• Nenhum resultado encontrado

Relatório estágio profissional

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Relatório estágio profissional"

Copied!
21
0
0

Texto

(1)

R

ELATÓRIO FINAL

M

ESTRADO

I

NTEGRADO

EM

M

EDICINA

Ana Cláudia Pires Oliveira

Nº 2014163

Regente: Professor Doutor Rui Maio

Orientador: Professor Doutor Bruno Heleno

NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas Universidade NOVA de Lisboa

(2)

“Try and leave this world a little better than you found it, and when your turn comes to die you can die happy in feeling that at any rate you have not wasted your time but have done your best.” Robert Baden-Powell

(3)

Agradecimentos

O terminar do estágio profissionalizante representa o fim de uma caminhada que tem tanto de longa como de bela. Este percurso só foi possível por ter sido sempre acompanhada de pessoas incansáveis, não podendo finalizar esta etapa sem lhes agradecer, de coração, o enorme impacto que tiveram em mim.

A minha profunda gratidão dirige-se aos meus pais e à minha irmã por me terem dado a oportunidade de seguir este caminho, por me apoiarem em todas as decisões e por terem sido o meu pilar durante todo este percurso. Por terem acreditado em mim, mesmo nos momentos em que eu hesitava em acreditar. Por terem transformado os 370 km de distância em força e amor. Por serem sempre uma luz no meu caminho, na minha vida.

Às incansáveis amigas com que esta Faculdade me presentou, Joana e Ana, por tornarem este caminho muito mais prazeroso e com as quais aproveitei cada etapa do processo.

Aos meus amigos que me apoiaram e incentivaram a seguir o caminho que sempre idealizei, tornando-se um suporte essencial para manter o equilíbrio entre a vida pessoal e académica.

Aos excelentes profissionais de saúde com os quais tive a oportunidade de estagiar e que me deram bases fundamentais para a minha formação médica.

Por último, deixo ainda o meu agradecimento a todos aqueles que contribuíram para o meu sucesso académico, mas que não estão aqui mencionados.

(4)

Í

NDICE

I. INTRODUÇÃO E OBJETIVOS ... 5

II. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ... 6

I. GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA ... 6

II. SAÚDE MENTAL ... 6

III. MEDICINA GERAL E FAMILIAR ... 7

IV. PEDIATRIA ... 7

V. CIRURGIA GERAL ... 8

VI. MEDICINA INTERNA ... 8

III. REFLEXÃO CRÍTICA ... 9

IV. ANEXOS ... 13

I. SECÇÃO 1–ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE ... 13

II. SECÇÃO 2–CURSOS E CONFERÊNCIAS EM QUE PARTICIPEI DURANTE O ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE ... 13

(5)

I.

Introdução e Objetivos

O último ano da formação pré-graduada é um ano profissionalizante, correspondente à transição para a Prática Clínica que nos espera num futuro cada vez mais próximo. Durante este período, temos a oportunidade de repetir estágios previamente lecionados, com uma atitude mais autónoma e com maior responsabilidade atribuída, contemplando seis áreas médicas: Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Cirurgia Geral e Medicina Interna (anexo 1).

Para além da promoção de autonomia e responsabilidade, o objetivo do estágio profissionalizante prende-se com a consolidação de conhecimentos, elaboração de raciocínio clínico e sensibilização para a relação médico-doente.

Ao refletir sobre o meu trajeto ao longo dos anos teórico-práticos prévios, considero necessário o aprimoramento de algumas aptidões relevantes para o meu crescimento enquanto médica. Numa perspetiva puramente clínica, destaco o desenvolvimento de um raciocínio clínico que me permita detetar precocemente as patologias com que mais frequentemente me irei deparar, assim como saber encaminhar corretamente o doente perante cada achado clínico; a sistematização de um raciocínio e a realização de um exame objetivo adequados, que me permitam identificar as situações com prioridade acrescida; a consciencialização relativamente ao impacto económico de exames complementares de diagnóstico e atitudes terapêuticas, de modo a atuar no sentido de uma adequada gestão de recursos e aumentar a adesão à terapêutica.

