Cap´ıtulo 3
Vibra¸
c˜
ao amortecida e
acoplada de part´ıculas
O amortecimento ´e um mecanismo de retardo capaz de reduzir a
ampli-tude de vibra¸c˜ao de um sistema. Em um amortecedor mecˆanico cl´assico, a
for¸ca de retardo associado ao amortecedor ´e diretamente proporcional `a
ve-locidade do corpo sujeito ao amortecimento [1]. Neste cap´ıtulo, estudaremos
apenas o caso para baixas velocidades, pois nesta situa¸c˜ao apenas a
viscosi-dade do fluido ´e levado em considera¸c˜ao. Em altas velocidades, o regime de
turbulˆencia tamb´em deve ser levado em conta [1]. Desta forma, para obter
uma representa¸c˜ao matem´atica da for¸ca de amortecimento F (v) para baixas
velocidades, realizamos uma expans˜ao em s´eries de Taylor da F (v) em torno
de v0 = 0: F (v) = F0+ v dF dv v0=0 + 1 2!v 2 d2F dv2 v0=0 + . . . (3.1)
em que os termos igual ou maior que v2 podem ser desprezados, pois s˜ao
significativos apenas para velocidade elevadas. A for¸ca F0 ´e zero quando o
amortecedor est´a em repouso (v0 = 0). Assim, a for¸ca de amortecimento
para baixas velocidades pode ser escrita como:
F (v) = v dF
dv
v0=0
= −bv (3.2)
em que b = −(dF/dv)v0=0 ´e uma constante associada ao amortecimento. O
sinal negativo indica que F ´e uma for¸ca de retardo. Nas se¸c˜oes que seguem,
usaremos o resultado 3.2 para simular o amortecimento. 1
3.1
Vibra¸
c˜
ao amortecida
O modelo f´ısico mais simples de um sistema massa-mola amortecido ´e
re-presentado na figura 3.1. Consideraremos um corpo de massa m posicionado sobre uma superf´ıcie sem atrito e preso na extremidade de uma mola, com
constante el´astica k, e de um amortecedor, com constante b. Tanto a mola
quanto o amortecedor est˜ao presos em uma parede r´ıgida im´ovel.
m
k
Parede fixaF(t)
b
Figura 3.1: Sistema massa-mola amortecido.
Pela segunda lei de Newton, a equa¸c˜ao geral do movimento ´e dada por:
md
2x
dt2 = F (t) − kx − b
dx
dt, (3.3)
em que F (t) ´e a for¸ca externa respons´avel pela excita¸c˜ao do sistema. Para
simular o modelo, vamos usar as mesmas grandezas do cap´ıtulo anterior:
m = 1, 0 kg e k = 25 N/m. Nas pr´oximas se¸c˜oes, analisaremos o modelo
amortecido da vibra¸c˜ao realizada com excita¸c˜ao unit´aria e a vibra¸c˜ao for¸cada.
Em todos os casos, a equa¸c˜ao 3.3 ser´a resolvida com o m´etodo de
Runge-Kutta de quarta ordem (ode4) com passo fixo de 0,001.
3.1.1
Excita¸
c˜
ao com impulso unit´
ario
Um corpo em vibra¸c˜ao amortecida e excitado por um impulso unit´ario
pode operar em trˆes regimes: subamortecido, criticamente amortecido e
su-peramortecido. Cada um destes regimes pode ser identificado pelo fator de amortecimento viscoso ζ [2]:
ζ = b
2mω0
em que ω0 ´e frequˆencia natural de vibra¸c˜ao. Quando ζ < 1, o regime de
opera¸c˜ao ´e subamortecido. Isto significa que o corpo possui movimento
peri´odico em torno do ponto de equil´ıbrio com redu¸c˜ao exponencial da
am-plitude de oscila¸c˜ao at´e o movimento cessar completamente. Para ζ > 1, o
movimento ´e classificado como superamortecido. Neste caso, o movimento
n˜ao ´e peri´odico e o corpo cessa o movimento na primeira passagem pelo ponto
de equil´ıbrio. Quando ζ = 1, o sistema est´a no limiar dos regimes
anterio-res, sendo classificado como regime criticamente amortecido. Fisicamente, o
movimento neste caso ´e similar ao movimento no regime superamortecido.
