Expansibilidade e conforto em edificações verticais: uma proposta de habitação de interesse social tipo apartamento para Parnamirim-RN
Texto
(2) EMERSON FERNANDES CAVALCANTI. EXPANSIBILIDADE E CONFORTO EM EDIFICAÇÕES VERTICAIS UMA PROPOSTA DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL TIPO APARTAMENTO PARA PARNAMIRIM-RN. Dissertação apresentada ao Programa de. Pós-graduação. Urbanismo,. em. Mestrado. Arquitetura Profissional. e em. Arquitetura, Projeto e Meio Ambiente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como parte dos requisitos para obtenção do Título de Mestre.. Orientador: Prof. Dr. Marcelo Bezerra de Melo Tinoco. Co-orientadora: Profa. Dra. Natália Miranda Vieira-de-Araújo. Natal-RN 2017.
(3) Catalogação da Publicação na Fonte. Universidade Federal do Rio Grande do Norte / Biblioteca Setorial de Arquitetura.. Cavalcanti, Emerson Fernandes. Expansibilidade e conforto em edificações verticais: uma proposta de habitação de interesse social tipo apartamento para Parnamirim-RN / Emerson Fernandes Cavalcanti. – Natal, RN, 2017. 142f. : il. Orientador: Marcelo Bezerra de Melo Tinoco. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Tecnologia. Departamento de Arquitetura. 1. Habitação – Interesse social – Dissertação. 2. Edificação vertical – Parnamirim/RN – Dissertação. 3. Flexibilidade – Dissertação. 4. Ampliação – Dissertação. 5. Expansibilidade – Dissertação. 6. Desempenho térmico – Dissertação. I. Tinoco, Marcelo Bezerra de Melo. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título. RN/UF/BSE15. CDU 728.1.
(4) UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA, PROJETO E MEIO AMBIENTE MESTRADO PROFISSIONAL EM ARQUITETURA, PROJETO E MEIO AMBIENTE. EXPANSIBILIDADE E CONFORTO EM EDIFICAÇÕES VERTICAIS UMA PROPOSTA DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL TIPO APARTAMENTO PARA PARNAMIRIM-RN. EMERSON FERNANDES CAVALCANTI. BANCA EXAMINADORA:. Prof. Dr. Marcelo Bezerra de Melo Tinoco– PPGAU/ UFRN (Presidente – Orientador). Prof. Dr. José Clewton do Nascimento – PPGAU/ UFRN (Examinador interno). Profa. Dra. Lucy Donegan – FA7 (Examinadora externa).
(5) Dedico este trabalho aos meus pais, por se constituírem na base de toda a minha educação, e a minha esposa pela paciência, companheirismo, ajuda e abnegação em prol desta realização..
(6) AGRADECIMENTOS. Agradeço a todos que contribuíram para esta realização. Sozinho, tenho certeza que não conseguiria. O meu sincero reconhecimento: A Deus que guia minha vida por caminhos que nem conheço mas sei que são os melhores. A minha família, onde sempre encontro apoio incondicional. À minha amada esposa, Camila, pelo carinho, amor, e compreensão. Meu reconhecimento por ter assumido, sozinha, muitas responsabilidades neste período de dedicação ao mestrado. Aos amigos da Secretaria Municipal de Obras Públicas de Parnamirim pelo apoio fundamental para a realização deste trabalho. Obrigado pelo incentivo de cada dia e compreensão nas ausências. Ao Secretário Naur Ferreira, pelo apoio à realização deste trabalho. Ao nosso Coodenador, Flávio Teixeira. À Maria Elisa, Danielle Sena, Lucélia Dantas, Valeska Protásio, Stephan O’Brien, Glênio Lima, e Glênio de Castro por compartilhar conhecimentos importantes da arquitetura e da vida. Ao Engenheiro Franklin, pela contribuição em consultoria técnica. À minha amiga e companheira de trabalho, arquiteta Giselle Freire, e a Adelmo, pela ajuda, incentivo e amizade. À amiga Flávia Gouvêa pela ajuda no abstract. Aos colegas da Secretaria Municipal de Habitação Social e Regularização Fundiária de Parnamirim pela presteza no compartilhamento de informações necessárias ao desenvolvimento deste trabalho, sobretudo à secretária Karla Simone, pela cordialidade que se refletiu em todos os servidores com quem tratei. À minha tia Paula e a Nina pela valorosa contribuição na aplicação dos questionários. Aos arquitetos Marco Câmara e Faulkner Melo, pelo compartilhamento de dados..
(7) Ao arquiteto Mozart Teixeira pela amizade e grande ajuda na confecção da maquete física. A essa turma maravilhosa do Mestrado Profissional, que não mediram esforços em ajudar, encorajar e, sobretudo inspirar com ideias e sonhos. A esses novos amigos, um obrigado sem medida. A todos os professores do Mestrado Profissional, que nos conduziram com tanta empolgação, tornando inevitável o contágio por esta força motriz. À minha orientadora, Natália Vieira, por acreditar e por me incentivar a sair do lugar comum e ir mais além. Ao meu orientador, Marcelo Tinoco (in Memorian), pela amizade, incentivo, e por apontar caminhos mais produtivos e desafiadores. Saudades..
(8) RESUMO Esta dissertação aborda a flexibilidade e o conforto ambiental em edifícios de apartamentos no âmbito da produção de habitação de interesse social. Algumas das principais críticas ao PMCMV recaem sobre as áreas mínimas das unidades, a adoção de tipologias de edifícios padronizados em blocos do tipo “H”, com baixo aproveitamento da iluminação e ventilação naturais para todas as unidades, bem como o modelo de condomínio fechado, aspectos que contribuem para a degradação da qualidade de vida dos usuários. A proposta desenvolvida tem como objetivo criar uma alternativa de projeto que possibilite a ampliação de unidades tipo apartamento e uma melhor adequação dos edifícios ao clima local, com vistas a promover um acréscimo de qualidade arquitetônica para os usuários. Adota como referência a produção do Programa minha Casa Minha Vida (PMCMV) no município de Parnamirim, Rio Grande do Norte, destinada a famílias com renda de 0 a 3 salários mínimos. O trabalho apresenta inicialmente uma revisão bibliográfica sobre o tema da flexibilidade aplicada à arquitetura com ênfase nas estratégias de ampliação, apoiada no estudo de precedentes arquitetônicos e soluções de projeto, bem como identifica especificidades da produção local do PMCMV, através da avaliação de um empreendimento com aplicação de questionários junto aos moradores como procedimento auxiliar para a programação arquitetônica da proposta a ser desenvolvida. A definição da proposta busca incorporar os aspectos revisados e re-programados, considerando a realidade técnico-construtiva local e a relação de fluidez do empreendimento com o entorno. A proposta final apresenta um partido arquitetônico adequado ao clima local, unidades habitacionais com variações de área para atender melhor aos diversos perfis de beneficiários, com a possibilidade de ampliação programada, possibilitando a permanência dos mesmos por mais tempo no imóvel, além de uma inserção urbana integrada ao entorno com espaços comuns compartilhados com a vizinhança.. Palavras-chave:. Habitação. de. interesse. social,. expansibilidade, desempenho térmico, projeto de arquitetura.. flexibilidade,. ampliação,.
