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Tratamento da criptococose do sistema nervoso pelo Amphotericin B.

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Academic year: 2017

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(1)

TRATAMENTO DA CRÍPTOCOCOSE DO SISTEMA NERVOSO PELO

AMPHOTERICIN Β

D A N T E G I O R G I * P A U L O P I N T O P U P O * *

J O Ã O B A P T I S T A D O S R E I S *

J O S É G E R A L D O D E C A M A R G O L I M A * * *

O presente trabalho tem por finalidade registrar resultados que

repu-tamos os mais promissores na evolução da terapêutica da criptococose

hu-mana, obtidos com o emprêgo do Amphotericin Β .

Sendo esta afecção moléstia grave, com incidência não rara na

litera-tura médica, com incidência entre nós já comprovada por vários autores

(Almeida e L a c a z

2

; Almeida, Lacaz e Monteiro S a l e s

3

; C o r t e z

1 6

;

Clau-s e l l

1 2

; D u a r t e

2 4

; F i a l h o

2 6

; Longo e c o l .

1 0 1

; Reis e B e i

7 8

; Amorim e

Pas-quallucci

4

; Tolosa, Spina-França e L a c a z

9 3

; B e n í c i o

1 0 2

) , torna-se evidente

o interêsse do registro de caso de cura com o medicamento novo.

Na evolução dos conhecimentos sôbre a criptococose do sistema nervoso

central duas fases bem distintas se nos apresentam.

Na primeira, o problema era o do diagnóstico em vida. Conhecida já

há 54 anos, pois foi descrita inicialmente como afecção do sistema nervoso

central por von Hansemann em 1905, à qual seguiram-se as descrições de

Turk em 1907 e de Stodart e Cutler em 1916, esta afecção constituiu

acha-do de necropsia na maioria acha-dos casos desde então relataacha-dos. Em vida o

seu diagnóstico foi confundido com o de outras infecções e parasitoses do

sistema nervoso central, permanecendo ignorada a verdadeira etiologia dos

casos.

Foram os dados fornecidos pelo exame do liqüido cefalorraqueano ( L C R )

que vieram permitir o diagnóstico com segurança. Êle depende da

demons-tração do fungo já que as demais alterações dêsse líqüido não são

suficien-tes para o diagnóstico diferencial entre a meningite por êle provocada e as

causadas pela tuberculose, por certos abscessos ou por outras encefalites.

Entre nós, Reis e B e i

7 8

, contribuíram demonstrando a possibilidade dêsse

diagnóstico pelo emprêgo sistemático do método de pesquisa do fundo pela

tinta da China e da cultura, em todos os casos em que tal suspeita

diag-nóstica esteja em mente. Com tal prática se tornou possível o diagnóstico

na maioria dos casos.

(2)

Tem havido realmente aumento na publicação de casos de criptococose

humana na literatura mundial, aumento êsse que vem sendo motivo de

controvérsias. Assim, autores como Rubin e F u r c o l o w

8 2

acreditam na

pos-sibilidade de um aumento real da infestação pelo criptococo, aumento êste

causado particularmente pelo abuso dos antibióticos de largo espectro e pelo

emprêgo generalizado da terapêutica pelos esteróides. Nós não acreditamos

nisso. A nosso ver êsse aumento do número de casos de criptococose se

deve ao aperfeiçoamento dos métodos diagnósticos.

Em nosso Serviço, onde se emprega tais métodos rotineiramente desde

1953, a incidência de torulose não aumentou em 6 anos. Não houve, pois,

pelo menos em nosso meio, aumento real da incidência da afecção. Os

dados projetados no quadro 1 disso são documento.

Vencido o problema do diagnóstico, restou o da terapêutica desta

me-ningoencefalite, anteriormente quase sempre mortal. Se, quanto ao

diagnós-tico houve grande progresso, o mesmo não se pode dizer quanto à

tera-pêutica. Esta, tinha por base predominantemente os iodetos ,

17, 27, 30, 31, 3 8

5 0 , 5 3 , 6 1 , 6 5 , 6 7 , 6 8 , 7 5 , 7 6 , 7 7 , 8 0 , 8 5 , 9 0 , 9 6 , 9 9 ,

e as sulfas

6, ll, 12, 13, 17, 27, 30, 31,

3 2 , 3 5 , 3 8 , 4 0 , 5 0 , 5 3 , 6 1 , 6 5 , 7 1 , 7 4 , 7 5 , 7 6 , 7 7 , 7 9 , 8 0 , 8 3 , 9 2 , 9 3 , 9 6 99.