Com os valores adotados para m e k, usaremos b = 1, 10 e 100 kg/s para simular os regimes subamortecido, criticamente amortecido e
superamorte-cido, respectivamente. O diagrama utilizado para resolver o modelo ´e similar
ao do cap´ıtulo anterior. A ´unica diferen¸ca ´e a inser¸c˜ao de um bloco de ganho
entre os blocos “Integrator ” e “Integrator1 ”, seguido de um bloco somador. Veja a figura 3.2.
Figura 3.2: Diagrama para solu¸c˜ao da equa¸c˜ao 3.3.
Os resultados apresentados na fig. 3.3 foram simulados com a aplica¸c˜ao de
um impulso unit´ario I = F ∆t = 1, 0 Ns e largura de 0,1 s para 0 ≤ t ≤ 10 s.
Observe que al´em da mudan¸ca no comportamento qualitativo das solu¸c˜oes,
h´a tamb´em mudan¸cas na amplitude m´axima de cada regime de opera¸c˜ao.
Com o aumento do fator de amortecimento viscoso, a amplitude m´axima de
vibra¸c˜ao reduziu de 17 cm, no regime subamortecido, para 7,3 e 1,0 cm nos
regimes criticamente amortecido e superamortecido, respectivamente. No en-tanto, o sistema entra em repouso mais rapidamente no regime criticamente
su-peramortecido. Isto ´e causado pela elevada viscosidade do fluido no regime superamortecido que impede o corpo de entrar em repouso rapidamente.
0 5 1 0 - 2 0 - 1 0 0 1 0 2 0 0 4 8 0 , 0 2 , 0 4 , 0 6 , 0 8 , 0 1 0 , 0 0 4 8 1 2 ∆t = 0 , 1 s Fo rç a (N ) b = 1 k g / s (ζ = 0 , 1 ) b = 1 0 k g / s ( ζ = 1 ) Po siç ão (m m ) Po siç ão (c m ) Po siç ão (c m ) b = 1 0 0 k g / s (ζ = 1 0 )
T e m p o ( s )
Figura 3.3: Solu¸c˜oes da 3.3 para diversos fatores de amortecimento. Para
visualizar estes gr´aficos diretamente no Simulink, lembre-se que basta clicar
duas vezes no bloco “Scope”.
A representa¸c˜ao da energia mecˆanica, cin´etica e potencial el´astica ´e
ilus-trado na figura 3.4. Com a presen¸ca do amortecedor, a energia mecˆanica
n˜ao ´e conservada (K + U 6= constante) devido o trabalho negativo realizado
pela for¸ca de amortecimento. No regime superamortecido, a energia cin´etica
se aproxima de zero rapidamente ap´os a aplica¸c˜ao do impulso unit´ario e a
energia potencial el´astica ´e dissipada lentamente (v ≈ 0) at´e o corpo retornar
para a posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Desta forma, a opera¸c˜ao do sistema pr´oximo do
regime criticamente amortecido ´e o mais adequada quando deseja-se cessar
o movimento rapidamente.
3.1.2
Excita¸
c˜
ao com for¸
ca peri´
odica
Com excita¸c˜ao externa peri´odica na forma senoidal, com aux´ılio do bloco
“Sine Wave”, o sistema possui comportamento peri´odico, entretanto, com
0 5 1 0 0 , 0 0 , 2 0 , 4 0 , 6 0 , 0 0 , 1 0 , 2 0 , 5 1 , 0 1 , 5 2 , 0 2 , 5 3 , 0 0 , 0 2 , 0 4 , 0 6 , 0 Fo rç a (N ) ∆t = 0 , 1 s U K U b = 1 k g / s (ζ = 0 , 1 ) E ne rgia (J ) E m e c b = 1 0 k g / s (ζ = 1 ) E ne rg ia (J ) K b = 1 0 0 k g / s (ζ = 1 0 ) E ne rg ia ( m J) T e m p o ( s )
Figura 3.4: Energia cin´etica do sistema massa-mola amortecido em diversos
regimes de opera¸c˜ao.
