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BIBLIOGRAPiliA PORTUGUEZA

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Academic year: 2022

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(1)

BOLETIM

BIBLIOGRAPiliA PORTUGUEZA

Obra protegida por direitos de autor

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Obra protegida por direitos de autor

(3)

COLLABORADORES

Antonio Francisco Barata.

Dr. Augnsto Fillipc Simões.

Augusto 'Mendes Simões de Castro.

Ernesto do Canto.

Fernando Castiço.

Francisco Antonio Hodrigncs ele Gusmão . .Toão Con-êa. Ayres de Campos.

José .Joaquim ela Silva Pct·cim Caldas.

Manuel Bct·nardcs Branco.

Dr.

Theophilo Bmg-a.

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Obra protegida por direitos de autor

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BOLETI~i DE BIBijiOGRAPHIA

PORTUGUEZA

Vol. 1.0

Janeiro de 1879

N.0 1

O Uolctil:1 de J:iblão;;r·a1•hia Portugucza publica-se uma vez mensalmente. Cada numero se compoe de dezeseis paginas em for- mato de oitavo maximo. Doze numeras formam um volume. Sô se admittem assignaturas para doze nurueros (um volume), cujo pagamento deve ser feito adiantadamente.

Preço de cada volume, tanto para Portugal como para fôra, iti500 réis.

O escriptorio da redacção c administração é na villa da Louzan (cor- reio do Coimbra), para onde deve ser dirigida toda a correspondencia relativa a esta publicaçao.

DUAS PALAVRAS

De ha muito que entre os poucos bibliophilos do nosso paiz era geralmente sentida a falta. de um jornal de Libliographia, modelado por alguns dos que vêem a luz ua França, na Belgica c na Allclllanha; mas, apczar de se reconhecer essa falta, ningucm atú hoje tinha. tomado :>!)Lrc si o encargo de preenchei-a.

l'rincipiamo:; hoje a puLlicaçào d'um jornal d'csta im1olc1 cer- tos de que nilo pa:>sar{L d'um ensaio, julgando-nos muito felizes se couscguirmos snstental-o um auuo. Fica d'csta forma á dispo- siç;?LO dos amigos dos livros, com cuja dedicada collaLoração con- tamos, um pequeno pcriodico, que, sem uada promettcr, se cs-

for~ai'1Í. comtudo por se tornar interessante c curioso, como rcpo- sitorio de noticia:; bibliogi·:tphicas.

Nilo nos fi.litc a coopcraçilo tlos Libliophilos, que a boa von- tade é de ~obra no redactor.

(F. T.)

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2 DOLETDI

I

Uma Carta de Sá de Miranda

Quem examinar certos livros, que, :í primeira vista, parecem ter apenas uma importancia secundaria, nem sempre dad por malbaratado o tempo qnc n'isso empregar.

Quantas novidades, quantas surprczas para os verdadeiros bibliophilos, não são frequentemente os resultados destas inda- gações? Pelo que nos respeita, se algumas vezes nada colhemos, qnc valha uma simples nota, muitas mais temos descoberto ver- dadeiras curiosidades, e noticias de interesse para a nossa histo- ria bihliog1·aphica c littcraria, qnc bem longe csbwamos de snp- pôr que existissem cm certos livros. Encetamos hoje n'cstc jornal c subordinados epigmphc gemi de Analecta biblion) uma scric de artigos nos qnaos, passando cm revista algumas obras cscri- ptas cm diversas lingnas, reuniremos o que ncllas encontrarmos de immcdiato interesse pam a nossa bibliographia c littcratnra.

Daremos a primasia a um liv1·o, onde, se nos deparou mna peça poctica cm quintilhas do nosso celebre poeta Dr. Fran- cisco de S:\. de ~Iiranda qnc jnlgmnos desconhecida, pois, alem de a não acharmos inclnicla nas edições gc1·acs c pnrciacs das obras deste poeta, que temos :í vista, c que são as de 1804 (rep>·odncção da primeira, Lisboa por :Manuel de Lyra, li">D0), a de 1677 Lisboa :í custa de Antonio Leite, c a de 1784 feita pelo cdictor Rolland (copia da ele 1614, Lisboa por Antonio Alvares c augmcntada com as comedias), tambcm dclla não encontramos menção alguma no trabalho mais completo que J10s- suimos acerca de S:í de .Miranda, c da sua eschola, que f:tz pm·tc da Historia da litteratura p01·tuglleza do erudito 11rofcssor do Ctu·so superior de lettms 81·. D1-. Thcophilo Braga, o qual nada deixou de approvcitar do qnc encontrou acerca da nossa historia littcraria.

V amos descrever o livro, c depois transcreveremos fielmente a pocsia1 o os commeutarios a cada uma dns qnintilhas :

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DE DIBI,IOGRAPIIIA PORTUGUEZA

MEMORIAL

DEL 1\IARQVES DE

l\ION1'EBELO

Brazão d'armas

"""

aberto em chapa ;de .metal

- - - y - - -

Ailo. 1\I.D.C.XLII

3

4.0 s. I. nem nome d'imprcssor, que snppomos ser de Madrid, de vr. iun. 2!)8 pag. Contem-se nas pag. preliminares sem nu- meração, alem do rosto, uma folha com o escudo dos l\Iachados t

aberto a bm·il tendo no alto da pagina as seguintes palavras impressas: Estas sun U1s 11rimeras armas de qzw vso la familia de 1llaclwdos, e na terceira as erratns.

Na pag. 24~ encontra-se a seguinte carta de S:í de l\Iimudn que se declam ser e:;cripta a seu cunhado l\Ianuell\Iachndo de 1

Azevedo (o mesmo cuja vida esereyeu o author d'este 11Iemo1·ial) en 1·espuestct, seynn se colige, de otra en que le pedia escreviesse algo de Pamilias:

I IIe Senho1· [jl'amle tmóallw Escrever de Ge1·açoens, Nem todos swn Scipioens ; E podem cheirar ao alho, Ricos lwmes, e Infançoens.

l Este escudo é diverso do que se encontra frente da Vida de Ma- mul Machado ele Azevedo, cscr1pta pelo Marque~ de Montebelo Pclix:

llluchado da ~ilva Castro Vasconccllos, c imprc~aa cm Madrid, por Peelro

&urciu ele Paredes, ll.itiO, ·.1."1 sendo este o de que lidaram os .\bchados depois tia reforma de D. ,\lanucl, c que consi:~tc cm cinco machados de prata com os cabos de ouro, postos cm santor, cm campo vermelho : tim- l>rc, dois machados cm aspa, atados com torça! vermelho, c compondo-se o de qnc se falia no texto ~~1ue é o primitivo) do trc:~ machados postos cm roquete, cm campo vermelho, com nove torres cm orla, c por timbre dois muchuuos cm aspa.

As que traz A. de Villas Boas Sampaio, n:t Nobiliarclda Porlugueza, dill'crcm um pouco dus dcscriptus cm pnmciro logat·, porque diz que a côr do torça! que ata os machado:~ do timbre, é verde. u~ lieraldicos saberão de que lado está. a verdadeira côr1 ou se ambos são genuínos, o que tambcm pode dur-se •

• •

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4 DOLETI!II

II Se dizeis ve1·dade a todos, De nenhii estais segm-o :

Que não ha sangue tam ]ntl'O,

Nem para Avós tantos Godos, Que hã nam ache no mõturo.

III Esc1·eve1· cont louvaminhas Não he minha p1·ojissam;

Ti-l·ar unhas ao Lewn Pw·a polas nas galinhas

Out1·os o façam, que eu nam.

IIII No tempo dos Reis p1·ilnei1·os Era a corte nestes montes.

Vim beber de suas fontes, Que há lá por baixo atolfd1·os Q1ce nwn tem bw·cas ne pontes, V Dinheiro, o.fjicios, p1·ivcmças

A ?Wb1·eza nos desierl'lt : Judeus e lllouros (((Í tel'l'a, Nos t.mzem suas lianças,

Que he nesta paz mayor guel.,.a.

