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MáterialLPTII201101

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2º SEMESTRE DE 2011

DIRETORIA DOS CURSOS DE

INFORMÁTICA

 CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

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1. O PROCESSO DA ESCRITA

É muito comum estudantes e profissionais sentirem certa dificuldade na produção de textos. Esse problema se deve, na maioria das vezes, à falta do hábito de leitura, de treino e também de técnica.

Aprender a escrever é aprender a pensar. Não é possível escrever sem que se tenha o que dizer e sem que se possa organizar o pensamento. Portanto, é necessário observar os fatos, analisá-los, criar ideias sobre eles, ou seja, pensar.

Como falantes, somos produtores diários de comunicação e, na vida profissional, cada vez mais se faz necessário dominar técnicas de produção de textos tanto orais como escritos. Em função disso, é preciso conhecer os modos fundamentais de redação: narração, descrição e dissertação.

2. TRABALHANDO O TEXTO - DISSERTAÇÃO

Dissertar é exercer nossa consciência crítica, questionar um tema, debater um ponto de vista, desenvolver argumentos.

Para a argumentação ser eficaz, os argumentos devem possuir consistência de raciocínio e de provas. O raciocínio consistente é aquele que se apóia nos princípios da lógica, que não se perde em especulações vãs, no “bate-boca” estéril. As provas, por sua vez, servem para reforçar os argumentos. Os tipos mais comuns de provas são: os fatos exemplos, os dados estatísticos e o testemunho.

Na estrutura dissertativa a composição requer uma introdução, desenvolvimento e conclusão.

2.1 ASSUNTO, TEMA, RECORTE, TESE, TÍTULO

Para alcançar um bom texto, é necessário relembrar alguns pontos fundamentais que favorecem a organização daquilo que se pretende comunicar.

Observe:

Assunto é algo amplo, genérico. Tema é o assunto já delimitado.

Recorte é o que interessa ao autor discutir no texto.

Tese é o ponto de vista a ser defendido sobre um determinado tema.

Título é o nome dado ao texto, visa a atrair o leitor para a leitura do texto, fazendo referência ao tema abordado.

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Outro aspecto que merece ser lembrado é a estrutura do parágrafo: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Em relação ao conteúdo do parágrafo vale lembrar: “Se o texto é um conjunto de idéias associadas, cada parágrafo – em princípio, pelo menos – deve corresponder a cada uma dessas idéias(...)” (Garcia 2003). Desse modo, cria-se um parágrafo para cada aspecto a ser discutido no texto.

Além disso, a construção do tópico frasal – ideia núcleo do parágrafo – auxilia na construção do parágrafo e, consequentemente, do texto claro e coeso.

PARA RELEMBRAR...

1. Produza um parágrafo a partir de cada tópico-frasal abaixo:

a) O estudo é, sem dúvida, o melhor passaporte para o mercado de trabalho.

__________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ b) A internet ganha cada vez mais espaço no dia a dia das pessoas.

__________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________

2. Leia, atentamente, os textos e responda as questões que seguem. TEXTO I

Educação e Conhecimento em Ciências Ambientais

As ciências desempenham um importante papel na divulgação do real significado das transformações do nosso planeta, enquanto sustentador da vida, com as estratégias apropriadas de desenvolvimento de acordo as várias áreas do conhecimento. Atualmente, muitos pesquisadores apontam que a Educação Ambiental é uma das principais formas de atuação do movimento ecológico que pode obter resultados práticos e significativos. Esses resultados podem ser obtidos através das Ciências Ambientais, que é uma área criada para aprofundar mais nas disciplinas que são relacionadas ao Meio Ambiente como: Ecologia, Biologia, Geografia e Zoologia. A partir desse aprofundamento interdisciplinar, poderá estudar soluções para os grandes impactos ambientais gerados pelo homem.(...)

O desenvolvimento da sociedade, impulsionada pela globalização, faz com que cada vez mais sejam absorvidos profissionais capacitados a planejar e gerenciar a qualidade do

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meio ambiente, assim, é a própria sociedade que demanda a participação destes profissionais no processo produtivo, obrigando as empresas e governos a situarem-se dentro de padrões economicamente produtivos, socialmente responsáveis e ecologicamente corretos para diminuir os problemas no meio ambiente.

(...) Nas próximas décadas, a sobrevivência da humanidade vai depender da educação ecológica, da capacidade do ser humano compreender os princípios básicos da ecologia e viver de acordo com eles. Isso significa que essa educação tem de tornar-se uma qualificação essencial dos políticos, líderes empresariais e profissionais de todas as áreas, e tem que ser, um dos assuntos mais importantes da educação primária, secundária e superior.

A natureza e o homem devem viver em harmonia e equilíbrio, com isso, precisamos ensinar aos estudantes os fatores fundamentais da vida e a educação através das ciências ambientais, que é o primeiro passo em direção à sustentabilidade.

1. Identifique:

a) Assunto__________________________________________________________ b)Tema ____________________________________________________________ c)Recorte___________________________________________________________ d) Tese_____________________________________________________________ 2. Grife, no texto, o tópico-frasal de cada parágrafo.

3. A partir da conclusão apresentada pelo autor, elabore um parágrafo-padrão para expor sua opinião. __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _-__________________________________________________________________________ TEXTO II

O cientista é uma pessoa que pensa melhor do que as outras?

Antes de mais nada é necessário acabar com o mito de que o cientista é uma pessoa que pensa melhor do que as outras. O fato de uma pessoa ser muito boa para jogar xadrez não significa que ela seja mais inteligente do que os não jogadores. Você pode ser um especialista em resolver quebra cabeças. Isso não o torna mais capacitado na arte de pensar. Tocar piano ( como tocar qualquer instrumento) é extremamente complicado. O

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pianista tem de dominar uma série de técnicas distintas – oitavas, sextas, terças, trinados, legatos, stacattos - e coordená-las, para que a execução ocorra de forma integrada e equilibrada. Imagine um pianista que resolva especializar-se (...) na técnica dos trinados apenas. O que vai acontecer é que ele será capaz de fazer trinados como ninguém – só que ele não será capaz de executar nenhuma música. Cientistas são como pianistas que resolveram especializar-se numa técnica só. Imagine as várias divisões da ciência – física, química, biologia, psicologia, sociologia – como técnicas especializadas. No início pensava-se que tais especializações produziriam, miraculosamente, uma sinfonia. Isso não ocorreu. O que ocorre, freqüentemente, é que cada músico é surdo para o que os outros estão tocando. Físicos não entendem os sociólogos, que não sabem traduzir as afirmações dos biólogos, que por sua vez não compreendem a linguagem da economia, e assim por diante.

A especialização pode transformar-se numa fraqueza. Um animal que só desenvolvesse e especializasse os olhos se tornaria um gênio no mundo das cores e das formas, mas se tornaria incapaz de perceber o mundo dos sons e dos odores. E isto pode ser fatal para a sobrevivência.

O que eu desejo é que você entenda o seguinte: a ciência é uma especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos. Quem usa um telescópio ou um microscópio vê coisas que não poderiam ser vistas a olho nu. Mas eles nada mais são do que extensões do olho. Não são órgãos novos. São melhoramentos na capacidade de ver comum a quase todas as pessoas. Um instrumento que fosse a melhoria de um sentido que não temos seria totalmente inútil. Da mesma forma como telescópios e microscópios são inúteis para cegos, e pianos e violinos são inúteis para surdos.

A ciência não é um órgão novo de conhecimento. A ciência não é a hipertrofia de capacidades que todos têm. Isso pode ser bom, mas pode ser muito perigoso. Quanto maior a visão em profundidade, menor a visão em extensão. A tendência da especialização é conhecer cada vez mais de cada vez menos.

ALVES, Rubens. In: VIANA, Antônio Carlos et alii. Roteiro de redação:

lendo e argumentando. São Paulo, Scipione, 1998,p. 128-9.

