• Nenhum resultado encontrado

Edson Nascimento Campos* Resumo

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Edson Nascimento Campos* Resumo"

Copied!
15
0
0

Texto

(1)

A DIMENSÃO DIALÓGICA DA LINGUAGEM

Edson Nascimento Campos*

Resumo

Neste texto, a linguagem é pensada dialogicamente. Assim pensando, toma-se a ação dos interlocutores como atividade de enunciação que ocorre, interativamente, na mediação que os aproxima e os distancia, uma vez que tais movimentos respondem às exigências da semelhança e da diferença constitutivas das posições dialógicas do um e do outro. Por outro lado, este texto procura analisar, dialogicamente, a experiência escolar de escrita e leitura a partir de registros de pesquisa que revelam a ação da Pedagogia Tradicional no ensino e aprendizagem de linguagem. E, finalmente, o dialogismo é usado no esforço de esclarecer o sentido de gênero, a fim de se compreender a experiência do texto como realização discursiva.

Palavras-chave: Linguagem, Dialogismo, Enunciação, Mediação.

Abstract

This paper thinks language as a dialogic activity. Thus, the action of the speakers as activities of enunciation takes place during the interaction process. Here, the mediation occurs: they approach but they also keep away from each other. These movements are the accomplishment of the dialogic positions: one and the other. So resemblance and difference come to sight. But this text tries also to view school writing and reading under “Pedagogia Tradicional” by using dialogic tools in order to consider some language teaching and learning research results. Finally, dialogism is brought out and here it means an effort to understand the concept of genre to inquire text as a discoursive experience.

Key words: Language, Dialogic Activity, Enunciation, Mediation.

O estudo da linguagem, a partir do que se indica no título deste texto, A dimensão dialógica da linguagem, requer a organização de um conjunto de observações teóricas. O que se pretende, aqui, é rever tais observações retomando o que, em parte, se diz em “Texto e interação: o estilo – estratégia textual” (Campos, 2005a); “Linguagem, dialogia, gênero e leitura” (Campos, 2005b) e, ainda, o que, parcialmente, se diz em “O

(2)

conceitos fundamentais do dialogismo de modo a tornar possível o repensar das experiências de linguagem, articuladas pelas atividades de falar, ouvir, escrever e ler, o que se efetivará, sobretudo, com a releitura de resultados de pesquisa que envolvem o uso escolar da Pedagogia Tradicional. Nesse repensar das experiências de linguagem, o que se objetiva é, também, uma retomada do conceito de gênero como modo de articulação das relações dialógicas, como modo de organização das experiências com a linguagem, a fim de se lançar luzes sobre a experiência do texto como realização discursiva patrocinada pela ação de gênero.

Vejamos o que Bakhtin (1999) pensa:

Na realidade, toda palavra comporta duas faces. Ela é determinada tanto pelo fato

de que procede de alguém como pelo fato de que se dirige para alguém. Ela

constitui justamente o produto da interação do locutor e do ouvinte. Toda palavra

serve de expressão a um em relação ao outro. Através da palavra, defino-me em

relação ao outro, isto é, em última análise, em relação à coletividade. A palavra é uma

espécie de ponte lançada entre mim e os outros. Se ela se apóia sobre mim numa

extremidade, na outra apóia-se sobre o meu interlocutor. A palavra é o território

comum do locutor e do interlocutor (p. 113).

Ao projetar para a linguagem a prática de interação do locutor com o alocutário, é possível pensar que essa prática acontece por mediação, o que é diferente quando se pensa a linguagem como intermediação, pois, nesse caso, pensa-se a atividade simbólica como veículo ou canal. Quando se considera a atividade simbólica pelo uso do conceito de mediação, o locutor, ao usar a linguagem para se dirigir ao alocutário, atua sobre ele. E o alocutário, já na nova posição de locutor, atua sobre o antigo locutor: o novo alocutário. Enfim, os interlocutores usam a linguagem entre si, no jogo da determinação recíproca pressuposto, teoricamente, pela mediação. Mas, daqui, já se insinuam alguns desdobramentos: o texto, seja falado ou escrito, não é apenas um objeto que materializa a posse de um dos constituintes da mediação, ou seja, o sentido materializado no corpo do texto é produzido na interlocução. Contudo, é comum o uso de uma certa fala marcada pelo sentido de posse. Por exemplo: o texto é de quem escreve: do autor. Mas não é bem isso: o texto é da relação de quem escreve com quem lê, pois o alocutário, como leitor, é, também, um agente que produz sentido, assim como o autor, ao ocupar a posição de locutor. E ao dizer que esses interlocutores usam a linguagem no jogo da mediação, fazendo o texto falado, ou escrito, ser um objeto sujeito à mobilidade dos agentes de produção, é possível dizer que aí ocorre uma ação interlocutiva, o que faz da linguagem uma experiência de enunciação, seja ela materializada, lingüisticamente, com a modalidade oral, seja ela materializada com a modalidade escrita. Independentemente do uso de tais modalidades, assim se caracterizaria o jogo da enunciação:

“...