VI Estes querem tingir i uclo Com pode1' mais sobemno : Quem. nam veste do sen pano

Convemlhe jaze1·-se mudo Por evitm· 71W!JOI' dano.

VII Os del-Rey Sancho guw·day Que bom testemunho dão : Cante a C1:gan·a o Vm·ão llfas o Inve7'1lo lhe aguarday

Que vos vi1·am te1· aâ mão.

VIII Entwn sen~ cõtmdiçoens Vossos A·cós most1·m·eys

Que Reys de1·ãm, e j(JI'am Reys:

Deixai-lhes dow·a1' brassoens, Que vos lhos desdourareys, IX Se nove Ton·es th·cmcm

Que guardavam ires 1lfachados, Com dous maes bem vos pagcmcm;

Pois 1'arres Novas entraram llfartint co' os quab·o c1·iados.

X Se o Primaz os ajudou, Com úiformaçoes e1Tculas;

Outro Primaz noB deixou,

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DE BIBLIOGRAPIIIA POUTUGUEZA

Pm· suas cartas firmadas~

O que Sancho confesson.

XI

Por mais que queirwn~ Senlw1·~

Nada vos hwn de empecer : · Que 11wn leva o .fugador~

l'tlaes paos po1· ?llltes se torce1·~

Se lança a bola peor.

5

aEn h primcra copia mucstrn. este Caton Portugucs quan pre- judicial cs cl cscrivir Gcncrncioncs, por ln. dcsigualdad que cn nmchas ay de los Almclos.

«En la. scgundn. qnunto ln. vcnlnd cs odiosa: los pocos amigos que adquicre1 i lo que el ticmpo lcvantn. los hombres i Famílias.

<<Quiso dczir cn ln. tercem, que no professava lisonjas, ni cs convcnicncia atribuir esplendores de valor a aquellos que por opucstos n. c) cst:\n Cll olvido de la fama.

<<~Iucstra cu la quarta, como tuvo principio la Corte Portu- g-uesa cn la Cindad de Brngn, i Villa de Guimarães1 ticrra mas montnosa que la domas dei Hcyno, ele donde todo lo rcstãtc dei se ha conquistado: por cnyo rcspcto alli se hallan los primcros i mas antiguos Solares de Portugal, i de mucha parte de Espaiia.

El dczir que se fnc a beber de sns fncntcs, cs que busco para easarsc ln. sangre desta Casa de :Machado por limpia i clara, como lo era ln. Dofia Briolanja de Azm·cdo, l1ija de Francisco nlnchaclo, cl primcro, i terccro Abnclo dei ~farqucs de Monte- belo. I como ln. ticrra de Lisboa cs reputada por mas baxa, quo ln. de Entre DuCJ·o i Mii1o i ya en aqnellos tiempos dcscõpõdria cl dinero a alguna noblcza, como suelc: llama a aqucllos desai- res dei intcres, Baxos, Pantanos, de la linpicza, intrntables, sin barcas, ni pncntcs a los qnc cstiman mas la sangre de sus dcsccndicntcs, que sus proprins ri(1uczas i comodidades .

. a:\Iuestra. cn la quinta, cl poder qnc las riquezas tienen para contrastar a la Noblcza, los oficios superiores, i las privnnças de los Príncipes, cuya mnbicion produze monstruozos cnsmnictos:

i que como pocos aiíos antes se avian admitido cn aqucl Rcyno los Hcbrcos, podrian con cl ticmpo, por sus grandes logros i ri- quezas, removedores de la guerra, i inquietadores de la feliz paz, que cn nquclla sazon passeia cl Hcyno de Portugal, dcscompo- ner a esta, i provocar a aquella.

«En la sexta avisa quan dailoso cs a los Rcycs, Noblcza, i Republica, cl ocupar gente semcjnntc grandes Jogares i pucstos, para q11c estas no scan atropclladas, i a(lucllos mal servidos, i que cs convcnicncin. cl callar faltas a los Superiores, por no per-

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DOLETIM

der su gracia, ni padecer los castigos de su veng:mça, vna vez qne no cõviene mezelnr eon ellos su sangre para tenellos propí- cios, vistiendo de su mismn librea, i faltas sus descendientes.

«Aquello de dezir en ln sctimn, que guarde :Manuel l\Inchado los paiios o tapizcs clcl Sefior llcy Don Sancho, pnrn testigo de su ascendencia, considerada ln clausula de su testamento, refe- rida por el Doctor Fmy Antonio Br:mdmn ~Ionnrchin Luzitmw.

p. 3) cn que tmtn de tmos tapizcs qne tenin cn ln. ci11dad de Coimbra, i manda disponer dcllos para sns Legados : i siendo ci Arçobispo eJecto de Braga, nna de las personas a qnicn encarg() ln satisfaeion de su alma, dá clm·ns mncstres, con lo qnc adclante se referirá de ln vivn trndicion que avia en aquclla casn de ser dados por herencin i satisfacion a l\fnrtin l\Iartincz l\facl•ado, por cl Arçobispo de Braga. Acomoda cn esta copia ln fnbuln de ln horrnign i ln cigan·n ai V ernno de los V ali dos de nqucl ticmpo ; que olvidndos dei Invierno de s11s cnidas, i de ln esterilidad de las priv:tçns, !1 cõ la demasia da calor dei Sol, representado }JOr cl Príncipe, n vezes snele secar-se el ArLol de sns sicpre verdes esperanças, alçavan ln voz cn tono descompncsto, pudicndo de moderadas pnlnLras lulzcr mayo1· tesoro, solicitando cl animo de la Republica, que las I-Iormigns simLoliçan.

«Aconscja en la otava, que mmquc scn valor, no dcxn de ser grnn yerro, qrcrcr mostrar quicn os el que estú desvalido, teniendo de sus cnmlos ocupados los S11periores lugares, i que la mentira en estos, i la vcrdad en aqucllos corrcn dudosas parcjas : i mHcs- tra como de los Solnres dei l\larqucs de l\fontebello dcsciendcn Reyes i por descendicntes de Hcyes f11eron f.'lLricados: i aeonsqja a :Manuel l\fnclwdo, que findo en cllo dexe blasonm· a los que se lo oponen, i que en ticmpo mas oportuno poder:í, contrmlczirlos.

aClnrnmcntc se vé de la nonn. copia, ln mudança lplC lmvo cn las armas desta Familin, i qnc la ocasiõ de tomnrlns fne cn la Villa de Torres V cdras, i no en Snntarcn, ni LisLoa, como

Losnda i otros dizcn. ·

«V esc de ln dezimn, que el Arçobispo que era de Braga enton- ces, devia dar algnna informacion a los G<>ncalogiRtal', i n. los que rcformarõ las armas cn nqnel tiempo, i se sospccha altcm-· ron mucho el escrito del Conde Don Pedro. De lo ultimo desta copia se colige con mncha claridad, que ocultamente cl Seilor Roy Don Sancho dcxó nl ArçoLispo EJecto de Bmg:t declarado cn sn confcssion, qnir::i por no poncrlo en sn testamento, qnc de Dona l\Iuria .l\foi1iz 'l'in de Dorm .l\Taria Pacz ele HilJcra, tcnia n Martin Martinez por hijo.

aConpara en ln ultima, los que cscrivcn eon mucha mnlicia,

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DE DIDLIOGRAPIIIA PORTUGUEZA 7

o con poca certeza, al jugador de los bolos, que por mas que tucrçam, unos las razoncs, otros cl cucrpo, haze la vcrdacl su c:unino, como la bola cn cl qnc la jucga, por mas que se tucrça clcspues de averla cchaclo mal.»

