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FACULDADE MERIDIONAL IMED

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Academic year: 2021

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ESCOLA DE SAÚDE - CURSO DE PSICOLOGIA

Paula Tamiris Alves de Souza

Bem Estar Subjetivo em adolescentes escolares

Orientadora: Prof.ª Drª Naiana Dapieve Patias Co-Orientadora: Ms. Denise Gelain

Passo Fundo

2016

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Paula Tamiris Alves de Souza

Bem Estar Subjetivo em adolescentes escolares

Artigo apresentado pela acadêmica de Psicologia Paula Tamiris Alves de Souza, da Faculdade Meridional - IMED, como requisito parcial para a obtenção de grau de Bacharel em Psicologia.

Banca Examinadora

Prof.ª Drª. Naiana Dapieve Patias – IMED Orientadora Prof.ª Drª. Camila Rosa de Oliveira – IMED Examinadora Prof.ª Ms. Susana König Luz – IMED Examinadora

Passo Fundo 2016

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Paula Tamiris Alves de Souza

Bem Estar Subjetivo em adolescentes escolares

Professora orientadora: Prof. Drª Naiana Dapieve Patias Co-Orientadora: Ms. Denise Gelain

PASSO FUNDO 2016

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Resumo: O objetivo deste estudo foi avaliar o Bem Estar Subjetivo de adolescentes escolares a partir da avaliação cognitiva da vida (satisfação de vida) e da avaliação afetiva (afetos positivos e negativos). Participaram deste estudo 237 adolescentes de 14 a 18 anos (M=15,5; DP=0,84), sendo 58% meninas, de uma escola pública da cidade de Passo Fundo, todos estudantes de ensino médio. Foram utilizados como instrumentos de coleta de dados a escala de Afetos Positivos e Afetos Negativos, e a Escala Global de Satisfação de Vida para Adolescentes (EGSV-A). As análises foram realizadas através de estatística descritiva (médias e desvios- padrão) e de teste U de Mann-Whitney verificando se haviam diferenças estatisticamente significativas entre os sexos e entre adolescentes mais novos e mais velhos. Não foram encontradas diferenças significativas em nenhuma das variáveis. Os resultados são discutidos a partir da literatura nacional na área.

Palavras-chave: Bem estar subjetivo, Afetos positivo e afetos negativos, adolescência, satisfação de vida.

Keywords: The aim of this study was to evaluate the Subjective Well-Being of adolescent students from the cognitive evaluation of life (life satisfaction) and affective evaluation (positive and negative affect). The study included 237 adolescents aged 14 to 18 years (M = 15.5, SD = 0.84), 58% girls, a public school in the city of Passo Fundo, all high school students. Were used as instruments for data collection to Affections Positives scale and Negative Affections, and Scale Global Life Satisfaction for Adolescents (EGSV-A). Analyses were performed using descriptive statistics (mean and standard deviation) and Mann-Whitney U test verifying that had statistically significant differences between the sexes and between younger and older teens. No significant differences were found in any of the variables. The results are discussed from the national literature in the area.

Keywords: Well-being subjective, positive and negative affect, adolescence, life satisfaction.

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Sumário

Resumo. ... 8

1 INTRODUÇÃO ... 11

2 Método ... 12

2.1 Participantes ... 12

2.2 Instrumentos ... 13

2.3 Procedimentos e considerações éticas ... 13

2.4 Análise dos dados ... 14

3 Resultados e discussão ... 14

4 Discussão ... 15

5 Considerações Finais ... 18

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 20

ANEXOS ... 23

ANEXO 1 ... 24

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE ... 24

ANEXO 2 ... 265

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os Pais ... 265

ANEXO 3 ... 276

Questionário Sociodemográfico ... 276

ANEXO 4 ... 288

Escala de afeto (bem estar subjetivo) ... 29

ANEXO 5 ... 30

Escala de satisfação de vida (bem estar subjetivo) ... 30

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APRESENTAÇÃO

Acadêmica:

Nome: Paula Tamiris Alves de Souza E-mail:[email protected] Telefones: Residencial: (054) 3601-5776 Celular: (054) 8121-1574

Área de Concentração

Processos e intervenções psicológicas em diferentes contextos clínicos.