(9) EXPANSIBILITY IN VERTICAL BUILDINGS A PROPOSAL OF INTEREST SOCIAL HOUSING TYPE APARTMENT FOR PARNAMIRIM-RN. ABSTRACT This dissertation addresses the flexibility and environmental comfort in apartment buildings within the production of social housing. Some of the main criticisms of the PMCMV fall on the minimum areas of the units, the adoption of typologies of standardized buildings in type "H" blocks, with low utilization of natural lighting and ventilation for all units, as well as the model of private condominiums , Aspects that contribute to the degradation of the dwellers’ life quality. The current proposal has been developed to create an alternative project that allows the expansion of apartment type units and a better adaptation of buildings to the local climate, in order to promote an architectural quality addition to users. It uses as reference the building of the My House My Life Program (PMCMV) in the city of Parnamirim, Rio Grande do Norte, for families with income from 0 to 3 minimum wages. The first step of this paper presents a literature review about the flexibility applied to the architecture with emphasis on strategies of extension, supported by the study of previous architectural and project solutions, as well as identifies specificities of the local production of the PMCMV, through the evaluation of building ventures based on application of questionnaires for the residents as an assisting procedure for the architectural programming of the proposal to be developed. The definition of the proposal seeks to incorporate the revised and reprogrammed aspects, considering the local technical and constructive reality and flow ratio of the project with the environment.. The final proposal presents an. appropriate design concept to the local climate, housing units with variations of area to better serve the various profiles of beneficiaries, with the possibility of planned expansion, allowing them to stay for longer in the property, as well as integrated urban insertion to the surroundings with common spaces shared with the neighborhood.. Key words: Social Housing, flexibility, expansion, thermal performance, architectural design..
(10) LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Tipologias de habitação para o PMCMV 0-3 SM, especificadas na cartilha do programa. À esquerda, casa térrea com 35m² e, à direita, apartamento com 42m². ............. 28 Figura 2 - Exemplo de produção habitacional econômica em Bloco tipo H, do ano de 1950.31 Figura 3 - Vista aérea dos Condomínios residenciais Nelson Monteiro (acima da linha tracejada) e Waldemar Rolim (abaixo da mesma linha), projeto dos arquitetos Marco Câmara e Faulkner Melo. ....................................................................................................................... 32 Figura 4 - Projeto do Residencial Nelson Monteiro composto por 22 blocos tipo “H”, com quatro pavimentos, sendo 352 unidades habitacionais com área útil de 37,01m². Autores: Marco Câmara e Faulkner Melo. .............................................................................................. 33 Figura 5 - Vista geral do Residencial Nelson Monteiro. Autores do projeto: Marco Câmara e Faulkner Melo. .......................................................................................................................... 36 Figura 6 - Estratégia de Flexibilidade tipo Ampliação. ............................................................. 41 Figura 7 - Delimitação da Zona Bioclimática 8. ........................................................................ 44 Figura 8 - Exigências de aberturas para a Zona Bioclimática 8, a partir da NBR 15575........... 45 Figura 9 - Limites de transmitância para Natal-RN, de acordo com as principais normas. ..... 46 Figura 10 - Quinta Monroy, Iquique, Chile. Projeto do escritório Elemental. ......................... 47 Figura 11 - Quinta Monroy, Iquique, Chile. Projeto do escritório Elemental. ......................... 48 Figura 12 - Quinta Monroy, Iquique, Chile. Planta do segundo pavimento. Projeto do escritório Elemental. ................................................................................................................ 48 Figura 13 - Quinta Monroy, Iquique, Chile. Planta do terceiro pavimento. Projeto do escritório Elemental. ................................................................................................................ 49 Figura 14 - Quinta Monroy, Iquique, Chile. Corte Longitudinal. Projeto do escritório Elemental. ................................................................................................................................. 49 Figura 15 - Projeto Elemental Paraisópolis. ............................................................................. 50.
(11) Figura 16 - Projeto Elemental Paraisópolis. O corte mostra apartamentos duplex e tríplex, com e sem ocupação pelos moradores das áreas destinadas a ampliação. ............................ 50 Figura 17 - Projeto Elemental Paraisópolis. Plantas baixas dos diversos pavimentos. Em amarelo as áreas destinadas à ampliação das unidades. ......................................................... 51 Figura 18 - Projeto Elemental Paraisópolis. Plantas de uma unidade duplex. Em amarelo as áreas destinadas à ampliação das unidades. ........................................................................... 52 Figura 19 - Planta baixa da edificação. Em amarelo, lajes que podem ser usadas como terraços e como áreas para ampliação das unidades. ............................................................. 53 Figura 20 - Modelo eletrônico da edificação. Volumes em amarelo demarcam as áreas que podem ser usadas como terraços e como áreas para ampliação das unidades. ..................... 54 Figura 21 - Modelo eletrônico da edificação. Em baixo, edificação sem ocupação. Em cima, edifício ocupado com áreas já ampliadas pelos moradores, apresentando revestimentos e pinturas personalizadas. ........................................................................................................... 54 Figura 22 - Modelo eletrônico do conjunto proposto pelo escritório Triptyque. Uma única linha de circulação serve a dois blocos. ................................................................................... 55 Figura 23 - Modelo eletrônico do conjunto proposto pelo escritório Triptyque. Uma única linha de circulação serve a dois blocos. ................................................................................... 56 Figura 24 - Modelo eletrônico do conjunto proposto pelo escritório Triptyque. Uma única linha de circulação serve a dois blocos. ................................................................................... 56 Figura 25 – Plantas de unidades do conjunto proposto pelo escritório Triptyque. ................ 56 Figura 26 – Vista geral do Residencial santo Amaro V e entorno. ........................................... 57 Figura 27 – Implantação do conjunto. ..................................................................................... 58 Figura 28 – Vista da calçada interna/ parque linear do conjunto. ........................................... 58 Figura 29 - Fachadas do conjunto evidenciando a adequação à topografia e a variação tipológica. ................................................................................................................................. 59 Figura 30 – Planta de pavimento de um dos blocos da edificação e a articulação entre os blocos através das escadas. ...................................................................................................... 60.
