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Vizinhança química de Er em a-Si:H

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Academic year: 2021

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Universidade Estadual de Campinas

Instituto de Fsica \Gleb Wataghin"

-Tese de Mestrado

Vizinhanca qumica de Er em a-Si:H

Cnthia Piamonteze

(2)

Conteudo

1 EXAFS

6

1.1 Absorc~ao . . . 7

1.2 EXAFS - o fen^omeno fsico . . . 10

1.3 Equac~ao de EXAFS . . . 12

2 Material

17

2.1 Silcio amorfo hidrogenado . . . 17

2.1.1 Estrutura at^omica e defeitos . . . 17

2.1.2 Estrutura e propriedades eletr^onicas . . . 19

2.1.3 Hidrog^enio . . . 20

3 Experimental

21

3.1 Sncrotron . . . 21

3.1.1 Caractersticas da radiac~ao sncrotron . . . 21

3.1.2 Anel de armazenamento . . . 22 3.1.3 O LNLS . . . 24 3.2 A linha XAS do LNLS . . . 25 3.2.1 Monocromador . . . 26 3.2.2 Detectores . . . 29 3.3 Medidas de EXAFS . . . 34 3.3.1 Padr~oes . . . 35 3.3.2 Amostras . . . 35

3.4 Preparac~ao das amostras . . . 37

3.4.1 Deposic~ao por RF co-sputtering . . . 37

3.4.2 Implantac~ao . . . 39 1

(3)

CONTEUDO 2

4 Analise dos dados

40

4.1 Subtrac~ao da absorc~ao at^omica . . . 42

4.2 Transformac~ao de Fourier . . . 44

4.3 Simulac~ao . . . 46

5 Resultados

51

5.1 Vizinhanca qumica em func~ao da concentrac~ao de oxig^enio . . . 51

5.2 Co-deposic~ao versus Implantac~ao . . . 56

6 Discuss~ao

63

6.1 Vizinhanca qumica em func~ao da concentrac~ao de oxig^enio . . . 63

6.2 Co-deposic~ao versus Implantac~ao . . . 68

6.2.1 Amostra co-depositada . . . 68

6.2.2 Amostra implantada . . . 69

7 Conclus~oes

71

A Atomos multieletr^onicos

74

A.1 O acoplamento dos momentos angulares . . . 75

A.2 Termos espectroscopicos . . . 76

A.3 Regra de Hund - estado fundamental . . . 77

(4)

Introduc~ao 3

Introduc~ao

Nessa tese estudamos a vizinhanca qumica dos ons Er3+ incorporados em

silcio amorfo hidrogenado (a-Si:H). O interesse em se estudar o Er vem da luminesc^encia que esse elemento das terras raras emite quando triplamente io-nizado. Essa luminesc^encia ocorre em 1,54m, um comprimento de onda na faixa do infravermelho que tem especial interesse em fot^onica 1, pois coincide

com o comprimento de onda para o qual bras opticas baseadas em silica t^em mnima absorc~ao.

A luminesc^encia em 1,54m corresponde a transic~ao do primeiro estado ex-citado ao estado fundamental do on Er3+. Essa transic~ao e escrita em notac~ao

espectral como 4I 13=2

;! 4 I

15=2, essa notac~ao esta explicada no ap^endice A.

Os elementos das terras raras t^em como caracterstica comum uma camada f semi-preenchida. O Er3+, em particular, tem 11 eletrons na camada 4f e seu

primeiro estado excitado corresponde a passar um eletron com ml=0 para um

estado com ml=1 dentro da camada 4f. Assim, a transic~ao correspondente a

luminesc^encia em 1,54m ocorre entre estados de mesma paridade (estados ini-cial e nal t^em l=3). Umas das regras de selec~ao [1, 2] para transic~oes do tipo dipolares exige l =1. Em outras palavras, so s~ao permitidas transic~oes

en-tre estados de paridade oposta (s;!p,p;!s oud, s~ao alguns exemplos de

transic~oes permitidas). Portanto, a transic~ao4I 13=2

;! 4 I

15=2 e proibida por

dipolo eletrico.

Porem, quando incorporado a uma matriz solida, o on Er3+ apresenta

lu-minesc^encia em 1,54m. Isso ocorre quando o stio ocupado pelo Er n~ao e centrosimetrico. Com a quebra da simetria esferica, as auto-func~oes que des-crevem os estados de energia do on Er3+ passam a ser combinac~oes lineares

das func~oes puras s, p, d, f, etc. Assim, a probabilidade de transic~ao e n~ao-desprezvel. Consequentemente, a intensidade da luminesc^encia, que e propor-cional a probabilidade de que a transic~ao ocorra, depende da estrutura local dos stios ocupados pelos ons Er3+ na matriz.

Apesar da probabilidade de transic~ao se modi car quando o Er e incorporado a uma matriz solida, a energia em que ela ocorre praticamente n~ao se altera. Isso porque a camada 4f esta envolta pelos eletrons mais externos dos nveis 5s

1Estudo de dispositivos analogos aos usados em eletr^onica, mas com eletrons substitudos

por fotons. Portanto, fot^onica lida com dispostivos envolvendo transmiss~ao, modulac~ao, re- ex~ao, ampli cac~ao e detecc~ao da luz, sendo amplamente usada em tecomunicac~oes.

(5)

Introduc~ao 4 e 5p, sendo assim pouco afetada pela vizinhanca qumica.

Dentre as varias matrizes usadas para incorporac~ao de Er, o Si esta entre as mais estudadas. O desenvolvimento de dispositivos opticos baseados em Si proporcionaria a integrac~ao da ja bem estabelecida tecnologia eletr^onica com a fot^onica. O silcio amorfo hidrogenado (a-Si:H) e um material de facil fabricac~ao e seu processamento permite integrac~ao com a tecnologia de gravac~ao usada na microeletr^onica.

Uma caracterstica interessante da luminesc^encia do Er em Si, ainda n~ao muito bem entendida, e que sua intensidade e maior em a-Si:H do que em silcio cristalino (c-Si). Alem disso, em a-Si:H a luminesc^encia tem uma supress~ao termica (temperature quenching) menor. Isto e, enquanto entre 2 e 300K a intensidade de luminesc^encia em a-Si:H e reduzida de um fator entre 3 e 5, em c-Si o fator de reduc~ao e de aproximadamente 10 e a luminesc^encia n~ao e observavel a temperatura ambiente [3, 4].

A adic~ao de co-dopantes, como O, [5, 6] e tratamentos termicos [4, 7, 8, 9] tambem aumentam a intensidade de luminesc^encia e e possvel que a raz~ao para isso esteja relacionada com a vizinhanca qumica do Er. Medidas de EXAFS fei-tas em amostras de Er implantado em Si Czochralski (Cz), que contem oxig^enio em concentrac~oes da ordem de 1018cm;3, e Si oat-zone (FZ - silcio de alta

pureza) mostram que no primeiro o Er esta coordenado com 6 atomos de O formando um octaedro distorcido enquanto que no ultimo a vizinhanca qumica do Er e formada por 12 atomos de Si dispostos simetricamente. Esse resultado e relacionado com a intensidade de luminesc^encia do Er nesses materiais que e maior em Si Cz do que em Si FZ [10]. Em amostras onde Er e O s~ao co-implantados em Si Cz encontrou-se que o Er esta inicialmente coordenado com atomos de Si e, apos um recozimento a 620oC passa a se coordenar com O [11].

O unico trabalho investigando a vizinhanca qumica do Er em a-Si:H foi por espectroscopia Mossbauer [12, 13], da qual e possvel obter apenas resultados qualitativos. Nesse trabalho foi identi cado um stio para o Er similar ao do Er2O3, o que indicaria que o Er esta coordenado com O. Alem disso, e mostrado

que o sinal correspondente a esse stio aumenta para amostras que apresentam maior intensidade de luminesc^encia e portanto conclui-se que os stios com si-metria tipo Er2O3s~ao os stios opticamente ativos do material.

Uma tecnica muito adaptada para estudos de estrutura local e EXAFS (Ex-tended X-Ray Absorption Fine Structure). Ao contrario de outras tecnicas de

(6)

Introduc~ao 5 estudos estruturais (como difrac~ao de eletrons ou de raios X), EXAFS e uma tecnica seletiva, ou seja, da informac~oes sobre a estrutura ao redor de um ele-mento escolhido. Alem disso, e possvel estudar materiais cristalinos bem como desordenados, o que e muito importante para o nosso caso ja que a matriz e amorfa.

De uma maneira geral, com EXAFS e possvel identi car, para cada camada de vizinhos (que geralmente e chamada de esfera de coordenac~ao), o elemento vizinho, a dist^ancia media entre o atomo central e este elemento, o numero medio de vizinhos (ou numero de coordenac~ao) e o fator de Debye-Waller que traz informac~ao a respeito da desordem local.

No entanto, as medidas de EXAFS n~ao podem ser realizadas em qualquer laboratorio. E preciso uma fonte de raio X contnua e muito intensa para que seja possvel obter medidas con aveis, o que torna as medidas demasiadamente longas quando utiliza-se tubos de raio X como fonte. O acesso a essa tecnica aumentou muito com a disponibilidade de usar a radiac~ao sncrotron como fonte de raio X e atualmente somente uma mnima parte das medidas de EXAFS n~ao s~ao feitas em sncrotrons. Nossas medidas foram feitas no Laboratorio Nacional de Luz Sncrotron (LNLS), situado em Campinas, em colaborac~ao com os Drs. Helio Tolentino e Maria do Carmo Martins Alves.

