• Nenhum resultado encontrado

Dias 4 e 5 de dezembro de 2020

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Dias 4 e 5 de dezembro de 2020"

Copied!
58
0
0

Texto

(1)
(2)

IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE RETÓRICA XII COLÓQUIO DO GRUPO ERA

INTELIGÊNCIA RETÓRICA: O PATHOS

Dias 4 e 5 de dezembro de 2020

Este Caderno de Resumos reúne os trabalhos que compõem o IV Seminário Internacional de Retórica e XII Colóquio do Grupo ERA Inteligência Retórica: o pathos, evento realizado anualmente pelo Grupo ERA - Estudos Retóricos e Argumentativos, do Programa de Estudos Pós-Graduados em Língua Portuguesa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A partir de estudos aprofundados acerca do pathos, este espaço oferece a todos os interessados na divulgação de suas pesquisas e procura estimular discussões sobre os estudos em Retórica e na área de Linguagens.

Além de sessões de comunicação oral, com a participação de graduados, mestres e doutores de diversas áreas, esta edição contou com a presença do Prof. Dr. Luiz Antonio Ferreira como coordenador geral do evento. Participaram das exposições como conferencistas Prof. Dr. Wander Emediato de Souza (UFMG) e Prof. Dr. Gerardo Ramirez Vidal (UNAM - México); como palestrantes Prof. Dra. Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho (UFMG), Prof. Dr. Rui Alexandre Grácio (Universidade do Minho – Portugal), Prof. Dr. Nuno Manuel Morgadinho dos Santos Coelho (Faculdade de Direito de Ribeirão Preto – USP), Profa. Dra. Joelma Batista dos Santos Ribeiro (Grupo ERA / PUC-SP), Profa. Dra. Cláudia Borragini Abuchaim (Grupo ERA / PUC-SP) e Profa. Dra. Ana Lúcia Magalhães (Grupo ERA / FATEC – Cruzeiro); e como moderadores Profa. Dra. Sueli Cristina Marquesi (PUC-SP), Prof. Dr. João Hilton Sayeg de Siqueira (PUC-SP), Prof. Dra. Maria Flávia Figueiredo (UNIFRAN-SP), Profa. Dra. Márcia Regina Curado Pereira Mariano (Grupo ERA / UFS-SE) e Prof. Ma. Márcia Pituba (Grupo ERA / PUC-SP).

Que novos frutos nasçam e outros tantos amadureçam a partir de nossos encontros!

(3)
(4)

As sessões de comunicação oral estão organizadas em 7 salas virtuais:

Salas Temas

1 Comunicação e mídias sociais

2 Arte, literatura e música I

3 Arte, literatura e música II

4 Política, filosofia, direito e religião I 5 Política, filosofia, direito e religião II 6 Política, filosofia, direito e religião III

7 Educação e prática de ensino

Equipe de pareceristas do Grupo ERA

Coordenação: Elioenai Piovezan. Membros: Cláudia Abuchaim, Cláudia Nascimento, Cristina Máximo e Eber Santos.

Os textos a seguir são transcrições dos originais enviados pelos participantes e, portanto, são de sua inteira responsabilidade.

(5)
(6)

CONCEITOS ESTOICOS E HEDONISTAS EM JOGOS DE LINGUAGEM: PATHOS EM ANÁLISE NO GUIA DO CARRO

Andreia Honório da Cunha

Esta pesquisa tematiza a utilização dos conceitos estoicos e hedonistas em jogos de linguagem, conforme Wittgenstein, a favor da mobilização do pathos em discurso propagandístico. As questões problematizadoras são: i. Como os conceitos filosóficos se relacionam com o discurso propagandístico por meio de jogos de linguagem? ii. Como o pathos se manifesta nesse discurso ao mobilizar o auditório para o produto? Pressupomos que o pathos se manifesta nesse jogo de linguagem ao seduzir o auditório pelas vias da variação de produção de sentidos dos conceitos filosóficos e pela argumentação quase-lógica por comparação, aliada aos lugares de quantidade-qualidade. Objetivamos, de modo geral, discutir as teses filosóficas propostas bem como o da filosofia da linguagem wittgensteiniana em relação a comportamentos sociais voltados para a sedução como prática argumentativa do discurso propagandístico. Especificamente, demonstramos como a argumentação quase-lógica se apresenta de forma contraditória e incompatível, porém sedutora na intersecção de ideias a favor do pathos. O corpus é a análise do guia dos carros do site Terra veiculado em 19 de junho de 2020. O aporte teórico fundamenta-se em Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005[1958]), Meyer (2018) e Galinari (2014). As categorias de análise são: os argumentos quase-lógicos por comparação, nos aspectos da lógica da sedução e na manifestação discursiva do pathos. Os resultados obtidos demonstram que: i. Os conceitos filosóficos utilizados no corpus se inter-relacionam aos jogos de linguagem ao terem suas concepções transformadas em novas produções de sentidos pelas vias da argumentação quase-lógica. ii. O

pathos se manifesta por meio da intersecção de ideias com as quais estabelece

comparações: carro – pessoa – cirurgia, carro – rival – outros carros, e pela presentificação dos lugares de quantidade-qualidade.

Palavras-chave: Estoicismo; Jogos de linguagem; Argumentação quase-lógica;

(7)

O FATO E A MÍDIA: ALINHAVANDO OS SENTIDOS PROVOCADOS NO PATHOS

Zoroastro Pereira de Araújo Neto Maria Francisca Oliveira Santos Lídia Fabiana Vasconcelos Cavalcante de Araújo

Com o objetivo de compreender os efeitos de sentido provocados no pathos, a partir dos aspectos referenciais e contextuais organizados nas matérias jornalísticas sobre o afundamento do bairro Pinheiro, em Maceió (AL), parte-se do pressuposto de que o uso da Retórica e de artifícios linguístico-atenuadores concretizam propostas orientadoras da construção de sentidos. A motivação inicial para o desenvolvimento deste trabalho pauta-se pelo fato de o pesquisador ser morador do bairro Pinheiro, há mais de 35 anos e, desde 2018, após um tremor de terra, perceber as mudanças socioeconômicas provocadas pela divulgação do problema na mídia, que explicita sentidos sobre a possibilidade de aquele bairro afundar. O trabalho está fundamentado em Aristóteles (2011), Abreu (2009), Breton (1999), Ferreira (2015), Fiorin (2017), Marcuschi (2003, 2008), Meyer (2007), Mosca (2004), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014 [1958]), Plantin (2008), Reboul (2004), Santos (2018), entre outros. A pesquisa é de caráter analítico, avalia o objeto de forma qualitativa, com base na análise interpretativa dos procedimentos metodológicos empregados. O corpus é constituído por duas matérias jornalísticas: uma on-line e outra impressa, analisadas à luz dos principais argumentos utilizados pelos diversos oradores, na figura dos jornalistas. Observa-se, então, que a argumentação analisada nas matérias constrói sentidos de medo e de incertezas para os moradores daquele bairro, como em um urdume, ao alinhavar o discurso do afundamento pelos fios retóricos do fato.

(8)

AMOR E POLÊMICA NA CINEBIOGRAFIA DE EDIR MACEDO

Tiago Ramos e Mattos Luana Ferraz Luiz Antonio Ferreira O amor é um elemento pertinente à consciência biográfica de cada um de nós. Não raro, sentimos a necessidade de nos sentirmos amados pelo olhar do outro. Nas cinebiografias, essa perspectiva amorosa é frequentemente ofertada ao auditório de modo intenso, na tentativa de enaltecer a imagem do biografado. Para provocar o amor, o cinema pode se valer do “efeito de verdade” da biografia na amplificação das características positivas de uma personagem. Por vezes, contudo, a controvérsia instaurada em torno da imagem pública daquele que tem sua vida narrada exige artifícios retóricos que ultrapassam a simples amplificação de uma excelência moral já conhecida. Partindo desses pressupostos, propomo-nos a investigar os expedientes retóricos que ajudam a (re)construir a história de vida do bispo Edir Macedo, apresentada nos longas-metragens Nada a perder. Contra tudo. Por todos. (2018) e Nada a perder 2. Não se pode esconder a verdade. (2019), e que podem provocar uma disposição amorosa nos espectadores. Os resultados de nossas análises apontam para uma verdade construída pela imagem positiva da personagem biográfica, ora pela narração autobiográfica, ora pela relação da personagem com a contemporaneidade, considerada cultural e socio-historicamente. Verificamos, assim, a constituição de um ethos heroico e sacrifical, capaz de mover um amor vigoroso e, por conseguinte, de provocar ou fortalecer a adesão do auditório.