1.Identifique:

a) Assunto__________________________________________________________ b) Tema ____________________________________________________________ c) Recorte___________________________________________________________ d) Tese_____________________________________________________________

2. Grife, no texto, o tópico-frasal de cada parágrafo.

3. A partir da conclusão apresentada pelo autor, elabore um parágrafo-padrão para expor sua opinião.

_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________

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_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ _-_________________________________________________________________________ TEXTO III

Softwares: Obsolescência e Vulnerabilidades

Todo software um dia se torna obsoleto, pois após um determinado tempo ou número de versões, o software é abandonado, ou seja, deixa de ser suportado. Até a chegada desse dia, cabe a seu distribuidor, fabricante ou autor, manter fazer sua manutenção, principalmente no que diz respeito à segurança, de modo a manter seu funcionamento satisfatório.

O custo dessa manutenção, em geral, é alto e tende a aumentar com o tempo, o que leva a definição de uma "política de manutenção", que define como e quando correções e atualizações serão lançadas e por quanto tempo determinadas versões serão suportadas.

Na utilização de softwares livres, as atualizações, em termo de custo de licenças, são gratuitas. Em cenário onde uma vulnerabilidade é encontrada em uma versão já não suportada, basta o usuário fazer a atualização para uma das últimas versões que estará seguro.

Uma boa e consolidada política de manutenção de sistemas computacionais é "evitar alterar aquilo que está funcionando". Se determinada versão de um programa está suprindo as necessidades do usuário, por que instalar a última versão disponível? Esse cenário é extremamente comum em grandes corporações e é onde se pode notar mais uma grande vantagem do software livre: uma vez que o código fonte está disponível, usuários nesta situação podem simplesmente fazer as alterações por conta própria, conseguir ajuda junto à comunidade desenvolvedora ou mesmo contratar um serviço terceirizado para a manutenção do sistema. Já os softwares fechados tornam-se esquecidos, sem suporte, sem atualizações e, inevitavelmente, com problemas de segurança.

Ademar de Souza Reis Jr. (Revista Tema, Ano XXVII, Número 163, p.53, Set/Out 2002) 1.Identifique: a)Assunto_________________________________________________________________ b)Tema ___________________________________________________________________ c)Recorte__________________________________________________________________ d)Tese____________________________________________________________________

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3. A partir da conclusão apresentada pelo autor, elabore um parágrafo-padrão para expor sua opinião. __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ TEXTO IV

A rapidez das informações na organização

A rapidez com que as informações são obtidas e circulam atualmente nas empresas é impressionante. A cada dia somos defrontados com novos sistemas e novas tecnologias possibilitando a obtenção de informações estratégicas de mercado, de clientes, concorrentes, etc, permitindo decisões mais rápidas em todos os níveis de uma organização. Mesmo através da internet, em pouco tempo são obtidas informações as mais diversas. Mas, será que todas estas informações que passam pelas nossas mãos são totalmente confiáveis?

É importante lembrar que há pouco mais de 10 anos esta facilidade não existia. Há 15 anos atrás dependíamos de enormes computadores que exigiam um enorme tempo para processar a informação de que necessitávamos. E há 20 anos atrás, por incrível que pareça aos profissionais mais jovens do mercado, utilizávamos listagens com centenas de folhas no levantamento manual (isso mesmo, manual) de dados que se transformavam em informações desejadas para importantes tomadas de decisão. Afinal, não faz tanto tempo assim e até parece que vivíamos no tempo das cavernas!

O que mudou nestes últimos anos? Obviamente não podemos mais perder tempo aguardando que uma máquina nos dê a informação de necessitamos para fechar um negócio, agilizar um contato, atender um cliente ou eliminar custos indesejáveis. Seria um contra-senso querer voltar atrás e manusear listagens de computador. Mas o que devemos nos perguntar é: ainda temos a capacidade de analisar e avaliar se os dados que estão sobre a nossa mesa de trabalho são totalmente confiáveis? O que eles nos revelam?

Se há 15 ou 20 anos atrás perdíamos muito tempo no levantamento manual de dados, por outro lado, isto nos permitia a análise instantânea do que estava sendo transformado em informação. Estávamos ao mesmo tempo obtendo informações e analisando o seu conteúdo, avaliando detalhes que podiam influenciar decisivamente o negócio da empresa. Era justamente esta capacidade analítica que tornava um funcionário diferenciado e valorizado dos demais dentro de um ambiente organizacional. Esta facilidade se perdeu nos dias atuais, uma vez que a nossa vida se transformou num grande computador. Hoje fazemos parte de processos nas organizações

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que nos cobram cada vez maior rapidez e menos tempo para analisar profundamente o que estamos fazendo e como estamos fazendo, em busca apenas de resultados.

A tecnologia da informação veio para ficar e facilitar a nossa vida, mas devemos ter discernimento quanto à sua aplicação, lembrando que ela deve ser utilizada para a nossa evolução profissional e intelectual. E, consequentemente, para o crescimento das organizações, da economia e do país como um todo.

Adaptado de : José Carlos Maron Jr. http://www.artigonal.com/inf-artigos/a-rapidez-das-informacoes-na-organizacao

1.Identifique:

a)Assunto_________________________________________________________________ b)Tema ___________________________________________________________________ c)Recorte__________________________________________________________________ d)Tese____________________________________________________________________ 2.Grife, no texto, o tópico-frasal de cada parágrafo.

3. A partir da conclusão apresentada pelo autor, elabore um parágrafo-padrão para expor sua opinião. __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 2.3. O PLANEJAMENTO DO TEXTO

Uma possibilidade eficaz de planejamento de texto é a utilização da técnica do “POR QUÊ?”

Considere a seguinte estrutura textual:

INTRODUÇÃO: Tese + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3DESENVOLVIMENTO: argumento 1+ argumento 2+ argumento 3

CONCLUSÃO: Expressão inicial + reafirmação do tema + observação final Vejamos, agora, os passos para esse tipo de planejamento textual.

Tese: O MUNDO CAMINHA PARA A PRÓPRIA DESTRUIÇÃO

Pergunta-se: Por que O MUNDO CAMINHA PARA A PRÓPRIA DESTRUIÇÃO?

Responde-se: (argumento 1) tem havido inúmeros conflitos internacionais.

(argumento 2) o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico.

(argumento 3) permanece o perigo de uma catástrofe nuclear.

É necessário que se considerem argumentos

acerca dos quais se possa oferecer exemplos, dados,

ou seja, sobre os quais se possa e saiba discorrer.

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Conclui-se: Expressão inicial + retomada do tema + sugestão ou possibilidade (previsão) de solução do problema.

Com esse esquema preparado, basta desenvolver as ideias selecionadas, articulando os parágrafos de maneira clara e lógica. E, por fim, escolher um título atraente que faça referência ao tema abordado no texto.

Observe como isso pode dar um excelente resultado:

Destruição: a ameaça constante

O mundo caminha atualmente para a sua própria destruição, pois tem havido inúmeros conflitos internacionais, o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico e, além do mais, permanece o perigo de uma catástrofe nuclear.

Nestas últimas décadas, temos assistido, com certa preocupação, aos inúmeros conflitos internacionais que se sucedem. Muitos trazem na memória a triste lembrança das guerras do Vietnã e da Coréia que provocaram grande extermínio. Em nossos dias, testemunhamos conflitos que, envolvendo as grandes potências internacionais, poderiam conduzir-nos a um confronto mundial de proporções incalculáveis.

Outra ameaça constante é o desequilíbrio ecológico, provocado pela ambição desmedida de alguns, que promovem desmatamentos e poluem as águas dos rios. Tais atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de tantas agressões, acabe por se transformar em um local inabitável...

Além disso, enfrentamos sério perigo relativo à utilização da energia atômica. Quer pelos acidentes que já ocorreram e podem acontecer novamente nas usinas nucleares, quer por um eventual confronto em uma guerra mundial, dificilmente poderíamos sobreviver diante do poder avassalador desses sofisticados armamentos.

