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PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 038/2011
Institui a Comenda do Mérito Legislativo “Professor Hermann Berger” para agraciar os imigrantes pomeranos e seus dependentes
A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
DECRETA:
Art. 1º Fica instituída, no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, a Comenda do Mérito Legislativo “Professor Hermann Berger” para agraciar os imigrantes Pomeranos e seus descendentes.
Art. 2º A Comenda do Mérito Legislativo “Professor Hermann Berger” será concedida a 10 (dez) personalidades, em sessão solene da Assembléia Legislativa, a ser realizada anualmente, de preferência no dia 28 de julho ou ainda em qualquer outra data.
Parágrafo único. A entrega da Comenda poderá ser feita através de solenidades culturais e religiosas fora do ambiente da Assembléia Legislativa.
Art. 3º A Comenda do Mérito Legislativo “Professor Hermann Berger” também poderá ser concedida in memorian às personalidades que tenham atendido os requisitos desta Resolução.
Parágrafo único. No caso previsto no caput deste artigo, a Comenda será entregue aos descendentes do homenageado.
Art. 4º O prazo de indicação da personalidade a ser homenageada será de até 45 (quarenta e cinco) dias antes da data estabelecida para a solenidade de entrega da Comenda.
Art. 5º A Comenda do Mérito Legislativo “Professor Hermann Berger”, será ortogada por iniciativa da Comissão de Cultura, aprovada em reunião da referida comissão, por maioria de seus membros.
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Art. 6º No caso de não haver indicação por parte dos Deputados, o Deputado proponente da sessão solene poderá indicar o numero de comendas que alcancem o total de 10 (dez).
Art. 7º Esta Resolução entrará em vigor na da de sua publicação.
Palácio Domingos Martins, em 17 de outubro de 2011.
ATAYDE ARMANI
DEPUTADO ESTADUAL - DEM
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JUSTIFICATIVA
A imigração pomerana começou no Sul do País, em 1824. Mais tarde, na década de 1840, teve início no Espírito Santo.
Para esta região não vieram apenas alemães. Inicialmente, vieram “alemães do Reno, das elevações do Hunsrueck” (Wagemann, p22). Isso foi em 1847. Mas logo se juntaram a eles suíços, franceses, sardos, tiroleses, holandeses, luxemburgos, belga, ingleses e outros. Era um sinal de que a crise se alastrava por toda a Europa.
Os colonos pomeranos tiveram muitas dificuldades até chegarem a Santa Maria de Jetibá, pois nem tudo correu como planejavam. Os Pomeranos embarcavam no Porto de Hamburgo nos navios Guttemberg, Anne Helena, Maria Heydon II, Adolph, Doctor Barth e Hainan. O itinerário era o seguinte: do Porto de Hamburgo aportavam em Vitória de onde eram transportados para o Porto de Cachoeiro e daí partiam para Santa Maria de Jetibá.
Os Pomeranos ficavam hospedados na cidade de Altona, próximo ao Porto de Hamburgo onde embarcavam. Depois de longa viagem marítima (cerca de sete semanas) aportavam em Vitória.
Chegando a Vitória eram alojados na hospedaria Pedra D’ água (onde se localiza a penitenciaria) na ilha da Pedra D’água, situada na baia de Vitória.
Da ilha de Pedra D’água em Vitória, eram transportados para o Porto de Cachoeiro em Canoas, via Rio Santa Maria da Vitória.
Do porto de Cachoeiro partiam para seus “prazos”. Os homens chagavam a pé, abrindo picadas através da floresta. As mulheres e crianças nos lombos de burros.
A colonização do município de Santa Maria de Jetibá começa por volta de 1857 com a chegada dos primeiros pomeranos. Em 1858 e 1859 chegaram mais algumas dezenas. Muitos viram em 1869. Mas a maior parte chegou em 1872 e 1873.
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No ano de 1872 a família de Fritz Klems subiu o Rio Santa Maria de barco, até a localidade de Porto do Cachoeiro, na Colônia de Santa Leopoldina. De lá seguiu em lombo e a pé até a localidade chamada Baixo São Sebastião de Belém.
Foi à primeira família de luteranos que chegou a esta região. Encontraram aí algumas famílias católicas, que já haviam construído um pequeno templo, com torre e sino, que tinha como padroeiro São Sebastião. Daí o nome da localidade.