(9)

“É MELHOR SALVAR UM DO QUE NENHUM”:

ANÁLISE RETÓRICO-PASSIONAL DO DISCURSO DE MÉDICOS DA LINHA DE FRENTE DA COVID-19

Ananias Agostinho da Silva Maria Flávia Figueiredo

A partir de março de 2020, o mundo vivenciou um estado de calamidade pública provocado pela pandemia da Covid-19, patologia causada pelo vírus Sars-Cov-2, que prejudica o sistema respiratório e imunológico dos seres humanos. O estado de calamidade provocou o colapso dos sistemas de saúde em diferentes lugares, isto é, o número de vagas disponíveis para internação em hospitais não corresponde ao número de pessoas infectadas que podem morrer por falta de atendimento. Nestes casos, cabe aos médicos responsáveis pelas unidades de tratamento intensivo fazer uma difícil escolha de Sofia: a eleição de um paciente para ocupar uma vaga de internamento hospitalar pode condenar outro menos afortunado à morte. Que critérios utilizar para fazer essa escolha é uma questão que envolve não somente fatores clínicos, mas também recobre uma dimensão ética, legal e, sobretudo, passional. É que, conforme Aristóteles (2000), as ações humanas são sempre influenciadas pelas suas paixões, pelas suas emoções. Refletir a respeito de como as paixões interferem nessas escolhas é o objetivo deste trabalho. Especificamente, buscamos compreender os estágios que solidificam o germinar das paixões em discursos produzidos em contextos emblemáticos, em situações que arregimentam escolhas perturbadoras relativas à vida humana, o que é fulcral ao entendimento do universo passional do ser humano, assim como do processo persuasivo em sua complexidade. Para tanto, nos fundamentamos em Figueiredo (2018, 2019, 2020), notadamente no inventário do que a autora denomina de trajetória das paixões, abordagem que explica como as paixões são germinadas a partir das interações humanas.

(10)

O PAPEL DA PROSÓDIA COMO GATILHO À PROVOCAÇÃO DO RISO NA SITCOM “FRIENDS”

Ana Cláudia Ferreira da Silveira Gladis Massini-Cagliari Maria Flávia Figueiredo A ação retórica (actio) – etapa em que o orador profere o discurso – designa o desempenho do orador e o modo como ele se apresenta perante o auditório. Nessa etapa, além do conteúdo discursivo, são fundamentais os elementos prosódicos, pois eles atribuem melodia e ritmo à fala. A expressão comunicativa oriunda desses elementos pode assumir determinadas funções e provocar distintas paixões no auditório, por exemplo, o riso. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo investigar a função da prosódia como possível gatilho à provocação do riso na etapa relativa à actio retórica. A fim de observar esse fenômeno, selecionamos três instâncias de humor presentes na série “Friends” (NBC, 1994-2004). Os dados levantados indicaram a recorrência dos seguintes correlatos perceptivos da prosódia: pitch, duração e volume; além da alteração da qualidade de voz e a ocorrência de pausas. Nossa hipótese é a de que as alterações prosódicas identificadas tenham assumido uma função determinante na etapa relativa ao despertar do riso. Com vistas a compreender tanto essa etapa quanto as demais envolvidas na trajetória das paixões, este trabalho tomará como referência os recentes estudos de Figueiredo (2020). Ademais, outras referências teóricas servirão como base para a pesquisa proposta, tais como Aristóteles (2015), Cícero (2002) e Quintiliano (2016), nos estudos retóricos; Cagliari (1992; 2007), Cagliari e Massini-Cagliari (2003) e Scarpa (1999), nos estudos sobre a prosódia e, por fim, Alberti (2002), Attardo (2013), Bergson (2018) e Raskin (1985), nos estudos sobre o humor e o riso.

(11)

EU FOFOCO? TU FOFOCAS? AS PAIXÕES EM REDES DE INTRIGAS

Luisiana Ferreira Moura Carla Moreira de Paula Prada Luiz Antonio Ferreira

Eu fofoco? Tu fofocas? Nós fofocamos. A fofoca é prática institucionalizada no cotidiano, de tal forma que, a depender do contexto e de seus agentes, alça-se à categoria de fofoca histórica e norteia rumos. Da fofoca comezinha à fofoca de Estado, as paixões (emoções) dos detratores e dos detratados são pátina que reveste o fato e impulsiona uma verdade contingente. Nesse sentido, este estudo tematiza o movimento das paixões, segundo esquema proposto por Figueiredo (2018) para o funcionamento das paixões aristotélicas em um contexto discursivo. O objetivo pauta-se na identificação das paixões e análise dos efeitos comungados entre orador e auditório, nessa prática subproduto da humanidade. Para isso, selecionamos fragmentos de cartas do diplomata Barão de Mareschal à corte austríaca e da imperatriz D. Leopoldina à irmã sobre o envolvimento de D. Pedro I com a Marquesa de Santos. Dialogamos, ainda, com a perspectiva fisiológica proposta por Descartes (2012) de que a paixão é uma ação sobre o corpo do sujeito a quem acontece (auditório), mas também ação naquele que a provoca (orador). A fofoca favorece esse duplo movimento porque compreende relações de poder e cristaliza identidades (KARNAL, 2016). Muitas vezes, é uma arma contra o outro, pois transita dentro de hierarquias de valores, as quais procura reafirmar ou reorganizar, de acordo com as motivações de seu produtor.

(12)

ANÁLISE RETÓRICA DA NOTA EMITIDA PELO CARREFOUR

Éber José dos Santos Raquel Schnoeller de Toledo

Os estudos retóricos têm tomado o interesse de pesquisadores da contemporaneidade, nacionais e internacionais, com aplicação em análise de discursos midiáticos, políticos, religiosos, jurídicos, entre outros, sobretudo os que tratam de questões polêmicas da sociedade, como o racismo, homofobia, gênero, por exemplo. Nesse sentido, esta comunicação tem como objetivo seguir nessa esteira e efetuar uma análise retórica da nota emitida pelo Carrefour logo após a morte brutal do Sr. João Alberto de Silveira Freitas, ocorrida, em 19 de novembro de 2020, dentro das instalações da empresa, incidente que gerou grande repúdio nacional devido às circunstâncias e ao fato de a vítima ser negra. Pretende-se, desse modo, identificar o contexto retórico, analisar as provas (ethos, pathos e logos), os argumentos, os gêneros do discurso, os tipos de raciocínio, os lugares, as paixões predominantes no discurso. O aparato teórico-metodológico tem como base a retórica clássica de Aristóteles (384-322 a.C. [2015]), a Nova Retórica de Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014) e estudos de pesquisadores como Fiorin (2018 [2015]) e Ferreira (2010).

(13)
(14)

MOVERE, DOCERE, DELECTARE: OS MEIOS DE PERSUASÃO EM CARTAS PSICOGRAFADAS

Shania Jéssika Cavalcante Rodrigues Gomes Maria Francisca Oliveira Santos Deywid Wagner de Melo

Com o escopo de identificar as funções persuasivas insculpidas no gênero textual carta psicografada, analisando a ingerência dos meios de persuasão: Movere,

Docere, Delectare, existentes no referido gênero, e como eles se relacionam com

o pathos; o presente trabalho utilizou, como sustentáculo teórico-metodológico, os postulados da Nova Retórica, a partir de autores como Abreu (2009), Ferreira (2015), Meyer (2000), Mosca (2004), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014 [1958]), Plantin (2008), Reboul (2004), Santos (2018); sem olvidar, no entanto, dos ensinamentos da Retórica Clássica aristotélica. A partir de tais pressupostos, realizou-se uma pesquisa de base qualitativa, em que foi possível analisar e interpretar as ordens de finalidade existentes no gênero carta psicografada. Ademais, diante do explorado na pesquisa, foi possível identificar a correlação dessas finalidades persuasivas com o auditório a que se destinam; além de se ter observado a finalidade predominante. Aquilatar as intencionalidades retórico-persuasivas presentes nas cartas se mostrou como atividade fundamental para que, ao fim e ao cabo, este trabalho permitisse uma maior compreensão quanto à relação do gênero em estudo com o seu auditório.

