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Academic year: 2017

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Rev Bras Psiquiatr 2002;24(Supl III):1-2

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campo dos transtornos alimentares (TA) tem pas sado por um rápido desenvolvimento nas últimas décadas. Este fenômeno é “espantoso” se consi-derarmos que a bulimia nervosa, a “segunda grande síndro-me” deste grupo, emergiu como um diagnóstico isolado so-mente em 1979. Podemos observar um interesse cada vez mai-or dos clínicos, pesquisadmai-ores e até do público em geral em relação a este grupo nosológico. Este interesse tem se refleti-do em um número crescente de publicações sobre vários as-pectos dos transtornos, fornecendo novas perspectivas e ampliando sua compreensão.

Vários mitos relacionados aos transtornos alimentares têm sido questionados. Eles são mais freqüentes do que podería-mos imaginar, se levarpodería-mos em consideração que formas sub-clínicas são mais observadas do que as síndromes completas. Ocorrem também no sexo masculino, assim como em indivídu-os de todas as classes socioeconômicas. Muito embora sejam reconhecidos como condições clínicas graves, associados a uma alta taxa de morbidade e mortalidade, se distribuem como num spectrum que vai de formas agudas até formas crônicas e, não devem ser considerados a priori como possuindo uma natureza inexoravelmente crônica. Entretanto, apesar dos avan-ços nesta área, os transtornos alimentares ainda representam um desafio aos clínicos e pesquisadores por sua natureza sindrômica, não completamente esclarecida do ponto de vista etiológico. A identificação recente de novas síndromes, como o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (Binge-Eating Disorder), estimula ainda mais os questionamentos no terre-no da terre-nosologia dos transtorterre-nos alimentares. Além disso, apesar de não ser considerada um transtorno alimentar, vários aspectos da obesidade mostram-se relacionados de alguma forma com os TA. A pesquisa clínica deve se ocupar das lacu-nas no atual conhecimento para conduzir-nos à descoberta de terapêuticas mais eficazes.

O tratamento dos pacientes com transtornos alimentares tem melhorado em função de uma maior sistematização e padroniza-ção de condutas terapêuticas baseadas em evidências. Os pro-fissionais envolvidos no cuidado de pacientes com transtor-nos alimentares já contam com algoritmos para seu tratamento.

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Transtornos alimentares

ranstornos alimentares

ranstornos alimentares

ranstornos alimentares

ranstornos alimentares

Eating disorders

Eating disorders

Eating disorders

Eating disorders

Eating disorders

O Guia Prático para Tratamento de Pacientes com Transtornos Alimentares, da Associação Americana de Psiquiatria, já em sua segunda edição e os Algoritmos para Tratamento de Paci-entes com Transtornos Alimentares do Real Colégio de Psiqui-atras da Austrália e Nova Zelândia são exemplos destas inicia-tivas de normatização terapêutica. Estes manuais abordam vári-os aspectvári-os específicvári-os no manejo de pacientes com transtor-nos alimentares como, por exemplo, a necessidade de uma equi-pe multiprofissional, a identificação do melhor local para o tra-tamento (de acordo com os diferentes níveis de gravidade na apresentação clínica), as diversas abordagens psicoterápicas, farmacológicas e nutricionais indicadas e o acompanhamento e as intervenções recomendadas para as complicações clínicas e psiquiátricas associadas.

No Brasil a área dos transtornos alimentares também tem tido destaque crescente, derrubando mais um dos antigos precon-ceitos acerca da inexistência de tais quadros em países em de-senvolvimento. Na última década, observamos o surgimento e o crescimento de grupos dedicados ao atendimento e à pesqui-sa de pacientes com transtornos alimentares em várias cidades brasileiras, possibilitando a formação de profissionais com ha-bilitação mais específica. Houve também o desenvolvimento de uma produção científica nacional sobre o assunto, com uma crescente melhora em sua qualidade. Contamos também com um evento nacional multidisciplinar que reúne, a cada dois anos, os profissionais especializados e interessados pela área, o “En-contro Brasileiro de Transtornos Alimentares e Obesidade”, cuja quinta edição ocorrerá em junho de 2003 na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul.

É com grande satisfação que apresentamos este Suplemento da Revista Brasileira de Psiquiatria, dedicado aos transtornos alimentares. O seu objetivo principal é fornecer para os profis-sionais de saúde mental envolvidos com a prática clínica, um conjunto amplo de informações atualizadas sobre vários temas relacionados aos transtornos alimentares. Para tal, convidamos um conjunto de profissionais diretamente envolvidos com pes-quisa e atendimento a pacientes com transtornos alimentares no Brasil. Muitos dos artigos aqui publicados expressam resul-tados de projetos de pesquisa, teses de mestrado e de

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Transtornos alimentares Appolinario JC et al.

do dos autores em questão. Acreditamos que as informações aqui apresentadas reflitam os mais recentes avanços nessa área do conhecimento acrescidas da experiência dos profissionais envolvidos na preparação de cada artigo.

Por fim, gostaríamos de agradecer a participação de nossos convidados internacionais, que prontamente aceitaram em co-laborar com esta edição, particularmente os doutores Michael J. Devlin e Phillipa Hay. O Dr. Michael J. Devlin é professor associado de Psiquiatria Clínica da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. O Dr. Devlin é considerado um importante pesquisador em transtornos alimentares, com inúmeros arti-gos publicados. Sua principal área de estudo envolve o trata-mento do transtorno da compulsão alimentar periódica. A Dra. Phillippa Hay é um outro nome bastante reconhecido nesta área. Ela é professora do Departamento de Psiquiatria da Uni-versidade de Adelaide na Austrália. A Dra. Hay tem especial

interesse pelas áreas de epidemiologia e medicina baseada em evidências, apresentando uma vasta produção científica so-bre estes assuntos.

Jose Carlos Appolinario

Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Taki Athanássios Cordás Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil

Angélica Medeiros Claudino

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