Isso posto ( sendo assim/ desse modo/ assim/ portanto) somos levados a acreditar na possibilidade de estarmos a caminho do nosso próprio extermínio. É desejo de todos nós que algo possa ser feito no sentido de conter essas diversas forças destrutivas, para podermos sobreviver às adversidades e construir um mundo que, por ser pacífico, será mais facilmente habitado pelas gerações futuras.

(Texto adaptado de GRANATIC, Branca. Técnicas básicas de redação. São Paulo:Ed. Scipione,1988)

LEMBRETES

 Faça sempre um rascunho do texto. Essa prática auxilia a desenvolver um texto mais

claro e coerente.

 Se, durante a leitura do texto, você pensar “acho que vão entender”, esse é o

momento de reescrever e tornar as ideias mais claras. Consulte as informações

apresentadas na parte anexa do material.

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Exercícios: Produza um pequeno texto a partir da estruturas apresentadas abaixo. Não se esqueça de atribuir um título a cada texto.

1. Assunto: Centros urbanos.

Tema: O desenvolvimento dos grandes centros urbanos. Recorte: A violência em São Paulo.

Tese: A cidade de São Paulo enfrenta sérios problemas em relação à segurança da população.

2. Assunto: Tecnologia.

Tema: O avanço tecnológico no século 21.

Recorte: Os meios de comunicação e as relações sociais.

Tese: Na era da comunicação, o homem contemporâneo encontra-se cada vez mais sozinho.

3. LEITURA, ENTENDIMENTO DE QUESTÕES E RESPOSTA ADEQUADA

A resolução de exercícios e as respostas oferecidas a questões de provas também compreendem o entendimento e a produção de texto. A distração aliada à inconveniente pressa e à dificuldade em relação aos verbos de comando são as responsáveis, na maior parte das vezes, pelo mau desempenho na solução desses problemas.

Há que se mergulhar na leitura para melhor compreender o sentido do texto que ora faz parte de nossa ocupação. Não adianta pular etapas, pois um bom raciocínio requer começo, meio e fim.

É importante lembrar sempre que cada resposta é um pequeno texto e que, portanto, deve ter introdução (muitas vezes representada pela reescrita da própria pergunta (tópico frasal), desenvolvimento (a resposta propriamente dita) e, quando possível, conclusão (fechamento do texto).

Na resolução de problemas, muitos alunos começam a ler a questão e, sem terminar de ler todo o enunciado, acham que já sabem o que se está pedindo e fazem as contas. Mas, na verdade, não sabem realmente qual é a pergunta do problema. Isso é muito ruim, pois em muitos problemas a pergunta está justamente no finalzinho do enunciado.

Por esse motivo, na maioria das vezes, uma questão muito fácil pode ser jogada fora por causa de uma má leitura do enunciado.

Há questões que apresentam enunciados muito longos, daqueles que você já olha e fica assustado - "isso aqui não sei". Geralmente, nesse tipo de questão, quando o aluno

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chega ao fim da leitura do enunciado, já se esqueceu o que dizia o começo do problema: aí fica nervoso e acaba considerando a questão difícil.

O que você deve fazer então?

1. Com calma, faça uma primeira leitura do enunciado para você se familiarizar com o problema e delinear as metas a serem atingidas;

2. Numa segunda leitura, sublinhe as palavras-chave.

3. A terceira leitura possibilitará que você faça as anotações necessárias ao lado da questão a fim de buscar uma representação gráfica para evitar abstrações desnecessárias.

4. Liste os dados e as incógnitas - é importante ter acesso fácil, em qualquer etapa da resolução, aos dados conhecidos e aos desconhecidos.

5. Verifique o sistema de unidades.

6. Elabore hipóteses e escreva as equações apropriadas para delinear o problema da forma mais clara possível.

7. Desenvolva o problema literalmente. 8. Analise o resultado.

(adaptado de http:// plato.if.usp.ler/seminarios 1 resolução de problemas e de http://vestibular.uol.com.br)

Para auxiliá-los durante esse processo, vamos analisar alguns enunciados e propor respostas a algumas questões.

1. Um caminhão com carga de 20 toneladas e velocidade de 150 km/h trafega por uma rodovia. No km 25, passa sob uma ponte cuja capacidade é suportar um peso de 15 toneladas. Pergunta-se o que ocorre com a ponte durante a passagem do caminhão.

2. Um trem de 150 metros de comprimento, com capacidade para transportar cerca de 200 pessoas, viaja de uma cidade a outra, movendo-se com uma velocidade constante de 72 km/h. Durante o percurso, atravessa um túnel de 300 m de comprimento. Sabe-se que a distância entre as duas cidades é de 2 km. Determine o tempo gasto pelo trem após atravessar completamente o túnel.

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3. Leia:

“A Internet revolucionou o modo como nos comunicamos, tornando possíveis novas e infinitas oportunidades de interagir e compartilhar informações. Mas, se, por um lado, essa revolução contribui para o desenvolvimento acelerado de uma comunidade virtual de âmbito mundial, por outro lado, governos e organizações privadas passaram a ter acesso e poder de processar informações sobre os indivíduos, num ritmo cada vez mais rápido e intenso, aumentando o risco de os indivíduos terem seus dados manipulados por terceiros sem o seu consentimento, sofrerem invasão de privacidade ou, o que é mais grave, serem envolvidos em situações embaraçosas, pelo uso indevido e nem sempre ético de seus dados pessoais”.

(Invasão de privacidade. Um problema a ser encarado. http://www.infoguerra.com.br) a) Pela leitura do trecho acima, é possível inferir qual o ponto de vista do autor em relação à revolução na comunicação causada pela Internet. Qual é ele?

b) Transcreva do texto o aspecto positivo da comunicação via Internet.

c) Desenvolva um parágrafo ( seguindo a estrutura do parágrafo dissertativo padrão) que apresente seu ponto de vista em relação ao tema abordado no excerto acima.

4. O TEXTO ARGUMENTATIVO

O texto argumentativo tem como meta principal a defesa de uma tese, pressupondo a existência de um “auditório” (interlocutor) definido, isto é, um interlocutor específico, adequando-se a ele com a intenção de convencê-lo, persuadi-lo (levá-lo a crer no ponto de

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vista defendido, de tal forma que passe a aceitá-lo como verdadeiro). Nesse tipo de discurso, o enunciador almeja a adesão total do interlocutor.

Ao elaborar um texto argumentativo visando a conseguir a adesão de determinado(s) interlocutor(es), o enunciador precisa escolher os argumentos, conhecer a dimensão deles e

estabelecer uma ordem de apresentação dos mesmos. Em outras palavras, deve ter

consciência da pertinência e da força dos argumentos. Sem esse conhecimento prévio, toda argumentação pode ser contemplada com seu inimigo fatal: o fracasso.

Os argumentos são, portanto, as “provas” (raciocínio, dados, fatos) apresentadas para demonstrar que a idéia que você pretende defender é correta. Como diz Aristóteles, os argumentos servem quando se tem de escolher entre duas ou mais coisas.

Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma desvantajosa, como a saúde e a doença, não precisamos argumentar. Suponhamos, no entanto, que tenhamos de escolher entre duas coisas igualmente vantajosas, a riqueza e a saúde. Nesse caso, precisamos argumentar sobre qual das duas é mais desejável. O argumento pode, então, ser definido como qualquer recurso que torna uma coisa mais vantajosa que a outra.

O objetivo da argumentação não é demonstrar a verdade de um fato, mas levar o ouvinte a admitir como verdadeiro o que o enunciador está propondo.

Sendo assim, podemos dizer que todo texto é argumentativo, porque todos são persuasivos, mais ou menos explicitamente, uma vez que “ toda a ação comunicativa é dotada de intencionalidade, veiculadora de ideologia e, portanto, caracterizada pela argumentatividade”.