(15)

ISAURA: MAIS QUE UMA ESCRAVA, UMA ANÁLISE DO PATHOS NO ROMANTISMO BRASILEIRO

Emerson Salino Lilian Maria Ghiuro Passarelli

Este trabalho, na linha de pesquisa Estudos Retóricos e Argumentativos, objetiva analisar o posicionamento de Bernardo Guimarães frente ao pathos – que estimula o sentimento de piedade ou de tristeza. A obra A Escrava Isaura, escrita em 1875, apresenta um narrador onisciente que aborda, acima de tudo, uma visão machista e preconceituosa. A análise que aqui se fará permitir-nos-á a observação que se tem da mulher representativa da afroascendência acerca das obras do Romantismo Brasileiro, ampliando, assim, os conhecimentos tanto literários quanto linguísticos do período em que se passa a obra citada – final do século XIX –, em meio a uma política escravocrata reinante, sobretudo no universo feminino de uma mulher branca que sofre os preconceitos por ter sangue negro em suas veias, tornando-se assim uma das grandes personagens do Romantismo Brasileiro. O autor dispõe em seus escritos – mesmo que de maneira subjacente – a iniquidade entre as raças (negros e brancos), e aponta o sofrimento agudo de uma mulher subjugada pelos algozes da escravidão, naquele século. As características atribuídas à personagem demonstram um novo olhar sobre as mulheres escravas dessa época – sofridas, manipuladas, mas que, por vezes, se veem determinadas a vencer o sofrimento, na busca do auxílio ao próximo e na luta contra a escravidão no país. Para embasamento teórico utilizamos Frankl (2003), Meyer (2007), Menezes (2008), entre outras referências.

Palavras-chave: A Escrava Isaura; Bernardo Guimarães; Pathos escravocrata;

(16)

OS LUGARES RETÓRICOS: UM ESTUDO DA ARGUMENTAÇÃO NA LETRA MUSICAL “MULHERES DO IGARAPÉ”

Luanny Maria Almeida Vidal Luiz Antonio Ferreira

Este trabalho toma como tema a mulher amazônica em letras musicais. Assim, tem como objetivo a identificação dos lugares retóricos como fator argumentativo na música popular amapaense. Dessa maneira, considera-se os lugares retóricos como “grandes armazéns de argumentos, utilizados para estabelecer acordos com o auditório”. Busca-se, então, demonstrar como os lugares retóricos funcionam como reforço para a sedimentação do ethos das mulheres ribeirinhas, como contribuem na intensificação do logos e de que maneira ativam os elementos patéticos no auditório. Como base teórica, elegemos Aristóteles (2003), Reboul (2004), Meyer (2007), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014), Fiorin (2014; 2015) e Ferreira (2015). Tomamos como objeto de investigação o texto verbal e selecionamos, para análise, a letra da canção “Mulheres do igarapé”, do compositor Osmar Júnior, gravada durante a década de 90 e amplamente divulgada por meio das rádios amapaenses. A análise, de cunho qualitativo, revela que os lugares retóricos contribuem significativamente no processo de persuasão, sobretudo pelo apelo passional. Esta investigação é parte da pesquisa sobre a construção histórica do ethos das mulheres ribeirinhas, do Estado do Amapá, Brasil, em letras das músicas populares amapaenses (MPA) que objetiva contribuir para a compreensão da presença e dos efeitos argumentativos do uso dos lugares retóricos em letras de canções populares brasileiras.

Palavras-chave: Retórica; Letras de canções populares; Argumentação;

(17)

COMPAIXÃO E INDIGNAÇÃO: DUAS PAIXÕES RETRATADAS NA CANÇÃO “ANA ROSA”

Fabiola Mirella Dias Roque da Silva Elizabeth Rizzi Lyra Luiz Antonio Ferreira

No presente trabalho, pensamos em retratar sobre duas paixões aristotélicas: a compaixão e a indignação e como elas se configuram na canção Ana Rosa. Primeiramente, apresentamos uma breve introdução sobre a história da música caipira no Brasil desde o início do século passado até o momento e de que forma essa tradição oral caipira, característica das modas de viola de contar causos da vida no campo, nos propiciou, e ainda nos propicia narrativas tão ricas quanto importantes para a valorização da chamada “cultura popular brasileira”. A seguir, pensamos sobre como e de que forma as paixões se configuram dentro do gênero “música caipira”. Para isso, propomos como fundamentação teórica a Retórica das Paixões de Aristóteles para analisar a canção Ana Rosa (1966). Por fim, sintetizamos a reflexão do pathos na música e de como as estruturas da compaixão e indignação se conectam dentro da canção Ana Rosa composta por Carreirinho e interpretada por Tião Carreiro e Pardinho, para compreender como essa canção aborda o tema da violência contra a mulher e de que forma o enunciado desperta a compaixão e a indignação através do pathos no auditório.

Palavras-chave: Paixões na canção Ana Rosa; Pathos na música; Música e

(18)

RASGAR-SE E REMENDAR-SE:

A VIA CRUCIS DAS PAIXÕES EM “VIDAS SECAS”

Daniela Rodrigues de Oliveira Maria Flávia Figueiredo O objetivo deste trabalho é tecer breves considerações acerca da relação entre a obra Vidas Secas e seu pathos - auditório, verificando as paixões que podem ser despertadas nele ao longo da leitura da obra, à luz da teoria proposta por Figueiredo (2020), que se refere à Trajetória das Paixões. Segundo Aristóteles, o tripé retórico consiste em ethos, pathos e logos. Figueiredo debruçou-se no estudo do pathos, a fim de ampliar o entendimento de sua instância. Assim, teceremos considerações sobre a Trajetória das Paixões despertadas no auditório ao ler “Vidas Secas”, tendo sido escolhido, para tanto, excertos da obra que demonstram o que nos propusemos analisar, a fim de compreender o que leva o auditório a ser persuadido.

(19)

AMOR E DESEJO: PEQUENAS ALEGRIAS DA VIDA ADULTA

Nathalia Melati Fernando Bertolo Luiz Antonio Ferreira

Ao refletir sobre o que confere sentido à nossa vida pessoal, Martuccelli (2016) postula que o amor se tornou um dos grandes ideais contemporâneos. O amor, em especial o conjugal ou erótico, é tido tanto como ideal como promessa da felicidade. Bauman (2004), por outro lado, questiona o amor encorajado por uma sociedade pautada no consumo de bens. Este artigo se propõe, então, a analisar retoricamente a letra da música “Pequenas Alegrias da Vida Adulta”, de Emicida, para compreender como essa produção retrata o relacionamento conjugal a partir das provas retóricas: ethos, pathos e logos. A partir das paixões evocadas e da imagem dos amantes, esperamos compreender como a letra da música propõe uma nova história de amor a partir da valorização da vida cotidiana. Com isso, cria-se o diálogo entre a concepção de amor por Martuccelli (2016), Bauman (2004) e as paixões aristotélicas.

(20)

ELOGIOS À CLARICE: O GÊNERO EPIDÍTICO E AS PAIXÕES NA CRÍTICA CANDIDIANA

Bruna Camargo Correa Ana Cristina Carmelino

O discurso crítico-literário consiste em um discurso persuasivo que objetiva louvar ou censurar uma obra e seu autor, portanto, é de gênero epidítico. Assim, a crítica literária jornalística foi de grande relevância para com a publicidade e o sucesso (ou não) de escritores estreantes, no interior de uma literatura prestigiada, por efeito de tal discurso ser capaz de conduzir o leitor do jornal à obra. Com base nessas ponderações, esta exposição objetiva mostrar, sinteticamente, quais são os principais recursos retóricos mobilizados para ampliar o caráter nobre de Clarice Lispector e as paixões que o discurso epidítico desperta no leitor. Para isso, tem-se como objeto de análise a crítica literária “Perto do coração selvagem”, redigida por Antonio Candido e publicada em junho de 1944, no jornal Folha da Manhã, sobre a estreia literária de Lispector. O estudo fundamenta-se nos pressupostos teóricos da Retórica (ARISTÓTELES, 2015) e da Nova Retórica (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2014; MEYER, 2007; EGGS, 2008; FERREIRA, 2010; FIORIN, 2015; TRINGALI, 2014), com foco no gênero epidítico.

Palavras-chave: Antonio Candido; Clarice Lispector; Crítica literária; Discurso

(21)
(22)

AS PAIXÕES DESPERTADAS PELA IRONIA DE RUBEM BRAGA

Helena Miyazaki Fonseca Ana Cristina Carmelino

A figura retórica da ironia, caracterizada como um modo de manifestar-se opostamente ao que se pretende dizer, funciona como expediente argumentativo, tendo em vista que, por meio dela, é possível mover à ação, incitando o pathos. Com base nessas considerações e partindo da hipótese de que a ironia consiste em um dos principais recursos retóricos utilizados por Rubem Braga [1913-1990] em suas crônicas, seja para fazer determinada crítica sobre algo do cotidiano, seja para tornar seus textos bem- humorados, esta apresentação tem como objetivo não só mostrar o funcionamento da ironia em crônicas que retratam a figura da mulher, mas, também, refletir sobre as paixões despertadas pelo autor quando ele se mostra irônico. Os pressupostos teóricos que fundamentam a análise advêm da retórica, mais especificamente de teóricos que abordam o recurso da ironia (MOLINIÉ, 1992; PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2005; REBOUL, 2004, FIORIN, 2014, TRINGALI, 1988, 2014) e as paixões (ARISTÓTELES, 2003; MEYER, 2003). Em termos metodológicos, o exame dos dados leva em conta a contextualização das crônicas selecionadas e a análise de excertos que permitem a depreensão tanto da ironia quanto das paixões incitadas por essa figura retórica.