Linha de Pesquisa

Processos e intervenções psicológicas em diferentes contextos clínicos.

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1 INTRODUÇÃO

A adolescência é considerada um período do ciclo vital no qual ocorrem mudanças biopsicossociais que, geralmente, coincidem com o início da puberdade (Carvalho & Novo, 2012). Desta forma, é necessário compreender as variáveis que compõem esse período de mudança da vida do adolescente, como a avaliação da sua satisfação com a vida que influencia na trajetória, na tomada de decisões e que implica no desenvolvimento do adolescente. Neste sentido compreende-se a importância de entender, à partir das perspectivas dos adolescentes, como avaliam sua vida, à partir dos afetos e da satisfação (Aberastury & Knobel, 1992; Arteche

& Bandeira, 2006; Segabinazi et al. 2010; Weisfeld & Billings, 1988;).

Segabinazi, Zortea e Giacomini (2013) afirmam a relevância de estudos sobre Bem-Estar Subjetivo (BES), pois compreende-se que esse constructo relaciona-se a desfechos positivos no desenvolvimento do adolescente. Park (2004), complementa essa afirmativa sobre o papel do BES no desenvolvimento positivo na juventude, no qual constata que altos níveis de bem estar subjetivo (satisfação de vida e afetos positivos) está diretamente relacionado a boas condições de escolaridade, pouca exposição a violência e ansiedade, sendo esses resultados apontados pelo autor como fundamentais para as políticas de prevenção e promoção a saúde da criança e adolescente.

Sabendo da importância de se conhecer melhor como se constitui o adolescente, os componentes do bem estar subjetivo explanam as características que se fazem necessárias para o conhecimento desse sujeito em transformação. Portanto o BES é uma área estudada pela psicologia positiva e busca compreender as características que influenciam a maneira como as pessoas reagem a situações, sendo a satisfação de vida o componente cognitivo o qual indica os níveis de entusiasmo e prazer, ou de descontentamento e sofrimento da vida do indivíduo. Já os componentes afetivos como os afetos positivos (sentimento de alegria, sensação de prazer) e afetos negativos (ansiedade, medo) (Bardagi, Hutz & Zanon, 2014; Giacomoni, 2004;

Giacomoni & Hutz 2006). Os afetos medem os níveis de felicidade, emoções e sentimentos vivenciadas pelo indivíduo, ou seja, dizem respeito aos prazeres da vida ou das emoções desagradáveis, sendo considerados portanto momentâneos ou provisórios (Diener, 1995; Hutz &

Zanon, 2013).

Zanon e Hutz (2014), que adaptaram e validaram a escala PANAS que se refere aos afetos encontraram diferenças estatisticamente significativas nos afetos entre meninos e meninas, os autores explicam que as mulheres tem maior inclinação a vivenciar afetos negativos quando comparadas aos homens.

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O estudo sobre BES surgiu, segundo Albuquerque e Tróccoli (2004), na américa e foi se estabelecendo ao longo do tempo, marcado por indefinições sobre seu significado e conceito.

Todavia, mesmo com essa divergência de opiniões as pesquisas sobre o BES têm usado com muita frequência o termo felicidade, qualidade ou satisfação de vida e estado de espírito como nomenclatura de senso comum e que define o termo BES (De Neve & Cooper, 1998). Anguas (1997) também acrescenta que BES refere-se diretamente a saúde mental do indivíduo sendo sinônimo de felicidade, enquanto Martinez e Garcia (1994), explicam que a definição para BES vai além de como o sujeito identifica sua felicidade mas que esta percepção está diretamente ligada a fatores sociais, políticos, demográficos e de saúde que a pessoa tem de si mesmo.

Em face dessas características do BES, o desenvolvimento e a satisfação de vida dos adolescentes pode ser mensurado pela escalas de Afetos Positivos (AP) e Afetos Negativos (AN) – PANAS e da escala de satisfação de vida, componentes primários do BES os quais estão conectados com a magnitude e constância das vivencias emotivas, ou seja sentimentos de alegria, prazer, emoções repulsivas, medo entre outras (Deneve e Cooper, 1998; Lyubomirsky, King, &

Diener, 2005).