"Argumentar é a arte de convencer e persuadir. Convencer é saber gerenciar informação, é falar à razão do outro, demonstrando, provando. Etimologicamente, significa 'vencer junto com o outro' (com + vencer) e não contra o outro. Persuadir é saber gerenciar a relação, é falar à emoção do outro". A origem dessa palavra está ligada à preposição ‘per, 'por meio de, e a 'Suada, deusa romana da persuasão. (... ) Mas em que 'convencer' se diferencia de ‘persuadir'? Convencer é construir algo no campo das idéias. Quando convencemos alguém, esse alguém passa a pensar como nós. Persuadir é construir no terreno das emoções, é sensibilizar o outro para agir. Quando persuadimos alguém, esse alguém realiza algo que desejamos que ele realize".

(Antônio Suarez Abreu, A arte de argumentar - gerenciando razão e emoção. São Paulo. Ateliê, 1999)

É comum utilizarem-se indistintamente os termos "convencer" e "persuadir" como sinônimos. Na teoria da argumentação, entretanto, eles adquirem sentidos específicos, associando-se o primeiro conceito mais à razão, e o segundo, à emoção. Koch(1984) adota essa distinção: "Enquanto o ato de convencer se dirige unicamente à razão, através de um raciocínio estritamente lógico e por meio de provas objetivas (... ), o ato de persuadir, por

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sua vez, procura atingir a vontade, o sentimento do(s) interlocutor(es), por meio de argumentos plausíveis ou verossímeis, e tem caráter ideológico, subjetivo, temporal".

TEXTOS PARA ANÁLISE E DISCUSSÃO

Reúna-se com seu grupo de estudos (máximo três alunos) e faça uma leitura atenta dos textos abaixo. Em seguida, elabore um parágrafo de, no máximo, 12 linhas que apresente o ponto de vista do grupo em relação ao assunto.

TEXTO I

Uma folga para São Pedro

RONALDO FABRÍCIO

São Paulo, quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

__________________________________________________________________________________

Parece óbvio que o Brasil precisa redesenhar sua matriz energética, o que torna a conclusão de Angra 3 uma necessidade urgente

É injustificável achar que o Brasil vai ser para sempre dependente de São Pedro e viver pavores cíclicos de um novo apagão, como ocorre mais uma vez agora.

Nossa excessiva dependência da energia hidrelétrica não é obra do santo, mas resultado de uma antiga opção estratégica que só agora começa a ser mudada, pois está impondo ao país perda de tempo, de recursos e de oportunidades de desenvolvimento.

Se antes podíamos contar com grandes reservatórios em hidrelétricas que garantiam o fornecimento de "combustível" em períodos secos, hoje isso é impossível. Os grandes reservatórios perderam capacidade por assoreamentos devidos aos desmatamentos e pelo uso de suas águas para outras finalidades também importantes, como abastecimento e irrigação.

As novas hidrelétricas já não contam mais com tamanha capacidade de armazenamento, por problemas ambientais. Não se trata de substituir simplesmente uma fonte por outra, mas de explorar complementarmente todas as boas alternativas disponíveis dos pontos de vista econômico e ambiental. A energia nuclear é uma delas, como já constataram os países mais avançados.

O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo. São 309 mil toneladas, que equivalem em energia ao dobro das reservas de gás bolivianas ou quase 240 anos de operação do gasoduto Bolívia-Brasil, que tem capacidade para transportar 25 milhões de metros cúbicos por dia. Apesar disso, a energia nuclear representa apenas 2% da matriz brasileira, centrada na fonte hidráulica em quase 90%. A geração nuclear nos Estados Unidos, França e Inglaterra é maior hoje do que toda a energia produzida no Brasil. E a previsão é de que cresça no mundo consideravelmente até 2030.

Não faltam argumentos para que o Brasil também tome este caminho.

Do ponto de vista ambiental, as usinas nucleares são defendidas hoje até por ecologistas que antes as rejeitavam, pois comprovaram ser uma alternativa às emissões provocadas pelas centrais térmicas e à necessidade de alagamento de grandes áreas para a construção de hidrelétricas. Além de não emitirem gases causadores do efeito estufa, elas armazenam seus resíduos de forma segura, isolados do público e do ambiente.

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Economicamente, a opção nuclear também é vantajosa em relação a outras energias alternativas, seja pelo rendimento, seja pelo custo de geração e até mesmo pela tarifa, que se tornou competitiva no caso do Brasil.

Tomemos o exemplo de Angra 3, projeto estratégico cuja retomada foi anunciada em 2007 sem que até agora tenha se concretizado.

A central nuclear de 1.350 megawatts pode gerar 10,9 milhões de megawatts-hora/ano, suficientes para abastecer um terço da demanda energética do Estado do Rio de Janeiro.

Uma usina eólica com a mesma capacidade, por exemplo, geraria menos da metade dessa energia a um preço bem superior e ocuparia uma área muito maior do que o quilômetro quadrado onde se concentra todo o complexo de Angra.

A geração nuclear se tornou competitiva também em se tratando de tarifa. O Brasil tem déficit de 4.000 MW e não pode confiar apenas em projetos hidrelétricos disponíveis para atender essa demanda. No último leilão realizado pelo governo, em outubro passado, a energia contratada de térmicas foi negociada a um preço médio de R$ 130 o megawatt-hora, considerando que estas usinas vão operar apenas 5% do tempo. Se for necessário operar por períodos maiores, o custo do combustível será rateado entre todos os consumidores.

Este valor é muito próximo dos R$ 140 a serem cobrados por Angra 3. Parece óbvio, portanto, que o Brasil precisa redesenhar sua matriz energética, e nesse redesenho há um bom espaço para a geração nuclear, o que torna a conclusão de Angra 3 uma necessidade estratégica e urgente. A não ser que nos conformemos com a reza coletiva a São Pedro como alternativa avançada de política energética.

___________________________________________________________________

RONALDO FABRÍCIO, 74, engenheiro civil, é vice-presidente executivo da Abdan (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares). Foi presidente de Furnas e da Eletronuclear e diretor de Engenharia da Eletrobrás.

TEXTO II

Quem vai pagar a conta de Angra 3?

BEATRIZ CARVALHO G. SANTOS

São Paulo, segunda-feira, 17 de março de 2008

_________________________________________________

____________________

Construir uma usina nuclear no Brasil será um verdadeiro saque aos cofres públicos; se

criada, Angra 3 gerará pouca energia e vários problemas

Em recente artigo publicado nesta Folha ("Uma folga para são Pedro", "Tendências/Debates", 13/2/08), Ronaldo Fabrício, da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares, defendeu a construção da usina nuclear Angra 3. Para justificar a opção atômica, listou argumentos sobre a suposta viabilidade econômica do empreendimento, em detrimento de alternativas como a energia eólica.

Construir uma usina nuclear no Brasil só será possível por meio de um verdadeiro saque aos cofres públicos. Se for instalada, Angra 3 vai gerar pouca energia -apenas 1.350 MW- e diversos problemas sem solução, como lixo radioativo e risco permanente de acidentes.

E, apesar do marketing para posicionar a geração atômica como resposta ao aquecimento global, sabe-se que o ciclo de vida da energia nuclear, incluindo a fabricação do combustível a partir do urânio, consome energia e gera emissões indiretas de gases estufa. Tais emissões indiretas podem, em alguns casos, equiparar-se à poluição de termelétricas fósseis.

Orçamentos estourados e problemas de cronograma são típicos da indústria nuclear, que registra uma média mundial de quatro anos de atraso na conclusão das obras. O caso de Angra 2 é emblemático: fruto do tratado Brasil-Alemanha firmado em 1975, a usina

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custou mais de R$ 20 bilhões e entrou em operação apenas em 2000. A construção de Olkiluoto 3, na Finlândia, está 18 meses atrasada em relação ao cronograma original e acumula perdas de quase US$ 1 bilhão.

O cronograma oficial de Angra 3 prevê que as obras da usina sejam iniciadas em 2008 -improvável, já que as licenças ambientais nem sequer foram concedidas- e terminem em 2014. Se a média de quatro anos de atraso for mantida, a usina ficará pronta só em 2018. Quanto maior o tempo de construção, maior o ônus financeiro por conta dos juros sobre o capital imobilizado para a obra.