(23)

A TRÍADE RETÓRICA NO CÔMICO: LORELAI E O SUCESSO DE “GILMORE GIRLS”

Silvia Nunes Ana Cristina Carmelino

As séries são o novo fenômeno de entretenimento, tendo em vista que ocupam lugar destacado na televisão e nas plataformas de streaming (SILVA, 2014). O sucesso das séries instiga pesquisadores a entenderem o que poderia explicar a sua popularidade. “Gilmore Girls” – série produzida nos anos 2000 – é um desses casos de sucesso e, por isso, é objeto de estudo nesta apresentação. Parte-se da hipótese de que o ethos cômico de uma das protagonistas (Lorelai Gilmore) seja, em grande parte, a razão do êxito da série, já que o humor consiste em um expediente importante em dadas ações retóricas para despertar e manter o interesse do auditório (CARMELINO, 2012). Como, no entanto, em Retórica, uma análise mais completa considera as três provas aristotélicas, isto é, ethos, pathos e logos, pretende-se, nesta exposição, mostrar não apenas a construção (e o tipo) do ethos cômico de Lorelai por meio do logos, mas também a(s) paixão(ões) que a personagem desperta no telespectador a partir da imagem angariada. A análise fundamenta-se, em termos teóricos, em autores da Retórica (ARISTÓTELES, 1991, 2000, 2015) e Nova Retórica (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 1996; REBOUL, 2004; MEYER, 2007; FERREIRA, 2010). No que concerne aos procedimentos metodológicos, consideram-se algumas cenas dos episódios, cujos discursos são transcritos e cujas imagens são captadas por meio de stills dos vídeos.

(24)

EM BUSCA DE UMA ESSÊNCIA MAIS VERDADEIRA:

A TRAJETÓRIA DAS PAIXÕES NA CANÇÃO “PERFUME DO INVISÍVEL”

Farnei Santos Maria Flávia Figueiredo Este trabalho tem como objeto de análise a composição “Perfume do invisível” de autoria de Maria do Céu Whitaker Poças, mais conhecida no meio artístico como, simplesmente, Céu. O objetivo foi averiguar se é possível constatar as paixões despertadas no auditório da composição e perceber como que determinada (as) paixão(ões) se manifesta (m) e comporta (m) em relação aos cinco estágios propostos pela teoria da trajetória das paixões, a saber: 1) disponibilidade; 2) identificação; 3) despertar da paixão; 4) mudança de julgamento e 5) ação. Contamos com os saberes de Figueiredo (2020) em sua proposta: Ampliação e aplicabilidade analítica da Trajetória das paixões. O resultado deste trabalho, em suma, foi de que o objeto de análise desta pesquisa seguiu integralmente os estágios da trajetória das paixões concluindo até a última etapa do ciclo: a ação. O auditório, tendo em sua alma e em seu corpo, os saberes, as crenças e as paixões movimentadas e prontamente dispostas para agir, mostrou-se em sua versão mais íntima e essencial, isto é, tomou para si a atitude de levar a vida adiante, impregnada pelo “perfume do invisível”, ou seja, com coragem de viver mais próximo da verdade que lhe parece mais aconchegante e realizável.

(25)

ESTUDO DA ESTRUTURA COMPOSICIONAL DO GÊNERO CANÇÃO COMO PERSPECTIVA PARA A ANÁLISE DA ORIENTAÇÃO

ARGUMENTATIVA

Tatiana da Conceição Gonçalves Luanny Maria Almeida Vidal Sueli Cristina Marquesi

Esta pesquisa tem como objetivo apresentar uma ação de ensino voltada para a análise da orientação argumentativa do gênero canção. Tem como referencial teórico os princípios da Linguística Textual e os procedimentos da Análise Textual dos Discursos, bem como os pressupostos da Retórica. Para efetivar este trabalho de natureza qualitativa, buscamos analisar e compreender a estrutura composicional da canção “Tô em Macapá”, de Nivito Guedes, cantor e compositor amapaense, com o propósito de perceber e de entender como se constitui e como funciona, no plano de texto desse gênero, a orientação argumentativa. Nossa hipótese é de que, ainda que o texto seja escrito em versos estruturados em estrofes, apresenta em sua composição uma dominância sequencial narrativa, constituída por elementos linguístico/discursivos que sinalizam um movimento argumentativo. Com efeito, leva-nos ao provável resultado de que uma realização textual musical pode apresentar uma configuração atravessada por uma orientação argumentativa.

Palavras-chave: Estrutura composicional; Gênero canção; Leitura e escrita;

(26)

AMÉLIA UMA OVA! ARGUMENTOS E LUGARES RETÓRICOS NA CANÇÃO "SAUDADE DE AMÉLIA"

Leonardo Vinicius de Souza Tavares Cláudia Borragini Abuchaim Luiz Antonio Ferreira

Contemporaneamente, muito se fala sobre a emancipação das mulheres e sobre a consciência que adquiriu ao longo da história, de que desempenha um papel social importante e ativo numa sociedade em constante transformação. Quase oito décadas após a primeira gravação do samba “Saudade de Amélia”, composto por Mário Lago e Ataulfo Alves e, sucesso absoluto do carnaval de 1942, a canção, sobretudo em nossos dias, suscita inúmeras paixões e controvérsias acerca do conteúdo da letra. Propomos à luz da Nova Retórica de Perelman e Olbrechts-Tyteca (1996), uma análise que buscará desvendar as estratégias argumentativas e os lugares retóricos dos quais o orador se vale para asseverar uma posição de poder na interação e, ao mesmo tempo, como o medo se infiltra no discurso do orador, camuflado nos argumentos dos quais se vale para sustentar sua postura dominante. Identificamos que a canção expõe uma questão de valor, pois ela se constitui numa moral predominante (a mulher deve ser submissa ao homem) baseada em normas culturais vigentes à época, que legitimam o contexto de dominação masculina, quase imperceptível, diluído num

ethos de sujeito simples, injustiçado e saudoso demonstrado pelo orador e

atenuado, mais ainda, pelo ritmo da canção (samba), que atinge o auditório pela via do sensível (movere) e diminui a capacidade de racionalização acerca do discurso que se apresenta.

Palavras-chave: Nova Retórica; Dominação Masculina; Canção Popular; Argumentos; Lugares Retóricos.

(27)

O VELHO MAJOR E A “REVOLUÇÃO DOS BICHOS”, DE GEORGE ORWELL

Paulo César de Jesus Chave Como contribuição às pesquisas empreendidas a partir da conjuntura teórica das novas Retóricas, o presente trabalho estuda as estratégias argumentativas do velho Major – o porco –, personagem da fábula política de George Orwell cujo título é “A revolução dos bichos”. Este personagem erige um discurso advindo de um sonho que teve em que os animais da granja do solar – habitat onde eram submetidos ao governo humano – deveriam se rebelar contra os tais, mais especificamente o Sr. Jones, proprietário do local, objetivando não apenas a independência animal, mas a construção de uma sociedade igualitária regida por mandamentos de convivência que valorize a presença e o trabalho do outro, desde que este não seja humano. O presente trabalho explora as alusões que o autor faz com os personagens do antigo regime da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) – embora não se detenha a todo o livro – do ponto de vista histórico, examinando como se configura os aspectos que instituem o autoritarismo explicitado por George Orwell e, também, a sátira existente na comparação entre o velho Major, um porco, a constituição posterior do governo da granja também praticada por porcos e o governo Russo cuja liderança era empreendida por Stálin, identificado no livro com o porco Napoleão, que expulsou Trotsky, identificado com o porco Bola-de-Neve.