Em nosso trabalho medimos EXAFS do Er em a-Si:H. Com o objetivo de estudar como o O modi ca a vizinhanca qumica do Er, foram estudadas varias amostras com diferentes concentrac~oes desse co-dopante. As amostras foram preparadas por rf co-sputtering. Complementando essa primeira parte do tra-balho, foram feitos estudos da evoluc~ao da vizinhanca qumica com a tempera-tura de recozimento. Para isso, foram medidas duas amostras: uma preparada por co-sputtering e outra por implantac~ao. Dessa forma, pudemos comparar tambem como diferentes sistemas de preparac~ao afetam o comportamento das amostras durante o tratamento termico.

(7)

EXAFS

O sinal de EXAFS consiste em oscilac~oes no coe ciente de absorc~ao para energias logo acima de uma borda de absorc~ao at^omica. Na gura 1.1 temos um exemplo de espectro de absorc~ao na borda LIII do Er para uma amostra de Er2O3.

As oscilac~oes de EXAFS est~ao assinaladas. Essas oscilac~oes t^em sua origem na interac~ao do fotoeletron arrancado no processo de absorc~ao com os atomos vizinhos ao atomo absorvedor (chamado simplesmente de absorvedor daqui em diante).

O pico visto na gura 1.1 na posic~ao da borda de absorc~ao e chamado de linha branca. Esse pico aparece quando a transic~ao correspondente a borda de absorc~ao ocorre entre estados localizados.

O sinal de EXAFS tem uma amplitude da ordem de ate 10% da magnitude do espectro apos a borda [14]. Desse modo, para esse tipo de medida e ne-cessario uma fonte de raio X bem intensa ou muitas horas, ou ate alguns dias, de aquisic~ao. Por isso, atualmente as medidas de EXAFS s~ao na maioria das vezes realizadas em sncrotrons. Como veremos no captulo 2 o sncrotron con-siste em uma fonte de luz contnua e de grande intensidade que cobre uma faixa do espectro eletromagnetico que vai desde o infra-vermelho ate raios X duros. No caso de raio X sua intensidade ultrapassa em ordens de grandeza as obtidas em laboratorios com tubos convencionais.

Nesse captulo explicaremos o fen^omeno fsico por tras das oscilac~oes de EXAFS. Para isso faremos antes uma breve discuss~ao do processo de absorc~ao em si.

(8)

CAPITULO 1. EXAFS 7

8,3 8,4 8,5 8,6 8,7

Linha branca

sinal de EXAFS

E (keV)

Figura 1.1: Espectro de absorc~ao do Er2O3 na borda LIII do Er

1.1 Absorc~ao

No processo de absorc~ao um foton incidente cede sua energia para um ou mais eletrons do material. O coe ciente de absorc~aoe de nido como

I=I0e

;t (1.1)

ondeI e a intensidade da radiac~ao transmitida,I0 e a intensidade incidente et

a espessura do material.

O coe ciente de absorc~ao at^omico tem um comportamento monot^onico, de-crescendo quase linearmente com a energia. Esse comportamento e interrompido apenas quando a energia do foton incidente e su ciente para arrancar um eletron ligado a qualquer atomo do material. Quando essa energia e alcancada o coe -ciente de absorc~ao sofre um salto (como o que e visto na gura 1.1) pois aumenta muito o numero de eletrons que passam a absorver a radiac~ao. Esse salto e o que chamamos de borda de absorc~ao. A borda K corresponde a arrancar um eletron do nvel n=1, a borda L do nvel n=2, a borda M corresponde ao nvel n=3, e assim por diante. Na verdade existem 3 bordas L pois o nvel n=2 e

(9)

CAPITULO 1. EXAFS 8 dividido nos nveis 2s (borda LI), 2p

1=2 (L

II) e 2p 3=2 (L

III). Analogamente

existem 5 bordas M. As medidas de EXAFS s~ao feitas apenas nas bordas K ou L do elemento de interesse. A teoria de EXAFS considera as func~oes de onda do fotoeletron como ondas esfericas. Isso e exato para borda K pois trata-se de um estados. Para bordas LII e LIII isso e uma aproximac~ao ainda valida

dentro de certos limites. Ao passarmos para estados de outras simetrias, como

dpor exemplo, essa aproximac~ao ca cada vez mais imprecisa e a considerac~ao desse tipo de estado exatamente complicaria muito a teoria de EXAFS.

A interac~ao entre o foton incidente e os eletrons dos atomos que constituem o material pode se dar por diferentes processos, a saber:

 espalhamento Thomson (elastico);  espalhamento Compton (inelastico);  efeito fotoeletrico;

 produc~ao de pares.

Nos dois ultimos o foton cede toda sua energia a um ou mais eletrons, en-quanto que nos dois primeiros ele e apenas espalhado (isto e, entre os produtos do processo de interac~ao, ha um foton de energia menor - Compton - ou igual - Thomson - a do foton incidente), mas todos esses processos retiram fotons do feixe incidente.

A probabilidade de ocorr^encia de cada um desses processos e dada pela sec~ao de choque de absorc~ao que depende tanto da energia do foton incidente como da natureza do atomo absorvedor. Na gura 1.2 temos um gra co da sec~ao de choque do Pb em func~ao da energia do foton incidente. A faixa de energia de interesse para EXAFS e determinada pelo intervalo que compreende as bordas K e L dos elementos da tabela periodica, que, grosseiramente, varia desde centenas de eV ate aproximadamente 105 eV. Pela gura 1.2 vemos que

para energias ate 105eV o efeito fotoeletrico e o processo dominante, portanto

podemos considerar que esse e o efeito que ocorre majoritariamente no processo de absorc~ao que iremos estudar.

No efeito fotoeletrico o foton incidente e completamente absorvido, trans-ferindo toda sua energia para um eletron do material. Se a energia do foton superar a energia de ligac~ao do eletron, este sera ejetado com uma energia cinetica dada por:

(10)

CAPITULO 1. EXAFS 9

Figura 1.2: Sec~ao de choque de absorc~ao para um atomo de chumbo. E e a

sec~ao de choque de absorc~ao para o processo de espalhamento, FE e para o

efeito fotoeletrico ePR para produc~ao de pares. As descontinuidades na sec~ao

de choque correspondem as bordas de absorc~ao do chumbo. Figura retirada da refer^encia [1]

(11)

CAPITULO 1. EXAFS 10

p2

2m =h;E

0 (1.2)

ondeE0 e a energia de ligac~ao do eletron eh a energia do foton incidente.

1.2 EXAFS - o fen^omeno fsico

O coe ciente de absorc~aopara o efeito fotoeletrico e dado pela regra de ouro de Fermi [2, 15]:

/hijVjfi (h!;E

f +Ei) (1.3)

ondejiiejfis~ao os estados inicial e nal do fotoeletron arrancado,E

ieEf s~ao as

energias desses estados,V e o potencial de interac~ao da radiac~ao eletromagnetica incidente com os eletrons ligados do material e h!a energia do foton incidente. A func~ao delta garante a conservac~ao de energia.

Segundo a equac~ao 1.3, o coe ciente de absorc~ao depende dos estados inicial e nal do fotoeletron. O estado inicial e um estado do nvel n=1 ou 2 dependendo se estamos tratando de uma borda K ou L. Esses nveis, exceto para atomos muito leves como hidrog^enio e helio, s~ao pouco afetados pela vizinhanca do atomo absorvedor porque est~ao blindados das ligac~oes qumicas pelos eletrons de nveis de energia mais externos.

O estado nal corresponde ao eletron livre com uma energia cinetica dada pela equac~ao 1.2. O comprimento de onda desse eletron e dado pela relac~ao de De Broglie:

=hp: (1.4)

Lembrando que o momento do eletronpe dado pela equac~ao 1.2 vemos que o comprimento de onda do fotoeletron arrancado depende da energia do foton incidente.

Se o absorvedor esta rodeado por outros atomos, parte da func~ao de onda do fotoeletron sera espalhada por esses atomos vizinhos como mostra esquema-ticamente a gura 1.3.

A parte da func~ao de onda que e retroespalhada ira sofrer interfer^encia com a propria onda emergente e o estado nal do fotoeletron e dado pela resultan-te desse processo de inresultan-terfer^encia. Dependendo se a inresultan-terfer^encia e construtiva

(12)

CAPITULO 1. EXAFS 11

Átomo absorvedor Átomo espalhador

Função de onda emergente Função de onda retroespalhada

Figura 1.3: Esquema da func~ao de onda do fotoeletron arrancado sendo es-palhada pelos atomos vizinhos ao absorvedor. O estado nal do fotoeletron e dado pela func~ao de onda resultante do fen^omeno de interfer^encia entre a onda emergente e sua parcela retroespalhada.

(13)

CAPITULO 1. EXAFS 12 ou destrutiva a amplitude total do estado nal eletr^onico sera aumentada ou atenuada, modi cando assim a probabilidade de absorc~ao do foton segundo a equac~ao 1.3. Ao variar-se o comprimento de ondado eletron, a fase relativa entre a onda emergente e a frac~ao retroespalhada e modi cada. Dessa maneira, conforme a energia do foton incidente, e consequentemente (equac~oes 1.2 e 1.4) e modi cada, o coe ciente de absorc~ao alterna entre picos e vales corres-pondentes as interfer^encias construtivas e destrutivas.

