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Carta para Gregor Mendel Vivian Lavander Mendonça e Sônia Lopes (agosto 2002)

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Carta para Gregor Mendel

Vivian Lavander Mendonça e Sônia Lopes (agosto 2002)

TEMA

História da Genética

OBJETIVOS

Realizando esta atividade o estudante poderá estabelecer relações entre as idéias pioneiras do monge Gregor Mendel sobre a herança de características e como elas foram comprovadas com estudos posteriores do núcleo celular e das biomoléculas. O estudante poderá compreender que:

• o modelo proposto por Mendel realmente explica muitos casos de herança biológica e foi confirmado muitos anos após a sua morte pelo estudo dos cromossomos e dos processos de divisão celular;

• as mudanças de paradigma na ciência são processos lentos e contínuos, relacionados ao contexto histórico e cultural da época.

ESTRATÉGIA DE ENSINO

Esta atividade foi planejada pensando-se em sua aplicação em duas situações distintas: como uma forma de avaliação ao final de um conjunto de aulas sobre Genética ou como uma proposta para o desenvolvimento de um projeto de pesquisa. Para os dois casos os princípios básicos e os procedimentos citados a seguir podem ser fornecidos aos alunos como uma orientação e base geral sobre a atividade. Como proposta de pesquisa os alunos podem procurar informações sobre o tema em várias fontes como livros e Internet. Para professores, há um site interessante, em inglês: http://www.discoveryschool.com.

PRINCÍPIOS BÁSICOS

O monge Gregor Mendel (1822-1884) realizou experimentações com ervilhas cultivadas em seu jardim, no mosteiro de Brûnn, na Áustria (atualmente Brno, na República Tcheca). O trabalho de Mendel, apresentado em 1865, passou despercebido pelo mundo científico, pois aproximadamente na mesma época Darwin apresentava sua teoria da seleção natural, atraindo todas as atenções dos pesquisadores. Apenas em 1900, três cientistas – o holandês Hugo de Vries, o alemão Carl Correns e o austríaco Erich von Tschermack –, trabalhando de modo independente, reconheceram e confirmaram as idéias de Mendel.

Mendel postulou que a transmissão dos caracteres hereditários era feita por meio do que ele chamou de fatores, que se encontravam nos gametas. Atualmente, os fatores mendelianos são denominados genes. As idéias de Mendel, hoje conhecidas como as leis de Mendel, são a base das atuais noções sobre os mecanismos de transmissão de caracteres hereditários e

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a base das atuais noções sobre os mecanismos de transmissão de caracteres hereditários e derrubaram os conceitos errôneos de herança pela mistura de sangue, como se acreditava na época.

No intervalo de tempo entre a publicação do trabalho de Mendel e seu redescobrimento em 1900, muitos avanços aconteceram no campo da Citologia. Os cromossomos e outras estruturas celulares já haviam sido observados ao microscópio de luz, e os processos de divisão celular, por mitose e meiose, já haviam sido descritos. O cientista Morgan e seus colaboradores, em 1910, realizando experimentações com a mosca Drosophila melanogaster, formularam a teoria cromossômica da herança, segundo a qual os genes estão localizados nos cromossomos.

PROCEDIMENTOS

Escrever uma carta para Gregor Mendel explicando-lhe a relação entre seu modelo sobre herança das características (1ª e 2ª Leis) e os genes, cromossomos, núcleo e meiose.

AVALIAÇÃO

Para avaliação desta atividade deve-se analisar se os objetivos foram atingidos. Se o professor perceber que há dificuldade por parte dos estudantes em escrever uma carta, faça mais atividades desse tipo utilizando outras propostas de tema (veja em VARIAÇÕES E SUGESTÕES ou a atividade: Carta para Sir Charles Darwin), para que a capacidade de expressão escrita seja estimulada nas aulas de Biologia.

VARIAÇÕES E SUGESTÕES

Pode-se sugerir aos alunos que discutam em suas cartas o chamado determinismo genético. Segundo as idéias deterministas, a informação contida nos genes e a herança de certas características são decisivas na determinação do fenótipo das pessoas, incluindo aí comportamentos, preferências sexuais ou o desenvolvimento de doenças. No caso de muitas características, é a herança genética que realmente explica o seu aparecimento (cor dos olhos, por exemplo). Mas a influência do meio no qual o indivíduo se desenvolve pode interferir no surgimento de um fenótipo.

Discuta esta questão com a classe – no anexo encontram-se reproduções de algumas reportagens tratando de casos que ilustram a idéia de determinismo genético. Depois, peça aos estudantes que contem a Gregor Mendel como a Genética é muitas vezes interpretada pela sociedade do século XXI.