o LOCUTOR, aquele enuncia; e o ALOCUTÁRIO, aquele a quem é dirigido o enunciado: ambos são chamados, indiferentemente, INTERLOCUTORES” (Todorov e Ducrot, 1977, p. 304). Enfim, os produtos da ação dos interlocutores constituem uma experiência de construção de sentido materializado com a linguagem. E isso ocorre de forma a garantir que aquele que esteja numa certa

(3)

posição da ponte construa essa ponte por uma de suas extremidades, enquanto aquele, em outra posição, construa, também, essa mesma ponte a partir de sua outra extremidade. Um outro desdobramento que daqui decorre está associado à certa prática de leitura que pensa tal atividade como a de reprodução das palavras do autor. Vale lembrar que aquele que está na outra extremidade da ponte, lendo o texto, poderá estar, de fato, dizendo o que o autor diz, mas, ainda, dizendo, em conflito, o que ele não diz. Isso traz de volta a questão da posse do texto, pois, aqui, até certo ponto, pode-se respeitar o que o autor diz, mas o que o leitor diz constitui a sua participação no texto que o outro escreveu, ainda que tal participação tenha a marca dos limites e das possibilidades do alocutário, fazendo o texto ser o espaço em que se questionam os limites da posse do sentido. Mas o texto, por isso, passa a ser um espaço meio móvel, pois ali reside certa ambigüidade na ação de produção de sentido: certo cruzamento de sentidos, de vozes, de interlocutores.

O estudo da dimensão dialógica da linguagem pressupõe, enfim, algumas construções teóricas: o locutor em relação com o alocutário; a mediação na relação dos interlocutores; a determinação recíproca na relação do locutor com o alocutário; a linguagem como ação interlocutiva; a interlocução como enunciação; a enunciação como ação interativa materializada com a linguagem; a ação interativa dos interlocutores materializada com o jogo das posições do um na relação com a posição do outro. Tal quadro de construções teóricas pode ser explicitado, ilustrativamente, se pensarmos que à metáfora da ponte podem ser acrescentadas algumas outras. Por exemplo, as metáforas do exército, da onda de rádio, do espelho ou da página com o seu centro e sua margem.

Se a experiência dialógica da linguagem pode ser esclarecida com a metáfora da ponte, vejamos em que a metáfora do exército esclarece a experiência dialógica da realização do texto produzido sob o modo de realização da língua escrita e da língua falada.

... um texto é um jogo de estratégia mais ou menos como pode ser a disposição de

um exército para uma batalha. Napoleão dispõe seus soldados em Waterloo,

procurando imaginar um modelo da mentalidade do duque de Wellington: “O duque

de Wellington deve ser um sujeito que raciocina de tal modo. Para levá-lo a

raciocinar de tal modo, disponho meus soldados de maneira que o duque de

Wellington seja induzido a raciocinar de tal modo e a reagir de maneira a imaginar

uma imagem de Napoleão como a que eu tento oferecer-lhe através da disposição

das tropas. Se meu jogo tiver êxito, o duque de Wellington reagirá de modo a fazer

triunfar meu texto estratégico”. Naturalmente, também o duque de Wellington

encontra-se na mesma situação. A história nos diz que o texto mais interessante foi

aquele imaginado pelo duque de Wellington, que obrigou Napoleão a comportar-se

como estrategista-modelo proposto pelo duque de Wellington, ao passo que o

duque de Wellington não se comportou como o estrategista-modelo imaginado por

Napoleão (Eco, 1984, p. 99).

1

(4)

Do ponto de vista dialógico, o que se espera do locutor, quando assume a posição de linguagem identificada como um, é a construção imaginária de um alocutário, figurado na posição identificada como o outro. Desse modo, ao escrever, o locutor constrói com a linguagem não só a si, mas ainda o alocutário: o seu leitor. E assim fazendo, agindo com a linguagem, o locutor procura conquistar o seu alocutário, operando no sentido de fazê-lo ser o que está sendo imaginado pela posição daquele que figura como um: o locutor. Nesse caso, o locutor pode ser caracterizado como uma operação, ou estilo, de conquista do alocutário: uma estratégia textual de escrita que prefigura estratégias textuais de leitura. E esse, o alocutário, na posição que o figura como o outro, executaria, também, operações de linguagem que se articulam naquilo que pode ser definido como estratégias textuais de leitura para a conquista do escritor como construção de linguagem articulada pelo leitor.

Se a relação do escritor com o leitor pode ser caracterizada como estratégias textuais, ou como um conjunto de operações de linguagem para a conquista recíproca dos interlocutores da situação de escrita, o texto é um espaço de luta, pois o exército do escritor, com as suas estratégias, opera na conquista do exército do leitor. E, assim, o texto é um espaço de tensão, pois o leitor lê aquilo que o escritor espera que seja lido, mas lê, também, o inesperado: o que o escritor não espera que seja lido.

Enfim, as relações dialógicas, como relações construídas com a linguagem, são marcadas pela semelhança e pela diferença que circulam pelo trabalho de escrever e de ler o texto, pela simetria e pela assimetria que marcam a relação do escritor e do leitor na presença e na ausência da sintonia que os aproxima e os distancia, pelo conflito que marca o espaço da escrita e da leitura, pela tensão que perpassa o escrever e o ler.