Huebner (1994), autor norte americano que realizou pesquisa com os mesmos componentes estudados neste estudo concluiu que os escores obtidos nas variáveis de idade e sexo não apresentaram significância. O autor explicou que a influência de aspectos culturais, podem ter contribuído na ausência de diferenças significativas, na satisfação de vida, por faixa etária ou sexo. Enquanto que Segabinazi et al. (2010), encontraram em seu estudo utilizando a escala de satisfação multidimensional de vida baixos escores na satisfação de vida, ou seja não encontrando diferenças estatisticamente significativas entre as idades e entre os sexos

O objetivo deste estudo foi avaliar o Bem Estar Subjetivo (BES) de adolescentes escolares a partir da avaliação cognitiva da vida (satisfação de vida) e da avaliação afetiva (afetos positivos e negativos). Além disso, objetivou-se investigar se haviam diferenças, nas variáveis investigadas, entre os sexos e entre adolescentes mais novos e mais velhos.

2 Método

2.1 Participantes

Participaram do estudo, 237 adolescentes de 14 a 18 anos (M=15,5; DP=0,84), 58%

meninas, de uma escola pública da cidade de Passo Fundo, todos estudantes de ensino médio, sendo que 43% eram estudantes do 1º ano. Além disso, 14% deles teve, pelo menos, uma reprovação escolar e 99% declararam-se solteiros.

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Como critérios de exclusão para participação no estudo, não participaram alunos que não aceitaram e/ou possuíam menos de 12 anos ou mais de 18 anos. Como critérios de inclusão, deveriam ter de 13 a 18 anos independente de orientação sexual, sexo, nível sócio econômico e crença religiosa; aceitar participar, voluntariamente, da pesquisa e ter o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por um responsável, bem como o Termo de Assentimento assinado.

2.2 Instrumentos

Os instrumentos de coleta de dados foram:

- Um questionário sociodemográfico (Anexo 03) que tinha como objetivo de coletar informações sociodemográficas dos participantes (idade, sexo, escolaridade e estado civil), buscando caracterizar a amostra do estudo.

- Escala de afetos positivos e negativos (Anexo 04): PANAS (Zanon & Hutz, 2014): A escala de Afeto positivo (AP) e Afeto Negativo (AN) são componentes do BES, e buscam aferir a assiduidade e intensidade das emoções e sentimentos expressadas pelos indivíduos. É composta por 20 itens, sendo dez destes representando o AP e dez que caracterizem aspectos do AN, sendo a escala Likert de cinco pontos usada para medir as repostas, possuindo consistência de 0,81 para AP e 0,78 para o AN.

Escala global de satisfação de vida (Anexo 05): (Giacomoni, et al., 2012): comporta por 10 itens que avaliam a satisfação global de vida de adolescentes. Os mesmos devem responder, em uma escala likert de cinco pontos (1 = nem um pouco e 5=muitíssimo) o grau de satisfação com sua vida. A escala apresentou, em estudos de adaptação e validação, consistência interna de 0,90.

2.3 Procedimentos e considerações éticas

Foi estabelecido contato com uma escola estadual, com o propósito de obter carta de autorização. Após autorização da escola o estudo foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Meridional – IMED para análise. Mediante a aprovação a pesquisadora buscou os participantes da pesquisa por conveniência na escola estadual de Passo Fundo, visando selecionar os participantes que preencheram os critérios de inclusão da pesquisa.

O contato inicial foi realizado, primeiramente, com a escola a fim de combinar dia, data e local para aplicação dos instrumentos naqueles adolescentes que, voluntariamente, quisessem participar. Após, foi realizado contato com os adolescentes, explicando objetivos da pesquisa.

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Aqueles que demonstraram interesse, enviaram para os responsáveis assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), além de assinarem o Termo de Assentimento (TA).

Em outro momento, a pesquisadora voltou à escola para recolher o TCLE e TA e realizar a aplicação que foi em grupo e durou, aproximadamente, 25 minutos. As questões éticas foram asseguradas no momento da participação dos adolescentes, podendo desistir em qualquer momento sem qualquer prejuízo. Além disso, os direitos foram assegurados através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido redigido de acordo com as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos (Resolução n.º 466/2012).

2.4 Análise dos dados

Os dados foram digitalizados no programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences versão 22.0. As variáveis foram computadas segundo estudos já realizados, por exemplo, os itens da escala de Afetos Positivos e Negativos (PANAS) e da Escala Global de Satisfação de vida para adolescentes (EGSV-A) foram computados em um escore geral, além da inversão de escores nos itens (segundo necessidade).

