Francisca Clemente de Morais
Francisca Clemente de Morais
Dissertação submetida i Comissão ju! ga~6ra do Instituto de Estudos Avan çados em Educação da Fundação Getú I io Vargas, como parte dos requis~
tos para obtenção do título de Mes tre em Educação, área de concentra çao Administração de Sistemas Educa cionais, sob a Orientação do
Luiz Fel ipe Meira de Castro.
Rio de Janeiro
Fundação Getúl io Vargas
Instituto de Estudos Avançados em Educação
Pro f.
Departamento de Administração de Sistemas Educacionais
(9 8 2
José de Ribamar Bastos Silva e Maria Inês, pelo
Fagundes Bastos, Manira Aboud Santos, liaria h>rreira, Ma
ria da Natividade Costa Moura, Maria do Socorr0 Azevedo
Carneiro, Maria do Socorro Muniz, Maria do Socorro Torres,
Odila Feitosa,.Ramiro Corrêa Azevêdo, Regina Luna. equipe
de supervisores, diretores, professores e êlunos
tados.
pess~al que util izam. Os Jornai~, as revistas e a atividade editorial, as instituiç~Es esc~
lares privadas, tanto enquanto integram a es cola do Estado, como en~uanto instituiç~es de cultura do tipo das universidades populares".
(GRAMSCI, Concepçio dialética da história, Rio de Janeiro, ed. 3~, Civilizaçio Brasi
s a o Edu c a c i o n a I M a r a n h e n se, c r i éi d o C ::J 1 S 0 ~ f ~. C L, (; f I r.-, () (;
v i a b i I i z a r o p r o c " ' s s o t é c n i c o ':" me t o c: c í ó 9 i r o d (, , i s t e li1 :. e s ( o
lar oficial estadual na perspectiva mcdernizLnle.
o
surgimento ciesse selviçi) técnico teve origem em convinios firmadrs pelo Est~do com 6rg~os fin~ncia
dores e orientadores de Program s de Desenvolvimento no
pars; por força das exig~ncias de expans-ao e mociernizaçio
do sistema de Ensino no Estado, onde a educaç20 era tida
como elemento importante na ascensão social do
e no desenvolvimento econômico do pars.
indivrduo
A participaçio da Supervisio nesse processo se
fez presente nio só na qual ificaçio do corpo docente como
na inculcação da ideologia modernizante. Entretanto, o
envolvimento do supervisor com os problemas de cada real i
dade escolar propiciou a particip~çio e/ou promoção'de de
bates sobre esses problemas conduzindo o supervisor à ex
tensio de seu âmbito de ação - do técnico para o pol rtico
e social mesmo dentro dos I imites do sistema.
Nesse aspecto o presente estudo local iza esp~
ço para uma prática mais efetiva da Supervisão Educacional
mostrando a possibilidade de se trabalhar para a formaçio
do senso crrtico-reflexivo a partir da identificaçio das
contradições existentes no sistema.
Este Serviço Técnico teve importância no pr~
cesso expansionista da educaçio no Estado, proporcionando
treinamento, assessoramento técnico-pedagógico na apl ic~
ção, acompanhamento, controle e aval iação de métodos e té~
nicas de ensino junto ao professorado maranhense,
do o leigo.
perspective.
This technica1 service began with pa.cts between the StatE and financÍd organs wich guides the Deve10pment Progranrnes in
t:,e
country; because of the needs of expansion and modernization ln the eãucation system in the state, were education was be1ieved to be an important element in the socia.l é.scension of the being and economic deve10pment of the country.The participation of the Supervision in such process was made present not on1y by the teacher's qua1ification as pell as by the inculca.tion of the modernizing ideo1ogy. Me anwh i 1 e , the supervisor's invo1vem2nt with the problems of each schoo1 rea1ity, gave participation and/or rea1ization of debates about such prob1ems conducting the supervisor to the extension of his goa1 of action - from the technica1 to the po1itica1 and social even within the system 1imit.
In such aspects of the present study, it gives space to a more effecti practice of the Educationa1 Supervision showing the po~sibi1ity to work for a formation of a critica1-reflexive sense from the identifications oí the existing contradictions in the system.
This technica1 serv1ce had its importance in the expansionist process the educatiim in the' state~ propiciating ,drill~_ p.edagogic-:technical assistanc contro1' a.mr~ava-liatioil'of'methods ando teaching te'chnics 'with the 'maranhense . teachers, above a11 with the 1ayman.
CAPrTULO I - ORIGENS DA ~UPERVISAO EDUcr.C!OiU.L. ;,'(! t;';U,'·i;.~l ... Ir
LI - Conteno Bras i lei rc; .•• " . . . l-1.1.1 SUDEN::: .•••.•••••..•...••••.•••.•.••.•••... j:; ': .1.2 - Progn:nia de; t')eta~ Ji~ (Ii::té; C:a Forrna0~:" de
Pessc:'l Técn i cc;) ... ~ ... ~ ... c • • • • 25
1.1.3 - PASf'.:.E (Program3 ce /.s!;isténcie
ra~ileiro-Americ<:.no ê::> Ensino ElementRr) ••••••••••••. 27
1.2 - Contexto Maranhense ••••••••••••.•••.•••••.••. 37
CAP rTU LO I I - RUMOS DA SUPERVI sAo EDUCAC I OtU,L I~O MARAtml\o ....•... 49
2.1 - Definição Funcional do Supervisor •••••••••••. 52
2.2 - A Pritica da Supervis~o •••••••••.•••••••••••• 59 2.2.1 - Cursos de Treinamento ••••.••••..•••..•••.•• 61 2.2.2 - Planejamento ••••••••••••••••••••••••••••••• 65 2.2.3 - Atuaçio da Supervis~o •••••.•••••••••••••••• 68
3 - CONClUS7\O ••••.••••••••••••••••••••••••••••••••• 78
4 ANEXOS ••••••.••••••••••••.•••••••••.••••.••••.• 83
4. I - Resumo das Entrevi stas . . . 83
4.2 - Dados sobre as Escolas Estaduais ••••••••••••. 94 4.3 - Amostras de Planejamento e Diretrizes da Supe~
visão •••..••.•••••••••.•••.•••••.•••••••••.•• 117
4.4 - Amostras de Relatórios da Supervisão ••••••• &.138
4.5
Atribuiçõ s do Supervisor que vigoraram até1973 .. · ...•... 152
um fenômeno que se ~rocessa isoladamente dos demais elcmen tos do todo social e, ~im, dele faz parte integrante e in di spensave ; e que a pratica e ucatlva - 1 - . d . 1 1 1 · strlcto sensu.' e . , •
o trabalho pedagógico real izado pelos seus agentes no seio da p r á t i c a s o c i a I g I l' b a I, o o b j e t i vo p r i n c i p a I d e s te t r a b ~
lho i o estudo da pr~tica da Supervisio Educacional no Ma ranhão, situando-a em seu contexto mais amplo, visando a identificação das suas principais contradições em função das relações e práticas sociais, de sorte que seja eviden ciada a possibilidade de ser utilizado tambim o trabalho do supervisor para a conscientização de uma ação alternatl va na educação. Essa visão da relação educação/sociedade i
reforçada por Ildeu, quando afirma 11 • • • a relação educa
ção/sociedade, segundo a qual a sociedade realmente deter mina a educação, mas i tambim por esta determinada... A educação i uma das manifestações da vida concreta dos ho mens, ou seja, ·da total idade da vida social, do modo como
1- IIPor prática, em geral, entendemos todo processo de transforma -ção de uma determinada matiria-prima dada, em um produto de-terminado, transformação efetuada por um determinado trabalho humano, utilizando meios (de produçio) determinadosl l
•
I~ prática social i a unidade complexa das práticas existentes na sociedade. Alim da produçio a prática social comporta outros nfveis essenciais: a prática polrtica, a prática ideológica, a prática teórica". Louis Althusser, Análise crftica da teoria marxista (Rio: Zahar Editores, 1967), pl44 Apud Jether Perei-ra Ramalho - Prática educativa e sociedade, Rio Zahar,
pJ4.