O autor do lin·o de onde acabamos ele fazer este extracto, Felix Machado da Sih-a Castro Vttsconcellos, foi incluído por Diogo Barbosa l\Iachado na sua Bibliotlwca Ltt.çitana} a pag. G c 7 do 2.0 Yol. e ahi é dcscripta e compaginada esta obra, bem como a Vidrt de .Jl!mwelJl[aclwdo de Azevedo} de que f.1lamos em a nota. No Dicc. Biól. de I. F. da Silva, apenas se d:í conheci- mento d'csta ultima, não se mencionando o .Jliem01·ial que bem merecia ser lembrado pela circumstancia que apontamos. Lem- bmmol-o porém nós, não só por essa mesma circumstancia, mas ainda porque os antepassados do i.\Iarqucz de Montebelo foram senhores da Villa da Lonzau (onde é redigido este jornal) pelo casamento de Pedro 1\fachado com D. Igncz de Gócs, senhora cptc era (b mesma Vílla, o qual, morrendo cm Africa, foi do lá trazido o· seu corpo, sendo enterrado na cgrcj:t matl'i:r, desta Villa, onde uunca podemos cncontrnr vestígio algum do seu ja-

;.:igo, nem memoria cldlc, talvez por ter a mesma cgt·cja passado por difl'crcntcs transformações, até ser demolida ha. pouco tempo.

AI,O~T~UIENTOS

BIBLIOGRUIIICOS

I

A Suma Caietana, do Dr. Paulo de Palacio

É sabido que (l'cstc raríssimo tratado de moral, alem de duas traducçõcs cm portugucz (devidas a Fr. Diogo do Rosario, c no Dr. Paulo de Palacio, lente que foi da Universidade de Coim- Lm), existe outra cm lingua espanhola., feita por este ultimo cscriptot·, da cptal possnimos as duas edições conhecidas que va- mos descrever cm attcnção á sua raridade.

1.3 EDIÇÃO

Svma

I

Caict:ma, sa-

I

cada cn lcnguajc Castclla-

I

no : Con Annotationcs de 1 muchas clnbdas y ca- I sos do consci- I cncía.

I

Por cl l\L Pavlo de Palacio I Natural de Granada. 1 Por man- dado y con approbacion clcl

I

Rcucrcndiss. y Scrcniss. S. Dõ

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BOLETIM

Hnri- 1 que, Cardenal, Infante de Por- j tugal, y Arçobispo de

I

Ebora. & cct. 1 Fuc imprçsso cn LiRbon <:n ca:;:a de JoamJCs I

nlauio de Colonia. Acabosc a los. XX. dias 1 de l\Iayo de. lbfJ7. I

Con priuilrgio Hcal.

I

8." de X s. n. fJOl foi. nnmcrmlas }lcla frente- 11 s. n. contendo-se nas x foi. preliminares o rm;to, de- claração de que foi visto c examinado pelo P.° Fr. Bartholomcu dos Martyrcs, c por Fr. Diogo de l\foracs, Epístola do trmluctor ao Cardeal D. Ilcnriqnc, Prologo ele Fr. Luiz ele Granada, c '!'a- boa. As duas folhas ultimas sem numeração sfio prchcnchidas com as En·atas.

, 2.3 EDIÇÃO

Svmma

I

Caictana, sacada cnlcnguajc Castcllano : Con An-

I

notacioncs de mnchas 1 dubdas y casos de 1 conscicncia. 1 Por cll\r. Pavio de Palacio I Natural de Granmla. 1 Segunda cdicion, cn algunos passos

I

acrcccnt:ulu.

I

Por mandado y con approha- cion dei Rcucren- 1 diss. y Scrcniss. S. Don Henrique, Carde-

I

nal, Iffantc de Portugal, y .Arçobispo 1 de :ELora. & cact. 1 Fuc impresso cn Lisboa cn la rna de los Escndc- 1 ros cn casa de Joanncs Blauio de Colonia. A- I cabose a los. X. dias de Se- tembro

I

ele 15GO. 1 Con prinilcgio Real. 8.0 de xu s. n. 4G9 foi.

num. pela fr. Esta segunda edição apenas difrcrc da antccc- clcntc cm ter as crratns inclnidas nas xu foi. prcliminnrcs, que na primeira estão no fim. Na declaração do cxnmc figurn jà Fr.

Bartholomcu dos l\Iartyrcs como arcebispo de Braga.

A cxistcncia d'esta edição foi desconhecida ao author do Diccionm·io BibliO[]l"Opliico, ainda que suppoz com fundammlto que devia haver uma postcrim· :í ele 1557, por se declarar tcr- ccim a trmlncção portngncza de 15GG, impressa cm Coimbra por

"João de Barreira, c da qual vcrsno parece haver ainda outra edição do mesmo anno, mas feita cm Lishoa, se não é equivoco . do Catalogo de Sousa Guimarães, do Porto, onde vem men-

cionada.

Por tratarmos do impressor João nlavio de Colonia occorc-nos dizer que a marca ou divi:>a usada por cllc cm algumas das suas impressões é formada por dois ursos, sustcntamlo um escudo, no campo do qual se acham trcs garras cm aspa, c no centro do triangnlo uma cstrclla, lendo-se na pm·tc superior, c entre as cabeças dos ursos, as lctJ·as J. 13. (Jo:to Blavio). Esta marca en- contra-se, entre outros livros, na Parte Segunda das Uhmnicas drt

Ordem dos ji·ades mt1wres, impressa por cllc cm Lisboa, 15G2, fol., c a mesma empregou depois o impressor l\Ianucl de Lyra,

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DOLETIM

que cm tuna Carta no Dr. Luiz Gomes (de Julho de 174!), perdida.) dcscrcYia mais miudamente. Eis alguns traços bastante pittorcscos d'essa Yiagcm cstonvmla : « Até Galliza vim a tremer com medo de qnc me seguiriam. Em Gnlliza passei tristemente, sempre na dm;da se estaria ali seguro ou não; até que me desen- ganei de que me era forçoso snhir de Hespanhn.. Pedi um passa- porte cm Santiago, c não m'o deram por não mostrar outro. Não tive rcmcdio scnno mcttcr-mc a caminho sem cllc. Em Castclln, no pé de uma. ciclndc que chamam Santo Domingo de la Cal- çada, quiz-me prender um official c d'ali por dcante vim sempre cspcr:mdo todos os instantes o mcttcrcm-mc n'nm Castcllo ; assim vim atrnyessando a França qnasi até ao fim, quando me come- çaram a perseguir por passaporte, c duns vezes estivo preso, scnfio foram as minhns mentiras, que me fazia dizer a necessidade.

Tornei para traz tl·inta lcguas onde havia uma grande feira, que me tinham dito !JUC cstnvam l:í inglczcs que havi:nn de vir :í.

Italia; mas não achei ncnlmm que !JIIizcssc f:tzcr tal jornnda.

Emfim, senhor, cu não posso dizer n'uma cm·ta o que zmssei em q_uatJ'O ?n!'ZCS C ÚtlltO ele ·viela ele 1101:ella.~ i por iSSO lhe VO\l dizer dnas palnvms de snbstancin.. Alc:mcci nm passaporte com muitos tmbalho~, \'Ím anelando COill calmas, fonac:s, sê{lcs, sno1·c:;, cansassos c matms mis01·ias, até IJIW chr'fJIIÚ a Numn a vinte e trcs de agosto pela mauhãsi11ha.» (p. 1 c 2) Por este trecho se vê qnc partira 1lo Porto por fins de Março, c qnc a ,-ida :wcu- tnro:>a ele novcllns foi durante Abril, l\laio, Junho c Julho. Costa, lcmbrall!lo-sc da indolc elo seu nmigo João Peixoto, «capador in- signe», cl:í-lhc lo~o a seguinte noticia: «As nmliJcrcs Rão da cik das portugnczns, formosas, ah!grcs, n pode-se-lhe c:í. elll'ga1· muito melhor qnc l:l. n (p. ~). .