(28)
(29)

CASTIGO OU OPORTUNIDADE? PAIXÕES E IMAGENS DIVINAS DURANTE A PANDEMIA

Marcia Regina Curado Pereira Mariano

Muitos discursos religiosos buscam responder a questionamentos que surgem durante tragédias e catástrofes, afinal, que Deus é esse que não acaba logo com o sofrimento? Por que Deus permite a dor e a morte de tantas pessoas? Líderes religiosos contemporâneos, em meio à pandemia causada pelo Novo Coronavírus, têm assumido a tarefa de apresentar aos fiéis e ao povo, de um modo geral, respostas a essas e outras questões. Neste trabalho, analisamos, sobretudo a partir do olhar da retórica aristotélica, fragmentos de discursos de líderes de algumas religiões e crenças, com o objetivo de verificar que paixões motivam, de acordo com esses oradores, as ações divinas durante a situação de pandemia pelo Covid-19 e que ethe de Deus daí emergem. Em nossa análise, observamos que nesses discursos as paixões, caracterizadas por Aristóteles (2011 [384-322 a.C.]) como próprias da natureza humana, são relacionadas também a Deus, cujas ações neste momento seriam respostas aos discursos e comportamentos humanos. De um lado, paixões como o amor, a compaixão e a benevolência mantêm a imagem do Deus bondoso/misericordioso, que oferece a seus filhos, em momentos de sofrimento, uma oportunidade de evolução ou salvação por meio da aproximação com suas leis e ensinamentos. Ao mesmo tempo, concorre nesses discursos um outro ethos divino, construído sob a hipótese de Deus ser afetado pela paixão da cólera, que o levaria a provocar ou permitir esses acontecimentos para castigar filhos desobedientes ou ingratos. Nesse caso, surge o Deus vingativo/punitivo.

(30)

RETÓRICA DO PÂNICO MORAL NAS PRISÕES PREVENTIVAS EM RONDÔNIA

Jackson Chediak Taiane Cortez de Souza Chediak Sorhaya Chediak João Hilton Sayeg Siqueira

O objetivo deste estudo é analisar, a partir de casos concretos, as retóricas dos decretos preventivos, considerando a tentativa de se obstar o excesso por meio da lei n° 12.403/2011 e lei 13.869/2019. Partimos da seguinte questão de pesquisa: Como a retórica contribui para a compreensão do discurso persuasivo? Como objetivos específicos delineamos: refletir sobre como as retóricas dos decretos preventivos são legitimadas; refletir sobre como a influência da mídia pode contribuir para a legitimação de uma retórica violenta que afronta às garantias constitucionais; identificar o mecanismo de seletividade e formação do estereótipo do inimigo; analisar o contraponto do Estado de exceção como construção teórica do direito à resistência. Os casos analisados referem-se ao inquérito policial suplementar de nº 80 da Polícia Judiciária de Rondônia; o caso dos desabrigados e segregados pela enchente do Rio Madeira; o caso do pastor e o caso do professor. Todos os casos mencionados estão registrados na Comarca de Porto Velho (RO). Para tanto, realizamos uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo documental e bibliográfica, com suporte na retórica e criminologia crítica. Como resultado da nossa análise, foi possível identificar que os discursos dos violentos são respaldados em um pânico moral. É possível perceber que a retórica do pânico busca justificar o “estado de exceção” para a prisão preventiva a uma parcela da sociedade. As retóricas que fundamentam os decretos judiciais propagam a ideia de um “rigor punitivo” em combate ao “medo social” em pânico moral.

(31)

A PAIXÃO DA INDIGNAÇÃO NO DISCURSO POLÍTICO DE KARL MARX

Elioenai dos Santos Piovezan Roberta Maria de Souza Piovezan Luiz Antonio Ferreira Na história da Humanidade, poucos textos políticos despertaram tantas paixões e influenciaram tantas pessoas em todo o mundo como o “Manifesto do Partido Comunista”, escrito por Karl Marx (com colaboração de Frederich Engels). Embora seja um tratado político-partidário, o Manifesto possui uma estrutura expositiva-argumentativa que contém os principais elementos do sistema retórico e joga, cremos, com a paixão aristotélica da indignação. Dirige-se a um auditório universal, constituído de operários e suas lideranças; introduz e analisa o conceito de luta de classes, notadamente por meio do raciocínio indutivo do exemplo histórico; aponta o caminho e exige, por meio do gênero deliberativo, a superação do status quo; e, para tanto, modaliza um discurso que trabalha o

logos no pathos, com um apelo à ação a partir do convencimento fundado numa

lógica que opera a paixão da indignação. Revela, pois, um efeito patêmico que denuncia as condições de vida e de trabalho de uma classe social que então surgia naquele período de incertezas e injustiças. A fim de demonstrar a construção do ato retórico do jovem Marx com foco na paixão da indignação, consideramos a Retórica aristotélica, do Livro II de Retórica, e as contribuições de Meyer (2000), Ferreira (2010), Galinari (2014), Figueiredo (2015), entre outros. De qualquer modo, resta claro que, a despeito dos diferentes rumos tomados pelos ideais comunistas, a convicção apaixonada do filósofo alemão pela erradicação das desigualdades sociais ainda contagia corações e mentes até os dias atuais. Observar, pois, os meandros do Manifesto e seu poder retórico é uma forma de compreender os efeitos de sentido que têm dialogado por décadas com um auditório bem mais amplo do que o daquela longínqua metade de século XIX.

Palavras-chave: Paixões aristotélicas; Indignação; Retórica; Karl Marx;

(32)

JESUS DE NAZARÉ E A MULHER ADÚLTERA:

A TRAJETÓRIA DAS PAIXÕES NO DISCURSO TEOLÓGICO

Max Silva da Rocha Atualmente, a teoria da Trajetória das Paixões se configura como uma perspectiva inovadora para analisar discursos que se fundamentam em atos retórico-passionais. A referida teoria organizada e ampliada por Figueiredo (2018, 2019, 2020) aponta cinco estágios específicos (disponibilidade, identificação, despertar da paixão, mudança de julgamento e ação), pelos quais as paixões percorrem e impactam as tomadas de decisões de um determinado auditório social. Com base nisso, este trabalho objetiva analisar as possíveis paixões despertadas durante o encontro entre Jesus de Nazaré e a mulher adúltera. Esse acontecimento está descrito no discurso teológico, mais precisamente, no evangelho segundo João 8:1-11. O discurso teológico toma como suporte textual a Bíblia, considerada um livro de expressiva importância para o cristianismo. Metodologicamente, este trabalho filia-se a uma perspectiva qualitativa de análise retórica e embasa-se em Abreu (2009), Aristóteles (2011), Ferreira (2015, 2017), Figueiredo (2018, 2019, 2020), Meyer (2000, 2007), Mosca (2018), Nascimento (2020), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014 [1958]), Reboul (2004), Rocha (2020), entre outros. A análise empreendida apresenta as possíveis paixões despertadas pelo orador Jesus de Nazaré, enfatizando as alterações de juízos, de comportamentos e de ações provocadas no auditório social.

(33)

PATHOS: COMPREENSÃO E PARALELISMOS

Ana Lúcia Magalhães São tantos os estudos sobre a paixão e o pathos, que precisamos, aqui, estabelecer um caminho. A pergunta que se faz, logo de início, é: há pontos em comum entre os pensamentos desde a Antiguidade até os dias atuais? Como se mostram os conceitos de cada um dos pensadores elencados? Existe um fio condutor que conduz de um a outro pensador ou há quebras? Assim vamos pensar duas linhas, mas que algumas vezes se tangenciam, outras se cruzam e mesmo se sobrepõem: filosófica e retórica. Poderíamos estender o assunto e tratar pontos de vista histórico, psicológico, linguístico, estilístico, semiótico, porém cremos que algum entendimento filosófico e retórico a partir do pensamento de alguns filósofos e estudiosos terá sido uma boa caminhada. Sócrates, Platão, Aristóteles, Sto. Tomás de Aquino, Descartes, Espinosa, Bauman, Meyer são alguns pensadores pesquisados. Acredita-se que a inferência de interlocuções entre eles e outros não citados contribua com mais um caminho para o entendimento do pathos. O corpus será constituído de textos extraídos do cotidiano, sejam relatos, canções ou poemas.

