OS CONTEÚDOS DA CULTURA CORPORAL NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO PIBID/CEDF/UEPA: dança e lutas como possibilidade.
Emerson Alex Lucena Guimarães Discente do Curso de Licenciatura Plena em Educação Física/UEPA [email protected] Profa. Ma. Carmen Lilia da Cunha Faro Docente do Curso de Licenciatura Plena em Educação Física//UEPA [email protected] RESUMO
Esta pesquisa analisa os conteúdos da cultura corporal com base no desenvolvimento do PIBID/CEDF/UEPA, na sistematização destes como agentes de transformação das aulas de educação física escolar. Para isto, foi escolhido utilizar para a coleta de dados, a metodologia de pesquisa bibliográfica, pesquisa documental em que os documentos analisados foram os produzidos no desenvolver do subprojeto de Educação Física da UEPA. Para esta análise tomou-se como parte da coleta de dados desta pesquisa momentos de observação de campo onde foi possível analisar as aulas ministradas no PIBID/CEDF/UEPA. No que diz respeito à análise de dados esta pesquisa utilizou a análise qualitativa. Desta forma, observou-se a partir dos dados coletados que as aulas ministradas no PIBID/CEDF/UEPA contribuíram de forma significativa na sistematização dos conteúdos da cultura corporal, transformando o trabalho do professor de EF ao propor métodos de sistematização no processo de ensino o que influencia de forma qualitativa a aprendizagem proposta pela disciplina, atendendo assim aos anseios do PIBID no que se refere à busca de metodologias inovadoras para o processo de ensino-aprendizagem na Educação Física construídos a partir dos conteúdos da cultura corporal.
PALAVRAS-CHAVE: Formação Inicial. Política Pública. Prática Profissional. INTRODUÇÃO
A partir de várias leituras proporcionadas no curso de Licenciatura em Educação Física (EF), da Universidade do Estado do Pará (UEPA), foi possível perceber que há uma ordem de hierarquização no ensino-aprendizagem das aulas de EF. Do que hoje se entende como os conteúdos da cultura corporal, que são: dança, lutas, ginástica, esporte e jogos, sendo os dois últimos as prioridades no trabalho do professor de Educação Física, dentro da escola. Este fato é discutido por autores como Soares et al(2009) que vêm questionar a negação histórica de alguns conteúdos da cultura corporal, como a dança, lutas e ginástica, propondo como fator motivador a ausência de uma ação mais sistemática do professor no que diz respeito ao trato com o conhecimento da disciplina. O que, afirma a necessidade de mais pesquisas acerca do que pensar e fazer sobre a temática.
Com a participação como bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), ampliando mais o debate a cerca da negação de certos conteúdos da cultura corporal, foi percebido, a partir dos momentos de estudo e observação nas aulas pelo PIBID, que eram oportunizados pelos bolsistas, sobre a realidade das escolas públicas em um contexto mais geral de educação, que foi amparado pelos escritos de Demerval Saviani (1991) com a concepção da pedagogia histórico-crítica, e respaldados pela obra Metodologia de Ensino da Educação Física (SOARES et al,2009), a cerca das concepções da pedagogia crítico-superadora e a sistematização dos conteúdos da Educação Física, cultura corporal, fica evidente a necessidade histórica de transformação das práticas desenvolvidas no interior das escolas.
Esta reflexão é referente ao trabalho pedagógico do professor de Educação Física e o seu trato com os conhecimentos da cultura corporal (Ibdem), visto que, historicamente, há alguns conteúdos que se sobrepõem a outros, em virtude de vários motivos, como a ausência de recursos necessários e despreparo por parte dos professores de Educação Física, que não estão em processo de formação continuada, ficando à margem dos conhecimentos pertinentes à área e das possíveis transformações nas suas práticas pedagógicas.
Diante dos estudos que tratam do processo de construção e definição da Educação Física, mais precisamente no seu contexto escolar, foi percebido que esta disciplina vem passando por um longo processo de transformações, em que é possível encontrar indicadores que sinalizem uma reorganização do trabalho pedagógico dos professores de Educação Física, e é onde encontra-se, no PIBID/CEDF/UEPA, uma possibilidade de organização dos conteúdos da cultura corporal, proporcionando, assim uma melhor sistematização das aulas de Educação Física para que estas possam possibilitar a utilização dos conteúdos referentes à cultura corporal (dança, lutas, ginástica, jogos e esportes).
A ideia de que podemos encontrar possibilidades de desenvolver os conteúdos da cultura corporal nas aulas de EF a partir do PIBID/CEDF/UEPA é por este buscar sistematizar os conteúdos excluídos da EF Soares et al(2009) a partir de um método, que é a pedagogia histórico crítica, com base na pedagogia crítico-superadora e a cultura corporal(FONSECA,2013). Assim,
pode-se afirmar que esta pesquisa tem o objetivo geral de analisar os conteúdos da cultura corporal com base no desenvolvimento do PIBID/CEDF/UEPA, na sistematização destes como agentes de transformação das aulas de Educação Física Escolar, para responder a pergunta: A sistematização dos conteúdos da cultura corporal, pelo PIBID/CEDF/UEPA, tem transformado a Educação Física Escola(EFE)?
