A aut oviolência, objet o da sociologia
e problema de saúde pública
Se lf-inflicte d vio le nce : a so cio lo g ical co nce rn
and a p ub lic he alth p ro b le m
1 Cen tro Latin o Am erica n o d e Est u d os sob re Violên cia e Sa ú d e, Fu n d a çã o Osw a ld o Cru z . Pra ia d o Fla m en go 194/601, Rio d e Ja n eiro, RJ 22210- 030, Bra sil.
M a ria Cecília d e Sou z a M in a yo 1
Abstract Th is p ap er h as tw o objectiv es. Th e first is to reflect on th e m ean in g of su icid e as a soci-ological issu e, com m en t in g on an art icle by E.D. N u n es (1988) on t h e fam ou s w ork by Du rk h eim . Th e secon d is t o d iscu ss t h e sa m e issu e w it h in t h e field of p u b lic h ea lt h , a n a lyz in g t h e con t rib u -t ion s by -t h e fa-t h er of sociology an d ap p roach es by -t h e field s of ep id em iology, p sych ology, p sych i-a t ry, i-a n d p sych oi-a n i-a lysis, h igh ligh t in g t h e w ork of Bri-a z ilii-a n i-a u t h ors. Th e p i-a p er p resen t s in for-m at ion on t h e Braz ilian ep id efor-m iological con t ex t an d con clu d es by d efor-m on st rat in g t h at on ly frofor-m a n a n a lyt ica l p oin t of v iew ca n v iolen t ca u ses a s a w h ole ca n b e st u d ied sep a ra t ely. T h u s, t h ey con st a n t ly req u ire ep ist em ologica l a n d ep id em iologica l su rv eilla n ce t o con st ru ct in d ica t ors ca -p a b le of con t rib u t in g t o ch a n ge. Th is is a ll t h e m ore t ru e b eca u se d a t a on cu rren t v iolen ce n eed t o be v iew ed w it h in t h e con t ex t of t h e social crisis an d ch an ges Braz il is u n d ergoin g.
Key words Su icid e; Sociology; Pu blic Hea lt h
Introdução
Este a rtigo o rigin a lm en te fo i escrito p a ra co m en ta r o texto d e Nu n es “O Su icício – rea va -lia n d o u m clá ssico d a so cio lo gia d o sécu lo XIX”, o artigo-d eb ate d o volu m e 14, n ú m ero 1, d e 1998 d o s Ca d ern o s d e Sa ú d e Pú b lica . Po r u m a fa lh a técn ica , m in h a p a r te n a d iscu ssã o sa iu tru n ca d a , ten d o sid o p u b lica d o s a p en a s os três p rim eiros p arágrafos d e u m trab alh o d e três p á gin a s. O ed ito r d a Revista p ro p ô s-m e, en tão, am p liar o texto e ap resen tá-lo n a sessão “o p in iã o” d o p resen te n ú m ero. In icia lm en te p erp lexa p elo acon tecid o (e qu e acon tece e p o -d e acon tecer m u itas vezes, in clu sive em p erió-d icos tão cu ierió-d aerió-d osos com o este), resolvi fazer o jogo d e Polian a e ficar con ten te p ela p ossib i-lid ad e q u e tive d e ler e reler o trab alh o d e Eve-rard o e tod os os com en tários e críticas q u e fo-ram feitos sob re ele n o volu m e an terior. Desta form a, o p resen te trab alh o, com u m certo grau d e lib erd ad e, p ois con stitu i-se n u m a “op in ião”, p reten d e ap en as, ad em ais d e ap resen tar o qu e h avia p rod u zid o com o com en tário ao trab alh o d e Nu n es (1998:93-106), tecer co n sid era çõ es sob re o su icíd io n o cam p o qu e h oje se d en om i-n a “Violêi-n cia e Saú d e”.