A teoria de EXAFS leva em considerac~ao apenas espalhamentos simples, isto e, espalhamentos envolvendo somente o atomo absorvedor e uma determinada esfera de vizinhos, n~ao necessariamente da primeira esfera de coordenac~ao. Para altas energias cineticas do fotoeletron essa aproximac~ao e valida. No entanto, para baixas energias cineticas (que corresponde a energias logo acima da bor-da no espectro de absorc~ao), seu livre caminho medio e grande, bor-da ordem de 10 a 100 A (veja gura 1.4), aumentando a probabilidade de espalhamentos multiplos. Assim, para essa regi~ao de energia, a aproximac~ao de espalhamento simples n~ao e valida. Portanto, a regi~ao descrita por EXAFS comeca para ener-gias da ordem de 50eV acima da borda de absorc~ao. A estrutura na de absorc~ao na regi~ao de energias proximas a borda e descrita pela teoria de XANES (X-Ray Absorption Near Edge Structure), que exige uma analise mais aprofundada e n~ao sera abordada nessa dissertac~ao.

1.3 Equac~ao de EXAFS

A func~ao que descreve o sinal de EXAFS, (k), e de nida como a parte osci-latoria do coe ciente de absorc~ao () normalizada pela absorc~ao at^omica0.

Considerando que estamos tratando uma borda K,(k) e dada por [14, 15]:

(k) =  0 =X j Nj kR2 j jf j(k;) jsen[2kR j+ j(k)] e ;2 2 j k 2 e;2Rj=j(k ) (1.5) A equac~ao acima descreve a modi cac~ao no coe ciente de absorc~ao devido ao espalhamento da func~ao de onda do fotoeletron porNjvizinhos distantesRj

do absorvedor. A soma emj e feita sobre todas as esferas de coordenac~ao. O numero de ondake dado por

(14)

CAPITULO 1. EXAFS 13

Figura 1.4: Livre caminho medio do fotoeletron em func~ao de sua energia cinetica. A linha e uma curva universal, que sugere quen~ao depende do siste-ma considerado siste-mas apenas da energia cinetica do fotoeletron. Alguns pontos experimentais tambem s~ao mostrados. Figura retirada das refer^encias [16, 17].

(15)

CAPITULO 1. EXAFS 14

p

2m(h!;E

0)=h (1.6)

ondeE0 e a energia da borda.

fj(k;) e a amplitude de retroespalhamento e e dada pela probabilidade

da func~ao de onda do fotoeletron ser espalhada em um ^angulo de 180o pelos

atomos vizinhos. Para atomos levesf(k) e grande para pequenos valores dek, decrescendo rapidamente com o aumento dek. Para maiores valores do numero at^omico Z aparecem maximos na func~aof(k) para valores intermediarios de k [15] como mostra a gura 1.5. Esse comportamento caracterstico da amplitude de retroespalhamento com Z ajuda a identi car a natureza qumica dos atomos espalhadores.

O argumento da func~ao seno tem duas parcelas. A primeira (2kRj) e a

defasagem da func~ao de onda do fotoeletron apos percorrer 2Rj (sair do atomo

absorvedor ser espalhado e voltar). A segunda e a func~ao de fase j(k) dada

por:

j(k) =j(k) + 21(k): (1.7)

j(k) e a diferenca de fase devido ao espalhamento da func~ao de onda

ele-tr^onica pelo potencial at^omico do j-esimo vizinho. 1(k) e a defasagem devido

ao espalhamento pelo potencial do atomo central. O fator 2 conta a ida e a vol-ta. O sub ndice 1 se refere a paridade do estado nal, como estamos excitando um estado com l=0 (lembre-se que estamos tratando a borda K) pela regra de selec~ao o estado nal so pode ter l=1. A forma da func~ao (k), assim como

fj(k;), tambem depende do numero at^omico Z como mostrado na gura 1.5.

Quando ha desordem no material as oscilac~oes cam amortecidas e, na apro-ximac~ao harm^onica, isso pode ser levado em conta atraves de um termo do tipo Debye Waller, exp;

;2 2k2



. Essa desordem pode ser intrnseca ao material, o que chamamos de desordem estatica, ou pode ser devido a agitac~ao termica dos atomos.

Espalhamentos inelasticos fazem o eletron perder coer^encia e, portanto, dei-xar de contribuir para o fen^omeno de interfer^encia, tendo como consequ^encia uma atenuac~ao do sinal EXAFS. Essa atenuac~ao e descrita atribuindo-se ao fotoeletron um tempo de vida nito. Na express~ao 1.5 isso e levado em con-ta atraves do termo exp[;2r

(16)

CAP ITULO 1. EXAFS 15 0, 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 C Ge Pb f (k ,π) 2468 1 0 1 2 1 4 1 6 -5 0 5 10 15 k( Å -1 ) φ (k) Figura 1.5: No gr a co sup erior temos a amplitude de retro espalhamen to, f ( k;  ),para C (Z=6), Ge (Z=32) eP b(Z=82). No gr a co inferior temos ad e-fasagem,  ( k ), da fun c~ao de onda do foto eletron devido ao potencial do atomo espalhador, para os mesmos elemen tos. Vemos que para diferen tes numeros at^omicos do atomo espalhador ocomp ortamen to de f ( k;  )e  ( k )e m fun c~ao de k ebe m diferen te. Isso torna po ssv el a distin c~ao en tre diferen tes atomos espalhadores nas medidas de EXAFS. Os dados usados nessa gura foram reti-rados da refer ^encia [18 ],onde fun c~oes de fase eamplitude para varios elemen tos foram obtidas atra ves de calculos teoricos.

(17)

CAPITULO 1. EXAFS 16 fotoeletron. e equivalente ao tempo de vida. Ele mede a dist^ancia media per-corrida pelo fotoeletron antes de ser espalhado inelasticamente. O decaimento exponencial da func~ao de onda eletr^onica com a dist^ancia faz com que EXAFS seja sensvel apenas a estrutura local do absorvedor.

Se a borda de absorc~ao medida for L em lugar de K, temos pequenas mo-di cac~oes na equac~ao 1.5. As bordas LI, LII e LIII correspondem aos estados

iniciais: 2s, 2p1=2 e 2p3=2, respectivamente. No caso do estado 2s, pela regra de

selec~ao so podemos ter estados nais de simetria p e a express~ao de EXAFS e a mesma com a diferenca de que o estado inicialjiiagora e um estado 2s e n~ao 1s.

Se o estado inicial e 2p1=2 ou 2p3=2 s~ao possveis estados nais com simetria s

ou d. Isso complicaria um pouco a equac~ao de EXAFS pois teramos agora dois termos se somando, cada um devido a um estado nal. No entanto, foi mos-trado que dentro de uma boa aproximac~ao podemos desprezar contribuic~oes do estado nal de simetria s e assim a express~ao de EXAFS para bordas LII e LIII

(18)

Material

2.1 Silcio amorfo hidrogenado

2.1.1 Estrutura at^omica e defeitos

A desordem na estrutura at^omica e a principal caracterstica que diferencia materiais amorfos [19] de cristalinos. No entanto, ao contrario do que possa parecer, materiais amorfos n~ao s~ao completamente desordenados mas seguem algumas regras para se arranjar em sua estrutura. Essas regras dizem respeito a preservac~ao da estrutura de curto alcance e, como veremos mais a frente, elas permitem que algumas propriedades dos semicondutores cristalinos sejam preservadas em sua fase amorfa.

As ligac~oes interat^omicas em um material amorfo s~ao semelhantes as do cristal correspondente. O numero de coordenac~ao e praticamente o mesmo. A diferenca e que os comprimentos e ^angulos de ligac~oes n~ao s~ao constantes no amorfo. No silcio amorfo, em particular, a desordem e proveniente majorita-riamente de variac~oes angulares. A desordem nos comprimentos de ligac~ao e pequena.

Nos cristais, a ordem de longo alcance possibilita encontrar as posic~oes de todos os atomos da rede a partir de qualquer ponto. Nos amorfos, por outro lado, apesar da posic~ao dos primeiros vizinhos ser em media preservada, n~ao e possvel determinar a posic~ao dos atomos mais distantes. Assim, dizemos que o material amorfo preserva a ordem de curto alcance mas e desordenado a longo alcance. A gura 2.1 ilustra bem isso mostrando um esquema de uma func~ao de

(19)

CAPITULO 2. MATERIAL 18 distribuic~ao de pares para um cristal, um material amorfo e um gas. A gura serve tambem para mostrar que as posic~oes dos atomos n~ao s~ao aleatorias no amorfo, diferentemente do caso de um gas.

Figura 2.1: Diagrama esquematico da func~ao de distribuic~ao de pares para um cristal, um solido amorfo, e um gas, mostrando os diferentes graus de desordem estrutural. Figura retirada da refer^encia [19].

Com isso, a de nic~ao de defeitos nos amorfos precisa ser modi cada em relac~ao aos cristais. Nos cristais um defeito puntual e de nido como um atomo fora de sua posic~ao determinada. Existem ent~ao dois tipos de defeitos puntuais: vac^ancias e interstcios. No amorfo n~ao tem sentido de nir-se defeito dessa maneira ja que os atomos n~ao t^em posic~oes determinadas. O unico tipo de defeito que ocorre em materiais amorfos e o defeito de coordenac~ao, que ocorre quando um atomo n~ao esta ligado ao numero correto de vizinhos. Por exemplo, se um atomo de silcio assume qualquer coordenac~ao que n~ao seja 4, isso constitui um defeito. A gura 2.2 mostra esquematicamente a diferenca entre defeitos em um material cristalino e um amorfo.

(20)

CAPITULO 2. MATERIAL 19 Vacância Interstício Defeito de coordenação Cristal Amorfo

Figura 2.2: Ilustrac~ao mostrando os diferentes tipos de defeitos em um cristal e em um amorfo. Figura copiada da refer^encia [19]

2.1.2 Estrutura e propriedades eletr^onicas

Uma das principais caractersticas de semicondutores ou isolantes e a presenca de um gap de energia. Por muito tempo acreditou-se que, segundo o teorema de Bloch, o gap era uma consequ^encia da periodicidade da rede cristalina [20].