1976,
liA prática educativa i vista como umq prática deI ibera da que tenta alcançar certos fins, mais ou menos de7 finidos, nem todos tão explicitamente, e que se efe-tua por instituições ou programas especializados ... Toda a prática educativa cumpre sempre uma função po 1 rtica, ainda que não se lhe proponha claramente,
e
para detectar esse sentido i indispensável analisar a educação tambim ao nrvel de seus propósitosl lCom a leitura de Gramsci ess~ pr~ccupaç2o foi aos poucos se clareando e conduzindo-ncs i apreensio de categorias de anál ise que contribuíss"m para o entendime~
to dessa prática educativa, historicamente situada (Supe~
visão Educacional no Maranhão 1963-81), em relação as suas origens, processo de trabalho, confl itos e perspect..!. vas, assim como suas articulaç~es com o todo societário (bloco hist5rico), embora reconheç~mos que este estudo se encontra em fase embrionária e, portanto, exige um press~
guimento, 'em nível mais profundo.
Razão por que a nossa preocupação nao se I imi
-tar a ver o supervisor como mera mediação da pol ítica ed~ cacional no âmbito técnico-metodol5gico e, sim, como age~te de uma prática que, extrapolando os I imites da técnica, dirIge-se para o desempenho também de funç~es políticas e sociais no contexto escolar.
Na busca do real, serão levadas,. portanto, em consideração, as contradiç~es fundamentais que pe~ meiam o processo educacional maranhense.
Assim, encontraremos em Gramsci apoio na sua proposta de intelectual quando este procura um "critério unitário" que caracterízaria toda a atividade intelectual e permitiria distinguí-la das atividades dos outros gr~ pos sociais. Gramsci el imina a divisão homo faber/homo sa piens, na qual, todavia, Marx tinha insistido (Ideologia Alemã). Para ele em todo trabalho físico, mesmo o mais mecânico e degradado, existe um mínimo de qual ificação t~
nica, isto'é, de atividade intelectual criadora; nessa perspectiva todos os homens são intelectuais, porém nem
todos os homens t~m na sociedade 6 i n .~. ': 1 C: C lua 1 I
pois cada grupo social, nascendo n'J tt:.rrcnc t'!-iglr,i.; de
uma funçio ess~ncial do mundo da pre~uç~c, çria cem e
organicamente, uma ou várias Cê'madB~ de intclectL,is qU(
lhes dio a sua homogeneidade e a co: sciinciE da sua pr~
pria funçio, nio s6 no domTnio econbmicr mas temGãm no so
c i a I e po I T t i co. G r a ms c i as sim se e x p r e s s a:
liA
tscola e o instrumento para elaborar
os
intelectuais de diversos niveis. A cemplexidade da função
intelectual nos vãrios Estados pode ser objetivamente me
dida pela quantidade das escolas especializadas e pela sua
hierarquização: quanto mais extensa for a "ãrea" escolar e
quanto' mais numerosos forem os "graus" "verticais" da
e~cola, tão mais complexo serã o mundo cultural, a
civiliz~ção, de um determinado Estado ... Do mesmo modo
ocorre
na preparação dos intelectuais e nas escolas destinadas a
tal preparação; escolas e instituições de alta
cultura
são similares. Neste campo, igualmente, a quantidade
nao
pode ser destacada da qualidade. A mais refinada
especi~lização tecnico-cultural, não pode
d~ixarde
correspo~der a maior ampliação possivel da difusã.o ·da instrução pr.:L
mãriae a maior solicitude no favorecimento dos graus
in
termediãrios ao maior
n~mero.Naturalmente, esta
necessi
dade de criar a mais ampla base possivel para a
seleção
e elaboração das mais altas qualidades intelectuais -- ou
seja, de dar
ã
alta cultura e
ã
tecnica superior uma
es
trutura democrãtica
não deixa de ter inconv:nientes
cria-se, deste modo, a possibilidade de vastas crises de
desemprego nas camadas medias intelectuais, tal como real
mente ocor-re em todas as saci edades modernas
11.3E 5 5 e s i n t e I e c"t ua i 5 são orgânicos na medida
em que pertencem a uma organização intimamente 1 igada a
3-
GRAMSCI, Antonio - 05 intelectuais e a organização dacultura, ed. 3, Rio de Janeiro, Civilizaçao Brasilei
uma classe essencial e sao tradic;onsis na medida em que,
no novo modo de produçio, deix~ram de estar organic=mente
I igados a nova classe dirigente.
Assim; para a ~ociedade civi I (conjunto dos or
ganismos chamados privados o qual corresponde ~ funçio he
gemônica que o grupo dominante exerce sobre toda a socie
dade; i ainda o lugar da superestrutura 9nde se elaboram
e difundem as ideologias) e a sociedade política (conjunto
dos órgãos da superestrutura que desempenham uma funçio co
ercitiva e de domínio direto, ou seja, o âmbito do juríd~
co ou penal, policial, militar, etc.), a classe dominante
exerce sobre as subalternas uma dupla função, hegemônica
e coercitiva, mas exerce-a de modo mediato, e e esta media
ção que caracteriza a função dos intelectuais orgânicos,na
proporçao em que se revelam como "especial ista" e operam
na estrutura visando estabelecer o elo orgânico entre a es
trutura e a superestrutura. na busca da unidade orgânica da
estrutura e superestrutura.
Esse processo não esti isolado, pois h~ um com
plexo de relaç6es recíprocas gerando 1nterdepend~ncia dos
elementos do todo societário (bloco hist'órico), onde os in
telectuais orgânicos ligam-se aos intelectuais tradicio
nais com o fim de formar o bloco ideológi o a nível da su
p e r e s t r u t u r a d e v i d o à c I as se d i r i g e n t e te j" p a s s a do,
vis do consenso, os seus interesses e sua visio de
a t ra
mundo
ao corpo social que aí reflete, justifica e legitima o do
mínio da classe dirigente. Nesse contexto, a hegemonia e
entendida como a obtenção do consenso ativo visando supla~
tar o senso comum das massas que, por sua vez, reconhecem
como sua a concepção de mundo da classe dominante e confun
dem seus interesses com os da classe hegemônica.
Gramsci ve, ainda, o intelectual como 11 funcio
nirioll das superestruturas desempenhando quatro funç6es bá
sicas:
- organização da função econômica (quadros ticnicos, econo
- organização das concepçoes heterócl itas da classe domi
nante e do corpo social inteiro numa visão do mundo coe
rente e homogênea;
- ao fazer corresponder esta concepçao do mundo ã direção
que o grupo dominante imprime ã vida social, favorece o
consenso "espontâneo" dado pelas grandes massas da pop~
lação ã classe hegemônica;
- na condição de IIfuncionário" da sociedade pol ítica pr~
cura obter "legalmente" a disciplina social.
Esses intelectuais constituem uma camada vin
culada a uma classe social.