A orientação dialógica é naturalmente um fenômeno próprio a todo o discurso.

Trata-se da orientação natural de qualquer discurso vivo. Em todos os seus

caminhos até o objeto, em todas as direções, o discurso se encontra com o discurso

de outrem e não pode deixar de participar, com ele, de uma interação viva e tensa.

Apenas o Adão mítico que chegou com a primeira palavra num mundo virgem, ainda

não desacreditado, somente este Adão podia realmente evitar por completo esta

mútua orientação dialógica do discurso alheio para o objeto. Para o discurso

humano, concreto e histórico, isso não é possível: só em certa medida e

convencionalmente é que pode dela se afastar (Bakhtin, 1990, p. 88).

Mas é possível dizer que as experiências de escrever e de ler um texto sejam marcadas pela conquista de uma boa onda de rádio. Vejamos o que nos diz essa metáfora no texto Ironia Fina.

(5)

Ironia é como onda de rádio, se não encontrar um receptor adequado, se perde. Não adianta você escrever com ironia se não é lido como ironia, e o desencontro pode ser perigoso. Uma vez, escrevi que a solução para o Brasil era eliminar o povo, único responsável pelos nossos maus índices sociais. Sem o povo e sua miséria seríamos um dos países mais adiantados do mundo. Recebi uma carta de um leitor que entendia que eu estava brincando quando falava em “eliminar” o povo, o que seria uma impossibilidade, mas me cumprimentando pela coragem: finalmente alguém apontava o dedo para os verdadeiros culpados pela nossa situação. Outra vez escrevi que o Movimento dos Sem Terra tinha cometido o pior crime que um movimento de reivindicação social poderia cometer, que era se organizar e agir, e não faltaram leitores me chamando de insensível e reacionário. Estes pelo menos são desentendimentos sinceros, devidos à falta de discernimento ou senso de humor. Também há os que lêem o que querem, não o que você escreveu, ou lhe atribuem posições que você não tem, mas aí já passamos para falta de outra coisa (Veríssimo, 2001, p. 7).

É claro que o locutor pode construir, com a linguagem, a estratégia irônica de escrever um texto que só será bem-sucedida se o alocutário fizer a ironia com a sua estratégia de leitura. Nesse caso, o pressuposto para a leitura do texto irônico é a de que tal experiência seja sintonizada com a prática irônica que preside a escrita de tal texto, ou seja, que a ação do leitor ocorra em simetria com a experiência da escrita. Isso, contudo, não garante que o leitor atue em simetria com as estratégias fixadas materialmente pela ação de linguagem do escritor. Em tal caso, a experiência de assimetria, presente na relação autor/leitor, nos leva a considerar que a sintonia que perpassa a relação dialógica dos interlocutores não é, em nada, absoluta, o que torna a recepção do texto um espaço aberto à transformação do sentido contra a pretendida expectativa da reprodução materializada na acolhida da boa onda de rádio.

Em outras palavras, a experiência dialógica de linguagem pressupõe certa sintonia, ou simetria, que perpassa a relação dos interlocutores, mas pressupõe, ainda, certa quebra em tal sintonia, introduzindo-se, aí, certa assimetria, que assinalaria a divisão, a diferença, o conflito, a tensão, o inesperado. Isso tudo nos leva a pensar, pois, que pensar a dimensão dialógica da linguagem não nos leva a postular a ocorrência do diálogo como espaço de interação marcado apenas pela harmonia, mas, sobretudo, pela desarmonia do litígio. Tais dimensões, a harmonia e a desarmonia, abrem o espaço de produção de sentido do texto para as exigências de demandas contraditórias dos litigantes em ação. Aquele que escreve tem o seu exército, as suas estratégias textuais, mas aquele que lê usa das estratégias textuais de seu exército e, com isso, o texto, como realização semiológica, constitui-se na arena da luta com a materialidade do signo.2

Vejamos o que significaria essa harmonia e desarmonia do litígio como experiência dialógica do escrever e do ler como realização que negaria a boa onda de rádio do escritor. Isso nos leva a examinar o que diz o poeta Carlos Drummond de Andrade em carta à professora, amiga, Maria Luiza Ramos (Ramos, 2000, p. 60-61):

(6)

Querida Maria Luiza:

Dando arrumação aos papéis de meu escritório, topo de novo com o seu estudo da árvore cósmica na minha poesia – o texto datilografado e o outro, ligeiramente modificado, que o Suplemento Cultural do “Estado de São Paulo” publica. Passei os olhos e voltei a ler. E lendo, parei com a arrumação. O que você dizia no estudo assumia outra vez uma claridade nova, e me absorveu a atenção. Não que eu não me lembrasse do escrito (lembrava-me perfeitamente) mas fiquei seduzido pelo poder de iluminação que ele encerra e que desafia novas leituras, tão rico de conteúdo que desde a primeira leitura me impressionou. Sabe que aprendi muitas coisas a meu respeito, reveladas por você? Eu não me dava conta da insistência ou permanência da coisa natural árvore na minha poesia, que empregava apenas como objeto circunstancial, e não com o significado cósmico que você lhe aponta. Sabe como é que a gente compõe? Sem saber que está fazendo uma segunda verbalização da coisa descrita ou narrada... E essa segunda verbalização é, no fundo, por misteriosa que pareça, a verdadeira. A outra: um exercício direto de exposição de coisas, exteriores ou interiores. Você me deu o segundo sentido da poesia, que no fundo é o primeiro. Fiquei feliz de ser assim “contado” a mim mesmo, por sua análise, arguta, acurada e profunda. E quero agradecer por escrito o que antes foi agradecimento verbal telefônico. É um acontecimento intelectual e moral na vida da gente ser objeto de um trabalho como esse seu, tão generoso e ao mesmo tempo tão esclarecedor. Obrigado, amiga querida.