Vivemos numa era digital, em que a descoberta de métodos complementares utilizados para diagnóstico, prognóstico e terapêutica é algo muito presente. Promove-se a tecnologia, sendo por vezes desvalorizada a vertente humana e comunicativa. Na prática médica, recebo frequentemente informação sobre pacientes, elaborando hipóteses de diagnóstico e discutindo a melhor abordagem, mas sem ter a oportunidade de estabelecer uma relação mais próxima com os mesmos. Por considerar que a base de uma boa prática clínica se prende no estabelecimento de uma boa relação médico-doente, defini como um dos principais objetivos para este ano melhorar a minha capacidade comunicativa, permitindo-me conhecer as crenças e vontades dos doentes, assim como da sua família, o que me dará oportunidade de intervir de forma mais eficaz no seu trajeto. “Humanizar a medicina é, assim, não apenas uma obrigação educacional, mas também uma condição de sucesso e excelência do profissional de saúde”1. Considero ainda importante o

estabelecimento de relações cooperativas com os restantes profissionais da equipa médica, contribuindo para uma abordagem multidisciplinar, aspeto crucial na prática da medicina.

Por fim, defini ainda alguns objetivos relacionados com as aptidões pessoais que pretendo desenvolver no decorrer deste ano, nomeadamente a autonomia e a proatividade na procura de informação, assim como a participação em atos médicos, em reuniões multidisciplinares e em formações para a educação médica. Além disso, encontrando-me tão próxima de me tornar Mestre em Medicina, considero importante

(6)

encarar este ano com responsabilidade e profissionalismo, bases fundamentais para a prática desta profissão. Com este relatório pretendo documentar as atividades realizadas durante o Estágio Profissionalizante, em que apresento uma Síntese das Atividades Desenvolvidas e uma Reflexão Crítica da contribuição que este ano teve para a minha formação geral onde incluo Elementos Valorativos complementares à educação médica.

____________________

1 Dr. Eduardo Pereira, ”Reconciliar a saúde, medicina e doença: Uma Reflexão”

II.

Atividades desenvolvidas

i. Ginecologia e Obstetrícia

O estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia teve a duração de 4 semanas, divididas entre o serviço de Obstetrícia e o serviço de Ginecologia, perfazendo um total de 2 semanas em cada serviço (Anexo 1). Para este estágio delineei como principal objetivo a elaboração de um raciocínio clínico apto à rápida formulação de hipóteses de diagnóstico nas situações mais prevalentes da especialidade e melhorar a minha capacidade de colheita de anamnese e realização de exame objetivo, tendo em consideração as particularidades intrínsecas a esta especialidade.

Na componente de Obstetrícia, frequentei o Serviço de Medicina Materno-Fetal onde tive a oportunidade de fazer a colheita de anamnese e realização de exame objetivo; a Consulta de Alto risco onde, para além da anamnese, realizei ainda a medição da altura uterina, pesquisa de foco fetal, realização de exsudado retovaginal, elaboração de diários clínicos e interpretação de exames laboratoriais e ecografias; o bloco operatório onde pude observar uma interrupção voluntária da gravidez. Na componente de

Ginecologia, frequentei Consultas de Uroginecologia onde observei sobretudo doentes com patologia do

pavimento pélvico; o bloco de Uroginecologia onde observei cirurgias de correção de incontinência urinária e prolapsos genitais; a Consulta de patologia do colo tendo observado a realização de colposcopias; a Consulta de planeamento familiar; a Ecografia ginecológica e assisti ainda à realização de histeroscopias. Frequentei o serviço de urgência, onde realizei colheita de anamnese e exame objetivo, tendo assistido a 5 partos eutócicos na sala de partos. No bloco de partos assisti a 2 partos distócicos e 3 cesarianas.

Realizei um seminário onde apresentei uma revisão bibliográfica sobre “Malformações uterinas” (Anexo 2). Assisti a uma sessão clínica onde apresentaram dois artigos “Association of adverse perinatal outcomes of intrahepatic cholestasis of pregnancy with biochemical markers” e “Ursodeoxycholic acid versus placebo in woman with intrahepatic cholestasis of pregnancy (PITCHES)”.

ii. Saúde Mental

O estágio parcelar de Saúde Mental teve a duração de 4 semanas e foi realizado na Área da Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Hospital Dona Estefânia (Anexo 1). Sendo a Saúde Mental uma especialidade com a qual tive pouco contacto durante o meu percurso académico e, visto não ter contactado previamente

(7)

com patologias deste âmbito na população pediátrica, considerei este estágio de Pedopsiquiatria importante no sentido de conhecer as principais patologias nesta faixa etária. Os principais objetivos que estabeleci para este estágio foi a familiarização com a prática clínica na Pedopsiquiatria; a realização de uma boa anamnese, o que considero um desafio dada a sensibilidade desta especialidade; a identificação de sinais e sintomas de alarme, de forma a conseguir referenciar corretamente os doentes com patologia do foro psiquiátrico, independentemente da minha especialidade médica.