A excita¸c˜ao peri´odica foi implementada no diagrama da figura 3.2. A
fi-gura 3.5 apresenta a anima¸c˜ao do problema com a frequˆencia de excita¸c˜ao
operando no valor da ressonˆancia (5 rad/s). Entretanto, devido a presen¸ca
do amortecimento, a amplitude de oscila¸c˜ao entra em regime estacion´ario.
O comportamento da for¸ca el´astica (Fe) indica que a amplitude m´axima de
oscila¸c˜ao ´e x = Fe/k = 10/25 = 0, 4 m. A amplitude da for¸ca externa foi
mantida em 2,0 N. O c´odigo desta anima¸c˜ao n˜ao ´e apresentado e fica como
exerc´ıcio para o leitor, considerando que h´a poucas mudan¸cas em rela¸c˜ao ao
c´odigo apresentado no cap´ıtulo anterior.
3.2
Vibra¸
c˜
ao acoplada livre
A vibra¸c˜ao acoplada ´e um problema fundamental em muitas ´areas da
f´ısica e engenharia como, por exemplo, no estudo de ondas el´asticas em
s´olidos e a simula¸c˜ao de suspens˜ao veicular [2, 3]. Os estudos das pr´oximas
se¸c˜oes ser˜ao direcionados para a obten¸c˜ao de um modelo capaz de simular
uma suspens˜ao veicular passiva. Consideremos o modelo geral apresentado
0 5 10 15 -10 -5 0 5 10 Tempo (s) Força (N) -2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 -2 -1 0 1 2 Fext Fa Fe Posição x (m) Posição y (m) 0 5 10 15 -10 -5 0 5 10 Tempo (s) Força (N) -2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 -2 -1 0 1 2 Fext Fe Fa Posição x (m) Posição y (m)
Figura 3.5: Part´ıcula em movimento harmˆonico amortecido com excita¸c˜ao
for¸cada. As figuras mostram 2/100 quadros gerados na anima¸c˜ao. As curvas
em preto, azul e vermelho representam os valores da for¸ca el´astica (Fe), for¸ca
externa (Fext) e for¸ca de amortecimento (Fa), respectivamente.
uma parede r´ıgida e est´atica por meio de molas e constantes k1 e k2 e
amor-tecedores b1 e b2. O movimento de ambas as massas ´e representada pelas
equa¸c˜oes 3.5 e 3.6. As vari´aveis x1 e x2 representam as deforma¸c˜oes das
mo-las 1 e 2, respectivamente. ´E comum dizer que este modelo possui dois graus
de liberdade (duas posi¸c˜oes). Para demonstr´a-las, considere o diagrama de
for¸cas apresentado na figura 3.7. Neste exemplo, a for¸ca externa ´e aplicada
sobre a massa m2, no entanto, poderia ser aplicada sobre a massa m1 ou nas
duas massas simultaneamente. Outro caso, que ser´a usado para simular a
suspens˜ao automotiva, ´e a vibra¸c˜ao da base onde a mola 1 est´a presa. Neste
caso precisamos alterar os dois ´ultimos termos da equa¸c˜ao 3.5. Faremos isto
em breve.
m
1k
1 Parede fixaF(t)
b
1m
2k
2b
2Figura 3.6: Sistema massa-mola acoplado.
m1 d2x1 dt2 = −k2(x1− x2) − b2 d dt(x1− x2) − k1x1− b1 dx1 dt , (3.5)
m2 d2x2 dt2 = F (t) − k2(x2− x1) − b2 d dt(x2 − x1), (3.6) m1 m2 – k1x1 – b1dx1/dt – b2d(x1 – x2)/dt – k2(x1 – x2) – k2(x2 – x1) – b2d(x2 – x1)/dt F(t)
Figura 3.7: Diagrama de for¸cas no sistema massa-mola acoplado. Os vetores
em vermelho, azul e preto representa, respectivamente, as for¸cas el´astica, de
amortecimento e externa.