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ANEXO

O mau uso do teste

A idéia de medir a inteligência por meio de testes foi levantada pela primeira vez por Francis Galton (1822-1911), primo do naturalista britânico Charles Darwin. Mas foi o psicólogo francês Alfred Binet (1857-1911) quem concebeu o primeiro teste oficial em 1905. Sua intenção era entender as dificuldades das crianças na escola. Alguns anos depois, seu teste foi adaptado por norte-americanos e ingleses para medir o quociente intelectual dos recrutas no exército. Na década de 1920, o QI serviu para discriminar os imigrantes. Como os testes dependem de fatores culturais, algumas questões “fáceis” eram indecifráveis para os estrangeiros. Hoje, os testes são aplicados apenas em casos específicos, para avaliar deficiências cognitivas de crianças. Mas ainda conservam seu status. Aqueles com médias altas de QI criaram associações de “gênios” para discussões e trocas de idéias.

(...) Inteligência não é destino e a História está aí para provar que nem tudo na vida está ligado aos genes. Teorias deterministas já foram usadas para reforçar preconceitos, como no caso do livro The bell curve (A curva do sino, 1994), dos pesquisadores Richard Hernstein e Charles Murray. No trabalho, os autores cruzaram resultados de várias pesquisas sobre QI e concluíram que, em média, asiáticos e brancos têm quociente de inteligência superior ao dos negros e latinos e que isso se deve a fatores genéticos, já que pessoas da mesma cor, mas de contextos sociais e culturais diferentes, apresentaram resultados aproximados.

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Apartheid biológico

Informações sobre doença hereditária e mal congênito desencadeiam nova onda de discriminações

No intervalo de uma reunião de trabalho, em algum lugar dos Estados Unidos, a assistente social Kim deixou escapar um comentário que lhe custou caro. Disse aos colegas que sua mãe sofrera da doença de Huntington, mal degenerativo que afeta o sistema neurológico, provoca demência e leva à morte. Pelas estatísticas, Kim teria 50% de chance de desenvolver a doença e outros 50% de probabilidade de ter uma vida saudável e jamais manifestar os sintomas que mataram sua mãe. Seus empregadores resolveram não apostar no risco e demitiram a funcionária.

Num caso ainda mais emblemático de discriminação genética, Terri Scargent foi dispensada de uma empresa de seguros da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, por causa de seu histórico médico, apurado no exame de rotina feito pelos empregadores. No sangue ela carregava um gene defeituoso que a tornava suscetível a doenças respiratórias, uma herança de seus antepassados vikings. Descoberta no início, a doença pôde ser contornada. Terri tratou-se com remédios, dieta e exercícios. Voltou a ter uma vida normal, mas não foi o bastante para consquistar o cargo de volta.

Terri e Kim são apenas dois exemplos de um mal social que surgiu com o avanço da ciência, mais particularmente da biotecnologia. De acordo com o centro americano de saúde pública Shriver, em Massachusetts, há registros de pelo menos 582 casos de pessoas rejeitadas para oportunidades profissionais ou pelo plano de saúde por conta de suas “falhas” genéticas.

Num artigo recente, o jornal inglês Guardian Weekly revela que existem pelo menos 200 queixas formais de discriminação por motivos genéticos nos EUA. Cada vez mais perto de desvendar toda a seqüência de genes que constituem o código genético do ser humano, a ciência deixa à mostra sua porção mais vil. “O mesmo conhecimento que pode levar a um melhor diagnóstico e a tratamentos mais eficazes de determinadas doenças também pode ser usado como motivo para discriminação”, diz o professor John Barranger, chefe do departamento de genética humana da Universidade de Pittsburgh. Uma das maiores autoridades mundiais em terapia gênica, o professor Barranger foi um dos pioneiros em tratar (e curar) pacientes que sofrem da doença de Gaurcher (fala-se “gochê”), mal genético transmitido de pais para filhos, com grande

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possibilidade de tornar-se uma das primeiras doenças tratadas por manipulação genética no mundo. “Sabemos que é possível inserir um gene modificado no sangue do paciente e com isso alterar toda a informação genética de seu organismo”, explica o americano Barranger. “Em tese, nada impede que uma empresa ou laboratório use esse dado em seu próprio interesse”, afirma o professor.

Ética – Numa época em que a singularidade genética do indivíduo pode representar uma porta aberta para o preconceito, o desafio está em definir fronteiras e estabelecer limites éticos para evitar que o conhecimento científico seja usado para fins escusos. Para ficar apenas num exemplo, vale lembrar a polêmica lançada em 1995 com a publicação do livro A curva do sino (Thebell curve), dos escritores Richard Hernstein e Charles Murray. Os autores estabeleciam ligações entre o comportamento, a classe social e a origem genética da população. Numa de suas teorias mais polêmicas, eles sugeriam que os hispânicos e os negros seriam menos inteligentes do que os asiáticos.

Referências

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