Capacitação Interna
14.12.2015
Emergências ginecológicas e obstétricas
PCR na gestante
Condição rara;
10% das causas de morte
materna;
Modificações fisiológicas na gravidez
Circulatórias:
Aumento do DC;
Aumento do consumo de O2;
Diminuição da RVP;
Modificações fisiológicas na gravidez
Demanda de circulação aumentada na PCR
Rápida evolução para hipóxia
Transferência de volume para a circulação periférica
Volume plasmático > Glóbulos Vermelhos
Modificações fisiológicas na gravidez
Respiratórias:
Aumento da relação ventilação por minuto;
Diminuição da Capacidade Residual Funcional
(CRF).
Modificações fisiológicas na gravidez
Mecânicas:
Efeito compressivo.
Veia Cava Inferior
Diafragma
Modificações fisiológicas na gravidez
Gastrointestinais:
Algoritmo
Análise da IG (Semanas):
Distância do fundo do útero à sínfise púbica
Algoritmo ACLS
Considerar como
não grávida
< 24 semanas
24s < x < 32s
>32 semanas
Avaliar condições
materno-fetais
Compressão
Torácica sem pulso
Cesárea longitudinal
Cesárea
longitudinal
Posicionamento durante a RCP
Decúbito dorsal sobre uma superfície rígida.
Deslocamento do útero para a esquerda
Sítio de compressão
Região do esterno um pouco mais alta que a posição habitual:
Ajuste do conteúdo torácico
Elevação diafragmática
Aumento do volume abdominal
em virtude do útero gravídico
Intubação precoce
Controle e proteção das vias aéreas;
Permitir fornecimento de altas concentrações de O2;
Via alternativa para administração de medicamentos.
Dessaturação
mais rápida
Bolsa-máscara 100% O2
Estômago cheio
Cânula menos
Causas da PCR durante a gestação
Obstétricas
Não obstétricas
IAM
Dissecção de aorta
Embolia pulmonar
Trauma
Sepse
Pré-eclâmpsia
EAP
ICC
AVC
EC
HELLP
Hemorragia
Embolia amniótica
Caso clínico
Paciente de 31 anos, sexo feminino, referia que há dez
horas havia iniciado quadro de náuseas, vômitos
(três episódios) e fezes amolecidas. Há uma semana
apresentava aumento da pressão arterial, estando
desde então em uso de alfametildopa (750mg ao dia).
Negava cefaléia, escotomas, epigastralgia, perdas
vaginais e referia boa movimentação fetal.
Antecedentes obstétricos: G3P2A0
G1: parto normal, há 8 anos, sexo feminino, peso 2830g,
hipertensão arterial leve;
G2: parto fórceps Simpson-Brown, há 4 anos, sexo feminino, peso
2500g, negava hipertensão arterial e referia ter sido indução
devido a amniorrexe;
G3: idade gestacional atual: 33s e 4d(A) e 33s e 6d(E22).
Antecedentes pessoais: negava hipertensão arterial, diabetes mellitus,
cardiopatias, pneumopatias e doenças sexualmente transmissíveis.
Exame físico
Bom estado geral, pressão arterial de 180/130mmHg
(sentada) e 150/80mmHg (em decúbito lateral esquerdo);
Aparelhos respiratório e cardiovascular sem alterações;
Abdome: altura uterina 33cm, batimentos cardíacos fetais
120bpm, sem dinâmica uterina;
Membros inferiores: edema ++/++++;
Ao toque vaginal: colo pérvio 1,5cm, grosso, posterior, bolsa
íntegra e apresentação cefálica.
Exames laboratoriais: hemograma, leucograma,
coagulograma, dosagens séricas de sódio, potássio, uréia e
creatinina apresentaram-se normais;
Plaquetas=91.000U/mm3 (140.000 a 350.000);
AST (aspartato aminotransferase)=442UI/l;
ALT (alanina aminotransferase)=244UI/l (10 a 37);
LDH (desidrogenase láctica)=1943 UI/l (200 a 480);
Ácido úrico=7,9mg%(1,5 a 6,0);
Pré-Eclâmpsia
Critérios diagnósticos:
Hipertensão
Edema
Hipertensão
PAS ≥ 140mmHg
PAD ≥ 90mmHg
Aumento de 30mmHg ou mais na PAS e de
15mmHg ou mais na PAD não é mais
considerado como diagnóstico de hipertensão na
gestação, passando a indicar apenas risco elevado
Proteinúria
> 300 mg/l/24h, ou
Labstix (+) em pelo menos duas aferições, ou
2 (+) ou mais em qualquer amostra isolada.