O diagrama de blocos deste modelo ´e representado pela figura 3.8. O
exemplo apresenta a excita¸c˜ao causada por um impulso de 5,0 Ns (50 N
aplicados durante 0,1 s). Para simular este modelo foram escolhidos valores
arbitr´arios para a constantes: m1 = 0,5 kg (m−11 = 2 kg−1), m2 = 0,25 kg
(m−12 = 4 kg−1), b1 = 1,0 kg/s, b2 = 3,0 kg/s, k1 = 10 N/m e k2 = 5,0 N/m.
A demonstra¸c˜ao deste diagrama fica como exerc´ıcio para o leitor. A dica
geral ´e abrir e separar todos os termos das equa¸c˜oes 3.5 e 3.6 para facilitar a
organiza¸c˜ao dos blocos.
Para iniciar os estudos deste modelo, analisaremos a vibra¸c˜ao livre (as
constantes de amortecimento s˜ao nulas). Para isso, basta retirar os blocos
Gain 2 (b2), Gain 5 (b2) e Gain 7 (b1) do diagrama da figura 3.8 ou
sim-plesmente adicionar um ganho nulo. A deforma¸c˜ao das molas em fun¸c˜ao do
tempo sem a atua¸c˜ao dos amortecedores ´e apresentada na figura 3.9. Uma
das propriedades deste sistema ´e a conserva¸c˜ao da energia ap´os a aplica¸c˜ao
do impulso externo. A energia mecˆanica deve ser constante.
Neste problema ´e esperado que o sistema massa-mola oscile
periodica-mente; desta forma, a solu¸c˜ao geral (no modo estacion´ario) pode ser
repre-sentada pelas equa¸c˜oes:
x1(t) = A1eiωt (3.7)
x2(t) = A2eiωt (3.8)
em que ω ´e a frequˆencia natural de oscila¸c˜ao e apenas a solu¸c˜ao real traz
informa¸c˜ao real. Substituindo as equa¸c˜oes 3.7 e 3.8 nas equa¸c˜oes 3.5 e 3.6,
assumindo F = 0 (sem for¸ca externa e sem amortecimento), obtemos as
frequˆencias ω1 = ±
√
10 rad/s e ω2 = ±
√
40 rad/s que representam,
respec-tivamente, as frequˆencias dos modos sim´etrico e antisim´etrico [4]. O modo
sim´etrico ocorre quando as part´ıculas se deslocam no mesmo sentido e o modo
To Workspace4 v1 To Workspace3 v2 To Workspace2 x1 To Workspace1 x2 To Workspace F Step1 Step Scope1 Scope Integrator7 1 s Integrator6 1 s Integrator5 1 s Integrator4 1 s Integrator3 1 s Integrator2 1 s Integrator1 1 s Integrator 1 s Gain8 10 Gain7 1 Gain6 5 Gain5 3 Gain4 2 Gain3 5 Gain2 3 Gain1 4 Gain 50 Derivative1 du/dt Derivative du/dt
Sistema para resolver a mola 1 Sistema para resolver a mola 2
Acoplamento da mola 1 com a mola 2 (influência de 2 sobre 1) Acoplamento da mola 2 com a mola 1 (influência de 1 sobre 2)
Figura 3.8: Diagrama de blocos para o sistema massa-mola acoplado. O
sistema ´e excitado por um impulso unit´ario.