Na verdade, as bandas s~ao majoritariamente in uenciadas pelas ligac~oes qumicas e n~ao pela ordem de longo alcance. Descrevendo as ligac~oes por um modelo do tipo ligac~oes fortes, (tight binding [20]) sem levar em conta a ordem de longo alcance, chega-se tambem a um gap para os materiais amorfos [19]. No entanto, esse gap tem algumas diferencas em relac~ao a banda de energia proibida que encontramos nos cristais.

Nos materiais amorfos em geral, as variac~oes nos comprimentos e ^angulos das ligac~oes leva a exist^encia de estados localizados situados no topo da banda de val^encia e no fundo da banda de conduc~ao. Estados localizados t^em sua func~ao de onda restrita a uma regi~ao limitada do espaco, isto e, ela n~ao se sobrep~oe as func~oes de onda de eletrons vizinhos. Dessa forma, o eletron ca \localizado" n~ao podendo passar para estados vizinhos. Oposto aos estados localizados est~ao os estados estendidos, para os quais essa sobreposic~ao ocorre. Na gura 2.3 temos um exemplo da densidade de estados de um material amorfo. Pode ser mostrado que estados localizados n~ao ocorrem na mesma energia de estados estendidos. Os estados estendidos s~ao separados dos localizados por bordas de mobilidade como representado na gura 2.3.

(21)

CAPITULO 2. MATERIAL 20

Banda de

valência Banda decondução

Densidade de estados

Energia Caudas das bandas

de defeitos Estados Bordas de mobilidade

Figura 2.3: Esquema da densidade de estados em um material amorfo. Se um atomo de silcio esta subcoordenado, pelo menos uma de suas ligac~oes n~ao esta satisfeita e portanto existem eletrons n~ao compartilhados. Essas li-gac~oes pendentes (dangling bonds) criam estados bem localizados no meio do gap, assinalado na gura 2.3 como estados de defeitos.

2.1.3 Hidrog^enio

A alta densidade de ligac~oes pendentes (da ordem de 1021cm;3, para material

n~ao hidrogenado) prejudica muito a qualidade eletr^onica dos materiais amor-fos. Se a densidade de estados de defeitos e muito alta, esses estados passam a dominar o transporte. Alem disso, a luminesc^encia proveniente de recombi-nac~oes cauda-cauda s~ao suprimidas pelas combirecombi-nac~oes cauda-defeito. A func~ao do hidrog^enio e passivar as ligac~oes pendentes e quebrar as ligac~oes fracas Si-Si formando ligac~oes Si-H-Si. Com isso a densidade de defeitos no silcio amor-fo diminui para ate 1015cm;3. Na verdade, o silcio amorfo sem hidrog^enio e

um material de t~ao baixa qualidade que n~ao seria possvel sua utilizac~ao em dispositivos como celulas solares.

(22)

Experimental

3.1 Sncrotron

3.1.1 Caractersticas da radiac~ao sncrotron

Radiac~ao sncrotrone a radiac~ao eletromagnetica emitida por uma carga movendo-se a velocidades relativsticas em uma trajetoria circular (para uma abordagem aprofundada a respeito da teoria da radiac~ao emitida por cargas aceleradas ve-ja [21]. Esse captulo foi baseado principalmente nas refer^encias [22, 23]). A radiac~ao sncrotron tem algumas caractersticas que a fazem ser muito util em diversas areas de pesquisa como fsica, qumica, biologia e ci^encias medicas.

O espectro da radiac~ao sncrotron estende-se continuamente desde infraver-melho (com incio em aproximadamente 10;2eV) ate raios X duros (ate energias

da ordem de 105eV). Essa caracterstica e muito importante principalmente na

regi~ao de ultravioleta (3 eV a 40 eV) e raios X moles (40 eV a 103eV) para as

quais n~ao existem fontes contnuas disponveis para uso em laboratorio. Alem disso sua alta intensidade faz do sncrotron uma fonte de raios X duros muito mais intensa do que os tubos usados em laboratorios.

Alem de intensa, a radiac~ao sncrotron tambem e altamente colimada. Outra caracterstica interessante da radiac~ao sncrotron e sua polarizac~ao. O feixe de luz sncrotron e linearmente polarizado no plano da orbita dos eletrons e tem uma frac~ao circularmente polarizada em regi~oes acima e abaixo do plano da orbita. A direc~ao da polarizac~ao circular em um ponto acima do plano da orbita e oposta a de um ponto abaixo deste.

(23)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 22

3.1.2 Anel de armazenamento

Um anel de armazenamento e um acelerador circular usado como fonte de ra-diac~ao sncrotron. Eletrons ou positrons s~ao injetados nesse anel onde circulam por varias horas a uma energia constante (a energia perdida na emiss~ao de ra-diac~ao sncrotron e reposta atraves de uma cavidade de radio-frequ^encia inserida no anel, como veremos adiante). Daqui em diante trataremos de sncrotrons que operam com eletrons, como e o caso do LNLS.

Na pratica, o anel de armazenamento e composto por sec~oes circulares liga-das por sec~oes retas. As sec~oes circulares s~ao dipolos magneticos, responsaveis pela de ex~ao dos eletrons. Nas sec~oes retas s~ao inseridos dispositivos res-ponsaveis pela estabilidade da corrente eletrica. Os eletrons, ao serem de etidos por um campo magnetico enquanto se movem a velocidades relativsticas emi-tem radiac~ao sncrotron. A radiac~ao emitida nos dipolos e captada em uma ou mais linhas de luz. Em uma sec~ao posterior descreveremos mais detalhadamente a linha de luz utilizada nesse trabalho que e a linha XAS do LNLS.

O anel de armazenamento e formado por diversos componentes como di-polos, sistema de ultra alto vacuo, cavidade de radio frequ^encia (rf), etc. Na gura 3.1 temos um esquema de um anel de armazenamento, com seus diversos componentes indicados. A func~ao de cada um deles esta resumida a seguir.



Sistema de Injec~ao

O sistema de injec~ao e composto por uma fonte de eletrons e um acelerador que os injeta com energia igual ou abaixo a de operac~ao, dependendo das caractersticas da maquina. Os eletrons s~ao injetados em grupos (pacotes) em orbita sincronizada com o campo de radio frequ^encia.



Dipolos

Os dipolos s~ao usados para de etir o feixe de eletrons. Dispondo-os em um arranjo periodico determinado e possvel fechar a trajetoria por onde circulam os eletrons.



Quadrupolos e sextupolos

Alem dos dipolos s~ao colocados outros magnetos nas sec~oes retas do anel. Os quadrupolos focalizam o feixe para evitar que os eletrons se desviem muito da trajetoria determinada. Os sextupolos corrigem aberrac~oes

(24)

cro-CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 23 vácuo Câmara de Sistema de focalização: Cavidade de rf Dipolo Sistema de Injeção

Linha de luz quadrupolos+sextupolos

Figura 3.1: Esquema de um anel de armazenamento. Por um quest~ao de pratica o anel foi desenhado circular. Porem, como explicado no texto, os dipolos cons-tituem as unicas sec~oes circulares do anel.

(25)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 24 maticas que ocorrem por erros na focalizac~ao de partculas com diferentes energias.



Cavidade de rf

Como os pacotes de eletrons emitem radiac~ao ao passar pelos dipolos e portanto perdem energia, essa energia deve ser reposta de alguma manei-ra. Para isso, cavidades ressonantes s~ao inseridas no anel onde um campo eletrico oscila em sincronia com a passagem dos eletrons. Ao passar pela cavidade quando o campo eletrico e maximo os eletrons s~ao acelerados de maneira a compensar exatamente a perda de energia por emiss~ao de radiac~ao nos dipolos. A natureza oscilatoria do campo eletrico na cavi-dade garante que os pacotes n~ao alarguem, pois os eletrons adiantados em relac~ao ao centro do pacote sentem um campo eletrico que os retarda. Analogamente, os eletrons atrasados sofrem uma acelerac~ao maior do que os eletrons do centro do pacote. A dist^ancia entre os pacotes bem como o comprimento da trajetoria devem ser multiplos inteiros da frequ^encia de oscilac~ao do campo eletrico. Essa frequ^encia e da ordem de 500MHz, na regi~ao de ondas de radio, da o nome da cavidade.



C^amara de vacuo

Para evitar que os eletrons percam energia por colis~oes com outras partculas, o anel e mantido em ultra alto vacuo. Bombas de vacuo espalhadas por todo o percurso do anel garantem uma press~ao da ordem de 10;9 Torr. 

Sistema de protec~ao da radiac~ao

Para impedir que radiac~ao chegue ate a area liberada para usuarios, o anel e isolado dessa area por espessas paredes de concreto.

3.1.3 O LNLS

Em 1981 iniciou um debate entre a comunidade cient ca brasileira a respeito do interesse e da viabilidade da construc~ao de uma fonte de luz sncrotron. Em 1986 o ministerio de ci^encia e tecnologia fundou o Laboratorio Nacional de Luz Sncrotron em Campinas. Em julho de 1997 a fonte de luz sncrotron do LNLS entrou em operac~ao com acesso para usuarios externos. O sncrotron do LNLS tem uma circunfer^encia de 93,21m com um di^ametro medio de 30m [24]. Existem 12 dipolos e atualmente 9 linhas de luz est~ao em operac~ao com

(26)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 25 acesso a usuarios externos1. Cada linha cobre intervalos distintos de energia,

pois s~ao destinadas a diferentes tecnicas. Unindo as faixas de energia cobertas por cada linha de luz, o espectro eletromagnetico abrangido pela fonte de luz sncrotron vai de 12 eV a 24keV. Na gura 3.2 temos o uxo de fotons em func~ao da energia. Os intervalos de energia cobertos por algumas linhas de luz est~ao indicados.