O s cem anos de ‘o suicídio’
A com u n id ad e acad êm ica d as Ciên cias Sociais com em orou , em 1997, os 100 an os d a clássica o b ra d e Ém ile Du rkh eim , “O Su icíd io”. Fo i d e
fu n d a m en ta l im p o rtâ n cia q u e u m d o s m a is p roem in en tes au tores e referên cia n acion al n o cam p o d a sociologia d a saú d e, o p rofessor Eve-ra rd o Du a rte Nu n es, ten h a n os b rin d a d o com u m a reflexã o so b re o tem a , fa zen d o em ergir u m d eb a te teó rico q u e d isp en sa co m en tá rio s p ela su a relevân cia e p ertin ên cia. Pela in iciati-va, os cien tistas sociais d o cam p o d a saú d e fi-cam d even d o m ais esse ato d e gen erosid ad e a Everard o, ao m esm o tem p o em qu e, com certe-za , se sen tirã o m o b ilicerte-za d o s p a ra a p o rta r su a con trib u ição, p orqu e é p reciso d ar seqü ên cia à b u sca d e resp ostas p ara as q u estões q u e m otivaram o b rilh an tism o d o au tor. Hou ve u m tem -p o n o Brasil em q u e era m u ito d ifícil d ar au las d e sociologia ap rofu n d an d o os textos d e Du r-kh eim sem ser taxad o d e d ireitista, tem p o este em q u e a p róp ria sociologia acad êm ica esteve m u ito con fu n d id a com o m arxism o. No en tan -to, sem p re Du rkh eim fo i va lo riza d o p elo s sociólogos sérios d e tod o o m u n d o, ain d a q u an -d o n ã o co m u n ga ssem co m su a s i-d éia s p o sitivista s. Assim a com u n id a d e d os cien tista s so ciais p erm an en tem en te foi com p elid a a d iscu
-tir os p ressu p ostos e as con clu sões d e seu s es-tu d os, sob rees-tu d o n o q u e con cern e às relações en tre o in d ivíd u o e a so cied a d e. Este é o ca so d a o b ra “O Su icíd io”, p o rq u e se tra ta d e u m a
ap licação exem p lar, u m a esp écie d e “tip o-id e-a l”, lem b re-a n d o Web er, d e e-a p lice-a çã o d e “As re -gra s d o m ét od o sociológico”. Essa s d u a s o b ra s
p rim a s d o p e n sa m e n to d e Du rkh e im tin h a m co m o u m a d e su a s in te n cio n a lid a d e s, p rova r aos cien tistas d as áreas h ard ,qu e tam b ém a
socio lo gia é e p o d e ser co n sid era d a ciên cia , to -m a n d o -se co -m o b a se a p reten sa o b jetivid a d e p ositivista, até en tão p rop ried ad e d as ciên cias n atu rais.
O esforço realizad o p or Everard o foi d e re-tom ar a ob ra e torn ar p ú b licas as con trovérsias q u e vá rio s a u to res rea liza m so b re ela . Neste sen tid o, n ão d eb aterei seu trab alh o, e sim , b u s-carei acrescen tar argu m en tos à d iscu ssão, ora con cord an d o, ora d iscord an d o, e ora torn an d o atu ais as con d ições d e com p reen são d o tem a. Em p rim eiro lu ga r, é p reciso lem b ra r q u e “O Su icíd io” tem sid o u m livro d e referên cia p ara
a com p reen são d as relações en tre ciên cias so-ciais e ep id em iologia, sob retu d o n as q u estões d e m étod o, m u ito em b ora os ep id em iologistas d iscu ta m e critiq u em o rigo r d a s esta tística s ap resen tad as. Em segu n d o, vale ressaltar qu e o tem a d a violên cia, n o in terior d o q u al a au toa-gressão se in clu i, ocu p a h oje, p rioritariam en te, a p au ta d a saú d e coletiva com o ob jeto d e refle-xão, ação p reven tiva e aten ção m éd ica.
p rovocar em qu ase tod as as cu ltu ras, o su icíd io é u m fen ô m en o u n iversa l, registra d o d esd e a alta an tigü id ad e, rem em orad o p elos m itos d as socied ad es p rim itivas, criticad o p elas religiões co m o a to d e reb eliã o co n tra o cria d o r, a p a re-cen do ain da, em m u itos escritos filosóficos, co-m o ato d e su p reco-m a lib erd ad e. Segu n d o vários estu d iosos, o ato d e aten tar con tra a p róp ria vi-d a acon tece p ari p assuà em ergên cia d a con s-ciên cia , sen d o p o rta n to, u m fen ô m en o q u e acom p an h a a p róp ria h istória d a h u m an id ad e. Em b ora p ersistam h istoricam en te gran d es san ções sociais sob re o su icid a, h á exatam en te u m sécu lo o d eb ate sob re essa figu ra d eixou o terren o ap en as d a crim in ologia, d as religiões e d a filo so fia , p a ra in gressa r n a p a u ta d a s ciên -cia s so -cia is, gra ça s a Du rkh eim . Os p retexto s q u e o a u to r u tiliza p a ra tra ta r o tem a sã o d e d u as n atu rezas. Um a teórica e ou tra h istórica. A p rim eira, a n ecessid ad e d e ap licação em p íri-ca d e “As Regras d o M étod o Sociológico”p or ele elab