exemplo apresentado opera em modo sim´etrico. Para o conjunto operar em
modo antisim´etrico, aplique uma for¸ca sobre o bloco 1 com sentido oposto
ao da for¸ca aplicada sobre o bloco 2 (exerc´ıcio para o leitor). Para salvar os
valores das energias potencial el´astica, cin´etica e mecˆanica da figura 3.9 em
um arquivo de texto, usamos os comandos apresentados na figura 3.10 em
um arquivo .M. Note que a deforma¸c˜ao da mola 2 ´e calculada em rela¸c˜ao a
posi¸c˜ao do corpo 1, logo U2 = k2(x2− x1)2/2. Um exemplo de vibra¸c˜ao livre
com trˆes molas pode ser acessado na ref. [5].
Observe que por se tratar de um sistema isolado (ap´os a aplica¸c˜ao da for¸ca
externa), a energia mecˆanica ´e conservada. Treine o c´erebro: como exerc´ıcio,
investigue cada curva da figura 3.9 e tente compreender o movimento do
0 1 0 2 0 3 0 4 0 5 0 - 4 , 0 - 2 , 0 0 , 0 2 , 0 4 , 0 0 , 0 1 , 0 2 , 0 3 , 0 4 , 0 5 , 0 0 1 0 2 0 3 0 4 0 5 0
Fo
rç
a
(N
)
∆
t = 0 , 1 s
P
os
içã
o (
m
)
x 1 x 2En
er
gi
a
(J
)
T e m p o ( s )
U 1 U 2 K 2 K 1 EFigura 3.9: For¸ca externa, posi¸c˜ao dos corpos e energia do sistema em fun¸c˜ao
do tempo durante a vibra¸c˜ao livre.
do amortecimento ´e representado pela figura 3.11. Neste exemplo, o sistema
opera em regime subamortecido (retorne ao cap´ıtulo 2 para mais detalhes).
Figura 3.10: Comandos usados para salvar os dados do modelo em um ar-quivo de texto.
Na pr´oxima se¸c˜ao usaremos este mesmo modelo para estudar a vibra¸c˜ao
0 1 0 2 0 3 0 4 0 5 0 - 1 , 0 0 , 0 1 , 0 2 , 0 3 , 0 0 , 0 1 , 0 2 , 0 3 , 0 4 , 0 5 , 0 0 5 1 0 1 5 2 0 2 5
Fo
rç
a
(N
)
∆
t = 0 , 1 s
P
os
içã
o (
m
)
x 1 x 2En
er
gi
a
(J
)
T e m p o ( s )
U 1 U 2 K 2 K 1 EFigura 3.11: For¸ca externa, posi¸c˜ao dos corpos e energia do sistema em
fun¸c˜ao do tempo durante a vibra¸c˜ao amortecida.
estudo de caso: o sistema de amortecimento veicular passivo (modelo de um quarto de carro).
3.3
Vibra¸
c˜
ao acoplada for¸
cada
Para simular a vibra¸c˜ao acoplada amortecida em regime for¸cado,
usare-mos o modelo da figura 3.8 com a for¸ca externa (1 N) representada pela boa e
velha sen´oide (usamos aleatoriamente ω = 1, 0 rad/s). Os dados s˜ao
apresen-tados na figura 3.12. O regime estacion´ario ´e rapidamente obtido conforme
descrito pelos espa¸cos de fases apresentados na figura 3.13. Observe que os
valores para velocidade e posi¸c˜ao s˜ao menores para a massa 1. Isto ´e causado
porque a for¸ca excitadora est´a atuando sobre a massa 2 e a constante da
mola 1 ser maior. Neste caso n˜ao ´e observado um comportamento n˜ao-linear
(o que ´e esperado, pois as EDOs deste modelo s˜ao lineares). Na ref. [6] ´e
- 1 , 0 0 , 0 1 , 0 - 5 0 - 2 5 0 2 5 5 0 0 , 0 2 , 0 4 , 0 6 , 0 8 , 0 1 0 , 0 0 5 0 1 0 0 1 5 0 2 0 0
Fo
rç
a
(N
)
P
os
içã
o (
cm
)
x 1 x 2En
er
gi
a
(m
J)
T e m p o ( s )
U 1 U 2 K 2 K 1 EFigura 3.12: For¸ca externa, posi¸c˜ao dos corpos e energia do sistema em fun¸c˜ao
do tempo durante a vibra¸c˜ao acoplada amortecida em regime for¸cado.