Num beijo, toda a comovida e antiga amizade do seu

Carlos Drummond

O locutor, ou poeta, que escreve sobre a árvore e que a lê como escritor que dela faz certa imagem, construída com a linguagem, tem uma experiência de sentido que não é a experiência construída pelo alocutário, que dela se aproxima como leitor do texto do poeta e, nessa posição, faz uma outra imagem. Nesse sentido, ainda que possa haver entre o escritor e o seu leitor certa simetria, ou sintonia que os aproxima, dialogicamente, a experiência de construção com a linguagem possibilita ao alocutário, nessa experiência de interação, certa assimetria, ou quebra de sintonia. Rompe-se a sintonia esperada da boa onda de rádio, instaurando-se o inesperado de uma nova onda: a harmonia pressuposta pela equilibração, em que escritor e leitor, idealizadamente, se afinam, é rompida e, aí, brotam a desarmonia, a desequilibração e, nisso, os interlocutores se afinam e se desafinam. O diálogo, em outros termos, pensado dialogicamente, não é harmonioso: não tem a dimensão de agente instaurador do equilíbrio entre os seres humanos. Nesse caso, na relação com o texto do escritor, o leitor produz um espaço interativo de litígio, ou de luta, que o qualifica como o agente que possibilita ao escritor a prática de uma experiência particular de redistribuição, ou releitura desmistificadora, dos sentidos de sua obra.

Em outras palavras, a experiência dialógica da linguagem, na relação dos interlocutores que escrevem e lêem, por exemplo, marcada pelo litígio da simetria e da assimetria, nos faz ver que tal experiência nos obriga a pensar o texto como espaço marcado pela atividade de quem escreve, na posição de um, e de quem lê, na posição de o outro. Ou seja, aquele que escreve, no ato de escrever, como locutor, responde a essa prática, com as possibilidades de uso da linguagem até então experimentadas. Tal experiência vem, então, marcada pelo cruzamento com vários outros textos que tenha lido, escrito, ouvido e falado. E o alocutário, no ato de ler o texto que o outro escreveu, participa dessa experiência, com as possibilidades de uso da linguagem, também, até então experimentadas, cruzando o texto que está sendo lido com diversos outros textos que,

(7)

também, tenha lido, escrito, ouvido e falado. Em outros termos, escrever e ler, como experiências de atividade dialógica, constituem-se como atividade responsiva dos interlocutores, e tal atividade, que é constitutiva do cruzamento de textos, nos faz pensar esse objeto – o texto – como experiência que é constitutivamente intertextual, em que se matizam o equilíbrio e o desequilíbrio.

A atividade responsiva, como atividade de cruzamento de textos, em quem escreve e quem lê, marcados, por exemplo, pela ação institucional da escola, sob a orientação da Pedagogia Tradicional, sobretudo nas séries iniciais do Ensino Fundamental, trata a intertextualidade com certa especificidade educativa que traz as marcas da função reprodutivista que aí, fundamentalmente, se aloja. Isso, vale lembrar, está presente em pesquisas que procuram caracterizar a educação da linguagem em escolas de Minas Gerais, do ponto de vista da leitura e produção de textos, lá pelos idos das décadas de 1970 e 1980, quando a interação professor-aluno passa a se constituir como um objeto mais amplo de pesquisa sobre o ensino da Língua Portuguesa, ou seja, quando a interação escolar passa a ser vista não como um fenômeno reducionistamente técnico, mas, sobretudo, como uma experiência sociopolítica.

Nessas pesquisas, constata-se que o aluno bem-sucedido na relação com o professor, no interior da relação pedagógica articulada para a leitura e produção de textos, é aquele que mobiliza textos que executam a sintonia da simetria prevista, fazendo o cruzamento do texto que está sendo escrito ou lido com textos escritos e lidos cujos sentidos tenham sido legitimados pela ação pedagógica da escola na relação com o professor, em sala de aula. A atividade responsiva prevista para o aluno fica reduzida, nesse caso, à atividade ideal da reprodução da intertextualidade da paráfrase. Já aquele aluno que mobiliza textos que executam o cruzamento do que está sendo lido e escrito com textos que, lidos e escritos, reproduzem e transformam esse material previsto, executando a atividade responsiva da intertextualidade da paródia, é penalizado, ou inibido, em razão da assimetria imprevista que prejudica o esperado: a sintonia prevista está associada ao ideal pedagógico de uma educação que desvaloriza a contradição em beneficio da função educativa da reprodução.