Durante o estágio, assisti a consultas de pedopsiquiatria onde observei a realização da anamnese pelo meu tutor sendo que, no final de cada consulta, era realizada uma pequena discussão para consolidar as alterações observadas. As patologias mais prevalentes foram a Perturbação da hiperatividade e défice de atenção, seguida de Perturbação de ansiedade e Perturbação do desenvolvimento intelectual. Assisti a uma revisão teórica de “Terapia estratégica”, reuniões semanais de revisão de casos clínicos e a reuniões com as escolas onde foi possível perceber o desempenho e o comportamento da criança em ambiente escolar.

iii. Medicina Geral e Familiar

O estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar teve a duração de 4 semanas (Anexo 1). Tratando-se de um estágio para o qual tive equivalência com Clínica Médica em contexto de mobilidade Luso-Brasileira no 5o ano, este acabou por ser o meu primeiro contacto com a especialidade. Assim, determinei como principais objetivos: o conhecimento do funcionamento dos cuidados de saúde primários; a identificação precoce de fatores de risco para as patologias mais prevalentes; a gestão de doentes com múltiplas comorbilidades e polimedicados; a prescrição adequada de exames complementares de diagnóstico e instituição de terapêutica; a identificação de situações com necessidade de referenciação a outra especialidade médica.

Ao longo do estágio assisti à Consulta de Saúde do Adulto, Consulta de Saúde Infantil e Juvenil,

Consulta de Saúde Materna, Consulta de Planeamento Familiar, Consulta de Diabetes e Consulta Aberta.

A primeira semana de estágio teve um carácter sobretudo observacional, sendo que, nas restantes semanas, tive a oportunidade de conduzir de forma autónoma a maioria das consultas, com discussão final com a minha tutora de todos os casos e prescrições realizadas. Acompanhei equipas de visitas domiciliárias, participei na atividade “Walk with a Doc” e realizei uma apresentação sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), em que destaquei as alterações das indicações terapêuticas das últimas guidelines da GOLD, comparando-as com as da Norma 005/2019 (Anexo 2).

iv. Pediatria

O estágio parcelar de Pediatria teve a duração de 4 semanas (Anexo 1). Para este estágio delineei como principais objetivos o aperfeiçoamento da capacidade de comunicação não só com a criança como com os seus cuidadores; o aprofundamento do meu conhecimento relativamente às patologias mais frequentes neste grupo etário e a identificação dos principais sinais de alarme que necessitam de investigação adicional.

(8)

Ao longo deste estágio, frequentei a Consulta de Hematologia, o Internamento de Hematologia e o

Serviço de Urgência, onde tive a oportunidade de realização de anamnese, exame objetivo e interpretação

de exames complementares de diagnóstico, assim como de discussão da proposta terapêutica adequada a cada situação. Frequentei ainda, com carácter observacional, a Consulta Externa de Coagulação, a Consulta

de Imunoalergologia e a Consulta de Estomatologia. Durante o estágio presenciei reuniões de Passagem de

doentes, realizei o workshop de simulação em Urgências Pediátricas e apresentei um trabalho sobre “Consentimento informado na tomada de decisões em Pediatria” (Anexo 2).

v. Cirurgia Geral

O estágio parcelar de Cirurgia Geral teve a duração de 8 semanas (Anexo 1). Este dividiu-se em uma semana de sessões formativas, cinco semanas de Cirurgia Geral e duas semanas na Unidade de Cuidados Intensivos. Tratando-se de um estágio pelo qual tenho especial interesse, defini como objetivos: a consolidação de conhecimentos relativamente às patologias mais prevalentes, incluindo a sua etiopatogenia, semiologia, fundamentos diagnósticos e abordagem terapêutica; abordagem do doente em contexto pré, intra e pós-operatório, recordando os principais cuidados a ter em cada contexto; aperfeiçoamento de técnicas cirúrgicas e automatização da técnica asséptica e das regras de circulação no bloco operatório.