A pesquisa tem como objetivos específicos: compreender os fundamentos teórico-metodológicos que subsidiam o PIBID/CEDF/UEPA; analisar as práticas pedagógicas que tratem os conteúdos da cultura corporal, nas aulas de Educação Física, com base no desenvolvimento do PIBID/CEDF/UEPA; e identificar os benefícios que a prática sistematizada pelo PIBID/CEDF/UEPA traz às aulas de Educação Física, visando sua transformação.
Segundo Fonseca (2013), o PIBID/CEDF/UEPA traz como ponto de partida o apontamento para uma problemática, ainda não resolvida, que diz respeito aos conhecimentos que são priorizados no decorrer do processo ensino-aprendizagem tal como o esporte, em detrimento dos demais conhecimentos, que a disciplina poderia possibilitar. Com o objetivo de reverter esta problemática, sem excluir o esporte da escola, e realizar o trabalho pedagógico voltado para a ampliação das possibilidades de conhecimento dos alunos acerca das práticas corporais construídas pela humanidade (TAFFAREL; ESCOBAR apud FONSECA, 2013), é proposto o subprojeto da licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado do Pará, intitulado “O Acesso à Cultura Corporal na escola: possibilidades ao ensino da Educação Física na rede pública de Belém”, identificando a necessidade de consolidação da disciplina Educação Física no currículo escolar.
O PIBID/CEDF-UEPA estabelece a atuação dos alunos-bolsistas como pesquisadores e interventores. Assim, estes são orientados no sentido de desenvolver a pesquisa escolar e a prática docente, sendo que estas serão conduzidas por categoria como a formação de professores, a organização do ensino da Educação Física na escola e as condições para efetivação do trabalho pedagógico, buscando, assim, construir seu processo de intervenção a partir de uma visão de totalidade dos elementos que incidem diretamente na organização trabalho pedagógico do professor (FONSECA, 2013).
O estudo sobre a os conteúdos da cultura corporal nas aulas de EF do PIBI/CEDF/UEPA torna-se relevante para o meio acadêmico-científico por contribuir com a atuação do professor de Educação Física, utilizando como base a proposta do PIBID/CEDF/UEPA, que é de refletir sobre a hegemonia dos conteúdos esportes e jogos, sem eliminá-los da escola, mas também, sem esquecer que dentro dos conteúdos da cultura corporal, aqui propostos como objeto de estudo da Educação Física, existem também a dança, as lutas e ginástica, que têm importante função no desenvolvimento dos alunos e das aulas de Educação Física. Para isso, viabilizou-se uma análise das aulas ministradas pelos bolsistas do subprojeto, buscando identificar quais alterações as propostas sugeridas e executadas pelo programa tiveram no trato com os conteúdos da cultura corporal pelos alunos bolsistas, professora supervisora e alunos da escola.
Como organização metodológica, a investigação parte de uma pesquisa bibliográfica, análise de documentos e pesquisa de campo, buscando entender o processo histórico de desenvolvimento da EF, desde seus primórdios, passando pelo processo de construção e desconstrução de seu objeto de estudo, chegando então na crise da EF e, a partir daí, chegar ao processo de revolução que a Educação Física vem passando desde a década de 80. A pesquisa foi realizada na Escola Palmira de Oliveira Gabriel, na qual as aulas ministradas foram observadas pelo pesquisador.
Estas considerações apontam a seguinte pergunta científica: A sistematização dos conteúdos da cultura corporal, pelo PIBID/CEDF/UEPA, tem transformado a Educação Física Escola(EFE)?
1 PROCEDMENTOS METODOLÓGICOS
Utilizou-se como método de coleta de dados a pesquisa documental como sugere Gil (1991) seguido de uma pesquisa de campo, para observação das aulas ministradas no PIBID/CEDF/UEPA. Como orientação para a análise de dados desta pesquisa utilizou-se a abordagem qualitativa, em que os critérios de inclusão consideram apenas os documentos produzidos pelo subprojeto que relatem experiências com os conteúdos dança e lutas desenvolvidos na Escola Palmira de Oliveira Gabriel, localizada na Travessa Timbó, bairro da Pedreira em Belém do Pará.
A análise é representada a partir de três categorias que delimitam os objetivos da pesquisa: relação dialética – cultura corporal e escola; relação dialética entre cultura corporal e o processo de ensino-aprendizagem, e por ultimo a análise que responde ao objetivo geral da pesquisa, relação dialética entre o PIBID/CEDF/UEPA e a sistematização dos conteúdos da cultura corporal.
2 TEXTOS E CONTEXTOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR.
Iniciando a discussão a respeito da Educação Física para que possamos expor seu histórico até os dias atuais buscou-se a referência de Soares (2012) que diz ser a história da Educação Física concomitante a muitos momentos da história das instituições médicas do Brasil, o que nos faz refletir sobre estes momentos marcantes da história do País, como o higieismo. A EF surge de necessidades históricas sociais concretas que, identificadas em diferentes momentos históricos, dão origem a diferentes entendimentos a respeito de seu processo de desenvolvimento (SOARES et al, 2009).