Figura 3.2: Fluxo de fotons em func~ao da energia. Na direc~ao da sigla de cada linha de luz esta indicado o intervalo de energia coberto correspondente. Figura retirada da refer^encia [25]

Um acelerador linear injeta eletrons no anel a uma energia de 120MeV. Apos a injec~ao da-se incio ao processo de rampeamento, quando os eletrons s~ao acelerados ate a energia nal de 1,37GeV. A corrente de injec~ao em media, e de 140mA. A corrente decai com o tempo e, ao nal de um perodo de 8 horas, chega a aproximadamente 80mA. O tempo de vida2da corrente e da ordem de

13 horas [25].

3.2 A linha XAS do LNLS

As linhas de luz de uma maneira geral s~ao compostas por uma fonte, que no caso da linha que estamos descrevendo consiste em um dipolo, um monocromador, fendas de entrada e sada que se situam antes e apos o monocromador e o detector. A gura 3.3 mostra um esquema de uma linha de luz. Os dados de

1pagina do LNLS na internet: http://www.lnls.br 2Tempo para a corrente decrescer de 1

(27)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 26 sada dos detectores s~ao armazenados em um computador. A movimentac~ao das amostras, fendas e do monocromador e toda automatizada e controlada por motores de passo via computador.

Computador Monocromador Fendas Detectores Porta amostra Anel

Figura 3.3: Esquema da linha de EXAFS

3.2.1 Monocromador

O funcionamento de monocromadores de cristal baseia-se na lei de Bragg [20] dada por:

m= 2dhk lsen (3.1)

onde m e um inteiro,o comprimento de onda da radiac~ao,dhk l e a dist^ancia

entre os planos cristalinos de ndices de Miller (hkl) e  e o ^angulo entre a direc~ao incidente e os planos (hkl) do cristal, como mostra a gura 3.4.

Segundo a equac~ao 3.1 um feixe de raio X com um comprimento de onda

incidente no cristal sera difratado segundo um ^angulo diferente para cada direc~ao cristalogra ca. No monocromador temos luz policromatica incidindo em um cristal clivado em uma direc~ao conhecida, isto e, dhk l e dado. Cada

comprimento de onda que comp~oe a luz incidente sera difratado em um ^angulo

 diferente segundo a equac~ao 3.1. Como mostra esquematicamente a gura 3.5, girando-se os dois cristais conjuntamente s~ao selecionados diferentes

(28)

com-CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 27

θ θ

110

Figura 3.4: Esquema de um cristal, representado pelos pontos da rede de Bragg. A re ex~ao indicada e com respeito aos planos de ndice (110) tambem marcados na gura.

(29)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 28 primentos de onda. Claro que a gura 3.5 e uma representac~ao simpli cada do que realmente ocorre. A luz incidente n~ao se divide em feixes, mas existe uma distribuic~ao contnua de comprimentos de onda em func~ao de. Por isso, a abertura vertical da fenda determina a resoluc~ao do comprimento de onda selecionado. Fenda de saída λ1 λ2 λ4 λ5 λ3 0000 0000 0000 0000 0000 0000 0000 1111 1111 1111 1111 1111 1111 1111 Fenda de entrada Feixe transmitido Feixe incidente

Figura 3.5: Esquema de um monocromador de cristal duplo. Cada comprimento de onda e difratado em um ^angulo diferente segundo a lei de Bragg. Para tornar a gura mais clara so est~ao representados os feixes difratados pelo segundo cristal, mas o mesmo acontece para o primeiro. Do esquema vemos facilmente que girando os dois cristais rigidamente diferentes comprimentos de onda ser~ao selecionados pela fenda de sada.

O tipo de monocromador esquematizado na gura 3.5, chamado monocro-mador de cristal duplo, permite que o feixe transmitido esteja na mesma direc~ao do feixe incidente. Alem disso, sua performance e maior com respeito aos ins-trumentos que se utilizam de uma unica re ex~ao de Bragg. O feixe difratado tem uma largura intrnseca  proveniente do fato do feixe de luz atravessar um numero nito de planos cristalinos (se houvessem in nitos planos, seria nulo). Como o feixe e difratado por dois cristais, ele atravessa um numero de planos maior do que no caso de um cristal, diminuindo a largura intrnseca. Para garantir o bom funcionamento do monocromador, os planos dos dois cris-tais devem estar perfeitamente alinhados. Uma forma de garantir isso e fazer o monocromador todo de um unico bloco de cristal abrindo-se um canal no meio e mantendo os dois lados ainda ligados. Assim, se o cristal for su cientemente perfeito, as duas faces do monocromador est~ao naturalmente alinhadas.

Para obter-se bons monocromadores s~ao necessarios cristais de um tamanho razoavel o mais perfeito possveis. Alguns cristais utilizados s~ao Ge e Si.

(30)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 29 ^angulo de Bragg. Essa dispers~ao ocorre devido a diverg^encia vertical do feixe e a largura angular intrnseca da difrac~ao. A diverg^encia vertical do feixe e afetada pela dimens~ao nita da fonte e pela abertura vertical da fenda de entrada.

3.2.2 Detectores

Existem 3 sitemas de detecc~ao disponveis na linha XAS. S~ao eles: transmiss~ao, uoresc^encia e colec~ao total de eletrons secundarios.

A maneira mais simples e direta de medir-se a absorc~ao e por transmiss~ao. Medindo-se a intensidade do feixe antes (I0) e apos a amostra (I), o coe ciente

de absorc~aopara uma amostra de espessuraxe dado simplesmente por:

x= ln  I0 I  : (3.2)

Esse metodo exige que a amostra seja na e, quando for o caso, depositada sobre um substrato que absorva pouco raio X na regi~ao de interesse. Para amostras onde o elemento absorvedor esta muito diludo a relac~ao sinal/rudo em medidas de transmiss~ao e ruim. Se existem poucos atomos absorvendo a radiac~ao incidente, havera pouco contraste no espectro de absorc~ao entre antes e apos a borda em relac~ao ao sinal de fundo originado por fotons espalhados. Portanto, esse sistema de detecc~ao e aplicavel em amostras onde o elemento absorvedor existe em altas concentrac~oes.

Uma outra alternativa e medir processos que sejam proporcionais a absorc~ao, como a uoresc^encia e a emiss~ao de eletrons secundarios. Na absorc~ao, como vimos, um eletron e arrancado de um nvel de caroco deixando o atomo absor-vedor em um estado excitado. O processo de decaimento pode ser radiativo ou n~ao radiativo como indicado na gura 3.6. No decaimento radiativo um eletron de um nvel de energia mais externo ocupa o buraco deixado pelo fotoeletron, emitindo um foton com energia igual a diferenca de energia entre seus estados nal e inicial. Esse mecanismo e chamado de uoresc^encia, por analogia ao processo que ocorre na regi~ao do visvel.

Tambem e possvel que o decaimento do estado excitado n~ao envolva a emiss~ao de um foton. Esse tipo de processo e chamado de decaimento n~ao radiativo. O processo de decaimento n~ao radiativo dominante para as energias estudadas e o processo Auger. Um eletron de um nvel superior ocupa o buraco deixado pelo fotoeletron e a conservac~ao de energia e mantida pela promoc~ao

(31)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 30

Elétron Auger

Fóton de fluorescência

Figura 3.6: Representac~ao de um decaimento radiativo com emiss~ao de um foton e de um possvel decaimento n~ao radiativo emitindo um eletron Auger

de um outro eletron para o contnuo como mostra a gura 3.6.

Esses dois mecanismos de decaimento competem entre si e sua probabilidade varia com o numero at^omico do atomo absorvedor, como mostra a gura 3.7. Para atomos mais leves a emiss~ao Auger tem maior probabilidade, enquanto que para atomos mais pesados a uoresc^encia e mais provavel. Alem disso, para um mesmo elemento, a uoresc^encia e mais provavel para a camada K do que para camadas L [26].

Ambos processos s~ao proporcionais ao coe ciente de absorc~ao pois a in-tensidade da uoresc^encia ou dos eletrons Auger produzidos e proporcional a probabilidade de que o foton incidente tenha originado um buraco.

A energia dos fotons emitidos no processo de uoresc^encia e caracterstica do atomo absorvedor e e menor do que a energia dos fotons incidentes. O sinal de fundo (background) e formado por fotons espalhados elastica ou inelasticamente (espalhamento Compton). Nos dois casos os fotons espalhados t^em energia maior que a dos fotons de uoresc^encia. Dessa maneira, usando um sistema de detecc~ao que discrimine a energia dos fotons coletados, e possvel separar os fotons de uoresc^encia provenientes do processo de absorc~ao do background e dessa maneira melhor a relac~ao sinal/rudo da medida.

Na detecc~ao total de eletrons secundarios s~ao coletados todos os eletrons emitidos pela amostra, tanto elasticos quanto inelasticos. Os elasticos s~ao com-postos por eletrons Auger e os proprios fotoeletrons. Os eletrons inelasticos s~ao

(32)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 31

Figura 3.7: Intensidade de eletrons Auger e fotons de uoresc^encia emitidos por buraco de uma camada K em func~ao do numero at^omico Z. Figura retirada da refer^encia [27].

produzidos quando eletrons Auger ou fotoeletrons d~ao energia a outros eletrons por colis~oes inelasticas na matriz. Esses eletrons secundarios produzidos ine-lasticamente s~ao muito mais numerosos que os elasticos. Assim, na detecc~ao total de eletrons secundarios apenas uma pequena parcela e devida a eletrons Auger e fotoeletrons [26]. Ja que a intensidade de eletrons Auger produzidos e proporcional a absorc~ao, a intensidade dos eletrons inelasticos produzidos por espalhamentos com eletrons Auger tambem sera proporcional a absorc~ao. Essa proporcionalidade n~ao se aplica a intensidade de fotoeletrons produzidos pois sua distribuic~ao angular varia com a energia. No entanto, os complicados pro-cessos de cascata que levam a produc~ao de eletrons secundarios proporciona uma especie de media angular.