orad as; e segu n d a, a con statação d o cres-cim en to d a s ta xa s d e su icíd io, n o d eco rrer d o sécu lo XIX n a Eu rop a, u m sécu lo d e p rofu n d as tran sform ações n o m od o d e p rod u ção e n as re-la çõ es so cia is d e tra b a lh o em to d a a Eu ro p a . Na verd a d e, Du rkh eim ela b o ro u a p rim eira ten tativa d e in terp retação sistem ática d o fen ô-m en o, in sp ira n d o -se so b retu d o eô-m Qu ételet (1835) e em Mo rselli (1879), m o stra n d o q u e o su icíd io está ligad o a forças sociais q u e tran s-cen d em a esfera d os su jeitos. Seu in crem en to, segu n d o o au tor, “é in versam en te p rop orcion al a o gra u d e in tegra çã o d o s in d ivíd u o s à so cie-d acie-d e”, e varia segu n cie-d o as cu ltu ras: “cacie-d a p ovo tem p elo su icíd io, u m a ten d ên cia q u e lh e é p ró p ria”. Essa p o siçã o d e Du rkh eim , em b o ra atacad a e q u estion ad a, tem resistid o, em m u i-to s d e seu s a sp eci-to s, a p rova s e refu ta çõ es. É n esse sen tid o q u e o au tor o con sid era, p rim ei-ro, u m fa t o socia l; segu n d o, u m fa t o n orm a l
p o rq u e, co m o b em a rgu m en ta , n ã o h á so cie -d a -d e co n h eci-d a , sem o su icí-d io, a ssim co m o n ão h á socied ad e sem lei e sem crim e. No im a-gin ário social e d en tro d e m u itas teorias qu e se op õem às id éias d e Du rkh eim , o su icíd io é vis-to co m o d esvio, fru vis-to d e d o en ça s m en ta is, o u n o o u tro extrem o, a to su p rem o d e lib erd a d e, p ortan to, carregad o d e p rofu n d a h u m an id ad e. É con tra o qu e con sid erou id eologia ora an ate-m atizad ora ora h eróica qu e o au tor se in su rgiu e esca n d a lizo u a Fra n ça , a o la n ça r o livro em p a u ta , co lo ca n d o o su icíd io co m o fa to reco r-ren te; lo go, “n o rm a l” d a cu ltu ra . Seu in ten to, to d a via , era m en o s d iscu tir a legitim id a d e d o su icíd io e sim a su a cau salid ad e.
As o p o siçõ es à s id éia s e teo r ia s d e Du r-kh eim sã o d e vá ria s o rd en s, m a s a ssin a la rei
d u a s n esta d iscu ssã o. A p rim eira , m a is fech a -d a, é a qu e b ate -d e fren te com seu p erem p tório alijam en to a segu n d o p lan o, d os fatores in d ivi-d u ais (qu e a seu s olh os são p retextos, ocasiões e n ão cau sas); e a in vocação d e corren tes su ici-d ógen a s co m o exp lica çã o p a ra o a u m en to d e
taxas d o fen ôm en o em p au ta. As m aiores críti-cas ao au tor vêm d o m u n d o p si. Mu itos con
si-d eram o su icísi-d io com o u m acon tecim en to p es-soal. “Os su icid as são alien ad os” d izia Esqu irol (1827). Desd e a p siq u ia tria m a is p rim itiva a té as corren tes fen om en ológicas e a p sican álise, a área vem ad m itin d o q u e o su icíd io é d eterm in ad o p or fatores p sicológicos ou orgâin icos iin -d ivi-d u ais. Há au tores qu e in terligam os fatores p sicológicos às n oções m ais atu alizadas de p re-d isp osição gen ética (Baech ler, 1975). A ire-d éia re-d e Baech ler é d e q u e n ão im p orta q u em se m ate; ca d a in d ivíd u o h erd a , a tra vés d e seu q u a d ro gen ético, u m a cap acid ad e m aior ou m en or d e en fren tar os d esafios d a vid a. Ou seja, h á in d i-víd u os m a is su jeitos à d ep ressã o, ou tros m a is seren os. Dificilm en te, n esse cam p o, vêse p o -siçã o tã o a b erta q u a n to a d e Ca sso rla (1994; 1998) q u e a ssin a la a co m p lexid a d e d a s situ a -ções au tod estru tivas, tan to em su a verten te so-cial com o em su as m an ifestações in d ivid u ais. A segu n d a crítica vem d o p ró p rio ca m p o d as ciên cias sociais, a p artir d e u m a visão com -p reen sivista. Os vários estu d iosos q u e segu em essa corren te d iscu tem o p ap el d o su jeito, d os sign ificad os e d as in ten cion alid ad es com o p ar-te in ar-tegran ar-te d o fato e d o ato social. Desta for-m a, recu safor-m a p osição d e Du rkh eifor-m qu e retira d o â m b ito d a so cio lo gia to d a a ga m a d e rela ções sociais e d e reações qu e com p õem a com -p lexa d in âm ica d a au toviolên cia h u m an a, -p ara en cerrá-la em variáveis e regu larid ad es sociais. É claro qu e a p osição d e Du rkh eim se ap óia n a su a p rem issa b á sica d e co erçã o d a so cied a d e so b re o in d ivíd u o, e é a p a rtir d a í q u e exp lica (p a ra u sa r u m a d e su a s ca t e go r ia s) e sse fa t o social.