Ao longo do estágio, frequentei o Bloco Operatório, Internamento de Cirurgia Geral, Pequena Cirurgia, Consulta Externa, Urgência Interna, Unidade de Cuidados Intensivos e Consultas Multidisciplinares de decisão terapêutica. Tive a oportunidade de colheita de anamnese e realização de exame objetivo em contexto de pré-operatório, pós-operatório e de urgência. Tive ainda a oportunidade de participar em 17 cirurgias, maioritariamente no contexto de patologia tiroideia, executando o papel de cirurgião assistente em duas delas. Estive presente numa apresentação informal relativa à Cirurgia em situações de Guerra e participei num curso, igualmente informal, que possibilitou a prática de técnicas de pequena cirurgia. Assisti a uma reunião Multidisciplinar da Tiroide, assisti às 7as Jornadas do Departamento de Cirurgia do Hospital Beatriz Ângelo (Anexo 5) e realizei um trabalho de apresentação de um caso clínico observado ao longo do estágio “De vestigial a personagem principal: Lesão mucinosa apendicular de baixo grau” (Anexo 2).

vi. Medicina Interna

O estágio parcelar de Medicina Interna não foi realizado devido à Pandemia Covid-19 (Anexo 1). Para este estágio tinha delineado como objetivos: a abordagem do doente com as patologias médicas mais prevalentes, desde o conhecimento da semiologia inerente a cada patologia, à abordagem diagnóstica e terapêutica; a sistematização da abordagem do doente com patologia aguda; o aperfeiçoamento da capacidade de comunicação e o desenvolvimento da minha capacidade de acompanhar os doentes de forma autónoma ao longo do internamento.

Como alternativa ao estágio, foi realizado um trabalho sobre “Papel dos Biomarcadores na gravidade de doença por SARS-CoV-2” (Anexo 2). De modo a tentar colmatar as falhas decorrentes da ausência prática

(9)

deste estágio, participei no Future MD – Frente a frente com o futuro (Anexo 4) e no Webinar – 1o congresso

de Imunoalergologia (Anexo 3) realizado pelo Grupo Luz Saúde, estudei temas aconselhados pelos docentes

da Unidade Curricular e resolvi casos clínicos relativamente aos mesmos, através da plataforma AMBOSS. Tratando-se de um período de dificuldades generalizadas, procurei manter-me informada e informar familiares, amigos e vizinhos relativamente ao conhecimento atual e às medidas e precauções aconselhadas. De modo a evitar o contacto de familiares e vizinhos mais idosos com situações de risco, ofereci a minha ajuda em atividades básicas mas fundamentais, como a ida ao supermercado e à farmácia.

III.

Reflexão crítica

Após 6 anos desde o momento em que ingressei em Medicina, finalizando agora o estágio profissionalizante, considero importante refletir sobre o meu percurso e sobre o impacto deste último ano na minha formação académica. Os objetivos esperados para o licenciado médico são inúmeros, considerando que apenas a repetição prática das diferentes valências ao longo destes anos nos permite aproximar daquilo que é esperado para um aluno de sexto ano, prestes a ser intitulado como Mestre de Medicina. Posto isto, iniciei esta última etapa com objetivos bem definidos, motivada a agarrar todas as oportunidades que surgissem e a procurar experiências que me permitissem crescer a nível académico e pessoal.

Por um lado, procurei desde o início articular o estudo para a Prova Nacional de Acesso com os estágios em que me encontrava. Considero que foram criadas sinergias porque, por um lado, consegui a nível prático aplicar conhecimentos estudados e, por outro, tive a oportunidade de esclarecer dúvidas com os meus tutores e determinar a melhor abordagem em determinadas situações. Assim, acredito ter aproveitado cada estágio de uma forma muito mais completa e enriquecedora.

Por outro lado, dei especial ênfase à prática de uma boa relação médico-doente pois, ao longo do curso, fui percebendo a sua importância na prática clínica. Trata-se de uma ferramenta que não só deixa o doente mais confiante em compartilhar os seus problemas, sintomas e dúvidas, como é fundamental no aumento da eficácia dos processos diagnósticos e terapêuticos, indispensáveis ao resultado médico. Assim, dada a enorme variabilidade interindividual entre pacientes, considero necessária a prática repetida do exercício de empatia e comunicação com o doente, independentemente das suas crenças, etnia, género, idade e perante diferentes personalidades. Considero que os estágios que mais me ajudaram neste sentido foram os de Obstetrícia e Medicina Geral e Familiar pois foram aqueles em que tive a oportunidade de conduzir autonomamente um número considerável de consultas, praticando ativamente técnicas que fui observando através dos meus tutores e que me permitiram estabelecer uma boa relação com o doente.