Análises descritivas como médias e desvios-padrão foram realizadas para idade, sexo, afetos positivos e negativos e satisfação de vida global. A fim de investigar se haviam diferenças com os afetos e satisfação de vida entre meninos e meninas e entre adolescentes mais novos (de 14 e 15 anos) (n=133) e mais velhos (16 a 18 anos) (n=104), testes U de Mann-Whitney foram realizados.

3 Resultados e discussão

O resultado das análises descritivas dos afetos positivos, afetos negativos e satisfação de vida encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1 – Análise descritiva dos afetos positivos e negativos e da satisfação de vida

Mínimo Máximo M DP

Afetos Positivos (AP) 13 47 31,45 6,65

Afetos Negativos (AN) 10 41 21,70 6,65

Satisfação de Vida (SV) 14 50 37,60 6,90

Nota: M=média; DP= desvio padrão

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Foram analisadas, através de teste U de Mann-Whitney se haviam diferenças estatisticamente significativas entre os sexos nos afetos positivos e negativos e na satisfação de vida. Não foram encontradas diferenças significativas em nenhuma das variáveis. Os resultados encontram-se na Tabela 2.

Tabela 2 – Resultados teste de diferença entre os sexos nas variáveis investigadas

Mean Rank U p

Afetos Positivos (AP) Meninos Meninas

117,00 120,46

6650,00 0,70

Afetos Negativos (AN) Meninos Meninas

120,75 117,72

6675,00 0,74

Satisfação de Vida (SV) Meninos Meninas

122,14 116,71

6536,00 0,55

Teste U de Mann-Whitney também foi realizado para investigar possíveis diferenças, entre adolescentes mais novos (14 e 15 anos) e mais velhos (16 a 18 anos) nas variáveis AP, AN e SV.

Tabela 3 – Resultados teste de diferença entre adolescentes mais novos (14 e 15 anos) e mais velhos (16 a 18 anos) nas variáveis investigadas

Mean Rank U P

Afetos Positivos (AP) Mais novos Mais velhos

113,62 125,88

6201,00 0,17

Afetos Negativos (AN) Mais novos Mais velhos

121,56 115,72

6575,00 0,51

Satisfação de Vida (SV) Mais novos Mais velhos

114,27 125,05

6286,00 0,23

Os resultados do teste U de Mann-Whitney indicaram não haver diferenças estatisticamente significativas entre adolescentes mais novos quando comparados com mais velhos nos afetos (negativos e positivos) e nem na satisfação de vida.

4 Discussão

A presente pesquisa buscou avaliar o Bem Estar Subjetivo (BES) de adolescentes

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escolares a partir da avaliação cognitiva da vida (satisfação de vida) e da avaliação afetiva (afetos positivos e negativos). Além disso, objetivou-se verificar se haviam diferenças, estatisticamente significativas, entre os sexos e entre adolescentes mais novos e mais velhos na SV e nos afetos.

Em síntese, os resultados desse estudo demonstraram que a média geral para SV foi de 37,60 (DP=6,90). Em relação aos afetos, o estudo indicou média geral, para AP 31,45 (DP=6,65) e média de 21,70 (DP=6,65) para AN. No geral, não houve diferenças estatisticamente significativas entre sexo e idades (adolescentes mais novos 14 e 15 anos e mais velhos 16 a 18 anos) na SV e nem nos AP e AN.

A versão adaptada e validada para o Brasil da escala PANAS a qual foi utilizada no presente estudo (Zanon & Hutz, 2014) evidenciou, conforme as tabelas normativas, que quanto mais alto o percentil paralelo ao escore bruto, maior será o AP e AN. Assim, em conformidade com as normas da adaptação e validação, a média geral para o AP em ambos os sexos (homens e mulheres) foi de M=34,0 e (DP= 6,6). Já as normas para o AN, é diferenciado quanto ao sexo, sendo a média, para homens, de 20,5 e (DP= 7,1) e para as mulheres (M= 22,1; DP= 7,2). No que diz respeito a SV, o estudo da Escala Global de Satisfação de Vida para Adolescentes (EGSV-A) (Giacomoni et al., 2012) demonstrou média geral para os meninos de 39,8 (DP=6,0) e para as meninas 37 (DP=6,9) (Segabinazi et al., 2014).