A Eletronuclear informa que o empreendimento custará R$ 7,2 bilhões, sendo que 70% do financiamento virão de recursos do BNDES e fontes estatais, e os outros 30% de investidores internacionais, entre eles a gigante francesa Areva.

As condições do financiamento são controversas. A Eletronuclear assumiu uma taxa de retorno para o investimento entre 8% e 10% -muito abaixo das praticadas pelo mercado, que variam de 12% a 18%. Somente uma taxa de retorno tão baixa pode viabilizar a tarifa de R$ 138 MW/h anunciada pelo governo federal para Angra 3 e emprestar um verniz de competitividade ao empreendimento. A título de comparação, a energia da hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, foi negociada a uma tarifa de R$ 78,87 MW/h.

A operação a baixas taxas de juros revela o subsídio estatal à construção da usina, uma vez que o investimento público não será integralmente recuperado. Os subsídios governamentais ocultos no projeto da usina nuclear Angra 3 são perversos, porque estão disfarçados nas contas de luz dos consumidores. O Greenpeace não se opõe ao aporte de recursos públicos para setores estratégicos ao desenvolvimento do país, mas condena a falta de transparência sobre os custos reais das suas opções energéticas, impedindo que a sociedade saiba, e se manifeste, sobre como e onde seu dinheiro está sendo investido.

Em um horizonte mais amplo, o desvio de recursos públicos para a opção nuclear é um verdadeiro obstáculo ao estabelecimento de um mercado de energias renováveis no Brasil.

Com os R$ 7,2 bilhões alocados para Angra 3, seria possível construir um parque eólico com o dobro da capacidade da usina nuclear em apenas dois anos sem lixo radioativo ou risco de acidentes.

Dados do Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), do governo federal, mostram que cada R$ 1 bilhão empregado em programas de eficiência energética resulta em uma economia de 7.400 MW, o equivalente a 5,5 vezes a potência de Angra 3. Se uma usina nuclear custa mais de R$ 7 bilhões, pode-se concluir que cada R$ 1 bilhão investido em eficiência pode evitar investimentos de até R$ 40 bilhões para gerar a mesma eletricidade a partir de plantas nucleares.

Os custos econômicos, ambientais e sociais de Angra 3 são altíssimos. Apenas as verdadeiras ambições políticas e econômicas do Programa Nuclear Brasileiro -leia-se: aumento da exploração de urânio, o mercado de combustível nuclear e finalidades militares-podem explicar tal insistência com projeto tão desnecessário para o Brasil e tão ineficaz em termos de energia.

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BEATRIZ CARVALHO G. SANTOS , advogada, é coordenadora da campanha antinuclear do Greenpeace.

TEXTO III

Licenciar Angra 3: por quê?

ROBERTO MESSIAS FRANCO

São Paulo, terça-feira, 05 de agosto de 2008

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Nenhuma alternativa de geração de energia pode ser descartada liminarmente. Isso porque o Brasil retomou o desenvolvimento

Vários projetos estruturantes para o Brasil do futuro estão em análise pelo Ibama e pelos órgãos ambientais dos Estados brasileiros. Nesse cenário, nenhuma alternativa de

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geração de energia pode ser descartada liminarmente. O Ibama analisa com responsabilidade e rigor os impactos ambientais relativos a cada uma das opções possíveis. Isso porque o Brasil retomou o desenvolvimento. Ninguém ignora ou é contra o crescimento do país, pois significa novas oportunidades de emprego, de desenvolvimento científico e tecnológico e de uso dos recursos abundantes. Entretanto, para a área ambiental, o desafio é enorme: é, certamente, mais fácil licenciar e controlar numa economia estagnada.

Além disso, ante as mudanças climáticas, é imperativo ter uma matriz energética com o mínimo de emissão de CO2 e, neste quesito, o país tem uma situação confortável comparada com a de outras nações do mundo.

Mas o ritmo do desenvolvimento requer mais produção de energia.

A energia nuclear representa cerca de 3% na matriz energética brasileira, mesmo com a existência de cientistas de grande capacidade, compromissados com o país, desenvolvendo tecnologias nucleares que não podem ser confundidas com usos belicosos nem bomba atômica, ao contrário, resultam em benefícios para a indústria médico-hospitalar em avançados tratamentos de doenças como o câncer, a conservação de alimentos e outras conquistas científicas.

A produção de energia é mais uma conquista. Juntas, as usinas nucleares brasileiras formam um complexo de padrão internacional e iluminam a cidade do Rio de Janeiro. Se a energia nuclear fosse uma tecnologia obsoleta e descartável, não seria usada em grande escala na Europa e nos EUA.

O Brasil possui combustível nuclear, já descoberto e de conhecimento de todos, para 400 anos de geração de energia sem despender um só dólar com importação, ao contrário das termoelétricas, que terão de importar carvão. As hidrelétricas, por sua vez, apresentam impactos na sua construção, com áreas alagadas e populações afetadas, e não são todos os rios que mantêm volume de água suficiente para geração de energia em todas as estações do ano.

O parque eólico e o uso de energias solares, que também têm de ser considerados e estimulados, são certamente componentes da matriz energética, mas insuficientes para manter toda a atividade industrial e o consumo urbano que o país vai exigir.

As térmicas a carvão ou a óleo, em funcionamento ou em perspectiva de construção, envolvem emissão de CO2 na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global, fator que não pode ser esquecido quando caminhamos para um acordo mundial pós-Kyoto para evitar mudanças indesejáveis para toda a população da Terra.

As próprias hidrelétricas na Amazônia têm uma complicada análise de custo/benefício e é necessário estudar com profundidade seu impacto sobre um rico ecossistema e sobre as populações tradicionais e indígenas.

Diante de todos os desafios impostos ao país, que retoma o caminho para o desenvolvimento da grande nação que é, o Ibama analisou a licença para Angra 3 à luz das exigências da legislação ambiental brasileira, com todo o rigor e profundidade para garantir a segurança em relação aos impactos ambientais que poderiam ocorrer em sua construção e em sua operação.

Vale lembrar que as duas unidades nucleares funcionam sem nenhum episódio de significativo risco para a população desde que entraram em operação; a licença prevê mecanismos de monitoramento, com isenção e transparência para a população local e brasileira; e foram impostas medidas compensatórias para corrigir eventuais pressões causadas por um aumento de densidade da população na região.

No caso de Angra 3, o empreendedor assumirá custos do saneamento ambiental de Angra dos Reis e Paraty, uma vez que um investimento desse porte significa uma pressão maior sobre o meio ambiente. E adotará duas preciosidades da mata atlântica regional, que são o parque da Bocaina e a Estação Ecológica de Tamoios.

Nenhuma cidade vai deixar de ter seus prédios, elevadores, computadores e chuveiros elétricos, e as indústrias vão continuar usando energia, gerando trabalho e benefícios. É sob a ótica da sustentabilidade que o licenciamento sério e responsável de Angra 3 pretende ser uma contribuição ao desenvolvimento brasileiro.

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ROBERTO MESSIAS FRANCO , geógrafo, é presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Foi diretor-adjunto para a América Latina do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e secretário especial do Meio Ambiente (governo Sarney).

4.1.FORMAS DE ARGUMENTAÇÃO

Os argumentos são recursos lingüísticos que utilizamos para tornar nosso discurso mais persuasivo e conquistar a adesão do auditório.

Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase impossível, tantas são as formas de que nos valemos para fazer as pessoas preferirem uma coisa à outra.

Qualquer recurso lingüístico destinado a fazer o interlocutor dar preferência à tese do enunciador é um argumento. Os argumentos mais utilizados são:

a) Argumento de autoridade

É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas pelo auditório como autoridades em certos domínios do saber, para servir de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Isso confere ao texto maior credibilidade, pois o ancora no depoimento de um especialista. Para o auditório, o efeito é positivo, uma vez que se acredita que as considerações de um expert são verdadeiras.