Como a prática educativa é um processo compl~
xo e abrangente na anál ise de um dos segmentos dessa pr~
tica (Supervisão Educacional) onde o agente é entendido
como um tipo de intelectual aproximado do proposto por
Gramsci, tivemos necessidade de utilizar no contexto do
discurso do presente trabalho, categorias de anál ise,tais
como hegemonia, estrutura, infra-estrutura, contexto so
cio-econômico-político, reprodução das relações materiais
e sociais de produção, função técnica e política reprod~
tora e/ou criticizadora da educação, especificamente, da
supervisão educacional, numa situação concreta, além da
categoria de mediação, em relação ao nível macro e micro
do sistema educacional e do sistema social.
Tentamos alinhavar, nessa perspectiva de me
diação da supervlsao com as demais práticas do contexto
escolar, as idéias pedagógicas utilizadas, as funções de
sempenhadas pelas instituições responsáveis pela formação
de recursos ~umanos para a educação maranhense no período
estudado, sobretudo o INEP (Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais) com o PAMP (Programa de Aperfei
çoamento do' Magistério Primário), PABAEE (Programa de As
sistência Brasileira-Americana ao Ensino Elementar), MEC
(Ministério de Educação e Cultura), SUDENE (Superintendê~
cia de Desenvolvimento do Nordeste) e USAID (Agência para
pedagógicas empregadas pela Supervisão, como também as lu
tas travadas pela Supervisão no interior do sistema.
Este quadro ncs permite identificar um instru
mental importante na compreensão do papel dos intelec
tuais na reprodução das ideologias e na implantação de de
cisô,-s políticas em uma dada formação social, sendo que
tanto pode estar a serviço da classe dominante como da
classe subalterna, desde que esteJamorg~nicamentecompro
metidos com uma dessas classes. E, assim, apresenta poss~
bilidades ao intelectual orgânico de constituir-se numa
força na luta pela conquista de uma nova heger.onia. ( nes
sa visão que configuramos o supervisor que, mesmo ligado
ao sistema, pode contribuir para a produção da educação
numa relação reprodução/criticidade, quando está colocado
numa posição de assessor e membro do g(upo de educadores
no sistema educacional.
Na anãl ise dos documentos deste estudo,tem-se
em vista que o real aí se encontra de forma aparente do
qual só é possível se aproximar levando-se em considera
ção as relaç6es sociais. E como estas se estabelecem na
sociedade capital ista, cuja concepção individual e psic~
lógica da educação dá ao especialista o poder de "quase
i I umi nado". Na conotação de instrumento neutro, nao
corresponde as dimens6es do processo educativo, uma vez
que a educação, numa sociedade de classe, tende a con
tribuir para a perpetuação da classe dominante, embora
esse sistema ofereça ao educador consciente e conhecedor
dos mecanismos e das leis que regem essa sociedade, condi
ç6esde tornar-se um agente comprometido-também com os
interesses do grupo subalterno; de identificar espaço e
criar condiç6es para uma estratégia possível na sua prát~
ca, e ainda contribuindo· para formar pessoas críticas e
conscientes, em função do todo social.
Procurando situar a supervisão em seu contex
to nacional, regional e local para discutir e
esta prática educativa numa visão estrutural,
a na I i sa r
este trabalho em dois (2) capítulos cujo conteúdo sumaria
mos a seguir.
No capítulo primeiro, trataremos das origens
da Supervisão Educacional no Maranhão discutindo aspectos
da política de desenvolvimento de JK (Juscelino Kubitschek
de 01 ivei ra), visando destacar as preocupações de seu Go
verno com a educação e a formação de recursos humanos,rea~
çando o trabalho r~alizado pela SUDENE, PABAEE, USAID e
MEC no Maranhão, por terem sido esses órgãos e/ou progr~
mas os elementos que propiciaram a implementação e impla~
tação desse serviço técnico sob a influência do modelo am~
ricano através do PABAEE. Discutiremos, ainda, aspectos do
contexto maranhense relacionados com a implantação do ser
viço de supervisão na Secretaria de Educação.
O segundo e último capítulo, intitulado Rumos
da Supervisão Educacional no Maranhão, apresenta os cami
nhos que esse serviço técnico percorreu em sua trajetória
de 18 anos de experiência. Ressaltamos também a definição
furrcional do supervisor no quadro do funcional ismo públ~
c o e s ta d u a I e n o E s t a tu to doM a g i s t é r' i o, a· p rã t i c a d a s u
pervisão discorrendo sobre os cursos de treinamento, plan~
jamento e a atuação da supervisão no período escolar.
Para a realização deste trabalho, procedemos a
levantamento de documentos nas instituições educacionais e
culturais sediadas em são Luís, a fim de efetuarmos estudo
e análise dos elementos referentes ao nosso objeto de estu
do, as~im como a realização de entrevistas com os superv~
sores que compoem ~s equipes Central e Intermediária, o
Chefe de Seção -de Supervi são das ,Coordenações de Ens i no de
l~ e 2~ Graus da Secretaria de Educação do Estado, supe~
visore~ -que trabalhatam na primeira equipe e que nao mais
exercem a função, supervisores em exercício. e demais ele
mentos da equipe técnica, diretores; professores e alunos
das Unidades Escolares "Benedito Leite" do centro urbano
de-São Luís e "Padre Antonio Vieira", situada no Bairro do
sas para o presente estudo.
Faz parte também da composição deste trabalho
anexos com os dados das entrevistas real izadas, planos e
relatórios da seçao de supervisão,objetivando demonstrar
parte representativa das fontes consultadas.
Cabe, finalmente, dizer aos colegas da prát~
ca supervisora que o caminho seguido neste estudo é fruto
de preocupações surgidas durante os 16 anos de experiê~
cia nessa área da prática educativa e do estudo e ref1e
xões vivenciados durante a real ização do curso de mestra
do, razões porque não temos a pretensão de um trabà1ho
acabado e, sim, de abrir um debate sobre a visão da prát~
ca da supervisão aqui discutida com os meus colegas e a1u
nos, para que, juntos, encontremos estratégias de
mais coerentes com a real idade maranhense.
CAPTTULO I - OR IC;ENSDA SUPERV I ~~;:O LDUU;C10UALi':C HARANHAo
Com intuito de situ2r o objeto ~e nesse estu
do - P. Supervisão Educélcioné,l no ';2ranh~o (1963 - 1981) em
seu contexto mais amplo, teceremos conslderaç6es sobre es
te contexto a partir do período de 195C . 1960 correspo~
dente ao Governo de Juscelino Kubit~chek óe 01 iveira, por
o considerarmos de suma importE:nci, rara ~ compreensao de
medidas posteriores voltadas para o àesenvolvimento econo
mico no país, medidas essas não só de ordem econô~ica como
pol ítica e educacional. Dentre essas medidas, encontra-se a
criação e/ou expansão do serviço de Supervisão Educacional
nas Secretarias de Educação provocada, na maioria das ve
zes, por forças externas.
Assim, discutiremos, a seguir, aspectos do co~
texto nacional, regional e local que, a nosso ver, incentl
varam direta ou indiretamente a montagem do serviço de Su
pervisão Educacional na Secretaria de Educação do Estado
do Maranhão, como elemento de orientação e controle da p~
lítica de preparação de mão-de-obra para o aspirado prQce~
so de desenvolvimento econômico no Estado.
Adotaremos neste trabalho o termo Supervisão
Educacional por ser mais genérico na conotação de serviço
técnico, pois o escolar se restringe à escola.
Para nossa discussão organizamos os
na seguinte ordem:
contexto brasi leiro
contexto maranhense 1959-1963.