A Educação Física escolar, retomando ao século XIX, período em que o exercício físico em formato de jogos, ginástica, dança e equitação surge no continente Europeu. Considerando para fins de análise contextual, o final do século XVIII e início do XIX, quando se refere ao início do processo de construção e consolidação de uma sociedade emergente, há de se falar da sociedade capitalista, onde os exercícios físicos tiveram um papel de destaque, pois este tipo de sociedade necessitava de um modelo específico de homem, um modelo mais forte, mais ágil, mais empreendedor. Assim, identifica-se a inclusão dos exercícios físicos nos currículos escolares ao século XVIII (SOARES et al,2009).
Portanto, desenvolver e fortalecer física e moralmente os indivíduos era, também, uma das funções desenvolvidas pela Educação Física no sistema educacional vigente, chegando, assim, ao seu objetivo que era através da Educação Física escolar, desenvolver a aptidão física dos indivíduos (SOARES et al, 2009). Podemos trazer à discussão os efeitos que esse modelo de EF trouxe a quem vivenciou esta época e iniciamos então falando sobre a exclusão dos não aptos, aqueles com menos habilidades e até mesmo com menos capacidade física, como os deficientes físicos da época, que não
poderiam participar dessas aulas, pois elas não eram elaboradas para este público.
Desta forma, aborda-se a construção de uma identidade pedagógica da Educação Física que, por ser ministrada por instrutores do exército, estabelecem valores próprios das instituições militares, construindo, então um projeto de homem disciplinado, obediente, submisso, profundo respeitador da hierarquia social, tudo que a elite dominante da época necessitava para manter sua hegemonia. No Brasil, mais especificamente, esse processo de militarização da escola é correspondente à execução do projeto politico de sociedade idealizado pela ditadura do Estado Novo, onde podemos ressaltar que:
Nesse período, a Educação Física escolar era entendida como atividade exclusivamente prática, fato este que contribuiu para não diferenciá-la da instrução física militar. Certamente, também não houve uma ação teórico-prática de crítica ao quadro apontado, no sentido de desenvolver um corpo de conhecimento científico que pudesse imprimir uma identidade pedagógica à Educação Física no currículo escolar (SOARES et al, 2009,p. 53)
Até então os professores de Educação Física que atuavam nas escolas eram os instrutores formados por instituições militares e, apenas em 1939, foi criada a primeira escola civil de formação de professores de Educação Física, pelo decreto lei n.1.212, de 17 de abril de 1939(ibdem).
A nova fase da EF coincide com dois fatos importantes que são: o fim da segunda guerra mundial e, no Brasil, o fim da ditadura do Estado Novo, que foi considerada uma tendência em que se destacou o Método da Educação Física Desportiva Generalizada, divulgada, no Brasil, por Auguste Listello. Este, no período pós-guerra, apresenta um grande desenvolvimento e, aos poucos, sob influência da cultura europeia afirma-se como elemento predominante da cultura corporal. (ibdem).
O sistema escolar incorpora com muita força essa nova tendência ao ponto de começar a gerar uma discussão a respeito do esporte no ambiente escolar, que deve ser um esporte na escola que é uma modalidade esportiva executada no ambiente escolar ou um esporte da escola que é a prática esportiva com cunho educacional utilizando o esporte como conteúdo meio e não fim. Portanto, difunde-se na Educação Física a tendência tecnicista, que tem como grande marco a separação sexista nas aulas de EF, o que é
comprovado pelo decreto n.69.450/71. A identidade esportivista da EF escolar é por buscar a eficiência e eficácia de suas práticas.
Entre as décadas de 70 e 80, surgem os movimentos renovadores na Educação Física e, entre eles, podemos destacar a Psicomotricidade, a Educação Física Humanista, a tendência do Esporte para Todos (EPT) e a Psicocinética. São movimentos que começam a pensar no conhecimento oriundo da Educação Física com aparatos filosóficos, sociológicos, buscando responder questões de cunho mais social como, por exemplo, quando Oliveira (1983) pensa em trocar o foco no produto do ensino e visa transformar e pensar mais no meio pelo qual se busca ensinar.
Sendo assim, percebemos que a EF veio da origem médica, dos métodos ginásticos europeus, pela militarização, até chegar na “esportivização”, onde a prática desportiva é privilegiada ao se comparar aos outros conteúdos da área. É possível perceber esse contexto dentro das escolas, local em que se percebe a busca por talentos desportivos, deixando excluídos aqueles que não os possuíam e, por se tratar do Brasil, temos a prevalência do futebol, futsal aos demais esportes. Esta crise acende mais o olhar de alguns pensadores da área que vêm construindo uma nova maneira de trabalhar a Educação Física, partindo da construção de uma nova abordagem que embasaria teórico-metodologicamente o ensino da Educação Física e, a pedagogia crítico-superadora, que foi mais conhecida pela obra “Metodologia de Ensino da Educação Física”, inicialmente conhecida como Coletivo de Autores.
