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TRIBUNAL MARÍTIMO AR/FAL PROCESSO Nº /14 AGRAVO DE INSTRUMENTO N 108/15 ACÓRDÃO

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ACÓRDÃO

N/M “HR MARGARETHA”. Encalhe no canal de acesso ao porto de Itajaí, ocorrido no dia 16 de novembro de 2013. Agravante: Francisco José Memória Hyppolito, Prático, único Representado no Processo n° 28.846/14. Agravada: Procuradoria Especial da Marinha, autora da Representação. Despacho agravado de fl. 188 (DOU n° 162, de 25 de agosto de 2015), que indeferiu preliminares de prescrição administrativa, decadência e de nulidade da representação. Fundamentos para o agravo: impossibilidade de decisões monocráticas para indeferir preliminares com teses de defesa, descumprimento de prazo do IAFN e nulidade da Representação. Não há impedimento do julgamento monocrático de preliminar, em decisão interlocutória, ao contrário, há previsão legal. Não foram apresentados fundamentos válidos para ser declarada a prescrição, decadência ou nulidade da Representação. Conhecer para negar provimento ao Recurso.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

Trata-se de analisar o recurso de Agravo movido por Francisco José Memória Hyppolito, Prático, que figura como único Representado na Representação de autoria da D. Procuradoria Especial da Marinha - PEM, no Processo n° 28.846/14, que trata do encalhe ocorrido no dia 16 de novembro de 2013, no canal de acesso do porto de Itajaí, SC, na área demarcada pelas boias 5 e 6, do N/M “HR MARGARETHA” (de bandeira liberiana, 142,8m de comprimento e 11.894 AB), sob o comando de Rostyslav Tymchur, ucraniano, mas sob a orientação do ora Agravante.

Insurge o Agravante contra o Despacho de fl. 188, publicada no DOU n° 162, de 25 de agosto de 2015, com o seguinte teor: “Despacho: l - Com fundamento no artigo 66, alínea “a”, da Lei n° 2.180/54, indefiro as preliminares de prescrição administrativa, decadência e de nulidade da representação arguida pelo representado Francisco José Memória Hyppolito, às fls. 141/170, acolhendo na integra, assim a bem fundamentada promoção da D. Procuradoria Especial da Marinha às fls. 183/186; e 2 - Ao representado Francisco José Memória Hyppolito para especificar, justificadamente, as provas que pretende produzir, o silêncio será recebido como desistência da produção de provas. Prazo: 05 (cinco) dias. Publique-se”.

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julgamento do Agravo é restrito aos pontos que foram agravados e nele temos: a) recebimento e processamento do presente Recurso; b) seja a decisão agravada anulada frente à impossibilidade de decisões monocráticas que indefiram teses de defesa; c) seja a decisão agravada anulada frente à ausência de motivação (fundamentação) para o indeferimento das teses de prescrição administrativa, decadência e nulidade da representação; d) seja reformada a decisão de fl. 188, para decretar a prescrição administrativa da pretensão punitiva, uma vez que a representação foi apresentada fora do prazo de 10 (dez) dias previstos no art. 42 da Lei n° 2.180/54; e) seja reformada a decisão de fl. 188, para decretar a decadência da pretensão punitiva, uma vez que o inquérito não respeitou o prazo instituído pela NORMAM-09/DPC, para sua finalização, bem como pelo transcurso do prazo de 180 (cento e oitenta) dias entre o evento e a recepção do inquérito pelo Tribunal Marítimo; e f) seja reformada a decisão de fl. 188, para decretar a nulidade/inépcia da representação, uma vez que não possui os elementos essenciais para a sua admissibilidade, impedindo a completa e perfeita defesa pelo Agravante, arquivando-a liminarquivando-armente.

A Agravada, Procuradoria Especial da Marinha, fls. 76 a 83, apresentou suas “Contrarrazões ao Recurso de Agravo de Instrumento”, em síntese, alegou que a pretensão do Recorrente não se enquadra nos itens previstos no artigo 111, da Lei n° 2.180/54, merecendo juízo de admissibilidade negativo, por ausência de subsunção a uma das hipóteses taxativas do citado artigo, mas, caso superado, no mérito, requereu a manutenção da decisão recorrida que indeferiu as preliminares, monocraticamente, pois os argumentos levantados no Recurso não se sustentam.