A estratégia é adquirir respeitabilidade, fazendo valer sua tese com o peso da consideração de que goza a autoridade citada. Se considerarmos que por meio da argumentação se constrói um determinado objeto de saber, o discurso como um todo, podemos dizer que a autoridade auxilia-nos a construir esse objeto. Observe:

Administrar é dirigir uma organização, utilizando técnicas de gestão para que alcance seus objetivos de forma eficiente, eficaz e com responsabilidade social e ambiental.

Lacombe (2003, p.4) diz que a essência do trabalho do administrador é obter resultados por meio das pessoas que ele coordena.

A partir desse raciocínio de Lacombe, temos o papel do "Gestor Administrativo" que com sua capacidade de gestão com as pessoas, consegue obeter os resultados esperados.

Drucker (1998, p. 2) diz que administrar é manter as organizações coesas, fazendo-as funcionar.

As principais funções administrativas são:Fixar objetivos (planejar)

Analisar: conhecer os problemas. Solucionar problemas

Organizar e alocar recursos (recursos financeiros e tecnológicos e as pessoas). Comunicar, dirigir e motivar as pessoas (liderar)

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Tomar as decisões.

Mensurar e avaliar (controlar).

Fayol foi o primeiro a definir as funções básicas do Administrador: Planejar, Organizar, Controlar, Coordenar e Comandar - POCCC. Destas funções a que sofreu maior evolução foi o "comandar" que hoje chamamos de Liderança.

b)Argumento baseado no consenso

É aquele que corresponde a valores em circulação na sociedade sobre os quais não pairam dúvidas: trata-se de idéias aceitas como verdadeiras por determinado grupo social, razão pela qual o consenso dispensa a demonstração (o que é considerado óbvio não precisa ser comprovado para ser aceito). De certa maneira, os dados consensuais produzem efeito semelhante ao que chamamos anteriormente de "evidência" (no discurso científico): criam a impressão de que não há o que argumentar. De fato, só se argumenta para chegar a um consenso, a um ponto comum (na verdade, o ponto de vista do enunciador).

É preciso cautela no uso desse recurso argumentativo, uma vez que o consenso é o que todos sabem, e o texto que fala só do que todos já sabem torna-se desnecessário, perde sua razão de ser. Não há o que argumentar, por exemplo, diante de dados consensuais como a idéia de que o homem é mortal, a Aids é uma doença contagiosa, homens não podem engravidar etc. Observe, por exemplo, o seguinte argumento em se tratando da questão da escassez de água:

A escassez e o uso abusivo da água doce constituem, hoje, uma ameaça crescente ao desenvolvimento das nações e à proteção ao meio ambiente. A saúde e o bem estar de milhões de pessoas, a alimentação, o desenvolvimento sustentável e os ecossistemas estão em perigo.

A luta pela água poderá levar o mundo a outra grande guerra. Alguns economistas prevêem que, por sua importância estratégica, a água será a moeda do futuro. Mais do que o petróleo e o ouro, ela é valiosa para a humanidade. Sem ouro ou sem petróleo o homem vive; sem água não.

(adaptado de http://www.uniagua.org.br. 06/08/2007)

c)Argumento baseado em provas concretas

Trata-se da apresentação de dados que servem para comprovar a nossa tese, criando também efeito de sentido de evidência, de realidade. Esses dados concretos, isto é, extraídos da experiência "real", são obtidos de levantamentos estatísticos, relatórios, pesquisas etc., em geral divulgados por fontes consideradas "fidedignas", ou seja, que gozam de credibilidade - por exemplo, os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os índices da FGV (Faculdade Getúlio Vargas) etc. Do ponto de vista do poder persuasivo, esse é um tipo de argumento forte, uma vez que cria a impressão de

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realidade, o efeito de verdade (embora se saiba que números podem ser desmentidos por números).

Vejamos um exemplo de uso desse recurso argumentativo extraído do texto "Uma revolução silenciosa" (Folha de S. Paulo, 29/12/1996), do então presidente Fernando Henrique Cardoso:

" ( .. ) Treze milhões de brasileiros já deixaram a linha de pobreza. As classes D e E diminuíram 17%, e as classes A e B cresceram 21 %. O rendimento dos 1 0% mais pobres da população dobrou. ( .. ) Carne bovina, ovos, congelados, iogurte e conservas passaram a freqüentar mais a mesa dos brasileiros. As classes D e E são responsáveis por 30% de produtos como biscoitos, iogurte e macarrão instantâneo. Aumentou também o número de residências com geladeira, TV em cores, freezer, produtos eletrônicos e eletrodomésticos (... ). As vendas de cimento cresceram 12% em 1995 e 21,5% no primeiro semestre deste ano. (... ) Nestes dois anos de governo, 100 mil novas famílias tiveram acesso à terra. ( ... ). Já desapropriamos, neste período, 3 milhões de hectares (... ). Na Previdência Social, o aumento real médio dos benefícios foi de 39% entre 94 e 96 (... ). Conseguimos reduzir, de maneira sensível, os índices de mortalidade infantil (... )"

Como se vê, o enunciador constrói uma imagem positiva de si, como o "salvador da pátria" que resgatou o país da situação caótica em que se encontrava (antes do Plano Real), devolvendo ao povo a esperança de transformações, a partir das realizações "demonstradas" por meio das provas concretas. Produz, assim, a impressão de comprometimento com os rumos da nação, de seriedade no exercício da função presidencial. É importante dizer que se trata de uma estratégia: o discurso não diz a verdade (o que é a verdade?); cria efeitos de verdade, ou seja, faz o auditório crer que aquilo que parece verdadeiro de fato é verdadeiro.

d)Argumento baseado no raciocínio lógico

O texto é um todo coeso, organizado, coerente - o que pressupõe que nele exista uma progressão lógica das idéias. Utilizar satisfatoriamente esse recurso argumentativo, então, significa estabelecer relações adequadas entre as passagens do texto, respeitando, por exemplo, as relações de causa e conseqüência(entre o que provoca dado evento e o resultado produzido). Tudo aquilo que afeta a maneira habitual de as pessoas raciocinarem, associarem idéias, relacionarem proposições, afeta a lógica, logo prejudica o sentido (e, como ocorre via de regra, a argumentatividade do texto, seu poder persuasivo).

Para ser coerente, o texto precisa, entre outras coisas, respeitar princípios lógicos fundamentais, como o "princípio da não-contradição", por exemplo. Quer dizer que não pode

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afirmar "A" e o contrário de "A": suas passagens têm de ser compatíveis entre si. Esta carta publicada no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo (712/2003) ilustra a questão:

"Se não punir Heloísa Helena, por quem tenho o maior apreço, o PT passará a ser mais uma sigla que, um dia, já foi um partido político. Não estará tolhendo o direito a opinião divergente, mas estará zelando pela unidade do partida”.

(Fábio P. Marques, São Bernardo do Campo, São Paulo)

De modo como está posto no enunciado, o que se depreende é que a não punição da deputada implicaria o desaparecimento do PT ("A") e a preservação da unidade do PT (o contrário de "A").

Em matéria de problemas envolvendo o raciocínio lógico, é importante também ficarmos atentos às formas de ligar orações nas composições dos períodos e aos mecanismos de relação entre eles. Expressões tais como "por exemplo", "dessa forma", "por outro lado" - que são exemplos de "articuladores lógicos do discurso" -, só servem à coerência se usadas, respectivamente, para explicar o que foi dito anteriormente, recuperar a "forma" em questão (o que se falou antes) e apresentar um outro aspecto do tema tratado. Outros recursos lingüísticas que merecem igual atenção são as conjunções que estabelecem relações temporais, marcando “anterioridade" e "posterioridade" entre os fatos apresentados, as conjunções que estabelecem noções de causa e conseqüência, condição, oposição, etc.

e) Argumento de competência linguística

O que interessa, aqui, não é tanto "o que dizer", mas "como dizer": grosso modo, pode-se pensar que a competência lingüística está mais ligada à forma do que ao conteúdo. Por melhores que sejam os argumentos do ponto de vista do conteúdo, a forma como são expostos pode pôr tudo a perder.