3 O SUBPROJETO DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ NO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA.
O PIBID é uma iniciativa para o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores para a educação básica, com política de bolsas à alunos de licenciatura participantes de projetos de iniciação à docência desenvolvidos por Instituições de Educação Superior (IES), em parceria com escolas de educação básica da rede pública de ensino. Os projetos devem promover a inserção dos estudantes no contexto das escolas públicas, desde o início da sua formação acadêmica para que desenvolvam atividades
didático-pedagógicas, sob orientação de um (a) docente da licenciatura e de um professor (a) da educação básica (CAPES.GOV, 2016).
O programa tem como objetivos: incentivar a formação de docentes em nível superior para a educação básica; contribuir para a valorização do magistério; elevar a qualidade da formação inicial de professores nos cursos de licenciatura; promover a integração entre educação superior e educação básica inserindo os discentes dos cursos de licenciatura no cotidiano de escolas da rede pública, proporcionando-lhes oportunidades de criação e participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar que busquem a superação de problemas identificados no processo de ensino-aprendizagem; e incentivar nas escolas públicas de educação básica a formação continuada mobilizando seus professores como co-formadores dos futuros docentes, para então contribuir diretamente na articulação entre teoria e prática, elemento necessário à formação dos discentes, elevando a qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura (ibdem).
O subprojeto do CEDF/UEPA considera as suas ações a fim de desenvolvê-lo como campo de vivência profissional para os alunos das IES, mas também como campo de investigação e proposição da práxis (CHAVES apud FONSECA, 2013). O PIBID/CEDF/UEPA busca atender os objetivos do PIBID a partir da temática “O acesso à Cultura Corporal na escola: possibilidades ao ensino da Educação Física na rede pública de ensino de Belém”, percebendo a existência da necessidade de consolidar a disciplina Educação Física no currículo escolar. Esta proposta advém das experiências obtidas durante o desenvolvimento do PIBID, no ano de 2012-2013, do curso de Educação Física da UEPA (FONSECA, 2013).
O trabalho desenvolvido pelo grupo admite que a Educação Física carrega a necessidade histórica de transformação das práticas desenvolvidas no interior da escola. Realizar o trabalho pedagógico voltado para a ampliação do arsenal de conhecimento dos alunos a cerca das práticas corporais construídas pela humanidade, torna-se objetivo do projeto em questão, e este toma como referência para suas ações e proposições um referencial teórico composto pelas tendências pedagógicas críticas que são vistas como o caminho para esta superação, pois se baseiam em movimentos sociais,
filosóficos e antropológicos, atendendo ao momento histórico no qual estão inseridas (ibdem).
O PIBID/CEDF/UEPA traz como referencial teórico-metodológico a pedagogia histórico crítica (SAVIANI apud FONSECA, 2013) com a perspectiva da pedagogia crítico-superadora ( COLETIVO DE AUTORES apud FONSECA, 2013) partindo da concepção da Cultura Corporal como possibilidade metodológica inovadora/superadora para o ensino da Educação Física na Educação Básica.
3.1 PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA.
A Pedagogia Histórico-Crítica tem sido citada como uma perspectiva educacional que visa resgatar a importância da escola e a reorganização do processo educativo (GASPARIN E PETENUCCI, S/D). Esta é chamada de Histórico-Critica por Saviani, pois o histórico refere-se que nesta perspectiva a educação também interfere sobre a sociedade, podendo contribuir para a sua transformação e crítica por ter consciência da determinação exercida pela sociedade sobre a educação. Esta concepção surgiu das necessidades postas pela prática de muitos educadores, pois as pedagogias tradicionais, nova e tecnicista, não apresentavam características historicizadoras, uma vez que lhes faltava à consciência dos condicionantes histórico sociais da educação (SAVIANI, 1991). Portanto, é na realidade escolar que se enraíza essa proposta pedagógica.
Desta forma, deve-se levar em consideração que para o desenvolvimento de tais teorias pedagógicas também se fizeram necessários momentos de estudo e sistematização que têm como base de construção um referencial teórico metodológico. Sobre isso, podemos iniciar o debate a cerca do materialismo histórico-dialético que foi utilizado como base para a compreensão do que hoje conhecemos como a pedagogia histórico-cítrica. Para reforçar mais essa afirmação, Saviani diz que:
Em outros termos, o que eu quero traduzir com a expressão “Pedagogia histórico-Crítica” é o empenho em compreender a questão educacional a partir do desenvolvimento histórico objetivo. Portanto, a concepção pressuposta nesta visão da pedagogia Histórico-Critica é o materialismo histórico, ou seja, a compreensão da história a partir do desenvolvimento
material, determinação das condições materiais da existência humana (SAVIANI,1997, p.102).