L. 1 - ~Contexto bras i leiro
aspectos
Apesar dos esforços empreendidos' pelo Governo
JK nesse perTodo de 1956-1960 no sentido de dinamizar o de
senvolvimento do país através de sua arrojada pol ítica de
nacionalismo desenvolvimentista, foi o crescimento econômi
se mais favorecida pela existência Oé grande mercado inter
no, pela produçio de ferro aço e contar ainda com a disp~
sição do empresériado estrailgeiro er.í investir no brasil de
vido à segurança e incentivos proporcionados pelo Governo
Brasileiro nesse sentido.
A etençio do Governo estava voltada para os pr~
blemas econômicos ror considerá-los de grande importância,
não s5 para o desenvolviment~ como para a superação da- p~
breza no país. Nesse aspecto pode-se evidenciar o caráter
ideológico da idéia de desenvolvimento do Governo quando e~
pressa a possibil idade de uma pol ítica de desenvolvimento
econômico voltada mais p~ra a industrialização, principal
mente nos grandes centros urbanos, contando com a particip~
ção de capital estrangeiro, visando resolver problema tão
complexo como a pobreza no país. Esta compreendia grande pa~
te da população brasileira, explorada que era tanto pela
burguesia agrária quanto industrial - numa ainda, convivên
cia simultânea de 2 modelos econômicos no país - um agr~
rio/exportador do tipo 01 igárquico e outro urbano/industrial
no caso, substituição de importação, havendo apenas predoml
nincia do segundo nos grandes centros urbanos, pois na zona
rural e em alguns Estados do Nordeste o primeiro era pred~
minante.
Vemos com Safira B. Ammann um trecho que ilustra
muito bem essa idéia de superação da pobreza via desenvolvi
mento econômico."Segundo JK não há países condenados irrem~
diavelmente ã pobreza, toda gleba pode vir a ser fecunda,
qualquer espécie de obstáculo material é passível de super~
çao. Estribado nestas idéias ele conclama os brasileiros a
luta pela "1 ibertação econômica, que deveria vi r com a in
dustrialização e ~eria capaz de trazer ao país ,a riqueza, e
4
a prosperidade que beneficiaria a sociedade inteiral l
•
A experiência tem mostrado que esse processo de
industrialização tem servido, também, pàra separar ricos e
pobres, donos de terra e a~regados, empresários e prolet~
4 -
AMMANN, Safira Bezerra - Ideologia do Des~nvolvimentoderios, pois o cerne da questao nos parece que est~ nas cir cunstincias estabelecidas no moco ce produçio, suas rela ções sociais, divisão social de tré.;Dalho e não ( j cntusias
mos e estratégias de ação de um determinado governo. Em sí~ tese encontra-se na estrutura e n~n na dinimica do sistema econômico, hajàm vistô os desequilfbrios existentes c;,da vez mais em nossa economia.
Essa polftica de desenvolvimento estava apoiada na idéia, de modernização e no modelo de importações, intro duzido desde o início do século, acelerado na década de
30
e atingindo uma auto-suficiência em bens de consumo leves na década de
50.
Com JK verifica-se uma ênfase na criação de bens de capital, por um lado, e por outro a preocupaçao com a preservaçao da paz social.Nessa perspectiva o~verno contou com o apoio de um grupo de jovens tecnocratas para o empreendimento de sua estratégia de desenvolvimento, que era voltada para a concessão de incentivos aos investidores privados nacionais e estrangeiros. Para esse fim, foi definida uma regulament~
ção que iria beneficiar de uma certa forma os investidores
e~trangeiros com facilitação cambial na importação de maqu!
naria, havendo apenas a condição de que essas empresas deve riam associar-se a empresas brasileiras. O capitalista es trangeiro contou também com a possibilidade de remeter seus lucros às origens.
Estava) assim, articulado o sistema capital ista brasileiro ao sistema capitalista internacional; fato queo governo de Getúl io Vargas tentou evitar.
chamadas veículos.
Com essas-medidas~áumentou-se a-produção ~das indúst~i~s-chave, princi.palmente a produção de
tituições.
Os investimentos industriais realizaram-se apoi~
dos nas possibilidades abertas pela estrutura econõmica cri~
da nos anos anteriores, pois já existia o Banco do Norde~
te do Brasil, A Superintendência de Plano de Valorização Ec~
nômica da Amazbnia (SPVEA), Ban~o Nacional do Desenvolvimen-to Econômico (BNDE), Petrobrás, Eletrobrás, além da defini ção de condições~ áreas e setores em que os investimentos se faziam necessários.
Assim sendo, a polrtica econômica governamental foi sistematizada no Programa de Metas (1957) visando a im plantação de uma estrutura industrial integrada. E a respo~
sabi.tidade técnica de elaboração do referido Programa esteve a cargo de um grupo misto formado por técnicos do BNDE e da CEPAL.
Vejamos como IANNI se refere ao Programa de Me tas JK:
"Assim, para compreendermos como e porque o Pro
. . . .
grama de Metas representou um importante desenvolvimento nas
relações entre o. Estado e a Economia no Brasil,
i
necessirio
levarmos em conta - combinadamente - as duas tendências men
cionadas. De um lado, estavam as exigências estabelecidas p!
las relações de interdependência e
complementa~iedade inere~tes
ã
estrutura econômica brasileira de então. Quando a Eco
nomia atingiu uma fase determinada do seu desenvolvimento, a
industrialização deixou de ser induzida principalmente pelo
estrangulamento do setor ;externo. E, por outro,
manifesta
. . .
ram-se as exigências estabelecidas pela prBpria
.reprodução
. .
--capitalista, em imbito mundial. Assim, quando os Estados' Uni
dos consolidaram a sua hegemonia sobre a Europa e o Japão, o
. . gove~noe as empresas mais
pode~osasnorte-americanas
pud!
ram reformular as suas relações econômicas, politicas e mili
.~ . .
.-tares com os povos coloniais e dependentes.
1açio e a execuçao do Programa de Metas".5
Vale ressaltar,também, o debate existente no país sobre os problemas de planejamento e desenvolvimentoec~
nSmico abrangendo os v~rios setores do Governo, do empres~
riado, técnicos e administradores com a idéia de que plan~ jamento era uma técnica neutra.
A
medida que se foi desenvolvendo o modo de pr~d u ç ã o c a p i t a I i s t a n o B r a s i I, i a m -s e d e s e n vo I ve n d o p a r a I e I ~
mente as relações de produção como o conjunto da estrutura social, sobretudo nos grandes centros urbanos e industriais do país. Nesse sentido, desenvolveu-se a estrutura de clas ses sociais com suas implicações políticas e culturais. Hou ve uma predominância da cidade sobre o campo, novas formas de pensar e possibilidades de ação surgiram, a "cultura da cidade" impõe-se como sistema de valores, padrões de compo~
tamento e modos de pensar concernentes às relações de prod~
ção oriundas da produção industrial e da expansão do setor
terct~rio. Assim, avança a hegemonia da cidade, enquanto uni
verso cultural singular~sobre a cultura de tipo agr~rio. O poder político passou em maior 9cala às maos da burguesia
industrial. E o processo industrial passou a exercer influ ência no pensamento e nas atividades dos grupos sociais e p~
líticos dos centros urbanos. O ufanismo da modernização esta va lançado.