terio-res q u e se cru zam , p erm itin d o, in clu sive, p ro-d u zir certas p revisões. Algu m as ro-d essas p rob a-b ilid a d es d ã o ra zã o a Du rkh eim : (a ) n o s seu s asp ectos biod em ográficos os in d icad ores m
os-tra m a o m e sm o te m p o u m a ce rta co n stâ n cia d os d ad os e a vu ln erab ilid ad e d e d eterm in ad as faixas etárias; o risco m aior d o gên ero m ascu li-n o ; a m eli-n o r ili-n cid êli-n cia eli-n tre o s ca sa d o s co m filh o s; o p eso d a s en ferm id a d es p síq u ica s e m en ta is. En tre o s a sp ect os socia is e cu lt u ra is d esen ca d ea n t es o s d a d o s u n iversa is d e q u e se
d isp õem , m ostram a p ertin ên cia a d eterm in a-d as etn ias, gru p os e classes sociais e a associação com algu n s even tos h istóricos, com o com -p o n en tes d e vu ln era b ilid a d e. As in fo rm a çõ es in tern acion ais, qu e p erm item u m certo grau d e co m p a ra b ilid a d e, sã o, d esd e h á d o is sécu lo s, as estatísticas d e m ortalid ad e, os cen sos d em o-gráficos, os arqu ivos p oliciais e ju d iciários.
Em su m a, o trab alh o d e Du rkh eim é clássi-co n o sen tid o a q u e se p ro p õ e m eto d o lo gica-m en te: fa zer a s in d ica çõ es d a s regu la rid a d es, recorrên cia s e ten d ên cia s. Con tém a o m esm o tem p o u m a série d e p recon ceitos p róp rios à fi-losofia p ositivista e tem a m arca d e seu tem p o, qu an d o sou b e catalizar as id éias d a ép oca. Nad a su b stitu i, p o rém , tra b a lh o s em p írico s, co -m o este q u e ele p róp rio fez, levan d o e-m con ta esp ecificid a d es h istórica s e d iferen cia ções d e so cied a d es, cu ltu ra s, gru p o s e co n d içõ es d a -d a s. Exem p lo -d isso é u m estu -d o cita -d o p o r Ch esn ais (1981), feito n a Hu n gria, u m p aís on d e p ersisten tem en te a s ta xa s d e su icíd io p er -m an ece-m as -m ais altas d a Eu rop a. Dos 853 su i-cíd io s o co rrid o s n u m a n o em Bu d a p este, 2/ 3 era m d e p esso a s d o en tes: m eta d e a co m etid a d e en ferm id a d es crô n ico -d egen era tiva s; u m q u arto, d e in tern os d e in stitu ição p siq u iátrica; e os ou tros 25% d e d oen tes com p ertu rb ações n eu ró tica s o u p sicó tica s. Ou tra evid ên cia d a p esq u isa é o fa to d e a p en a s 10% d os su icid a s, p or ocasião d o even to, gozarem d e b oa saú d e. Da m esm a fo rm a , o exa m e d o céreb ro d essa s p essoas, a m aioria id osa, revelou arteriosclero-se cereb ral em 47,52%. Essa in vestigação em p í-rica vem co rro b o ra r a id éia d e q u e u m a série d e fatores extern os (sócio-cu ltu rais) e in tern os (d ep ressã o, d esesp era n ça , p u lsã o d e m o rte e ou tros) rela tivos a os su jeitos in tera gem n esse fen ôm en o social qu e n os in stiga e p rovoca n os-sa s cu ltu ra s e n osos-sa p róp ria h u m a n id a d e. Por o u tro la d o, a s esp ecificid a d es cu ltu ra is n o s a lerta m p a ra o fa to d e q u e a s ca u sa s d o su icí-d io n a Hu n gria n ã o p oicí-d em , teorica m en te, ser tran sp ortad as p ara an alisar ou tras realid ad es. Certam en te, com o d iria Mau ss (1974), o su icí-d io é u m fato social total, ou seja, está satu raicí-d o d e elem en to s e sign ifica d o s b io ló gico s, em o
-cio n a is, h istó rico s e so cia is p ro p ria m en te d i-tos, sim u ltan eam en te.
