RESENHA•EDUCAÇÃO: OS NOVOS DESAFIOS DA UNIVERSIDADE
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Antes de falar do conteúdo ambi-cioso do livro, é importante registrar a importância da sua publicação como expressão da maturidade de um nú-cleo de pesquisa na área de estudos organizacionais: o Observatório da Realidade Organizacional, coordena-d o p elos organ izacoordena-d ores coordena-d a obr a, Cristina Amélia Carvalho e Marcelo Milano Falcão Vieira. O livro demons-tra justamente o caminho percorrido pelo grupo: sua reflexão sobre as teo-rias contemporâneas e a investigação da realidade local. O viés da cultura foi o escolhido para, a partir dos es-tudos empíricos da realidade da re-gião metropolitana de Recife, buscar
TEORIA ORGANIZACIONAL: A ÓTICA DA
CULTURA E DO DESENVOLVIM ENTO LOCAL
RESENHA•TEORIA ORGANIZACIONAL: A ÓTICA DA CULTURA E DO DESENVOLVIM ENTO LOCAL
a sua consonância com as questões teóricas e metodológicas que nos são contemporâneas na área de estudos organizacionais.
O livro é dividido em duas partes: a primeira – “Reflexões teóricas” – marca a opção do grupo em pautar su as an álises in stitu cion alistas ou n eoin stitu cion alistas; a segu n da – “Investigações empíricas” – volta-se para a realidade, buscando nela luzes para a reflexão teórica. Nessa divisão em duas partes, residem paradoxal-mente os estímulos e as angústias que movem as pesquisas em área como a nossa, do universo das Ciências Soci-ais Aplicadas: por um lado, a busca
de consistência teórica para aprimo-rar o olhar que vai tentar, por outro lado, explicar o mundo real que pul-sa à nospul-sa volta. E o livro é um vigo-roso exemplo dessa divisão tão pre-sente na alma do pesquisador.
Na primeira parte, que tem o sub-título “Abordagem institucional, po-der e po-derivações”, a opção pela abor-dagem in stitu cion al é mu ito bem tradu zida pelos organ izadores n o texto intitulado “Contribuições da perspectiva institucional para a aná-lise das organizações: possibilidades teóricas, empíricas e de aplicação”. Os autores fazem uma análise do es-tado da arte da abordagem
institu-ORGANIZAÇÕES, CULTURA E DESENVOLVIM ENTO LOCAL: A AGENDA DE PESQUISA DO OBSERVATÓRIO DA REALIDADE ORGANIZACIONAL
De Cristina Amélia Carvalho e Marcelo Milano Falcão Vieira (Organizadores)
Recife: Editora Universitária – UFPE, 2003. 1a edição, 366 p.
Por M arcelo Dantas
Professor e pesquisador do NEPOL e coordenador do PACTU na UFBA. Doutor em Sociologia pela Universidade de Paris VII.
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ALEXANDRE NICOLINIM ARCELO DANTAS
cionalista de modo a apresentar o seu surgimento e desenvolvimento por meio de vários campos das ciências so-ciais, seus principais autores e os atu-ais defensores dessa corrente, os cha-mados neoinstitucionalistas. No se-gundo artigo – “Instituições e poder: explorando a possibilidade de trans-ferências conceituais”–, um espaço mais aprofundado para a crítica a even-tuais fragilidades da abordagem ins-titucional é desenvolvido por Mar-celo Milano Falcão Vieira e Maria Cecy Mizoczky no qual os autores apontam as fragilidades dos institu-cionalistas na concepção de poder. A esses se agregam os artigos de José Ricardo Costa de Mendonça, que traz uma retrospectiva do tema e sua uti-lização por pesquisadores brasileiros; de Rosimeri Carvalho e Eloísa Hele-na Livramento Dellagnelo, que in-vestiga os caminhos propostos por novas abordagens sobre o mundo das organizações, buscando caracterizar essas novas formas organizacionais e, finalmente, analisando a questão do controle e a renovação das suas práticas; e de Sueli Goulart e Marce-lo Milano Falcão Vieira, que analisa a evolução do conceito de desenvol-vimento local, suas contradições, os limites de algu mas abordagen s, e também busca compreender o papel das u n iversidades n o desen
volvi-mento local sob a luz dos impasses teóricos atuais.
A segunda parte do livro é subdi-vidida em outras duas: na primeira, intitulada “O mundo da cultura e suas organizações”, seis artigos destacam a abordagem da cultura; na segunda, “Desenvolvimento e organizações lo-cais”, mais cinco artigos priorizam as relações da cultura com o desenvol-vimento. Esses onze artigos são, sem dúvida, a contribuição mais valiosa do Observatório da Realidade Organiza-cional: os membros do grupo de pes-quisa partem para a investigação da realidade pernambucana, analisando teatros, maracatus e times de futebol, buscando, a partir de pesquisas em-píricas, elaborar a sua contribuição para os estudos organizacionais.
Em seu conjunto, os artigos mos-tram um grande esforço de análise das organ izações e man ifestações culturais de Pernambuco, buscando nelas a expressão de questões teóri-cas que pautam o universo das or-ganizações contemporâneas. Capí-tulos como “Da origem pagã às mi-caretas: a mercantilização do carna-val”, de Gustavo Madeiro e Cristina Amélia Carvalho; “Maracatu pernam-bucano: resistência e adaptação na era da cultura mundializada”, de Rodrigo Gameiro, Michelle Ferreira de Menezes e Cristina Amélia Carvalho; “Parceri
-as entre ONGs e empres-as: uma re-lação de poder camuflada”, de Távia Correia Monte; e “Sobre a falácia da relação direta entre turismo e desen-volvimento local”, de Luciana Araú-jo de Holanda e Marcelo Milano Fal-cão Vieira, mostram o fôlego do gru-po em aliar a criatividade da investi-gação empírica e o aguçado espírito crítico nas análises que produzem.