Se considerarmos que a linguagem utilizada pelo é o "cartão de apresentação" do texto, criando já de início uma boa ou uma má impressão no auditório, a competência lingüística, isto é, o manejo lingüística hábil, adequado, tem força persuasiva. Problemas de concordância, regência, crase, pontuação, ortografia, etc, por outro lado, são comprometedores na medida em que desautorizam o enunciador, enquanto uma dissertação produzida em obediência aos padrões lingüísticos formais colabora para que dele se construa uma imagem positiva. O texto abaixo ilustra exemplarmente o quanto à competência lingüística interfere na persuasão, afetando a imagem do enunciador. Vejamos um trecho:

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"Tropecei num jota muçulmano na semana passada. Caí de cara no chão. Pra quem não leu a crônica da semana passada vou logo confessando que escrevi 'atinjiu' com jota e não com ge de jeito (esta dói mais). Mas eu explico. O que eu estava dizendo que atingiu foi jato. Jato com jota. Devo ter esquecido o dedo na tecla. A quantidade de cartas foi assustadora. Ninguém comentou nada sobre as torres atingidas. O que doeu mesmo no leitor foi aquele jota de jato. Bem nos alvos.

Como se não bastasse o jota, no lugar de muçulmano, escrevi mulçumano. Aqui eu poderia mentir e dizer que foi de propósito, pois não queria atingir os muçulmanos que não tinham nada com o atingido. Então, teria inventado a palavra 'mulçumano. E mais, que teria escrito errado para facilitar a rima com humano. Tudo mentira. Errei mesmo. Talvez por nunca ter visto um ' muçulmano pela frente. Aliás, nem por trás, como o Bush anda vendo ( .. ) ".

O jota muçulmano, Mário Prata, O Estado de S. Paulo, 3/10/2001

De forma bem-humorada, o enunciador confessa que cometeu deslizes de ortografia na crônica anterior, chamando a atenção para o fato curioso de que os erros ganharam destaque sobre o próprio assunto de que ele falava. As cartas dos leitores são uma prova disso: enquanto Mário Prata tratava do atentado terrorista, as cartas acusavam-no de "atentados à língua". Apesar do tom de brincadeira do texto, trata-se de uma questão tão importante que sua discussão mereceu uma crônica inteira.

4.3. TEXTOS PARA ANÁLISE E DISCUSSÃO

TEXTO I

O texto a seguir, de autoria de Drauzio Varella, apresenta a defesa do ponto de vista do médico a respeito da polêmica que foi gerada por um projeto de lei que proíbe a propaganda de cigarros no país. O estudo desse texto nos levará a perceber várias formas de argumentação. Leia-o e responda às questões propostas abaixo.

Droga pesada

Fui dependente de nicotina durante 20 anos. Comecei ainda adolescente, porque não sabia o que fazer com as mãos quando chegava às festas. Era início dos anos 60, e o cigarro estava em toda parte: televisão, cinema, outdoors e com os amigos. As meninas começavam a fumar em público, de minissaia, com as bocas pintadas assoprando a fumaça para o alto. O jovem que não fumasse estava por fora.

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Um dia, na porta do colégio, um amigo me ensinou a tragar. Lembro que fiquei meio tonto, mas saí de lá e comprei um maço na padaria. Caí na mão do fornecedor por duas décadas; 20 cigarros por dia, às vezes mais.

Fiz o curso de Medicina fumando. Naquela época, começavam a aparecer os primeiros estudos sobre os efeitos do cigarro no organismo, mas a indústria tinha equipes de médicos encarregados de contestar sistematicamente qualquer pesquisa que ousasse demonstrar a ação prejudicial do fumo. Esses cientistas de aluguel negavam até que a nicotina provocasse dependência química, desqualificando o sofrimento da legião de fumantes que tentam largar e não conseguem.

Nos anos 1970, fui trabalhar no Hospital do Câncer de São Paulo. Nesse tempo, a literatura científica já havia deixado clara a relação entre o fumo e diversos tipos de câncer: de pulmão, esôfago, estômago, rim, bexiga e os tumores de cabeça e pescoço. Já se sabia até que, de cada três casos de câncer, pelo menos um era provocado pelo cigarro. Apesar do conhecimento teórico e da convivência diária com os doentes, continuei fumando.

Na irresponsabilidade que a dependência química traz, fumei na frente dos doentes a quem recomendava abandonar o cigarro. Fumei em ambientes fechados diante de pessoas de idade, mulheres grávidas e crianças pequenas. Como professor de cursinho durante quase 20 anos, fumei nas salas de aula, induzindo muitos jovens a adquirir o vício. Quando me perguntavam: `Mas você é cancerologista e fuma?', eu ficava sem graça e dizia que ia parar. Só que esse dia nunca chegava. A droga quebra o caráter do dependente.

A nicotina é um alcalóide. Fumada, é absorvida rapidamente nos pulmões, vai para o coração e através do sangue arterial se espalha pelo corpo todo e atinge o cérebro. No sistema nervoso central, age em receptores ligados às sensações de prazer. Esses, uma vez estimulados, comunicam-se com os circuitos de neurônios responsáveis pelo comportamento associado à busca do prazer. De todas as drogas conhecidas, é a que mais dependência química provoca. Vicia mais do que álcool, cocaína e morfina. E vicia depressa: de cada dez adolescentes que experimentam o cigarro quatro vezes, seis se tornam dependentes para o resto da vida.

A droga provoca crise de abstinência insuportável. Sem fumar, o dependente entra num quadro de ansiedade crescente, que só passa com uma tragada. Enquanto as demais drogas dão trégua de dias, ou pelo menos de muitas horas, ao usuário, as crises de abstinência da nicotina se sucedem em intervalos de minutos. Para evitá-las, o fumante precisa ter o maço ao alcance da mão; sem ele, parece que está faltando uma parte do corpo. Como o álcool dissolve a nicotina e favorece sua excreção por aumentar a diurese, quando o fumante bebe, as crises de abstinência se repetem em intervalos tão curtos que ele mal acaba de fumar um, já acende outro.

Em 30 anos de profissão, assisti às mais humilhantes demonstrações do domínio que a nicotina exerce sobre o usuário. O doente tem um infarto do miocárdio, passa três dias na

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UTI entre a vida e a morte e não pára de fumar, mesmo que as pessoas mais queridas implorem. Sofre um derrame cerebral, sai pela rua de bengala arrastando a perna paralisada, mas com o cigarro na boca. Na vizinhança do Hospital do Câncer, cansei de ver doentes que perderam a laringe por câncer, levantarem a toalhinha que cobre o orifício respiratório aberto no pescoço, aspirarem e soltarem a fumaça por ali.

Existe uma doença, exclusiva de fumantes, chamada tromboangeíte obliterante, que obstrui as artérias das extremidades e provoca necrose dos tecidos. O doente perde os dedos do pé, a perna, uma coxa, depois a outra, e fica ali na cama, aquele toco de gente, pedindo um cigarrinho pelo amor de Deus.

Mais de 95% dos usuários de nicotina começaram a fumar antes dos 25 anos, a faixa etária mais vulnerável às adições. A imensa maioria comprará um maço por dia pelo resto de suas vidas, compulsivamente. Atrás desse lucro cativo, os fabricantes de cigarro investem fortunas na promoção do fumo para os jovens: imagens de homens de sucesso, mulheres maravilhosas, esportes radicais e a ânsia de liberdade. Depois, com ar de deboche, vêm a público de terno e gravata dizer que não têm culpa se tantos adolescentes decidem fumar.

O fumo é o mais grave problema de saúde pública no Brasil. Assim como não admitimos que os comerciantes de maconha, crack ou heroína façam propaganda para os nossos filhos na TV, todas as formas de publicidade do cigarro deveriam ser proibidas terminantemente. Para os desobedientes, cadeia.

(VARELLA, Drauzio. ln: Folha de S.Paulo, 20 maio 2000.)