(12) Figura 31 – Circulação longitudinal conectando os blocos. ..................................................... 60 Figura 32 – Recorte do painel que mostra o plano geral de um dos setores de intervenção do projeto vencedor do concurso para a Baixinha de Santo Antônio, Salvador-BA. .................... 61 Figura 33 – Vista geral do bloco habitacional com comércio e serviço no térreo. Concurso Baixinha de Santo Antônio. ...................................................................................................... 62 Figura 34 – Pavimentos do edifício habitacional. Concurso Baixinha de Santo Antônio. ....... 63 Figura 35 – Esquema de distribuição das unidades habitacionais na torre. Concurso Baixinha de Santo Antônio. ..................................................................................................................... 64 Figura 36 – Localização do lote na malha urbana e equipamentos públicos. ......................... 66 Figura 37 - Vista aérea do lote, mostrando entorno urbanizado. Em vermelho o Lote. Em amarelo, o Residencial Ilhas do Pacífico e, em azul o Residencial Vida Nova, Ambos empreendimentos do PMCMV 0-3........................................................................................... 67 Figura 38 – Posição do lote na malha urbana próxima. ........................................................... 67 Figura 39 - Dimensões e área do lote....................................................................................... 68 Figura 40 - Foto do lote a partir da Av. Paulo Afonso. ............................................................. 68 Figura 41 - Foto do lote a partir da Av. Paulo Afonso. Existem dois campos de areia para a prática de futebol no terreno. .................................................................................................. 69 Figura 42 - Via informal existente nos limites Norte/ Nordeste do lote. ................................. 69 Figura 43 – Vista do lote a partir da Rua José Augusto Nunes................................................. 70 Figura 44 – Vista do lote a partir da Rua José Augusto Nunes................................................. 70 Figura 45 – Vista da Rua José Augusto Nunes com o lote à esquerda. .................................... 71 Figura 46 – Comércios na Av. Paulo Afonso nas proximidades do lote. .................................. 71 Figura 47 – Comércios na Av. Paulo Afonso nas proximidades do lote. .................................. 72 Figura 48 - Temperaturas de Bulbo Seco e Radiação para Natal. ............................................ 73 Figura 49 - Níveis de iluminação para Natal-RN....................................................................... 73.
(13) Figura 50 - Cartas solares de Junho a Dezembro e de Dezembro a Junho. Em vermelho, as temperaturas acima de 24° C. .................................................................................................. 74 Figura 51 - Cartas Psicrométricas para Natal. Acima, o modelo de conforto adaptativo da ASHRAE Standard 55-2004. Abaixo, as melhores estratégias indicadas por esta norma. ....... 75 Figura 52 - Quadro 01 do Anexo 01 do Plano Diretor de Parnamirim, que estabelece parâmetros urbanísticos para a Zona urbana do município. ................................................... 76 Figura 53 - Áreas e dimensões mínimas para habitações. ....................................................... 77 Figura 54 – Foto de blocos do Condomínio Ilhas do Pacífico................................................... 78 Figura 55 - Questionário em aplicação no Condomínio Ilhas do Pacífico. Fonte: Autor ......... 79 Figura 56 – Planta baixa da unidade padrão do condomínio Ilhas do Pacífico. ....................... 80 Figura 57 – Mapa de aplicação dos questionários no Residencial Ilhas do Atlântico. As unidades foram classificadas nos tipos A, B, C e D em relação à orientação dos blocos. ....... 81 Figura 58 - Gráfico mostrando o número de moradores por Unidade habitacional – Condomínio Ilhas do Pacífico. .................................................................................................. 81 Figura 59 – Gráfico mostrando a idade dos moradores dos apartamentos pesquisados. ...... 82 Figura 60 - Gráfico mostrando a renda familiar declarada, em salários mínimos. .................. 82 Figura 61 - Gráfico mostrando a percepção dos entrevistados da área do apartamento. ...... 83 Figura 62 – Gráfico mostrando a percepção dos entrevistados da área dos ambientes. ....... 83 Figura 63 – Gráfico indicando a preferência de ampliação hipotética da unidade habitacional. .................................................................................................................................................. 84 Figura 64 – Preferência do layout da cozinha. ......................................................................... 85 Figura 65 – Percepção dos moradores quanto ao conforto térmico nos ambientes da UH. .. 85 Figura 66 - Percepção dos moradores quanto ao conforto térmico nos ambientes da UH com respostas agrupadas. ................................................................................................................ 86 Figura 67 - Percepção dos moradores quanto ao conforto térmico nos ambientes dos apartamentos com orientação tipo A. ..................................................................................... 87.
(14) Figura 68 - Percepção dos moradores quanto ao conforto térmico nos ambientes dos apartamentos com orientação tipo C....................................................................................... 87 Figura 69 - Percepção dos moradores quanto ao conforto térmico nos ambientes dos apartamentos com orientação tipo B....................................................................................... 88 Figura 70 - Percepção dos moradores quanto ao conforto térmico nos ambientes dos apartamentos com orientação tipo D. ..................................................................................... 88 Figura 71 – Opinião dos moradores quanto à área de lazer do condomínio. ......................... 89 Figura 72 – Frequência de uso dos moradores dos itens da área de lazer do condomínio. ... 90 Figura 73 – Itens de lazer que os moradores gostariam que existissem no condomínio. ....... 91 Figura 74 - Croqui desenvolvido na disciplina de Atelier integrado II. Mostra a primeira ideia de ocupação do lote, considerando o entorno urbano e a orientação com relação ao sol e aos ventos. ................................................................................................................................ 94 Figura 75 – Diversos tipos de blocos de alvenaria estrutural em cerâmica............................. 96 Figura 76 – Modulação da alvenaria estrutural com blocos cerâmicos e tipos de amarração em canto de parede.................................................................................................................. 97 Figura 77 - Blocos diferenciados, em cor na figura, permitem a passagem de tubulações e dutos além da concretagem de vergas e lajes. ........................................................................ 98 Figura 78 – Laje pré-moldada treliçada.................................................................................. 100 Figura 79 - Croquis do processo de elaboração da Unidade Habitacional. ........................... 102 Figura 80 - Modelo de arranjo das unidades em bloco com 08 apartamentos por pavimento, com comprimento de 89,60m. Acima, planta baixa. Em seguida, fachadas sul e norte. ...... 103 Figura 81 - As áreas de ampliação (em cores) foram inicialmente dispostas de forma cruzada em relação à unidade básica (em cinza). As setas em vermelho indicam a unidade a que estas áreas estão vinculadas............................................................................................................ 103 Figura 82 - Modelo geométrico da proposta de bloco com oito unidades por pavimento. Fachada sul. ............................................................................................................................ 104.
(15) Figura 83 - Modelo geométrico da proposta de bloco com oito unidades por pavimento. Fachadas norte e oeste. ......................................................................................................... 104 Figura 84 - Modelo geométrico da proposta de bloco com 08 unidades por pavimento. Fachada sul (acima) e norte. .................................................................................................. 105 Figura 85 - Estudo de implantação do bloco com oito unidades por pavimento, considerando as esteiras de vento, representadas pelas manchas em cor.................................................. 106 Figura 86 - Estudo de implantação do bloco com quatro unidades por pavimento, considerando as esteiras de vento, representadas pelas manchas em cor amarela. ........... 106 Figura 87 - Evolução do estudo de implantação do bloco com quatro unidades por pavimento, considerando as esteiras de vento, representadas pelas manchas em cor amarela. Em verde, ao centro, área pensada para equipamentos públicos. Em cinza, via pública. ................................................................................................................................... 107 Figura 88 - Evolução do estudo de implantação do bloco com quatro unidades por pavimento............................................................................................................................... 107 Figura 89 - Evolução do estudo de implantação do bloco com 04 unidades por pavimento. Foi criada uma via de acesso público mais ao centro do lote. ............................................... 108 Figura 90 - Fotos da maquete física elaborada na disciplina de Atelier integrado II, em escala 1:200. Neste estudo, propomos a alternância de unidades entre os pavimentos. ............... 109 Figura 91 - Planta baixa de pavimento genérico, sendo 04 unidades por pavimento. ......... 110 Figura 92 - Detalhe da unidade proposta com área para ampliação. .................................... 110 Figura 93 - Modelo geométrico da proposta de bloco com 04 unidades por pavimento, com uma das prumadas de apartamentos avançada. Acima, fachada sul, abaixo, fachada norte. ................................................................................................................................................ 111 Figura 94 – Modelo geométrico com vistas dos blocos implantados no lote, a partir da Av. Paulo Afonso. .......................................................................................................................... 112 Figura 95 – Modelo geométrico com vistas dos blocos implantados no lote, a partir da Rua José Augusto Nunes. ............................................................................................................... 112.