(34)

TRAJETÓRIA DAS PAIXÕES: UMA ANÁLISE DO MOVER DO PATHOS NA SENTENÇA JUDICIAL

Gabriel Campos Frade Machado Lívia Furlan Telini Acir de Matos Gomes

O julgador é um ser humano, logo, dotado de racionalidade e sentimentos, contudo, ao proferir o seu julgamento deve agir com imparcialidade, e a força do logos aparentemente prevalece sobre o pathos. Nosso objeto de análise é a sentença judicial proferida na ação penal nº 1502622-45.2018.8.26.0196, que tramitou na Comarca de Franca (SP). Com fundamento na teoria retórica apresentada por Figueiredo 2020 – Trajetória das paixões – e nas paixões aristotélicas apresentamos e analisamos o percurso dessas paixões no objeto de análise. Para a referida autora, essa trajetória é constituída pelas fases da disponibilidade, da identificação, do despertar da paixão, da mudança de julgamento e da ação. Nosso objetivo é o de verificar a existência ou não da trajetória das paixões na sentença judicial. Encontramos na sentença a presença da paixão cólera a qual foi identificada toda a sua trajetória, ou seja, da disponibilidade até a ação. Entendemos que há na sentença a presença do pathos na qual o magistrado sai da racionalidade estrita para decidir e agir conforme as paixões despertadas pelos oradores. A sentença é um acontecimento humano, um fato jurídico; portanto, não consegue se esquivar das emoções. Existe uma declaração de vontade em toda decisão judicial e essa decisão, por mudar o mundo exterior, é um ato de inteligência, mas também de vontade e de paixão.

(35)

PRESIDENTE E PRESIDENCIÁVEIS: UMA ANÁLISE DE DISCURSOS APAIXONADOS

Mariano Magri Luiz Antonio Ferreira

A pandemia da Covid-19 trouxe uma situação inusitada a todos os países: em um ritmo acelerado de contágio, um número elevado de mortes e sem perspectivas de como solucionar o problema, uma das poucas saídas encontradas foi o isolamento social. De um dia para o outro, a circulação em vias públicas ficou restrita a questões essenciais para a manutenção da vida. Por ser um assunto de saúde pública de magnitude nacional, os holofotes apontaram para o Presidente da República. Todavia, em seus discursos e ações, o presidente sempre minimizou o impacto do vírus à saúde, mesmo com alta demanda por leitos em hospitais. Diante do descaso com a saúde pública, esta comunicação tem o objetivo de analisar os discursos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dos presidenciáveis Ciro Gomes e Marina Silva acerca da necessidade de uma política mais efetiva para minimizar os impactos da pandemia. Com base nos pensadores da retórica, especialmente Aristóteles e Michel Meyer, o objetivo foi o de verificar como os discursos movimentaram as paixões para conseguir a adesão do auditório. Os resultados, sem nenhuma intenção de esgotar a questão, sugeriram dois caminhos: a) os discursos analisados incitaram as paixões no sentido de voltar o auditório contra o ethos do presidente; e b) não foram apresentadas propostas de solução para a questão. Do ponto de vista da pandemia, os discursos nada contribuíram para encontrar ações mais efetivas.

(36)
(37)

O LAYOUT DA ARGUMENTAÇÃO DE TOULMIN NA REDAÇÃO DO RECURSO DE APELAÇÃO

Wellington Ferreira de Amorim Luiz Antonio Ferreira

O trabalho a ser apresentado visa demonstrar a importância do conhecimento prévio de estratégias de retórica e de argumentação para o aprimoramento da redação de um recurso processual, especialmente, o recurso de apelação no processo civil. É possível a aplicação do esquema de Toulmin na redação de qualquer peça processual, trazendo ganhos na qualidade do texto, favorecendo o redator e também os destinatários do recurso, que são os Desembargadores que irão julgá-lo. Um bom recurso de apelação não está fundado apenas em uma boa técnica jurídica, no excelente emprego da argumentação, preocupando-se com as garantias (“W”) que autorizam o passo adiante entre os fatos (“D”) e o pedido no final do recurso (“C”, no esquema de Toulmin). A clareza na utilização de qualificadores (“Q”), como incremento fortalecedor dos dados; ideias de refutação (“R), que de forma preventiva são utilizados pensando em uma contra-argumentação; e o apoio (“B”), que fundamenta a pretensão recursal. Assim, de forma objetiva, o trabalho visa fortalecer o tópico do recurso que trata das razões para a reforma ou anulação da sentença recorrida, em consonância com a lógica material formal, possibilitando uma forte articulação argumentativa com vistas a obter a aderência do auditório (Julgadores), com uma conclusão bem “ancorada”.

(38)

UMA INCURSÃO AO PATHOS: O MÉTODO ARISTOTÉLICO DE DESCRIÇÃO DAS PAIXÕES E A RELAÇÃO HIERÁRQUICA

DELAS EMANADA

Valmir Ferreira dos Santos Junior Maria Flávia Figueiredo

O intuito aristotélico de sistematizar uma faceta da comunicação humana culminou em um profundo estudo sobre como a interlocução persuasiva se organiza. Dessa forma, Aristóteles, com sua obra Retórica, apresenta seu método descritivo das particularidades discursivas em âmbito retórico. Na obra aristotélica, são três as engrenagens fundamentais que, ao interagirem perfeitamente em conjunto, levam à persuasão do auditório: o ethos; o logos; e o pathos. O foco desta discussão reside no pathos, uma vez que ele remete à prova artística, como pontua Aristóteles, que lida com as emoções no âmbito persuasivo. Com este trabalho, será apresentada a categorização da descrição aristotélica sobre as 14 paixões em sua obra Retórica, com base nas três premissas fundamentais que o mestre estagirita apresenta. O filósofo pontua as características das afecções em uma perspectiva comparativa, com base nos três aspectos mencionados. Ademais, expõe que tal caracterização serve ao orador como um guia para o despertar das paixões. Além de apresentar a categorização mencionada, este trabalho também trará uma reflexão acerca da relação que o sujeito que sente determinada paixão constrói com aquele, ou aquilo, que desperta nele tal paixão. Essa relação detém caráter hierárquico, uma vez que sempre apresenta aquele que sente uma paixão de forma inferior, igual ou superior, em relação àquele, ou àquilo, que desperta tal emoção. Sendo assim, este trabalho abarca uma discussão acerca do método aristotélico na descrição das paixões e a proposição de uma quarta premissa a tal método, a relação de hierarquia criada pelas paixões. Espera-se que tal reflexão auxilie no estudo do conceito de pathos pelo viés aristotélico por propor uma descrição objetiva das paixões, focada nas três premissas mencionadas e por introduzir uma nova perspectiva para a temática.

(39)

AXIOLOGIA E DISCURSO PATÉTICO: UMA VIA DE MÃO DUPLA

Kathrine Butieri Luiz Antonio Ferreira

Neste trabalho, objetivou-se verificar, com base nos estudos de Aristóteles (1985), Scheler (2001) e Meyer (2007), se o discurso patético se infiltra em bens ou em valores sob a perspectiva da axiologia na análise retórica. Para respondermos a essa questão, definimos como objetivos específicos: refletir sobre os valores que predominam em uma sociedade na vivência de uma pandemia e verificar como o discurso patético se infiltra e é infiltrado pela axiologia. Ao demonstrar-se que axiologia e discurso patético são uma via de mão dupla, pôde-se considerar que, no estado de exceção pandêmica, a desestabilização dos valores alcançou um dilema ou um falso dilema. Portanto, com base nos estudos axiológicos de Ana Paula Pedro (2014), verificou-se que na primeira fase da quarentena imposta pela pandemia de Covid-19 (sigla de Corona vírus Disease, surgida em 2019), as paixões, “medo” e “coragem”, alteraram a percepção de “bens” e “valores” que constituem “vida” e “economia”.

(40)

O PATHOS MANIFESTO PELOS ARGUMENTOS RETÓRICOS NO GÊNERO DEBATE POLÍTICO

Romildo Barros da Silva Maria Francisca Oliveira Santos

Neste recorte de pesquisa, serão analisados os indícios retóricos deixados pelo

pathos ao longo das discussões e dos argumentos do gênero debate político

televisivo, provenientes das eleições presidenciais brasileiras, no ano de 2014. Este estudo faz parte de uma pesquisa de doutorado, em andamento, cujas pretensões iniciais centram-se no estudo funcional dos argumentos retóricos e na sua associação com elementos não verbais para a persuasão do auditório. No presente trabalho, será feito um recorte desse estudo, e as duas análises aqui apresentadas dialogam com os pressupostos de Aristóteles (2005), Mateus (2018), Meyer (2007), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014), Reboul (2004), Souza (2001), entre outros. O enfoque está na análise interpretativa e contextual dos indícios de construção do pathos pelos debatedores no momento em que elaboram seus argumentos persuasivos para o auditório televisivo. As observações iniciais revelam que há recursos salientes como a amplificação e a comparação que, de acordo com a ação persuasiva e o argumento utilizado, demonstram certas virtudes preferíveis por determinado debatedor. Tudo isso evidencia o quanto o pathos retórico é dinâmico e assume diferentes funções persuasivas. Dessa maneira, em gêneros argumentativos, como o debate, a constituição do pathos é um procedimento eficaz que, em parceria com outros elementos retóricos, pode promover a persuasão do auditório televisivo.