3.2 PEDAGOGIA CRÍTICO-SUPERADORA E A CULTURA CORPORAL.
A crise da década de 80, vivida pela Educação Física mostrou a necessidade de alterações no pensar a EF, no âmbito escolar, pois esta passa por um desentendimento sobre seu objeto de estudo, o que acaba por gerar dificuldades no trato com o conhecimento pertinente aos professores da disciplina, o que, consequentemente, afeta os alunos da educação básica. Desta forma, vários autores da década de 90, publicaram a obra “O Coletivo de Autores” Metodologia de Ensino da Educação Física, que traz uma proposta inovadora-superadora para potencializar o trato com o conhecimento da EF que, agora organizado, sistematizado, ampliado e aprofundado a partir dos ciclos, passa a ser conhecido como cultura corporal.
Esta proposta inovadora entende que os conhecimentos pertinentes à Educação Física devem ser tratados de forma a promover a superação dos problemas observados, sendo estes oriundos das diferenças de classe, o que gera uma desigualdade nas possibilidades de aprendizagem, tendo em vista diferentes contextos, como social, econômico, político e ideológico, todos observados a partir da análise do modelo de produção vigente, o capitalista, que por si gera uma necessidade histórica de superação, observando a necessidade de transformação de uma pedagogia cujo modelo de justiça seja a não exploração do homem pelo homem.
Esse entendimento perpassa na escola como:
A pedagogia é a teoria e método que constrói os discursos, as explicações sobre a prática social e sobre a ação dos homens na sociedade, onde se da a sua educação. Por isso a pedagogia teoriza sobre a educação que é uma prática social em dado momento histórico. A pedagogia é, pois, a “...reflexão e teoria da educação capaz de dar conta da complexidade, globalidade, conflitividade e especificidade de determinada prática social que é a educação” (SOUZA, 1987 apud SOARES et al, p. 26,27. 2009).
Segundo Soares et al (2009), a Educação Física é a disciplina que no âmbito escolar trata, pedagogicamente, dos conteúdos da cultura corporal, sendo estes: dança, lutas, ginástica, jogos e esportes. No entanto, não é desde sempre que a EF é vista como a área do conhecimento que se debruça a estudar a cultura corporal. Anteriormente tomava-se como objeto de estudo o
corpo, dentro de uma concepção biologicista, ou como alguns autores definem, o corpo biológico, deixando de lado parte fundamental que compõe o ser humano, que se relaciona e vive em um meio social, sendo o corpo social negligenciado, o que se percebe como um erro que, por tempos, separou dois aspectos indissociáveis. Um exemplo disso é a frase grega que diz “mens sana in corpore sano” ou mente sã corpo são. Aqui se explicita a separação de corpo biológico e corpo social, representado pela dicotomia entre corpo e mente.
O conceito do que hoje conhecemos como cultura corporal expressa um sentido/significado que emerge na década de 80, num contexto específico nacional, de abertura política com objetivo de criticar a aptidão física e esportivização da Educação Física brasileira, sob forte influência de intercâmbios entre Brasil e Alemanha (SOARES et al,1992 apud LORENZINI et al, 2011).
Esta concepção inicia com o pensamento de (DIECKERT, 1985 apud LORENZINI, 2011) que reflete sobre a cultura própria do nosso povo que foi definida pelo autor como elaborações que as pessoas realizam em torno de suas próprias práticas corporais, construídas e reconstruídas em seu país, o que acaba ampliando as possibilidades de reflexões a respeito do objeto de estudo no qual a Educação Física busca formas de sistematização e apropriação dos conceitos desta nova face da EF brasileira.
Na análise feita da obra “O Coletivo de Autores (SOARES et al, 1991), Lorenzini (2011) diz que o conceito dado à cultura corporal é definido a partir do pensamento Materialismo-Histórico-Dialético, afirmando que os temas da cultura corporal, tratados na escola, expressam um sentido/significado onde se interpenetram, dialeticamente, a intencionalidade/objetivos do homem e as intenções/objetivos da sociedade (SOARES et al, 1992 apud LORENZINI et al, 2011). Escobar (1995) situa a disciplina Educação Física na perspectiva crítico-superadora, e explicita de forma clara o projeto histórico que defende, um projeto socialista, sendo este voltado para a crítica ao sistema vigente a partir de uma proposição contextualizada e transformadora.
A autora define a cultura corporal como um “amplo e riquíssimo campo da cultura que abrange a produção de práticas expressivo-comunicativas, essencialmente subjetivas que, como tal, externalizam-se pela expressão corporal” (ESCOBAR, 1995 apud LORENZINE et al, 2011). Dessa forma, o
conceito de cultura defendido implica apreensão do “processo de transformação do mundo natural a partir dos modos históricos da existência real dos homens nas suas relações na sociedade e com a natureza” (ibdem).
A estrutura de um programa, em qualquer disciplina, tem como objetivo selecionar os conteúdos que serão trabalhados uma vez que, quando se direciona o conhecimento e os métodos para sua compreensão, se evidencia a origem do pensamento teórico que se busca desenvolver nos alunos. Para realizar esta ação são levados em consideração três pontos-chave: 1) o conhecimento de que trata a disciplina, sistematizado e distribuído, que geralmente se denomina de conteúdos de ensino; 2) o tempo pedagogicamente necessário para a apropriação do conhecimento; e 3) os procedimentos didático-metodológicos para ensiná-lo (SOARES et al, 2009, p.61). E é nesta compreensão que são sistematizados os conteúdos trabalhados nas aulas de Educação Física.