Alegou que o art. 66 da Lei n° 2.180/54 trata do julgamento dos Processos, delimitando sua sequência lógica, enquanto que as apreciações das eventuais questões preliminares estão previstas no art. 24 da citada Lei, “Ao juiz do Tribunal Marítimo compete: a) dirigir os processos que lhe forem distribuídos, proferindo neles os despachos interlocutórios; (...)” e que interpretação diversa ensejaria o esvaziamento do poder discricionário do Juiz do Tribunal Marítimo no exercício de sua atividade julgadora monocrática, além da possibilidade do controle “ex officio” das condições da ação e dos pressupostos processuais, inclusive do reexame daqueles que já houverem sido objeto de decisão; que não houve falta de motivação como alegou o Recorrente, o que não se confunde com “motivação concisa”, uma vez que a Decisão apontou os indicadores que a motivaram, expressamente, com base nas razões apresentadas pela Procuradoria.

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decadência e nulidade da representação”, que o prazo do art. 42, alínea “a”, da Lei n° 2.180/54, embora tenha sido de fato extrapolado, conforme entendimento sedimentado na doutrina e na jurisprudência, não afasta a legitimidade para a propositura da ação pelo Estado, trazendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e doutrina processual; que a Lei n° 9.873/99 estabelece a prescrição se decorridos cinco anos do fato gerador caso não se inicie a apuração dos fatos, ou ainda se houver a paralisação do Processo por mais de três anos; que o prazo de 90 dias para a finalização do IAFN, que é considerado meio informativo para a propositura da ação pela PEM, não é decadencial, mas sim uma irregularidade administrativa, que deve ser apreciada pela autoridade competente, e que não torna nulo nem tem o condão de macular o Processo, que tem suas fases em atendimento aos Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório, não havendo o que se falar de “nulidade do IAFN”; e, ainda, que a Representação cumpriu o estabelecido na Lei n° 2.180/54, com todos os elementos e circunstâncias que lhe são essenciais.

Finalizou requerendo o não conhecimento do presente Recurso, ante a ausência de previsão legal, mas, no caso de seu conhecimento, devendo a decisão agravada prevalecer por seus próprios fundamentos, não sendo dado provimento ao presente Recurso.

É o Relatório. Decide-se:

Inconformado com o despacho de fl. 188, dos autos do Processo principal, n° 28.846/2014 (fl. 25 dos autos do presente Agravo), que indeferiu as preliminares de “prescrição administrativa, decadência e de nulidade da representação” arguidas pelo representado Francisco José Memoria Hyppolito, ora Agravante, este manejou o presente Recurso para ver decidido pelo Colegiado desta Corte Marítima, rediscutindo a matéria objeto das preliminares.

Primeiramente, importante ressaltar que é pacífico nesta E. Corte Marítima que os itens previstos no art. 111, da Lei n° 2.180/54 não são taxativos, pois isso impediria a aplicação de um “remédio jurídico” perante o Tribunal Marítimo, não devendo ser acolhida a “questão preliminar” apresentada nas contrarrazões da ora Agravada, PEM, no sentido de não conhecer do presente Recurso por ausência de previsão legal.

Também é pacífico nesta E. Corte Marítima, acompanhando jurisprudência das Cortes Superiores do Brasil, que possíveis vícios no IAFN não maculam o Processo no Tribunal Marítimo, que tem suas fases apropriadas para garantir o Contraditório e a Ampla Defesa e que foi aberta ao Representado, ora Agravante, expressamente, no

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despacho atacado.

Quanto à possibilidade de o Juiz-Relator pronunciar “despacho saneador” no curso do processo, como no caso de indeferimento de Preliminares, isto está previsto na Lei n° 2.180/54, no “Art. 66 - Antes de pedir julgamento, o relator: a) mandará sanar qualquer omissão legal ou processual; b) ordenará de ofício, qualquer diligência ou prova necessária ao esclarecimento da causa”, e, em especial para o caso concreto, no art. 24 “Ao juiz do Tribunal Marítimo compete: a) dirigir os processos que lhe forem distribuídos, proferindo neles os despachos interlocutórios” (...) e c) orientar os processos por forma a assegurar-lhes andamento rápido sem prejuízo dos interessados e da finalidade do Tribunal, e está de acordo com o que determina a Carta Magna do Brasil, em seu art. 5°, inciso LXXVIII “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação” (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004), como recentemente julgado no Agravo n° 102/2014, só sendo obrigatório submeter ao Pleno se a decisão do Juiz-Relator fosse contrária ao que o Tribunal Marítimo já tivesse decidido quando recebeu a Representação.

O Agravante também comete um equívoco ao argumentar seu recurso com fundamento no rito previsto no art. 68, da Lei n° 2.180/54 – O julgamento do processo obedecerá às seguintes normas: (...) na letra “c” – “conhecimento das preliminares suscitadas e dos agravos”, pois lido isoladamente, pode induzir a erro, ao interpretar o “dar conhecimento ao Pleno das preliminares e agravos suscitados no correr do Processo” com o de “julgar as preliminares e agravos no dia do julgamento”, o que impediria o presente julgamento do Recurso de Agravo, tirando a sua finalidade, pois o Agravo só seria conhecido e julgado por ocasião do julgamento do mérito, o que causaria prejuízo às partes, e é o mesmo entendimento que deve ser dado com relação às preliminares, devendo o Juiz-Relator decidir de pronto sobre elas, caso possível e conveniente para o andamento do Processo, à luz do que determina o inciso LXXVIII, do art. 5°, da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, pois não o fazendo, em muitos casos, poderia causar prejuízo às Partes.