1. Qual é o ponto de vista defendido por Dráuzio Varella a respeito da proibição da propaganda de cigarros?

2. Quais são os argumentos utilizados por ele para defender seu ponto de vista e como se classificam?

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3. O autor inicia seu texto apresentando-se como um “ex-dependente de nicotina”, apenas no decorrer do texto é que se toma conhecimento de que ele é médico. Reflita sobre isso e responda às seguintes questões: Qual é sua intenção com essa apresentação inicial? Que importância tem esse fato para a argumentação que constrói?

4. Qual é a relação que o médico estabelece, em seu texto, entre a propaganda tabagista e a juventude?

5. Você considera o texto convincente e persuasivo? Por quê?

TEXTO II

Novamente, reúna-se com seu grupo de estudos para elaborar uma reflexão acerca dos benefícios ou malefícios que o avanço tecnológico impõe ao homem moderno.

Na elaboração de seu texto (20 linhas), utilize, pelo menos, dois dos tipos de argumentos estudados.

Tome como ponto de reflexão o texto abaixo.

QUER ANDAR UM POUCO MAIS DEPRESSA?

Na maior parte da historia humana, só podíamos andar tão depressa quanto nossas pernas pudessem levar-nos – numa jornada mais longa, apenas uns poucos quilômetros por hora. Faziam-se grandes viagens, mas muito devagar.[...]

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A motivação original para se viajar depressa deve ter sido o de fugir de inimigos e predadores, ou, ao contrario, o de tentar alcançar inimigos ou presas. Há uns poucos milhares de anos, fez-se uma admirável descoberta: o cavalo pode ser domesticado e montado. Foi uma idéia muito peculiar, pois o cavalo não evoluiu com o objetivo de servir de montaria ao homem. [...] Mas funcionou e – especialmente depois que se inventou a roda e a carruagem – cavalgar ou andar em veículos puxados por cavalos representou durante milênios , a tecnologia do transporte mais avançada a disposição da espécie humana. Com ela pode-se viajar a 15 ou mesmo 30 quilômetros por hora.

Só muito recentemente é que emergimos da tecnologia do cavalo – como prova, por exemplo, o termo “cavalo-vapor” , utilizado para medir a potência dos veículos automotores. Uma máquina com a potência de 375 cavalos-vapor tem mais ou menos a mesma capacidade de puxar 375 cavalos. Uma equipe de 375 cavalos seria interessante de se ver. Arrumada em fileiras com cinco cavalos cada, ela se estenderia por mais de 300 metros e seria muito difícil de manobrar. Em muitas estradas as primeiras filas escapariam à visão do condutor. E, é claro, 375 cavalos não poderiam andar tão depressa quanto um. Mesmo com enormes manadas de cavalos, a velocidade de transporte seria apenas umas dez vezes maior daquela proporcionada por nossas próprias pernas. Assim, as mudanças ocorridas na tecnologia dos transportes durante o século XIX são impressionantes. Nós homens dependemos de nossos pés por milhões de anos; dos cavalos por milhares de anos, dos motores de combustão interna por menos de um século; e dos motores a jato há algumas décadas. Mas esses produtos do gênio inventivo humano nos possibilitaram andar sobre a terra e sobre as águas 100 vezes mais depressa do que a pé, milhares de vezes mais depressa no ar e mais que dezenas de milhares de vezes no espaço.

No passado a velocidade de comunicações se igualava à velocidade do transporte. Houve uns poucos métodos de comunicação mais rápidos – por exemplo, sinais com bandeiras, sinais de fumaça, ou mesmo uma ou duas tentativas de se utilizar torres de sinalização dotadas de espelhos com o objetivo de trocar sinais através do reflexo da luz do Sol ou da Lua. [...] Com apenas algumas exceções, porém, esses métodos não se mostraram práticos, e as comunicações continuaram a se fazer com a velocidade de um homem ou de um cavalo. Isso mudou radicalmente. A comunicação por rádio ou telefone tem agora a velocidade da luz – 300 mil quilômetros por segundo, ou seja, mais de 1 bilhão de quilômetros por hora. Não se trata do último avanço nesse domínio, mas do derradeiro avanço. Tanto quanto sabemos, a partir da Teoria Especial da Relatividade de Einstein, o universo é constituído de tal forma (pelo menos em torno de nós) que nenhum objeto material nem qualquer espécie de informação pode deslocar-se a uma velocidade superior à da luz. Não se trata de um obstáculo contornável pela engenharia, como a chamada barreira do som, mas de um limite cósmico de velocidade fundamental na tessitura da

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natureza. De qualquer modo, uma velocidade superior a 1 bilhão de quilômetros por hora é suficiente para a maioria de nossos objetivos.

O que é admirável é que, em matéria da tecnologia da informação, já tenhamos atingido o limite máximo e nos adaptado tão bem a ele. São poucos os que chegam a perder o ar e a sofrer palpitações após um telefonema de longa distância, assombrados com a velocidade da comunicação. Para nós a comunicação instantânea com qualquer parte do globo é fato natural. [...] Na tecnologia dos transportes, porém, embora não tenhamos atingido velocidades que sequer se aproximem da velocidade da luz, colidimos com outros limites, de ordem fisiológica e tecnológica.

(adaptado de SAGAN, Carl. O romance da ciência. Trad. de Carlos A. Medeiros, pp.231-236. Rio de Janeiro: F. Alves, 1985.

MOMENTO DE PRODUÇÃO INDIVIDUAL

a) Reflita acerca do trecho apresentado a seguir e elabore um parágrafo dissertativo, em que você possa discutir as habilidades necessárias ao profissional de sua área.

“As competências e as habilidades técnicas são o mínimo exigido e não chegam a diferenciar os profissionais de forma mais acintosa. Conhecer sua área através da ajuda de colegas, professores, livros, revistas e experiências é o mínimo que cada um pode fazer por si.”

b) Desenvolva o parágrafo iniciado abaixo, de maneira a justificar e concluir a ideia apresentada.

As Tecnologias de Informação e Comunicação estão ganhando espaço nos diferentes setores da,nossa sociedade invadindo nossas vidas tanto no âmbito profissional quanto no âmbito pessoal. Isso vem ocorrendo, principalmente, devido

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5. O TEXTO DESCRITIVO

A descrição é uma espécie de retrato verbal de um determinado objeto. É descritivo o texto que tem por finalidade retratar algo, de forma que o interlocutor possa, por meio das palavras, criar mentalmente a imagem do objeto descrito.

É importante ressaltar que como não há escrita sem intenção, descreve-se para atingir determinados objetivos, tais como:

o exaltar ou criticar. o analisar conteúdos.

o fazer conhecer, direta ou indiretamente, objeto, processos laboratoriais – por exemplo - e ambientes.

Ao descrever, a pessoa seleciona as palavras que pretende usar para que possa convencer o interlocutor. Se há um desejo de convencer, de fazer com que o interlocutor enxergue de acordo com a visão de mundo do enunciador, o texto descritivo possui uma função argumentativa.

Sendo assim, a descrição pretende ser um retrato verbal, mostrar aquilo que os olhos do enunciador veem, portanto:

 a linguagem deve ser objetiva – vocabulário denotativo;

 as frases devem ser curtas e, preferencialmente, na ordem direta;  os verbos devem ser utilizados em 3ª pessoa.

Como construir um texto descritivo:

É muito comum a dificuldade na criação de um texto descritivo, pois a sensação é de que há muito a dizer e não se sabe por onde começar, ou ainda, definir o que é ou não relevante para que se atinja o objetivo do texto.

Uma boa maneira de s

olucionar esses problemas é observar, analisar e classificar as

idéias que se tem acerca do objeto da descrição.

Elaborar uma lista (ou um quadro) com idéias que vão ocorrendo sobre o que se quer

descrever e, a seguir, organizar essas informações, separando-as em grupos que se coordenam

é um bom começo.

A descrição técnica deve apresentar precisão vocabular e exatidão de pormenores. Deve esclarecer, convencendo. Pode-se descrever objetos, mecanismos ou processos, fenômenos, fatos, lugares, eventos.

Determinar o ponto de vista e o objetivo do texto são muito importantes na construção da descrição, deles depende a estrutura do texto: o que será descrito? que

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