Relativamente ao estágio de Obstetrícia, uma vez que participei neste de forma muito ativa, consegui aplicar conhecimentos e, deste modo, sistematizar o meu raciocínio clínico relativamente às complicações mais frequentes durante a gravidez e qual a melhor abordagem perante cada uma; quais os exames

(10)

complementares de diagnóstico que devem ser realizados e em que períodos; e um melhor esclarecimento da abordagem de determinadas patologias médicas durante este período. Apesar de ter observado alguns partos eutócicos e distócicos, sinto ser necessário participar nestes procedimentos, o que espero realizar no meu futuro. Quanto ao estágio de Ginecologia, trata-se de uma especialidade na qual sempre tive especial interesse, contudo com muito pouco contacto durante o meu trajeto. Assim, frequentei todas as valências com que me presentearam e, apesar do carácter sobretudo observacional, fui acompanhada por profissionais interessados em ensinar-me todos os procedimentos realizados. Sinto que aprendi e cresci muito nesta especialidade, o que fez com que o meu interesse por esta área se tornasse ainda maior.

O estágio de Saúde Mental foi, para mim, um enorme desafio. Considero que a prática clínica nesta especialidade exige uma enorme sensibilidade da parte do profissional de saúde, a qual se prende em detalhes difíceis de detetar para aqueles que não a praticam. Por se tratar de uma área com a qual temos pouco contacto durante o curso e, sendo o meu primeiro contacto com a Pedopsiquiatria, foi, efetivamente, desafiante. Inicialmente, tive alguma dificuldade em interpretar as consultas, não conseguindo tirar muitas conclusões para além daquilo que era verbalizado pelos doentes. Contudo, fui orientada no sentido de prestar atenção a todos os detalhes, desde o olhar, ao modo como a criança reage a cada pergunta, como fala de cada assunto e mesmo aos desenhos por estas elaborados. Assim, rapidamente percebi que podemos tirar muita informação da comunicação não verbal de uma entrevista clínica, sobretudo nesta faixa etária. Apesar de continuar a acreditar na importância da experiência no que refere à sensibilidade necessária para uma boa orientação do doente em Saúde Mental, terminei este estágio mais apta para abordar um doente com patologia do foro da Psiquiatria.

O estágio de Medicina Geral e Familiar foi o mais desafiante e recompensador que tive ao longo deste ano profissionalizante. Dado o meu desejo em exercer uma especialidade médico-cirúrgica no futuro, Medicina Geral e Familiar nunca foi uma especialidade que me despertou especial interesse. Contudo, em quatro semanas, foi-me atribuída uma enorme autonomia e responsabilidade, tendo a oportunidade de dirigir a maioria das consultas sozinha. Com isto, consegui desenvolver capacidades comunicativas tanto com o doente como com toda a equipa da Unidade de Saúde Familiar (USF), passando assim a conhecer melhor o funcionamento dos serviços primários de saúde. Além disso, pude integrar-me na realidade em que alguns dos pacientes vivem através das visitas domiciliárias, o que me permitiu entender melhor a importância de nos contextualizarmos com a condição socioeconómica de cada paciente, de modo a adaptarmos os cuidados a cada um. Treinei ainda o raciocínio clínico para a deteção precoce de sinais de alarme de determinadas patologias e deteção de situações com necessidade de referenciação a especialidade médica. Pela primeira vez, tive a oportunidade de realizar o pedido de exames complementares de diagnóstico e prescrição medicamentosa, discutindo todas as decisões, no final de cada consulta, com a minha tutora. Isso permitiu-me uma permitiu-melhor sistematização de conhecipermitiu-mentos adquiridos ao longo do curso e, ainda, treinar o permitiu-meu

(11)

raciocínio que, até ao momento, se focava sobretudo na semiologia. Acredito que este tenha sido dos estágios mais completos e que melhor me preparou para a prática médica que se aproxima.

O estágio de Pediatria permitiu-me atingir os objetivos previamente delineados. Com a frequência semanal do Serviço de Urgência, tive a oportunidade de avaliar diversas patologias agudas e, em algumas situações, realizar a anamnese e exame objetivo. Esta experiência contribuiu para ganhar alguma confiança na abordagem do doente nesta faixa etária e, desenvolver técnicas de comunicação tanto com o doente como com os seus cuidadores. Visto que, em anos prévios, tive contacto com a Pediatria Geral, considero uma mais valia a oportunidade de conhecer a subespecialidade de Hematologia, sistematizando o meu conhecimento relativo às patologias mais prevalentes nesta área médica. A discussão de casos clínicos ao nível da enfermaria permitiu-me não só aplicar alguns conhecimentos adquiridos em anos prévios, como também aprender muitos outros com os profissionais que me acompanharam.