Comparando-se os resultados do presente estudo com os de adaptação, validação e normatização para a escala PANAS e EGSV-A, há similaridades nos valores das médias tanto para a SV (M=39,8) quanto para ao AP e AN (M=34,0). Já no que diz respeito às diferenças entre os sexos nos afetos e na satisfação, o estudo não demonstrou haver diferenças estatisticamente significativas entre meninos e meninas. Este aspecto possui similaridades, mas também divergem de estudos anterior sobre bem estar subjetivo em adolescentes. Por exemplo, no estudo de Zanon e Hutz (2014), os autores encontraram diferenças estatisticamente significativas nos afetos entre meninos e meninas, tendo, as mulheres maior inclinação a vivenciar afetos negativos quando comparadas aos homens.

Ma e Huebner (2008) em seu estudo com 587 jovens de escolas de ensino médio no sudeste dos Estados Unidos, na faixa etária de 10 a 16 anos de idade, investigou a satisfação de vida dos jovens, bem como as possíveis diferenças de gênero. Os resultados indicam que as variáveis sóciodemográficas e sexo dos participantes não representam fatores determinantes na avaliação de satisfação global de vida. No entanto, as variáveis interpessoais constituíam como os preditores mais fortes para satisfação de vida.

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Outro estudo, realizado por Arteche e Bandeira (2003) correlacionou as escalas de afetos positivos e afetos negativos com 193 jovens trabalhadores e não trabalhadores, entre 14 e 17 anos de idade, a fim de investigar o bem estar subjetivo em adolescentes que trabalham e os que não trabalham. A pesquisa das autoras utilizou a Escala Multidimensional de Satisfação de Vida para adolescentes (EMSV- A), a escala de afetos positivo e afetos negativos PANAS, e a escala de eventos estressores. Os resultados indicam que o escore médio do fator positivo em PANAS foi superior ao de afeto negativo, apresentando 3,04 (DP = 0,64) e 1,96 (DP = 0,69), respectivamente. No que diz respeito aos resultados da EMSV-A, os jovens participantes da pesquisa alcançaram bons níveis de bem estar, considerando as médias da escala total que ficaram acima de 3,75. O estudo sugere que as variáveis como o sexo e idade dos adolescentes não são capazes de explicar a variação nos níveis de satisfação de vida.

Já o estudo realizado por Serafini e Bandeira (2008), investigou a satisfação de vida, rede de relações, coping e neurociticismo em adolescentes portadores e não portadores do vírus HIV de 14 a 23 anos de idade. Os autores utilizaram, como instrumento de coleta de dados, a EMSV- A, o inventário de rede de relações – IRR, inventário de estratégias de coping e a escala fatorial de neuroticismo – EFN. Os resultados mostraram que a média para satisfação de vida global é de 3,72 (DP=0,95) e satisfação de vida total 3,77 (DP=0,57), enquanto que a média de satisfação total para adolescentes do sexo feminino foi de 3,67 e para sexo masculino de 3,97. A análise total da EMSV-A concluiu que os jovens investigados encontram-se satisfeitos no aspecto familiar, pois a média da dimensão família obteve média mais alta dentre o grupo total da escala com 4,07 (DP=0,69). Enquanto a comparação entre homens e mulheres dos fatores da EMSV-A, os autores afirmam que não obtiveram diferença significativa entre sexos.

Buscando relacionar nossos resultados com pesquisas que também não encontraram diferenças estatisticamente significativas o estudo realizado por Strelhow, Bueno, e Câmara (2010) com 188 alunos do ensino fundamental de escolas estaduais de uma cidade do Rio Grande do Sul, de a 12 e 19 anos teve como objetivo avaliar a diferença entre meninos e meninas em termos de percepção de saúde, felicidade e satisfação com a vida a partir da Escala Multidimensional Breve de Satisfação com a vida entre Estudantes (Brief Multidimensional Students’ Life Satisfaction Scale – BMSLSS). Os autores relatam que a média de satisfação geral com a vida para o sexo feminino é de M= 8,69 e masculino M= 8,32, não havendo diferenças estatisticamente significativas entre os sexos. Este estudo é similar aos nossos resultados, indicando não haver diferenças entre os sexos na satisfação de vida.