Montagem

Na gura 3.8 temos esquematizadas as montagens dos tr^es sistemas de detecc~ao disponveis na linha XAS.

Na medida de transmiss~ao basta medir a intensidade do feixe de raio X antes e apos a amostra. Para isso s~ao usadas duas c^amaras de ionizac~ao.

Para a detecc~ao total de eletrons secundarios o porta-amostra ca dentro de uma c^amara com gas helio. Os eletrons provenientes da amostra ionizam o gas levando a uma ampli cac~ao do sinal. Como ja mencionado anteriormente, a

(33)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 32 Feixe incidente Câmaras de ionização Porta amostra Transmissão Feixe incidente Coletor Porta amostra +V Eletrômetro

Coleção total de elétrons secundários

Detector de fluorescência Feixe

incidente Porta amostra

Filtro

Fluorescência

Câmara de ionização

Câmara de ionização

Figura 3.8: Esquema de tr^es possveis sistemas de detecc~ao: transmiss~ao, colec~ao total de eletrons secundarios e uoresc^encia.

grande maioria dos eletrons coletados s~ao gerados por espalhamentos inelasticos dos eletrons Auger e dos fotoeletrons. A energia desses eletrons secundarios inelasticos ao sair da amostra e de dezenas de eV. Na gura 3.9 temos a sec~ao de choque de ionizac~ao do He por impacto com eletrons. Vemos que para eletrons com energias da ordem de 50 eV a sec~ao de choque e aproximadamente 2

10;15cm2, um valor n~ao desprezvel. No entanto, o principal motivo para ser

escolhido o He n~ao e esse. A sec~ao de choque de ionizac~ao por impacto com eletrons do Xe, por exemplo, e cerca de 20 vezes superior a do He [28]. Assim, aparentemente, usando-se Xe ao inves de He, o efeito de ampli cac~ao do sinal seria muito mais e caz. O que faz o He ser mais indicado em nosso caso, e que sua sec~ao de choque de fotoionizac~ao e pequena para a faixa de energia dos fotons incidentes, que no caso do Er e proxima a 8keV. Na gura 3.10 e mostrada a e ci^encia de fotoionizac~ao. Vemos que para energias acima de 10keV, essa e ci^encia e praticamente nula para o He. Dessa maneira, o sinal de fundo proveniente da ionizac~ao do He pelos fotons incidentes e baixo.

Na detecc~ao por eletrons secundarios a amostra e posicionada em um ^angulo tal que toda sua superfcie seja atingida pelo feixe. O porta-amostra e a c^amara

(34)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 33

Figura 3.9: Sec~ao de choque de ionizac~ao do He por choques com eletrons, em func~ao da energia do eletron. No sistema de detecc~ao por colec~ao total de eletrons secundarios os eletrons inelasticos saem da amostra com energias de ate 50eV, onde a sec~ao de choque do He tem um valor proximo a 210

;15cm2.

Figura retirada da refer^encia [28].

Figura 3.10: E ci^encia de fotoionizac~ao do He em func~ao da energia do foton. Figura retirada da refer^encia [29].

(35)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 34 est~ao aterrados e os eletrons ejetados s~ao coletados por uma placa polarizada positivamente. Um eletr^ometro mede a corrente correspondente ao numero de eletrons coletados por unidade de tempo. Para esse sistema de detecc~ao e necessario que o substrato e a amostra sejam condutores.

No LNLS existem dois detectores de uoresc^encia disponveis. Um detector semicondutor da marca Canberra de Si(Li) e um cintilador de NaI. Com ambos detectores e possvel selecionar a banda em energia que deseja-se medir. Com o cintilador e possvel detectar fotons com energias ate da ordem de MeV. Con-sequentemente ele tem baixa resoluc~ao. O detector de Si(Li), por outro lado, e adaptado para medir baixas energias (da ordem de keV). Assim, com o mesmo numero de canais e possvel obter uma resoluc~ao muito melhor. Para distinguir os fotons de uorec^encia dos fotons incidentes e necessario uma resoluc~ao da ordem de eV, que n~ao e possvel alcancar com o cintilador. Assim, na pratica, somente com o detector de Si(Li) e possvel detectar os fotons de uoresc^encia separadamente do sinal de fundo, formado pelo fotons incidentes espalhados. Porem, esse detector e limitado pelo numero maximo de contagens. O numero de contagens que o detector de NaI processa sem saturar e muito superior ao de Si(Li).

Para os sistemas de detecc~ao por eletrons secundarios e uoresc^encia ainda e usada uma c^amara de ionizac~ao antes da amostra pois sempre e necessario normalizar o sinal medido pelos detectores pela intensidade do feixe incidente.

3.3 Medidas de EXAFS

As medidas de EXAFS foram realizadas na linha XAS do LNLS [30] em cola-borac~ao com os Drs. Helio Tolentino e Maria do Carmo Martins Alves.

As medidas foram feitas na bordaLIII do Er que corresponde a uma

ener-gia de 8358eV. Os espectros de absorc~ao para EXAFS foram medidos em um intervalo de 8300 a 8700 eV com passos de 2 eV. Foi usado um monocromador channel cutde Si 111 que cobre o intervalo em energia de 2,010 a 14,200 keV [24] e tem resoluc~ao de E=E 1;810

;4 [30]. O sistema de detecc~ao utilizado

(36)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 35

3.3.1 Padr~oes

Alem de nossas amostras foram medidos dois padr~oes: Er2O3e ErSi2. A

amos-tra de ErSi2e um lme no depositado sobre Si e seu espectro de absorc~ao foi

medido por eletrons secundarios. O Er2O3 consiste em uma amostra em po e

por ser bem concentrada seus espectros foram sempre feitos por transmiss~ao. Para as medidas por transmiss~ao e preciso preparar uma amostra homog^enea. Para isso o po era misturado a um solvente que n~ao o dilusse completamen-te nem permitisse a formac~ao de aglomerados. O solvencompletamen-te que utilizamos foi isopropanol. A seguir, passava-se a soluc~ao por um ltro, obtendo assim uma amostra uniforme. Alem disso, a espessura da amostra n~ao pode ser aleatoria. Se a amostra for muito espessa vai absorver demais e n~ao teremos sinal apos a borda. Por outro lado, n~ao pode ser muito na a ponto de n~ao haver contraste no espectro de absorc~ao entre antes e apos a borda. A quantidade usada de po e calculada tal que a espessura da amostra obtida proporcione uma variac~ao na absorb^ancia3, entre antes e apos a borda, de

1. Sabendo o coe ciente de

absorc~ao,, de cada elemento presente na amostra e a area ocupada por ela, e calculada a quantidade de material necessaria para obter-se uma amostra de espessuraxtal que x1. Usando esse criterio preparamos nossas amostras

de Er2O3 com 7mg do po, depositada sobre uma area circular com 15mm de

di^ametro.

3.3.2 Amostras

Inicialmente tentamos medir por transmiss~ao amostras preparadas sobre kapton de 25m de espessura. Essas amostras s~ao de difcil manuseio pois o substrato enrola-se sob a tens~ao mec^anica interna do a-Si:H. Como n~ao obtivemos uma re-lac~ao sinal/rudo muito boa, provavelmente porque o Er em nossas amostras esta muito diludo, tentamos ent~ao medir por colec~ao total de eletrons secundarios. Para isso utilizamos outras amostras que ja haviam sido depositadas sobre Si cristalino dopado tipo n. Por detecc~ao de eletrons secundarios obtivemos uma relac~ao sinal/rudo melhor e utilizamos esse sistema para todas as amostras. Na epoca em que as medidas foram realizadas a linha XAS ainda n~ao dispunha de um bom detector de uoresc^encia.

3Absorb^ancia e o coe ciente de absorc~ao vezes a espessura da amostra (

xda equac~ao 3.2),

(37)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 36 Como as amostras foram depositadas sobre um substrato cristalino, depen-dendo do ^angulo entre a amostra e o feixe incidente apareciam picos de Bragg no espectro de absorc~ao provenientes do substrato. Esses picos eram muitas vezes maiores ate que a linha branca. O procedimento de car girando a amostra ate encontrar o ^angulo ideal nos ocupava bastante tempo.

Podemos dividir nosso trabalho em 2 partes. Na primeira parte foram me-didas amostras depositadas por RF co-sputtering. Foi medido um total de 10 amostras com diferentes concentrac~oes de oxig^enio. Na segunda parte foram medidas duas amostras, uma do grupo das 10 anteriores e uma outra onde o Er n~ao foi co-depositado mas sim implantado posteriormente. As duas amostras foram recozidas e estudamos como se modi ca a vizinhanca qumica do Er com a temperatura de recozimento. Pudemos tambem comparar como os diferentes sistemas de deposic~ao in uenciam esse comportamento. Vamos denominar as 2 partes do trabalho como: \vizinhanca qumica em func~ao da concentrac~ao de oxig^enio" e \co-deposic~ao versus implantac~ao", respectivamente.

Alguns detalhes que determinam a estatstica da medida n~ao foram os mes-mos para cada parte. S~ao eles o tempo de aquisic~ao por passo de energia e o numero de espectros medidos. Por isso, vamos descrever esses detalhes que s~ao particulares a cada parte do experimento separadamente.