Êsses medicamentos que

se mostraram ativos em outras micoses, fracassaram, entretanto, na grande

maioria dos casos de criptococose do sistema nervoso central, confirmando

as experiências sem sucesso in vitro. Outras drogas foram experimentadas,

igualmente sem qualquer resultado, tanto in vitro como in vivo. Assim a

penicilina

19, 27, 53, 54, 8 7

, a sulfonamida

1 9

, a actidione

7 , 25, 27, 39, 43, 9 0

,

9 9

, a

ti-rotricina, estreptomicina, tirocidina, subtilin, tirotricin, gramicidin,

bacitra-cin e os ácidos gordurosos

3 4

, a aureomicina, cloromicetina e terramicina

2 7

,

a prata coloidal

8 5

. Outras drogas, que haviam dado bons resultados

expe-rimentalmente como o bacilomicin

4 8

, protoanemonin

4 9

e streptotricin

8 1

não

corresponderam quando usadas no homem

9, 1 0

. O mesmo se deu com a

hi-pertermia

8

, apesar dos ótimos resultados experimentais

54, 55, 56, 8 4

e com a

hialuronidase

2 3

. Também o gotejamento de álcool a 5% na veia não

sur-tiu efeito

54, 6 8

.

Da revisão da literatura encontram-se apenas 2 casos tidos como

cura-dos. O primeiro é o de Marshall e T e e d

6 5

, tratado com sulfadiazina e

io-deto de potássio, e que estava assintomático já há 6 anos. O segundo, de

Levin e Roux (cit. por Mosberg e A r n o l d

7 1

(3)

regis-trados na literatura a medicação empregada não surtiu efeito algum

2, 6, 7, 9, 1 1 , 1 2 , 1 3 , 14, 1 7 , 2 5 , 2 7 , 3 0 , 3 1 , 3 2 , 3 3 , 3 5 , 3 8 , 3 9 , 4 0 , 4 2 , 4 3 , 4 6 , 5 0 , 5 3 , 5 4 , 6 0 , 6 4 , 6 7 , 6 8 , 6 9 ,

7 0 , 7 1 , 73, 7 4 , 7 5 , 7 6 , 7 7 , 7 9 , 8 0 , 8 3 , 8 5 , 8 9 , 9 0 , 9 2 , 9 3 , 9 6 , 9 7 , 9 9 , 1 0 0 .

N o gráfico 1 analisamos os casos da literatura acima citados, em número

de 51, nos quais havia referência do tempo de sobrevida do paciente. Assim

verificamos que a evolução se fêz em um tempo médio de 3 a 6 meses,

con-firmando as idéias de Littmann e Zimmermann (cit. por Rubin e F u r c o l o w

8 2

) ,

evolução essa semelhante à daqueles casos não tratados, segundo os informes

da literatura

1, 19, 24, 37, 44, 59, 67, 72, 76, 86, 90, 96, 98.

Em síntese, tudo o que se viu foi tôdas as terapêuticas até então

tenta-das se mostrarem ineficazes no combate à criptococose e esta evoluir de

ma-neira fatal dentro de 6 meses na grande maioria dos casos, e, em poucos

de-les, evoluir de modo crônico, com remissões e recidivas, sob a forma de uma

meningoencefalite tórpida. O diagnóstico perfeitamente possível, mas as

pos-sibilidades terapêuticas pràticamente nulas.

(4)

Ampho-tericin B, derivado de uma raça de streptomyces; sua ação fungicida foi

de-monstrada em vários trabalhos experimentais

29, 34, 41, 45, 58, 66, 88

.

Na literatura encontramos referências de 27 casos de criptococose do

sis-tema nervoso central tratados com o Amphotericin Β

5, 18, 20, 21, 22, 28, 47, 51,

5 2 , 6 2 , 8 2 , 94, 95

* e os resultados obtidos com essa nova droga, se comparados

com os obtidos anteriormente pelos outros meios terapêuticos, são

encoraja-dores. Assim, entre êsses 27 casos, apenas 7 evoluíram ràpidamente para

a morte. Dos 20 restantes, 6 ficaram completamente curados (contrôle

clí-nico e do L C R ) , outros 6 apresentaram melhoras clínicas acentuadas, porém

com L C R ainda alterado na citologia e na taxa de proteínas, embora fôsse

negativa a cultura. Em 6 casos que haviam apresentado no início melhoras

clínicas sem normalização do LCR, houve recidiva. Os dois casos restantes

poucas melhoras apresentaram. Não nos foi possível com êsse material

or-ganizar uma curva de sobrevida semelhante à do gráfico 1, pois o tempo de

observação com esta nova terapêutica é ainda demasiado curto.