Porém logo nn primeira Carta ao amigo lcmbm-lhc que é pre- ciso ser muito rcscl'\•ado na linguagem : «Aqui cntm toda a sub- stancia. da minha. cm·ta: Sr. João, um conselho, qnc lhe quer dm um homem que natnralmcntc sempre foge de clnr conscllaos inda. quando lh'os pedem. Vem a ser, qnc trabalhe comsigo quanto pnclcr para modcrn.r a sua língua. V c:ja as tolices c as Ycllaaca.- rias dos homens, mns não dê a entender que as conhece por modo nenhum; ta}lC a bocca c fuja d'cllcs; scuiio, mais hoje, mais :ímanhã lhe succcclcr:í o cp10 me succcdcu a mim. Perder a sua tcn·a, os sons conheci !los, as suas .... n 1l:u· L'lll num c:11leia elo mis01·ias continnaclns, que V. 1\l. mmcn pa::;son na KUa vida.»

(p. 4) Em nma rm·ta ao l>a·. Lnilf. ilmHcs, tliz: «Qnamlo lhe es('I'CVO a V. l\l. c,;ta carta e ontms SCiucllullatcR, t•. erma a espc- rançn ele rp1c V . .i\1. as nào mostre a outrem, para nc'lo me j(cztl'

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I

BOLETI~i DE BIBijiOGRAPHIA PORTUGUEZA

Vol. 1.0 Julho de 1879 N.0 7

O noietim de Uibliograpllia Portur;uezn publica-se uma vez mensalmente. Cada numero se compõe de dezeseis paginas em for- mato de oitavo maximo.• Doze numeras formam um volume. Só se admittem assignaturas para doze numeras (um volume), cujo pagamento deve ser feito adiantadamente.

Preço de cada volume, tanto para Portugal como para fóra, i~500 réis O escriptorio da redacção e administração é na villa da Louzan (cor- reio de Coimbra), para onda deve ser dirigida toda a correspondencia relativa a esta publicação.

A S1\ TYRA DA PERDA O , \ N.\f.IONALIDAOE PORTUGUEZA Ell j!JSO

Nas Poesias e Prosas de Fernão Rodrigues Lobo Soropita, que se guardavam ineditas no mosteiro de Tibães, e que se impri- miram no Porto cm lSGS, acha-se uma Satyrn (p. 133 a 143) úcerca das pertcnsõcs de varios monarchas ao domínio de Por- tugal, c verbern-sc a venalidade da aristocracia que trazia cm almoeda a independencia da sun patria. No fim ele um pequeno Cancioneiro manuscripto castelhano do fim do seculo XVI, que possuímos, acha-se copiada essa mesma Satyrn, sem nome de auctor, mas com impo1·tantissinias variantes de sentido mais cor- recto, e com bastantes cstrophcs iucditas c transpostas. Isto le- va-nos a inferir que a Sntym correu de mão cm mão, c que o seu auctor a modificava segundo as copias que vulgarisou. Pu- blicando este importante monumento historico e litterario, dei- x:bnos indicadas em notas as variantes do texto impresso cm 18ü8, para que melhor se aprecie. O nosso Cancioneiro é cm papel de linho em 8.0 pequeno, com cxccllcnte letra do fim do sccnlo XVI, começa a folhas ü, tem bastantes composições risca- das pela censura, c algumas pnginas illegi,·cis por estragos de ngua; nli se acham muitns odes, sonetos e romances subjectivos.

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110 BOLETI:\1

Apenas existe n'este apreciavel codice uma Letrilha portugueza, que transcrevemos aqui :

Se de vós j:í se me deu não se me d:í nada agora ; sey de outro muyto emborn, que eu quero tmnbcm ser meu.

Confesso, senhora minha,' qnc no tempo que vos vim, andava fóra de ruim porque na alma vos tinha.

l\lais agora que f'ei cn,

que cstaes de minha alma fóra, sey de outro, muyto embora.

Era o ultimo lampejo dos apoctas da medida velha» de que falia o proprio Soropita. N'estc Cm10ionciro encontra-se entre outras curiosidades, como uns versos contra Lopo de V ega, um helio cpigramma conti·a o canibalismo de Philippe II :

Lo dei Pl'inccpe fué eicrto ; De la Ucina. est:í cnenbicrto;

Dei :Mm·qués no ay que dudar, Que El-Rei lo mand6 matar.

Agora, que conhecemos o Cancioneiro, convém dar á pnblici- clndc a Satyra da perda da nacionalidade portugueza, que en- cerra mais vida moral do que as paginns opacas das nossas

chronieas. Theophilo B1·aga.

Arre! arre para traz, nsno do Luzo cuitado I t olha que a ser despenhado caminhas por donde v:is. 11 Variantes da ediçito de 1868:

1 Asno de luso ...

2 Caminhas por onde ...

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. DE DIBLIOGRAPIUA POR1'UGUEZA

Se de nma parte arrochadas de arreciros te encaminham, os que a soccorrcr-tc vinham querem fazei-o a panquadas. 3

Zurra sobre mal tamanho, asno, pois quiz teu pequado, que pcrn tão triste estado viesses n dono estranho.

Chora sobre o mal prczcuto os bens que passados sam;

já foste asno de Balam oje es burro de Vicente.

Vende-te o cura da egrcja, ' grande trabalho te vejo ! a moleiro d' Alemtcjo

não quiz vender-te d'envcja. 5

Tambcm comprar-te queria, 6

o assaz te fôra melhor, o nosso honrado Prior, tudo foi valhaquarin.

Emquanto Antão o das botas por seu te tinha cm poder;

não sohias tu trazer

tanta carga sobre as costas. 7

Sempre a ginct.'l. vestido, ferrado de prata c ouro, Tejo, Guadiana c Douro te davam pasto escolhido.

J Querem fazei-o a pcdrada6.

4 Deixou-te o cura da igreja

5 Não qniz deixar-te de cnveja.

6 Tum bem let:ar-le queria.

7 Quando o Antão das botas largas por seu te tinha cm poder, não sohias tu trazer

sobre as costas tantas cargas .

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BOLETIM DI~ BI~LIOGRAPHIA PORTUGUElA

E

REVI~TA DO~ ARCHIVO~ NACIONAE~

Vol. 2.0 MarQo de 1881 N.0 3

O

l~niCE

1),\ UlRlUL\ UE mJ SHa

IH~

D .. 10,\0 1\ ' ,. A PIWI'OSI'I'O IH

I~XI10SI{:10

IIE

~IIIJÃO

Pelo extremado favor de algum amigo on nfreiçoaclo, recebe- mos por via postal o Catalogo degli orff1etlt: w·tistici ?llllSicali spe- diti dall(' Uizmta italo·p01·toghese alla e.çposizione ú2 Jllilano.

Se o intuito do olfercnto foi saber qual :t nossa opinião, insigni- ficante mas franca, sobre os trabalhos cl:t Commissâo e o valor elo opusculo endereçado, não lha. occnltaremos, tanto mais quanto • ' nos penhoron o obsequio do scn b1·indo incspcr:Hlo: se cm tudo e a todos devemos vcrdaclc, om maximo grúo a devemos espe- cialmente aos que parct·cm cspoutancos sollicit:U-n.

Sabemos qno alguns dos membros da. Commissão, pam o des- empenho da missão confiada, cnvidaram briosamente todos os esforços no diminuto período de tempo prcscripto, c que nem sempre esses esforços foram coroados com exito condigno, ha- vendo surgido as difficuldadcs e obstacnlos donde menos sc1·ia.

admittido suppol-as, do proprio seio da Com missão, porvcntnm de entre outros membros d'clla, qnc levantados cm cargos eminen- tes, com a sua influencia e anctoricladc facilmente, se o quizes- som, poderiam t·cmovor qnacsqne1· embaraços o obstaculos, com que houve n lucta1·, em vez do crcal-o11. Numa folha popular, redigida pOl' nm dos mcm bi'OS da Com missão, allucliu-so. vnga- mento com censura a este facto na occasião propria.