(16) Figura 96 – Implantação geral final. ....................................................................................... 114 Figura 97 – Modelo geométrico da vista geral do conjunto. ................................................. 114 Figura 98 – Proposta final da unidade de dois quartos com área de ampliação. .................. 115 Figura 99 – Proposta final das unidades de um quarto e Studio com área de ampliação. .... 116 Figura 100 – Proposta final das unidades tipo Duplex. .......................................................... 116 Figura 101 – Modulação da estrutura na unidade padrão de dois quartos. Em laranja, a alvenaria estrutural. Em transparência as alvenarias de fechamento. As lajes estão em cinza. ................................................................................................................................................ 117 Figura 102 – Modelo geométrico da proposta mostrando a fachada sul dos blocos E e F, parque infantil e quadra. ........................................................................................................ 118 Figura 103 – Croqui da implantação geral indicando o esquema de acessos e circulações das edificações. ............................................................................................................................. 119 Figura 104 – Croqui de dois cortes longitudinais do bloco padrão indicando esquemas de acessos e circulações das edificações. ................................................................................... 120 Figura 105 – Modelo geométrico da proposta mostrando áreas de convívio com academia e ciclo faixa. ............................................................................................................................... 120 Figura 106 – Modelo geométrico da proposta mostrando áreas de convívio com centro social do conjunto e ciclo faixa. Ao fundo, a fachada sul dos blocos B, C e D. ................................ 121 Figura 107 – Modelo geométrico da proposta mostrando a fachada norte do Centro social do empreendimento.................................................................................................................... 121 Figura 108 – Modelo geométrico da proposta mostrando áreas de convívio com Espaço multiuso e fachada sul dos blocos M e N. .............................................................................. 122 Figura 109 – Modelo geométrico do bloco A com galeria comercial no térreo. Vista a partir da Av. Paulo Afonso. ............................................................................................................... 123 Figura 110 – Modelo geométrico da proposta mostrando a fachada sul dos blocos J, K e L. No térreo do Bloco L, temos a galeria comercial. Vista a partir da Rua José Augusto Nunes. .... 123.
(17) Figura 111 – Modelo geométrico da proposta mostrando a fachada norte dos blocos B, C e D. Nesta fachada, a circulação coletiva funciona também como protetor solar. .................. 124 Figura 112 - Diagrama de máscara de sombra para a janela de dormitórios na fachada sul. Utilizamos a projeção da laje (0,60m) como protetor solar. ................................................. 127 Figura 113 - Diagrama de máscara de sombra para a janela da sala na fachada norte. Utilizamos a projeção da circulação externa como protetor solar (largura de 1,80m). ........ 127 Figura 114 – Acima, diagrama de máscara de sombra para a janela da sala na fachada Sul com variação de 10° para Oeste. Utilizamos a projeção da laje como protetor solar (largura de 0,60m). Abaixo, modelo mostrando a incidência solar para as 15:30h do dia 12/11. ..... 128 Figura 115 - Diagramas de máscara de sombra para a janela de dormitórios na fachada sudeste (bloco A). Acima, projeção da laje (0,60m) como protetor solar. Abaixo, brise pelo lado de fora da janela, além da laje. ...................................................................................... 129 Figura 116 - Diagrama de máscara de sombra para a janela de dormitórios na fachada sudoeste (15°) com brises horizontais. .................................................................................. 130 Figura 117 - Rosa dos Ventos para Natal. Maior quantidade de horas e velocidade do vento concentrados entre o sul e leste. ........................................................................................... 131 Figura 118 - Estudo de coeficientes de pressão de ventos a partir da proposta de projeto para duas direções de vento (sul e sudeste). Em verde, Pressões positivas. Em vermelho, pressões negativas.................................................................................................................. 132 Figura 119 – Estudo Modelo do apartamento indicando as aberturas que terão pressão de vento positivas e as que terão pressão de vento negativas. ................................................. 132 Figura 124 – Recorte de planilha onde foram inseridos os dados de sombreamento das aberturas voltadas para sul e norte, obtidas através do Solar Tool. ..................................... 133 Figura 120 – Tipos de cobertura e paredes externas definidas para o projeto com os respectivos valores de Transmitância térmica (U) dos materiais. ......................................... 134 Figura 121 – Tipos de cobertura e paredes externas com menor desempenho para comparação, apresentando os respectivos valores de Transmitância térmica (U) dos materiais. ................................................................................................................................ 134.
(18) LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Número de Unidades Habitacionais por Empreendimento no Programa Minha Casa Minha Vida 0-3 Salários Mínimos no município de Parnamirim-RN. .............................. 29.
(19) LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Quadro resumo de recomendações para o projeto a partir da avaliação dos moradores do Condomínio Ilhas do Pacífico............................................................................ 92 Quadro 2 – Comparativo dos resultados de simulação de Carga térmica para os dois casos propostos. ............................................................................................................................... 135 Quadro 3 – Comparativo da contribuição dos elementos da edificação no ganho de Carga térmica para os dois casos propostos. ................................................................................... 135.
(20) SUMÁRIO VOLUME I INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 22 1.. A Habitação de interesse social hoje ................................................................................ 25 1.1. Habitação de Interesse Social no Brasil – aonde chegamos........................... 25. 1.2. O Programa minha Casa Minha Vida .............................................................. 27. 1.3. A produção do PMCMV 0-3 em Parnamirim-RN e as críticas ao programa ... 28. 1.4. Qualidade socioambiental em projetos habitacionais: a contribuição do Selo. casa Azul da CAIXA................................................................................................................ 35 2.. Flexibilidade e Expansibilidade na arquitetura residencial .............................................. 38. 3.. Aspectos bioclimáticos e desempenho térmico da envoltória em HIS ............................ 43. 4.. Estudos de referência ....................................................................................................... 47 4.1. Propostas de unidades expansíveis do escritório Elemental ......................... 47. 4.2. Premiados Concurso Habitação para Todos ................................................... 53. 4.3. Projeto Parque Novo Santo Amaro V – Escritório Vigliecca & Associados..... 57. 4.4. Proposta para intervenção na Baixinha de Santo Antônio - Concurso Nacional. de Ideias – 1º Lugar .............................................................................................................. 61 5.. CONDICIONANTES PROJETUAIS........................................................................................ 65 5.1. Área de Intervenção........................................................................................ 65. 5.2. Aspectos bioclimáticos do sítio ....................................................................... 72. 5.3. Legislação e normas ........................................................................................ 76. 5.4. Definição da Unidade Habitacional ................................................................ 77. 5.5. Avaliação de empreendimento do MCMV em Parnamirim por meio dos. moradores 78 6.. Proposta de um apartamento expansível ........................................................................ 93.