O Amphotericin Β ** é empregado na dose de 1 mg/kg de pêso,

dissol-vido em 500 ml de sôro glicosado a 5 % e administrado gõta-a-gôta na veia,

em dias alternados ou diàriamente. A dose total por série não deve

ultra-passar de 1,0 g. Por via raqueana a dose é de 0,5 a 1 mg dissolvido em 10

ml de água bidestilada.

No homem êsse antibiótico provoca náuseas, vômitos, calafrios, dôres pelo

corpo e, mais raramente, determina flebites. Sua ação tóxica mais grave se

exerce sôbre o rim, determinando retenção de uréia e obrigando a suspensão

do medicamento por uns dias. Os efeitos secundários do Amphotericin Β são,

entretanto, evitados ou debelados com o emprêgo de anti-histamínicos,

noval-gina, ou corticosteróides.

Como vimos no quadro 1, o nosso material clínico se compõe de 14 casos,

todos diagnosticados em vida, pela demonstração do Criptococcus neoformans

no L C R (pelo método da tinta da China e pela cultura). Êles foram

evi-denciados no período de 1953 a 1958, quando a pesquisa pela tinta da China

se tornou rotina. As terapêuticas de que lançamos mão foram as mais

di-versas, tais como penicilina, sulfas, actidione, iodetos e terramicina, sem

con-tudo obter resultado favorável. Os dois casos mais recentes foram tratados

com o Amphotericin Β e são êsses os que relatamos no presente trabalho.

O B S E R V A Ç Õ E S

C A S O 1 — I.J., b r a n c a , b r a s i l e i r a , i n t e r n a d a e m 15 de s e t e m b r o de 1957. Q u e i x a : c e f a l é i a i n t e n s a a c o m p a n h a d a de v ô m i t o s , i n i c i a d a h á u m a n o . Exame geral — P a -c i e n t e a f e b r i l , a p á t i -c a , -c o m r a q u i a l g i a e r i g i d e z d e n u -c a ; e d e m a b i l a t e r a l das pap i l a s ó pap t i c a s . O e x a m e d o L C R d e m o n s t r o u u m a m e n i n g i t e l i n f o c i t á r i a c o m pap r e -sença de n u m e r o s o s Criptococcus neoformans.

* Ê s t e t r a b a l h o j á e s t a v a e l a b o r a d o q u a n d o c h e g o u às nossas m ã o s o de S m i t h , G. W . — T r e a t m e n t o f t o r u l a e n c e p h a l i t i s w i t h a m p h o t e r i c i n Β . J. N e u r o s u r g . , 1 5 : 572-575, 1958.

(5)

C o m o n a q u e l a o c a s i ã o a i n d a n ã o dispuséssemos de A m p h o t e r i c i n Β , o t r a t a m e n t o f e i t o v i s o u p r i n c i p a l m e n t e c o m b a t e r a h i p e r t e n s ã o i n t r a c r a n i a n a c o m d r e -n a g e m c o -n t í -n u a d o L C R ( p o r m e i o de d r e -n o de p o l i e t i l e -n o de d e m o r a -na r a q u e ) , D i a m o x e s ô r o g l i c o s a d o h i p e r t ô n i c o e n d o v e n o s o . C o m o t e n t a t i v a de t r a t a m e n t o c u r a t i v o a d m i n i s t r a m o s p o r v i a o r a l á c i d o u n d e c i l ê n i c o . C o m êsse t r a t a m e n t o a p a c i e n t e a p r e s e n t o u u m a m e l h o r a i n i c i a l ; p o r é m e m f e v e r e i r o d e 1958, e m p l e n o t r a t a m e n t o , a p r e s e n t o u n o v a e x a c e r b a ç ã o d a s i n t o m a t o l o g i a . O e x a m e d o L C R , f e i t o nessa o c a s i ã o , d e m o n s t r o u 18 c r i p t o c o c o s p o r m m3

.

F o r a m a d m i n i s t r a d a s , a p a r t i r desta d a t a , 4 séries d e 10 i n j e ç õ e s de A m p h o t e r i c i n Β ( 5 0 m g p o r i n j e ç ã o ) , e m dose t o t a l d e 500 m g p o r s é r i e , n ã o h a v e n d o r e a -ç ã o c o l a t e r a l de i m p o r t â n c i a .

P e l a s m o d i f i c a ç õ e s d o L C R o b s e r v a d a s n o d e c u r s o do t r a t a m e n t o , p o d e m o s a v a -l i a r a e v o -l u ç ã o m a i s f a v o r á v e -l da m o -l é s t i a .