O Catalogo, comparado com as riquezas musicaos do paiz, é do nma mosquinhcz incrível; attendida porém a circumstnncia indicada, representa mnito bons desejos c mnita actividade. Foi uello comtudo adiantada uma assorção, que nos magôa pela sua.

flagmnte injustiça, e a que roplicfunos por consideração nacio- nal. Eis o texto incriminado:

cxGli elementi genernli della storia doll'nrte mnsicale in questo 7

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DOLETm DE DIDLIOGUAl'IIIA l'OHTUGUEZA I

queimat• as gallos dos Rumos q·uo lia :estam. praza ao scnh01·

deos que l10 quoi1·a ajuda1· pm· sua misoricordia, quo sera gramdc sot·uiço do doos o voso o acrccomtamomto QO sou•roall estado o bem da rcopubríoa desta cidauo o do povo do toda lm Imdia. o quo dollo até agom allcamçámos ho-so1· muito amiguo do soruiço do· vosa alteza o do sou reall estado, tom feito mui fromosa ar- mada, ha mais que om tall tempo o tam brc\'O so podem fazer, o por aqui podo vosa nltoza sabct· o estado om quo Jica ·a Imdia como mais mcudamcmtc nos pn1·oce quo ollo scprovorá ha vosa

~~za. ·

Itom sonhar a cidado tem pot· JH'Cuilogio quo todos mamti- mcmtos que hos seus momdorcs n olln trouxerem nsy por manr como p_or tc1·ra pc1·a dcspozn. do suas cnsas qum· pcra vomdm· na dita cidade o posam fazer -som diso pngarcm sisa nom direito allguum asy dos quo amtigamomto se soiam dal't'ccatlar pcra os senhores que fomm do guoa como do totlos hos quo pom vosa alteza so ai'!'Ocadau:un amtos do comcodcr o tall p1·iuilcgio, o posto quo osto · pt·ouilcgio á primciJ·a face pa1·eça somem to cm p1·ouoyto da roopubl'ica· o cm domonuiçam tln romda do vosa al- teza a cicla!le so oferece a p1·ovm· ha vos_a alteza per sous.oliciacs quo scmdo ho tall prouido gorall .a. po1·a casados c solteiros, que hc mais cm prouoyto a motndo aliem do quo se podo pordcr cm vosa fa~omda nam se J'ecadamdo os direitos dos tacs mamti- memtos o qno bom bem (sic) so vio pot· c11pericmcia cm ha bida do Viso Hcy aos Rumes que nam avia nesta cidade triguo nom arroz nem so podia a\'Or pcra ha amtnda qno levou,. o qunll per omfo'rmaçam da cidade mamdou lamça1· pregam cm nome do vosa alteza. que toda pcsoa asy casado cou1o solteiro, mouro ho gemtio o de quallquor outm na~~am que quisese trazer os ditos m:untimcmtos a esta cidade o pmlosc faze1· fmmqn:uncmtc sem pagar direito algum, pello qnn.ll pregam o fmnHjllya .acndio tamto triguo, aJ'I'OZ o mamtimcmtos de .toda so1'to quo domdo ho triguo estava h a .cimquo pardaos o h a soys so comprou pcra vosa alto?.a lua sete ccmtos roacs o c:umlill vallcmdo lm mill ho qni- nhomtos ho a dous mill roaes, asy que polia gmnulo soma de mamtimcmtos que se compram pcra has a1·madas do vosa al- teza cadanno, so se perdem dcixamdo tio hal'l'ccadar os direitos dos ditos mamtimcmtos dous mill pm·daos, so fom111 nas compras dcl- les quatro, cimquo mill cm prouoyto do vosa faz01udn por!JUO comuum mcmto vali ho tt·igno mill ho IJIIinhemtos l'oacs o camdill o compl·onsc dcspois do tall pregam a. sete ccmtos rcaos COlHO dito ho. E quando nuno da cunha foy sobre dio a. pl'imcira vez quo os mamtimomtos nam hcmm f'J·amquos comprou ho tl'iguo

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E REVISTA DOS ARCHIVOS NACIONAES 2!)5

pora ha armada, quo levou a coromta tamgas qno sam porto de t•·os IJtill.roaes poJa vai lia da. moeda, asy qno ccrtcficamos h a vo~a alteza: quo h o ma i fi cm provcyto de sua fazomd a amotado so•·om framquos jci·all mcmtc os ditos mamtimcmtos 'que hal'l'o·

cada•·cmso hos direitos· dcllcs. E aliem ~isso torá vosa ahoza esta sua. cydado o seu povo o do toda !w.lmdia muito abastocido o asy todas snas fortnllozas quo dolla so provoem dos ditos mam- timomtos, polias quaos rezõcs pode a dita cidade a vosa· ai toza·

que :l_ja por bom gorullruomte fazer framquos os ditos mamti- mcmtos po1·que allom do ser em J)l'Ovoyto ·do sua fazomda olla o sou povo rccobm::\. ospicial mm·cê. . ·

Item senhor a cidade tom prouilogio de vosa alltoza po•· sua carta patcmto o doaçam pem sempre po1· quo mnmdn que ha al- guum rnorndo•· dolla nam pousem com ollcs nem lho st;jam to- maclas snas casas do morada nem çarr:ulos ho apartados, roupa nem llonha, foguo nem llog ..• nem outra consa do son comtrn sna vomtado, comtra ho quall priuilogio nos ffoy o dito viso }{oy porque per sou mnmdado foram tomadas mui tas casas h a cid a- rliíos o moradores mui omrrndos1 o ahimda· so lho deram ont1·o alguum gasalhado fora mêo mail, mas asy dovasamomte <lo po- do•· absoluto os punhão na rua com suas molhorcs ho filhos o fazomda1 som lho da•·om nem terem otltl'O gasalho, do qno ho povo desta cidade está mui escamdallyzado e olla mui agravada p01·quo nam lho vallo o mostJ·ar o dito p•·iuilogio o pcdi•·lhc da vosa parto quo nam fose comtra ollo, dou pouquo por yso, mais aim1la, per vezes dise pallanras corntra hos ofieiaos da camam, do quo fica1·am pouquo eomtomtes1 .do quall agravo e doutros mui- tos a cidade tom tirado cstorruemtos dagrauo que o ano pasado omviou ha vosa alteza e o1·a lho sora.m apresemtados po1· sons , precnrarlores outros.do mesmo too•·· podo ha cidade ha vosa al- teza qno veja h0s .ditos cstormemtos dagravo o a prov~ja com jut~tiça cõn·egemdo seu ag•·avo com mamdar quo os privillegio~

quo tom do. vosa alteza se lhe .cumpmm e gardem hasy ao pee da ·llotJ·a como nollo se contém sob allgua g•·ave pena demcon·

tos qne ha vosa allteza bom parecm·, a quall mamdo quo pague quallquer posoa quo eomtra hos ditos r•·iuilegios () cada llllm dcllcs for, cm parto ou cm todo, }Jorquo doutm manoim nam se ha qua de comprir cousa qno vosa alteza mamdo cm fano•· da di ta cidade c seus prcuilcgios, om o quo clla o sou povo rocober:í

justiça ho muita morcê. ·

Item senhor outro ag•·avo lm do lpto este povo ct·ama gr:un- l!cmomto, o quall he que ho dito Viso Hey. tirou soldo o mamti- mcmto aos mais dos moradores da cidade ho lm muitos dclles que ajudamm a ganhat• duas vozes o quo tom ahiruda hago1·a