Apresentação clínica
Pré-Eclâmpsia leve:
Pré-Eclâmpsia grave:
Definida pela presença de hipertensão e proteinúria, ausentes sinais e/ou sintomas
característicos de Pré-Eclâmpsia grave.
1.PA ≥ 160 x 110mmHg (persistindo após repouso de
30 min em DLE);
2.Proteinúria > 2g/l/24h ou 3 a 4(+) no labstix;
3.Oligúria (diurese <400ml/24h);
4.Creatinina sérica ≥ 1,3mg%;
5.Manifestações cerebrais e visuais: cefaléia, torpor,
obnubilação, turvação visual, escotomas, diplopia,
amaurose;
6.Edema agudo de pulmão ou cianose;
7.Dor epigástrica ou em hipocôndrio direito;
Pré-Eclâmpsia leve
Avaliação materna e fetal
≥ 37 semanas
< 37 semanas
Instável (Alteração da vitalidade fetal) Estável
Aguardar até
40 semanas Resolução da gestação
1.Hipertensão persistente; 2.Laboratório alterado; 3.Crescimento fetal alterado
Paciente não-cooperativa.
Sim
Não
Internamento 1.Acompanhamento ambulatorial; 2.Medir PA domiciliar; 3.Avaliação materna/Fetal semanal InternamentoAvaliação materna:
Monitorização semanal da PA;
Propedêutica laboratorial semanal: hemograma completo, uréia, creatinina, bilirrubinas, LDH, transaminases. Avaliação fetal:
Ultrassonografia seriada: avaliar crescimento fetal e volume de líquido amniótico; Mobilograma;
CTG semanal;
Dopplerfluxometria quinzenal das artérias umbilicais e cerebral média. Indicações para interrupção da gestação:
Evolução para Pré-Eclâmpsia grave; Maturidade pulmonar presente;
Crescimento intra-uterino restrito (CIUR)/oligohidramnia; Síndrome HELLP;
Sofrimento fetal. Via de Parto:
Pré-Eclâmpsia grave
Avaliação materno-fetal
<35 semanas
Assintomática; Laboratório normal; Vitalidade fetal preservada.
≥ 35 semanas
Sintomática;
Laboratório anormal;
Vitalidade fetal comprometida; Outros sinais de gravidade.
Resolução da gestação
Conduta conservadora
Hidratação;
Sulfato de Magnésio; Terapia antihipertensiva.
Vitalidade fetal preservada Vitalidade fetal comprometida
Propedêutica complementar
Hemograma com contagem de plaquetas;
Função hepática (TGO, TGP, Bilirrubinas, LDH);
Função renal (Uréia e Creatinina);
Vitalidade fetal: CTG basal;
Perfil Biofísico Fetal (PBF); Dopplerfluxometria.
Hidratação:
Não exceder 150ml/h. Profilaxia anticonvulsivante:
Sulfato de Magnésio: 50% - amp 10ml
Ataque 4 a 6g: 8 a 12 ml EV, diluido em 100ml de SG 5%, em 30 min. Manutenção 1 a 2g/h: 12 a 24 ml em cada SG 5%, 28gts/min ou 84 ml/h. Manter sulfatoterapia por 24h após o parto ou após a última convulsão;
Pesquisar reflexos patelares/diurese/frequência respiratória;
Suspender se ↓ dos reflexos patelares ou diurese ≤ 30ml/h ou FR ≤ 16ipm); No caso de intoxicação – utilizar gluconato de cálcio 10ml EV lento.
Terapia antihipertensiva (aguda)
Hidralazina
Amp 20mg – 1ml. Diluir com 19ml ABD, fazer 5 ml EV a cada 30min; ManterPAS em torno de 140mmHg e PAD em torno de 90mmHg;
Fazer no máximo 4 doses. Observada a manutenção dos picos hipertensivos, discutir possibilidade de resolução da gestação.