Como elementos que compõem a cultura corporal temos os jogos, esportes, lutas, ginástica e dança. Estes são classificados desta forma, pois entende-se que são práticas corporais historicamente construídas pela humanidade e foram socialmente acumuladas, dispondo de um arsenal histórico importantíssimo para se compreender como a sociedade conseguiu se desenvolver até chegar aos dias atuais.
Desta forma, podemos afirmar que a classificação, tomada como princípio orientador, da ação pedagógica dos professores de Educação Física, deve ser a cultura corporal por se tratar de um conceito amplo que possibilita a compreensão do homem com o mundo e suas relações estabelecidas, suas condições propostas e que, a partir da reflexão crítica deve ser superada, como as relações de dominação por classe social.
4 OS CONTEÚDOS DA CULTURA CORPORAL NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA COM BASE NO PIBID/CEDF/UEPA.
A partir da leitura de documentos produzidos pelo PIBID/CEDF/UEPA, momento em que ficou determinado que apenas os documentos referentes aos conteúdos dança e lutas seriam levados em consideração para a análise de dados. A mesma não se deu por ordem cronológica, e foram consideradas
apenas as materialidades dos elementos encontrados, sendo necessário que se encaixem nas seguintes categorias, a baixo descriminadas.
Relação dialética entre cultura corporal e escola que visa a transformação das práticas que discutem como a cultura corporal, a partir de sua origem e seu conceito, estabelece uma relação dialética, um processo de diálogo, entre os contextos socioculturais e a escola (construção histórica, relações de identidade cultural, análise crítica da concepção de produção e reprodução de cultura), durante o desenvolvimento do subprojeto de Educação Física da UEPA, na percepção de como o entendimento a respeito da cultura corporal, através do referencial teórico-metodológico estudado pelo projeto, pôde transformar estas relações.
Outra categoria entende as concepções dialéticas a cerca dos conteúdos da cultura corporal e o processo de ensino-aprendizagem relacionando como se apresenta o processo de ensino-aprendizagem com a concepção trabalhada no PIBID/CED/UEPA, que toma como objeto de estudo a cultura corporal, desenvolvendo sua prática a partir de seu conceito que, em fundamentação, tem o materialismo histórico-dialético na busca pela transformação da ação pedagógica que reflete diretamente no processo de ensino-aprendizagem.
Por último, estabeleceu-se a categoria que discute a sistematização dos conteúdos da cultura corporal a partir do referencial teórico-metodológico da pedagogia histórico-crítica, tendo a pedagogia crítico superadora como uma possibilidade inovadora/transformadora no trabalho pedagógico do professor de EF, destacando suas contribuições na sistematização dos conteúdos da cultura corporal.
Os trabalhos analisados, foram produzidos pelos integrantes do subprojeto que se desenvolvia na Escola Palmira Gabriel, e catalogados, nesta pesquisa, para atender as necessidades das categorias acima expostas, estes são: Formação Do Professor e a Organização Teórico-Prática nas Aulas de Educação Física da Escola Municipal Palmira de Oliveira Gabriel (trabalho 1); Da Ingenuidade à Criticidade: experiências com o conteúdo Dança, contadas pelos bolsistas do PIBID/CEDF/UEPA (trabalho 2); O Ensino e a Aprendizagem do Conteúdo Dança: experiências contadas pelos bolsistas do PIBID/UEPA (trabalho 3); O Hip-Hop como Conhecimento da Dança nas Aulas de Educação
Física Escolar: aproximações com a cultura corporal (trabalho 4); O Carimbó e a Marujada Na Escola: uma proposta inovadora para trabalhar a Dança como conteúdo da Educação Física (trabalho 5); Um Novo Olhar Sobre a Dança na Escola: a pedagogia histórico crítica nas aulas de Educação Física (trabalho 6); Marujada e Carimbó nas Aulas De Educação Física: novas possibilidades de ensino da dança folclórica na escola (trabalho 7). Além dos trabalhos produzidos, também foram analisados documentos como as atas das reuniões e os relatórios das aulas ministradas.
Com a catalogação dos documentos produzidos, foi possível perceber que apenas um dos conteúdos propostos conseguiu ser trabalhado de forma sistemática que chegasse ao nível de produção acadêmico-científica e dois foram finalizados até o fim desta pesquisa, sendo estes, respectivamente, dança e lutas.
Neste momento, vale ressaltar os limites encontrados para o desenvolvimento das atividades na Escola Palmira de Oliveira Gabriel, em que podemos citar problemas como o desarranjo do calendário escolar e no planejamento da disciplina Educação Física que por muitas vezes, teve seu processo alterado para atender demandas da escola. Outro limite encontrado relaciona-se a um fator externo acontecido durante o ano letivo que foi um acidente provocado pelas condições climáticas da cidade, em que uma ventania derrubou uma árvore que atingiu o telhado da quadra de esportes e uma parte do bloco de salas da escola, o que acarretou paralização das atividades da mesma e impossibilitou a continuidade das atividades por um período de três meses. A o retornar às atividades, a quadra de esportes ainda não estava disponível, tendo que dar continuidade ao planejamento em locais alternativos como a sala de aula e rol de entrada da escola, onde existiam restrições quanto ao barulho.