Nesse contexto, problemas econômicos, financei ros, sociais e políticos começaram a surgir devido a conso I idação de desigualdades, desequi I íbrios e contradições na sociedade brasileira, provenientes da nova divisão de traba lho e da diferenciação social interna. Dos problemas surgl dos durante o governo JK destaca-se a inflação que, apesar de provocar algumas distorções na estrutura dos investime~os
(estímulo aos neg5cios imobili~rlos) não chegou a atingir ní veis que prejudicassem a realiz~ção do programa de desenvol
5 I.ANNI, Octãvio
Estado e 'Planejamento Econ'Ôm';co no Brasil,
(1930-1970). Ed. 3a.
Sao Paulo, Civl11zaçao
Brasl1~lra,vimento.
Outro aspecto que merece destaque nesse período
e o fato do poder executivo ter exercido uma certa
nia sobre o legislativo. Nesse sentido criou novos
hegem~
orgaos
ou dinamizou outros para elaborar, executar ou controlar a
execução dos vários itens do Programa de Metas. Dos orgaos
criados destacam-se o Conselho do Desenvolvimento, a SUMOC
(Superintendência da Moeda e do Crédito), SUDENE (Superi!!.
tendência do Desenvolvimento do Nordeste) e a CACEX (Carte~
r a d e C o mé r c i o E x t e r i o r) .
110 Governo JK foi marcado por quatro (4) rea 1 i
zaçoes importantes, ainda que de sucesso desigual: O Progr~
ma de Metas, a Superintendência do Desenvolvimento do Nor
deste (SUDENE), a Operação Pan-Americana (OPA) e Brasíl ia,
Essas soluções revelam que o Governo Kubitschek procurou
apresentar remédios novos e audaciosos para alguns probl~
mas fundamentais do capitalismo no Brasill l
•
6
Tendo em vista que o nosso objeto de estudo re
laciona-se, particularmente, com a pol ítica de formação de
recursos humanos para o desenvolvimento econômico, discorr~
m~s a segui r sobre a SUDENE, ~rograma de Metas e ainda o
PABAEE (Programa de Assistência Brasileiro-Americana do En
sino Elementar), elementos importantes nessa pol ítica.
1.1.1 - SUDENE
A SUDENE foi criada num momento em que era co
mum (1'959) a existência de conflitos políticos, econômicos
e sociais no Nordeste, onde havia constantes choques entre
a liderança das massas camponesas, sobretudo em Pernambuco
e a 1 iderança pol ítica própria do coronelismo, provocandoa~
sim ruptura das massas com o esti 10 01 igárquico ainda domi
nante na região.
Para tentar conter esses conflitos o Governo Fe
deral optou pela criação de um orgao que substituisse o
DNOCS, que já nao satisfazia as exigências do novo sistema
econômico brasileiro e as necessidades do povo nordestino.
o
novo órgão surgiu neste contexto como espera~ça para o povo nordestino visando a correção da grande dis
paridade existente nos níveis de crescimento econômico do
centro sul e dessa região, considerada como uma das mais
pobres e populosas do país. Para isso foram concedidos a no
va entidade recursos para a modernização e ampl iação dos
serviços de infra-estrutura, principalmente transporte e
energia, objetivando a transformação das estruturas produtl
vas do sistema sócio-econômico regional em direção a acele
ração do rítmo de modernização e capital ização da economia
na região.
Nessa perspectiva a SUDENE passou a exercer li
derança na região, o que de uma certa forma expressava a
força que o poder executivo tinha na época, não só nessa re
gião como em todo o país.
o
principal objetivo da SUDENE era, pois, prom~ver o desenvolvimento harmônico de uma região estagnada e
reduzir o grande fosso que a separava dos centros dinâmicos
n~cionais, eliminand~ as causas desse desequil íbrio.
Podemos constatar que houve nesses vinte anos
da SUDENE uma concentração dos investimentos do Setor P~bli
co em projetos voltados para o fortalecimento da infra-es
trutura econômica regional com vistas à elevação da oferta
de serviços de transporte, energia e saneamento básico.
Esse esforço ocorreu também no sistema educacio
nal e nos serviços formadores de pessoal especializado ne
cessário à realização de programas e projetos estratégicos
para o desenvolvimento da região. O trecho, a segui r, i lus
tra a preocupação da SUDENE em preparar recursos humanos
para o desenvolvimento econômico e, dentre estes, o
visor de ensino primário.
supe~
liA taxa de escolarização primária do Nordeste
melhorado sua posição relativa à taxa média nacional. Entre
1958 a 1968, o aumento das matrículas no ensino médio do
Nordeste foi de 203%, contra 175% para o Brasil. No mesmo
período, as matrículas do ensino superior do Nordeste cres
ciam em 238%, enquanto para o Brasil a taxa de crescimento
foi de 155%. Para melhorar a qual idade do ensino primário
no Nordeste, a SUDENE treinou 23.863 professores, superviso
res e diretores, em cinco anos. Para atender à demanda de
pessoal técnico qualificado a SUDENE realizou, direta e in
diretamente, 341 cursos sobre 100 especializações, treinan
do 9.679 pessoas, na sua maioria de grau universi.tário. Com
vistas ao aperfeiçoamento e à especialização de alto nível,
foram proporcionadas através da SUDENE, por organizações i~
ternacionais e governos estrangeiros, cerca de 1.000 bolsas
de estudo no exterior, sendo 237 para técnicos da própria
SUDENE".?
Mesmo sem ter sido expl icitado no I Plano Dire
tor programas para o setor de recursos humanos, houve recur
sos financeiros para treinamento pelo sistema de convênio
com entidades nacionais e internacionais e de bolsa de estu
do, fato que demonstra a preocupação do Governo em direcio
nar os interesses educacionais aos interesses do processo
de desenvolvimento, por considerar a educação elemento bási
co na formação de mão-de-obra e no "aumento do estoque de
conhecimentos necessários ao desenvolvimento regional " .8
Inicialmente,
para medidas, tais como:
a programação do órgão voltou-se
a) a curto prazo, para prover de mão-de-obra qu~
lificada e especial izada setores considerados estratégicos
para a execução dos programas e projetos prioritários e p~
ra absorver parte do excedente da força de trabalho da re
gião (preparação de pessoal técnico da própria SUDENE e de
out ros órgãos púb 1 i cos, educação de base ru ra I, qualific~
7
8
BRASIL Ministério do Interior - SUDENE dez anos - Recife,
1969. p. 4.
çao de mão-de-obra para a indústria texti 1, entre outros) e
medidas referentes ao saneamento básico, visando combater a
mortalidade infantil, verminose, etc.
b) a médio e longo prazo, a formação de pessoal
de nível médio e superior (11 Plano Diretor) com os progr~
mas de reequipamento técnico-científico das Universidadesdo
Nordeste, de formação e treinamento de mão-de-obra Indus
trial e d~ reequipamento e ampliação das Escolas Agrícolas.
Ainda foi iniciado um programa de ensino primário compree~
dendo a ampliação da matrícula pela construção, reconstru
ção, ampliação e reequipamento de salas de aula e treinamen
to do professorado primário. Aqui situa-se um dos pontos de
atuação da supervisão educacional - treinamento de profe~
sores - principalmente os das duas primeiras séries, veicu
lando a idéia de que os problemas de aprendizagem da leitu
ra e da escrita são resolvidos em sua maioria pela aplic~
ção eficiente de métodos e técnicas "modernas" de ensino e
relegando a segundo plano as condições reais de aprendiz~
gem que, a nosso ver, são: ambiente físico da sala de aula
adequado, alimentação, saúde, vocabulário adequado ao uni
verso cultural da criança, entre outras. Diante de uma si
tuação desfavorável à aprendizagem, q~e valor têm métodos
e técnicas de ensino?