Para os alunos que chegam a esse ambiente de educação sistemática, para a qual trazem uma experiência de uso da linguagem que precisa abrir espaço para o exercício educativo de uma outra experiência de linguagem, o que se espera é que esses alunos exerçam aquilo que acontece em toda experiência dialógica: uma certa exterioridade, que marca uma certa distância em relação às velhas experiências para que aconteça o exercício bem-sucedido das novas. É claro que tal exterioridade não deixa de estar articulada com aquilo que, também, constitui a experiência dialógica: a prática de uma certa excedência, ou de um projeto de produção de sentido, que esteja afinado com tal exterioridade a ser experimentada.

(8)

Nessas pesquisas dos anos de 1970 e 1980, o que se constata, do ponto de vista dialógico, é que a exterioridade que se exige dos alunos para a prática de uma certa excedência na leitura e produção de textos vem materializada no exercício de uma prática pedagógica que inibiria o movimento da sintonia e da ruptura de tal sintonia prevista. Nisso, ao se inibir a manifestação da interação professor-aluno, marcada pelo litígio da simetria e da assimetria, que seria típica de uma experiência de leitura e escrita atravessadas pela contradição, como função educativa, o que se privilegia é a expressão da simetria alimentada por uma certa sintonia. Tal sintonia responde à exigência de uma exterioridade e de uma excedência que seria a negação do litígio constitutivo do dialogismo da linguagem em benefício da função educativa da reprodução que, a despeito de tal privilégio, não inibiria a manifestação assistemática de sua negação, uma vez que o real da educação é atravessado pela contradição que habita a construção da sociedade (Santos, 1987).

Enfim, a realização dialógica da linguagem pressupõe a ocorrência de projetos de leitura e produção de textos que exigem a exterioridade e a excedência da simetria na interação harmoniosa dos interlocutores, associada à manifestação de um certo acabamento. Mas, por outro lado, essa mesma exterioridade e excedência apontam para a possibilidade de ocorrência da simetria e da assimetria na interação litigiosa desses interlocutores, associadas a um certo acabamento e inacabamento simultâneos, uma vez que a construção social é perpassada pela reprodução e pela contradição (Campos, 1988). Por isso, é possível pensar que, sob o exercício do dialogismo, a linguagem é como um espelho que não só reflete mas ainda refrata as experiências de interação dos usuários.3

A metáfora do espelho nos faz pensar no seguinte:

Com esse quadro, o espelhamento, que vai além do refletir, realizando a operação de

refratar, o faz no interior da excedência, ou visão de mundo do autor enquanto

construção social que não só aponta para o acabamento, mas, ainda, para o

inacabamento do que cerca o humano. E isso nos possibilita dizer que o

espelhamento enquanto processo da linguagem seria a metáfora da criação, que não

se efetiva sem a diferença dos raios de luz da refração na lâmina que reproduz e

transforma as imagens, mas, ainda, na lâmina enquanto nada: processo instaurador da

singularidade (Campos, 2006, p. 306-307).

Se o espelhamento como prática de linguagem obriga o pensamento a observar o reflexo em diálogo com a refração, a experiência com a Pedagogia Tradicional, nos limites das pesquisas consideradas, obriga a se praticar a defesa da inclusão do que precisa ser refletido, no esforço de excluir o que refrata a ordem do sentido que luta pela sua hegemonia. Aliás, esse movimento de inclusão, ou movimento de defesa da ordem constituída, patrocinado pelo Estado, com o uso da Pedagogia Tradicional, acaba sendo exibido em pesquisa dos anos iniciais da década de 1990, ao se flagrar a Leitura e a Educação Física da criança e do jovem como

(9)

práticas instituídas no serviço da (ou a serviço da) produção e reprodução de um Estado forte, envolvido com a modernização conservadora do Brasil nas fronteiras dos anos da década de 1940 (Campos, 2001).

Adotando aqui, neste texto, pois, a fisionomia de um certo fecho, surgem dois grandes desdobramentos que precisam ser rearticulados do ponto de vista da teoria da dialogismo.