(6)

C A S O 2 — M . L . T . , b r a n c a , b r a s i l e i r a , i n t e r n a d a e m 17 de j u n h o de 1958. Sua m o l é s t i a se i n i c i o u há m a i s ou m e n o s 2 meses, c o m c e f a l é i a t ó r p i d a , difusa, p r e d o m i n a n t e m e n t e o c c i p i t a l , c o m s u r t o s de a c e n t u a ç ã o ; e m u m dêsses s u r t o s a p r e s e n -t o u -t o n -t u r a s , v ô m i -t o s e f e b r e . A n -t e s de sua i n -t e r n a ç ã o , h a v i a sido s u b m e -t i d a a t r a t a m e n t o p o r v á r i o s a n t i b i ó t i c o s , c o m d i a g n ó s t i c o d e m e n i n g i t e , s e m q u e t i v e s s e sido d e t e r m i n a d a a e t i o l o g i a . Exame clínico — P a c i e n t e f e b r i l ( 3 8 , 5 ° C ) , r i g i d e z de nuca, e d e m a de p a p i l a b i l a t e r a l e p a r e s i a do n e r v o m o t o r o c u l a r e x t e r n o à d i r e i t a . O e x a m e de L C R f e i t o n e s s a o c a s i ã o r e v e l o u u m q u a d r o de m e n i n g i t e l i n f o c i t á r i a c o m p r e s e n ç a de Criptococcus neoformans.

A p a r t i r de 21 de j u n h o de 1958, f o i i n s t i t u í d o o t r a t a m e n t o p e l o A m p h o t e r i c i n 3 p o r v i a e n d o v e n o s a e m s o l u ç ã o d e s ô r o g l i c o s a d o 5% na dose de 50 m g p o r v e z , e a d m i n i s t r a d o e m d i a s a l t e r n a d o s . Esta p r i m e i r a s é r i e c o n s t o u de 10 i n j e ç õ e s c o m u m t o t a l d e 500 m g d e A m p h o t e r i c i n Β . A p ó s isso, a p a c i e n t e a p r e s e n t a v a a p e n a s e d e m a de p a p i l a b i l a t e r a l , s e m n e n h u m a q u e i x a . O L C R q u e de i n i c i o a p r e s e n t a v a 15 c r i p t o c o c o s p o r m m3

, a o f i m da p r i m e i r a s é r i e de i n j e ç õ e s a p r e s e n t a v a a p e n a s 0,2 c r i p t o c o c o s p o r m m3

. A p a c i e n t e t e v e a l t a h o s p i t a l a r l e v a n d o p r e s c r i ç ã o de m e -d i c a ç ã o t ô n i c a g e r a l . R e e x a m i n a -d a e m 11 -de s e t e m b r o -de 1958, n ã o a p r e s e n t a v a q u a l q u e r q u e i x a ; o b j e t i v a m e n t e e n c o n t r a m o s a p e n a s p a p i l a s de b o r d o s p o u c o n í t i -dos. O e x a m e d o L C R nessa o c a s i ã o j á se m o s t r o u n e g a t i v o p a r a c r i p t o c o c o s m a s a i n d a c o m a l t e r a ç ã o c é l u l o - p r o t ê i c a . F o i e l a e n t ã o s u b m e t i d a a u m a s e g u n d a s é r i e de A m p h o t e r i c i n Β , s e m e l h a n t e a a n t e r i o r . N o f i n a l d e s t a a p a c i e n t e se m o s t r a v a a s s i n t o m á t i c a e o L C R , se b e m q u e m e l h o r a d o , a i n d a n ã o e r a n o r m a l . A p a c i e n t e t e v e e n t ã o a l t a h o s p i t a l a r . R e e x a m i n a d a u m m ê s após, c o n t i n u a v a a s s i n t o m á t i c a e a g o r a c o m L C R a b s o l u t a m e n t e n o r m a l . E s t a p a c i e n t e c o n t i n u a sob o b s e r v a ç ã o p a s s a n d o p e r f e i t a m e n t e b e m , sendo q u e seu ú l t i m o e x a m e d a t a de 5 de a g ô s t o de 1959. D u r a n t e essas d u a s a p l i c a ç õ e s d e A m p h o t e r i c i n Β a p a c i e n t e a p r e s e n t o u , e m c e r t a s o c a s i õ e s , c a l a f r i o s e náuseas, q u e d e s a p a r e c e r a m c o m o d i m i n u i r da v e l o c i d a d e de i n t r o d u ç ã o d o m e d i c a m e n t o . E m a p e n a s u m a o c a s i ã o t e v e r e a ç ã o de c a l a -f r i o m a i s v i o l e n t a , q u e d e s a p a r e c e u c o m n o v a l g i n a e n d o v e n o s a . C o m o r e a ç ã o de c e r t a i m p o r t â n c i a t e v e , q u a n d o da a p l i c a ç ã o d a p r i m e i r a série, a u m e n t o da t a x a de uréia, q u e a t i n g i u a 150 m g % n o s a n g u e ; b a s t o u suspender o t r a t a m e n t o p o r 3 d i a s e t u d o se n o r m a l i z o u .