Por outro lado, a SUDENE também tentou estimu
lar a implantação de um sistema regional de planejamento ed~
cacional 9 definindo diretrizes gerais a nível regional,
além de apoiar as Secretarias Estaduais de Educação para
execuçao da programação educacional nos níveis de l~ e 2~
graus, e estimular o ~nsino .sup~rior da região.
Os quadros que seguem demonstram os quantitatl
vos do esforço da SUDENE para a preparação de recursos hum~
nos para o Nordeste, contando com a participação de órgãos
externos, principalmente a USAID, no período de 1963 a 1969.
E O U C A
ç
A
O P R I M A R I A E O E B A S E ACORDO SUDENE/USAID/ESTADOS DO NORDESTE -SITUA-ÇAO EM 30.06.69
A}. CONSTRUÇAO, RECONSTRUÇAO, EQUIPAMENTO
UNIDADES
Salas (Escolas Primárias)
Cantinas (Escolas Primárias) .... . Centro de Supervis~o . . . . Centros de Treinamento . . . . Escolas Normais . . . . Oficinas Artes Industriais
Gabinetes Médico-Dentários
CONSTRUÇAO RECONSTRUÇAO
2.934 600 26 1 O
9 13 1 1
B} EQUIPAMENTO RADIOFONICO (PARAfBA)
UNIDADES EQUIPADAS
5.516 1 • 7 O 1 65
I 7
21 5 30
1. Instalaç~o de Circuito Fechado... ... 1
2. Rádios Receptores... 500 C} VE fCULOS
Secretarias de Educaç~o e Centros de Supe~
vis~o 185
O} MATERIAL DIDATICO
1. Livros (Escolas Normais, Centros de Treina
mentos, Secretarias de Educação) . . . 138.159 2. Conjuntos de Materiais Didáticos para
EDUCAÇAO PRIMARIA E DE BASE - PESSOAL TREINA
DO 1963/68
PROFISSIONAIS TREINADOS
TOTAL SUPERVISORES PROFESSORES DIRETORES
Maranhão
...
378 75 104 557Piauí
· ...
1 .243 43 1. 285Ceará
· ...
924 60 984Rio Grande do
Norte
· ...
2.390 2.390Paraíba
·
...
1 .655 366 58 2.079Pernambuco
...
10.542 208 238 10.988Alagoas
· ...
1 .892 45 105 2.042Sergipe
·
...
1.649 78 164 1 .891Bahia
· ...
1 .025 57 141 1 .223Minas ·Gerais 423 423
( 1) .
T O T A L
...
22.121 872 870 23.863Fonte: - Acordo SUDENE/USAID/ESTADOS DO NORDESTE. Relató rios de execução do acordo supramencionado, re ferente ao ano de 1968.
Relatório de execução dos conyinJos SUDENE/ESTA DOS DO RIO GRANDE DO NORTE e SUDENE/ESTADO DX BAHIA para treinamento de professores leigos. Quadro resumo de todos os treinamentos realiza-dos através do convinio SUDENE/USAID/ESTADO DE
P~RNAMBUCO elaborado pela Secretaria de Educa çao.
TREINAMENTO PROMOVIDO PELASUDENE - CURSOS DE 1960 a 30 DE JUNHO DE 1969
S E T O R E S
Agropecuária e Recursos Naturais
Ad . . miniS raçao . • . . . • . . . • • • • . • . . . t
-Capacitação Interdisciplinar p/desenv.
Indústria . . . .
Energia, Transporte, Saneamento Bási-co e TeleBási-comunicações ...•.•...•... Educação, Ação Comunitária, Saúde e
Artesanato . . . • . . .
T O T A L ••••.••.••.•.•.• 0 • • • • • 0 • • 0 • • • • 0 • • • •
Fonte:- SUDENE - Id. Ibid, p. 106.
NOMERO DE NOMERO DE CURSOS TREINADOS
1 1 8 3. 174
57 2.096
33 1 .391 36 1 • 074
67 1 . 057
30 887
341 9.679
TRE INAMENTO DETEcN ItOS, DA 'S'UD'E'NE'-BOLSADE' 'E'STUDODE 1960 A
30
DE JUNHO DE 1969S E T O R ES BOLSAS
Of I
LI
ZADAS' TOTAL "NOPAfS NOEXTERIORAgropecuária e Recursos Natu
r a I 5 • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
Economia e Sociologia ••.•.... Educação, Saúde, Habitação, Ar.. tesanato e Ação Comunitária ... Energla, Transporte, Saneamen-to Básico e Telecomunicações .. Administração . . . • . . .
I nd~s t r i a ••••••••••••••••••••
Outros . . • . . .
T O T .. A L. . •.• 0 . . . 0 ._ . . _ . . " . . 0.
74 24 14 22 14 7 22 177 140 21
30
20 1 O 16237 (1)
214 45 44 42 24 23 22 414
TREINAMENTO NO EXTERIOR PATROCINADO PELA USAID/BRASIL BOLSA OEESTUOOS - 1963 - 68
P R O G R A MAS N<? DE BOLSAS
Desenvolvimento e Planejamento
Ed u ca çao • . . . • . . • . . • • . . .
Agricul.tura . . . .
Saúde • • . • • . • . . . . • . . . •
Saneamento Básico Recursos Naturais
Indústria e Comércio . . . . Ene rg i a E 1 ét r i ca • . • . . • . . . . • . . . Transporte Rodoviário • . . . Desenvolvimento de Comunidade e Habitação ...
T O T A L
Fonte:- SUDENE/USAID - Id. ibid, p. 107.
86
179
88
1 1
72
157
162
31
109
22
917
Segundo dados da SUOENE, os países onde mais se tem realizado treinamento de pessoal para esta entida de, são os Estados Unidos (42%) e a França (19%). Além da SUDENE, diversos órgãos públicos da região tiveram oport~
nidade de treinar pessoal no exterior. Assim, por lntermé dio da SUDENE, 917 técnicos do Nordeste foram comtemplados com bolsas de estudos para treinamento no exterior, com o patrocínio da USAIO. Ca~e aqui uma questão - que resulta dos efet i vos -trouxe ram :"es s'e's "t re i namen tos'~para a' "'-me lho ri-a--das condiç5es de vida da população nordestina? Se- conside rarmos a proposta inicial do governo com a criação da SUOE NE - de promover o desenvolvimento e diminuir os ~rndites
da pobrez~, acreditamos que muito pouco foi conseguido de
fato, haja vista, ainda hoje, a ocorrência de calamidades públicas por ocasião das constantes secas, exigindo do g~
des de aplicsr os conhecimentos adCíuiridos, sl'i·glndo cll'S
vios (e funçues e evasao desse pes~osl para outros seto
1l' A ' . - ,
res. ~Slm, a sltuaçõc, em gerói, no Estado, pouco a 1 ti.
rou, apesar do esforço de alguns órgãos nesse sentido.
A SUDENE também tem despendido esforços em rela
çao a implantação de programas voltados para estudos e pe~
quisas em vários setores. E apesar da ênfase d&da na sua
programaçao para o setor educacional tenha sido em busca do
reaparelhamento da infra-estrutura, da formação, a médio e
longo prazos do pessoal de nível médio e superior para ade
quar o sistema educacional às necessidades do mercado de
trabalho, a pesquisa nesse setor também foi objeto de pre~
cupaçao.