O primeiro consiste no seguinte: o espelhamento da linguagem é constitutivamente uma experiência de polifonia, pois, na experiência de uso da fala e da escrita, “o texto é sempre um objeto de mediação, uma vez que realiza o processo de quem fala/escreve na relação com quem processa o que ouve/lê” (Campos, 2006, p. 307). Nisso, aquele que escreve e aquele que lê, estão, ambos, atravessados pela inevitável ação constitutiva da simetria e da assimetria que os faz usuários da linguagem, perpassados pelo acabamento (ou completude) e pelo inacabamento (ou incompletude) que são privilégios de qualquer ser humano como realização polifônica. Ou seja, se o escritor assumir, dialogicamente, uma certa exterioridade em relação ao que vem escrevendo e em relação ao leitor que vai construindo, assume ele, também, a possibilidade de uma certa excedência em relação a si. Por outro lado, o leitor, na leitura do texto que vai articulando, assume também uma certa exterioridade e uma certa excedência em relação a si e em relação ao escritor que articula esse texto que vai sendo lido. Enfim, se o escritor é um herói polifônico na perspectiva de quem escreve, o leitor também será esse herói em tal perspectiva; e, por outro lado , na perspectiva de quem lê, o escritor também será um herói polifônico, pois ambos estão atravessados pela provisoriedade das posições dialógicas de um e de o outro. Por isso, na mediação, todo texto será constitutivamente polifônico na medida em que toda exterioridade e toda excedência em quem escreve e lê vêm marcadas pela atividade responsiva do locutor e do alocutário: o locutor, ao escrever, articula, polifonicamente, todos os outros textos das diversas vozes que instauram essa escrita, ou seja, as vozes que falaram, ouviram, escreveram e leram como determinantes da exterioridade e da excedência que preside a escrita desse locutor. E o alocutário também faz a sua polifonia ao fazer a leitura da escrita de seu locutor com a determinação do cruzamento das diversas vozes que vão constituindo a sua ação dialógica: o cruzamento das vozes faladas, ouvidas, escritas e lidas em movimento com as vozes de seu locutor.4

E nessa determinação recíproca da mediação, a realização dialógica do locutor e do

interlocutor produziria uma ultrapassagem dos sentidos então produzidos, e os

rearticula numa integração que provisoriamente os fecha, evidenciando, repito, a

presença do acabamento e do inacabamento dos produtos da linguagem enquanto

realização do humano. Nisso, nenhum texto poderia ser uma realização monofônica

como centro detentor do saber instalado: o que aparenta ser um centro precisa ser

aberto, estrutural e dialogicamente, para as margens (Campos, 2006, p. 307).

(10)

todo, entendendo-se esse todo como o conjunto das experiências com a linguagem e tomando tais experiências como o modo de articulação das relações dialógicas. Nesse sentido, vale lembrar, na caracterização do gênero Divulgação Científica (Authier-Revuz, 1998) – quando se pensa a variedade de gênero marcada pela enunciação do especialista (os locutores e interlocutores da Ciência) em interação com a enunciação do não-especialista (os locutores e interlocutores do Público) – que o conjunto das experiências de linguagem vem articulado, em mediação, pela enunciação do Divulgador (DV). Tal articulação, em que DV assume a posição de um para tentar, discursivamente, fazer a aproximação do outro (Ciência) ao universo do outro (Público), e vice-versa, constitui a enunciação ternária, ou seja, a enunciação do gênero Divulgação Científica, que se realiza com a mediação, praticada por DV, no jogo interativo de linguagens. Aqui, DV articula a enunciação primária (enunciação do especialista) com a enunciação secundária (enunciação do não-especialista). Tal conjunto de experiências de linguagem, ou de gênero, vem marcado, dialogicamente, por uma dupla exterioridade e uma dupla excedência. Ou seja, DV, ao dizer, emblematicamente, Eu falo pelo outro

para o outro, assume o seu propósito discursivo de produzir um texto que promova a aproximação de

uma enunciação a outra. Para isso, ao assumir uma primeira exterioridade, em relação à enunciação e ao discurso da Ciência, (C), DV assume também uma certa excedência, pois os significados do texto da Ciência fazem parte de um novo projeto de produção de sentido: o de serem marcados pelas exigências de um outro interlocutor, o Público (P), ainda que mantenham eles os significados previstos pela enunciação do especialista, sem o que não ocorreria Divulgação. Por outro lado, assumindo uma segunda exterioridade, em relação à enunciação e ao discurso do Público, DV assume uma outra excedência tipificada pelo novo projeto de produção de sentido, que é o de fazer a infiltração da enunciação do não-especialista na enunciação do especialista, marcando P com as exigências da enunciação ou linguagem de C. Diante disso, o que acontece é, pois, em outros termos, o nascimento de um gênero, marcado pela enunciação ternária de DV ao efetuar, em mediação, o cruzamento de enunciação primária (de C) com a enunciação secundária (de P). O que acontece é também uma experiência de texto como realização dialógica em que DV, na posição de um, falando pelo outro para o outro, assume a dupla exterioridade que lhe possibilita a dupla excedência, que garante um espaço ambíguo de cruzamento polifônico de vozes. Aqui, as experiências com o texto formam as realizações intertextuais de linguagem, que constituem ações no sentido discursivo de aproximação de enunciações que socialmente são produzidas para serem distantes, o que faz o texto do gênero Divulgação Científica ser, na especificidade do jogo enunciativo caracterizado, uma experiência de luta para articular, dialogicamente, o movimento compreensivo dos que estão/são constitutivamente próximos e distantes.

Se a recepção, lugar social do que é definido e constituído, socialmente, para ser próximo (lugar social do Público, lugar da margem), que se contrapõe ao lugar social da produção (lugar social da Ciência, lugar do centro), definido e constituído para ser distante, nos textos de Divulgação Científica (DC) esses lugares precisam ser contaminados, discursivamente, com a recriação das enunciações da

(11)

Ciência e do Público, promovendo-se a ambigüidade de uso da linguagem, efetivada pelo dialogismo, no esforço discursivo de reunir o distante e o próximo dentro do palco que materializa a dramatização identificada como texto.