Vamos utilizar este modelo para simular a suspens˜ao veicular passiva.
Para isso, devemos mudar um pouco a estrutura das EDOs que descrevem o movimento. Em um ve´ıculo convencional, o sistema de amortecimento
est´a sujeito a for¸cas externas causadas pelo perfil do solo em que ele est´a.
Assim, ao inv´es de aplicarmos uma for¸ca externa, vamos excitar o modelo
com uma fun¸c˜ao x(t) que representar´a o perfil do solo. Al´em disso, ao inv´es
da excita¸c˜ao ser aplicada em m2, ser´a aplicada em m1 e, por conven¸c˜ao,
vamos representar os graus de liberdade pelas vari´aveis y1 e y2:
m1 d2y 1 dt2 = −k2(y1− y2) − b2 d dt(y1− y2) − k1[y1− y(t)] − b1 d dt[y1− y(t)], (3.9) m2 d2y 2 dt2 = −k2(y2− y1) − b2 d dt(y2− y1) (3.10)
O modelo de um quarto de carro ´e representado pela figura 3.14. A massa
m2 representa 1/4 da massa do carro (500 kg), a mola 2 a suspens˜ao (k2 =
- 3 0 - 1 5 0 1 5 3 0 - 3 0 - 2 0 - 1 0 0 1 0 2 0 3 0 - 3 0 - 1 5 0 1 5 3 0
V
e
lo
c
id
a
d
e
(
c
m
/s
)
∆
t = 60 s
m
1 Regime estacionárioV
e
lo
c
id
a
d
e
(
c
m
/s
)
Posição do corpo (cm)
Regime não-estacionáriom
2Figura 3.13: Espa¸co de fase de cada uma das massas do modelo acoplado. O
eixo horizontal fornece a deforma¸c˜ao de cada uma das molas.
a massa m1 o pneu (50 kg). A mola 1 (k1 = 135000 N/m) e o amortecedor 1
(b1 = 1400 kg/s) representam as propriedades do pneu (que tamb´em atuam
como suspens˜ao e amortecedor, respectivamente). Estes valores foram
esco-lhidos arbitrariamente, mas com alguma proximidade dos valores reais. O
diagrama de blocos ´e apresentado na figura 3.15. A regi˜ao delimitada em
vermelho e verde representam a equa¸c˜ao 3.9 e a regi˜ao delimitada em azul
a equa¸c˜ao 3.10. Este modelo ´e similar ao diagrama da figura 3.8. A ´unica
diferen¸ca ´e o m´etodo de excita¸c˜ao, que est´a no perfil do solo, causada pela
soma de dois blocos “Sine Wave”, sendo um bloco com a fun¸c˜ao seno
regu-lar (amplitude de 0,04 m) e o outro bloco com a fun¸c˜ao seno com degraus
(amplitude de 0,025 m). A combina¸c˜ao destes dois blocos resulta em um
solo irregular capaz de provocar excita¸c˜oes bruscas no sistema. Para inserir
o perfil de degrau na fun¸c˜ao seno, clique duas vezes sobre o bloco e digite
“1”em “Sample time”. Este comando produzir´a um degrau a cada 1,0 s com
amplitude igual ao valor m´edio da fun¸c˜ao seno neste intervalo. Para produzir
0 ,7 m 0 ,3 m m1 m2 k1 b 1 b2 k2
Figura 3.14: Modelo de um quarto de carro.