Outro estudo, realizado por Siqueira e Dell'Aglio (2008) investigaram características como desempenho escolar e satisfação de vida através Escala multidimensional de Satisfação de

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Vida para adolescentes (EMSV-A), em 155 jovens entre 7 e 16 anos de instituições de Porto Alegre. O estudo realizado pelas autoras não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre os sexos no que se refere a satisfação de vida. No entanto, foi notada uma correlação negativa entre a média total da escala e a idade, sendo que quanto maior a idade do jovem, menor se apresenta a média total da EMSV-A. Os autores sinalizam que a percepção positiva acerca da satisfação com a vida tende diminuir com a idade, diferentemente aos resultados do presente artigo que não encontrou diferenças estatisticamente significativas, nos afetos e satisfação de vida de acordo com a idade.

Os autores Giacomini e Hutz (2008) no estudo que buscou validar a escala multidimensional de satisfação de vida com crianças: estudos de construção e validação, refere que tratando-se dos resultados relacionados com diferenças entre sexos e os níveis de satisfação de vida, correspondem com o esperado, quanto a ausência de diferenças entre gêneros em diversas culturas. Já em relação a faixa etária, os autores encontraram diferentes correlações para o público infantil.

Estudo realizado por Segabinazi et al. (2010), o qual visou desenvolver a Escala Multidimensional de Satisfação de vida (ESMV-A), com aplicação em 425 adolescentes com idade média de 16,1 anos, indicou baixos escores na satisfação de vida. O estudo não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre as idades e entre os sexos, os autores sinalizam para o fato de que não há consistências nos resultados em relação a satisfação de vida e sua relação com idade e sexo dos adolescentes.

Já o estudo de Huebner (1994), realizado com crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos do meio oeste dos Estados Unidos, indica que os escores obtidos nas variáveis de idade e sexo não apresentam significância. O autor afirma que a influência de aspectos culturais, que definem a constituição das crenças e valores, contribuem na ausência de diferenças significativas, na satisfação de vida, por faixa etária ou sexo.

5 Considerações Finais

O presente estudo teve como objetivo avaliar o Bem Estar Subjetivo (BES) de adolescentes escolares a partir da avaliação cognitiva da vida (satisfação de vida) e da avaliação afetiva (afetos positivos e negativos). Além disso, verificou-se se haviam diferenças estatisticamente significativas, entre sexos e idades, nos escores dos construtos. No geral, os adolescentes apresentaram escores similares em estudos anteriores. Quanto ao sexo e faixas etárias, o estudo indicou não haver diferenças estatisticamente significativas na SV nem nos

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afetos. Esses resultados são similares, mas também diferentes de outros estudos, indicando não haver consenso na literatura. Dessa forma, os resultados deste trabalho sugerem a necessidade de se expandir pesquisas que abrangem a percepção dos adolescentes sobre o bem estar subjetivo, e variáveis associadas.

Quanto às limitações encontradas nesta pesquisa, ressalta-se que a presente pesquisa indica resultados de adolescentes de uma escola específica da cidade de Passo Fundo- RS, o que restringe o estudo a apenas esta população escolar. Para tanto, sugere-se expandir a amostra para várias escolas da cidade e até mesmo para outras cidades do Rio Grande do Sul, além disso, pode-se investigar outros fatores que influenciam a SV e os afetos, para além da idade e sexo.

Por fim sugere-se que próximos estudos sobre Bem estar subjetivo abordem aspectos de semelhanças e diferenças em relação a outras instituições e realidades, além de comparações com idades e sexos dos participantes investigados.

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6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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(2012). Escala de afetos positivos e negativos para adolescentes: Adaptação, normatização e evidências de validade. Avaliação Psicológica, 11(1), 1-12.

Weisfeld, G. E., & Billings, R. L. (1988). Observations on adolescence. In Sociobiological perspectives on human development (pp. 207-233). Springer New York.

Zanon, C., Bastianello, M. R., Pacico, J. C., & Hutz, C. S. (2013). Desenvolvimento e validação de uma escala de afetos positivos e negativos. Psico USF, 18(2), 193-201.