Palavras-chave: Argumentos retóricos; Debate político televisivo; Pathos;

(41)

O ESPÍRITO DE RAZÃO, VOZES DE MULHERES NEGRAS IMPORTAM

Eduardo de Souza Moreira Magda Aparecida Lopes Luiz Antonio Ferreira

Os discursos das sociedades do século XXI, marcados por conflitos sociais, buscam um posicionamento político e cultural por meio de argumentos que são portadores de emoções e rejeitam discursos que possam corromper sua história ou menosprezar suas conquistas. Nesse sentido, os discursos que abordam questões de natureza social revelam-se enfáticos, persuasivos e apresentam em seu contexto, especialmente, os sentimentos ira e paciência motivados por uma história de vida repleta de lutas e superação. Diante disso, nosso trabalho tem o propósito de analisar os aspectos argumentativos ligados ao logos, sobretudo, ao

pathos, na obra “O que é lugar de fala?”, de Djamila Ribeiro (2017). A abordagem

teórica encontra suporte nas contribuições de Aristóteles (2019), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2008); Samuel (2011), Ribeiro (2017) e Ferreira (2010). Apontamos que o discurso proferido pela filósofa resulta em uma análise que reflete a concepção de retórica contemporânea, a qual prioriza a oralidade, os valores éticos e morais.

(42)

A RETÓRICA DAS PAIXÕES EM MEIO À PANDEMIA: O PRONUNCIAMENTO PRESIDENCIAL ACERCA DO COVID-19

Dyenifer Gomes Lima Maria Flávia Figueiredo

O vírus COVID-19, que teve os primeiros casos confirmados na China no fim de 2019, alcançou disseminação global em fevereiro de 2020. No Brasil, o vírus fez diversas vítimas e suscitou o medo na população. Com o intuito de apresentar as medidas de combate ao vírus, o Presidente da República Jair Bolsonaro fez, em rede nacional, pronunciamentos que acabaram repercutindo mundialmente, não pelas escolhas na lide com a doença, mas pelo caráter de suas afirmações. Com base nesse contexto, do qual a teoria Retórica (campo do saber que ocupa o posto de teoria selecionada para o desenvolvimento de nosso estudo) retira grande proveito analítico, elegemos, como objeto de análise, o pronunciamento presidencial que ganhou maior repercussão da mídia e dos espectadores: o que foi proferido em 24 de março de 2020. Nosso objetivo é analisar tal discurso com base na retórica das paixões, descrita por Aristóteles, e na trajetória das paixões, proposta por Figueiredo, para avaliar as prováveis emoções por ele despertadas em seus diversos auditórios. Pautados no método fenomenológico, objetivamos compreender de que maneira tais paixões são possivelmente despertadas nos espectadores do vídeo, bem como demonstrar que a teoria retórica pode contribuir de forma profícua para a análise de material discursivo contemporâneo, que difere de forma estrutural e contextual dos discursos para os quais essa teoria foi sistematizada, aqueles proferidos na Era Clássica da humanidade. Por fim, esperamos que esta pesquisa nos permita compreender melhor o fenômeno discursivo elegido como objeto de estudo por meio da análise das estratégias retóricas nele presentes, que foram capazes de suscitar tamanha reação passional em seus espectadores.

Palavras-chave: Retórica; Paixões aristotélicas; Trajetória das paixões;

(43)

O MEDO E A ESPERANÇA: AS PAIXÕES HUMANAS EM THOMAS HOBBES

Antonio Marcos Conceição Liana Denise Pereira Souza

O presente trabalho apresenta uma análise retórica das paixões em Thomas Hobbes, com destaque ao medo e à esperança. O senso comum vincula Hobbes às conhecidas frases: “O homem é o lobo do homem” e “Os pactos sem espadas são palavras sem força”. No entanto, esse filósofo estudou as diversas paixões e fundamenta os seus ensinamentos na retórica antiga, especialmente em Aristóteles e Cícero. Do primeiro, traz a concepção de homem e, do segundo, a ideia do pacto que eles celebram para viver em coletividade. Por outro lado, Hobbes jamais se afastou da retórica que foi por ele conceituada como a arte pela qual se causa paixões nos ouvintes para ganhar a sua crença. Dessa forma, os cidadãos são movidos pela relação de antecedência e consequência entre o que se fala e o que se ouve, e, guiados pelas mesmas paixões, podem ser movidos em coletividade. Basta que o orador desperte o que satisfaz ou que causa aversão no auditório, conforme o que lhe interessa, e o poder da eloquência discursiva. A presença do medo e da esperança no discurso será apreciada nos textos de José Simão publicados no jornal Folha de S. Paulo, a partir do enfoque que Thomas Hobbes dá a essas paixões e nos ensinamentos de Aristóteles, Cícero, Quintiliano, Perelman & Olbrechts-Tyteca, Reboul, Meyer, Nakayama e Tringali.

(44)
(45)

A SENTENÇA JUDICIAL A PARTIR DO VIÉS DA RACIONALIDADE AFETIVA: A JUSTA MEDIDA ENTRE A RAZÃO ARGUMENTATIVA

E A ÉTICA DO CUIDADO

Márcia Silva Pituba Freitas Acir de Matos Gomes Luiz Antonio Ferreira

A sentença judicial pertence ao gênero discursivo por excelência, dessa forma, encontra-se situada na retórica judiciária e tradicionalmente é marcada pela racionalidade lógico-argumentativa que emana das leis, da jurisprudência e da doutrina. A partir de uma sentença judicial de emancipação, corpus desse trabalho, foram observadas marcas patéticas dispersas, o que significa uma mudança de paradigma. Por isso, analisa-se como essa renovação de paradigmas dominantes ocorrem a partir dos primeiros sinais de mudança de mentalidade e ação e trazem consigo impactos sociais decorrentes desse ato retórico. Observa-se, também, por meios das provas patéticas, um salto no contexto jurídico da contemporaneidade. Por isso, tem-se notado a inclusão de dados patéticos reveladores de contornos subjetivos, humanizados e afetivos no discurso jurídico. As paixões da indignação e da confiança, bem como das virtudes da coragem, da prudência e da justiça, são as paixões e as virtudes despertadas no juiz, ao elaborar a sentença analisada. Essa pesquisa foi realizada com base nos pressupostos teóricos da Retórica Aristotélica e da Nova Retórica, visa a conceituar e apresentar a racionalidade afetiva como uma forma de manifestação da racionalidade argumentativa aliada à ética do cuidado.

(46)

O ORADOR PSICO(PATHOS): UM PREDADOR VORAZ NA CIDADE

Jairo da Luz Silva Luiz Antonio Ferreira

Este estudo nasceu da sofrida experiência profissional com psicopatas e da análise desse tipo de orador que também tem a propriedade de levar o auditório ao entorpecimento e evocar as suas paixões menos dignas. Valemo-nos das teorias retóricas de base aristotélicas e da teoria psicológica e psiquiátrica. Principalmente, o livro de divulgação científica de Ana Beatriz Barbosa Silva (2014), que se tornou best-seller ao postular que: a maioria dos psicopatas não são doentes, são “predadores sociais” e “moram ao lado”. Estudar o sistema de manipulação do psicopata nos leva a entender muito mais sobre o sistema retórico. O método que o psicopata utiliza é parecido com o retórico, mas não é a mesma coisa. O estudo se torna interessante no contexto do tema central do Colóquio. O modus operandi do psicopata é muito mais eficiente porque nunca evoca paixões que vão contra aos valores do auditório. Já o orador retórico, com sua tese, pode não agradar o auditório. Na retórica, a alteração da percepção do auditório deve ser consciente e voluntária, por isso o leva ao estado de movere,

delectare e docere. De outro lado, o psicopata mergulha o auditório nas

profundezas irracionais e sombrias da sua alma.