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296 DOLETil\1 DE DIDLIOGRAPIIIA PORTUGUEZA

feridas· quo cm muitas partes de sou co1·po g:ml1aram cm voso s.oruiço nsy na toma da dita cidade om vosas m·madas polo maar ho pela ton•a dos imyguos, o parcconos vcnbcloymmomto quo tom ollcs .muita rezão dagravo o nam do sorom agt·avados porquo nam so faz 1u·mada om qno muitos dcllos não sojnm pi'O·

sem tos como sempre fizeram des quo ·ha dita cidade foy somo·

tida debaixo do voso senhorio até ·aguora, que ho certo o se podo dizer com verdade que so hos vo~os guovornadorcs hos dcixasóm hir quamdo faz· vosas a1·madas que nam ficm·ia morador nesta cidade quo ln nam foso pora yos eorui1·, do que ho boa testemu- nha calocut o toda ha costa do mallavar o o ostroyto do mequa, o1·omuz, mnllaqua, dio, baçaim c toda ha costa do cambaya, omdo so nam fez cousa om que doixasom. do so achar moradores da cidade, asy que quem t:un bom scrnoo em llugar omdo \'Oosa al- teza tom tamta nocosydado do gcmto não pMoco rezam sot'lho til·ado sou soldo o mamtimomto.cm gnlla1·dam 'do seus somiços: E aliem diso casaram ollos com to1· soldo o mamtimomto como tem c lho foy comccdido per afonso dalboq1ierqno gouomndor quo foy des- tas pal'tos ·o dcspois po•· ol Roy . dom manooll voso padre q 110

samta' glo•·ia :~ia: quo aguora tom comfinnado pe1· carta patemto do vosa alteza per quo. mamdn que hos ditos soldos o mamti- wcmtos sejam pngos' aos ditos moradores aos qunl·tcis do anno, primeiro quo l1a .nymgucm o que pom yso se Jhe apnrto lnnna dns rem das da ilha do todo tiçua1·y ·cm quo bom caiba o q uo momtm· cm os ditos soldos ho mamtimcmtos o que da tallrcmda

su JH\111 til·o cousa algnma até primcimmemto olles serem paguos

dos ditos soldos o mamtimemtos como milhar vosa alteza vcra pollos ditos prcni.lcgios O CStOI'IliCtntO dagr:\YO qne 1\ cidade tÍI'Oll damfo ho dito viso Hey sobre este caso, que lho scr:un apresem·

tados por noscs preeurndorcs. E outra rezão pe•· que ho tnll soldo lho dovc ser tornado é quo viucm cllos nesta cidade que ho se- tunda em hurnn ilha mui pequena omdo estam presos :i. estaca, sem podo1·em sair fora som licomça do voso gonornndor c capi- tnm saluo quamdo vl'ío cm \'osas armadas a vos seruir. c que queiram dizer a vosa alteza quo.hos ditos moradores sam riqnos o abastados o quo lH'ovém da mol'l'Ô que lho vosa allteza fez das terras ho pallmaros quo fionrmn dos mouros, podem oscusm· ho dito soldo c mamtimemto, diz n dita cidade qno todas as tonas c pnllmai'Cs quo po1· clles foy I'Opal·tida da mercê que lho vosa alteza fez ho cm pode1· do vimto ou vimto cimquo posoas que as compmr:un ha os OI'Oos, pelos qnac8 somomte so podo dizer que vivem abnl!tada mcmto, ho outros tamtos que podo ave1· que vi- vem abastados por seus tmto:>, o pc•· todo ho outro gcrall do povo so podo dizer com verdade a vosa alteza que vivem tam

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E REVISTA DOS ARCHIVOS NACIONAES 297

pobre momto o com tamta·mif!eria. que mais ·nam "pode ser em povo -allguuril1 o com tudo isto 4uamdo o viso ·Rey foy aos

Ru-

mes ouve. muitos destas pobres que do seys mill rcaes que ti- nham do sou emprestaram pera ho gasto da tal hida os quatro mill1 ·a cm soma todo o povo desta cidade emprestou o milhor de vimto mill.cruzados como vosa alteza .. podo ver pela cortidam do qnitaçam que foy p~sada a pero de vargas .feitor que foi dar- mada .cm tempo do viso Rey sobro· que foram carregadas cm recepta. pode ha dita cidade a vosa alteza que pelo amor do se- nhor dcos qnoira ver o acima .scprito e avor respeito a todo c mamdo tornar ho dito soldo e mamtimemto aos moradores a que ho tirado porque lhe corte-ficamos que nyso fara muito seruiço ao senhor. doos e a olles gramdo esmolla o ha dita cidade espiciall

mercê. ·

Item senhor a· cidade tem.lium prouilogio que lhe foy com- cedido per cl Rey dom manooll voso pad1·c. que samta gloria aja, que wosn alteza., tom com firmado por sua carta patemte1 pollo quall faz framqua a remda da p1•aça desta cidade dos· di·

rói tos que soiam do pagar os que ·nmdem·· azeyto1 mell1 mam- toiga1· botelle; a1·equa o outras· cousas de .mamtimemtos e asy ·os

· quo vcmdom ronpa·branqua e quo ouirosy foso framqub ó caimbo o que nam ouvose cambadores e·cada huum podoso.cambar·por ou.tdc quisesé som diso pagar direito algum1 he vemdo noe:osidade do cambadoros os onvcse framqnos. som paga~om 1·emda nem outro direito alguum, a·qual carta do preuilegio vosa A~ tem comfiriuada como dito .he quamto aos cambadores somomte1 como pela carta da comfirmaçam· e prouilegio parece, o certo que quem tall previllcgio comcedeo devo .sot· que hora imisporado (inspi-

?·crdo) da gt·aça do senhor rteos pois cencodeo cousa do quo tamto provoyto vom ha ropubrica em sor ha dita praça framqua o tirar cousa do tamanha omzena como he·aver caimbadores cet·tos quo pngam rcmda sem outt·om pode1· cambar saluo com .elles1 om o que vay huma certa tit·ania ha o povo desta cidade e de toda ha Imdia por sclla t ser sua cabeça o a que todos per bem do sou trato acodem. pela. quall rezam certeficamos ha vosa al- teza que lto muito seruiço de deos o voso a.llcvamtarse ho dito caimbo, o conifon1te sua carta do comfirmaçam; requeremos ao vyso Hcy que ho mandaso allevamtar. cm voz de ho asy fazor1 somdolhe· aprosomtado a.·-carta do vosa alteza comtra olla mam- dou harnmulnr o dite• caimbo o que so pagasom dello as dinida- dcs a conogos da soo1 c nam h c muito· q uo h a mesma ·soo foy fcyta com dinheiro do omzena do dit?. caimbo que he tirado das

I se ella.

'

L .I

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298 llOLETIM DE BinLIOGRAPHIA PORTUGUJ<~ZA

costas do pobre povo de guoa o da Imdia, que haguora has do- nidades o coneguos da soe comam diso' nam he muito como di to temos pois ha sec foy prcmcipiadas com a· mesma. ti1·ou ha ci- dade (1stormcmtos dagravo damto o viso Roy que ha vosa alteza sorn aprosomtados por nosas p•·ccuraçõos. pcdolho a cidade por mercê que o veja o lhe mamdo comprir a mercê que lhe tem foyta per sua cm·ta o mamdo allovamtar o dito caimbo, cm o que lho farn justiça ho ospccinll m01·cê. E quamto :\ romda da praça quo nam hc comfinnada por vosa alteza ja lho temos dito quamlo soruiço do dcos o voso ho ser fmmqua a dita prnçn. prouoja niso como o ouv9r por seruiço de doos o sou. .

Item vosa alteza tOJJl prouido o oficio de corretor das mer- cadorias em huma pcsoa o que nam aja outro corretor salvo ollo.