Zanon, C., & Hutz, C. S. (2014). Escala de afetos positivos e afetos negativos (PANAS). In C.

(18)

Hutz (Org.) Avaliação em psicologia positiva. (pp. 63-67). Porto Alegre: Artmed.

(19)

ANEXOS

(20)

ANEXO 1

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE

Eu,_________________________________________________________, abaixo assinado, concordo em participar da pesquisa “A influência das variáveis protetivas e de vulnerabilidade na personalidade dos adolescentes”. Tal estudo prevê a participação de pessoas que aceitem participar a partir dos critérios estabelecidos por cada sub projeto. Fui informado que precisarei comparecer a um encontro presencial previamente agendado com duração de aproximadamente uma hora. Essa entrevista/aplicação de instrumento acontecerá na IMED Faculdade Meridional (IMED/Passo Fundo) ou em escolas onde os adolescentes estejam matriculados. A identidade enquanto participante será mantida em anonimato.

O maior desconforto para você poderá ser o tempo de duração da aplicação dos instrumentos.

Caso ocorra um eventual incômodo gerado pela entrevista, você poderá ser encaminhado para o SINAPSI para atendimento psicoterápico com estudantes da graduação. O benefício será a contribuição pessoal para o desenvolvimento de um estudo científico.

A sua participação ocorrerá por meio da aplicação dos instrumentos, na qual você responderá um questionário sociodemográfico e algumas escalas relacionadas a traços de personalidade e fatores de proteção e vulnerabilidade. Após o aceite em participar, será marcado dia, hora e local para o encontro, de acordo com a disponibilidade dos participantes.

Estes dados serão mantidos em sigilo, preservando-se a minha identidade. O maior desconforto que terei será o tempo que necessitarei dispor para responder o questionário sociodemográfico e as escalas. O benefício que terei será a contribuição para o desenvolvimento de estudos científicos. Foi-me assegurado o anonimato e a confiabilidade das informações por mim fornecidas; resposta a quaisquer perguntas que eu possa ter sobre minha participação nesta pesquisa; liberdade para solicitar desligamento da pesquisa a qualquer momento e, diante do meu desejo e pedido, e após análise do pesquisador juntamente com sua orientadora, encaminhamento para atendimento psicoterápico na Clínica Escola de Psicologia da Faculdade Meridional IMED.

Todas as minhas dúvidas foram respondidas com clareza e sei que poderei solicitar novos esclarecimentos para o pesquisador: Denise Gelain (54) 99879784. Ressalta-se que as informações obtidas pela entrevista poderão, eventualmente, ser utilizadas para a produção de artigos científicos, sendo, entretanto, garantida aos participantes a confidencialidade em relação

(21)

à sua identidade. Declaro que recebi cópia do presente Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Nome do participante: ________________________________________________________

Assinatura: ____________________________________________ Data: ________________

Nome do pesquisador: Denise Gelain

Assinatura: ____________________________________________ Data: ________________

(22)

ANEXO 2

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os Pais

Caros Senhores Pais, Esta pesquisa intitulada “A influência das variáveis protetivas e de vulnerabilidade na personalidade dos adolescentes” sob coordenação e supervisão da Profª.

Denise Gelain, objetiva Compreender como ocorre a relação entre as variáveis protetivas e a vulnerabilidade com adolescentes. Este estudo para o qual solicitamos sua autorização é um estudo no qual os adolescentes responderão a algumas escalas relacionadas a personalidade e a correlação com variáveis de proteção e vulnerabilidade. As escalas serão aplicadas em sala de aula onde seus filho estuda com autorização prévia. Esclarecemos ainda que os resultados serão mantidos com a pesquisadora e serão divulgados em eventos científicos e submetido à publicação em revista científica, mantidas as condições de sigilo. Estamos convidando seu filho (a) para participar da presente pesquisa. Você tem todo o direito de não autorizar e, em qualquer momento da pesquisa, seu filho (a) poderá interromper sua participação sem qualquer problema, devendo somente avisar a pesquisadora da sua desistência. Pesquisadora: Denise Gelain Fone:

(54) 99879784

____________________________________________________________________________

CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Declaro que li as informações acima sobre a pesquisa, e que me sinto perfeitamente esclarecido(a) sobre o conteúdo da mesma, assim como os seus riscos e benefícios. Declaro ainda que, por minha livre vontade, autorizo a participação de meu filho(a) na presente pesquisa.