Observe que o sistema de equa¸c˜oes fornece o deslocamento dos corpos
em rela¸c˜ao ao ponto de equil´ıbrio da respectiva mola, conforme mostra a
figura 3.13; desta forma, ´e necess´ario realizar um offset dos dados num´ericos
por meio de dois blocos “Step” na sa´ıda dos sinais y1 e y2. Para os centros
das massas 1 e 2, foram atribu´ıdos offsets de 0,3 e 0,7 m, respectivamente,
conforme mostra a figura 3.14. Estes valores tamb´em foram escolhidos
arbi-trariamente. Note que a fun¸c˜ao degrau come¸ca inicialmente em zero. Para
iniciar a anima¸c˜ao com os respectivos offsets inclu´ıdos, clique duas vezes no
bloco e digite 0 em “Step time”. A solu¸c˜ao do diagrama da figura 3.15 ´e
apre-sentada na figura 3.14 (lado direito). Os dados mostram que, nas condi¸c˜oes
do modelo, a deforma¸c˜ao da massa m2 ´e mais suave. Para confeccionar a
anima¸c˜ao, usaremos os dados da figura 3.14.
3.4
Anima¸
c˜
ao
Para simular o modelo ´e neces´ario exportar os dados num´ericos para o
prompt de comando do MatLab. Este procedimento foi realizado com o bloco “To workspace”, conforme mostra a figura 3.15. As molas e os amortecedores foram desenhados com o procedimento do cap´ıtulo anterior, mas com algumas
adapta¸c˜oes na determina¸c˜ao da constante Hmin. Devido a inser¸c˜ao da base
do sistema e a espessura da massa m2 (veja o lado esquerdo da figura 3.14),
foi necess´ario realizar mais um deslocamento nos dados y1 e y2 de 0,3 e 0,2
m, respectivamente. As dimens˜oes do modelo s˜ao apresentadas na figura
3.16, onde w1 ´e a fun¸c˜ao y(t) que descreve o solo (veja a figura 3.15). A
velocidade horizontal do carro inserida no modelo ´e 1,0 m/s (considerando
MRU); no entanto, a percep¸c˜ao visual desta velocidade depende de diversos
fatores como velocidade de processamento, mem´oria e placa de v´ıdeo.
A dimens˜ao longitudinal total da mola 2, conforme mostra a figura 3.15,
´e dada por (y2+0,2) − (w1+0,2) = 2 × 0, 05 + 4nw, em que n ´e o n´umero de
espiras e w ´e o n´umero de catetos da figura 2.14. Assim,
w = 1
4n(y2− w1− 1/10) =
1
40n(10y2− 10w1− 1) (3.11)
A constante Hmin ´e dada quando a mola atinge a tra¸c˜ao m´axima, i.e.,
quando a diferen¸ca y2− w1 ´e m´axima. No MatLab ´e poss´ıvel determinar este
valor com a fun¸c˜aomax():
Hmin = C
1
4n[max(y2− w1) − 1/10] = C
1
40n[10max(y2 − w1) − 1] (3.12)
y 2 + 0 ,2 w 1 + 0 ,2 m2 m1 b1 k1 b2 k2 0, 1 m y 1 + 0 ,3 0,4 m 0,8 m 0, 1 m 0,1 m P 2 p 2 p 1 P 1 0, 05 m
Figura 3.16: Dimens˜oes do modelo.