Relativamente ao estágio de Cirurgia Geral, tratando-se de uma especialidade na qual tenho imenso interesse e a qual considero exercer num futuro próximo, admito ter delineado objetivos ambiciosos para o mesmo, os quais considero ter atingido orgulhosamente. Foi um estágio muito completo, tendo acompanhado o meu tutor em todas as atividades, o que me permitiu obter uma visão global da prática clínica nesta especialidade. O sentido de autonomia que me foi atribuído, aliado à integração na parte da equipa e à permissão em assistir a todos os processos de uma forma ativa, tornou este estágio crucial para a elaboração de uma ideia fundamentada e completa sobre a especialidade, que considero ter um grande impacto nas minhas decisões no que refere o meu futuro profissional. Durante o estágio, auxiliei autonomamente na enfermaria e consultas e participei quase diariamente em cirurgias, o que possibilitou uma aprendizagem técnica que superou excepcionalmente as minhas expectativas.

O estágio de Medicina Interna, não se tendo realizado, resultou naquilo que considero ser uma lacuna no meu percurso académico. Considero este um dos estágios mais completos, dado que nos é dada a oportunidade de contactar com as patologias mais prevalentes e em que é possível reunir diferentes especialidades para a discussão de cada caso clínico. Isto permite-nos praticar uma medicina baseada no paciente e não na patologia, o que é bastante desafiante para nós, estudantes, habituados a estudar cada patologia isoladamente. Entristece-me não ter realizado este estágio, pois não duvido dos efeitos benéficos que teria no meu desenvolvimento pessoal e profissional. Contudo, e focando-me no futuro, tenciono encarar o estágio de Medicina Interna do Internato do Ano Comum da forma mais proveitosa que conseguir, retirando o máximo de aprendizado do mesmo. Além disso, tal como fiz durante este período de pandemia, continuarei a procurar participar em Congressos e Formações extracurriculares no sentido de complementar a minha formação da melhor forma possível.

Uma vez que a Medicina é uma ciência que se encontra em constante evolução, considero importante o investimento em formações extracurriculares em áreas que nos suscitem especial interesse e

(12)

que nos permitam acompanhar os avanços da Medicina. Deste modo, participei em diversos programas formativos extracurriculares ao longo de todo o curso, tendo durante este último ano participado no curso

Trauma Evaluation And Management (Anexo 6) no âmbito da Unidade Curricular de Cirurgia Geral e nas

“7as Jornadas do Departamento de Cirurgia” (Anexo 5). Adicionalmente, e perante a conjuntura atual, participei durante este período no congresso Future MD – Frente a frente com o futuro (Anexo 4) e no

Webinar – 1o congresso de Imunoalergologia (Anexo 3).

Por fim, ao longo do meu trajeto, considero ter aproveitado as oportunidades que surgiram da melhor forma, o que potenciou o meu crescimento e me tornou numa futura médica autónoma, responsável e proactiva. Devo isto não só aos excelentes profissionais que me ajudaram e incentivaram a descobrir o meu caminho, como também a desafios aos quais me propus ao longo do meu trajeto. Como Coordenadora da

Cultura e Workshops da AEFCM (Anexo 8), tive a oportunidade de desenvolver espiríto crítico e proatividade

que se refletiram na constante busca de novas atividades a realizar. Também a responsabilidade e autonomia foram características cruciais para o desempenho do meu cargo, permitindo-me desenvolver a capacidade de trabalho em equipa, característica essencial na prática clínica. Para o desenvolvimento destas aptidões, considero também crucial o programa de mobilidade que realizei na Universidade de São Paulo (Anexo 7). Como o ensino médico neste país tem uma vertente essencialmente prática, tive a possibilidade de, durante 7 meses, praticar os meus conhecimentos de forma independente, realizando inúmeras consultas em contexto de ambulatório e de urgência e sendo responsável pela evolução de pacientes durante o internamento, desde a anamnese até à proposta terapêutica. Devido às dificuldades presenteadas, fui forçada a desenvolver o meu espírito de autonomia e proatividade, o que considero ter-me preparado da melhor forma para este ano profissionalizante e, consequentemente, para o meu futuro enquanto médica. Concluindo, é com orgulho que finalizo este ano, este curso e esta etapa da minha vida. Termino com a sensação de que consegui atingir os objetivos que fui delineando ao longo deste percurso e acredito ter reunido em mim capacidades para iniciar a nova etapa que se segue com sucesso, tendo a consciência do tanto que tenho por aprender, e de que o processo de aprendizagem não cessará. A formação médica “impõe períodos prolongados de educação científica e profissional e a Sociedade espera e exige do Médico, competência e actualização permanente dos conhecimentos, isto é, aprendizagem contínua, para a vida”2.