(7)

C O N C L U S Ã O

Comparando os resultados satisfatórios obtidos pelo Amphotericin Β

nes-tas duas pacientes com os até então obtidos por outros meios terapêuticos,

somos obrigados a acreditar que também o problema terapêutico desta

afec-ção se encontra em vias de soluafec-ção favorável. Nossos resultados e os de

Utterback

9 4

, Appelbaum e Shtokalko

5

, Rubin e F u r c o l o w

8 2

nos autorizam

a tal.

R E S U M O

Os autores descrevem a evolução dos conhecimentos sôbre a

meningoen-cefalite produzida pelo Criptococcus neoformans, analisando as dificuldades

anteriormente havidas para o diagnóstico em vida, as quais foram superadas

depois que se usou rotineiramente a pesquisa do cogumelo no L C R pelo método

de coloração de tinta da China e pela cultura. Assinalam, a seguir, o

apa-recimento do Amphotericin Β , novo antibiótico fungicida que veio modificar

o prognóstico desta afecção.

Apresentam sua experiência com 14 casos de meningite por criptococos

diagnosticados em vida e referem pormenorizadamente 2 casos tratados com

o Amphotericin Β . O primeiro, de paciente portadora desta afecção,

evoluin-do de maneira crônica, com períoevoluin-dos de exacerbação que melhoram

nitida-mente com o Amphotericin Β e que está com uma sobrevida de 20 meses.

O segundo, de paciente portadora de forma aguda desta afecção que teve

cura clínica e está com L C R absolutamente normal, com seguimento de 11

meses. Em ambos os casos foi usada a via endovenosa, sendo feitas séries

de 10 injeções, cada uma de 50 mg de Amphotericin Β em 500 ml de sôro

glicosado a 5%. N o primeiro caso foram feitas 4 séries e no segundo

ape-nas duas. Não foram registradas reações colaterais de importância.

Os autores terminam considerando o Amphotericin Β como um elemento

que veio tornar muito mais favorável o prognóstico desta afecção até então

mortal.

S U M M A R Y

The treatment of neuro-criptococcosis with the Amphotericin B.

The authors made a review of the diagnostic difficulties in

meningoen-cephalitis by the Criptococcus neoformans, in vivo, today easier by special

methods such as China ink and culture in the CSF.

From their diagnosed 14 cases, 2 have been treated by Amphotericin B.

The first was a chronic case with acute episodes which were less severe when

Amphotericin Β was used. This case has been alive for 20 months. The

second case was an acute one with clinical and spinal fluid normalization

and has a follow-up of 11 months.

(8)

There were no complications. The authors consider that the use of A m

-photericin Β has given those cases a better prognosis.

R E F E R Ê N C I A S

1. A B B O T , Κ . H . ; C U T L E R , O. I . — C h r o n i c c o c c i d i o i d a l m e n i n g i t i s . A r c h . P a t h o l . , 21:320-330, 1936. 2. A L M E I D A , F . ; L A C A Z , C. S. — M i c o s e p e l o

Crypto-coccus neoformans (1º caso o b s e r v a d o e m S ã o P a u l o ) . A n . P a u l . M e d . , 42:385-394,