Por fim , falta refletir sob re as sem elh an ças e as d iferen ciações en tre h om icíd io e su icíd io, u m tem a d o q u a l se o cu p o u Du rkh eim e d o q u al con tin u am a tratar os estu d iosos d e h oje. Ch esn a is a firm a q u e “n a b a se d o h o m icíd io e d o su icíd io se en con tram os m esm os im p u lsos agressivos d o in d ivíd u o” (1981: 199). A id éia d e op osição com p lem en tar en tre h om icíd io e su i-cíd io é an tiga, e vários au tores m ostram com o o m ap a d e u m é o in verso d o m ap a d o ou tro fen ôm efen o, em d iferefen tes socied a d es, rep resefen -tan d o am b os exp ressão d a p u lsão d e m orte d os in d ivíd u os e fatores qu e Du rkh eim d en om in ou com o an om ia. Para Lom b roso, p ai d a crim in
o-logia italian a, p or exem p lo, os d ois even tos são igu alm en te m an ifestações d e d egen erescên cia e d e im p otên cia in d ivid u al e social. Nas socie-d asocie-d es fortem en te estru tu rasocie-d as on socie-d e as regras m orais q u e d efin em o b em e o m al são rigid a-m en te cod ifica d a s, a ra zã o en tre su icíd io/ h o-m icíd io e a ten d ên cia a u top u n itiva sã o o-m u ito elevad as. Aqu elas on d e a ord em social é m en os rígid a e são m ais frou xas as n orm as m orais, te-riam m aior p rop en são a ap resen tar altas taxas d e h om icíd io. Essa “lei” é assu m id a reiterad a-m en te e a-m u itas vezes acriticaa-m en te, in clu sive p o r m u ito s ep id em io lo gista s. Algu n s a tra d u -zem d e form a totalm en te b an al: “os d esen vol-vid os se m atam e os su b d esen volvol-vid os m atam u n s a os ou tros”. No en ta n to, essa con sta ta çã o a p a ren tem en te m u ito co m u m n ã o é tã o sim p les a ssim . Pa ra fica r a p en a s em d o is exem -p los, n a Colôm b ia atu alm en te, são altos e cres-cem ta n to a s ta xa s d e h om icíd io q u a n to a s d e su icíd io. Ao co n trá rio, n a In gla terra ta n to sã o b a ixa s a s ta xa s d e h o m icíd io co m a s d e su icí-d io. No Esta icí-d o s Un iicí-d o s, em b o ra a s ta xa s icí-d e su icíd io sejam m ais altas q u e as d e h om icíd io, a m b a s, d e 1900 a 1980, segu em co m o n u m a cu rva p aralela, os m esm os m ovim en tos d e su -b id a e d escid a, sen d o am -b as m ais altas n a cri-se d ep ressiva q u e o p a ís viveu en tre 1929 e 1930.
O suicídio enquanto tema de estudo e problema sócio-epidemiológico no Brasil
No seu clássico estu d o sob re o tem a, Du rkh eim d efin e o su icíd io com o “tod o caso d e m orte qu e resu lte d ireta ou in d iretam en te d e u m ato p osi-tivo ou n egaosi-tivo, p raticad o p ela p róp ria vítim a, sabed ora d e qu e d ev ia p rod u z ir esse resu lt ad o”
(1982:16) e acrescen ta, d elim itan d o claram en -te seu o b jeto d e a n á lise: o a t o a ssim d efin id o, m a s in t errom p id o a n t es d e resu lt a r em m ort e n ão d eve ser con sid erad o”(1982:16). A h ip ótese d e Du rkh eim é q u e, se em lu ga r d e o lh a rm o s p ara o su icíd io com o algo isolad o, o vem os com o u com fa to so cia l, n ele terecom o s in ú com era s in form ações sociais e cu ltu rais, d even d o, p ortan -to ser tra ta d o d e fo rm a co letiva , in d o d o -to d o às p artes.