Nesse sentido, apoio os cursos de pós-gradu~
çao para docentes das Universidades e técnicos vinculados a
programas de des8nvolvimento regional, reequi pou dezoito (18)
Institutos de Ci;ncias Básicas. Deu ênfase à criação dos se
guintes orgaos:
- Centro de Ciências do Nordeste (CECINE/PE);
- Centro de Formação e Treinamento de Professo
res Agrícolas (CFTPA/PE);
Centro de Educação Técnica do Nordeste (CETENE/PE);
- Assessorias de Planejamento e dos setores de
Estatísticas nas Secretarias Estaduais de Edu
cação - apoio dado através da melhoria da qu~
lificação dos técnicos (cursos) e da compl.!:.
- l ' 1 1 1
mentaçao sa arla; .
10 - Estas considerações têm apoio nas entrevistas real
iza-das pela autora, de sua experiência como técnico da
Secretaria de Educação e nos documentos consultados.
Os técnicos treinados, ao voltarem para o Estado, na
ma ior i a das vezes eram afastados das funções técnicas.
Esse fato se deve a que essas fvnções eram oriundas
de cargos em comi~são. Com a mudança de Governo, o
crupo comissionáriô. ,':'a substituído, porém continuava co
~riío f'uncionário do qUé ro do Estad, , na condição anterior ao cu'"
so de t re i namento. ~
11 - BRASIL Ministério do Interior-SUDENE vinte anos (1959-79) ed. 2~.
Na local ização desses benefícios evidenciamos a
mesma tendência, já generalizada no Brasi 1, de central i
zá-los na área da sede da entidade mantenedora, o mesmo
acontece no Estado do Pará, com a SUDAM em relação as ou
tras unidades da Federação abrangidas por aquela entidadede
desenvolvimento regional.
Apesar dos quantitativos dos resultados de suas
realizações, a SUDENE expressa de uma certa forma o seu fra
casso, embora não assumido, com referência ã possibilidade
proclamada no início de sua atuação, da educação ensejar a
integração da população nordestina no processo de desenvol
vimento econômico, quando expõe aspectos do sistema reg~
lar de educação no Nordeste, período - 1961-1970, no IV pl~
12
no. Apresentamos, a seguir, alguns dos problemas meneio
nados no referido documento, que nos pareceram mais
tantes para o presente estudo:
impo~
- IIApesar dos esforços que vem sendo desenvolvi
dos pelo Ministério da Educação e Cultura,
pelos Estados e Municípios e pela SUDENE,pe~
siste a Inadequação entre a oferta e proc~
ra de matrículas em todos os nfveis de ensi
no;
a ineficiência na formação dos quadros ocup~
cionais dos vários setores do mercado de tra
balho;
em todos os níveis, o problema mais crucial
é o da qual idade do ensino, devido ã baixa
qualificação da grande maioria do corpo do
cente.Esta deficiência refere-se tanto ao
conhecimento das disciplinas lecionadas,qua~
to
ã
didática, constituindo um entraveã
adoção de novos métodos, técnicas, programas e
currículos;
12 - BRASIL Ministério do Interior - SUDENE - Plano de De
senvolvimento do Nordeste (1972-74), Recife, 1971~
- o equipamento dos estabelecimentos de ensino
e geralmente antiquado, insuficiente e as ve
zes subutilizados;
- outro grande problema reside no fato de que
grande faixa da população continua marginall
zada, não só das oportunidades de educação
formal, mas principalmente das possibi I idades
de educação continuad~;
- as condições ainda precárias das estruturas
educacionais impedem seu funcionamento efici
ente".
Segundo o documento, os problemas apresentados
determinaram a natureza dos programas e da pol ítica de atu
ação do órgão no setor educacional que, por sua vez estavam
de acordo com o Plano Setorial de Educação e Cultura em vi
gor na epoca.
Diante desse quadro, a SUDENE se propoe, junt~
mente com o MEC, a prestar assistência técnica ã elaboração
e supervisão da execução de projetos específicos, dando re
levo ã implantação da reforma do ensino de l~ e 2~ graus e
do sistema de planejamento, pesquis~ e informação educacio
na I .
As diretrizes apresentadas para o ataque aos
problemas levantados em pouco diferem das anteriormente pe~
seguidas, fato que nos leva a questionar - até que ponto a
educação era realmente o compromisso do Governo para com as
populações rurais e urbanas?
A resposta a essa indagação pode nos conduzir
aos interesses do capital em sua forma de expansão e, mais
especificamente, ã preocupação com a substituição de uma
produção agrária de subsistência pela produção em escala
mais elevada no mercado capitalista via modernização.
Dentre as diretrizes do IV Plano duas (2) estão
voltadas para a sistemática de incentivos ao serviço de su
- "fortalecer o sistema de supervisão e enfati
zar os aspectos de treinamento, remuneraçao
e ingresso nos quadros do magistério, sobre
tudo na rede municipal;
enfatizar a formação e o aperfeiçoamento de
professores nas áreas das ciências e das dis
ciplinas específicas de habi litação profi~
sional, ~stimulando os cursos de
1 3
ra parcelada".
1.1.2 - P R O G R A M A
o
E M E TAS J K1 icenciatu
A 30~ e última meta destinava-se ã educação-~
titulada - A Meta da Formação de Pessoal Técnico.
Previa a necessidade de uma educação de n í ve 1
mais elevado para as novas exigências da sociedade brasilel
ra, caracterizada pela maior diversificação da economia e,
em conseqUência, diferenciava também a ocupaçao profissi~
nal ao lado de uma "ascensãol l
.14 das classes trabalhadoras.
Nessa visão referia-se ã educação em seus três níveis - prl
mário - secundário e su~erior. Na educação primária deve
ria levar-se em consideração não só a posse dos elementos
fundamentais da cultura ( ler, escrever e contar), mas ta.!!!
bém a habilitação mínima do homem para os deveres da prod~
çao e da convivência social. Aqui aparece elementos para a
atual pol ítica de preparação de mão-de-obra prevista na Lei
5692/71 .
A educação secund~ria é proclamada a nao ser
apenas o nível intermedrário entre o primário e o superior
e sim o nível geral de preparo a que tende a coletividade.
A educação superior precisava deixar de ser um
sistema tradicional de escolas e cursos isolados, mas ten
der para a flexibi 1 idade dos currículos, para a interpen~
tração das faculdades e cursos, além do ajustamento dos pIa
('3 - Id. ibid, p. 287 - Os problemas e diretrizes aqui le vantados serão anal isados nas seções 2.2 e 2.3 deste t'ra balho.
nos de estudos às demandas da sociedade.
Nesse intento expressa a necessidade de uma re
forma da educação para a sociedade brasi lei ra de então, a
partir da investigação da realidade social com vistas a
transformação social do país.
"0 sentido da transformação social do nosso
pais parece contido no imperativo do desenvolvimento inten
5 i vo.
o
desenvolvimento econômico pressupoe:a) expansão do mercado interno;
b) diversificação da produção;
c) melhoria da produtividade pela técnica, isto
é, melhor aproveitamento dos fatores de pr~
dução, trabalho e capital, pelo aprofundame~
to tecnológico .
••• O prioritário objetivo do nosso tempo e do
nosso povo deve ser, assim, O DESENVOLVIMENTO .
... Na educação para o desenvolvimento, concebl
da como um novo humanismo pedagógico, cada i~dl
viduo é visto como protagonista da sua epoca,
como veículo de soluções comuns reclamadas pela
coletividade, soluções em que se harmonizam o
. . 1 1\ 15
permanente ~ o clrcunstancla .