equa¸c˜oes para simular a mola 1 s˜ao dadas por:
w = 1 4n(y1− y2− 1/10) = 1 40n(10y1− 10y2 − 1) (3.13) Hmin = C 1 4n[max(y1− y2) − 1/10] = C 1 40n[10max(y1− y2) − 1] (3.14)
As dimens˜oes P e p dos amortecedores s˜ao determinados quando a mola
atinge a deforma¸c˜ao m´axima. Este procedimento ´e realizado com o aux´ılio
da fun¸c˜aomin(): P1 = p1 = min(y1− w2) − 1/20 = 1 20[20min(y1− y2) − 1] (3.15) P2 = p2 = min(y2− w1) − 1/20 = 1 20[20min(y2− w1) − 1] (3.16)
As demais dimens˜oes do modelo (blocos e base) s˜ao intuitivas. Tanto
modelo ficar˜ao como exerc´ıcio para o leitor. O c´odigo pode ser conferido no
fi-nal deste cap´ıtulo. A anima¸c˜ao foi separada em trˆes regi˜oes: (i) 1 gr´afico para
apresenta¸c˜ao da anima¸c˜ao, (ii) 1 gr´afico para apresentar a posi¸c˜ao da massa
1 em fun¸c˜ao do tempo e (iii) 1 gr´afico para apresentar a posi¸c˜ao da massa
2 em fun¸c˜ao do tempo. Para inserir essas regi˜oes, foi utilizado o comando
subplot() com quatro regi˜oes. Os subplot(2,2,1) e subplot(2,2,3)
foram sobrepostos e utilizados para apresentar a anima¸c˜ao do modelo. Para
sobrepor os gr´aficos, foi utilizado o comando subplot(2,2,[1 3]). Os
subplot(2,2,2) e subplot(2,2,4) foram utilizados para apresentar o
comportamento das massas m1(M na anima¸c˜ao) e m2 (m na anima¸c˜ao),
res-pectivamente. O c´odigo est´a separado em duas partes. A primeira possui um
loop de 1 at´e 11. Neste intervalo, a anima¸c˜ao apresenta apenas o solo (fun¸c˜ao
w1). Da itera¸c˜ao 12 em diante, o modelo ´e inserido na anima¸c˜ao. Todos os
elementos presentes na anima¸c˜ao foram nomeados por constantes (d1...d12,
c1...c8, b1...b15, t1e t2) que foram chamadas ao final do c´odigo com o comando
set() com a seguinte estrutura: set([ ],'Visible','off'). Este
co-mando apaga todos os elementos presentes na itera¸c˜ao i. Isto ´e necess´ario
para evitar a sobreposi¸c˜ao dos elementos da itera¸c˜ao i com os da itera¸c˜ao i+1.
Observe que isso ´e feito apenas com os dados do subplot(2,2,[1 3]). O
resultado final da anima¸c˜ao ´e apresentada na figura 3.17. A anima¸c˜ao
com-pleta est´a dispon´ıvel na ref. [7].
Tempo (s) 0 5 10 15 20 Posicao de M (m) 1.02 1.03 1.04 1.05 1.06 Tempo (s) 0 5 10 15 20 Posicao de m (m) 0.48 0.5 0.52 0.54 0.56 0.58 0.6 Posicao (m) 8 8.2 8.4 8.6 8.8 Posicao (m) -0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8 m M
Referˆ
encias Bibliogr´
aficas
[1] H. Moys´es Nussenzveig, Curso de F´ısica B´asica (Editora Blucher, S˜ao
Paulo, 2002).
[2] J. L. Meriam L. G. Kraige, Mecˆanica para Engenharia - Dinˆamica (LTC,
Rio de Janeiro, 2013).
[3] S. M. Rezende, Materiais e Dispositivos Eletrˆonicos (Editora Livraria
da F´ısica, S˜ao Paulo, 2014).
[4] S. T. Thornton, J. B. Marion, Dinˆamica Cl´assica de Part´ıculas e
Siste-mas (Cengage Learning, S˜ao Paulo, 2011).
[5] Diego Duarte, Vibra¸c˜ao livre de dois osciladores acoplados, Canal no
YouTube, https://youtu.be/OWKl6t-z6EI.
[6] Diego Duarte, Vibra¸c˜ao for¸cada de dois osciladores acoplados, Canal no
YouTube, https://youtu.be/rAY7aaD9Msw.
[7] Diego Duarte, Simula¸c˜ao de uma suspens˜ao veicular com
MATLAB/Si-mulink, Canal no YouTube, https://youtu.be/8YYw_9sK2fs.