Parece ficar claro que, aqui, os textos do gênero Divulgação Científica, ao serem constituídos, discursivamente, com o uso dialógico de duas enunciações – a da Ciência e a do Público – estariam dramatizando, de modo criativo, uma nova enunciação – a enunciação de DC – nas linhas abertas do próprio palco do texto: DV aí usa vestimentas de linguagem que acenam para o hibridismo simbólico requerido pelo gênero. Ocorre a experiência de mescla de linguagens que desqualificaria, como exigência do gênero, a prática da purificação higiênica do tratamento das variedades de língua, garantido pelo pensamento da tradição formalista dos estudos de variação lingüística. E se a ambigüidade dialógica se localiza, então, explicitamente, nas linhas dramáticas do texto de DC, gerando a impureza requerida pela mesclagem do gênero, o que dizer de tal ambigüidade se tivesse ela o seu lugar nas entrelinhas do texto de um outro gênero? Estaria o gênero requerendo um tratamento particular da ambigüidade a partir da constituição dialógica que o determina?5

Vejamos, na construção do poético, o que Paulo Leminski (1995, p. 70) nos dizsobre a página, o seu centro e a sua margem:

Marginal é quem escreve à margem,

deixando branca a página

para que a paisagem passe

e deixe tudo claro à sua passagem.

Marginal, escrever na entrelinha,

sem nunca saber direito

quem veio primeiro,

o ovo ou a galinha.

Notas

1

As aspas duplas do trecho respondem às exigências do texto citado na sua origem.

2

Para se pensar a relação de quem escreve com quem lê, do ponto de vista das articulações das

estratégias textuais do autor e do leitor, é importante tomar o texto como exército, ou seja, como

espaço de luta. Para tanto, valeria a pensa considerar a reflexão bakhtiniana a respeito das relações

(12)

sociais como espaço materializado no signo pensado como arena, e, aí, o texto que se escreve e

que se lê passa a ser o objeto marcado por valores contraditórios, o que pressupõe o movimento

de hegemonias em luta, em litígio. Aliás, é de Bakhtin o que se diz: “Conseqüentemente, em todo

signo ideológico confrontam-se índices de valor contraditórios” (1999, p. 46). Por isso, toda interação é

marcada, mesmo, pelo que é vivo e o índice de tal vitalidade está na tensão que mobiliza os

interlocutores em ação (Bakhtin, 1990).

3

Vale lembrar que a discussão sobre o espelho que reflete e que, simultaneamente, refrata, está

intimamente associada à questão do uso do signo ideológico percebido como espaço em que se

materializam os confrontos sociais, marcados por interesses contraditórios. Ou seja, o uso do

espelho, ou da linguagem, que reflete e refrata o ser num só e único ato de espelhamento, está

executando o que socialmente espera uma concepção que pensa a sociedade como lugar da

contradição. Aliás, valem aqui as palavras de Bakhtin (1999): “O ser, refletido no signo, não apenas

nele se reflete, mas também se refrata. O que é que determina essa refração do ser no signo

ideológico? O confronto de interesses sociais nos limites de uma só e mesma comunidade

semiótica...” (p. 46).

4

Para o estudo mais rigoroso das categorias que dariam conta da experiência dialógica com a

linguagem – além de exterioridade, excedência, acabamento, inacabamento, completude e

incompletude –, acredita-se, aqui, na oportunidade da leitura prudente das considerações

bakhtinianas a respeito da relação do autor com o herói (Bakhtin, 1997, p. 22-220).

5

Uma linha instigante de estudos parece estar localizada na ambigüidade dialógica pressuposta na

ação do Divulgador como agente que produz linguagem – textos discursivamente orientados –,

pois, ao reproduzir, até certo ponto, e transformar, é claro, até certo ponto, a enunciação do

especialista e a do não-especialista, gerando uma nova enunciação, o que DV postula é a recriação,

em mescla, do dito e do não-dito. Nesse sentido, DV assume não só a transparência do escritor,

mas, ainda, a originalidade do autor (Authier-Revuz, 1998). Não seria provocador o estudo da

criatividade e da subjetividade aí pressuposta pelas linhas da orientação dialógica do uso

relativamente estável dos gêneros, assumindo a mescla nas enunciações que os constituem ou a

mesclagem enunciativa que os desestabiliza? (Bakhtin, 1997).

(13)

Referências

AUTHIER-REVUZ, Jacqueline. A encenação da comunicação no discurso de divulgação científica. In:

______. Palavras incertas: as não-coincidências do dizer. Campinas: Ed. da UNICAMP, 1998. p.

107-131.

BAKTHIN, Mikhail. Questões de literatura e estética; a teoria do romance. São Paulo:

UNESP/HUCITEC, 1990.

______. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

______. Marxismo e filosofia da linguagem; problemas fundamentais do Método Sociológico na

Ciência da Linguagem. São Paulo: HUCITEC, 1999.

CAMPOS, Edson Nascimento. Memória e escola; a produção do sentido na redação. 1998. 233 p.

Dissertação (Mestrado em Educação)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas

Gerais, Belo Horizonte, 1988.