Vizinhanca qumica em func~ao da concentrac~ao de oxig^enio

Essas medidas foram realizadas em dois perodos: 1/nov/97 e 26-28/fev/98. Foram feitos 5 espectros de cada amostra, para posteriormente ser usada a media. Cada espectro foi medido de 8300 a 8700eV em passos de 2eV. Para cada passo de energia o sinal foi integrado durante 1 segundo.

Co-deposic~ao versus Implantac~ao

As medidas dessa parte do trabalho foram feitas durante 1 perodo de feixe, 24-27/nov/98. O recozimento foi feito cumulativamente a temperaturas (TA) de

200 a 1100oC em passos de aproximadamente 100oC. O tempo de recozimento

foi de 20 minutos para cada temperatura. Entre cada passo de recozimento eram feitas as medidas de EXAFS. Para evitar contaminac~ao com o oxig^enio do ar o tratamento termico foi feito em atmosfera de N2.

Foram medidos em media 10 espectros por amostra por temperatura com tempo de aquisic~ao de 1 segundo por passo de energia.

(38)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 37

3.4 Preparac~ao das amostras

Vamos falar de cada um dos sistemas de preparac~ao por vez. Foram medidas amostras preparadas por RF co-sputtering e uma preparada por implantac~ao de Er em a-Si:H.

3.4.1 Deposic~ao por RF

co-sputtering

As amostras foram preparadas pela aluna de doutorado Ana Carola I~niguez seguindo-se a rotina basica de preparac~ao de a-Si:H [31].

Na deposic~ao por rf sputtering temos um alvo sobre o qual e aplicada uma tens~ao de radio frequ^encia. Acima do alvo s~ao posicionados os substratos sobre os quais sera depositada a amostra. Essa montagem ca dentro de uma c^amara onde e feito vacuo. Apos alcancada uma press~ao satisfatoria, gases s~ao intro-duzidos controladamente a uma baixa press~ao. A tens~ao de radio frequ^encia ioniza os gases presentes na c^amara, formando um plasma. Os ons s~ao acele-rados contra o alvo. Por transfer^encia de momento os ons arrancam atomos do alvo que ir~ao se depositar sobre o substrato, que esta aterrado. Entre os gases adicionados na c^amara e usado um gas pesado que cumpre o papel de arrancar os atomos do alvo. Em nosso caso foi usado Ar. Alem de Ar tambem adicionamos H2 e O2. O hidrog^enio e usado para passivar as ligac~oes

penden-tes do silcio amorfo. A concentrac~ao de O nas amostras foi variada usando-se diferentes press~oes parciais desse gas na c^amara de deposic~ao.

A press~ao de base na c^amara antes da adic~ao dos gases foi sempre melhor que 2;210

;6mbar. O alvo e composto por uma bolacha de Si cristalino de

alta pureza parcialmente coberto por cacos de Er metalico. O substrato que utilizamos para as medidas de EXAFS foi Si cristalino (111) tipo n.

Os par^ametros de deposic~ao mantidos xos para todas as amostras est~ao apresentados na tabela 3.1. RF Bias e a tens~ao de auto-polarizac~ao do catodo e e proporcional a pot^encia da tens~ao de rf aplicada. Antes de cada deposic~ao e feito um pre-sputtering. O plasma e formado mas o substrato e posicionado de forma a impedir que os atomos retirados do alvo se depositem sobre ele. Isso e feito para retirar a camada de oxido que invariavelmente se forma sobre a superfcie dos cacos de Er metalico e do Si. Os unicos par^ametros variados entre deposic~oes foi a press~ao parcial de oxig^enio, que cou entre 0 e 110

;5

(39)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 38 Press~ao de base <2,2x10;6mbar

Press~ao de base com N2 <1,6x10

;6mabar

Press~ao total 15,0x10;3mbar

Fluxo de H2 2,0 sccm

RF Bias -700V Temperatura do substrato 200oC

Tempo de pre-sputtering 15min Tempo de deposic~ao 120min

Tabela 3.1: Par^ametros da deposic~ao por sputtering mantidos xos para todas as amostras

A composic~ao das amostras foi medida por RBS (Rutherford Backscattering Spectroscopy). Essas medidas foram realizadas no LAMFI, USP por Ana Carola I~niguez. Os valores encontrados para as concentrac~oes de Er e O relativas a Si ([Er]/[Si] e [O]/[Si]) est~ao listados na tabela 3.2. Da tabela vemos que mesmo nas amostras em que n~ao foi incorporado O intencionalmente (press~ao parcial de O igual a zero) existe uma concentrac~ao residual desse dopante da ordem de 0,2 at. %. Essa concentrac~ao residual e tpica de a-Si:H preparado por deposic~ao assistida por plasma [3].

amostra [O]/[Si] % [Er]/[Si] %

A 0,20,1 2,50,5 B 0,20,1 0,90,2 C 0,30,1 1,50,3 D 0,30,1 0,40,1 E 0,30,1 51 F 0,50,1 0,30,1 G 0,90,2 0,40,1 H 1,10,2 1,00,2 I 3,20,6 51 J 71 0,30,1

Tabela 3.2: Concentrac~oes de O e Er em at. %. Esses valores foram obtidos por medidas de RBS.

(40)

CAPITULO 3. EXPERIMENTAL 39

3.4.2 Implantac~ao

Foi medida apenas uma amostra implantada. Foi depositado a-Si:H no sistema de deposic~ao descrito no item anterior, sem adic~ao intencional de oxig^enio, com a diferenca que o alvo era composto apenas por Si cristalino. Posteriormente foi feita a implantac~ao de Er pelo prof. Lvio Amaral do IF-UFRGS. Foi usado um feixe de Er de 300keV de energia. A profundidade da implantac~ao usando-se essa energia e da ordem de 0,3m [32], sendo que a amostra tem uma espessura de aproximadamente 0,5m. A concentrac~ao de Er na amostra e de 1016cm;2,

correspondente a uma concentrac~ao relativa a Si ([Er]/[Si]) de 0,2 at.%. A concentrac~ao residual de O, [O]/[Si], e de 0,2 at.%, comparavel com a de erbio.

(41)

Analise dos dados

O resultado de uma medida de EXAFS consiste em um espectro de absorc~ao em func~ao da energia do foton incidente como mostra a gura 4.1. E preciso separar o sinal EXAFS desse espectro e extrair os valores para numero de vizinhos (N), dist^ancia interat^omica (R) e fator de Debye-Waller (2). A analise dos dados n~ao

e simples. S~ao necessarios muitos passos para obter-se os valores deN,Re2.

Isso faz com que a analise n~ao seja unica e se ela n~ao for feita criteriosamente pode-se facilmente obter resultados err^oneos. Com o intuito de normatizar o tratamento e analise dos dados foi reunido um Comit^e Internacional [33]. Atualmente existem programas espec cos de analise de dados de EXAFS. Nossa analise foi feita utilizando o programa WinXAS 97 [34].

O primeiro passo na analise de dados e a subtrac~ao do background de ab-sorc~ao (B) que tem sua origem na absorc~ao devido a fen^omenos que n~ao

esta-mos interessados em estudar, como espalhamento Compton e fotoexcitac~ao de eletrons menos ligados. Para a subtrac~ao deBe feito um ajuste na regi~ao antes

da borda e ent~ao estende-se essa curva de ajuste para todo o intervalo medido. Normalmente usa-se como curva de ajuste paraB uma reta ou alguma outra

func~ao bem comportada que acompanhe a inclinac~ao da pre-borda. A ttulo de ilustrac~ao, na gura 4.1 temos um exemplo de ajuste deB para os nossos

dados, onde o background foi aproximado por uma reta.

O espectro de absorc~aoe agora normalizado. A normalizac~aoe feita na altura das oscilac~oes como mostra a gura 4.2. Dessa maneira, e possvel comparar diferentes espectros.

(42)

CAPITULO 4. ANALISE DOS DADOS 41 8,3 8,4 8,5 8,6 8,7 0,50 0,55 0,60 0,65 0,70 0,75 0,80 µB Absor çã o (u.a.) E(keV)

Figura 4.1: Exemplo de subtrac~ao da absorc~ao de background. A regi~ao da pre-borda e ajustada por uma curva adequada e ent~ao estende-se essa curva para todo o intervalo medido. B, dado pela curva ajustada, e ent~ao subtrado do

sinal total. Espectro de absorc~ao da amostra E.

8,3 8,4 8,5 8,6 8,7 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 Absor çã o normalizada E (keV)

Figura 4.2: Espectro de absorc~ao normalizado da amostra E. O ponto de nor-malizac~ao e tomado na altura do sinal EXAFS.

(43)

CAPITULO 4. ANALISE DOS DADOS 42 Apos a subtrac~ao de B e necessario separar o sinal EXAFS ((k)) da

absorc~ao total. Para isso, primeiro isola-se a regi~ao de interesse, que e a regi~ao do espectro para energias acima da borda. Ent~ao, subtrai-se do sinal total a parte que chamamos de absorc~ao at^omica (0). 0 e o sinal de absorc~ao dos

atomos de Er isolados, sem a in u^encia de atomos vizinhos.

O sinal EXAFS assim obtido contem informac~oes de varias esferas de coor-denac~ao. Da equac~ao 1.5 vemos que vizinhos a diferentes dist^ancias contribuir~ao com diferentes frequ^encias no sinal(k). Assim, para separarmos contribuic~oes de distintas esferas de vizinhos faz-se uma decomposic~ao espectral do sinal(k) atraves de uma transformac~ao de Fourier. Na transformada de Fourier (TF) do sinal EXAFS, esferas de vizinhos a diferentes dist^ancias contribuir~ao com picos em diferentes posic~oes.