Citei m a is u m a vez a h ip ó tese cen tra l d e Du rkh eim p orq u e os estu d o b rasileiros em gera l se en ca m in h a m n a n ega çã o o u n a a firm a çã o d ela . De u m la d o tem o s in ú m ero s tra b a -lh os realizad os p ela ep id em iologia, b u scan d o a p resen ta r a m a gn itu d e d o p ro b lem a a tra vés d a an álise d e taxas (Barros, 199l; Alm eid a Filh o et al. 1992; Barb osa, 1974; Bu ch er, 1978; Mau ton e, 1985; Mich eletti, 1972), e u m a q u an tid a -d e m u ito m a io r, q u a se to -d o s p roven ien tes n a área p si, an alisan d o exatam en te aq u eles fato -res q u e Du rkeim co n scien tem en te exclu iu d e seu tra b a lh o, o s fa to res in d ivid u a is e rela cio -n a is to m a d o s co m o p a rte d o co -n texto so cia l (Ca sso rla , 1984a ; 1984b ; 1984c; 1985; 1987; 1991a; 1991b ; Cassorla & Kn ob el, 1995; Cassor-la & Sm eke, 1994; Cosd a s, 1988; Va n sa n , 1987; 1988; Ba sto s, 1983; So n en reich & Fried rich , 1984; Freitas, 1983; Am aral, 1985).
Qu an d o em 1991 fizem os u m a am p la revi-são b ib liográfica d e m ais d e 400 títu los (Min a-yo et a l., 1990) a b ra n gen d o a p ro d u çã o b ra sileira sob re o “im p acto d a violên cia sob re a saú -d e”, ch am ou -n os aten ção q u e, em b ora o su icí-d io se con stitu ísse, n o con ju n to icí-d e “cau sas ex-tern as” com o a d e m en or freqü ên cia, era o qu e, até en tão, p rovocava o m aior n ú m ero d e estu -d o s en tre o s cien tista s -d a á rea -d a sa ú -d e. Na ép oca levan távam os d u as h ip óteses: a p rim ei-ra, d o in ten so sign ificad o social e em ocion al d e qu e o fen ôm en o se reveste, h ip ótese qu e a m eu ver co n tin u a a m a is fo rte. A segu n d a , in d a gá -vam os sob re u m certo colon ialism o e m im etism o a ca d êetism ico, q u e n o s leva ria a en fa tiza r te -m áticas d e -m aior relevân cia p ara os ch a-m ad os p aíses cen trais, p elo fato d e qu e em tod os eles, o su icíd io é, esta tistica m en te a fo r m a d e vio -lên cia m a is sign ifica tiva , n o gru p o d e ca u sa s extern a s. Pa ra se ter u m a id éia , n a q u ele m o
-m en to n ã o h a via , n a b ib lio gra fia co n su lta d a , n en h u m estu d o esp ecífico sob re h om icíd ios n a literatu ra d e saú d e p ú b lica b rasileira, q u an d o esse fen ô m en o já a p a receria co m o o m a is p reo cu p a n te n a s p esq u isa s ep id em io ló gica s, p elo seu exp ressivo crescim en to, p a rticu la r-m en te n a s gra n d es á rea s r-m etro p o lita n a s d o p a ís. Ho je a situ a çã o é o u tra , p o is o s h o m icí-d ios sa íra m icí-d o estrito m u n icí-d o crim in a lístico e d as p ágin as p oliciais d os jorn ais p ara se con s-titu írem o b jeto d e estu d o e d e p ro p o sta s d e p reven çã o, seja d o ca m p o d a sa ú d e p ú b lica , seja n o cam p o d a sociologia e d a an trop ologia, seja d os m ovim en tos sociais. Na área d e saú d e essa exp o siçã o d o tem a se d eve so b rem o d o a d u as au toras, Ed in ilsa Ram os de Sou za, d o Cla-ves/ Fiocru z e Maria Helen a Melo Jorge d a FSP/ USP.
No s estu d o s d a á rea p si n o p a ís, em b o ra o tem a esteja m u ito p resen te, creio q u e sem d ú -vid a o estu d io so d e m a io r tra n scen d ên cia é o p ro fe sso r Ro o se ve lt Ca sso rla q u e h á m a is d e 20 a n o s vem a co m p a n h a n d o ca so s, d iscu tin -d o-os teorica m en te e a rticu la n -d o os a sp ectos in d ivid u ais aos coletivos. Ele é, p ois, n ossa referên cia m a is im p o rta n te p a ra a n a lisa r a lgu -m as qu estões.