____________________

2 Victorino, R., Jollie, C., e McKimm, J. (2005). O licenciado médico em Portugal. Core graduates learning

(13)

IV.

Anexos

i. Secção 1 – Estágio profissionalizante

i. Anexo 1: Cronograma das atividades desenvolvidas durante o Estágio Profissionalizante

ii. Anexo 2: Apresentações realizadas durante o estágio profissionalizante

ii. Secção 2 – Cursos e conferências em que participei durante o estágio profissionalizante

i. Anexo 3: Webinar – 1º Congresso de Imunoalergologia ii. Anexo 4: Future MD – Frente a frente com o futuro iii. Anexo 5: 7ªs Jornadas do Departamento de Cirurgia

iv. Anexo 6: Curso Trauma Evaluation And Management (TEAM) iii. Secção 3 – Outros

i. Anexo 7: Mobilidade Luso-Brasileira

(14)

Anexo 1: Cronograma das atividades desenvolvidas durante o Estágio Profissionalizante

Tabela 1. Cronograma do estágio profissionalizante

Estágio Data Local de Estágio Tutor de estágio

Ginecologia e Obstetrícia

09/09/2019-04/10/2019 Maternidade Alfredo da Costa

Dr.ª Marta Plancha e Dr.ª Patrícia Amaral

Saúde Mental

07/10/2019-31/10/2019

Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Hospital Dona

Estefânia

Dr. Juan Sanchez

Medicina Geral e Familiar

04/11/2019-29/11/2019 USF Santo Condestável Dr.ª Salomé Coutinho

Pediatria

02/12/2019-10/01/2020

Serviço de Hematologia

Hospital Dona Estefânia Dr.ª Paula Kjöllerstrom

Cirurgia Geral

20/01/2020-13/03/2020 Hospital da Luz – Lisboa Dr. Miguel Allen

Medicina Interna

16/03/2020-15/05/2020

Hospital Santo António dos

(15)

Anexo 2: Apresentações realizadas durante o estágio profissionalizante

Tabela 2. Descrição sumária das apresentações realizadas durante o estágio profissionalizante

Estágio Tema e autores Descrição sumária

Ginecologia e Obstetrícia

“Malformações uterinas”

Ana Oliveira, Ana Gamboa, Gabriela Amaral

Apresentação de dois casos clínicos de doentes com malformações uterinas e revisão da sua classificação, apresentação

clínica, diagnóstico e terapêutica.

Medicina Geral e Familiar

“DPOC: guidelines GOLD vs Norma 005/2019”

Ana Oliveira

Comparação das últimas guidelines da GOLD (Setembro de 2019) com as da

Norma 005/2019 (Agosto de 2019) relativamente à abordagem do doente com

DPOC, destacando as suas diferenças.

Pediatria

“Consentimento informado na tomada de decisões em pediatria”

Ana Oliveira, Joana Cernadas, Maria Gama Lobo, Mariana Serra

Revisão dos princípios do Consentimento Informado na tomada de decisões em Pediatria, com ponto de partida num caso

clínico.

Cirurgia Geral

“De vestigial a personagem principal: lesão mucinosa apendicular de baixo

grau (LAMN)”

Ana Oliveira, Ana Gamboa, Joana Cernadas, Lara Neto

Caso clínico sobre LAMN, realizando uma revisão da sua classificação, apresentação

clínica, diagnóstico e terapêutica.