A ultima parte da analise consite em isolar o pico correspondente a esfera de coordenac~ao de interesse e fazer a anti-transformada do intervalo escolhido. Desse modo, obtemos o sinal EXAFS proveniente de uma unica esfera de coor-denac~ao. Atraves da simulac~ao desse sinal podemos obter os par^ametrosR, N

e2.

Vamos passar agora a explicar mais detalhadamente as tr^es principais partes da analise de dados. S~ao elas: a subtrac~ao da absorc~ao at^omica, a transformac~ao de Fourier e a simulac~ao.

4.1 Subtrac~ao da absorc~ao at^omica

O primeiro passo e fazer a transformac~ao da abscissa de energia para numero de ondak. Como EXAFS tem origem em um fen^omeno de interfer^encia, sua express~ao teorica (equac~ao 1.5) e uma func~ao dek(que e proporcional ao compri-mento de onda) e n~ao deE. Para isso e necessario conhecermosE0, a energia de

ligac~ao do fotoeletron arrancado (veja equac~ao 1.6). E0e sensvel a distribuic~ao

de eletrons de val^encia e portanto depende da vizinhanca qumica. Assim, n~ao o conhecemos a priori e sua escolha e uma tarefa delicada. De qualquer manei-ra, se pretendemos fazer comparac~oes com padr~oes medidos, n~ao e necessario o conhecimento do valor exato de E0. No entanto, e necessario que o valor

esti-pulado diferencie do real da mesma forma para todos espectros que desejamos comparar. Por isso, normalmente estipula-seE0 como sendo um ponto

(44)

CAPITULO 4. ANALISE DOS DADOS 43 nosso caso, o ponto adotado paraE0foi o primeiro ponto de in ex~ao, que e dado

pela raiz de menor valor da segunda derivada do espectro de absorc~ao. Esse e o criterio normalmente adotado em analise de EXAFS e ele se deve em grande parte ao fato de que a determinac~ao de uma raiz e de facil reproduc~ao para diferentes espectros. Para um ajuste mais no, a correc~ao aE0e um par^ametro

livre na simulac~ao. O espectro emk esta apresentado na gura 4.3. Observe que o pontok= 0 corresponde ao ponto de in ex~ao na borda de absorc~ao.

Existe, portanto, sempre uma incerteza de alguns eV na determinac~ao de

E0. -2 0 2 4 6 8 10 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 Absor çã o (u.a.) k (Å-1) 2 4 6 8 10 0,90 0,95 1,00 1,05 1,10

Figura 4.3: Espectro de absorc~ao emkpara a amostra E. No detalhe esta mos-trada uma ampliac~ao da regi~ao de EXAFS. A linha tracejada e uma simulac~ao da absorc~ao at^omica que e subtrada do sinal total.

No detalhe da gura 4.3 temos uma ampliac~ao da chamada regi~ao de EXAFS que tem incio logo apos a borda e se estende ate o nal do espectro. Contudo, o sinal de EXAFS ainda esta sobreposto a absorc~ao at^omica. As variac~oes senoidais em(k) s~ao de frequ^encia su cientemente alta em relac~ao as variac~oes em0, de tal forma que, ajustando-se a regi~ao de EXAFS por um polin^omio de

(45)

CAPITULO 4. ANALISE DOS DADOS 44 ajustada por um polin^omio de grau entre 3 e 5, como mostra a linha tracejada no detalhe da gura 4.3, e subtrada. Esse passo da analise dos dados deve ser feito com muito cuidado, pois o uso de uma func~ao de ajuste inadequada ira distorcer o sinal EXAFS. O maior problema em n~ao subtrair-se0corretamente

aparece mais a frente na analise dos dados, quando efetuarmos a transformac~ao de Fourier. Se o sinal EXAFS, apos a subtrac~ao de0, ainda estiver sobreposto

a uma func~ao que varia lentamente, esse fundo oscilatorio contribuira na TF com picos sem signi cado fsico para pequenos valores deR.

O sinal EXAFS obtido apos a subtrac~ao de0esta apresentado na gura 4.4.

Nessa curva est~ao somadas as contribuic~oes de varias esferas de coordenac~ao.

2 3 4 5 6 7 8 9 -0,05 0,00 0,05 0,10 janela gaussiana k (Å-1) χ (k )

Figura 4.4: Sinal de EXAFS para a amostra E. A linha tracejada mostra um exemplo de janela usada na transformada de Fourier.

4.2 Transformac~ao de Fourier

Para separarmos as contribuic~oes de cada esfera de coordenac~ao e feita uma transformada de Fourier do espectro da gura 4.4. Usualmente antes de ser transformada a curva e multiplicada por um fator de peso em k que pode ser

(46)

CAPITULO 4. ANALISE DOS DADOS 45

k1,k2 ou k3. Isso e feito para que as oscilac~oes ao longo de todo intervalo

tenham aproximadamente a mesma amplitude e assim contribuam igualmente. Na gura 4.5 temos um exemplo de um espectro de EXAFS para uma das nossas amostras pesado emk2. Veja como a amplitude das oscilac~oes ao longo deke

bem mais uniforme em comparac~ao com o espectro sem peso emkmostrado na gura 4.4. 2 3 4 5 6 7 8 9 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 χ (k )* k 2 k(Å-1)

Figura 4.5: Sinal de EXAFS para a amostra E pesado em k2.

A linha tracejada indicada na gura 4.4 e uma func~ao janela. O espectro

(k)k

ne multiplicado por essa func~ao antes da transformac~ao de Fourier. A

TF e de nida de;1a +1. No entanto, a medida e feita dentro de um intervalo

limitado. Assim, ao efetuarmos a transformac~ao de Fourier em um intervalo nito, o intervalo \real" in nito e convoludo com uma func~ao janela que decai abruptamente nos extremos [15]. Esses cortes bruscos levam ao aparecimento de picos espurios na TF. Os efeitos de borda, como s~ao chamados, podem ser minimizados impondo-se uma func~ao janela que tenda a zero mais suavemente nos extremos, como o exemplo que mostramos na gura 4.4. Alem disso, toma-se o cuidado de de nir os extremos dos intervalos em pontos onde(k) cruza o zero para que os cortes sejam menos abruptos. E claro que mesmo uma janela suave modi ca a TF de alguma maneira, por exemplo alargando os picos. O uso de diferentes func~oes janela ira modi car de maneira diversa o resultado da transformac~ao. Por isso, e imprescindvel que dados que ser~ao comparados

(47)

CAPITULO 4. ANALISE DOS DADOS 46 posteriormente sejam analisados da mesma maneira, com os mesmos pesos em

ke mesmas janelas. Alem disso, o intervalo kescolhido para a transformac~ao deve ser o mesmo para todos espectros, pois quanto maior o intervalo em k, maior sera a resoluc~ao emr.

A transformada de Fourier do espectro esta indicada na gura 4.6. Essa curva e chamada de pseudo RDF (RDF e a sigla em ingl^es para Func~ao de Dis-tribuic~ao Radial). Em outras palavras ela de ne a probabilidade de se encontrar um atomo qualquer dentro de um intervalodrdado que temos um atomo de Er emr = 0. No entanto, essa n~ao e exatamente a func~ao de distribuic~ao radial, pois a posic~ao do pico n~ao corresponde a dist^ancia real entre os atomos de Er e as respectivas esferas de coordenac~ao. Isso porque a fase (k) presente junta-mente com Rno argumento da func~ao seno da express~ao de EXAFS (equac~ao 1.5), ainda n~ao foi considerada. Assim, a TF esta deslocada em r e por esse motivo usa-se o termo \pseudo" RDF para denomina-la. Apesar de ainda n~ao ser possvel obter dados quantitativos a respeito da vizinhanca qumica a partir da pseudo-RDF (p-RDF), essa etapa da analise dos dados e muito util para ad-quirirmos uma ideia qualitativa de como a vizinhanca qumica do Er se comp~oe ou evolui.

4.3 Simulac~ao

Isolando o pico da p-RDF referente a esfera de coordenac~ao de interesse, e feita a anti-transformada de Fourier da regi~ao selecionada. Dessa forma, obtemos novamente o sinal de EXAFS, mas proveniente apenas da esfera de coordenac~ao escolhida. Na gura 4.7 temos o sinal EXAFS da amostra E proveniente da pri-meira esfera de vizinhos. Essa curva foi obtida da anti-transformada do primeiro pico da TF. Usando o metodo de mnimos quadrados, foi feito o ajuste dessa curva segundo a equac~ao 1.5 para encontramos os valores de N, R e 2. Os

valores desses par^ametros obtidos para essa amostra est~ao indicados na gura 4.7. E0 e a correc~ao a E0, estipulado como o ponto de in ex~ao da curva de

absorc~ao, como ja explicado na sec~ao 4.1. Analisando a equac~ao 1.5, vemos que alem de N, R e 2, as func~oes amplitude de retroespalhamento, f(k), e fase,

(k), tambem s~ao desconhecidas. Dentro de uma boa aproximac~ao podemos considerar que a fase e a amplitude de retroespalhamento dependem apenas da natureza qumica dos atomos absorvedor e espalhador, sendo independente das

(48)

CAPITULO 4. ANALISE DOS DADOS 47 0 1 2 3 4 5 6 7 8 0,000 0,002 0,004 0,006 Transform a da de Fourier de χ (k)*k 2 R (Å)

Figura 4.6: Transformada de Fourier do sinal de EXAFS tomado de 2 a 8,5 A;1

Referências

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