1941. 3. A L M E I D A , F . ; L A C A Z , C. S.; M O N T E I R O S A L E S , F . J. — B l a s t o m i c o s e do t i p o B u s s e - B u s c h k e ( g r a n u l o m a t o s e c r i p t o c ó c i c a , t o r u l o s e ) . A n . F a c . M e d . U n i v . S ã o P a u l o , 20:115-139, 1944. 4. A M O R I M , M . F . ; P A S Q U A L L U C C I , Μ . E. A . — N a t u r e z a d a s lesões d o s i s t e m a n e r v o s o c e n t r a l na t o r u l o s e . R e v . L a t i n o - A m e r . d e A n a t o m i a P a t o l ó g i c a , 7:41-50, 1958. 5. A P P E L B A U M , Ε . ; S H T O K A L K O , S. — C r y p t o c o c e u s m e n i n g i t i s a r r e s t e d w i t h A m p h o t e r i c i n B . A n . I n t . M e d . , 47:346351, 1957. 6. B E E -S O N , P . B . — C r y p t o c o c c i c m e n i n g i t i s o f n e a r l y s i x t e e n y e a r s d u r a t i o n . A r c h . I n t . M e d . , 89:797801, 1952. 7. C A L D W E L L , D . C ; R A P H A E L , S. S. — A c a s e o f c r y p t o -c o -c -c a l m e n i n g i t i s . J. C l i n . P a t h . , 8:32-37, 1955. 8. C A R T O N , C. A . — N e u r o s u r g i -c a l a s p e c t s o f c r y p t o c o c c o s i s . J. N e u r o s u r g . , 8:143-156, 1951. 9. C A R T O N , C. A . — T r e a t m e n t o f c e n t r a l n e r v o u s s y s t e m c r y p t o c o c c o s i s : r e v i e w a n d r e p o r t o f f o u r cases t r e a t e d w i t h A c t i d i o n e . A n . I n t . M e d . , 37:123-154, 1952. 10. C A R T O N , C. Α . ; L I E B I G , C. S. — T r e a t m e n t o f c e n t r a l n e r v o u s s y s t e m c r y p t o c o c c o s i s . A r c h . I n t . M e d . , 91:773-783, 1953. 11. C H A M P I O N D E C R E S P I G N Y , C. T . T o r u l a i n f e c t i o n o f t h e c e n t r a l n e r v o u s s y s t e m . M e d . J. A u s t r a l i a , 2:605-615, 1944. 12. C L A U S E L L , D . T . — I n f e c ç ã o p r i m i t i v a d o s i s t e m a n e r v o s o c e n t r a l p o r Torulopsis neoformans

(Torula histolytica): r e l a t o d e u m c a s o . A n . F a c . M e d . d e P ô r t o A l e g r e , 9:71-77,

1949. 13. C O H E N , M . — B i n o c u l a r p a p i l l e d e m a in case o f T o r u l o s i s a s s o c i a t e d w i t h H o d g k i n ' s disease. A r c h . Ophth., 32:477-479, 1944. 14. C O L L I N S , V . P . — B o n e i n v o l v e m e n t i n c r y p t o c o c c o s i s ( T o r u l o s i s ) . A m . J. R o e n t g e n o l . , 63:102-104, 1950. 15. C O N A N T , N . F . ; M A R T I N , D . S.; S M I T H , D . T . ; B A K E R , R . D . ; C A L L A W A Y , J. L . — M a n u a l o f C l i n i c a l M i c o l o g y . W . B . S a u n d e r s Co., F i l a d é l f i a - L o n d r e s , 1944. 16. C O R T E Z , J. M . — C r i p t o c c o c o s e p u l m o n a r . A n . P a u l . M e d . Cir., 58:315-329, 1949. 17. C O X , L . B . ; T O L H U R S T , J. C. — C i t . p o r M o s b e r g e c o l .7 1

(9)

G L O B U S , J. Η . ; G A N G , Κ . Μ . ; B E R G M A N , P . S. — C i t . p o r W i l s o n e D u r y e a9 9 . 34. G O L D , W . ; S T O U T , Η . Α . ; P A G A N O , F . J.; D O N O V I C K , R . — A m p h o t e r i c i n A and B : a n t i f u n g a l a n t i b i o t i c s p r o d u c e d b y a s t r e p t o m y c e t e in v i t r o - s t u d i e s . A n t i b i o t i c s A n n . , 579-581, 1955-1956. 35. G O L D B E R G , F . A . — T o r u l a m e n i n g i t i s . M e m p h i s M . J., 23:129-130, 1948. 36. G O L D B E R G , L . H . — I n f e c t i o n o f c e n t r a l n e r v o u s sys-t e m : case w i sys-t h n e c r o p s y f i n d i n g s . J L a b . a. C l i n . M e d . , 26:299-301, 1940. 37. G R E E N F I E L D , J. G . ; M A R T I N , J. P . M O O R E , Μ . T . — M e n i n g o - e n c e p h a l i t i s due t o C r y p t o c o c c u s m e n i n g i t i d i s ( T o r u l a h i s t o l y t i c a : w i t h r e p o r t o f a case. L a n c e t , 235:1154-1157, 1938. 38. G R E E N I N G , R . R . ; M E N V I L L E , L . J. — R o e n t g e n f i n d i n g s in t o r u l o s i s : r e p o r t o f f o u r cases. R a d i o l o g y , 48:381-388, 1947. 39. G R E E N W A L D , L . M . — C i t . p o r C a r t o n9