1) Em p rim eiro lu ga r é p reciso o b ser va r q u e, se d o p on to d e vista geral, n o Brasil as ta-xas d e su icíd io são m ais ou m en os con stan tes, vivem o s u m p erío d o h istó rico d e in crem en to d a s ta xa s d e su icíd io e d e h o m icíd io en tre jo -ven s. Essa con statação se en con tra em Cassor-la n os seu s estu d os qu e vão d e 1982 a 1998. De tod os os casos q u e o au tor tem acom p an h ad o 75% são d e joven s m en ores d e 27 an os (Cassor-la , 1994:62) So u za & Ma (Cassor-la q u ia s (1988) em recen te estu d o a p a r tir d o Sistem a d e In fo rm a -çõ es so b re Mo rta lid a d e/ MS, n o p erío d o d e 1979 a 1995 co n sta ta m q u e o su icíd io é a 6a
ca u sa d e m orte n a fa ixa etá ria d e 15 a 24 a n os n a s regiõ es m etro p o lita n a s. A in cid ên cia d o s su icíd io s n esse gru p o d e joven s a p o n ta u m a certa eleva çã o q u e se p o d e o b ser va r a p a rtir d a s ta xa s a n u a is: p a ra o s a n o s d e 1979, 1985, 1990, 1995 tem os resp ectivam en te as taxas d e 4,33; 4,10; 4,48; 5,86 p a ra 100 m il h a b ita n tes. Con sid eran d o-se as cap itais in d ivid u alm en te, as taxas são b astan te d iferen ciad as. Veja-se em ord em d ecrescen te: Porto Alegre 7,63; Cu ritib a 7,29; Belém 6,70; Recife 6,33; Sã o Pa u lo 5,77; Belo Horizon te 5,57; Forta leza 4,81; Rio d e Ja -n eiro 1,84; Salvad or 0,37.
m orrem p or au toviolên cia costu m am an u n ciar o even to fatal através d e vários sin ais an terio-res, q u a se n u n ca leva d o s a sério p elo s q u e o s cerca m . Ca sso rla (1994: 62), revisa n d o vá rio s au tores m ostra q u e a relação en tre ato su icid a e su icídio é de 7% a 33%. (b) Dep ois p orqu e, fre-q ü en tem en te, o p erfil só cio -d em o grá fico d o s qu e se su icid am costu m a ser d iferen te d os qu e a m ea ça m fa zê-lo. Po r exem p lo, a s m en in a s e ad olescen tes d o sexo fem in in o são o gru p o qu e ap resen ta o m aior n ú m ero d e ten tativas, várias vezes m aior d o q u e o d o sexo m ascu lin o. Noti-ficações n o Hosp ital d as Clín icas d e São Pau lo, registrad as p elo Ceatox (Cen tro d e Assistên cia Toxicológica ), Dim en stein , (1988:3) d e a gosto d e 1991 a té m a rço d e 1998, m o stra m q u e d e -ra m en t-ra d a p a -ra t-ra ta m en to p or ten ta tiva d e su icíd io, 192 m en in as e 39 m en in os, a m aioria d elas em p len a p u b erd ad e e algu m as com p ro-cesso d e gra vid ez p reco ce e in d eseja d a . Da m esm a form a, as m u lh eres id osas são u m segm en to segm u ito vu ln erável n o p aís q u an to a ten ta tiva s d e a u to d estru içã o, m a s sã o rela tiva -m en te b aixas as taxas d e p erp etração d o su icí-d io en tre ela s, o co rren icí-d o n o s h o m en s co m u m a freq ü ên cia três vezes m aior. (c) Por fim , o cre scim e n to d a s n o tifica çõ e s e d a b u sca p o r a te n çã o d o s q u e a m e a ça m se m a ta r, é u m fe-n ôm efe-n o qu e m erece atefe-n ção d o setor saú d e. O Sistem a d e In fo rm a çã o Toxico ló gica , Sin itox, d a Fio cru z/ MS (1998) registra u m im p ressio -n a -n te i-n crem e-n to d o -n ú m ero d e -n o tifica çõ es d e ten tativas d e su icíd io p or in gestão d e m ed i-ca m en to s e p ro d u to s tó xico s. Em 1993 fo ra m 7.965 ca so s e em 1994, 9.519; em 1995, 10.511 (Boch n er, 1998). Os d ad os p ara 1996, q u e ain -d a estã o sen -d o tra ta -d o s a p o n ta m u m cresci-m en to p ara alécresci-m d e 12.000 n otificações. E fica p aten te a vu ln erab ilid ad e m aior d os joven s (15 a 39 an os). Se d erm os aten ção ao qu e m ostram os estu d os d os esp ecialistas, estam os assistin -d o a u m a u m en to co n co m ita n te -d e vio lên cia p or h om icíd io e p or su icíd io n as faixas etárias d e 15 a 39 a n o s, o q u e p o d e ser m a is u m fo rte in d icad or d a crise social qu e atravessa o p aís.