Hcqueroo a cidade ha o Viso Hoy que fizcso mais cimqno o com ho que vosa alteza tom posto seriam soys, alogamdolho pcra yso rozõcs ovidomt(1s por quo hcram ncccsarios seys cOJ·rctorcs, quo hora amtos .que vosa alteza o provcso avia nesta cidade vim te posoas das da tc1Ta que somiam do co•·•·ctoros o todos comiam omrradamcmtc o todos tinhão que fazer o hcmm nocosarios. I~

quo o tmto desta cidade ho ilha o monco dcllo ho tamanho como o da cidade do llixboa credo ha dozasoys corroto•·cs do lliu•·o, o vomdo o dito Viso Hoy as rezõos da cidade tam ovydomtes foz mais hum con·etor e por nam querer faze•· os quo ha cidade po·

dia o horam nocosarios pora bom das vosas rcmdas hc bõo despacho dos mercadores tirou estormomto dagravo que h:\ vosa alteza sera aprescmtado per nosos procuradores. vojaos vosa al.

teza o provejnos como ''Yr que hc rezão c justiça quo nós pot·

ser voso soruiço o proucyto de vosas rcmdas ho requeremos o tambem por ser nobrccimomto desta cidade pollos muitos mer- cadores e mcrcadoiras qno a olla vimním somdo bom despacha- dos pellos ditos col'l'ctorcs, que nam podo sor a menos que ll:ia hos que clla podo que sam soys os qno ha mester ao menos, o llcmbra ha cidade ha vosa alteza qno estes oficies, que do dii'Cito a dada destes oficies ho da prop1·ia cydado como ho hcm lixboa c lia porto, coimbra, e tambom que vosa alteza tcm.mamdndo qno guoa soja lixboa. pela quallrczão lhe pede o aja asy por bom o lho comcoda hos oficyos qno pcdo o qno ha dada dellos seja sua como ho cnilixboa, o tom olla mais rozi'ío de sabor as posoas quo sam pcra taos cnrrcguo3 que outra alguma pcsoa, em o que ll10 fara justiça c ospiciall mOJ·cê. E quamto aos mais agravos que ha cidade sam foytos por nosos p•·ocmadorcs lho scram aprcscm- tados asy om scpríto como em pallaura como pelos cstonncmto~

dag•·nvos que llovam, pedimos a vosa alteza que hos onça c com hos olhofl dallma o com muita piedade, lombramdolho quamtos

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1!: REVISTA DOS ARCillVOS NACIONAES

299

seruiços. lho tom foytos esta cidade e ao diamte espera fazer o lho doe aquello despacho quo ounot· pot· seruiço do deos e seu, gnrdamdo á dita cidauo todo o sou direito o justiça como ho obrigado como ha cousa sua qno he, pella qual! se podo dizer com verdade a vosa alteza quo nnm tem nestas partos cousa sua propia saluo guoa, domdo perdomdoso tudo, o quo o senhor doos nam permitirá, se podo restaura1· com sua ~judn, pela quall re- zão vosn. alteza com muito fano1· ho omiTa a devo do proner de todo o qno podo, o po1· outras muitas hatJ·ás hapomtadas.

Item senhor na vagamtc do dom gomç.'lllo coutinho capitn.m qno foy desta cidade emtrou por capitam dolln dom joam doçn quo ja outras duas vozes o foy. nam tomos dello cousa do agravo nem ha cousa pcra dcllo agravar em todo ho tampo qno ha que emtron cm sua capitania, amtos com vot·dudo se podo dize1· ha vosa alteza quo esta cidade ho todos seus cidadãos o mo1·adoros receberam deli cm todo sou tempo muitn. omrm he fauor quamto a ·ello foso posivoll. o quo doi! o som pro allcamçamos ho so1· muito amiguo da justiça o do -todas as cousas do voso soruiço, c nam se espora monos do hum tam velho o· tam omrrado o nobre fi"

dalgno e tam cspromtado como elo ho.

!tom senhor quanto :is cousas da justiça os que vosn alteza qua tom con hn sua vara pora ministrarem scprcvertim· a vosa alteza hacorqun diso o qno bem soja se quyscrom o porém o quo tomos alcnmçndo das pesons que qua tem o governo do vosn justiça nam sentimos l'csoa qlto tamto trabalho do ha fazer quamto ha ollo ho posyvcll salno o licemciado amdro llopoz que aguara so1·uo do ouuidot· desta cidado, porque osto ho ho que prcmdo hos mnllfeytoros c o que tit·a tollas has dovasas dellos, ho certificamos a vasa alteza quo son imton1to naturall ho fazer justiça iguoallmomto a todos, aliem diso é omom mni rocolhoito e de muito bõo o 1mosto vinot·. mc1·ecodot· ho do toda a omrm ho mercê que vasa alteza lh~ fiz01· po1·qno nllem diso l10 ollo muito nmiguo do vaso scruiço, pelo que ha cidade ho mui comtcmto dolo pelas 1·ezõcs hatnís apomtadas. dcos cm todo poderoso acro- comto seu renll estado o os dias do vida. ·:lltl. ·vasa alteza a scn aamto sorniço. SC[H'Íta cm acamam da dita cidade ha vim to dias do novomb1·o (diogo martimr. scprivam a fiz) do 1540. = ... . . .. . . . . . . = bastião lopoz (?)=ftornando ... .

=anryque do sousa.=yoão pirez.=jorgogarcoz.=martym ..

. . . =fornando ... = martym gomoz.=yoíio do soll ... =ma teus aluaroz (?) .

. ·Nas costas: A El H<>y noso sonhar. da sua cidade do goa.

(T. do Tombo, C. Chr., 1.•-GS-Rã.)

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300 BOL·ETIM DF. DIBLIOGUAPHIA PORTUGUEZA

14.

1

...

llaiba

V.

A. por corto. que nom h a anno que do estreito do moca nom vem a esta costa cimquoonita, sosomta naos, c a tirim·

cipall mercadoria que trazem ho cobro, vermelhão, azougue o coral o por esta rezão so pordo o pouo porque esta moeda do leais nom corro senão nesta ilha. V. A. dá na feitoria om paga·

momto a cimquocmta loaos por tamga, o jct·almemto por fora vai n sotomta, o na torra .firmo a cem to . por tamga, que por este pt·oço sao ho qui111tal a vimto pardaos que he sua justa valia, o daqui naco pc.rdorso o pouo. pedimos a V. A. por soruiço do tloos o seu que mamdo fazer a moeda comformo ha valia que o cobro tiver. .

it. tambom lembra a cidade a V. A. que hmna das cousas mais potjndiciais ao scruiço do doos c uoso . é o trato dos capi-

. tãis das fortalezas c do todolos outros oficiais quo tom mamdo

porque com suas desordenadas cobiças nam tem respeito ao te- mor do doos nem á lealdado que dcuom ha V. A. porque pot·

todolos maos mcyos ho modos que podem adquirim dinheiro o eles são os quo trntão n!ly no cmxoft·o como na pimomta, o cm todas as mais cousas defesas o daqui naco combaterem a Íc)l'tO·

loza do dio o matarem tamta gomto nela porque ct·m·o está quo so nom llodo ajumtar tamto dinheiro senão desta maneira, o bem visto o tom V. A. pelos capitãis que do qua vão o os que qua morrem, ho hão IlOI' omrra nos tros an(ls quo tom de capitania ou mam<lo louarom mais qno Oll qno fomm atr:\~ dolos, o doso

1 Por emqnanto só se conhece cstu fragmento tia carta, apczar das dili~:cn­

cias empregadas para achar a parte anterior nas pastas dos truncados, que lica- r:un da organiSAÇáO do .:o1·po chrono/ogico depois

ua

cataslrophe de i75i.i.