. 40. H A G E N , W . S. — T o r u l a h i s t o l y t i c a m e n i n g o e n -c e p h a l i t e s ; r e p o r t o f a -case w i t h s p i n a l f l u i d s t u d i e s a n d a u t o p s y r e p o r t . T h e M i l i t a r y S u r g e o n , 94:29-34, 1944. 4 1 . H A L D E , C ; M c N A L L , E . G . ; N E W C O M E R , V . D . ; S T E R N B E R G , Τ . H . — P r o p e r d i n l e v e l s in m i c e and m a n w i t h c o c c i d i o i d o -m y c o s i s d u r i n g s o l u b l e A -m p h o t e r i c i n Β a d -m i n i s t r a t i o n . A n t i b i o t i c s A n n u a l , 598-601, 1957-1958. 42. H A M I L T O N , L . C ; T H O M P S O N , P . E . — T r e a t m e n t o f c r y p t o c o c c i c m e n i n g i t i s w i t h p e n i c i l l i n . A m . J. D i s . C h i l d r e n , 72:334-342, 1946. 43. H A S P E L , R . ; B A K E R , J.; M O O R E Jr., Μ . B . — D i s s e m i n a t e d C r y p t o c o c c u s n e o f o r m a n s . N e w O r l e a n s M . S. J., 101:573-575, 1949. 44. H A S S I N , G. B . — T o r u l o s i s o f t h e c e n t r a l n e r v o u s s y s t e m . J. N e u r o p a t h o l . a. E x p e r . N e u r o l . , 6:44-60, 1947. 45. H E M P H I L L , J. J.; H E R M A N , Y . F . ; M A E Y O U N G , V . — C o m p a r a t i v e a n t i f u n g a l a c t i v i t y o f N y s t a t i n and A m p h o t e r i c i n Β in tissue c u l t u r e f o r v i r u s p r o p a g a t i o n . A n t i b i o t i c s A n n u a l , 961-966, 1957-1958. 46. H I G G I N S , J. M . — C i r c u l a r d o L a b . U p John, 1949. 47. H I L L S , J. — F u n g i z o n e f o r i n f u s i o n . S q u i b b T e c h n i c a l L e a f l e t , 1958. 48. H O B -B Y , G. L . ; R E G N A , P . P . ; D O U G H E R T Y , N . ; S T I E G , W . E. — T h e a n t i f u n g a l a c t i v i t y o f a n t i b i o t i c X G . J. C l i n . I n v e s t i g a t i o n , 28:927-933, 1949. 49. H O L D E N , M . ; S E E G A L , B . C. B A E R , H . — R a n g e o f a n t i b i o t i c a c t i v i t y o f p r o t o a n e m o n i n . P r o c . Soc. E x p e r . B i o l . a. M e d . , 66:54-60, 1947. 50. H O L M E S , S. J.; H A W K S , G. H . — T o r u l o s i s o f t h e c e n t r a l n e r v o u s s y s t e m . C a n a d . M . A . J., 68:143-146, 1953. 51. H O L T , G. — F u n g i z o n e f o r i n f u s i o n . S q u i b b T e c h n i c a l L e a f l e t , 1958. 52. J O H N -S O N , W . — F u n g i z o n e f o r infusion. -S q u i b b T e c h n i c a l L e a f l e t , 1958. 53. J O N E -S , S. H . ; K L I N D K Jr., G. — T o r u l a h i s t o l y t i c a ( C r y p t o c o c c u s h o m i n i s ) m e n i n g i t i s : r e p o r t and t h e r a p e u t i c e x p e r i m e n t s . A n . I n t . M e d . , 22:736745, 1945. 54. K L I G -M A N , A . -M . ; W E I D -M A N , F . D . — E x p e r i m e n t a l studies on t r e a t m e n t o f h u m a n t o r u l o s i s . A r c h . D e r m a t o l , a. S y p h i l . , 60:726-741, 1949. 55. K U H N , L . R . — G r o w t h a n d v i a b i l i t y o f C r y p t o c o c c u s h o m i n i s a t m o u s e a n d r a b b i t b o d y t e m p e r a t u r e s . P r o c . Soc. E x p e r . B i o l . a. M e d . , 41:573-574, 1939. 56. K U H N , L . R . — E f f e c t o f e l e v a t e d b o d y t e m p e r a t u r e s o n c r y p t o c o c c o s i s in m i c e . P r o c . S o c . E x p e r . B i o l . a. M e d . , 7 1 : 341-343, 1949. 57. L A C A Z , C. S.; L A M A R T I N E D E A S S I S , J.; B I T T E N C O U R T , J. Μ . T . — M i c o s e s do s i s t e m a n e r v o s o . A r q . N e u r o P s i q u i a t . , 5:152, 1947. 58. L E -H A N , P . -H . ; Y A T E S , I . L . ; B R A S -H E R , C. Α . ; L A R S H , H . W . ; F U R C O L O W , M . L . — E x p e r i e n c e s w i t h t h e t h e r a p y o f s i x t y cases o f d e e p m y c o t i c i n f e c t i o n s . D i s . Chest, 32:597, 1957. 59. L E V I N , E . A . — T o r u l a i n f e c t i o n o f t h e c e n t r a l n e r v o u s s y s t e m . A r c h . I n t . M e d . , 59:667-684, 1937. 60. L E V Y , I . — C i r c u l a r d o L a b . U p John, 1949. 61. L E W I N , W . ; R O U X , P . — C i t . p o r M o s b e r g e A r n o l d7 1