Nifedipina
Comprimido de 10mg ou 20mg;
Fazer 01 comprimido até de 30 em 30 minutos, máximo de 4 doses. Observada a manutenção dos picos hipertensivos discutir possibilidade de resolução da gestação.
Conduta conservadora
Pré-Eclâmpsia grave
Conduta de exceção quando a IG não permitir a resolução. Avaliação Laboratorial
Hemograma com contagem de plaquetas;
Função hepática (TGO, TGP, bilirrubinas, LDH); Função renal (uréia, creatinina, proteinúria 24h);
Obs.: Repetir a cada 2 dias, observando critérios de gravidade e Sd. HELLP. Vitalidade fetal
CTG basal diária; PBF;
Dopplerfluxometria.
Conduta conservadora
Pré-Eclâmpsia grave
Terapia antihipertensiva de manutenção: Iniciar após 24 horas de observação na presença de picos hipertensivos.
1a. Escolha – Alfametildopa – Iniciar com 250mg de 12 em 12 horas, até no máximo de 2g/dia;
Nifedipina – 30 a 120mg/dia;
Pindolol – 10 a 30mg/dia;
Hidralazina – 200mg/dia VO – não fazer isoladamente, somente associada a β- bloqueador ou alfametildopa.
Resolução da gestação conforme protocolo inicial. Não há contra-indicação para indução do parto com Misoprostol.
Conduta conservadora
Pré-Eclâmpsia grave
Orientações gerais
Dieta normosódica com até 2g/dia;
Repouso em DLE;
PA 4/4h;
Balanço hídrico rigoroso;
Peso diário em jejum.
Conduta pós-parto
Sulfato de Magnésio 24h pós-parto ou após a última convulsão. Manter sulfato se paciente se mantiver sintomática.
Conduta conservadora
Pré-Eclâmpsia grave
Iniciar hipotensor de manutenção se PAS ≥ 160 ou PAD ≥ 110 após 48H de
pós- parto para evitar complicações maternas;
Hipertensa crônica – manter medicação que utilizava previamente a gestação.
Pré-Eclâmpsia
< 35 anos – propranolol 40mg 12/12h, dose máxima 120mg. Não obtendo
resposta após 48horas da dose máxima iniciar nifedipina 20mg 12/12h
podendo atingir 120mg.
> 35 anos – nifedipina 20mg 12/12h avaliando a cada 48h até no máximo
120mg.
Conduta conservadora
Pré-Eclâmpsia grave
Rastreamento de complicações hematológicas e hepáticas.
Evitar antiinflamatórios.
Evitar uso de bromoergocriptina (DA);
Não contra-indicar amamentação;
Eclâmpsia
Crise convulsiva do tipo
tônico-clônica, generalizada,
em pacientes com diagnóstico
Estabilização da paciente &
medidas de suporte
Utilizar cânula de guedel, para evitar queda da língua com obstrução;
Oxigenação – O2 5l/min através de catéter nasal. Dificuldade na oxigenação pode ocorrer em pacientes com convulsões repetidas ou que receberam drogas para abolir as convulsões.
Evitar trauma materno;
Minimizar risco de aspiração;
Corrigir acidose, hidratar adequadamente a gestante;
Não levar ao CC antes de 2h do último episódio convulsivo;
Terapia anticonvulsivante
Sulfato de Magnésio (MgSO4) 50% - (ampola de 10ml – 5g) Ataque – 4 a 6g;
Ataque – Diluir 8 a 12ml em 100ml de SG 5%, fazer EV em 30 min. Ter sempre a mão 01 amp. de gluconato de cálcio, para o caso de reação grave ao MgSO4; Manutenção – 1 a 2g hora – Fazer 12 a 24 ml em cada 500ml de SG 5%, com velocidade de infusão de 28 gts/min ou 84ml/h.
Não há necessidade de tentar reduzir ou abolir rapidamente a convulsão eclâmptica; Episódio convulsivo após MgSO4 - Repetir dose de ataque e aumentar dose de
Terapia anticonvulsivante
Se houver manutenção do quadro, apesar das medidas anteriores, inicia-se Fenitoína conforme esquema:
50-70kg – 1g (04 amp.) – 750mg (3 amp.) em 100ml SF 0,9%, em 30 min. 250mg em SF, nas próximas 2h.