(21) 6.1. Definição do Partido Arquitetônico ................................................................ 93. 6.2. Sistema construtivo adotado .......................................................................... 95. 6.3. Processo de concepção e projeto resultante ............................................... 101. 6.4. Detalhamento das decisões projetuais baseadas nos aspectos bioclimáticos e. técnico-construtivos ........................................................................................................... 125 7.. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 137. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................................... 140 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 142.
(22) INTRODUÇÃO Esta dissertação de mestrado profissional propõe um projeto de arquitetura de uma habitação de interesse social vertical, tipo apartamento, com possibilidade de expansão. O projeto desenvolvido se insere como habitação multifamiliar, tendo como referência e objeto de estudo, os condomínios verticais do Programa Minha Casa Minha Vida destinados a famílias com renda mensal de 0 a 3 salários mínimos (PMCMV 0-3), no contexto do município de Parnamirim-RN. A partir de uma análise crítica sobre as soluções de projeto que caracterizam as tipologias dos condomínios verticais de interesse social do programa, o objetivo do trabalho consiste em incorporar atributos de qualidade ao projeto do edifício habitacional, apontando para soluções que ofereçam alternativas aos tipos que estão sendo implantados atualmente dentro do referido programa governamental. As habitações produzidas são caracterizadas basicamente por apartamentos dispostos em blocos de quatro pavimentos em formato “H”, com quatro unidades por andar, sendo a área útil por unidade em torno de 37m². Os blocos em geral são organizados em condomínios fechados com guarita e área de lazer central. Como arquiteto do quadro de servidores do referido município, este modelo de produção de habitação social provocou uma inquietação sobre a qualidade destas moradias, sobretudo quanto à satisfação dos usuários contemplados pelo o programa em relação à área das unidades habitacionais, ao conforto térmico e à inserção urbana destes conjuntos edificados. Um dos problemas verificados em empreendimentos tipo apartamentos mínimos é o engessamento das unidades que, de um modo geral, são destinados a famílias que tendem a ser mais numerosas se comparadas às com renda em faixas superiores. A alternativa proposta adota os conceitos da flexibilidade e da expansibilidade, permitindo possibilidades de ampliação destes apartamentos, que podem ser realizadas pelos próprios moradores, garantindo o acréscimo de pelo menos mais um cômodo por unidade. Outro aspecto do projeto abordado no trabalho diz respeito ao desempenho da envoltória do edifício, tendo em vista as características do clima local. O objeto de estudo deste trabalho é a relação da Habitação de Interesse Social produzida no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida com a qualidade do projeto de 22.
(23) arquitetura. O objetivo geral é desenvolver um projeto de arquitetura de um conjunto habitacional de interesse social, que possibilite futuras ampliações das unidades e que apresente uma envoltória mais adequada às exigências do clima local. Os objetivos específicos são: (i) estudar/ identificar soluções de projeto de conjuntos habitacionais do PMCMV 0-3, em especial a tipologia de condomínios verticais, no âmbito da Região Metropolitana de Natal; (ii) identificar soluções projetuais de ampliações futuras em edificações habitacionais verticais; e (iii) analisar estratégias projetuais para tratamento da envoltória de edificações habitacionais, visando o conforto térmico. Como temos visto nas inúmeras críticas feitas ao programa, os recursos financeiros destinados a cada UH são muito limitantes, tendo reflexo inclusive no cumprimento das normas vigentes, o que determinou um direcionamento para o afrouxamento destas normas por parte do PMCMV, sobretudo no âmbito municipal – como a redução de áreas mínimas, por exemplo – contribuindo assim para um decréscimo de qualidade do empreendimento como um todo. Nossa proposta não é atrelar o projeto desenvolvido às regras do programa Minha Casa Minha Vida, mas utilizá-lo como ponto de partida para a programação arquitetônica, buscando contrapor soluções de qualidade arquitetônica do projeto proposto às críticas levantadas. O trabalho de conclusão do Curso de Mestrado Profissional está dividido em dois volumes: o Volume I é o presente memorial e o Volume II é o anexo ao volume escrito contendo a representação gráfica do projeto, por meio de plantas, cortes, fachadas e perspectivas. O Volume um foi estruturado em seis capítulos. No primeiro, será apresentado um breve resumo do tema habitação de interesse social no Brasil e do Programa Minha Casa Minha Vida. Também, colocamos em discussão as críticas ao programa em face da forma que tomam os empreendimentos no município de Parnamirim-RN. No segundo capítulo, apresentamos um referencial teórico sobre a temática de flexibilidade e, principalmente, expansibilidade na arquitetura, com foco no uso habitacional.. 23.
(24) O terceiro capítulo expõe os aspectos bioclimáticos do local de intervenção e sua influência na envoltória da edificação. Também são mostradas as prescrições das principais normas de desempenho energético para habitações multifamiliares. Em seguida, no capítulo 4, selecionamos alguns projetos que contemplam a temática de apartamentos expansíveis como estudos de referência empíricos para o desenvolvimento do projeto de arquitetura, parte deste trabalho. No capítulo 5 são apresentados os condicionantes projetuais que norteiam a proposta arquitetônica, explicitando como estes influenciam nas tomadas de decisões com relação ao projeto. O capítulo 6 relata a proposta de projeto de arquitetura desenvolvida, demonstrando as definições iniciais de partido e o processo de concepção do mesmo até o produto final, o percurso metodológico, e o resultado final em relação aos objetivos propostos. Por fim, chegam-se às considerações finais e recomendações, onde são expostas de forma conclusiva todas as etapas do trabalho, além das recomendações para complementação do projeto. O Volume II é composto por quatorze pranchas de projetos e onze modelos geométricos representativos do projeto desenvolvido.. 24.
(25) 1. A HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL HOJE 1.1 Habitação de Interesse Social no Brasil – aonde chegamos A memória da arquitetura habitacional social brasileira sempre esteve ligada às suas obras mais conhecidas: os conjuntos Pedregulho e da Gávea, ambos os projetos do renomado Arquiteto Affonso Reidy. Khoury et al. (2003) alertam para o fato de como toda uma história de produção arquitetônica de habitação econômica tem sido ignorada pela historiografia da arquitetura brasileira, que: Estabelecendo uma forte relação entre a arquitetura tradicional brasileira e a nova arquitetura, esta visão se consolidou através de autores como Goodwin, Mindlin, Bruand e Lemos e tem ofuscado uma outra produção arquitetônica de grande relevância e qualidade que se desenvolveu no país entre as décadas de 30 e 60. (KOURY et al., 2013, p. 3). Para estes autores, Pedregulho e Gávea representam o ponto de chegada de uma produção pioneira de habitação social realizada no país, sobretudo pelos IAPs (Institutos de Aposentadoria e Pensões), fonte inicial dos recursos financeiros para a produção deste tipo de habitação. A fase heroica destes institutos, entre os anos 1930 e 1940, foi marcada pela produção de tipologias diversas, onde os arquitetos foram influenciados pelas propostas dos primeiros Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna, que propagaram as ideias de espaço mínimo da moradia e racionalidade construtiva, aliadas às demandas internas de baixo custo e produção massiva de habitações. Este processo de produção experimental e pioneira deu lugar à padronização da produção habitacional, que se intensificou a partir dos anos 1950, culminando no empobrecimento dos projetos habitacionais. (KOURY et al., 2013, p. 6). Com a influência do ideal moderno, apesar da grande produção da casa unifamiliar e isolada, ganhou força uma nova atitude preocupada com o barateamento da construção através da racionalização, industrialização e verticalização, culminando em novas tipologias como os blocos multifamiliares e a inclusão de equipamentos coletivos nos programas das habitações. (BONDUKI, 2002).. 25.