Seguiram-se a ele muitos outros como: Eduardo Holz, Guilherme Foesch, Carlos Boldt, Agusto Henke, Germano Holz, Guilherme Kruger, Julio Vésper, Hermann Berger. Além destes vieram centenas de famílias, que tinham na casa de Fritz Klems um ponto central de onde eram encaminhados para suas respectivas terras. “A casa de recepção” para imigrantes.
A primeira construção especialmente feita para servir de escola foi também usada como igreja. Apenas uma pequena cruz marcava o lugar de reunião da comunidade. “Belém” foi o nome dado à capela, nome que lembra o lugar onde nasceu Jesus Cristo.
A família Berger saiu de Sollingen, Rheinland – Pfalz, - Renânia na Alemanha, no ano de 1860. Com apenas 25 anos de idade Hermann Berger, filho de Peter Wilhelm Berger e de Maria Catharina W. Berger.
Com sua esposa Juliane Amálie Bracken, desembarcaram no Porto de Vitória em 11 de dezembro de 1872 do Navio Diligente. Porém antes de chegarem aqui no espírito santo passaram por Santa Catarina, por volta de 1860 e lá ficaram até 1866, quando se dirigiram a Fazenda de Santana, no Rio de Janeiro, onde ficou até 1872, só ai então subiram o Rio Santa Maria da Vitória até Santa Maria de Jetiba.
Chegando ganharam um pedaço de terra do Governo para morar e trabalhar.
Tiveram 11 filhos e aproximadamente 90 netos. Fixaram residência em São Sebastião de Belém onde Hermann Berger trabalhava como agricultor e ensinava
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os jovens a ler, escrever e cantar (canções dos hinários), vindo a falecer em 19/06/1913 aos 78 anos.
O Sr. Hermann possuía uma fábrica de cerveja, hoje será construída a 3ª casa comunitária da comunidade. Ainda existem vestígios no local comprovando o funcionamento desta fábrica (garrafas quebradas são encontradas enterradas no barranco ao lado).
Em Abril de 1957 foi indicada a primeira professora pelo governo Estadual para a região, a senhora Ehny Arnholz, que lecionou por um longo tempo nas dependências da Comunidade.
Somente no ano de 1961 foi construída a primeira escola, área cedida por Henrique Boldt. Anos se passaram, a comunidade local cresceu, e ao mesmo tempo a necessidade da ampliação da escola, mas o que não se previu, que o futuro tão próximo fosse exigir da sociedade local, a reflexão sobre ampliação da rede física que atendesse ao nível de primeiro grau completo. O pensamento transcorria na veia de cada cidadão, mas não havia ninguém que tomasse a iniciativa. Chegaram à conclusão da necessidade de uma Escola de Primeiro Grau, no dia 29 de Janeiro de 1993, durante reunião da Diretoria da Comunidade Luterana e Secretário Municipal de Educação, em que foram colhidas idéias e sugestões e ao mesmo tempo a Comunidade Local cedeu uma área de 2000 metros quadrados para a construção do novo prédio Escolar.
No final do ano de 1993, a Secretaria Municipal de Educação pediu que fosse feito o levantamento de alunos com interesse de iniciar a quinta série no ano de 1994, chegou-se na felicidade de conseguiram abrir uma turma matutina e outra noturna.
Durante todo esse processo houve várias reuniões com os pais, quanto a melhor maneira e local da Escola. A escolha do nome da escola foi por meio do Sr.
Hermann Berger ter sido um idealizador na educação, por ter se dedicado para que as pessoas pudessem aprender algo, motivo que levou a homenageá-lo.
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Para a felicidade da comunidade, veio à consagração no ano de 1996, a construção do novo prédio Escolar iniciado em Março e concluído e inaugurado no dia 24 de Novembro de 1996. Podemos dizer que valeu todo empenho e luta que foram travadas com este objetivo. Em 2002, o nome da Escola passa a ser denominada Escola Estadual de Ensino Fundamental “Professor Hermann Berger”.
Em 8 de março de 2007 a nomenclatura da escola passa a ser Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio “Professor Hermann Berger”.
Portanto, por uma questão de justiça a esse povo trabalhador que desbravou nossas terras, fundando vilas, deixando para nós o legado de suas tradições culturais, a instituição da Comenda Mérito Legislativo “Professor Hermann Berger”.