3) Ou tro p on to d e fu n d am en tal im p ortân cia assin alad o p or tod os os q u e estu d am o fe -n ôm e-n o em p au ta é resu m id o p or Cassorla co-m o a d ificu ld a d e d e se d ico-m en sio n á -lo, sen d o o s d a d o s registra d o s fa lh o s e a s ta xa s o ficia is p recárias. Os m otivos p ara tal situ ação são vá-rio s. De u m la d o, to d a s a s in fo rm a çõ es so b re vio lên cia n o p a ís p a d ecem d e im p recisã o n a su a fo n te d e p ro d u çã o : p o lícia , in stitu to s d e m ed icin a lega l, sem fa la r n a a u sên cia tota l d e d a d o s p o r n ã o registro d evid o à existên cia d e cem itérios clan d estin os, d estru ição d e cad áve-res e o u tro s. De o u tro, fa to áve-res só cio -cu ltu ra is
têm u m p eso m u ito gra n d e n os su b -registro s, q u a n d o p a rticu la rm en te os fa m ilia res ten ta m m ascarar a existên cia d o su icíd io, p ara n ão re-vela rem p ro b lem a s rela cio n a is e d ificu ld a d es n u clead as p or seu m em b ro su icid a, assu m in d o o ato com o p ertin en te à esfera p rivad a, ou seja, exatam en te o con trário d o q u e Du rkh eim q u is p rova r, a o a p re se n tá -lo co m o u m e ve n to d o â m b ito p ú b lico. Ma s Ca sso rla (1994; 1998) e o u tro s a u to re s co m o To o la n (1975) a p o n ta m o u tro p o n to co m p lica d o r. É a p ró p ria d ificu l-d al-d e l-d e se isolar o q u e é su icíl-d io n o con ju n to d os even tos violen tos. Toolan (1975) p or exem -p lo afirm a qu e 50% d os su icíd ios são rotu lad os com o a cid en tes n os Esta d os Un id os. Ca ssorla (1994; 1998) ch a m a a ten çã o ta m b ém p a ra o q u e d en o m in a “su icíd io in co n scien te” exem -p lifican d o com os casos d os h om icíd ios -p reci-p itad os reci-p elas vítim as; os acid en tes (sob retu d o os d e trân sito) p rovocad os p elos qu e os sofrem ; os en ven en am en tos p reten sam en te acid en tais em crian ças e ad olescen tes etc. Ou seja, é certo qu e m u itos in d ivíd u os se colocam em situ ação d e risco fatal. Em resu m o vários au tores con si-d eram qu e os si-d asi-d os sob re su icísi-d io são su b esti-m ad os eesti-m d u as ou três vezes.
São algu m as q u estões ap resen tad as acim a qu e, sem esgotarem o tem a, p erm item a con ti-n u id a d e d a d iscu ssã o q u e o a r tigo d e Nu ti-n es (1988) b u scou reacen d er.
Considerações Finais
Nestas reflexões, em m om en to algu m b u sq u ei id en tificar cau sas ou d iagn osticar tratam en tos esp ecíficos p ara a q u estão d o su icíd io. O tem a req u er, d e u m la d o, a esp ecia liza çã o d o s q u e tra b a lh a m o s grito s d o in sco n scien te, o so fri-m en to n ã o su p o rtá vel d e viver efri-m so cied a d e p o r p a rte d e m u ito s in d ivíd u o s; e d e o u tro, o n ecessário coro d e m u itas vozes d as várias d is-cip lin a s q u e p o d em ch a m a r a ten çã o p a ra o s riscos e as p ossib ilid ad es d e p reven ção. Ao co-m en tar o trab alh o d e Everard o D. Nu n es reco-m e-m oran do os cee-m an os de Su icídio de Durkh eim ,
li-d ali-d e n o ob itu ário geral li-d o p aís. Por ou tro lali-d o, n ã o d á ta m b ém p a ra a ceita r a p en a s o s d a d o s a glo m era d o s p a ra m ed ir a relevâ n cia d o p ro -b lem a d o su icíd io, p ois tem os já con h ecim en to so cia l e a ca d êm ico n o p a ís p a ra p erceb er o s riscos e os casos fatais p or gr u p os sociais, fai-xas etárias, etn ias (sob retu d o qu an to às n ações in d ígen as, m u itas d elas em p rocesso d e d esin
-tegra çã o cu ltu ra l) e m u ita s ou tra s va riá veis já a n a lisa d a s p or esp ecia lista s. En ten d er a s ten -d ên cia s a u to -d estru tiva s -d a so cie-d a -d e a tra vés d e su as altas taxas d e h om icíd io, su icíd io e aci-d en tes fatais aci-d e trân sito e aci-d e trab alh o, é p rin cí-p io d e cam in h o a ser trilh ad o cí-p or tod os os qu e a cred ita m o s q u e o s im p u lso s d e vid a p o d em ser m ais fortes qu e os cau sad ores d e m orte.
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