4.1 RELAÇÃO DIALÉTICA – CULTURA CORPORAL E ESCOLA
A partir da análise dos dados. Levando em consideração a relação dialética entre cultura corporal e escola, foi possível identificar que os conteúdos negados, a partir do conteúdo dança, não são ofertados por dificuldades que têm origem na formação inicial dos professores, em que este conteúdo, enquanto disciplina curricular obrigatória, não proporcionou as bases
necessárias para se estabelecer a dança na escola, sendo tratada de forma esporádica apenas para festejos da instituição de ensino. A dança deve ser trabalhada a partir de seus fundamentos históricos e técnicos como cultura produzida historicamente e acumulada pela sociedade, levando em consideração seus contextos históricos, origens étnicas e outros diversos fatores, atendendo aos princípios de conteúdo a ser trabalhado, respeitando o conhecimento a ser desenvolvido, o tempo pedagogicamente necessário para seu desenvolvimento e os procedimentos didático-metodológicos necessários para ensiná-los (SOARES et al,2009).
Estas considerações podem ser encontradas em um dos trabalhos apresentados que reflete sobre “O Carimbó e a Marujada na Escola: uma proposta inovadora para trabalhar a Dança como Conteúdo da Educação Física”. Nesta produção encontra-se a seguinte afirmação:
A dança enfrenta problemas quanto a sua sistematização na escola, ao constatarmos que são desenvolvidas pelo senso comum e reduzidas à apresentações nos festejos da escola, desconsiderando as construções históricas criadas, acumuladas e recriadas pelo homem[...]queremos responder a pergunta científica: como podemos desenvolver o conhecimento das danças Marujada e Carimbó, nas aulas de Educação Física para que os alunos possam constatar, interpretar, compreender e explicar essas danças da cultura local na realidade vivida?( Trabalho1).
A partir do exposto acima, pode-se afirmar que o conteúdo dança e o conteúdo lutas devem obedecer princípios que atendam à proposta inovadora que busca firmar estes conteúdos, de forma sistemática, dentro da prática pedagógica dos professores de Educação Física. Esta percepção é possibilitada a partir das afirmações feitas pela professora supervisora, que insere esta metodologia em sua prática, e também através das afirmações dos alunos bolsistas que afirmam a percepção de uma transformação na pratica docente desenvolvida, contribuindo para a formação inicial dos mesmos.
Um fato muito importante que deve ser considerado é que a proposta desenvolvida pelo PIBID/CEDF/UEPA relaciona a cultura corporal de forma totalmente integrada em seu contexto socioeconômico, fazendo com que estes alunos se sintam parte da sociedade como ser que não apenas recebe cultura, mas também produz. Esta afirmação é encontrada no trabalho que trada do Carimbó e da Marujada como uma proposta inovadora para o ensino da dança na escola através das aulas de Educação Física, em que se buscou trabalhar
temas regionais, respeitando a produção cultural do Estado e a aproximação do tema com o cotidiano dos alunos.
4.2 RELAÇÃO DIALÉTICA ENTRE CULTURA CORPORAL E O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
Foi possível observar que este é um dos aspectos mais beneficiados pelo trato sistemático com os conteúdos da cultura corporal, com base na pedagogia histórico-crítica, pedagogia crítico-superadora e a cultura corporal, por proporcionar aos alunos uma percepção do conteúdo não mais de forma isolada.
O que nós faz refletir sobre os limites encontrados pelo subprojeto do PIBID, e a percepção de propostas de transformações dessa realidade sendo desenvolvidas, através dos conhecimentos científicos o que atende as propostas do PIBID/CEDF/UEPA. Na análise do desenvolvimento do conteúdo lutas foi possível identificar que o trato sistematizado com os conhecimentos da cultura corporal facilita o processo de ensino-aprendizagem, esta afirmação é encontrada no relatório da aula desenvolvida no dia 27 de outubro, quando aconteceu o encerramento dos conhecimentos da capoeira, momento em que, nas considerações finais, encontra-se a afirmação:
Notadamente, observou-se que os alunos assimilaram a construção do conhecimento sobre a capoeira, o aluno considera que a capoeira é de extrema importância, pois exige o respeito entre seus participantes, também, por não deixar que um conhecimento tradicional seja desfeito no tempo. Foram enfatizados os instrumentos, vestimentas que são atribuídos à cultura corporal da capoeira. Outro aspecto explicado foi o histórico, os alunos disseram que a capoeira era um disfarce, já que usavam como dança para que o senhor de engenho não percebesse que era uma luta, onde nas rodas eram aprimorados os golpes (Relatório da aula aplicada no dia 27 de setembro de 2015).
4.3 RELAÇÃO DIALÉTICA ENTRE A CULTURA CORPORAL, PIBI/CEDF/UEPA E O REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO.