______ . A dimensão discursiva do texto de divulgação científica (DC). In: MENDES, Eliana

Amarante de Mendonça; OLIVEIRA, Paulo Motta; BENN-IBLER, Veronika. O novo milênio: interfaces

lingüísticas e literárias. Belo Horizonte: Fale/UFMG, 2001. p. 57-68.

______. Texto são em mente sã: um projeto de leitor; a prática da leitura na revista Era uma vez... o

Brasil da era Vargas – os anos 40. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2001.

______. A dimensão dialógica da linguagem na constituição teórico-metodológica do conceito de gênero.

Belo Horizonte: SEV/FALE-UFMG, 2004. (Palestra: Inédito)

______. Texto e interação: o estilo – estratégia textual. In: PERES, Ana Maria Clark; PEIXOTO,

Sérgio Alves; OLIVEIRA, Silvana Pessôa de (Org.). O estilo na contemporaneidade. Belo Horizonte:

FALE/UFMG, 2005a. p. 167-180.

______. Linguagem, dialogia, gênero e leitura. In: MARI, Hugo; WALTY, Ivete; VERSIANI, Zélia (Org.).

Ensaios sobre leitura. Belo Horizonte: Ed. da PUC-Minas, 2005b. p. 118-137.

______. O diálogo do espelho. O eixo e a roda, Belo Horizonte, v. 12, p. 301-309, jan./jun. 2006.

CURY, Maria Zilda Ferreira. Intertextualidade; uma prática contraditória. Ensaios de Semiótica:

Cadernos de Lingüística e Teoria da Literatura, Belo Horizonte, v. 8, p. 117-128, 1982.

(14)

______. Escrever e ler; faces da mesma moeda. Vertentes, São João del-Rei, n. 9, p. 75-83, jan./jun.

1997.

ECO, Umberto. O modelo semântico reformulado: noção de enciclopédia semântica. In: ECO,

Umberto. Conceito de texto. São Paulo: T.A. Queiroz / EDUSP, 1984.

______. Entrando no bosque. In: ______. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo:

Companhia das Letras, 1994. p. 96-124.

FARACO, Carlos Alberto. Linguagem & diálogo: as idéias lingüísticas do Círculo de Bakhtin. Curitiba:

Criar Edições, 2003.

LEMINSKI, Paulo. Distraídos venceremos. São Paulo: Brasiliense, 1995.

MACHADO, Irene A. Os gêneros e o corpo do acabamento estético. In: BRAIT, Beth (Org.).

Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. Campinas: Ed. da UNICAMP, 1997. p. 141-158.

RAMOS, Maria Luiza. Carta de Carlos Drummond de Andrade a Maria Luiza Ramos. In: ______.

Interfaces: literatura mito inconsciente cognição. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2000.

SANTOS, Maria Ribeiro dos Santos. A avaliação das redações escolares; alguns pressupostos

ideológicos. Belo Horizonte: Ed. da UFMG/PROED, 1987.

TEZZA, Cristóvão. Polifonia e Ética. Revista Brasileira de Cultura, São Paulo, n. 59, p. 60-63.

TODOROV, T.; DUCROT, O. Dicionário enciclopédico das ciências da linguagem. São Paulo: Perspectiva,

1977.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Ironia Fina. O Estado de Minas, Belo Horizonte, 16 nov. 2001, Seção

Opinião, p. 7.

Dados do autor:

Edson Nascimento Campos

* Professor aposentado – UFMG/FALE – e Professor contratado – CESUV/FASEH

Endereço para contato:

(15)

Faculdade de Letras – Departamento de Línguas Vernáculas Av. Antônio Carlos, 6627

31270-901 Belo Horizonte/MG – Brasil

Endereço eletrônico: [email protected]

Data de recebimento: 30 maio 2007 Data de aprovação: 10 set. 2007

Referências

Documentos relacionados

O candidato e seu responsável legalmente investido (no caso de candidato menor de 18 (dezoito) anos não emancipado), são os ÚNICOS responsáveis pelo correto

Figura 8 – Isocurvas com valores da Iluminância média para o período da manhã na fachada sudoeste, a primeira para a simulação com brise horizontal e a segunda sem brise

Apesar dos esforços para reduzir os níveis de emissão de poluentes ao longo das últimas décadas na região da cidade de Cubatão, as concentrações dos poluentes

que a queda de desempenho em ambos os estudos ( Nelson et al., 1990; Glowacki et al., 2004) foi no teste de potência, nesse sentido, deve-se levar em consideração não realizar

O enfermeiro, como integrante da equipe multidisciplinar em saúde, possui respaldo ético legal e técnico cientifico para atuar junto ao paciente portador de feridas, da avaliação

A Lei nº 2/2007 de 15 de janeiro, na alínea c) do Artigo 10º e Artigo 15º consagram que constitui receita do Município o produto da cobrança das taxas

Mova a alavanca de acionamento para frente para elevação e depois para traz para descida do garfo certificando se o mesmo encontrasse normal.. Depois desta inspeção, se não

A Variação dos Custos em Saúde nos Estados Unidos: Diferença entre os índices gerais de preços e índices de custos exclusivos da saúde; 3.. A variação dos Preços em