(26) A partir de 1966, o financiamento habitacional passou a ser realizado por meio da captação de poupanças, através do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) dentro do Sistema Financeiro de Habitação. Este sistema de financiamento funcionou a contento até entrar em crise no início da década de 1980, culminando com a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH). (CARDOSO, 2013, p.18). Este mesmo autor mostra que, com o fim do BNH, “programas federais que se sucederam passaram a privilegiar os municípios (e alguns governos estaduais) como os principais agentes promotores da habitação de interesse social” (2013, p.23). O processo de municipalização da política habitacional foi reforçado pela centralidade dos municípios promovida pela Constituição de 1988. Alguns municípios passaram a assumir iniciativas no campo da habitação social, sobretudo no âmbito da regularização fundiária e na urbanização de assentamentos precários. Em 2002 é criado o PAR – Programa de arrendamento residencial que tinha por objetivo minimizar a inadimplência do financiamento público. Com poucos recursos, o autofinanciamento privado supriu as necessidades da alta renda enquanto os setores de renda média baixa eram atendidos pelos sistemas de cooperativas (CARDOSO, 2013). A partir de 2004, com a política habitacional passa a ser dirigida pelo Ministério das Cidades. Em 2005 foi criado o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social que distribuiu as atribuições entre as três esferas do poder. Para Cardoso (2013, p.32), “a lógica da criação do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social seria fortalecer os órgãos públicos municipais e estaduais para a implantação de políticas habitacionais”, possibilitando uma maior participação da sociedade civil a partir dos Conselhos Gestores dos Fundos locais. As condições econômicas e o movimento governamental de liberalização de gastos públicos, traduzido em programas de transferência de renda, possibilitaram um aquecimento do mercado imobiliário, sobretudo pela ascensão e consolidação do poder econômico da classe “C” (renda familiar de 04 a 10 salários mínimos). Com a crise econômica mundial, iniciada em 2008, o setor construtivo foi diretamente afetado. O Governo Federal promoveu uma ampliação de crédito como forma de combater os efeitos da crise na economia brasileira. Em março de 2009 foi lançado o. 26.
(27) Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), com o intuito de dinamizar o mercado habitacional.. 1.2 O Programa minha Casa Minha Vida O Programa Minha Casa Minha Vida, teve como objetivos a disponibilização de créditos e subsídios para a população com renda até 10 salários mínimos e o aporte de recursos para estimular a atividade econômica da indústria da construção civil, com o intuito de impactar a economia como um todo. Com uma política de subsídio direto, o programa foi viabilizado com boa parte de recursos do Orçamento Geral da União (OGU) e recursos do FGTS, e operado pela Caixa Econômica Federal. Com o objetivo de construir um milhão de casas - de acordo com a cartilha do programa - o PMCMV foi estruturado em dois modelos principais, porém distintos em sua essência. Um deles, destinado a famílias com renda acima de 03 até 10 salários mínimos, financiado com recursos do FGTS, com concessão de subsídios diretos variáveis de acordo com a renda, prazos de financiamento alongados e juros reduzidos. Já o modelo para famílias com renda entre 0 e 03 salários mínimos é, na prática, 100% subsidiado. Os Municípios são responsáveis pelo cadastro e seleção dos beneficiários e pela flexibilização de leis urbanísticas e trâmites burocráticos para facilitar a aprovação dos empreendimentos, podendo também participar com a doação de terrenos. O programa coloca como grande protagonista o setor privado que fica responsável pela definição do projeto. A CAIXA contrata a operação, libera os recursos para execução e comercializa os imóveis. A cartilha do programa inclusive define duas tipologias para a faixa de renda: casa térrea com 35m² e apartamento com 42m² (Figura 1). Os valores pagos pela Caixa variam de acordo com a localidade dos empreendimentos. Para o Rio Grande do Norte, na faixa de 0 a 03 salários mínimos, o valor máximo é de R$ 41.000,00 para apartamento e R$ 37.000,00 para casa.. 27.
(28) Figura 1 - Tipologias de habitação para o PMCMV 0-3 SM, especificadas na cartilha do programa. À esquerda, casa térrea com 35m² e, à direita, apartamento com 42m².. Fonte: Cartilha do Programa Minha Casa Minha Vida/ Sem escalas.. De um modo geral, o PMCMV é um programa de crédito tanto ao consumidor quanto ao produtor (CARDOSO 2013, p. 40). Conforme aponta o mesmo autor, em 2011 foi lançado o Programa Minha Casa Minha Vida 2, que apresentou uma melhora no padrão construtivo das unidades, permitiu o uso misto e incentivou a adoção de soluções energéticas sustentáveis. O programa, embora ousado em suas metas, recebeu diversas críticas, sobretudo com relação ao modelo de produção que ficou a cargo da iniciativa privada e, em consequência a isto, a qualidade arquitetônica do que vem sendo produzido. Estas críticas serão apresentadas no item seguinte, a partir da experiência do programa no município de Parnamirim-RN, onde se situa o universo de estudo deste trabalho.. 1.3 A produção do PMCMV 0-3 em Parnamirim-RN e as críticas ao programa A produção do Programa Minha Casa Minha Vida de 0 a 3 Salários Mínimos (PMCMV) em Parnamirim tem adotado a lógica de mercado onde a máxima ocupação e o custo mínimo de produção dos empreendimentos são a tônica do programa. Uma questão que se tem levantado e que fomentou o interesse em desenvolver este trabalho é a adequação deste produto imobiliário às necessidades sociais e culturais da parcela da população a que se destina. Como aponta Cardoso (2013), o Programa Minha Casa Minha Vida tem se caracterizado, nas diversas regiões metropolitanas do país, pela periferização dos empreendimentos com a introdução da tipologia “apartamentos” em territórios onde ela anteriormente não existia. No caso de Parnamirim esta tendência se confirma, onde a totalidade dos empreendimentos adota a tipologia de blocos de apartamentos, sendo a 28.
(29) maioria implantada em áreas periféricas. Considerando também as áreas das unidades habitacionais entregues no município, cerca de 37m² de área útil, nos questionamos em que condições estas moradias serão ocupadas por famílias mais numerosas, ou que venham a crescer ao longo da vida. Outras críticas coletadas por Cardoso (2013) que, pela nossa observação também se verificam em Parnamirim, dizem respeito à produção de conjuntos em grande escala e o problema da falta de vinculação da política habitacional com uma política urbana que oriente o processo de estruturação metropolitana. No caso do programa, o papel do município tem se restringido à doação de terrenos e à flexibilização de exigências urbanísticas para permitir aumentar os índices de utilização do solo nos empreendimentos. A Tabela 1 mostra o número de unidades habitacionais por empreendimento, e as escalas adotadas. Tabela 1 - Número de Unidades Habitacionais por Empreendimento no Programa Minha Casa Minha Vida 0-3 Salários Mínimos no município de Parnamirim-RN.. Empreendimentos PMCMV 0-3 SM - Parnamirim-RN EMPREENDIMENTOS ENTREGUES Nelson Monteiro Waldemar Rolim América I América II Vida Nova Ilhas Do Pacífico Terras De Engenho I Terras De Engenho II Total EMPREENDIMENTOS EM ANDAMENTO Ilhas Do Caribe Ilhas Do Atlântico Irmã Dulce I Irmã Dulce II Irmã Dulce III Total. Nº de Unidades 352 496 496 496 432 464 496 496 3728. 496 496 256 256 256 1760. Total Geral 5488 Fonte: Elaborada pelo autor a partir de dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária – SEHAB.. 29.
