descritiva, na qual se tem os dados em mãos e quer

6,75 2,75

6

0,55 17,5

1,4 19

5,75 2,3 Valor dos produtos

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conhecê-los por meio de análise exploratória de dados e algumas técnicas gráficas.

Figura 5. Gráfico da quantidade dos produtos

A Figura 6 mostra mais um exemplo do que é oferecido e discutido em sala de aula, onde temos o interesse em adquirir um produto pela internet e este produto tem a oportunidade de ser comprado com uma percentagem em desconto se for à vista. A ideia é desenvolver o raciocínio da criança em saber se no momento da compra ela terá recurso para adquirir com o desconto e com isso, quanto estará economizando. Caso não tenha, oferecer e analisar as formas de pagamento que o mercado oferece e assim obter a melhor saída para a forma de pagamento, no caso a prazo.

Pesquisar o mesmo produto em diferentes lojas, sendo via internet ou loja física é a saída para quem deseja economizar. Esta atividade faz com que a criança analise as suas condições e faça a melhor tomada de decisão, adquirir o produto ou esperar mais um pouco para comprar o produto? E isto é passado para as crianças, enfatizando que acarretará em ações futuras.

Figura 6. Imagem de exemplo aplicado em sala de aula

Conclusões

Nota-se com a aplicação do projeto que muitas crianças não têm noção do quanto é importante saber administrar o dinheiro, seja economizando ou utilizando os recursos que estão em suas mãos. Educar crianças financeiramente é fazer destas, futuramente mais preparadas para realizar sonhos individuais e coletivos sem muita preocupação em relação a dívidas, pois comprar um produto e depois saber que não irá conseguir lidar com as despesas traz muitos constrangimentos, após a compra. Apresentar os recursos que a matemática financeira pode oferecer e utilizar em aulas para crianças que são potenciais disseminadores de conhecimento, certamente refletirá na sociedade. Começando assim, dentro da sua casa e com uma base sólida poderá atravessar a sua região chegando ao nível nacional.

Hoje em dia não falta informação para pessoas inadimplentes, sobre como poupar e economizar e como fazer com que no final do mês não falte dinheiro para pagar as contas. Porém, ao ensinar, a garantia de que aprenderão é maior do que somente informar, seja via televisivo ou por meio de panfletos. Temos que aproveitar a oportunidade de ensinar as crianças porque são pessoas com sede de saber e que são muito questionadoras, não tem medo de perguntar e levam tudo de uma forma lúdica.

Obviamente que com a ajuda de órgãos públicos isto ficaria mais viável. Há escolas em que não há suporte tecnológico, na qual não se podem introduzir técnicas gráficas, pois não se tem computadores para os alunos praticarem. Isto é necessário, pois por se tratar de crianças e ainda, atualmente tudo é tecnologia, seria uma maneira que prenderia a atenção dos mesmos.

Educação financeira é o caminho para aproveitar da vontade de aprender das crianças e inserir o poder de escolha envolvendo dinheiro.

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Degenszain, D; Hazzan, S; Iezzi, G. Fundamentos de Matemática Elementar (Matemática Comercial, Matemática Financeira e Estatística Descritiva) – Editora Atual, Vol. 11, 2a.ed., 2013. Bussab, W. O.,Morettin, P. A. Estatística Básica. 8a.ed., São Paulo, SP: Editora Saraiva.

TV Educação Financeira | BM&FBOVESPA. Disponível em:

http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/educacional/iniciativas/tv-educacao-financeira.aspx?idioma=pt-br. Acesso em: 01 ago. 2015. ENEF. Estratégia Nacional de Educação Financeira. Disponível em:

http://www.vidaedinheiro.gov.br. Acesso em: 01 ago. 2015. Programa de Educação Financeira nas Escolas. Disponível em:

http://www.edufinanceiranaescola.gov.br. Acesso em: 10 ago. 2015 2

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1 4

2 3

1 2

6 Quantidade dos produtos

Referências

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