Passo Fundo, ____ de ____de 2016.

________________________________________ Responsável pela criança

(23)

ANEXO 3

Questionário Sociodemográfico

1. Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino 2. Idade? ________ anos

3. Estado civil:

( ) Solteiro ( ) Casado ( ) Mora junto ( ) Separado/divorciado ( ) Viúvo

4. Qual a sua escolaridade?

( ) 7º ano ( ) 8º ano ( ) 9º ano ( ) 1ºano EM ( ) 2º ano EM ( ) 3º ano EM

5. Qual turno você frequenta a escola?

( ) Manhã ( ) Tarde ( ) Integral ( ) Noite

6. Você já foi reprovado?

( ) Não ( ) Sim Quantas vezes? ___________

7. Com quem moras? (Marque mais de uma resposta se for o caso) ( ) Pai ( ) Mãe ( ) Padrasto ( ) Madrasta ( ) Irmãos ( ) Avô ( ) Avó ( ) Tios ( ) Pais adotivos ( ) Filhos ( ) Companheiro

8. Quantas pessoas moram na sua casa incluindo você?

Quantos têm: Até 5 anos _________

Entre 6 e 14 anos _________

Entre 15 e 24 anos _________

Acima de 25 anos _________

9. Tens irmãos? ( ) Não ( ) Sim Quantos? _________

10. Sobre situação de trabalho remunerado:

(24)

( ) Nunca trabalhei

( ) Já trabalhei mas não trabalho atualmente ( ) Estou trabalhando

( ) Estou procurando trabalho

11. O que você costuma fazer quando não está estudando ou trabalhando? (Marque mais de uma resposta se for o caso)

( ) Praticar esportes ( ) Jogar/brincar ( ) Passear ( ) Assistir TV ( ) Ouvir ou tocar música ( ) Namorar ( ) Descansar ( ) Navegar na internet ( ) Ler livros

( ) Outros ____________________

(25)

ANEXO 4

Escala de afeto (bem estar subjetivo)

Esta escala consiste em um número de palavras que descrevem diferentes sentimentos e emoções. Leia cada item e depois marque a resposta adequada no espaço ao lado da palavra.

Indique até que ponto você tem se sentido desta forma ultimamente.

1 2 3 4 5

Nem um pouco Um pouco Moderadamente Bastante Extremamente

1 Aflito ___________________

2 Amável ___________________

3 Amedrontado ___________________

4 Angustiado ___________________

5 Animado ___________________

6 Apaixonado ___________________

7 Determinado ___________________

8 Dinâmico ___________________

9 Entusiasmado ___________________

10 Forte ___________________

11 Humilhado ___________________

12 Incomodado ___________________

13 Inquieto___________________

14 Inspirado ___________________

15 Irritado ___________________

16 Nervoso ___________________

17 Orgulho ___________________

18 Perturbado ___________________

19 Rancoroso ___________________

20 Vigoroso ___________________

(26)

ANEXO 5

Escala de satisfação de vida (bem estar subjetivo)

Gostaríamos de saber o que você pensa sobre a sua vida. Para cada frase escrita abaixo você deve escolher um dos números que melhor representa o quanto você concorda com o que esta frase diz sobre você. Veja a frase do exemplo: “Eu sinto prazer em viver. Se você sente muitíssimo prazer em viver, marque 5. Se você sente apenas um pouco de prazer em viver, marque 2. E assim por diante”.

Nem um

pouco

Um pouco Mais ou

menos

Bastante Muitíssimo

Eu sinto prazer em viver 1 2 3 4 5

1 2 3 4 5

1 Tenho tudo o que preciso.

2 Gosto da minha vida.

3 Estou satisfeito com as coisas que tenho.

4 Me sinto bem do jeito que sou.

5 Estou satisfeito com a minha vida.

6 Sou um adolescente basicamente feliz.

7 Quando penso na minha vida como um todo eu me considero satisfeito.

8 Eu me sinto realizado com a vida que eu levo.

9 Em geral, eu me sinto relativamente feliz sem qualquer motivo especial.

10 Aprovo o meu modo de viver.

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