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Questão de consciência
Folha de S. Paulo
Marcos Cintra – 21/07/2011
Somente com a venda da área no Itaim Bibi, mais de 25 mil famílias serão favorecidas com a construção e rápida operação de centenas de creches em SP
A proposta da Prefeitura de São Paulo de trocar áreas municipais subutilizadas por creches levantou um debate que, até o momento, se deu de maneira incompleta e equivocada. A gestão Kassab mais do que dobrou o número de
matrículas em creches; ainda assim, a demanda por novas vagas cresce numa proporção superior à oferta.
Diante desse quadro, a prefeitura identificou áreas que podem, com autorização da Câmara Municipal, ser trocadas por creches mediante concorrências.
É notório que a administração pública está sujeita mais intensamente a limitações legais, prazos e restrições orçamentárias e operacionais que a iniciativa privada, que consegue fazer em meses o que para governos
demoraria anos.
A vantagem da alienação de terrenos com dação de creches em pagamento prende-se menos ao aumento de receita com o valor dos ativos vendidos e mais à agilidade e à rapidez na construção das unidades. As mais de 100
mil famílias que aguardam vagas para seus filhos que o digam.
Não obstante, vale lembrar que o Orçamento municipal não é ilimitado. Embora nominalmente expressivo, ainda é muito menor que as carências da cidade em saúde, educação, saneamento, transporte, combate às enchentes e
muitas outras atividades que concorrem entre si na busca de recursos escassos.
Das 20 áreas incluídas no Plano de Desmobilização de Ativos, algumas serão trocadas por creches, como a da avenida Horácio Lafer. Os críticos se prendem ao temor da desativação dos equipamentos sociais que lá estão
instalados, entre as quais escola, biblioteca, creche, centro de saúde e um teatro.
Ademais, teme-se que haverá degradação ambiental. Tais argumentos revelam a necessidade de esclarecer o projeto que a prefeitura pretende implantar.
A preservação ambiental e a ampliação dos serviços públicos essenciais existentes no local são premissas básicas do plano do prefeito Gilberto Kassab.
Qualquer projeto no terreno terá de respeitar as leis de proteção ambiental da cidade, uma das mais eficientes e avançadas do país.
Os equipamentos serão mantidos na mesma área, mas em prédios modernos e com melhor acessibilidade. Serão transferidas apenas as instalações da Apae, que optou por esse deslocamento, e as instalações culturais, que
contam com baixíssima frequência naquela região, dadas as opções alternativas disponíveis para a afluente população moradora daquele bairro.
Somente com a venda dessa área, mais de 25 mil famílias serão favorecidas com a construção e rápida operação de centenas de creches, que abrigarão mais de 32 mil crianças, em sua maioria nas regiões sul e leste da cidade, sabidamente mais carentes e menos providas de serviços públicos, apesar dos esforços e avanços obtidos por esta
gestão em todas as regiões da nossa cidade.
Trata-se, portanto, de um programa justo e de inegável interesse público. Aliás, interesse público que também transformou uma área de 112 mil m2 em um espaço verde e de lazer situado a poucos metros da quadra da Horácio
Lafer, que é o Parque do Povo.