. 62. L I T T M A N , M . ; G R A H A M , F . — F u n g i z o n e f o r i n f u s i o n . S q u i b b T e c h n i c a l L e a f l e t , 1958. 63. L I T T -M A N , -M . L . ; Z I -M -M E R -M A N , L . E . — C i t . p o r R u b i n e F u r c o l o w8 2

(10)

11:444446, 1952. 70. M O S B E R G , W . H . ; A L V A R E Z D E C H O U D E N S , J. A . — T o r u -losis o f t h e c e n t r a l n e r v o u s s y s t e m : e f f e c t o f c h a n g e s in p H and t e m p e r a t u r e on g r o w t h o f t h e c a u s a l o r g a n i s m . L a n c e t , 260:1269-1272, 1951. 7 1 . M O S B E R G Jr., W . H . ; A R N O L D , J. G. — T o r u l o s i s o f t h e c e n t r a l n e r v o u s s y s t e m : r e v i e w o f l i t e r a t u r e and r e p o r t o f f i v e cases. A n . I n t . M e d . , 32:1153-1183, 1950. 72. N E U H A U S E R , E. B . D . ; T U L K E R , A . — T h e r o e n t g e n c h a n g e s p r o d u c e d by d i f f u s e t o r u l o s i s in t h e n e w b o r n . A m . J. R o e n t g e n o l . , 59:805815, 1948. 73. N I C H O L S , I . C. — T o r u l a m e n i n g o e n c e p h a l i t i s : r e p o r t o f a case. R h o d e I s l a n d M . J., 24:221223, 1941. 74. P A D -B E R G , F . ; M A R T I N , J. — T o r u l o s i s o f t h e b r a i n : a case r e p o r t . J. N e u r o s u r g . , 9: 307-309, 1952. 75. P E R O N C I N I , J.; B E N C E , A . E.; B A C C A R E Z Z A , Ο . Α . ; A G U E R O , J. G. — T o r u l o s i s b r o n q u i a l y m e n i n g e a . M e d i c i n a ( B u e n o s A i r e s ) , 9:363-370, 1949. 76. R E E V E S , D . L . ; B U T T , E. M . ; H A M M A C K , R . W . — T o r u l a i n f e c t i o n o f t h e l u n g s and c e r e b r a l n e r v o u s s y s t e m . A r c h . I n t . M e d . , 68:57-79, 1941. 77. R E I L L Y , Ε . B . ; A R T M A N , E . L . — C r y p t o c o c c o s i s : r e p o r t o f a case a n d e x p e r i m e n t a l studies. A r c h . I n t . M e d . , 81:1-8, 1948. 78. R E I S , J. B . ; B E I , A . — O l í q ü i d o c e f a l o r r a q u e a n o n o d i a g n ó s t i c o da c r i p t o c o c c o s e d o s i s t e m a n e r v o s o . A r q . N e u r o P s i q u i a t . , 1 4 : 2 0 1 -212, 1956. 79. R O A N T R E E , W . B . ; D U N K E R L E Y , G. E. — M e n i n g o - e n c e p h a l i t i s due t o C r y p t o c o c c u s n e o f o r m a n s . L a n c e t , 262:1274-1278, 1952. 80. R O B E R T S O N Jr., H . C ; M O S E L E Y , V . — C r y p t o c o c c u s m e n i n g i t i s : r e p o r t o f case w i t h s u r v i v a l a f t e r 14 m o n t h s . A n n . I n t . M e d . , 36:1538-1550, 1952. 8 1 . R O B I N S O N , H . J.; S M I T H , D . G . ; G R A E S S L E , O . E. — C h e m o t h e r a p e u t i c p r o p e r t i e s o f S t r e p t o m y c i n . P r o c . Soc. E x p e r . B i o l . a. M e d . , 57:226-231, 1944. 82. R U B I N , H . ; F U R C O L O W , M . L . — P r o m i s s i n g r e s u l t s i n c r y p t o c o c c a l m e n i n g i t i s . N e u r o l o g y , 8:590-595, 1958. 83. S A M P S O N , B . F . ; F A R R E N , J. E. — A n o t h e r c a s e o f T o r u l a m e n i n g i t i s . S o u t h A f r i c a n M . J., 16:245, 1942. 84. S E E G A L , B . C. — C i t . por C a r t o n9

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