O entendimento acerca da “prescrição” quanto aos fatos e acidentes da navegação já foi objeto de estudo pela Comissão de Jurisprudência, acolhido por unanimidade pelo Pleno desta E. Corte Marítima que entendeu que o que está definido no art. 20, da Lei n° 2.180/54 – “Não corre a prescrição contra qualquer dos interessados na apuração e nas consequências dos acidentes e fatos da navegação por água enquanto não houver decisão definitiva do Tribunal Marítimo”, é uma condição suspensiva, mas,

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naturalmente, deve ser interpretado também à luz do nosso Ordenamento Jurídico, que inclui a Lei n° 9.873/99, que “Estabelece prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, direta e indireta, e dá outras providências”, com limitação de 5 (cinco) anos (art. 1°) para o início da apuração dos fatos a contar do fato gerador (inciso II do art. 2°), se não houver prescrição maior em caso de crime (§ 2° do art. 1°), e que ocorre ainda se o procedimento administrativo ficar paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho (§ 1° do art. 1°), o que não se encontra no caso concreto, não cabendo a alegação de prescrição ou decadência como apresentada no Recurso.

Além da citada Lei Administrativa, encontramos também no Código Civil vigente, Lei n° 10.406/2002, a previsão do art. 199. “Não corre igualmente a prescrição: I - pendendo condição suspensiva”, o que já havia sido considerado no estudo do tema, pela Comissão de Jurisprudência desta Corte Marítima, referente à aplicação do art. 20, da Lei n° 2.180/54, e que foi expressamente reforçado pelo novo Código de Processo Civil, Lei n° 13.105/2015, “Art. 313. Suspende-se o processo: (...) VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de competência do Tribunal Marítimo”, afastando outras interpretações.

Quanto à alegada “nulidade da Representação” também não procede, pois esta foi recebida por unanimidade, por se achar conforme estabelecido na Lei n° 2.180/54, com o preenchimento dos seus elementos essenciais, passando pelo crivo do Juiz-Relator, do Juiz-Revisor e pela apreciação dos demais Juízes, quanto a sua admissibilidade, em cognição sumária, o que não significa que terá obrigatoriamente julgamento de mérito contrário ao Representado.

Em tese, uma Representação que supostamente apresente fatos considerados “fracos” não afasta de pronto o seu recebimento, mas facilita o trabalho da Defesa e em raros casos, mesmo Representados que ficaram revéis foram exculpados, ainda que outras provas não tenham sido trazidas aos autos durante a Instrução do Processo, por ter esta E. Corte Marítima entendimento no sentido de que os fatos apresentados seriam suficientes para o recebimento da exordial, por estar conforme, mas não o foram para a condenação que foi requerida.

Por todo o exposto, o presente recurso de Agravo deve ser conhecido para lhe negar provimento, mantendo a decisão atacada, que não merece reparo, acolhendo as contrarrazões de mérito apresentadas pela Agravada e os fundamentos acima expostos.

Assim,

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do voto do Exmo. Sr. Juiz-Relator do recurso de Agravo: a) quanto à natureza e extensão do fato/acidente da navegação: x x x; b) quanto à causa determinante: x x x; e c) decisão: conhecer do recurso de Agravo, movido por Francisco José Memória Hyppolito, Prático, que figura como único Representado na Representação de autoria da D. Procuradoria Especial da Marinha, no Processo n° 28.846/14, para lhe negar provimento, mantendo, na íntegra, a decisão monocrática atacada, por não merecer reparo, acolhendo as contrarrazões da Agravada, Procuradoria Especial da Marinha, por não haver impedimento do julgamento monocrático de uma preliminar e por não haver as alegadas condições para ser declarada a prescrição, decadência ou nulidade da Representação.

Publique-se. Comunique-se. Registre-se. Rio de Janeiro, RJ, em 17 de maio de 2016

FERNANDO ALVES LADEIRAS Juiz-Relator

Cumpra-se o Acórdão, após o trânsito em julgado. Rio de Janeiro, RJ, em 16 de setembro de 2016.

MARCOS NUNES DE MIRANDA Vice-Almirante (RM1)

Juiz-Presidente

PEDRO COSTA MENEZES JUNIOR Diretor da Divisão Judiciária AUTENTICADO DIGITALMENTE

COMANDO DA MARINHA

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