(30) A crítica de Maricato (2009) (apud CARDOSO, 2003, p.45) ao Programa ressalta a questão da busca pela quantidade em detrimento da qualidade quando diz que “o combate ao déficit não pode se resumir apenas aos números (...) a questão habitacional no Brasil foi quase sempre tratada como meramente quantitativa, e o sucesso ou fracasso dos programas medido pelo número de unidades construídas”. Para observar melhor as características dos empreendimentos realizados em Parnamirim/RN, a análise tipológica feita por Koury et al. (2003) sobre a produção de habitação econômica no Brasil de 1930 a 1964 nos dá uma perspectiva histórica de aspectos importantes como: (...) (custos, qualidade urbanística e arquitetônica, racionalização do processo construtivo etc.) (...) cederam espaço a projetos cada vez mais padronizados, uniformes e empobrecidos do ponto de vista da arquitetura, o que caracteriza os empreendimentos dos anos 50, prenunciando o que viria a ser a tônica da produção do Banco Nacional de Habitação - BNH depois de sua criação em 1964. (KOURY et al., 2013, p. 6). Vemos que a situação atual pouco difere do que estava sendo realizado na década de 1950, como apontam os autores. De fato, a produção local não tem fugido à lógica de mercado, onde o objetivo principal é produzir mais com menos, uma das características do modelo de execução do Programa. Sobre essa questão, Cardoso (2013) aponta também como críticas ao programa o excessivo privilégio concedido ao setor privado e a perda do controle social sobre a sua implementação, visto que o setor privado é o agente promotor no PMCMV. Em suma, a produção do PMCMV 0-31 no Município de Parnamirim se enquadra nas críticas que se faz nas demais regiões metropolitanas do país. Sobre a tipologia das edificações, Koury et al. (2003) identificaram cinco modelos tipológicos de “blocos médios” de apartamentos em sua pesquisa sobre habitação econômica no país, entre as décadas de 1930 e 1950:. 1. PMCMV: Programa Minha Casa Minha Vida destinado a pessoas com faixa de renda até 3 salários mínimos. 30.
(31) que guardam grande relação com a produção do movimento moderno do período entre guerra na Europa, e que se tornaram referência para a maior parte da produção habitacional brasileira do período seguinte, o do BNH, quando esta fase experimental cedeu lugar para uma produção massiva que gerou uma produção homogênea e sem maior interesse arquitetônico. (KOURY et al., 2003, p.7).. São cinco os modelos identificados pelos autores: blocos compostos por uma caixa de escada para cada duas unidades; blocos em "H" com uma caixa de escada para cada quatro unidades; blocos laminares; blocos com pátio central e blocos em "Y". Os autores analisam para os blocos em "H": Sua vantagem está em atender o dobro de unidades do modelo anterior, com a mesma caixa de circulação vertical. Neste caso a solução típica de agenciamento das unidades é dispor as áreas mais valorizadas (salas e dormitórios) nas faces opostas às da circulação e as áreas de serviço dando para estas, aproveitando o espaço da caixa de escadas também como fosso de iluminação. O problema ocorre na orientação dos blocos que ao privilegiar um dos lados com a melhor insolação, necessariamente prejudicará o outro. (KOURY et al., 2003, p.8).. Dentro deste contexto, vemos nos empreendimentos do programa entregues no município que a prática local tem adotado a tipologia do bloco “H” com partido urbanístico tipo condomínio fechado. No caso do clima local, como detalharemos mais à frente, o problema da orientação é mais relevante visto que, além da preocupação com a insolação, temos também a ventilação natural como condicionante para o conforto térmico no interior de edificações. Figura 2 - Exemplo de produção habitacional econômica em Bloco tipo H, do ano de 1950.. Fonte: (KOURY et al., 2003, p.13).. É o caso dos Residenciais Nelson Monteiro e Waldemar Rolim, situados no bairro Nova Esperança, área periférica do município de Parnamirim-RN, caracterizada por pouca infraestrutura urbana, loteamentos em processo de ocupação e áreas remanescentes de granjas (Figura 3). O partido adotado em ambos foi a repetição do bloco em “H” isolado. Os 31.
(32) lotes são estreitos, estendendo-se até o riacho Água vermelha, cuja faixa de 300m configurase em área de proteção ambiental. As estruturas de uso comum foram alocadas dentro desta área, justamente para aproveitar a faixa do terreno onde é proibida a construção de moradias (Figura 3). Vemos que a diretriz de projeto se fixa mais no aproveitamento construtivo do lote do que na criação de espaços integrados que favoreçam os usuários.. Figura 3 - Vista aérea dos Condomínios residenciais Nelson Monteiro (acima da linha tracejada) e Waldemar Rolim (abaixo da mesma linha), projeto dos arquitetos Marco Câmara e Faulkner Melo.. Fonte: Google Earth. Destaque nosso.. O apartamento segue rigorosamente a área construída estipulada na cartilha do programa, que é de 42 m², com área útil de 37 m² (Figura 4). Como vimos, o bloco em “H” é uma solução econômica, pois uma única caixa de escada serve a quatro unidades. Porém, sobretudo em relação ao clima local, a orientação ao sol e ventos sempre irá desfavorecer um dos lados do bloco.. 32.
(33) Figura 4 - Projeto do Residencial Nelson Monteiro composto por 22 blocos tipo “H”, com quatro pavimentos, sendo 352 unidades habitacionais com área útil de 37,01m². Autores: Marco Câmara e Faulkner Melo.. Fonte: Autores do projeto.. O condomínio fechado também tem sido o modelo de inserção urbana destes empreendimentos habitacionais no município. Contudo, as relações espaciais criadas a partir deste modelo são questionadas, inclusive por imitar uma produção de habitações para ricos que renega a cidade, como apontado por Ferreira (2012): (...) os bairros abastados nem sempre apresentam situação urbanística melhor, mesmo com todos os investimentos, serviços e equipamentos que recebem. Ao contrário, muitas vezes as soluções urbanas e arquitetônicas que adotam resultam em áreas de péssima qualidade, pela forma com que se isolam do restante da cidade e pelos prejuízos ambientais que causam. Além do mais, esse raciocínio esconde uma visão dicotômica da cidade, como se cada lado – o rico e o pobre – existisse por si só, independentemente do outro, quando na verdade ambos interagem e se autoalimentam, numa dinâmica de codependência, para o bem ou para o mal. Por isso, mesmo nas áreas mais privilegiadas, aquilo que vem sendo apresentado como modelo de sucesso urbano infelizmente está longe de sê-lo. (FERREIRA, 2012, p. 13).. 33.