O que se constata na meta destinada ao setor
educacional e uma série de medidas em função da necessária
adequação do sistema educacional ao processo de
mento econômico em marcha. Essas medidas estavam
tanto para a organização do sistema educacional
locação de recursos destinados ã educação em
veis de ensino.
desenvolvi
voltadas
como para a
(3) n i
Com a idéia de que a educação é condição de me
lhoria de produtividade pela técnica e, para tal urge a ne
1 5
- BRASIL, Presidência da RepúbJ ica, Conselho do Desenvol
vimento, Programa de Metas (tomo III ), Rio de
iã
novas
aspecto cessidade de preparaçao de mão-de-obra adequada às
exigências do desenvolvimento econômico, surge um
novo na educação brasileira que é uma teorização
das relaçôes entre educação e desenvolvimento. E
em torno
como a ten
dência era privi legiar a economia, a educação passa a ser
concebida como investimento ou consumo à luz da teoria do
Capital Humano e da Modernização, tendência essa que
impulso a partir de 1960.
Ainda com referência ao programa de Metas,
ni 16 apresenta como final idade básica a transformação
estrutura econômica do país pela criação da indústria
teve
lan
da
de
base a reformulação das condições reais de interdependê~
cia com o capitalismo mundial, sendo assim o principal ins
trumento da política econômica do governo.
Vale ressaltar que a educação não fazia parte
das prioridades do Governo e, sim, energia, transporte, al~
mentação e indústria de base. Daí a ênfase dada ã educaçãoêomo
elemento de preparação da mão-de-obra visando maior prod~
tividade pela técnica.
1.1.3 - PABAEE (Programa de Assistência Brasileira - Ameri
cana ao Ensino Elementar)
Este Programa surgiu em resposta a um ofício
do Ministro de Educação e Cultura do Brasil (11.04.56) que
solicitava Assistência Técnica da Missão de Operações dos
Estados Unidos no Brasil (USOM). O pedido referia-se à cri
ação de um Centro experimental pi loto no Instituto de Educ~
ção de Belo Horizonte e contou com o endosso do Governo de
Minas Gerais e do Diretor do Instituto Nacional de Estudos
Pedagógicos (INEP), atualmente Instituto Nacional de Estu
dos e Pesquisas Educacionais.
Para o referido programa foram tomadas as se
guintes providências:
- Descrição do Projeto do acordo assinado em
26.06.56;
- Planejamento de programa de aperfeiçoamentodo
ensino primário nos moldes do acordo Geral de
Cooperação Técnica
(1950)
e do Acordo Especlal de Serviços Técnicos
(1953);
- Acordo original que estabelecia a existência
do PABAEE firmado pelo MEC, Governo de Minas
e pelo Diretor do USOM no Brasil (Diário Ofi
cial de
21.01.57);
- Montagem de um texto de Orientação e Po 1 ít i
ca Educacional para o Programa (PABAEE - assi
nado em julho de
1957)
em Belo Horizonte;- Endosso oficial ao Programa pela Assembléia
Legislativa de Minas Gerais
(20.12.57>.
No documento Descrição do Projeto destaca-se o
seguinte trecho que evidencia a preocupação dos respons~
veis pelo Programa quanto ~s condiç5es em que se encontravao
país em função do necessário desenvolvimento.
"0 Brasil é um país subdesenvolvido no sentido
de'que possui recursos capazes de muito maior produtivid~
de. Os recursos humanos no Bras i 1 têm uma potenc i a 1 idade
superior a que é atualmente utilizada. Quarenta por cento
(40%)
das crianças em idade escolar ainda não frequentamescolas primárias, principalmente por falta de professores
e escolas. Apenas quinze por cento
(15%)
das crianças matrlculadas terminam o quarto ano primário, o que acarreta um
grau muito baixo de alfabetização funcional em todo país.
Enquanto a situação da educação primária não for sensivel
mente melhorada, e o programa de ensino secundário nao for
grandemente ampliado, não se obterá estabil idade política
_
17
e economica".
Os objetivos explícitos do acordo original esta
17 _
PABAEE. Relatório do Programa - USAID/BRASIL, Belo Hovam voltados para preparaçao de pessoal docente das Escolas
Normais, produção e/ou aquisição e distribuição de material
didático para as escolas primárias e normais, seleção e en
vio de professores brasileiros para treinamento nos Estados
Unidos, descentral ização do sistema de educação primária
nos Estados da Federação e Introdução e demonstração, de me
todos e técnicas uti 1 izados na educação primária, a fim de
atender as necessidades comunitárias em relação à educação.
o
programa durante a sua vigência constituiu-seum sistema de treinamento com diretrizes e técnicas direcio
nadas para o modelo americano. Embora apresentasse formal
mente um caráter misto de organização brasileira e america
na sob a supervisão do Diretor do INEP, na real idade a fi l~
sofia, conteúdo e metodologia dos cursos eram tipicamente
americanos, pois os métodos e técnicas de ensino e recursos
didáticos aplicados nas classes de demonstração eram tradu
zidos e util izados sob a orientação técnico-pedagógica de
professores americanos ou brasileiros, treinados e recicla
dos nos Estados Unidos, mais especificamente na Universida
de de Indiana, que estabeleceu um programa de um ano, sobre
educação primária, para educadores brasileiros.
Assim, foram organizados oito(8) departamentos
especializados com bibl ioteca específica para cada um
além de outros equipamentos sofisticados para demonstrações
práticas que, na maioria das vezes, deixavam o bolsista an
gustiado por nao ter condições de real izar tais práticas em
E d d . 1'8 d
seus sta os e origem. Dentre esses epartamentos en
contrava-se o de Currículo-Supervisão.
Segundo o reI atóriofi nal do :Programaos depa..!:.
tamentos de: Aritmética, Currículo-Supervisão, Linguagem,
Produção de Materiais, Pré-Primário, Psicologia, Estudos So
ciais e Ciências foram estabelecidos porque correspondiamde
perto à organização util izada na supervisão das escolas do
1.8 - Estas considerações estão apoiadas em nossas observa
Brasi 1 e a divisão por assuntos tornava possível maior pr~
fundidade de compreensão das ~reas estudada~ No início do
Programa o bolsista concluinte do curso recebia um certi
ficado de especialista em uma das ~reas correspondentes aos
Departamentos, Posteriormente, a esse certificado, passou
a ser acrescido o título de supervisor de ensino prim~rio.
Com a extinção do PABAEE e criação da DAP (Divl
sao de Aperfeiçoamento de Professores) em 1965, fez-se uma
experiência de real ização de cursos em 10 meses, retornando
em 1966 o regime semestral 1 igado ao Centro Regional de Pes quisas Educacionais - "João Pinheiro".
As principais realizações do PABAEE foram ex
pressas no Relatório Final do Projeto, tais como:
a) o planejamento do trabalho
Neste aspecto convém ressaltar que aos nove (9)
especialistas americanos cabiam as idéias, experiências e
orientação técnica, e aos professores e técnicos brasilei
ros a adaptação ã realidade local. Dos professores brasilei
ros sete (7) atuavam na Escola de demonstração como regente
de classe primária e cinco (5) nos Departamentos.
b) realização de cursos
Estes cursos eram de três tipos com fins e fun
çoes específicas:
- de caráter intensivo em três semanas com a
carga horária de 40hs. Eram ministrados nos Estados e Terri
tórios para professores de Escolas Normais e outros educado
res locais;
- cursos semestrais destinados a bolsistas pr~
viamente selecionados por técnicos do PABAEE nas Unidades Fe
deradas. Eram realizados em Belo-Horizonte em horário
g ra I ;
- cursos para professores de psicologia
cional, também em Belo-Horizonte.
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