Medicina Interna

“Papel dos Biomarcadores na gravidade de doença por SARS-CoV-2”

Ana Oliveira, Isabel Lahoz, Joana Cernadas

Revisão de artigos relativamente ao papel dos biomarcadores na gravidade de

(16)

Anexo 3: Webinar – 1º Congresso de Imunoalergologia

Webinar 1º Congresso Nacional

Imunoalergologia

— Certificado de Participação EMITIDO POR:

Hospital da Luz Learning Health Avenida Marechal Teixeira Rebelo, 20 1500-427 Lisboa NOME Ana Oliveira DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO 14095356 CÓDIGO DE CERTIFICADO C-5eaad34922af2 Evento

Webinar 1º Congresso Nacional Imunoalergologia

22-05-2020 09:00 ® 22-05-2020 18:30 - Duração: 8 horas

O Centro de Alergia e Imunidade do Hospital da Luz Lisboa organiza o 1º Congresso Nacional de Imunoalergologia do Grupo Luz Saúde, intitulado «2020: uma nova década em

Imunoalergologia» que vem abordar vários temas da especialidade, atualizando conhecimentos em áreas como alergia respiratória, alergia cutânea, alergia alimentar e alergia a medicamentos entre outras temáticas complementares como é o caso do atual desafio da doença COVID 19.

Contará com a presença de diversos especialistas da área, nacionais e internacionais, reconhecidos mundialmente pelo seu expertise em domínios específicos da Imunoalergologia.

learninghealth.up.events

(17)

Anexo 4: Future MD – Frente a frente com o futuro

FutureMD- Frente a frente com o futuro

— Certificado de Participação EMITIDO POR:

AEFCM - Associação de Estudantes da NOVA Medical School Campo Mártires da Pátria, 130

1169-056 Lisboa NOME Ana Oliveira DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO 14095356 CÓDIGO DE CERTIFICADO C-5ea31f479cbfc

(18)

Anexo 5: 7ªs Jornadas do Departamento de Cirurgia

7ªs Jornadas do Departamento de Cirurgia

— Certificado de Participação EMITIDO POR:

Hospital da Luz Learning Health Avenida Marechal Teixeira Rebelo, 20 1500-427 Lisboa NOME Ana Oliveira DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO 14095356 CÓDIGO DE CERTIFICADO C-5e1f97b13e8fc Evento

7ªs Jornadas do Departamento de Cirurgia

24-01-2020 08:30 ® 25-01-2020 18:00 - Duração: 12:30 horas

Reconhecidos especialistas vão estar presentes nos dois dias destas 7ªs Jornadas do

Departamento de Cirurgia para apresentar uma visão multidisciplinar sobre a formação em cirurgia. DESTINATÁRIOS

learninghealth.up.events

(19)
(20)
(21)

Anexo 8: Coordenadora da Cultura e Workshops da DAEFCM

Certifica-se que Ana Cláudia Pires Oliveira, portadora do cc nº14095356, desempenhou o cargo

de Coordenadora da Cultura e Workshops no mandato de 2016 da Direção da Associação da Faculdade de Ciências Médicas | NOVA Medical School da Universidade Nova de Lisboa. Lisboa, 6 de Janeiro de 2017,

_________________________________________________

Inês Neri Presidente AEFCM

_________________________________________________

Catarina Rolo Santos Vice-Presidente da AEFCM

Imagem

Tabela 1. Cronograma do estágio profissionalizante
Tabela 2. Descrição sumária das apresentações realizadas durante o estágio profissionalizante

Referências

Documentos relacionados

Ao analisar o conjunto de empresas de dois segmentos da BM&FBOVESPA –Energia Elétrica e Bancos –, verifi cando as métricas fi nanceiras de rentabilidade e risco Nunes, Nova

As informações básicas sobre a forma de acesso às referências bibliográficas e ao material de apoio, as propostas de atividades, bem como os aplicativos necessários para

Muitos rituais, a nível familiar, são dedicados a estes mesmos kami, no entanto, ao contrário da maior parte, Amaterasu Ōmikami não só é considerada uma

Assim procedemos a fim de clarear certas reflexões e buscar possíveis respostas ou, quem sabe, novas pistas que poderão configurar outros objetos de estudo, a exemplo de: *

Considerando que, no Brasil, o teste de FC é realizado com antígenos importados c.c.pro - Alemanha e USDA - USA e que recentemente foi desenvolvido um antígeno nacional

By interpreting equations of Table 1, it is possible to see that the EM radiation process involves a periodic chain reaction where originally a time variant conduction

O desenvolvimento desta pesquisa está alicerçado ao método Dialético Crítico fundamentado no Materialismo Histórico, que segundo Triviños (1987)permite que se aproxime de

In order to increase the resolution power for cluster analysis within the Portuguese strains, we used PHYLOViZ online 2.0 Beta version ( http://online2.phyloviz.net ), which