(34) Em. pesquisa. realizada. por. Andrade. (2015),. onde. ela. analisa. quatro. empreendimentos do PMCMV na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a autora critica a adoção deste modelo pelo programa. Para ela, “no que diz respeito ao desenho urbano, a opção pela forma condomínio dos empreendimentos reforça a perspectiva da construção diante daquilo que pode ser considerado como “anticidade”.” (ANDRADE, 2015, p.171). Ainda, a pesquisadora aponta que “(...) a situação de fragmentação do espaço urbano que se agrava quando os condomínios são delimitados por muros em vez de grades ou cercas. A grade permite permeabilidade visual, o que contribui, em algum grau, para o controle social (...)”.(ANDRADE, p.181). Diante de uma sensação de insegurança cada vez mais presente na vida dos habitantes das regiões metropolitanas, o muro aparece como a solução mais comum para a proteção do patrimônio e da vida. Muros altos podem ser vistos tanto nas casas isoladas em lotes, como nos agrupamentos habitacionais. O resultado disso é nocivo à qualidade de vida urbana. “A lógica de construir condomínios com muros e cercas que se isolam, ao invés de se abrir para a cidade, produz malha urbana segmentada, pouco fluida, e que vai aos poucos aniquilando a possibilidade de espaços públicos de qualidade.” (FERREIRA, 2012, p. 16). Este autor também questiona: Como conscientizar as pessoas que condomínios fechados por muros, cercas e guaritas, mesmo que aparentem mais segurança, na verdade segmentam o tecido urbano e acabam por gerar ainda mais insegurança? Que esses mesmos muros eliminam a vitalidade das ruas e matam seu papel de espaço de convívio, transformando-as em corredores para os carros? (...) Que os espaços que se reservam para estacionar os carros tiram dos moradores áreas muito mais saudáveis de lazer e descanso? (FERREIRA, 2012, p. 35).. Vemos assim, que o modelo de habitações mínimas exaustivamente repetidas, em condomínios murados, e com extensas áreas do térreo destinadas às vagas para automóveis tem caracterizado a lógica de produção do PMCMV no país e na produção local. Os aspectos que veremos a seguir podem ser explorados como prática de boa arquitetura em alternativa a este modelo que, como vimos, traz mais problemas que soluções.. 34.
(35) 1.4 Qualidade socioambiental em projetos habitacionais: a contribuição do Selo casa Azul da CAIXA Demonstrando uma preocupação com a qualidade sócio-ambiental dos empreendimentos habitacionais do país, em 2010 a CAIXA, operadora financeira do Programa MCMV, lançou o Selo Casa Azul - Boas práticas para habitação mais sustentável com o objetivo de incentivar, dentre outras questões, o uso racional de recursos naturais na construção de empreendimentos habitacionais, reduzir o custo de manutenção dos edifícios e as despesas mensais de seus usuários. Este instrumento, além de classificar os empreendimentos em vista ao atendimento aos critérios definidos, também se propõe a servir como um guia para adoção de práticas sustentáveis por meio dos empreendedores, visto que a adesão ao sistema de classificação é voluntária. O Selo Casa Azul tem 53 critérios de avaliação distribuídos em 6 categorias assim definidas: 1. QUALIDADE URBANA, 2. PROJETO E CONFORTO, 3. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA, 4. CONSERVAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS, 5. GESTÃO DA ÁGUA, e 6. PRÁTICAS SOCIAIS. Dentre os diversos critérios de avaliação, destacamos a Flexibilidade de Projeto, dentro da categoria Projeto e conforto. Sobre este critério, o instrumento considera que: Embora seja considerado um item de livre escolha, julga-se uma estratégia muito relevante para a habitação de interesse social e, quando não planejada originariamente, pode ser inviável tecnicamente ou contribuir para a geração de desperdício de materiais de construção e aumento da quantidade de RCD (resíduos de construção e demolição), ocasionado por reformas. (JOHN; PRADO, 2010, p. 67).. Outros dois critérios estabelecidos na categoria Projeto e conforto são: Desempenho Térmico – Vedações, e Desempenho Térmico – Orientação ao sol e Ventos. O primeiro diz respeito à adequação dos materiais que compõem a envoltória do edifício com relação às exigências do clima local. O segundo trata do cuidado com a implantação da edificação com relação à insolação e à orientação dos ventos predominantes. Estes dois critérios são colocados como obrigatórios para obtenção do Selo Casa Azul. Contudo, em uma análise geral dos empreendimentos no município, estes aspectos não tem se refletido na arquitetura dos conjuntos construídos. Como visto anteriormente, o bloco tipo H, amplamente utilizado no PMCMV em Parnamirim, apresenta limitações quanto ao melhor 35.
(36) aproveitamento da ventilação natural e proteção solar em parte das unidades. Além disso, alguns materiais como a telha de fibrocimento utilizada na cobertura, como podemos ver na Figura 5, denota pouca preocupação com o desempenho da envoltória. Figura 5 - Vista geral do Residencial Nelson Monteiro. Autores do projeto: Marco Câmara e Faulkner Melo.. Fonte: http://www.construtoraborgesesantos.com/nelsonmonteiro.html Acessado em 27/07/2014.. Diante deste cenário, fica claro como a falta de flexibilidade do modelo tipo de apartamento adotado, a orientação ao sol e ventos/ sombreamento das aberturas e o tratamento da envoltória dos edifícios compromete a qualidade dos empreendimentos. Em primeiro lugar, temos a questão do espaço mínimo de convivência das famílias nas unidades habitacionais. Considerando as dinâmicas familiares da faixa social atendida, é fácil perceber as limitações impostas por este tipo de habitação que não possibilita uma ampliação que poderia ocorrer mais facilmente em um modelo tipo casa implantada em um lote, considerando a mesma área útil de construção. Para Ferreira (2012), A boa arquitetura tem caráter emancipatório e papel fundamental na promoção da qualidade de vida e desenvolvimento humano. Casas que não permitem o convívio familiar, que não oferecem espaços para a reunião da família, brincadeiras e estudos das crianças, não criam condições de desenvolvimento pessoal, familiar e coletivo. (FERREIRA, 2012, p. 30).. 36.
(37) Diante do problema do espaço mínimo, pergunta-se: como produzir uma habitação de interesse social pautada pela flexibilização, permitindo ampliações futuras por parte dos moradores, e que mantenha a mesma relação de custo de produção por unidade, dos empreendimentos do Programa Minha Casa Minha Vida, atualmente produzidos no Município de Parnamirim? Em segundo lugar, temos a questão referente ao conforto ambiental das edificações produzidas. A tipologia do bloco H, embora gere economia de circulação, apresenta problemas quanto à orientação solar e de ventos de parte das unidades. Além disto, alguns materiais empregados podem não ser totalmente adequados ao clima local. É possível a utilização de materiais na envoltória da edificação que tenham um desempenho térmico mais adequado ao clima local, dentro de patamares de custo dos empreendimentos do Programa? Estas são as principais questões que se pretende responder neste trabalho.. 37.
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