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E REVISTA DOS ARCIIIVO.S NACIONAES 301

Reino cscrcucm muitos do comsclho do V. A. a seus parentes e amigos quo ·qua estão q uo om nhmna cousa se fumdem senam cm lcnar muito dinheiro a purtugtlaf porque osta soo ho sua omrra o salnação, o que eles fazem em tamto perjuizo de suas corneiem·

cias o perseguição do pouo. e omens tão condenados o culpados como cspcm V. A. que lhe diguão a vordade desta torra? voja isto o dê o romodio quo vir que ho necosario a bom de sou es- tado o asocoguo desta torra.

it. tambcm lembra a cidade a V. A. quo o guoucrnador quo . ouver de mnmdar a estas. partes seja pessoa de gramdes .calida·

dcs e· fom do cobiça e amador da reo pubrica porque isto importa muito a uoso real estado sor aumentado o :temido e V .. A. sera scruido porque segundo esta torra fiqua, se V. A. o nam esco- lho muito pera iso, a terl'a se·acabará do perder e so persu.mirá

quo nam faz comta dela. . ·

As quais lembramças tomamos a lembrar a V. A. ha omrra da m01·tc o paixão do noso senhor. .jhu. x. 0 as queira muito bem vor com a(! pcsoas quo acima ao diz o com seus confosoros ·e re- ligiosos· de boa uida quo por parto do quo cumpre ha alma de V .. A. por parto desta cidade os tomamos com doos noso senhor om tndo, ao qual rogunmos que por muitos anos acl·ccomte sua uida o real estado. dosta sua cidade de guoa, escrita om camara dela ha xij do dozomb1·o (duarte garcia escriuam dela ha fez) do 1548.= poro guodinho.= yoão Raposo.=baltasar Hoiz.=Yoham fi'ornandoz. = martym gomoz.= manuell martinz.

Nas costas: a oll Roy noso sonhar. Da ~ua cidade do goa.

(T. do Tombo, C. Chr., 1.• - 111- 93.)

(Co11timía).

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302 BOLETD[ DE IliDLIOGRAPHIA PORTUGUEZA

CARTA DE DINIZ.FERNANDES SOBRE A ARMADA DA INDIA, E A .IDA AO. ESTREITO EM 1517

· Senhor. -'-ou escrouy a uosa alteza agarra h a uous annos e agora ha hum ano sobro cousas do seruiço .do uosa alteza. vossa alteza me rospondoo este ano qne ea ninha fernam daBcasona o ninha para fazer todas as cansas que eu csproni a vasa alteza. • eu senhor quando uim do' cstr~yto com ho capytam mor o achoy om goa o lho dyxo muitas cousas que· comprynm a sorniço de uosa. ai toza o· assy dospois que fomos· cm chouchym lhe torncy a dyzot• outras nesos poramte <liogo vaz, criado do uosa alteza, ospriuam dante ele, todas osas cousas que ou ca vyn o hernm para lho dyzor, o hum dya dyzomdolho que déso pam dn sna nao pera samta catorryna do momtc synay que estaua pora pa·r- tyr, o lo mo comes ou a dyzcr ·cousas param te o feytor pm·o co- resma o· os espriuães da feytorya, que nom crmm pora dyzor, porem senhor por nem desseruir a dcos e a vasa alteza nom atontey nelas porque osporo sonhar qno o galardnm dyso vasa alteza mo darra por algum sorniço que qua faço· a vasa altoza, ho· quall uosa ·alteza sabora por oses fydalguos grandes e peque- nos. pergunte vasa alteza como ou SYJ'UO o eles o dyram. nom dyguo ysto a vasa alteza por fazer cboyxumo dolo; mas ele mesmo q no mo achou om tall ofycyo ·que asy mo quiscrra homrl\r, por- que o mou ofycio· senhor nom ho sonoro trabalhar por vos sor- uir o asy sonhar darroy comta a vasa alteza darmada quo foy ao ostroyto e da quo qua fyca o do que se qna faz mester.

it. senhor, armada que se fez pcra o ostroyto com ho capy- tam mor Iopo soares som estes.

it. dom aloxo, sonho1·, partyo a xxiij do dezembro com a nao santa eatarina do monto synay que la vay pora pmtugall o dom yoão da syllvoira capitam de sam pedro o afonso Iopez da cesta capitam de smn mateus o dom garcya eoutynho capitam da bastyayna e alnaro bat·cto capitam do sam tomé o .To1·go do brito capitam do sam yo1io o f1·aneisco do tauora capitam de santa cruz o amtonio Hapozo capitam do f1·oll da Roza o dom dyeguo da syllnoyra. capitam do nazané que uoo do fcrnam do l01·onha. estas naos todas senhor nom dosem do somto o xx to- nes as mais poquonas, todas sam da hy pom syma ato santa ca- tarina quo so qua foz que ho doyto sontos netos.

it. senhor, nauios mais pequenos h o RozayJ'O capi tam gaspar da sylua, ajuda capitam amtam noguoyJ·a, a garça capytam dum·to do mola, a ospora capytam garcya da costa, o brotam

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E REVISTA DOS AROHIVOS NACIONAES 303

rnpytam nyros da syllua. ostos nauios senhor todos sam de sento

~ do_z . .até oytcnt.a tones, ·h o symo capitam amtonio· foreira,· a colestyna cnpytmn fr:mcisco dega, outro· nauio que se fez em goa capytam amtonio dnzmtcdo, hontro ·nauio que so foz em goa cnpytam fumam de rozomlo, o nauio santospritu capitam gon- çnlo da syllncyra, o nanio santyaguo capytam pero lopez de sam paio, outro nauio quo so fez cm chouchym capit:un gyronimo do sonsa,. o qnall na~tio sonho r se foy do dom nloxo o foy ter a me- lynde cor:no nosa altoza.ln sabem por as c:u·tas do capyt:un mor.

sam yoão pequc~o capitam. poro de tayde. estes nanios senhor se foram com .. dom alcxo dyante recolhendo os mantymentos to- elos a· foramse dh·eitos a goa e todos ostos nnuios senhor sam de

oitenta até• cOJ·cnta to{lCs. · ·

it. senhor~ o capytam mor partyo do chouchym a oito de Janoyro· com ~s gales e fycou pcrn despachar ns naos da carga.

elo foy senhor. na galo sam Iourenço quo se fez· om chouchym1 do qno en fny por capytam dela ao ostroyto, e a galo sam pe- dro que so. foz cm chouchym, capitam fomam gomcz de lemos, a galo sam goronimo quo so fez om calocu, capitam ·crystouam de sousa, a galo sam pedro sam pimlo quo so fez tambom om calocu, capitam amtonio do miranda, a galo santespryto quo fez sylno~tro, capitam lopo do bryto, outra galo velha 'quo so fez om chouchym, capitam Jam do molo, huma fusta qno so fez om goa, capitam Iopo do uila lobos, 1} hum junco com quatro santos mnlauaros e outra nno malauar. com tt·ezontos. com estes nnuioq senhor so foy o capitam mor prouendo· a fortaleza do calocu e a do cnnanor o so foy direito a goa.

it. senhor, a quinze dyas do Janoyrro. se partyram dous na- uios quo so fyzorram em calocu, capytam dum dolos f,·anoisco pcroyrra o dout1·o poro f01·oyrra, o ·httma fusta que so foz em chouchym, noua, capytam doia dom a.lluaro do crasto o hum cm·auelam latyno quo so foz cm chouchym, capytam dolo lou- romço cosmoo, e huma barca g1·amdo daquelas com quo.cat;ognm as nnos de pymomta e hum borgantym piqucno, capytam dolo trystam barbudo. estes nauios senhor so fycarram aparillhamdo porque ao tempo qne partyo o capitam mor nom erram aymda aparelhados e se foram os pós elo di1·oitos a .goa.

it. senhor, a1·matla so ajuntou toda om goa o aly acabámos do tomar todos hos mantymontos, byscoytos, carnes, arrozes, man- tcygas, agoa, toda~ as cousas ncsosaryas por a armada e pady- mos senhor a oyto dyas do fouoreyno nosa uiagcm caminho do cstroyto.

it. senhor chog:\mos a (.~o)cotorra o primeiro dya do março

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