< 50kg – 750mg (03 amp.) – 500mg (02 amp) em 100ml de SF 0,9%, EV, em 30 min. 250mg (01 amp.) em SF, nas próximas 2h.
> 70kg – 1,5g – 1g (04 amp.) em 100ml SF 0,9%, EV, em 30 min. e 500mg (02 amp.)em SF, nas próximas 2h.
A Fenitoína não pode ser diluída em SG pois precipita;
Se quadro convulsivo se mantiver apesar da fenitoína, deve ser encaminhada para anestesia geral com suporte de UTI no pós-parto.
Controle da PA
Tratar pico hipertensivo se PA ≥ 160 x 110mmHg
Hidralazina
Amp 20mg – 1ml. Diluir com 19ml ABD, fazer 5 ml EV a cada 20 a 30min;
ManterPAS em torno de 140mmHg e PAD em torno de 90mmHg;
Fazer no máximo 4 doses.
Nifedipina
Comprimido de 10mg ou 20mg;
Conduta
obstétrica
Via de parto
Parto vaginal
TP ativo;
Bishop > 7;
Sem contra-indicação para parto vaginal;
Parto abdominal
Contra-indicação para parto vaginal.
Anestesia
Bloqueio de condução se não apresentar distúrbio de coagulação;
Anestesia geral – coagulopatia presente ou suspeita.
Continuação do caso
Conclusões
Conduta
Gestação tópica de 33s4d(A), síndrome
hipertensiva da gestação, gastroenterocolite
aguda.
Solicitada a propedêutica para pré-eclampsia e
para síndrome HELLP . Aumentada a dose da
alfametildopa para 1g ao dia, introduzido
Evolução clínica após 24 horas: a paciente referia ter
apresentado tontura; PA controlada e vitalidade fetal
preservada. Foram repetidas as dosagens dos principais
exames alterados, encontrando os seguintes resultados:
plaquetas=62.000U/mm3, AST/ALT=282/226UI/l,
LDH=1.709UI/l e solicitados também bilirrubinas
totais, direta e indireta= 1.1, 0.3, 0.8.
Diagnóstico?
Pré-Eclâmpsia complicada por Síndrome
HELLP.
Síndrome
HELLP
Pode desenvolver-se pré-parto ou
pós-parto, geralmente variando de
algumas horas até 7 dias de
pós-parto (média de 48 horas).
H
emolytic
Anemia
Hemólise:
Esfregaço periférico anormal
(esquistocitose, anisocitose, equinocitose).
BT > 1,2 mg%
E
levated
L
iver
Enzymes
Elevação das enzimas hepáticas:
TGO > 70 U/l
L
ow
P
latelet
Count
Plaquetopenia:
Síndrome HELLP
Martin e cols. em 1990 propuseram uma
classificação da síndrome HELLP
baseados nos níveis de plaquetas:
• Tipo III: 150 – 100.000/mm3;
• Tipo II: 100 – 50.000/mm3;
• Tipo I: < 50.000/mm3.
Essa subdivisão foi criada para prever velocidade de recuperação materna
pós-parto, evolução materna perinatal e necessidade de
plasmaférese. Sendo que, quanto menor o número de
plaquetas maior a morbimortalidade
Quadro clínico
Variável: sintomas inespecíficos semelhantes a uma síndrome viral ou mal-estar até sintomas mais específicos, relacionados com a fisiopatologia da síndrome:
Dor epigátrica/quadrante superior direito (90% das pacientes) Náuseas/vômitos (50%)
Hematúria/hemorragia gastrointestinal Edema/ganho ponderal
Importante lembrar que hipertensão e proteinúria podem estar ausentes ou serem apenas ligeiramente anormais. Algumas pacientes podem apresentar vários sinais e sintomas, nenhum dos quais é diagnóstico de pré-eclâmpsia grave. Portanto, recomenda-se avaliação
laboratorial para todas as gestantes com alguns destes sintomas, independente dos níveis pressóricos.