(47)

UM PADRE CONTADOR DE CAUSO: UMA ANÁLISE SOCIOLINGUÍSTICA DO DISCURSO RELIGIOSO

Luciano Andrade de Sousa Maria Flávia Figueiredo

O homem sempre se depara com uma questão: O peso e o alcance de sua fala. As relações sociais multiplicam os efeitos desse dilema. A Linguística como ciência vem ao longo dos anos intermediando o diálogo entre o homem em sua capacidade comunicativa e a sociedade como lugar de interação. O presente artigo tem como objetivo analisar o discurso religioso à luz da Sociolinguística. Como objeto de estudo nos deteremos à pregação de Pe. Leo, sacerdote católico da Congregação do Sagrado Coração de Jesus. Mineiro de Delfim Moreira, faleceu aos 46 anos em 2007 na cidade de São Paulo. Conhecido em todo o Brasil Pe. Leo se destacou no cenário católico por sua particularidade em construir seus sermões com elementos de regionalismos, ou seja, a fala do “caipira” das áreas rurais inseridos em “causos” permeados pelo humor. Esses elementos acabam por atrair de forma eficaz a atenção dos interlocutores para a mensagem que deseja transmitir. Para tal análise, buscamos apoio em pensadores como Bright (1966), quando em seu artigo “As dimensões da Sociolinguística” estabelece as relações entre as variações linguísticas em uma comunidade e as diferenciações existentes na estrutura social dessa mesma comunidade. Destacamos Labov (2008) e Bagno (1997) quando tratam das variações linguísticas. Ademais, lançaremos mão das contribuições de Possenti (2002) acerca do humor na obra “Os humores da língua”, bem como os postulados de Jolles (1976) em sua obra “Formas simples”, quando descreve a forma artística “causo”. Como resultado, esperamos identificar na pregação de Pe. Leo elementos que corroborem os postulados linguísticos, nas suas especificidades, como o dialeto “caipira” que ambienta o “causo”, e o humor provocando emoções. Com isso o interlocutor é envolvido numa “atmosfera” linguística que potencializa a imaginação desarmando-o de possíveis defesas em relação à mensagem que se pretende passar.

Palavras-chave: Sociolinguística; Discurso religioso; Causo; Humor; Dialeto

(48)

A TRAJETÓRIA DAS PAIXÕES NA PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO

Luiz Alves de Souza Maria Flávia Figueiredo

Este trabalho aborda a Trajetória das paixões, proposta teórica de Figueiredo (2020), aplicada ao texto neotestamentário, “Parábola do filho pródigo”, do Evangelho segundo Lucas. Esse relato já foi examinado sob diversas perspectivas e, sob a ótica retórica escolhida, ensejou possibilidades analíticas profícuas. Figueiredo (2020) expõe que cada pessoa é marcada pelos seus antecedentes culturais e experiências de vida, por um repertório de comportamentos, sentimentos, ações ou reações (fase da disponibilidade) com os quais, consciente ou inconscientemente, pode se identificar ou não (fase da identificação), o que propicia ações decorrentes de paixões suscitadas. Este estudo objetivou aplicar a proposta teórica da “Trajetória das paixões” na mencionada narrativa, considerando os três estágios do pathos (paixão, mudança de julgamento, ação) que um orador pode adentrar para persuadir seu auditório, como apresentado por Aristóteles (2000) ou no longo prefácio de Meyer (2000), em Retórica das paixões, e nos seus desdobramentos propostos por Figueiredo (2020), com ênfase na fase de disponibilidade e identificação. As análises empreendidas mostram a complexidade da parábola sob a perspectiva escolhida. Foram identificadas treze das quatorze paixões aristotélicas e, considerando-se as paixões antagônicas, o repertório se completa. Todas as paixões encontradas decorrem de uma única em um indivíduo. A partir dessa paixão, por questões que também envolvem as fases de disponibilidade e identificação, há uma concatenação passional que afeta diversos indivíduos, o que ilustra a ciclicidade e o “magnetismo” das emoções humanas. As análises também mostram o potencial da aplicabilidade da Trajetória das paixões a textos testamentários.

(49)

A TOLERÂNCIA SEGUNDO O AMOR DE VOLTAIRE

Sorhaya Chediak Jackson Chediak

Este estudo aborda as imposições políticas, morais e religiosas segundo o amor de Voltaire. A proposta é analisar a retórica de Voltaire pela tolerância, com base na obra “Tratado sobre a tolerância” em comparação com a “Carta sobre tolerância”, de John Locke. O objetivo é refletir como Voltaire legitima a tolerância a partir de um fato histórico envolvendo católicos e protestantes. Para tanto, procuramos identificar o mecanismo de seletividade e formação do estereótipo do inimigo, na retórica dos violentos, bem como comparar a obra de Voltaire e John Locke como construção retórica do amor pela tolerância. Como caminho metodológico optamos por uma pesquisa de abordagem qualitativa, buscando analisar os fenômenos sociais, como discursos dos violentos, abordados nas obras, com base na pesquisa bibliográfica. Consideramos os estudos de Ferreira (2017) sobre retórica e persuasão, os de Mateus (2018) sobre pathos e os de Reboul (2004) sobre a argumentação. Como resultado da nossa análise, foi possível identificar o amor de Voltaire pela tolerância, bem como a retomada do discurso dos violentos respaldado em uma falsa premissa cristã.

(50)

PATHOS E ANÁLISE DO DISCURSO: UMA ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS DISCURSIVO-ARGUMENTATIVAS

NO PROJETO POLITIZAR GOIÂNIA – UFG

Rosângela A. R. Carreira Haryta Silva Queiroz

Este artigo apresenta uma reflexão sobre o patos aristotélico e seu papel no processo de argumentação e adesão discursiva, associando conceitos da Análise do Discurso e da Retórica em prol da verificação das estratégias discursivo-argumentativas utilizadas por sujeitos participantes do Programa de Extensão Politizar Goiânia – UFG para influenciar os participantes, tendo como corpus os vídeos divulgados pela mídia com o objetivo de analisar o papel da linguagem na constituição de um debate político feito por jovens em processo de letramento político na Câmara dos Vereadores de Goiânia. Trata-se de uma pesquisa qualitativo-interpretativista que tem como aporte teórico utilizamos Maingueneau (2005;2008;2010 e 2012), Perelman e Olbrechts-Tyteca (1996), Charaudeau (2016) e Aristóteles (1998).

(51)
(52)

PERSUASÃO E ARGUMENTOS RETÓRICOS:

A CONSTITUIÇÃO DO ETHOS EM LIVES DURANTE A PANDEMIA

Maria Francisca Oliveira Santos

Os estudos retóricos são de grande importância para a realização de eventos sociais, culturais e profissionais com evidências de melhor desempenho e proficiência da linguagem verbal, não verbal e imagética, quando da explicação das ideias e dos pensamentos por parte dos seus oradores (ethos). Em razão disso, este trabalho tem como objetivo analisar as diversas maneiras como cada orador (ethos) se apresenta, o qual está relacionado diretamente ao caráter demonstrado, com possíveis evidências de prudência, virtude e benevolência. A Retórica é entendida como a arte de convencer e persuadir o outro pelo discurso, no plano das ideias e das emoções, o que poderá conduzir o auditório à execução das intenções do orador. Esta investigação segue uma linha de pesquisa de abordagem qualitativa, com um olhar descritivo e interpretativista, observando os dados de maneira processual e dinâmica. Tomam-se momentos interativos de

lives em situações acadêmicas conduzidas por universidades públicas. O

trabalho está embasado nos referenciais teóricos de Aristóteles (2011), Abreu (2009), Breton (1999), Ferreira (2015, 2019), Marcuschi (2003, 2008), Meyer (2007), Mosca (2004), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014 [1958]), Plantin (2008), Reboul (2004), Santos (2018), entre outros. A relevância do trabalho se dá porque parte de um corpus diferenciado e propicia análises de diferentes manifestações do caráter dos oradores na função monologal/dialogal como expositores da temática proposta para um auditório virtual e na função dialogal quando respondem às questões suscitadas pela mesma temática, em um mesmo espaço virtual.

Referências

Documentos relacionados

a) Doenças pré-existentes ao período de viagem (vigência do seguro) e quaisquer de suas conseqüências, incluindo convalescenças e afecções em tratamentos ainda

(grifos nossos). b) Em observância ao princípio da impessoalidade, a Administração não pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, vez que é

nesta nossa modesta obra O sonho e os sonhos analisa- mos o sono e sua importância para o corpo e sobretudo para a alma que, nas horas de repouso da matéria, liberta-se parcialmente

No entanto, maiores lucros com publicidade e um crescimento no uso da plataforma em smartphones e tablets não serão suficientes para o mercado se a maior rede social do mundo

3.3 o Município tem caminhão da coleta seletiva, sendo orientado a providenciar a contratação direta da associação para o recolhimento dos resíduos recicláveis,

Neste estudo foram estipulados os seguintes objec- tivos: (a) identifi car as dimensões do desenvolvimento vocacional (convicção vocacional, cooperação vocacio- nal,

Se você vai para o mundo da fantasia e não está consciente de que está lá, você está se alienando da realidade (fugindo da realidade), você não está no aqui e

A motivação para o desenvolvimento deste trabalho, referente à exposição ocupacional do frentista ao benzeno, decorreu da percepção de que os postos de