Esta categoria procura identificar a sistematização dos conteúdos da cultura corporal a partir do referencial teórico-metodológico composto pela pedagogia histórico-crítica, pedagogia crítico-superadora e a cultura corporal, ficando evidente, após a leitura sistemática das produções feitas pelos integrantes do PIBID/CEDF/UEPA, lotados na escola Municipal Palmira de Oliveira Gabriel, o quanto é facilitado trabalhar os conteúdos da cultura
corporal, mesmo dentro de seus limites e possibilidades quando se propõe um método para organização do conhecimento que é tratado a partir do que já foi produzido, em que os momentos propostos pela pedagogia histórico-crítica Saviani(1991) são: a prática social inicial ( retrata o conhecimento da realidade); problematização( constitui-se de discussões dos limites e
possibilidades para o trato com o conteúdo);
instrumentalização( desenvolvimento teórico e prático necessário ao equacionamento das problemáticas identificadas); catarse( a nova forma de compreender a prática social inicial) e a pratica social final( faz referência ao ponto de chagada). Buscam atingir os objetivos propostos pela pedagogia crítico-superadora que versam sobre a necessidade de se propor práticas capazes de transformar não só o conhecimento de que trata a disciplina, mas os conhecimentos necessários para a vida em sociedade.
Podemos mencionar, também, que a necessidade evidenciada no projeto “O Acesso a Cultura Corporal na escola: possibilidades ao ensino da Educação Física na rede pública de Belém” indica a necessidade de consolidação da disciplina Educação Física no currículo escolar pode ser encontrada a partir das experiências proporcionadas pelo PIBID/CEF/UEPA pois, dentro dos principais apontamentos percebe-se a falta de organização dos conteúdos, ainda não percebidos como conteúdos da cultura corporal, mas sim como conteúdos isolados que devem ser desenvolvidos de forma independente a fragilidade da disciplina. A análise nos mostra que existe a possibilidade de organizar/sistematizar os conhecimentos da Educação Física, inicialmente os percebendo como cultura corporal, e então sistematizar as vivências a partir dos limites e possibilidades encontrados nas particularidades das escolas.
O conhecimento podes ter iniciado de forma empírica, mas que ao final de seu tempo pedagogicamente necessário devem estar enriquecidos com os conhecimentos científicos, atendendo à função da escola como espaço disseminador da ciência. Este processo, aqui identificado, é o foco principal desta pesquisa que trouxe a proposta de analisar os conteúdos da cultura corporal nas aulas de Educação Física ministradas no PIBID/CEDF/UEPA, buscando materializar este conhecimento produzido tornando perceptível o entendimento das problemáticas encontradas, dentro das escolas, pelos
professores de Educação Física no trato com os conteúdos da cultura corporal, propondo uma prática pedagógica transformadora nas aulas de Educação Física.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A busca por uma metodologia inovadora, como a proposta pelo PIBID/CEFF/UEPA, que firme a Educação Física enquanto disciplina capaz de sistematizar seu objeto de estudo partindo de uma perspectiva dialética e histórica, é alcançada a partir das ações do PIBID/CEDF/UEPA, observando que este carrega objetivos que versam sobre a sistematização das aulas de Educação Física, definindo como seu objeto de estudo a cultura corporal com a perspectiva de transformar a realidade, ainda hoje, encontrada nas escolas, o que nesta análise fica restrito à escola pública da rede municipal de ensino, mas que em uma reflexão se mostra necessário um estudo que consiga abranger mais a realidade das escolas em geral, no que diz respeito ao ensino da Educação Física, pois as dificuldades têm origem desde a formação inicial, identificando, assim, a necessidade de outras investigações a respeito da formação dos professores de Educação Física e seu entendimento sobre sua ação dentro das escolas.
O subprojeto de Educação Física além de contribuir como campo de investigação e proposição de práticas inovadoras, atua como campo de vivência profissional para os alunos em formação inicial, formação continuada para os professore da rede básica pública o que reforça a importância do tripé universitário (ensino-pesquisa-extensão). Desta forma, percebemos que em um processo de ensino-aprendizagem é necessário ir além do senso comum, é preciso que os conteúdos da cultura corporal sejam abordados tornando possível sua interpretação, compreensão e explicação.
ABSTRACT
This research aims to analyze the content of body culture based on the development of PIBID / CEDF / UEPA, the systematization of these as agents of transformation of school physical education classes. For this, use was chosen for data collection, the bibliographic research methodology, documentary research in the documents analyzed were produced in developing subproject of Physical Education UEPA. For this analysis it was taken as part of the data collection of this research field observation moments where it was possible to analyze the lessons taught in PIBID / CEDF / UEPA. With
respect to data analysis, this research used the qualitative analysis. Thus, it was observed from the data collected that classes taught in PIBID / CEDF / UEPA contributed significantly in the systematization of the body culture contents, turning the PE teacher's job to propose systematic methods in the teaching process the influencing qualitatively learning proposed by the discipline, thus meeting the PIBID the yearnings with regard to the search for innovative approaches to the process of teaching and learning in Physical Education constructed from the body culture content. KEYWORDS : Body Culture. School Physical Education . PIBID / CEDF / UEPA REFERÊNCIAS
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